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Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto ao Baraçal, fregeusia da margem esquerda do Rio Côa. No próximos domingos serão editados os poemas relativo às anexas do Baraçal: Covadas, Quinta das Vinhas e Roque Amador.

BARAÇAL

O termo de per si, mostra o interesse
Que têm as riquezas naturais
Tudo o que deus nos dá certo merece
Ser visto como dádiva de pais

Um povo alçaprema-se aos demais
Quando não desdenha do que cresce
Bendito o baracejo dos canchais
E o verde que nas veigas refloresce

Mas ser do Baraçal não embaraça
Aquele que ali nasce traz a graça
De reunir os dotes que em síntese

Permitem uma vida de sucesso
Fundindo a tradição e o progresso
Baraçal e embaraço são antítese

«Poetando», Manuel Leal Freire

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Damos continuidade à apresentação do léxico com as palavras e expressões populares usadas na raia ribacudana.

BIA – diminutivo de Maria (Quadrazais).
BIBE – espécie de bata, aberta atrás, usada pelas crianças para proteger a roupa.
BICA – pão comprido e espalmado que se come pelos Santos feito com farinha triga e azeite, também designado por santoro e por bolo. É costume servir de presente dos padrinhos aos afilhados. Pequena refeição comida a meio da manhã, por ocasião das malhas, constituída por pão, conduto e vinho. Fonte com água a escorrer por um tubo, ou uma telha, podendo apular-se.
BICALVO – pessoa esquisita no comer; que come pouco (Júlio António Borges); o m. q. biqueiro.
BICAS – refeição que a noiva dá às amigas antes do casamento – despedida de solteira. Era uso oferecer as bicas no segundo domingo de proclames (ou pregões), sendo compostas por papas de milho ou de carolo (Joaquim Manuel Correia). «Na noite da véspera a noiva leva ao noivo a camisa de noivado e no dia das bicas as amigas da noiva traziam para sua casa açafates de verga cheios de tremoços, que distribuíam pelos presentes» (Francisco Vaz).
BICHA – sanguessuga; lombriga; cobra. As sanguessugas eram usadas para sugar o sangue pisado, nos hematomas. Bichas andadeiras: sanguessugas que andavam de casa em casa, alugadas a quem as necessitasse.
BICHA DA ÁGUA – cobra da água (Clarinda Azevedo Maia).
BICHANAR – chamar os gatos; falar baixinho, ciciar.
BICHANO – gato.
BICHO-ARANCU – pirilampo (Clarinda Azevedo Maia – Malcata). É mais comum dizer simplesmente arancu.
BICHO-CRELBO – animal rastejante, de cor negra com riscos vermelhos (Clarinda Azevedo Maia – Fóios). A este animal tTambém se lhe chama padre.
BICHO DA SEDA – pirilampo (Clarinda Azevedo Maia).
BICHO QU’ALUMIA – pirilampo (Clarinda Azevedo Maia – Sabugal).
BICHORNO – calor abafado (Clarinda Azevedo Maia – Forcalhos). Do Castelhano: bochorno.
BICO – dívida (Leopoldo Lourenço).
BIGORNA – pião grande ( Rapoula do Côa).
BIGORRILHA – pelintra; desprezível. «Não me assusta seu bigorrilhas!» (Joaquim Manuel Correia).
BILÁU – pénis (linguagem infantil). Também se diz biló.
BILHÓ – castanha assada e descascada (Júlio António Borges).
BILHOSTRES – cobres; moedas de pouco valor (Joaquim Manuel Correia).
BIQUEIRO – pessoa que tem fastio, que come pouco: «Estais muito biqueiros» (Abel Saraiva). Pessoa melindrosa (Francisco Vaz).
BISCA – pulga – termo da gíria de Quadrazais (Franklim Costa Braga). Jogo de cartas. «Jogavam à bisca lambida numa pobre mesa de pinho» (Abel Saraiva).
BISCO – vesgo (Clarinda Azevedo Maia). Do Castelhano: bizco. Nas terras do campo (Monsanto) dizem bisgo ou embisgo (Maria Leonor Buescu).
BISCOCHO – biscoito (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia da Ponte). Do Castelhano: bizcocho.
BISCUTAR – bisbilhotar; coscuvilhar.
BISCUTEIRO – aquele que biscuta.
BISGAR – piscar o olho (Carlos Guerra Vicente).
BITARDA – mulher de vida duvidosa (Júlio Silva Marques).
BIZARRIA – boa apresentação; galantearia; boniteza.
BLADA – castanha pilada ou seca (Fóios).
BLANCIGA – melancia (Júlio António Borges).
BLANDINA – azáfama; alvoroço.
BLENA – ama, patroa – termo da gíria de Quadrazais (Franklim Costa Braga).
BOAMENTE – de boa vontade; às boas (de boamente).
BOA-VAI-ELA – folgança; vadiagem. Andar na boa-vai-ela: divertir-se.
BOA VIDA – vida sem trabalho; vadiagem; diversão. «Alegres e leves, como se andassem à boa vida» (Nuno de Montemor).
BOBADA – parvoíce; bobice (Júlio António Borges).
BOBOCA – palerma (Júlio António Borges).
BOCA-ABERTA – pessoa que se admira de tudo; pacóvio; simplório.
BOCA DE ALPERGATA – boca grande – expressão jocosa (Clarinda Azevedo Maia – Forcalhos).
BOÇADO – lambuzado; vomitado; com os beiços sujos.
BOCANA – indivíduo que fala muito e é incapaz de guardar um segredo (Júlio Silva Marques e Duardo Neves). Pasmado; boca-aberta (Júlio António Borges). Parvo (Leopoldo Lourenço).
BOCHE – pulmão. Pessoa que fala muito, com ar de zangado; fole (Júlio António Borges); o m.q. bofe.
BOCHES – vísceras de porco (José Pinto Peixoto). Também se diz bofes.
BOCHINHO – diz-se de pessoa que se zanga facilmente.
BOCHO – cão. O nosso bocho. Interjeição para chamar o cão. Também se diz pocho.
BODA – jantar do dia do casamento. A boda comum era composta por pão-trigo, enchidos, queijo, azeitonas e vinho, tudo à farta. A chamada boda de panela, dos mais abastados, era composta por refeição à base de carne com arroz e batatas.
BODEGA – porcaria; sujidade. Diz-se de uma casa imunda.
BODEGO – indivíduo que vive na bodega, isto é, na porcaria, em local imundo (Júlio Silva Marques).
(Continua…)
Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

leitaobatista@gmail.com

Este imperialismo radica em linha directa nas expedições normandas. Arianos daquilo que hoje chamaríamos a Escandinávia (Suécia, Noruega Dinamarca), começaram nos últimos séculos do nosso primeiro milénio, um ciclo expansionista que os levou da Amèrica do Norte ao Mar Cáspio e do Arca Polar à Sicília e Bizâncio.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaContra eles, assinala Daniel Rops, in A Igreja dos Tempos Bárbaros, lançou Carlos Magno as suas frotas; e, por terra, fez pesar uma ameaça sobre os seus estabelecimentos de origem, tentando aniquilar-lhes na Dinamarca e na Noruega as suas bases de partida. Mas não pode fazer mais. De modo que um seu cronista evoca uma viagem marítima do Imperador da Barba Florida que, vendo desfilar as velas dos viquingues (termo que também identifica os normandos) que se lhe afiguravam sinistras aves negras, começou repentino choro, com uma clara consciência dos perigos que representavam para o Ocidente Cristão.
E continua o mesmo autor:
Os normandos! A custo se poderá imaginar hoje quanto terror estas duas sílabas guturais da língua germânica espalharam por toda a Europa durante o século IX. Quando os postos de escuta e espia, nas embocaduras dos rios, assinalavam a chegada dos terríveis piratas do mar, logo o sino tocava a rebate; as cidades fechavam-se; as muralhas de defesa viam-se logo cheias de ansiosos defensores. E as herdades e mosteiros que não tinham possibilidades de combater viam desfilar longas vagas de infelizes que se destinavam mais provavelmente à chacina do que à salvação. Envolvidos pelo mistério com que os rodeava a opaca bruma donde surgiam; escoltados por uma merecida reputação de selvajaria, os homens do Norte apavoraram a Europa como símbolos vivos do castigo reclamado pelas suas faltas.
A tal ponto que as próprias litânias viriam a incluir um versículo para os exorcizar:
A furore normandorum, libera nos, Domine.
Numa primeira fase, os assaltos dos dinamarqueses voltaram-se para a Europa, não tendo havido cidade importante que não recebesse tão incómoda visita: nas embocaduras do Reno e do Escalda, Saintonge, de repente em Hamburgo e no dia seguinte na Gironda. São depois visitadas Lisboa e Sevilha, enquanto a Itália litúrgica esperava a sua vez. Em França, não se podem enumerar os seus pontos de ataque: Beauvais, Chartres (atacada em plena noite), Melum, Orleaes, Blois… A lista alonga-se todos os dias. Paris foi cercada quatro vezes, saqueada três, incendiada duas…
Aliás, estas incursões haveriarn de, à distância, determinar como que uma implantação legal dos viquingues em terras de França. No começo do século X, Carlos, o Simples, teve a ideia, aliás excelente, de se entender com eles, de os estabelecer em França, e foi assim que, em 911, o chefe viquingue, Rollon, se tornou duque, dando ao seu feudo o nome, que ainda persiste, de Normândia.
Na Europa, os raides terminaram com o advento do novo milénio. Os povos cristinanizaram-se nas suas terras de origem ou nas zonas para onde se haviam deslocado.
Aproveitando a sua enorme experiência como navegadores e as viagens feitas nos anos de aventura, os dinamarqueses mantiveram até quase aos nossos dias um império colonial localizado nas regiões semi-glaciares do Norte e cujos úlltimos elementos foram a Islândia e a Gronelândia, valiosas essencialmente como base piscatórias.
Há, assim, uma longa tradição na arte de marear. Nos túmuIos dos chefes encontraram-se barcos onde eles quiseram dormir o sono eterno: os seus dacares.
Nos museus da Dinamarca, podem-se ver esses longos barcos de vinte e cinco metros, sem ponte, cuja forma afilada, proporções perfeitas e ornamentações de popa e proa nos dão uma instinta impressão de obra-prima. Movidos a remo ou a vela, desenvolviam facilmente os seus dez nós e o calado permitia-lhes passar sobre todos os fundos. Quanto ao raio de acção, podemos avaliá-lo pelo raid reptição, montado experimentalmente em 1950 da Escandinávia a Nova Iorque, feitos comemorativamente em exemplar adrede construído.
E foi montado em número de cinquenta sobre cada um desses maravilhosos animais marinhos, sob o comando de chefes especiais, os Viquingues, cuja glória é celebrada nas estrofes das sagas que os dinamarqueses (e os demais homens do Norte, agora modelos de civilização) se lançaram na sua aventura.
Recordemos parte duma saga:
A tempestade ajuda os nossos remadores; O vento está ao nosso serviço e leva-nos onde queremos ir…
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

O anúncio solene sobre a subida da Taxa Social Única (TSU), colocando-a como a única via para a salvação do país, parece ter-se desmoronado através de uma implosão.

