Um dias destes ao entrar num café aqui da Cidade, olhei para o écran da televisão, nele estava o senhor António Borges dando uma «entrevista». Ponho – entrevista – entre aspas, porque na realidade estava a transmitir o que a Alemanha e o FMI lhe mandaram fazer em relação à privatização da RTP. Será que nesta altura ainda há gente que não se apercebeu do poder deste homem em matéria económica e política no nosso País? E ninguém votou nele…

António EmidioNeste artigo não irei falar dos lucros da empresa, ou empresas privadas a quem for dado o negócio da privatização, fala-se em 20 milhões de euros. Irei falar de outra coisa bem pior, o controlo da mente através do écran que os novos donos irão praticar.
Vejamos esta hipotética situação: o governo deseja privatizar o maior hospital público do País, deveria chegar à televisão e dizê-lo aos portugueses, depois os órgãos de comunicação social analisariam a mensagem e tomariam partido, mas seria o Povo Português a dar a sua opinião, dizendo se estava de acordo ou não. Mas tudo seria bem diferente querido leitor(a), funcionaria assim: o senhor primeiro ministro, ou até o senhor António Borges, contactariam com o director de uma empresa, de preferência multinacional alemã, fornecedora de material hospitalar, dizendo-lhe que a privatização do hospital público lhe traria imenso lucro, na medida que seria ela a única fornecedora. A direcção da empresa contactaria os novos directores da privatizada RTP, terá outro nome possivelmente se por acaso se concretizar a privatização, para apoiarem as palavras do senhor primeiro ministro, ou seja a privatização do hospital, e fazia-o porque a empresa fornecedora de material hospitalar era a maior accionista do canal privado saído da RTP! Até nem é complicado, pois não querido leitor(a)?
Novamente o senhor primeiro ministro, ou o senhor António Borges, telefonariam para um correligionário político e dono de um canal de televisão, de jornais e revistas, pedindo ajuda para influenciar o público na opção da privatização, claro que era ajudado! Ninguém depois podia investigar as contas do seu Império, nem muito menos impedi-lo de sair com grandes somas de dinheiro para paraísos fiscais.
O que é então a opinião pública querido leitor(a)? É uma opinião privada dos grandes oligarcas que possuem a maior parte da riqueza de um país, é a opinião da comunicação social e é a opinião do poder político.
Este é o poder da mentira, não consiste em falsear de uma maneira grosseira a verdade, consiste em apresentar uma nova linguagem onde o sentido das palavras está completamente deformado, estando assim ao serviço dos fins do sistema. Exemplo: presentemente quando se fala em despedir trabalhadores, diz-se: optimizar a empresa.
Foi o Fascismo alemão, o Nacional-socialismo, o criador oficial deste tipo de linguagem. Matam-se corpos, mas também se mata o espírito humano quando se lhe retira a capacidade de pensar e de decidir o próprio futuro.

Deixai-me agora dirigir aos social democratas / socialistas democráticos: vós tendes a obrigação histórica de defender a política perante a economia e o mundo financeiro global, tendes a obrigação moral de lutar contra a pobreza, a fome, a injustiça, o desemprego, a corrupção financeira e a impunidade dos ricos e poderosos. Se não fizerdes isto, se não lutardes pela justiça, a História tem todo o direito de vos condenar e chamar-vos colaboradores dos alemães na destruição da Europa Social, e da Europa Democrática, porque com a Alemanha a mandar nem haverá uma coisa nem a outra, Justiça Social e Democracia.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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