Com a rentré política a fazer-se, essencialmente, pelas chamadas pomposamente Universidades de Verão (deve ter sido nestas universidades que se têm formado os sócrates e os relvas…), onde os líderes políticos vão babar-se com a sua «obra», verberando discursos que, na essência, nada dizem.

Um dos secretários gerais, de um dos partidos do arco do governo, afirmou que alguns (referia-se a essa eminência parda do governo – António Borges) se tivessem passado pelas fileiras partidárias, leia-se estas universidades e pelas jotas, não cometeria erros políticos! Sabemos que este secretário geral, de política, conhece o percurso das jotas e o carneirismo partidário. Este, como outros, o único percurso político é o das fileiras nas jotas. Onde se aprende a ser parasita do sistema. O governo está enxameado de meninos e meninas que a única experiência profissional e política que possuem é o colar-se a um influente dentro do partido. Nem preciso referir nomes. A começar no topo até ao chefe de gabinete e secretário, a maioria vem dessa «universidade». Não admira que estejamos a ser governados da forma que estamos. A maioria dos últimos executivos é formado por gente que não tem experiência profissional nem política. Por isso, acho um piadão a essa das universidades de Verão. É que o mérito só serve para os outros!
E falando de mérito, agora a troika está cá de novo, em todas as outras vezes que aqui esteve para verificar a execução do tal malfadado memorando, ouvimos sempre grandes elogios ao governo. Porque está a cumprir, pela determinação, pelo esforço… sei lá, sempre o elogio. De tal forma que o sr. Primeiro Ministro afirmava com orgulho que o programa da troika era o programa do PSD! Pois bem, agora que é sabido (como se alguma vez tivesse sido desconhecido) o não cumprimento do défice para este ano, o governo, aponta falhas ao programa da troika! Ah! Mas esta vem logo responder que, se ouve falhas, elas são da responsabilidade do governo! Como se eles, coitadinhos, não tivessem culpa alguma. Faz-me lembrar aquele episódio em que a mãe apanha o filhote cheio de chocolate na cara e lhe diz, foste comer o chocolate!?, e o miúdo lhe responde: eu não fui! Em que ficamos? Creio até, que toda a gente sabia que não se ia cumprir a tal meta do défice. Nem com o roubo dos subsídios! Castraram a economia nacional, carregaram os portugueses com impostos, agravaram as finanças das pessoas, como querem que haja actividade económica? E sem esta, como querem que haja pagamento de impostos? Espantam-se que há um problema para atingir tal meta do défice? Por amor de deus! Com a política do «custe o custar», conduziram o país para a asfixia económica e social. O desemprego sobe em flecha, os preços não estagnam, os salários, para quem o tem, é minúsculo. A pobreza expande-se igual que os incêndios pelo país. Contudo, não se vêem os cortes nas PPP’s, nas mordomias, nos assessores (muitos adjuntos de adjuntos…), na brutal frota de gama alta de automóveis do estado (será que essa gente não ganha o suficiente para comprar carro? Como farão os outros para ter carro?), as dezenas de fundações mantêm-se e, até, aquela que era a bandeira das reformas – a alteração da lei do poder local – já foi para as calendas gregas! Na prática, o que estes iluminados (governo e troika) souberam fazer, não foi a redução do défice através da redução da despesa do estado, foi aquilo que é mais fácil: aumentar impostos, despedir funcionários e cortar nos salários. Era preciso virem esses doutores e professores catedráticos para nos ensinarem isso? Porque o resto, meus amigos, continua tudo igual. Até ao final do ano vamos assistir a estas trocas e tricas com a troika.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

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