Este episódio, da permanente novela de aumento de impostos, sempre para os mesmos, trouxe à luz do dia alguns acontecimentos que merecem alguma reflexão. A coligação governamental caminha coxa. E mesmo depois de uma renovação de votos de fidelidade, o que sobra são uns sorrisos amarelos para a fotografia. Numa coligação, obviamente, nem tudo pode ser igual. Não haveria coligação. Sendo partidos diferentes, obviamente, têm conceitos diferentes e noções diferentes sobre a sociedade. Mas, uma coligação, tem que ser estruturada nas semelhanças e acordar sobre as diferenças. Não é possível uma coligação com visões opostas da sociedade. Ora, nesta coligação, não se sabe quais são as diferenças e não se sabe quais são as semelhanças. Bom, soube-se agora: um não era a favor da TSU! E, se assim era, porque deixou (digo eu) ou porque não o impediu? Se, pelos vistos, este era um assunto estruturante? Mesmo com o remendo feito pelo Dr. Portas, numa tentativa de passar pela chuva sem se molhar, artimanha em que é especialista, aliás, a coligação sai desta história com uma estocada fatal. Impõe-se a pergunta, a coligação era ou é? O governo desperdiçou, nesta jogada, todo o capital de confiança que o povo português o brindou durante um ano. Todavia, o povo não contava com tanta incompetência e, esta, veio ao de cima. Tal como o azeite.
Vejamos, a retenção (que simpática palavra para roubo) dos subsídios, foi planeada (outra palavra linda para dizer não explicada) para a redução do défice. Mas tal não aconteceu, em parte, porque o governo não fez o seu trabalho. O aumento generalizado de impostos teve como consequência o empobrecer do consumidor e a não arrecadação lógica de fundos para o estado. As contas do governo saíram erradas em toda a linha. E tal aconteceu, mesmo quando toda a gente dizia que ia ser assim, porque o governo não soube prever, graduar, a austeridade. Quis ser mais trokista que a troika. Impondo, dessa forma, uma doutrina financeira cega e experimental, demonstrando a inexperiência e incompetência dos meninos que ocupam o poder. Há duas semanas a TSU era a salvação, única!, da nação. Agora, já se encontram alternativas. Podemos perguntar, por que motivo estas alternativas não foram tidas em conta há duas semanas? Mais, nesta semana, depois de um ano a estudar as fundações, o governo anuncia o fim dos apoios. O espanto, é que das milhares de fundações, o governo apresenta o fim de… 4!!! E não explica os critérios. E assim, ficamos a saber que acabam os apoios à Fundação da Casa da Música, mas mantêm-se à Fundação Social Democrata… Também, só agora, vieram os partidos da coligação, apresentar um projecto para a revisão da lei do financiamento dos partidos pelo estado. Digo só agora, porque esta era uma matéria que deveria ter sido logo abordada. Não é concebível que, quando é preciso cortar despesas, os partidos recebam milhões para andar a poluir o país em campanhas eleitorais, das quais resultam muito lixo, muito folclore, pouca informação e nenhum esclarecimento. Estas medidas vêm nesta altura e servem somente para entreter a opinião pública. Verão que esta matéria se vai prolongar no tempo.
Este governo, que se apresentou como paladino da transparência, rodeou-se de uma opacidade informativa. O primeiro-ministro citava Camões, aproveitando, mais uma vez, para anunciar ventos favoráveis. O problema é que o capitão e o piloto não sabem interpretar os ventos. E, assim, a caravela navega sem rumo.
Sem rumo segue a Europa. Não encontrando respostas para os problemas que ela própria criou. A teimosia de alguns e a cegueira de outros levará a uma convulsão social por toda a Europa. A Espanha e a Grécia são, somente, o início. Outros se lhes seguirão.

P.S. Estive em Sortelha. Deixo os meus parabéns aos organizadores. A feira medieval está a ganhar o seu espaço nos acontecimentos culturais do concelho. Somente um senão, e vale como opinião, o cartaz que anuncia a feira é pouco apelativo.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Dando continuidade à candidatura à Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas (FPCG), a lista que integra a Confraria do Bucho Raiano apresentou-se publicamente ontem, dia 26 de Setembro, no Porto, no Solar dos Condes de Resende.

A lista «Ousar Crescer» pretendeu, segundo a candidata à presidência, Olga Cavaleiro, mostrar que quer fazer diferente, apostando na aproximação aos que acreditam nas potencialidades do movimento confraternal gastronómico português.
O orador convidado foi o Dr Domingos Silva, que sugeriu algumas ideias para o futuro da federação e defendeu a «coesão» como princípio estruturante da actividade das confrarias.
A lista candidata à FPCG é assim constituída:
Conselho Directivo
Presidência: Confraria da Doçaria da Doçaria Conventual de Tentúgal
Vice-Presidências: Confraria do Bucho Raiano, Confraria do Queijo Serra da Estrela, Confraria dos Ovos Moles de Aveiro, Confraria Gastronómica da Madeira, Confraria do Bucho de Arganil, Confraria da Maçã Portuguesa.
Suplentes: Confraria As Sainhas e Confraria do Bodo.
Mesa do Congresso e Conselho Geral
Presidência: Confraria das Almas Santas da Areosa e do Leitão
Vice-Presidências: Confraria Gastronómica dos Gastrónomos dos Açores e Confraria do Cabrito e da Serra do Caramulo.
Secretários: Confraria do Moliceiro e Confraria dos Gastrónomos da Região de Lafões
Suplentes: Confraria Gastronómica O Rabelo e Confraria Gastronómica da Carne Barrosã
Conselho Fiscal
Presidência: Real Confraria do Maranho.
Relatores: Confraria Gastronómica do Ribatejo e Confraria do Bolo de Ançã.
Suplentes: Confraria da Broa de avança e Confraria das Papas de São Miguel.
A Confraria do Bucho Raiano esteve representada na cerimónia de apresentação da candidatura pelo Grão-Mestre, Joaquim Leal, e pelos confrades Francisco Santos e Rosa Santos.
plb

A recente publicação de um vasto acervo de normas legislativas sobre o regime do arrendamento obriga os profissionais do sector da Justiça – magistrados judiciais, advogados, solicitadores, funcionários forenses – e um pouco a generalidade dos cidadãos, pois quase todos somos ou senhorios ou inquilinos, quando não detemos até aquela dupla condição, a debruçarem-se um pouco sobre a matéria.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaPartindo do pressuposto de que o direito a uma habitação com um mínimo de dignidade é um direito natural – ou o mais natural dos direitos, porque imposto pela luta contra a Natureza – facilmente se constata que os poderes políticos, designadamente os portugueses têm, secular e persistentemente, lidado muito mal com vista à sua satisfação, que, no entanto, é, para qualquer ser humano necessidade e desejo.
No transepto de milénios que separam a caverna do arranha-céus e do tempo que ainda mediará até que se realize o sonho de habitar, ainda em vida, o espaço sideral,o modelo tem sido sempre a cúpula celeste – o telhado universal.
E, porque o Céu cobre a todos, daí pode emanar o universal direito à habitação, direito propter omnes et erga omnes.
Potencial, como todos os direitos, só se realiza passando-o a acto.
Aqui, intervém o próprio, ou na sua incapacidade, por qualquer capitis diminutio – jurídica, financeira ou técnica, a comunidade, ou antes as diversas comunidades em que se insere.
A começar pela mais básica, a Família.
A terminar na mais monstruosa, o Estado.
«Caso da Semana», opinião de Manuel Leal Freire

O executivo da Câmara Municipal do Sabugal, reunido ontem, 26 de Setembro, aprovou as contas da empresa municipal Sabugal+ referentes ao exercício de 2011, pondo fim ao embaraço da sua sucessiva reprovação em reuniões anteriores. Outra decisão tomada foi a recondução do Conselho de Administração antes exonerado, mantendo-se contudo a reprovação ao relatório de gestão da empresa.

O vereador independente Joaquim Ricardo, eleito pelo MPT, viabilizou a aprovação das contas, justificando-se com o facto de as considerar uma questão contabilística que do ponto de vista técnico está correcta, segundo o parecer emitido pelo Revisor Oficial de Contas que as analisou. O mesmo não se passou porém em relação ao relatório do exercício a que as contas dizem respeito, que voltou a ser reprovado, alegando-se que o mesmo revela uma situação de manifesta má gestão, com a realização de gastos não autorizados pelo Município.
Por outro lado, o Conselho de Administração, que havia sido exonerado e se mantinha em funções de mera gestão corrente, voltou a ser reconduzido. Também aqui foi o vereador Joaquim Ricardo que viabilizou a decisão, alegando que a recondução permite à empresa voltar a ter uma administração com plenos poderes para fazer face às exigências criadas com a nova legislação que rege a actividade empresarial local.
Assim a administração da empresa volta a ser garantida sob a presidência de Delfina Leal, que ao mesmo tempo é vice-presidente da Câmara.
Os vereadores do PS mantiveram as votações anteriores, manifestando-se contrários à aprovação das contas e do relatório, que consideram indissociáveis, assim como da recondução do Conselho de Administração. Porém, apresentaram uma proposta fundamentada, defendendo uma rápida solução para o futuro da empresa, de modo a evitar a sua dissolução a breve trecho.
A proposta apresentada pela vereadora Sandra Fortuna (PS) começa por considerar que a Sabugal+ vive um momento delicado em consequência da entrada em vigor do novo regime jurídico da actividade empresarial local, o qual expressamente impõe a dissolução no prazo de seis meses, caso não revele ter viabilidade financeira.
Os vereadores socialistas consideram que a empresa, face às contas dos últimos três anos, entra claramente nos critérios da dissolução obrigatória, pelo que propõem, para o evitar, a sua transformação «numa Empresa local de gestão de serviços de interesse geral com o objetivo de promover, gerir equipamentos coletivos e prestar serviços nas áreas da educação, ação social, cultura, saúde e desporto». A proposta aponta ainda para a elaboração de um projecto de alteração dos Estatutos e de uma minuta de contrato-programa, no prazo de 60 dias.
Quanto ao conselho de administração a vereadora Sandra Fortuna defendeu «a manutenção da atual Administração em regime de gestão corrente, até à criação da nova entidade, momento em que o Acionista Município aprovará a nova Administração».
A proposta socialista foi porém rejeitada, com o voto contrário do vereador Joaquim Ricardo, que alegou ter de a estudar com maior pormenor, o que faz pressupor que a mesma proposta poderá voltar a ser analisada numa próxima reunião.

A recente aprovação do novo regime jurídico da actividade empresarial local, dita a dissolução da Sabugal+, o que tem que acontecer até ao dia 3 de Março de 2013. Nestes termos, a análise e votação definitiva da proposta apresentada pelos vereadores do PS deve acontecer quanto antes, pois ela poderá ser a via pela qual a empresa se salvará do fenecimento.
plb

A exposição sobre a Capeia Arraiana organizada pela Associação Raiar, de Aldeia do Bispo, esteve patente ao público no Consulado de Portugal em Paris e mereceu uma reportagem da LusoPressTv.

jcl

O Município de Idanha-a-Nova não se limita a queixar-se…

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - Capeia Arraiana… e criou em 2011, em conjunto com o Ministério da Agricultura e o Instituto Politécnico de Castelo Branco/Escola Superior Agrária, uma Incubadora de Empresas de Base Rural tendo como objectivo inicial dinamizar a Herdade do Couto da Várzea, bem como o empreendedorismo agro-silvo-pastoril no concelho de Idanha-a-Nova e na região da Beira Interior Sul.
A incubadora tem como objectivos: (i) Constituir um mecanismo de acesso à terra, que contribua para a ampliação e consolidação da agricultura local, regional e nacional; (ii) Criar condições para o aparecimento de empresas de base rural produtivas e sustentáveis
que venham a estimular indirectamente outros sectores da economia; (iii) Contribuir para o rejuvenescimento do sector primário no território e do seu tecido empresarial dando prioridade aos jovens agricultores; (iv) Promover a ligação entre o meio científico e a comunidade, fundamentalmente através da concretização de ideias em negócios inovadores;
Os projectos prioritários a desenvolver incidem em áreas como: produção agrícola, integrada, biológica (Hortícolas, pomares, cereais, outras); olival; produção de plantas aromáticas e medicinais; produção de cogumelos; produção de sementes e propágulos (variedades regionais ou outras de interesse para bancos de germoplasma); produção, comercialização e embalamento de produtos locais; produção animal tradicional e biológica; engorda e acabamento de animais; produção de plantas ornamentais; desenvolvimento de projectos de investigação agro-pecuária; projectos de Turismo em Espaço Rural; Outros serviços (consultoria agrícola, comercialização de materiais agrícola — máquinas, sistemas rega, entre outros).
Neste momento já foram atribuídos terrenos em regime de arrendamento a 29 jovens agricultores, tendo 19 optado pela cultura do mirtilo, tendo sido apresentadas mais algumas dezenas de candidaturas.
Saliente-se que os terrenos da Herdade do Couto da Várzea pertencem ao Ministério da Agricultura e o Município paga 50 mil euros por ano pelo arrendamento da área.

Eis um exemplo de como se contribui para inverter a situação de desertificação e perda de competitividade do interior beirão.
Claro que não pretendo que a ideia seja imitada pelo Município do Sabugal.
Mas há muitas mais hipóteses a explorar neste campo. E não posso deixar de lembrar aqui algumas propostas que o programa eleitoral do Toni apresentava:
– Criar o Programa «Sabugal, Terra de Gado», apoiando o desenvolvimento de um sector agro-pecuário e silvo-pastorício e criando uma Empresa de capitais mistos (públicos e privados) de Gestão de Espaços de Pastagem.
– Criar o Programa «Sabugal, Terra de Floresta», apoiando o desenvolvimento de um sector florestal e criando uma Empresa de capitais mistos (públicos e privados) de Gestão Florestal.
– Criar, em parceria com as Associações de Caça e Pesca, o Programa «Sabugal, Terra de Caça e de Pesca», de apoio ao desenvolvimento da actividade da caça e da pesca.
– Dinamizar do processo de certificação de produtos tradicionais como a carne de vaca, a truta, os enchidos, o cabrito, o mel ou o queijo de cabra.
– Apoiar o desenvolvimento de um sector agro-industrial de transformação e comercialização dos produtos agrícolas.
– Apoiar o desenvolvimento de um sector de aquacultura de peixes do rio Côa, com destaque especial para a truta.

Muitos nos acusaram de utopia! Em Idanha-a-Nova preferem sonhar e concretizar os seus sonhos!

PS 1: Dia 28,sexta-feira, realiza-se mais uma Sessão da Assembleia Municipal. Os temas em debate, de que saliento a pronúncia sobre a agregação de freguesias, são mais um motivo que deveria levar os sabugalenses a estarem presentes, como espero que vá acontecer.

