Na má comunicação ao Partido, de que é chefe, e indirectamente ao País, Passos Coelho blasonou com os elogios que a sua acção governativa vem merecendo da Troika.

Pedro Passos Coelho

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaEstabelecendo uma nova trindade, cujos vértices situa respectivamente um naquela entidade supranacional, outro no Governo e o terceiro no Povo Português, Sua Excelência formula um silogismo, baseado na premissa de que tudo o que é bom para a TROIKA, é, por essência, bom para Portugal, esquecendo, no entanto, ser aquele simultaneamente um organismo de tutela e de representação dos nossos credores internacionais.
Ora, se pode ter-se como genericamente certo que o tutor quer sempre o melhor para o tutelado, já a mesma identificação de interesses não interliga credor e devedor, sobretudo quando aquele é o capital anónimo e vagabundo interessado em explorar o devedor, quaisquer que sejam os sacrifícios a este impostos.
E mesmo para os credores dominados por sentimentos de filantropia e benemerência, normalmente inexistentes nos senhores do dinheiro, há dois factores onde a divergência é fatal – taxas de juros e prazos de vencimento.
A Igreja Católica, humaníssima em todas as suas cambiantes, sempre ensinou que a usura traz peso de consciência aos que a praticam e avilta aqueles que a sofrem.
Como sempre proclamou também contra a imposição de prazos que implique sacrifícios que a sua live negociação possa evitar.
E esta luz, o que é bom para a Troika é inelutavelmente mau para o Povo.
E, de qualquer modo, o Governo, que é governo, tem obrigação de buscar e encontrar o ponto de equilíbrio entre os interesses da Troika e os do Povo Português, dando, em caso de conflito, prevalência a estes últimos que têm de ser os primeiros.
De acordo até com um princípio de direito natural: Salus populi summa lex est.
E neste momento, há dois desígnios nacionais que a todos se têm de sobrepor – dar uma enxada a cada braço e fazer crescer a economia nacional. Sem a plena realização do primeiro, está posta em causa a paz social. Sem o segundo, quaisquer que sejam os sacrifícios impostos á grei, não podemos sequer pagar os juros, quanto mais a dívida.
Pelo que falharemos também ante a Troika.
«Caso da Semana», opinião de Manuel Leal Freire

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