PS 2: Quem tem o desplante de dizer que há mais cigarras que formigas neste país é, no mínimo, quem já perdeu o norte! Mas, tenho a certeza, o povo português saberá dar-lhe a resposta, não tarda nada!
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

Durante o primeiro e segundo dia, de pura navegação, pensei: vou fazer uma corridinha à volta do navio. Decepção: em 10 minutos estava a volta feita!

José Jorge CameiraFoi então que tive o primeiro incidente, que poderia ter sido um acidente bera para mim. No deck superior está a piscina. Sempre com muitas pessoas dentro de água ou por ali perto.
Eu não sei nadar. Bem, nadar normalmente, não sei. Mas ainda ninguém me explicou porque cargas de água eu nado e bem durante muito tempo debaixo de água. À tona de água, é como um prego, vou logo ao fundo…
Vou à piscina com os tais calçanitos bermudas floreados e jogo-me para dentro do tanque. Isso foi o pensei, era um tanquezinho. Mas não… era fundo e bem fundo! Então não é que vi jeitos de ali mesmo morrer afogado?
Safei-me porque criei uma técnica para uma emergência destas: bati com os pés no fundo da Piscina e fazendo mola com as pernas, impulsionei-me para cima!
Mesmo assim, ainda engoli uns pirolitos de água, porque na ascensão ainda fui batendo com a cabeça nuns e noutros…
Portanto, piscina… estava confessado!
Finalmente e após dois dias de navegação só vendo mar (era já um fastio da prisão), chegámos à Ilha de Lanzarote, pertencendo às Canárias, arquipélago insular pertencente a Espanha.
Foi aqui que se refugiou até falecer o grande Escritor de Língua Portuguesa e Prémio Nobel da Literatura, José Saramago e a sua Pilar.
Um grupo onde eu estava inserido foi visitar a ilha: aquilo é tudo cinzento ou mesmo negro. De origem vulcano-basáltica.
Ninguém podia apanhar uma pedrinha para recordação – assim o Guia informou! Isso para Portugueses não é válido. Tenho a certeza que só por causa desse aviso todos encheram os bolsos de pedras negras, houve um esvaziamento na Ilha de muitos quilos de pedras negras…. porque a Malta Lusa quer sempre recuerdos, nem que seja para deitar fora no outro dia!
No meio da Ilha é curioso ver-se centenas de pequenos lotes quadrados cercados de pedras negras. São vinhas! Produz-se vinho no meio daquelas cinzas!
Após mais dois dias de navegação, eis-nos à vista do Continente Africano, que eu já não via há muitos anos. Marrocos ali à nossa frente.
Nesse momento lembrei-me de um acontecimento trágico da História de Portugal que se desenrolou a alguns quilómetros para dentro daquela orla marítima:
Em 1580 o Rei português D. Sebastião, praticamente adolescente e doente, comandando um grande exército com alguns Portugueses e destes muitos Nobres e Fidalgos, os restantes mercenários contratados por toda a Europa tenta conquistar Marrocos enfrentando em Alcácer-Quibir um Rei Árabe. Foi um desastre completo. O Rei desaparece criando o mito do Sebastianismo que perdura até hoje. O Rei de Castela apodera-se de Portugal e os inimigos dos espanhóis sentem-se assim no direito de atacar o Brasil e Angola, colónias portuguesas. Durou 60 anos este cataclismo para Portugal!
Mal chegamos a Marrocos, logo ali no Porto de Casablanca se organizaram excursões à cidade. À entrada dum feirão vi um pórtico e uma rampa por onde se subia para a dita feira.
Reparei que corria permanentemente um líquido por essa rampa em direcção ao mar. Estranhei, porque era Agosto, mês seco e não havia indícios de ter chovido. Diz-me o Luis:
– Ó Zé Jorge, não vês que é mijo? Toda aquela gente que está vendendo na feira tem de mijar nalgum lado…
Passados uns momentos, ficando eu sozinho com a Sofia porque o Luís foi comprar cigarros, chega-se junto a mim um árabe com ar de rico, bem vestido e diz-me em francês (a segunda língua deles):
– Monsieur, quer vender esta mulher (apontando a Sofia)?
– Vender? Nem sequer é minha mulher…
– Dou-lhe 50 camelos por ela!
Em Marrocos ter um camelo é sinónimo de riqueza e posição social. É um animal de enorme utilidade, carrega muito peso e é capaz de atravessar o Deserto sem beber água. Acumula água num saco no interior do seu corpo e a bossa é gordura que colmata as necessidades energéticas. Animais desses foram exportados para a cidade de Natal no Brasil, onde é possível vê-los hoje em Genipabu passeando gringos, isto é, turistas estrangeiros.
Não sendo a Sofia minha mulher e em brincadeira eu respondo ao árabe rico, sem ela perceber patavina do teor das «negociações»:
– Vendo-lha por MIL CAMELOS! – Esta quantidade de dromedários é incomportável para qualquer árabe, eu sabia isso de antemão…
Com ar contrariado, o muçulmano retira-se barafustando com ambas as mãos: ainda não seria desta que teria uma mulher branca, grande ambição de qualquer árabe, rico ou pobre.
(Continua)

José Jorge Cameira

«Estórias de um filho de Vale de Lobo e da Moita»
mailto:jjorgepaxjulia4@hotmail.com

A Câmara Municipal do Sabugal vai distribuir medalhas de mérito e de distinção a pessoas, empresas e associações que se revelaram merecedoras do reconhecimento público.

As propostas de atribuição das medalhas honoríficas, já aprovadas pelo executivo, serão apresentadas na próxima Assembleia Municipal para aprovação e serão atribuídas no agora designado Dia do Concelho: 10 de Novembro.
São as seguintes as medalhas a atribuir:
Medalha de Mérito Desportivo: para a judoca Carla Vaz.
Medalhas de Mérito Cultural: para o Grupo Etnográfico do Sabugal, Grupo Etnográfico de Sortelha, Grupo de Teatro Guardiões da Lua e Jesué Pinharanda Gomes.
Medalhas de Mérito Empreendedor: para as empresas Univest Confeções; Palegessos – Industria e Comércio de Paletes e Gesso, Lda.; Lactibar – Laticínios do Sabugal, S.A.

O Dia do Concelho foi criado por um artigo do Regulamento das Distinções Honoríficas, publicado no Diário da República no ano 2011. Esse artigo do regulamento nada explica quanto à razão pela qual esse dia é designado Dia do Concelho, o que se estranha, até por que o Dia do Concelho sempre foi a segunda-feira de Pascoela, data em que é feriado municipal no Sabugal, e que coincide com algumas festas marianas de grande relevância, como a Senhora da Graça no Sabugal e a Senhora da Granja no Soito.
Porém consta que o dia 10 de Novembro foi escolhido para Dia do Concelho por se tratar da data aposta no foral dionisino do Sabugal, outorgado em 1296.

plb

Quando saiu o meu artigo sobre o ethos do povo raiano, o José Nunes Martins, de Malcata, observou que o referido ali, a respeito do povo raiano, se aplicava também ao povo português.

João Valente - Arroz com Todos - Capeia ArraianaTratou-se de uma observação inteligente, que me fez pensar. De facto, em resultado de uma feliz conjugação da herança étnica e paisagem própria de Riba-Côa, que são as mesmas que se verificam no todo do território nacional, as mesmas características da alma portuguesa manifestam-se a do povo raiano, como talvez em nenhum outro. São precisamente essas circunstâncias étnicas e de paisagem, que estão na origem na religiosidade cristã e pagã do povo raiano, afloradas na parte final do artigo sobre o Aspecto Sagrado Das Capeias.
Daí que, o que se afirma do povo da raia pode extrapolar-se para o português e para se analisar a alma portuguesa pode-se tomar como exemplo a particularidade da alma ribacudana.
Existe um livrinho, de 120 páginas, com o título Arte de Ser Português, editado em 1920, escrito por Pascoais para leitura no ensino público, a fim de incutir na juventude o sentido patriótico, que aborda esta questão da alma do povo português.
Trata-se de um livro muito importante porque resume a doutrina do “existencialismo lusitano”, e ao qual nos cingimos, para transpor para a alma ribacudana tudo o que no mesmo Pascoais refere a propósito da alma portuguesa.
O pensamento subjacente a esta obra, que Pascoais já exprimira em vários artigos da Águia, e desenvolve na Saudade e o Saudosismo (em forma de polémica epistolar com António Sérgio), é a de que ser português é uma arte e como tal, digna de cultura.
Por isso caberia aos professores, trabalhando como se escultores fossem, modelar as almas dos jovens para lhes imprimir os traços da raça lusíada. Traços estes que lhe dão personalidade própria, «a qual se projecta em lembrança do passado, e em esperança e desejo do futuro».
Isto é, o fim desta arte seria «a renascença de Portugal, tentada pela reintegração dos portugueses no carácter que por tradição e herança lhes pertence, para que eles ganhem uma nova actividade moral e social, subordinada a um objectivo comum e superior».
As descobertas teriam sido o início desta obra, e desde então a pátria tem dormido. Despertando, saberia continuá-la.
A Raça, em Pascoais, não tem o sentido pejorativo, conotado com o Estado Novo, sendo apenas um «certo número de qualidades electivas, próprias de um povo, organizado em pátria, isto é, independente sob o ponto de vista político e moral».
Estas qualidades são, ainda segundo ele, de natureza animal e espiritual e resultam do meio físico (paisagem) e da herança étnica (tradição), histórica, jurídica, literária, artística, religiosa e económica.
Na Raça portuguesa a sua herança étnica está nos povos que primitivamente habitaram a península e dos quais descendem os portugueses, castelhanos, vascos, andaluzes, catalães, galegos, etc.
Esses povos pertenciam a dois ramos. O ariano (galegos, romanos, godos, celtas, tec.) e o semita (fenícios, judeus e árabes).
Dos primeiros veio a civilização greco-romana, o culto pela forma, a beleza como representação da realidade próxima e tangível (naturalismo), o paganismo e o panteísmo; dos segundos veio a civilização judaico-cristã, bíblica, o culto de espírito, a unidade divina, a beleza concebida para além da matéria.
Ao primeiro corresponde a verdadeira alegria terrestre, a infância, a superfície angélica da vida, o naturalismo, o amor carnal que continua a vida; ao segundo a dor salvadora que nos eleva ao céu, o sonho da redenção, o espiritualismo judaico, o amor ideal que purifica e diviniza.
Do ponto de vista étnico, o indivíduo, porque não cabe dentro dos seus limites individuais, porque é um ser social, herda as qualidades da família e da sua raça. Assim sendo, o português participa também desta herança étnica e histórica, «adquirindo uma segunda vida que mais vasta, domina a sua existência como indivíduo».
Por sua vez, exceptuando a planície monótona do Alentejo, de cariz mourisco, resume Pascoais a paisagem portuguesa aos planaltos desnudos de Trás-os-Montes, de hostil aridez judaica, e ao Minho viridente, alegre e colorido, de vales e pradarias, de matriz celta e ariana, que estão de acordo pela sua apetência dolorosa com o genuíno semita, e pela sua apetência alegre com o genuíno ariano.
A alma lusíada tem a sua origem na fusão dos antigos povos da península e na paisagem. Nas belas palavras de Pascoais «esta bela flor espiritual brotou de uma haste mergulha as raízes na terra e no sangue, entre os quais se estabeleceram verdadeiros laços de parentesco».
Ou seja, a paisagem é fonte psíquica da raça, porque ainda segundo Pascoais «tem uma alma que actua com amor ou dor sobre as nossas ideias ou sentimentos; transmitindo-lhes, o quer que é da sua essência, da sua vaga e remota qualidade que, neles, conquista acção moral e consciente».
Foram destes dois sangues, que equivalendo-se em energia «deram à Raça lusitana as suas próprias qualidades superiores», e trabalhadas e combinadas desta forma feliz pela paisagem, resultaram na criação da alma portuguesa.
Foi da combinação entre a herança e a paisagem que esta alma, absorveu por essa razão na sua feição religiosa a ideia pagã e a cristã, dualismo este de que resultaria o saudosismo.
É precisamente na paisagem original da região do Tâmega, segundo Pascoais a que conjuga a paisagem dolorosa de Trás-os-Montes e a paisagem alegre do Minho, onde a voz do sangue (herança) e da terra (paisagem), estabelece o diálogo que caracteriza o carácter desta complexa fisionomia dualista portuguesa, alegre e ao mesmo tempo dolorosa; materialista e ao mesmo tempo espiritual.
Ora, é aqui divergimos de Pascoais: Podendo concordar que na região do Tâmega se reúnam os dois elementos da paisagem; falta-lhe sempre o elemento semita da origem étnica, que só existe abaixo do Douro.
Sucede também que, mais que na região do Tâmega, é na região de Cima-Côa que se reúnem de forma clara o elemento paisagístico e étnico na sua plenitude.
Em nenhuma parte do território português se concentram tanto a paisagem de contrastes, a aparência alegre dos verdes campos minhotos, com a mágoa e a dor silenciosa dos ermos transmontanos, como na paisagem mediata e extática dos lameiros, veigas, hortas, cabeços, tapadas e planalto de Cima-Côa.
Em nenhuma parte as brancas nuvens do céu, aonde sob o beijo da chuva amorosa vão beber os ramos sequiosos dos carvalhos e dos freixos; a linfa que, nascendo nos corações dos montes, atravessa os vales estreitos, envolvendo as pedras musgosas, viridificando regatos e prados.
Em nenhuma parte o sol irrompendo ébrio de fortaleza acima dos carvalhais, energia vital que todo o mundo inunda, sangue revigorante da videira, essência de cor que a verdura floresce e a terra alegra num íntimo acordar.
Em nenhuma parte a brancura da lua, entre o arvoredo, projectando no silêncio da noite inquietas formas de luz e de sombras, almas sem corpo, espíritos mortos, onde os olhos bebem a luz das estrelas, e os ouvidos escutam o sinistro lamento da paisagem.
Em nenhuma parte o imenso clarão que a todo o ser deslumbra e incendeia de loucura e alucinação; a branda luz como o roçar de asas de uma ave, convidando ao sonho e à viagem.
Em nenhum outro lugar, como em Cima-Côa, existe tão bem resumido este sentido alegre e plástico do mundo, inspirando uma religião sui generis, tão pagã como cristã.
(continua)
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

O meu estimado parente e confrade nesta irmandade dos cultores do Regionalismo Sabugalense , de que já seu pai foi denodado lutador, vem dando público testemunho do seu amor à Terra Patrum, de uma entranhada vivência da nossa vida comunitária e de um apurado sentido da História numa série de crónicas reveladoras dum domínio da dificil língua portuguesa a atestar a sua passagem por essas excelentes casas de formação intelectual que foram e continuam a ser os seminários.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaNuma exaustiva análise do ciclo dos cereais panificáveis, um dos pilares da economia de subsistência que caracterizou a vida das famílias da zona antes do grande surto migratório, tratou exemplarmente e de forma absolutamente exaustiva como se aproveitavam até os campos mais sáfaros e difíceis de agricultar, pois só a enxada ali podia penetrar, por vezes até com precedência da picareta e do ferro pistolo, utilizado para remover pedregulhos.
Era a prefiguração do poema de Correia de Oliveira:
Quando a preguiça morrer
Até o monte maninho
Até as penhas da serra
Darão rosas, pão e vinho

As terras centeeiras, assim chamadas por não terem aptidão para qualquer outra cultura eram objecto de permanente atenção.
Até quando estavam de pousio.
Repare-se que era este que determinava a existência de folhas ou terras afolhadas
A fraca fertilidade natural da generalidade das tapadas – nome dado aos agros onde se cultivava o pão – vocábulo identificado com o centeio – levava a que se dividisse o limite das freguesias em zonas – normalmente três.
As terras integradas em cada uma dessas áreas – as folhas – só davam cereal de três em três anos. E, mesmo assim, com baixos índices de produção. A menos que o lavrador possuisse rebanho que as estrumasse. Ou lhes reforçasse o tónus de rentabilidade, através de químicos. Mas estes eram caros e o dinheiro pouco. Além de que nem sempre atingiam compensatório índice de produção.
E as pastorícias de gado sempre foram apanágio de poucos.
Remover o solo pelo arado com a decrua e uma ou duas estravessas, antes da sementeira e depois com a aricagem permitiam uma azotagem natural e quanto mais vezes a relha passasse mais o ar entraria.
E mais se converteriam em matéria orgânica os corpos parasitários.
Mas até nisto se tinha de ser comedido, que o ferro era caro e aguçar as pontas, mau grado a modicidade dos ferreiros, também pesava.
Ao esforço do lavrador e das reses de jugo não se faziam contas. De outro modo, bem caras ficariam palhas e paveias.
Nos anos de pousio, as courelas eram abertas aos rebanhos.
E das restolhadas subsequentes às ceifas até às sementeiras trinta e seis meses depois, cresciam pequenos arbustos, nomeadamente giestas e bela-luz que bom jeito davam para a cozinha, o forno, a cama dos gados, a tapetagem das ruas.
No entrementes, os moços de lavoura não esqueciam nem desdenhavam da rabiça, vaidosos da sua condição.
Alfaiates não são homens
Sapateiros também não
Homens sim são os ganhões
Que enchem as arcas de pão.

«O concelho», história e etnografia das terras sabugalenses, por Manuel Leal Freire

Celebra-se, no próximo dia 1 de Outubro, o Dia Internacional do Idoso, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU).

A instituição deste dia tinha como objetivo reconhecer os idosos e o envelhecimento demográfico da humanidade, criando-se condições de acolhimento, bem-estar social, económico, cultural e espiritual que bem mereciam.
Nós e vós jovens, se, nas Instituições Particulares de Solidariedade Social ou cá fora, muito mais não lhes pudermos dar, poderemos, com certeza, e é mesmo nosso dever e obrigação, dar-lhes, ao menos, conforto, carinho e afeto e agradecer-lhes todos os ensinamentos que nos transmitiram, resultantes da sabedoria e experiência que, com suor e lágrimas, adquiriram nessa douta «Universidade da vida».
Em memória e reconhecimento, apelamos às novas gerações que respeitem e sigam o nobre exemplo daqueles que nos ensinaram a trabalhar nos diversos campos da vida e a viver esse modus vivendi, fruto duma aprendizagem e experiência adquiridas, ao longo dos anos, na «Universidade da vida».
Daniel Machado

Um grupo de motociclistas invadiu as ruas da cidade do Sabugal no passado fim-de-semana e visitou o castelo das cinco quinas, onde posou para a foto que aqui se publica.

Os motards, iam a caminho dos Fóios, a freguesia do concelho que cada vez se assume mais como destino dos muitos que nos visitam. Tinham aí marcado um convívio festivo, mas passando no Sabugal, não ficaram indiferentes ao ex-libris do concelho.
Os visitantes pertencem a vários moto-clubes da Beira Alta: Gang 232 de Viseu, Motoclube de Mangualde, Zangoens do Asfalto de Pampilhosa da Serra e Diabos da Noite de S. João de Areias.
Esta foto demonstra a importância do castelo do Sabugal para promoção turística das terras beiroas. Ninguém fica alheio à imponência do monumento, à sua imensa beleza e à paisagem soberba que se avista desse privilegiado miradouro.
plb

A Assembleia Municipal (AM) do Sabugal vai reunir em sessão ordinária no dia 28 de Setembro de 2012, pelas 20h15, no auditório municipal.

Brasão Câmara Municipal SabugalO presidente da AM, Ramiro Matos, convocou os eleitos para sessão, divulgando a respectiva Ordem de Trabalhos, assim constituída:

Antes da ordem do dia:
1. Discussão e votação da ata da Sessão Ordinária realizada no dia 29/06/2012.
2. Expediente.
3. Assuntos Diversos.

Ordem do dia:
1. Reorganização Administrativa Territorial Autárquica – Emissão de Pronúncia;
2. Terceira Revisão ao Orçamento de 2012 e 3ª Revisão às Grandes Opções do Plano 2012-2015;
3. Cargos Dirigentes:
– Regulamento para Cargos de Direção Intermédia de 3º Grau;
– Alteração do artº 6º da «Visão, Missão, Princípios e Valores a adotar pelos serviços municipais, o modelo da estrutura orgânica e o número de unidades orgânicas flexíveis»;
– Despesas de Representação.
4. Compromissos Plurianuais;
5. Distinções Honoríficas:
6. Regulamento de Gestão de Resíduos Urbanos;
7. Taxa do Direito de Passagem;
8. Taxas do Imposto Municipal sobre Imóveis;
9. Participação Variável do IRS;
10. Atividade Municipal.
plb

Este artigo é dedicado aos colaboracionistas. Como símbolo do colaboracionismo ficou o governo de Vichy em França, que colaborou com os ocupantes alemães durante a II Guerra Mundial. Foi considerado o governo da desonra.

António EmídioHá bem pouco tempo, todos nos lembramos disso, poderei mesmo afirmar, no tempo do Portugal Soberano e quando a Democracia estava no Parlamento, presentemente o Povo Português trouxe-a atá à rua, depois de umas eleições sabíamos perfeitamente quem iria exercer o poder Executivo, era o vencedor, ou vencedora do acto eleitoral. Tinha o poder que o Povo lhe outorgava. O que acontece presentemente em Portugal? Acontece que o vencedor, ou vencedora das eleições terá de obedecer cegamente a todas as leis emanadas da Alemanha, caso contrário isso obriga a sansões contra o Povo Português. Chegou-se a uma altura em que a ambição alemã quer controlar todos os Estados Europeus a nível económico, político e cultural, a crise económica não passa de uma boa ocasião para concretizar tudo isto. Mas para o concretizar necessita de colaboracionistas dentro dos próprios países. Será que as lições da História não ensinaram a estes e estas colaboracionistas que a Alemanha é o país mais visceralmente totalitário da União Europeia? E que para nos destroçar já não necessita de Panzeres, Guetos de Varsóvia e Auscwitz? Basta dominar os mercados, como de facto faz? Claro que sabem! Estão é a colaborar com ela porque ideologicamente são a mesma coisa e estão a aproveitar a crise para ensaiar em Portugal uma nova ideologia fazendo do nosso país uma cobaia. A continuar assim, preparemo-nos para a pobreza, nós e os nossos filhos. Só seremos um protectorado da Alemanha enquanto os nossos políticos quiserem, mas pode ser que todos se enganem e haja um novo «desembarque da Normandia», eu pessoalmente acredito que este IV Reich, económico, irá ter o mesmo fim do III Reich militar.
Vamos até aos colaboracionistas. São gente que aceita políticas estrangeiras, mesmo que essas políticas sejam para subjugar e empobrecer os seus povos. Esta gente tem de ser levada a um tribunal, tem de responder pela infâmia.
Colaboracionistas não são só os que governam a nível central, há muitos peões de brega a nível da província que também o são. Vi numa manifestação em que tomei parte no dia 15 de Setembro, um grande pano preto colocado numa parede de um prédio onde se acusava uma senhora «política» de colaboracionista. Perguntei quem era, disseram-me que é alguém que faz da política um negócio.

Ps 1 – As pessoas de agora escutam com a mesma ansiedade e medo as medidas de austeridade propostas pela Alemanha, como as que viveram a II Guerra Mundial ouviam as notícias do avanço das tropas alemãs com todo o seu cortejo de morte e destruição.

Ps 2 – Custa-me dizer isto, mas há gente pertencente a partidos e organizações de esquerda, mas que é tão sofisticada, por isso colaboracionista também, bastando que desse colaboracionismo consiga algum proveito…

Ps 3 – Uma notícia num jornal português «FMI distancia-se da inflexibilidade europeia». Para não dizer alemã. Como já ninguém se entende será que esses dois também já não?
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Numa passagem pelo Sabugal, desloquei-me à Casa do Castelo, em que a Dona Natália Bispo, gerente daquele espaço cultural, me deu conhecimento do 2º Ciclo da Cultura Judaica a decorrer na Cidade da Guarda nos dias 19 e 20 de Setembro.

Lançou-me o repto para estar presente, para me inscrever apresentando o respetivo programa. Fixei o olhar na palestra que a própria irá proferir sobre o tema «A Raiz Histórica Judaica em espaço privado, aberto ao público», e na da Dr.ª Maria Antonieta Garcia sobre, «Beira Interior – Peregrinação em torno da Herança Judaica», num programa imensamente vasto com visitas, festas e tradições judaicas e sobre produtos Kosher.
Os assuntos ligados à Cultura Judaica sempre motivaram interesse, principalmente a partir do momento que a minha saudosa Mãe me dizer, que os seus antepassados eram de origem judia da zona de Caria, que se dedicam à venda de carne e peles. Estes negócios tiveram continuidade e mantiveram-se até à morte de António Alves Martinho, um dos últimos talhantes da antiga Praça da Guarda, espaço onde hoje está construído o edifício da Camara Municipal.
Com esta valiosa oferta cultural resolvi ir no dia 20 de Setembro, o dia dedicado a dois painéis temáticos. Cheguei cedo à cidade Egitaniense, ainda os oradores estavam nos últimos retoques às suas intervenções e fazer as suas maquilhagens. A cidade pelo movimento nas ruas ainda estava meio adormecida. Resolvi fazer uma pequena romagem de saudade. Nas escadarias em frente ao Museu da Cidade lá se encontra um quadro de azulejaria de Frei Pedro da Guarda. Desço e passo pelo local onde estava instalado o Café Mondego, hoje casa comercial, onde vi, à porta em 1958, pela primeira vez televisão, uns desenhos animados.
Subi a calçada para o Paço Episcopal, onde não se vislumbra qualquer presença, e passei pelo edifício da Cáritas Diocesana. Verifiquei que mudou de instalações para o Ex-Colégio de S. José. Fiquei perplexo por desconhecer esta nova morada, porque colaboro voluntariamente neste organismo, mas deve ser culpa própria.
Desci para a Sé e admirei, a um canto, a Estátua de D. Sancho I, que deu o primeiro foral a esta cidade, em Novembro de 1199. Encostado às paredes centenárias da Sé, está um vizinho do Rei Povoador, com vestimentas velhas e rotas muito extravagantes, com cabelo e barbas crescidas de alguns anos, com pinces espalhados pelas orelhas, nariz e parte do rosto. No chão tinha diversos sacos de plástico. Abeirei-me e perguntei-lhe se falava português, francês, inglês… Respondeu-me numa língua que não percebi uma sílaba. Ainda numa mímica gestual lhe dei a entender se queria algum alimento para a boca, fazendo gesto negativo.
Subi as escadas da Sé que demorou cento e cinquenta anos a construir. Apesar deste longo período não foram precisos na construção muitos cadernos de encargos, comparados com as permanentes alterações das de hoje. Entrei. Uma dúzia de cristãos madrugadores recitava o terço.
A cidade começava a despertar. Da zona da Judiaria instalada na cidade amuralhada, começaram a aparecer as pessoas. Um polícia em passo cadenciado dirigiu-se para o seu Posto. Passei em frente á Igreja da Misericórdia, mandada construir por D. João V, na sua frontaria tem um nicho de Nossa Senhora, e ouvi o meu nome. Era a Dona Natália Bispo que se aproximava e me cumprimentou. Lá seguimos para o Auditório do Paço da Cultura.
Na hora do almoço regressei ao local onde se situava a antiga Adega Regional, hoje um moderno restaurante. Foi ali que almocei no Verão de 1956, uma dobrada, com o meu pai, na primeira visita à cidade da Guarda, prémio de ter feito exame da 4ª classe no Sabugal. Era ali que encontrava mais tarde quando esperava o transporte para Gouveia ou para a Cerdeira do Coa, o meu tio Manuel Alves Martinho, às vezes com os néctares vinícolas já muito acentuados. Depois de um trabalho duro no Matadouro Municipal, era ali que tinha o seu escritório e um ambiente de afetos, com os muitos amigos. Com a família numerosa, hoje os filhos espalhados pelo mundo, com exceção da filha Maria de Lurdes Alves Martinho, funcionária na União dos Sindicatos da Guarda.
Com o restaurante cheio, sinal que se come bem e barato, aproximou-se um utente que pediu para se sentar na minha mesa. Notei no rosto daquele homem ares de sofrimento. Sentou-se e abriu o seu Livro de Job. Disse-me que é de Videmonte e que nunca teve necessidade de emigrar, mas há uns meses que não trabalha. Não está desempregado. A esposa anda há muito em tratamento oncológico, mas nos últimos meses a situação tem-se degradado, tem piorado. «Tive de deixar de trabalhar para cuidar da minha mulher, porque ela merece este meu sacrifício, ele merece tudo o que eu possa fazer para seu bem», e as lágrimas caem para o prato da sopa que estava a fazer o esforço para comer. Tem dois filhos, mas esses tiveram de partir para França à procura do futuro. Arrepiou-se-me a alma…
Segui para o Auditório no antigo Seminário Episcopal, mas o meu pensamento já lá não estava.
Falaram uns rabinos sobre o Genesis, o Êxodo e sobre os produtos alimentares animais e vegetais, que compõem as refeições. Já sabia que é um assunto muito sério e que merece muita atenção para os responsáveis pela restauração e turismo.
Ainda se falou de turismo judaico, das redes de judiaria, que afinal o Sabugal não está integrado. Um interveniente ainda chamou a atenção para os organizadores destas jornadas irem a Vilar Maior, Sortelha e Vila do Touro para in loco verem e estudarem vestígios da permanência desse Povo. Fiquei com a sensação de que não vão. Espero que me tenha enganado.
À saída para o Fundão passou à minha frente, o tal HOMEM da Sé, que vagueia pelas ruas citadinas vazias de afetos, imigrante de parte incerta, e lembrei-me do ÊXODO, da história da libertação do Povo de Israel, que caminha no deserto a quem Deus enviou o Profeta Moisés, na direção da Terra Prometida. Será que este jovem alcançará a sua liberdade, o Monte Sinai e toque na Arca da Aliança e se abrigue na Tenda da Terra Prometida?
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes

Militares da GNR do comando da Guarda detiveram, após investigações, dois jovens, em Pinhel e em Foz Côa, por posse de estupefacientes, na medida em que cultivavam em suas casas plantas de cannabis, que lhes foram apreendidas.

No dia 17 de Setembro, militares do Núcleo de Investigação Criminal da Guarda, detiveram um jovem de 19 anos de idade, residente em Vila Franca das Naves, concelho de Pinhel, por cultivar três plantas de Cannabis Sativa, com alturas compreendidas entre 35 e 90 cm, que lhe foram apreendidas. As plantas estavam a ser cultivadas em diversos vasos colocados na sala da casa onde o suspeito habitava. O detido foi sujeito a Termo de Identidade e Residência e notificado para comparecer no Tribunal Judicial de Trancoso.
No dia 19 de Setembro, militares do Núcleo de Investigação Criminal de Pinhel, detiveram um outro jovem de 16 anos, residente em Freixo de Numão, concelho de Vila Nova de Foz Côa, por igualmente cultivar cannabis. Uma busca domiciliária permitiu apreender uma planta com um metro de altura, que estava a ser cultivada num vaso num anexo à residência do suspeito. O mesmo foi sujeito a Termo de Identidade e Residência e notificado para comparecer no Tribunal Judicial de Foz Côa.
plb

O Teatro Municipal da Guarda (TMG) assinala o Dia Mundial da Música (segunda-feira, 1 de Outubro) com pompa, circunstância e, sobretudo, com muita originalidade. Todos (ou quase todos) os espaços dos edifícios do TMG serão palco de concertos mais ou menos intimistas, interpretados por músicos guardenses.

Do terraço ao sub-palco ou da sala de reuniões às escadarias e foyers, o público é guiado numa autêntica viagem musical para celebrar este dia especial. Os concertos começarão às 21h30 e prolongar-se-ão até às 01h00. A entrada é livre.
Rock, Clássica, Pop, Jazz, Sefardita, Tradicional, Fado, Electrónica, Erudita Contemporânea e DJ’s, são alguns dos géneros propostos neste «Guarda – Músicas». Os músicos convidados para esta iniciativa estão todos ligados à Guarda por naturalidade ou por afinidade: Carlos Canhoto e Ensemble de Saxofones, César Cravo, César Prata, The Curimakers, Diogo Andrade, Domenico Ricci, Helena Neves, Helena Rodrigues, Hugo Simões, Zé Tavares, Márcia Cunha e Quarteto de Flautas, Olena Sokolovska e Violin‘Arte, One Man Riff, Pedro Baía, Pedro Ospina, Rogério Pires, Teresa Gonçalves e Vanda Rodrigues.
Um excelente itinerário musical e um programa original para a noite do Dia Mundial da Música.
plb (com TMG)

Hoje, nem se percebe como é que pode ser importante esse facto, a chegada da roupa já feita. Hoje notícia seria irmos outra vez ao alfaiate e à modista ou costureira. Mas como era há 50 anos?

Naqueles dias, era assim: nas grandes festas, de quando em vez, íamos ter umas calças novas, um vestido novo, uma blusa nova… Então o processo começava: primeiro: ida ao comércio, escolha das peças (espécie de rolos grandes) de tecidos e de fazendas. Depois: corte do comprimento necessário. O comerciante media com o seu metro feito de um pedaço de madeira «quadrada» castanha escura, com os números muito grandes.
Entretanto os pais tinham combinado com o alfaiate ou a modista / costureira e lá íamos tirar as medidas: altura da perna por fora, altura da perna por dentro, largura da calça em baixo, cintura, anca… sei lá: as medidas todas, tipo modelos das revistas cor-de-rosa de hoje…
As raparigas lá tirariam outras medidas. Eu não estava lá para ver. Mas o método não devia ser muito diferente.

Estranha variedade de tecidos
Num país tão pobre, eu sempre estranhei a grande diversidade de tecidos à escolha. Não na altura. Mas sobretudo quando cresci e tomei consciência da pobreza franciscana do Portugal desses tempos.
De facto, estranhamente, os tipos de tecidos que havia nesse tempo eram muito variados. Os vestidos, as saias e as blusas, as calças e os casacos, as combinações com a sua rendinha obrigatória ou os saiotes podiam feitos de (escrevo a grafia da pronúncia popular, claro – isso é que tem piada), por exemplo:
– riscado,
– crepe,
– organza,
– sarja,
– popeline,
– gargorina,
– flanela,
– vual de lã,
– jorgete,
– chita,
– cretone,
– piqué,
– sarrebeque,
– cotim,
– fazenda de lã,
– fazenda fina,
– tirilene,
– seda,
– nylon,
– fioco (mistura barata à base de lã),
– merino de algodão.
Etc. Etc..
Ah, e o afamado linho e a estopa, com o seu complexo ciclo de manufactura.
Resumindo: estes e outros tecidos eram comprados a metro nas lojas que havia (estabelecimentos comerciais).
A roupa era depois costurada pelos alfaiates e pelas costureiras.
Havia sempre duas provas, para que tudo ficasse bem.
E no dia da Festa era uma festa.
Só me incomoda uma coisa, hoje, quando olho para essas imagens de antanho: as cores usadas no vestuário eram em geral muito escuras. Azul-escuro, cinzento-escuro, preto. Com as raparigas era diferente. Aclaravam a esta imagem. Ainda bem.
Não foi fácil encontrar fotos que se aproximem da imagem que tenho dessas realidades. Mas tentei, para completar o quadro. Agradeço aos autores dos blogues de onde foram «sacadas».

E chega o pronto-a-vestir
Mas isso era o antes. Um dia, eis a revolução no vestuário: chega a notícia de que já há roupa feita e que ficava sempre bem, sem tantas questões de medidas individuais. Um milagre. Surpresa geral. Havia pessoas que nem acreditavam. Então já não era preciso ir à Senhora Maria Augusta tirar medidas?
E não, não era preciso.
Era tudo verdade: podia comprar-se roupa já pronta a usar na Festa de Flores.
Ali por alturas de 1960, o pronto-a-vestir chega á nossa região. Ainda que timidamente. Primeiro, nos grandes centros urbanos da zona: ia-se à Covilhã ou a Castelo Branco comprar uma saia plissada.
Mas a revolução vai chegar rapidamente ao Casteleiro: em dois ou três anos, os comércios do Casteleiro começaram também a ter casacos de malha, camisolas de malha, saias, batas.
Vestidos é que não. Isso ainda era cedo.
Para os rapazes, só um puloverzito de vez em quando.
O resto continuava tudo como dantes: compra o tecido, tira as medidas, vai provar, veste a roupa, faz a festa…
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

Há cerca de dois meses o Pascoal dos Fóios disse-me que o grupo de motares, da zona de Viseu, «Gang 232» tinha intenção de vir passar um fim de semana aos Fóios.

José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaPerguntou-me se as camas do nosso centro de acolhimento estariam disponíveis e comunicou-me que os elementos do grupo tinham intenção de aqui passar os dias 22 e 23 do corrente mês de Outubro, tal como aconteceu.
Este grupo já havia estado nos Fóios no ano passado mas como o passa-palavra resulta este ano já vieram muitos mais. Trinta pessoas. Rapazes, senhores, meninas bonitas e bastantes crianças. Tudo gente cinco estrelas.
No sábado almoçaram no parque de lazer dos Fóios e o jantar foi servido no pavilhão multiusos.
O Pascoal, o irmão e os pais são amigos do pessoal do grupo e como são proprietários da padaria dos Fóios confeccionam excelentes pitéus que vão ao forno da padaria nuns grandes tabuleiros.
A mãe Lurdes, uma excelente cozinheira, apresenta na mesa uns pratos que se metem pelos olhos.
Muito embora estivesse convidado para as duas refeições apenas pude participar no jantar que foi servido num ambiente de muita alegria e animação. Uma autêntica família.
Na qualidade de presidente da Junta ofereci umas lembranças ao grupo que, por sua vez, corresponderam com idêntico gesto.
O grupo teve a oportunidade de, no Sabugal, visitar a «Casa do Castelo» onde a Talinha recebe sempre cordialmente. Parabéns Talinha. Está definitivamente assumido que «Turismo é mesmo Futuro».
Vamos continuar a trabalhar porque o muito que já fizemos ainda é pouco. O Concelho tem imensas potencialidades e temos que ser imaginativos e corajosos. Trabalhar para que seja todo o ano mês de Agosto.
Temos programadas diversas actividades, para os meses de Outubro e Novembro, que serão divulgadas na devida altura.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

A Confraria do Bucho Raiano (CBR), com sede no Sabugal, integra a lista candidata aos corpos sociais da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas (FPCG).

A Lista de que a CBR faz parte tem como candidata à presidência do Conselho Directivo da FPCG a Confraria da Doçaria Conventual de Tentúgal. Na mesma lista a CBR é candidata a uma das vice-presidências, o que faz ao lado de outras confrarias, como a do Queijo Serra da Estrela, dos Ovos Moles de Aveiro, da Gastronomia da Madeira, do Bucho de Arganil e da Maça Portuguesa.
As eleições para a FPCG ocorrerá em 26 de Outubro, em Vila Nova de Poiares, onde se realizará o do Congresso das Confrarias. A confreira Madalena Carrito, da Confraria da Chanfana, decidiu não se recandidatar ao lugar de presidente da Federação, tendo-se candidatado ao lugar a confreira Olga Cavaleiro, da Confraria de Tentúgal, a cuja lista se juntou a Confraria do Bucho, que aí tem sido representada pelo Grão Mestre, Joaquim Silva Leal.
A lista de Olga Cavaleiro, até agora a única, foi apresentada no passado dia 19 de Setembro, em Tentúgal. Sob a epígrafe «Ousar Crescer», a lista será agora apresentada às confrarias do Norte, o que acontecerá em 26 de Setembro, no Solar dos Condes de Resende, no Porto.
A lista «Ousar Crescer» conta ainda com outras confrarias, nomeadamente a das Almas Santas, a da Areosa e do Leitão, dos Gastrónomos dos Açores, do Cabito da Serra do Caramulo, do Moliceiro, das Sainhas, do Bodo, dos Gastrónomos de Lafões, do Rabelo e da Gastronomia de Sever do Vouga.
De acordo com o programa apresentado, a lista que integra a Confraria do Bucho Raiano, propõe-se mobilizar a FPCG no sentido de ajudar as confrarias a criarem as condições de reconhecimento daquilo que são os bons produtos e, em parceria com outras instituições, facilitar a distinção do que melhor se faz na nossa gastronomia. Outra proposta é a qualificação dos produtos, fazendo com que quem os consome possa ficar satisfeito com a sua singularidade e a expectativa não dê lugar à frustração. O programa defende ainda, entre outras medidas, a constituição de uma base de dados com as receitas, as histórias associadas às receitas e os seus autores, os provérbios, os modos de produção, os ingredientes, e outros aspectos relevantes de cada produto gastronómico.
plb

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto a Carvalhal do Côa, aldeia anexa de Badamalos. No próximo domingo será editado o poema relativo a outra freguesia: Baraçal.

CARVALHAL DO CÔA

Aos palmos não se medem as pessoas
Aos palmos não se medem os lugares
As Romas, os Parises, as Lisboas
Não vencem no cotejo com vilares

É outra a pureza dos seus ares
Bem mais lhanas e probas as pessoas
Vivendo juntas alegrias e pesares
Em união nas horas más e boas

Neste nosso Portugal cristão
Bem numerosos os carvalhais são
Das ilhas de Além Mar até ao Minho

Nenhum outro, porém, tem o encanto
De ser um tão poético recanto
Como este Carvalhal Carvalhalzinho

«Poetando», Manuel Leal Freire

A histórica cidade de Trancoso ganhou mais colorido este sábado, 22 de Setembro, com a realização do I Encontro das Confrarias das Beiras, iniciativa da Confraria das Sardinhas Doces de Trancoso com apoio da Câmara Municipal e empresa municipal Trancoso Eventos.

Encontro Confrarias Beiras - Trancoso

As confrarias gastronómicas das Beiras reúnem este sábado, 22 de Setembro, em Trancoso. O primeiro encontro é uma iniciativa da Confraria das Sardinhas Doces e conta com o apoio do município e da empresa municipal de Trancoso.
Um encontro de saberes e sabores, de experiências que nasceram na lonjura dos tempos e foram transmitidas de geração em geração, uma componente real e importante da Cultura Portuguesa, autêntica expressão do povo que guarda em si segredos da mesa de «arte de bem comer e bem beber» entendida esta como uma herança histórica, etnográfica e gastronómica mas também de elementos que se conjugam com a actividade agro-pecuária.
As Confrarias, ao conjugarem os cidadãos num objectivo de promoção, preservação e divulgação de produtos locais ou regionais ou de animais como é o caso do Cão Serra da Estrela, estão a preservar o património material e imaterial e contribuir para o desenvolvimento sócio-económico onde é de destacar o Turismo nas suas vertentes gastronómica, monumental, paisagística, o artesanato e as tradições.

Programa
09:30 – Recepção às Confrarias e Sardinha de honra.
10:30 – Sessão de boas vindas de Júlio Sarmento, Presidente da Câmara Municipal de Trancoso e representação teatral dos alunos do 2º ano do C.A.S.C. Escola Profissional de Trancoso.
10:45 –  1.º painel – A Gastronomia/As Confrarias e as Comunidades Locais. Moderador: Dr. Carlos Camejo. Participantes: As Mãos fadadas das Freiras (Santos Costa); Os Comeres da Beira na Idade Média (Armando Fernandes); A Singularidade das Comunidades Locais: Contributos de uma Confraria (Olga Cavaleiro).
11:45 – 2.º painel – Contributo das Confrarias para o desenvolvimento de uma Região. Moderador: Dr. Amaral Veiga. Confrarias Gastronómicas, baluartes de promoção e do desenvolvimentodos Territórios (Madalena Carrito); O contributo das confrarias para a promoção do produto endógeno (Luís Baptista); As confrarias e o Príncipe Kropotkin (Carvalho Rodrigues).
Debate
13:30 – Almoço: Hotel Turismo de Trancoso.
15:30 – Momento Musical: Coro da Santa Casa da Misericórdia de Trancoso.
15:45 – Encerramento. O Poder Local e as Confrarias locais e regionais (Júlio Sarmento).
16:00 – Visita a Trancoso.
17:00 – Lanche partilha com produtos das Confrarias.
jcl (com Gab. Comunicação e Imagem da C.M. Trancoso)

Damos continuidade à apresentação do léxico com as palavras e expressões populares usadas na raia ribacudana.

BEBEROSO – formoso; bonito (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia do Bispo).
BEDUM – sabor e cheiro do sebo na carne de borrego ou carneiro. Diz-se que para a carne de borrego não cheire a bedum é necessário retirar-lhe as gorduras (ou sebo) que está no interior dos músculos das pernas.
BEI – diminuitivo de Isabel (Alfaiates).
BEIÇA – lábio, beiço. Expressão labial. Beiça caída – amuado.
BEIJINHO – a parte melhor de alguma coisa; o preferido da família (Júlio António Borges).
BEIRADA – fila de telhas da parte mais baixa de um telhado; beiral.
BEJOEGA – bolha de água na pele; o m. q. borrega.
BELA GALHANA – boa vida, sem nada que fazer. «É gente sem eira nem beira, que anda por aí à bela galhana» (Joaquim Manuel Correia).
BELA-LUZ – planta silvestre, que cresce nas tapadas.
BELANCIA – melancia.
BELDAR – dar à língua; falar muito. Rezingar (José Prata). Ladrar (José Pinto Peixoto). Falar sem tom nem som (Clarinda Azevedo Maia). «Beldava continuadamente» (Abel Saraiva).
BELDROEGA – planta espontânea, carnosa e suculenta, usada para sopa e saladas.
BELFA – colar de estopa cheio com palha que se coloca no pescoço das cavalgaduras para lavrar, puxar ao carro ou tocar a nora. O m. q. bornil.
BELFO – pessoa, ou animal, que tem o lábio inferior sobreposto ao superior. Burro belfo: forte defeito, que desvaloriza muito o animal.
BELGA – pequeno terreno de cultivo; courela. Clarinda Azevedo Maia refere a expressão bega, que recolheu nos Fóios. Quanto à palvra belga, a mesma autora dá-lhe um significado diferente: «cada um dos regos paralelos com que se divide o terreno, antes de semear e lançar o adubo» – talhar uma belga: abrir um rego.
BELIDA – mancha branca que aparece nos olhos ou nas unhas (Júlio António Borges).
BEM D’ALMA – conjunto de acompanhamentos, ofertórios, responsos, missas, trintários, ofícios e outras orações fúnebres celebradas em honra dos defuntos de uma irmandade. O bem de alma tem um preço, que é pago ao pároco.
BEM-HAJA – obrigado; agradecido.
BENARDINA – piada (Clarinda Azevedo Maia – Lageosa)
BENÇA – pagamento anual a barbeiros e a alfaiates pelos serviços prestados, ou a prestar, geralmente composto por alqueires de centeio. O m. q. bênção.
BENTO – aquele que adivinha o futuro e consegue curar doenças. Duardo Neves traduz literalmente por: «pessoa que tem de nascença uma cruz no céu da boca».
BENZENICAR – fazer de conta; fingir (Júlio António Borges).
BÉQUEIRO – taberneiro – termo da gíria de Quadrazais (Franklim Costa Braga).
BERÇA – couve galega. Caldo das berças. Também se diz verça.
BERDUGO – cobra (fem. berdugueira). Também se diz verdugo.
BERNA – bicho que se cria no couro do gado bovino; o m. q. medraça (Clarinda Azevedo Maia – Fóios).
BERRÃO – porco (Manuel Leal Freire). Também se diz barrão (Júlio António Borges)
BERRELAS – pessoa que berra muito.
BERRELHO – que berra muito. Leitão, bácoro.
BERTOLDO – palerma; idiota; parvo.
BERZUNDA – bebedeira (Júlio António Borges).
BESBELHO – babado; ufano; pasmado.
BESTUNTO – pessoa estúpida, com pouco expediente (Júlio António Borges).
BEXIGA – peça do enchido composta pela bexiga do porco cheia com carne dos ossos e couros.
BEZERRO – vitelo; novilho. Pedaço de parede caída numa habitação já antiga (Clarinda Azevedo Maia – Forcalhos).
(Continua…)
Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

leitaobatista@gmail.com

Como já anteriormente deixámos exarado, o Portugal atlântico, imperial, evengelizador, que toma nessa hora de quinhentos o lugar do povo-chefe, de povo guia, mesmo, do universalismo ocidental, nasce graças à vontade infléxivel do Infante Dom Henrique…

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaComo escreveu João Ameal, impulsionados por ele, não mais parámos no seguimento da sua obra. Lembremo-nos de que, se Dom Duarte quer em vão Tânger e Dom Afonso V acaba por subjugar aquela cidade depois de Alcácer-Céguer e Arzila, as conquistas marroquinas não fazem esquecer o empenho, central e primordial do avanço pelo litoral africano. Os marinheiros de Sagres prosseguem esse avanço sob o comando directo de Dom Henrique, até 1460, ano da sua morte. E não mais se detém. Com Dom João, o ritmo acelera-se e Bartolomeu Dias alcança a extremidade meridional do Continente. Pouco mais de uma década será necessária para que, sob Dom Manuel, Vasco da Gama aporte a Calecute e Pedro Álvares Cabral a Vera Cruz. No entretanto, e quando já tudo era previsível, obtivera o Principe Perfeito, ao fim das negociações porfiadas e habilidossíssimas de Tordesilhas, que o Papa sancionasse a partilha das terras conhe¬cidas e desconhecidas entre Portugal e a Espanha. E na nossa metade compreendem-se a África inteira, a Ásia e o Brasil.
Ludibriada pela enorme ciência dos nossos sábios, que conheciam bem mais as terras situadas na nossa metade, ao contrário dos seus marinheiros que julgavam ter chegado à India pelo Ocidente e da América só se haviam dado conta da parte mais reentrante, a Espanha acabaria por vingar-se depois de Alcácer-Quibir e com o colapso da Invencível Armada, lançaria no seu e nosso império, a cobiça de ingleses, holandeses e franceses.
De qualquer modo, a Espanha foi a segunda das grandes potências marítimas.
E, se Camões, podia, na dedicatória de «Os Lusíadas», saudar Dom Sebastião, dizendo:
Vós, poderoso rei, cujo alto império
O sol, logo em nascendo, vê primeiro,
Vê-o também no meio do hemisfério
E quando desce o deixa derradeiro…

Filipe II de Espanha poderia, depois de ser também o Filipe I de Portugal, considerar-se rei de um território, onde nunca o Sol se punha.
Ao descobrimento da América por Cristóvão Colombo em 1492 (agora estamos a transcrever de Francisco Ligório Morcela, in «Apontamentos de Geografia Política», seguiram-se no reinado de Carlos I, as conquistas de Fernando Cortez (México), Almagro (Bolívia e Perú), Mendoza (Argentina) e Pizarro (Chile, Colombia e Perú) que, destruindo os poderosos indígenas dos astecas e dos incas, constituiram um imenso império colonial que abrangia parte da Ámerica do Norte, praticamente toda a Central e mesmo a do SuI, exceptuando o Brasil.
Como recordação da viagem de Fernão de Magalhães (no feito, com verdade, português, mas não na lealdade), ocuparam ainda as Filipinas, na Insulíndia.
Detendo grande parte do norte de Àfrica, instalaram-se por igual num extenso rosário de ilhas atlânticas, das Canárias a Fernando Pó e Ano Bom, com ocupação efectiva, já na costa ocidental, do chamado território do Rio Muni, núcleo da Guiné Espanhola, integrante também daquelas duas ultímas ilhas.
Com pés de barro, como todos os Impérios terreais, foi-se destruíndo. A administração ruinosa da Metrópole e o exemplo da independência dos Estados Unidos vieram, com outros factores, desenvolver um poderoso movirnento de emancipação nas colónias espanholas da América, devido principalmente à acção de Bolívar e San Martin. As ambições políticas de expansão externa dos Estados Unidos (continua Ligóno Morcela, obra citada) levaram o seu govemo a declarar-se paladino da independência das nações americanas e a tentar impedir, por todos os meios, a hegemonia europeia naquele continente. E, quando, em 1823, as colónias espanholas se agitavam para sacudir o jogo da metrópole, Monroe, então presidente dos Estados Unidos, enviou uma célebre mensagem aos seus congressistas, na qual preconizava a doutrina de «a América para os americanos».
E, nos fins do século passado, os Estados Unidos intervieram para assegurar a emancipação de Cuba e conquistarem Porto Rico. Aliás a sua acção antiespanhola não se circunscreveu ao Continente Americano.
Acabaram também por anexar as Filipinas a que mais tarde dariam a independência.
Maldição ou simples sina histórica, Cuba, como mais tarde o Vietnam, de que correram os franceses, tornou-se para os norte-americanos uma tremenda preocupação e um caso que ainda não conseguiram liquidar.
Voltando ao exemplo espanhol, assistimos já na década de sessenta do século passado, à emancipação dos territórios do Rio Muni, Fernando Pó e Ano Bom, que deram a chamada República da Guiné Equatorial (12/10/1968) e a devolução do Ifni a Marrocos em princípios do ano subsequente (4/1/1969).
De modo que hoje praticamente lhe restam apenas as ilhas Canárias, as afortunadas, na nossa linguagem da primeira dinastia e por onde, em tempos de D. Afonso IV, se ensaiou a nossa vocação expansionista.
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

No sábado, 15 de Setembro, Portugal foi varrido por um vento de indignação e que fez ecoar um grito de basta de norte a sul e de oeste a leste.

As pessoas saíram para a rua e deram corpo à maior manifestação política sem conotação política. Desta vez, não podem acusar sindicatos nem partidos. Desta vez, foram as portuguesas e os portugueses que saíram para a rua e disseram olhos nos olhos, num sábado!, que estão fartos de levar murros no estômago! Que está farto de ser espoliado. Que está farto de mentiras. Que está farto da gentalha que faz de conta que governa quando, na verdade, se governam. Ouvi na tv um alentejano dizer que estamos a ser governados por um bando (não posso precisar se foi exactamente esta a expressão) de cachorros. A comparação é perfeita! Porque vergonha não têm. Sábado foi dado o grito de basta! Seria bom que a rua – termo tão grato aos políticos cá do burgo – fosse ouvida e dela se tirassem ilações. Governar, é uma actividade exigente. Mas, ou se governa com as pessoas e para as pessoas, ou, então, não passa de uma actividade tirânica. Infelizmente, têm passado pelo governo de Portugal, uns quantos parasitas, incompetentes, mentirosos e aproveitadores. A situação financeira do estado é prova provada do que afirmo. Contudo, não partilho dessa ideia estapafúrdia de um governo de iniciativa presidencial. Não. Ainda somos um estado democrático. Este governo é apoiado por uma maioria parlamentar, resultado de eleições livres. Um novo governo só se este se demitir, só se o sr. Presidente da República dissolver a actual Assembleia da República e sempre, sempre, resultante de novas eleições. A democracia não pode, por nenhum pretexto, ser posta em causa. Porque, quando se faz um «intervalo» (uma certa dirigente chamava-lhe suspensão) na democracia, este torna-se cada vez maior. Assistimos a uma contração dos direitos, até aos mais básicos, como o direito ao salário pelo trabalho. Já imaginaram o que seria a perda do único verdadeiro poder que nos resta, o direito ao voto? Não. Não alinho nessa farsa de um governo não escolhido por voto. Aliás, sempre defendi que os partidos deveriam ser obrigados a divulgar os nomes daqueles que são candidatos a ministros. Assim, saberíamos concretamente em quem se votava. Sem surpresas. Evitar-se-ia as negociatas já com o poder garantido. E todos iam a votos. Porque, no fundo, o grito de revolta que no sábado foi dado pelo povo português foi o de exigir verdade, igualdade e equidade. Exigir solidariedade e justiça. Exigir ética na gestão da coisa comum.
Se a surdez de quem governa persistir, tenho a certeza que o grito da rua se tornará ensurdecedor.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

O próximo fim-de-semana, dias 22 e 23 de Setembro, a aldeia histórica de Sortelha, no concelho do Sabugal, revive as tradições medievais com a recriação histórica da vida antiga.

As vetustas muralhas delimitarão o espaço onde acontecerá a recriação da Idade Média. Feira quinhentista, tabernas de comes e bebes, casa de câmbios, arena de torneios, casa de trajes, tudo fará da parte ds evocação da vila antiga, na época do seu esplendor.
Os actores do grupo de teatro Vivarte levarão a Sortelha a representação de diferentes cenas históricas, como torneios de armas, cortejos senhoriais, mensagens de arautos, danças mouriscas, malabarismos, autos de fé, fazendo reviver-se o tempo em que reinava em Portugal El-rei D. João III.
A iniciativa é da Câmara Municipal do Sabugal.
Uma boa oportunidade para ir a sortelha e aí integrar essa viagem na história, que acontecerá no perímetro das muralhas.
plb

Os dicionários dão ao vocábulo o sentido de utilidade ou proveito ou mais especificamente de ser animado ou inanimado, de que se possam extrair quaisquer benefícios.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaDe tudo o que serve para alguma coisa de útil se poderá, assim, esperar serviços.
E tão amplo é o conceito que os autores lhe conferem páginas e páginas para o especificar.

Depois, nascem as dissidências.

Há os que servem e os que se servem, esquecendo que o serviço não é só para eles, que, servindo-se, se esquecem de que também têm de servir.

Por isso, intervêm o poeta, assinalando:

Que vai de servir a servil
Distância que muito importa
Servir é vara direita
Que é servil quando se entorta.

Ou que:
A servir ninguém se oponha
Que é obrigação sagrada
Vergonha, três vezes, vergonha
É não servir para nada…

Ora,se o conceito já é assim tão extenso e confuso em si mesmo, o que não será aditando-lhe o atributo, que não é acessório, mas essencial, de público – que os mesmos dicionaristas, referenciando-lhe a etimologia (do latim publicus) sintetizam dizendo que público é o que pertence a todo um povo, ou seja o que é de todos.
Mas no caso ora em apreço, a não refreada extensão daquele dupla de conceito, ganha ainda do alargamento que lhe impõe o determinativo «de televisão», ou mesmo «de telefonia».
Daí a enorme extensão do conceito – ínsito e paradoxalmente também expresso – nas siglas de «Serviço Nacional de Televisão» ou «de Radiodifusão», que para além da imensidade ligada ao «Tele» vão para além do infinito.
E daí também o extremo cuidado com que os poderes – todos os poderes – têm de agir, ao lidar com o tema, seja para o que for.
E muito mais quando se trate de abordar uma experiência logicamente impossível, dado que público e privado sao expressões logomáquicas, isto é impossiveis de coexistir na mesma realidade.
Como não há rectas curvas ou pretos brancos também não pode haver serviços privados que sejam públicos, sendo por seu turno óbvio que um público, ao passar a privado perde ipso facto aquela qualificação.
Seria bom que assim não fosse…
O Diabo, diz povo, não é tão feio como o pintam.
Mas, mesmo com aquela limitação,não deixa de evocar e revocar o horrendo em todas as suas possiveis gradações.
A expressão atribuída ao pessimista Hobbes – homo hominis lupus – não significará, só por ela, que o mundo não é um mundo, mas um inferno, onde os homens ou são anjinhos atormentados ou demónios atormentadores.
Mas a verdade é que o combate pela vida nos torna a todos ou quase todos em adversários uns dos outros, ou quando muito em indiferentes pela sorte alheia, pondo a ênfase no nosso interesse, quase sempre mesquinho, mas a que tudo sacrificamos.
Queixamo-nos dos outros, os outros queixam-se nós, esquecendo-nos todos de que o nosso maior inimigo não são os outros, mas está dentro de nós.
A alma humana é um enorme campo de batalha onde a nossa metade boa é muitas vezes submersa, pela nossa metade má.
O poeta intuiu-o:
Pelo caminho que eu sigo
Quando eu quisesse matar
O meu maior inimigo
Tinha de me suicidar.

Para inimigos, bastamos nós.
O que não significa, que não deparemos no dia-a-dia com uma tremenda súcia da mais despudorada fauna. Na vida pública e privada
O poeta popular intuiu-o por igual:
A vida é filha da puta
A puta é filha da vida
Há tanto filho da puta
Na puta da minha vida.

E são efectivamente tantos que os encontramos em toda a parte, ou como se diz em linguagem popular, ao virar de cada esquina, na vida privada e na vida pública.
Com particular incidência, temos propensão a afirmar, na carreira política…
Mas não é que sejam quantitativamente ali mais abundantes, ou qualificativamente mais refinados.
O que estão é mais expostos, para a população em geral, que gostaria de os ter por modelos e por isso facilmente se escandaliza com os seus pecados e até simples pecadilhos, desculpaveis no homem comum.
Despertam também particular atenção perante os adversários de partido, o que se achará normal.
E, todavia, mesmo assim e apesar de tudo, são os camaradas de partido que mais lhe ratam na consideração.
O que seria paradoxal, se não fosse com estes que tivesse de disputar os lugares de acesso e ascenso e sobretudo as conesias…
«Caso da Semana», opinião de Manuel Leal Freire

A crónica publicada por António Pissarra aqui no Capeia Arraiana com o título «Raia – o Algarve do Interior?» e com a qual, como já tive a oportunidade de dizer, estou de acordo, coloca um tema que me é particularmente querido: o da importância da localização do nosso Concelho no contexto nacional e ibérico.

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - Capeia ArraianaSituemos então o concelho do Sabugal face à envolvente próxima, a qual pode ser analisada segundo o papel que o concelho poderá vir a desempenhar em contextos territoriais de níveis distintos:

no âmbito regional – na sua relação com os concelhos vizinhos e, essencialmente com os núcleos urbanos principais, perspetivando a participação numa área diversificada de valências sócio-económicas, a qual deve ser valorizada positivamente e ser mesmo encarada numa ótica de aproximação ao núcleo principal, suportado pelo denominado Arco Urbano do Centro Interior (AUCI), constituído pelas cidades da Guarda, Covilhã, Fundão e Castelo Branco, numa lógica de integração do Concelho no núcleo líder do desenvolvimento da Beira Interior.

Raia - Algarve do Interior

na relação com Espanha – integrando um novo conceito de centralidade entre o litoral português e as regiões centrais de Espanha, na consideração de que o Arco Urbano do Centro Interior (AUCI) e o Eixo Urbano da Raia Central Espanhola (EURCE) constituem o «sistema nervoso» raiano e as espinhas dorsais dos dois sistemas urbanos fronteiriços, os quais devem desenvolver em termos estratégicos, um conjunto de iniciativas que contribuam de modo eficaz para o desenvolvimento de todo o sistema territorial, desenvolvendo relações de complementaridade e relações eficientes de dependência funcional entre os diferentes centros; funcionando estes nós como «as portas» de promoção e comunicação entre a Raia Central e o exterior, caminhando para o modelo territorial indicado no mapa.

Raia - Algarve do Interior

ps. A resposta que os portugueses deram a este conjunto de garotos que pretende governar-nos não chega para mudar o rumo do País, mas lá que fez mossa fez!
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

Entrou em funcionamento o Palace Hotel & Spa, nas Termas de São Tiago, em Penamacor. O empreendimento com quatro estrelas, integrado no conceito saúde e bem-estar, tem 100 quartos, duas suites, bar e restaurante.

(Clique nas imagens para ampliar.)

Abriu portas o Palace Hotel & Spa, nas Termas de São Tiago, situado num espaço aprazível integrando a belíssima silhueta histórica da vila de Penamacor.
Para já encontram-se disponíveis os serviços de quartos, bar e restaurante. A segunda fase do empreendimento – spa e balneário termal – assenta na exploração da água termal de Santiago vocacionada para tratamento de reumatismos, pele e vias respiratórias.
O complexo hoteleiro com quatro estrelas oferece todas as condições para a realização de conferências, festas, convívios, casamentos e estadias de repouso.
O empreendimento com 100 quartos e seis suites, duas das quais dentro das torres de granito do antigo edifício que foi recuperado vai ser gerido pelo empresário Gumercindo Oliveira Lourenço que também é responsável pelo Hotel e pelas Termas de São Vicente em Penafiel.
O investimento de 10 milhões de euros recuperou um antigo edifício na quinta do Cafalado e prevê uma segunda fase de intervenção direcionada para o turismo termal.
Em nota de imprensa a Câmara Municipal de Penamacor informa ainda que o projecto, cheio de vicissitudes, teve o empenho pessoal do presidente da autarquia, Domingos Torrão, na sua concretização.
Endereço: Palace Hotel & Spa – Termas de S. Tiago
EN 332, Quinta do Cafalado. 6090 Penamacor
Tel.: 277390070 – email: hoteltermasdesaotiago@gmail.com

Curiosamente, ou talvez não, o recrutamento de pessoal para este empreendimento foi publicitado em vários meios de comunicação social. Aqui.
jcl (com C.M. Penamacor)

Quando o barco zarpou do Mar da Palha, fui vendo Lisboa ficar cada vez mais longe. Lembrei-me nesse momento daqueles Navegadores que nos séculos XV, XVI, XVII e XVIII partiram em caravelas do tipo casca de noz, visão igual a esta de Lisboa que a maior parte desses marujos não tornaram a ver!

José Jorge CameiraAos altifalantes chamavam os «fregueses» para o almoço. Que já tardava, a barriga dava horas há muito…
Era uma mesa redonda, com nove pessoas. Todos impiriquitados, excepto eu que vestia uma vulgar camisa e calças azuis jeans. Já nesse tempo tinha este vício destas roupas…
As madames ricas, mas pirosas, cheirando a esses sprays dos cabelos e a Channel 5 de feira, aproveitam esses momentos para mostrarem umas às outras os seus vestidos chiques, com colares e anéis brilhantes, sei lá se eram pichebeques…
À frente de cada um de nós havia seis pratos empilhados, quatro copos de cristal e um montão de talheres de todo o feitio, talvez uns 20. Lembro-me de ter pensado – isto deve ser já a contar com o jantar!!
Uma Madame do Puerto diz em voz alta, antes de servirem o enfardanço:
– Vou adivinhar a idade de todos!
A Balzaquiana comigo espalhou-se e bem. Enganou-se em nove anos. Disse-lhe: ao jantar trago o meu BI e poderá conferir.
A partir desse momento nunca mais me olhou com bons olhos. Pois… queria à força ser a mais nova do Grupo da Mesa!
Bem, o almoço foi aquilo a que eu posso chamar de PECADO. De facto foram necessários todos os pratos, todos os copos e todos os talheres!
Foi um empanturramento como eu nunca tinha visto. Comida de todo o género:
Carnes, peixes, grelhados, fritos, guisados… e servido a mais de 300 pessoas ao mesmo tempo, gulosos como eu!
Aquilo era digno de ser ver: empregados de luvas brancas, fardados, iam e vinham com grandes tabuleiros repletos de manjares enfeitados de flores, com acompanhamento musical de uma orquestra!
Ao jantar, a mesma farturaça. Comezaina em quantidade e qualidade. Na minha mesa, as Balzaquianas mudaram a roupagem e os pichebeques. E eu com os mesmos jeans. Devem ter cochichado entre elas:
– Coitado, é pobre, sempre com a mesma roupa, deve ter pago o cruzeiro em 100 prestações…
Até hoje ainda não sabem que tenho umas 10 calças jeans azuis e outras tantas camisas também azuis, algumas das feiras, confesso…
No primeiro dia devo ter engordado uns dois quilos pelo menos. Nesses 12 dias ia ser uma engorda forçada ou seja, como se diz no Alentejo: comer que nem umas bestas!
Depois dos jantares, então acontecia sempre uma Festa de arromba: dançar, anedotas sobre alentejanos e sobre os políticos… até as tantas da noite!
Foi na primeira noite de festança que encontrei o Luis e a Sofia, um casal da minha cidade!
– Que estão vocês aqui a fazer? perguntei eu.
– O mesmo te perguntamos!
Como é pequeno este Mundo!
Estávamos os três sentados a beber uns cocktails esquisitos, desses que têm coloridas sombrinhas chinesas, quando ouço o Animador anunciar bem alto:
-Vamos chamar aqui ao Palco todos os que viajam sozinhos!
Tive que ir, pois chamaram-me e ouvi uma salva de palmas, o que me cheirou a mariolice.
Tratava-se de juntar os viajantes masculinos e femininos solitários a fim de haver companhia total e ninguém se sentir isolado.
Seriam esses que iniciariam o primeiro baile!
Diz-me o Luís de longe, com ar de quem já sabia da coisa:
– Ó Jorge, pode ser que seja a tua independência!
Estava ele querendo dizer que podia acontecer calhar-me como par uma senhora cheia de grana, ricalhaça, ouro no baú e muitas propriedades e farmes.
Não foi nada disso: o «meu par» era uma senhora já com uns anitos largos, quadris de quem pariu cem vezes, com o cabelo loiro por cima e no meio cinzento, pelo menos com 70 anos, cheirando a Água de Colónia made in Spain
É bom de se ver que de repentemente deu-me uma dor no tendão de Aquiles e por isso tinha de me sentar!
(Continua)

José Jorge Cameira

«Estórias de um filho de Vale de Lobo e da Moita»
mailto:jjorgepaxjulia4@hotmail.com

A Beira Interior mais próxima da Raia é, sem dúvida, uma zona de escassos recursos a que se aliam diversos abandonos e esquecimentos.

Fernando Capelo - «Terras do Jarmelo»Os montes e as aflorações graníticas que a pontoam caracterizam a imagem de uma parcela de território notoriamente empobrecida que, progressivamente, desertifica.
São múltiplos os factores que concorrem para a fraca rentabilidade das actividades desenvolvidas nesta zona, prioritariamente agrícola embora sejam inegáveis algumas harmonias, algumas compensações e equilíbrios. Mas, o que mais me assedia é a beleza natural que não me parece ser alheia a sensibilidades.
Teria Augusto Gil escrito a Balada da Neve se nunca tivesse experimentado o frio gélido e branco que ajuda a construir os Invernos do Interior? Refiro-me a esse frio que corre entre montanhas e se explana, lá no alto, envolvendo tudo. Quando esse frio desce das nuvens, cobre tudo de um branco imaculado.
De que outra raia montanhosa, de que cores amalgamadas, de que pastos e matagais verdes, de que montes azuis, de que searas amarelas, de que manhãs laranjas e de que entardeceres encarnados poderia ter falado Nuno de Montemor? Que outros quadrazenhos poderia ele ter retratado? Com que outra mentalidade, com que outra moral, com que outra tenacidade, com que dialecto, com que outro contrabandear?
Que outras terras tão quentes e tão frias, tão esquecidas e de tamanho carisma poderia Aquilino Ribeiro ter chamado «Terras do Demo»?
Que outros «Cabeços das Maias» poderia ter escolhido Célio Rolinho Pires ou que outras «Rosas de Santa Maria» poderia ele ter descrito para além destas rosas, plantadas em chãos verdes, florindo em enormes campos primaveris? De que outros chilreares, de que outra passarada tão diversa, de que outros regatos a transbordar de limos, de que outras rãs cantantes poderia ele ter falado?
Como retrataria Paulo Leitão Batista a vida aldeana em «Retractos da Vida Aldeana» se não fosse a especificidade dos hábitos, as culturas e as tradições das terras do interior raiano e como descreveria ele, fora das margens do Rio Côa, as «Rotas Batidas» até aos confins codanos caracterizando gentes, divulgando monumentos, comentando religiosidades, aconselhando gastronomias?
Que dizer, ainda, da variedade da música popular? Refiro os cânticos de Natal, os cantares das Janeiras, as cantigas do Entrudo, os cânticos da Quaresma, os alegres cantos do mês de Maio (mês de Maria) as cantigas dos ranchos de ceifeiras e ceifeiros, dos malhadores, das vindimadeiras e vindimadores e as lengalengas dos homens nos lagares a esmagar as uvas.
Que dizer, também, da vivacidade das desgarradas alegres e picantes?
Onde poderiam ter sido engendrados os «Dramas» e tantas outras formas de representação popular?
Serão, então, estas terras, apenas pobres? Não, certamente, se houver o cuidado de preservar e, até, de rentabilizar as suas riquezas! E parece-me, a mim, que muita desta criatividade interior é susceptível de ter motivação em condições específicas sedeadas na beleza natural e intemporal que alimenta sensibilidades. Acredito, ainda, que tais sensibilidades, mesmo vestidas de silêncios, se deslocam como sombras intranquilas nestes territórios interiores. Mas quando vêm à luz do dia, constituem um verdadeiro conforto.
«Terras do Jarmelo», crónica de Fernando Capelo

Terminaram as férias querido leitor(a), é portanto altura de mergulhar não nas belas águas do Mar, de uma frondosa praia fluvial ou de uma bonita piscina, mas nas águas da realidade, águas bem geladas…

António EmídioMÁRIO DRAGHI – O presidente do BCE aproveitou o fim das férias para começar, ou recomeçar a falar «da inevitável redução dos custos laborais que têm que ser levados a cabo nos países em crise para melhorar a sua competitividade». Diz que em Portugal, Grécia e Espanha a «moderação salarial» está muito atrasada. Afirma Draghi que «os estados com elevado nível de desemprego têm de baixar os custos laborais com cortes adicionais». Traduzindo: redução nos salários com o correspondente aumento da jornada laboral e, seis dias de trabalho por semana. O Sábado vai passar a ser dia laboral, o que significa mais redução nos salários, porque esse dia não será remunerado. Porquê tanta admiração nas medidas tomadas por Passos Coelho a nível laboral? Ele limita-se a obedecer aos tecnocratas empregados de Angela Merkel.

MERCADO LABORAL – Queda dos salários em termos reais entre 2003 e 2007: Grécia 14%, Portugal 11%, Alemanha 3%.
O Mercado Laboral querido leitor(a) é similar a todos os outros mercados, lei da oferta e da procura, se há uma grande oferta de um produto, os preços baixam, se escasseia o produto, se escasseia a sua oferta, a tendência dos preços é subir, com a mão de obra a lei é a mesma. Há muito por onde escolher? Há muito trabalhador desempregado? Salários descem. Esta é a razão pela qual Merkel e os seus MerKados querem tanto desemprego na União Europeia. Vejamos: se milhões de trabalhadores são lançados no desemprego, se lhes retiram o subsídio de desemprego, ajudas sociais e a casa onde habitam, aterrorizam-nos de tal maneira que um qualquer empresário passa a ter à sua disposição uma oferta de mão de obra a vender-se por qualquer preço.

JOÃO PROENÇA – Secretário Geral da UGT, criticou as últimas medidas de austeridade do governo dizendo que «…medidas para beneficiar a SONAE, Jerónimo Martins e a Banca» . O senhor João Proença sabe, como qualquer português que trabalha deveria saber, que nos regimes Neoliberais, como o nosso, todo o dinheiro que é tirado aos trabalhadores em forma de impostos ou de redução de salários é para entregar nas mãos dos grandes empresários. Aí está a prova!

MANUEL ALEGRE – Devido a estas últimas medidas de austeridade acusou o primeiro-ministro de revelar «traços de autoritarismo» ao protagonizar um «desafio de desobediência» ao Tribunal Constitucional e de fazer também um desafio ao próprio Presidente da República. Olhe que não Manuel Alegre! O primeiro-ministro não desobedeceu a nada nem a ninguém, e muito menos revelou traços de autoritarismo. Ele obedeceu a quem nele manda, Merkel e os seus Merkados, demonstrou ser um aluno aplicado. Para Merkel, a Constituição Portuguesa é um bocado de papel, e o Povo Português um povo de segunda. Há quem diga, eu também o digo, que o senhor primeiro-ministro é um ultraliberal que consegue ultrapassar pela direita os mais conservadores Neoliberais da União Europeia, mas mesmo assim tem de obedecer…

BOLSA DE LISBOA – A quase totalidade das vinte maior empresas da Bolsa de Lisboa, para fugirem aos impostos que são obrigadas a pagar, têm o seu domicílio fiscal na Holanda! Depois dizem os governantes que todo o que foge ao fisco comete um crime, mas estou a ver que só é crime se forem os cidadãos comuns a fazê-lo…

TROIKA –A TROIKA querido leitor(a), é a inspecção das finanças coloniais alemãs.

«A disponibilidade dos portugueses para fazerem esforços e sacrifícios é muito grande» (Vitor Gaspar). Só não lhe respondo à antiga portuguesa porque não tenho dinheiro para pagar a um bom advogado, nem a um reles, desses de porta de cadeia.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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