Existe uma alternativa para o desalento que atravessa a lúcida crónica que o Paulo Leitão publicou a 20 de Agosto!

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Em Novembro de 2000, no jornal 5 Quinas, escrevia, «Defendo, assim, que se torna urgente a elaboração de um Plano Estratégico para o concelho (PECS), como um factor essencial do processo de desenvolvimento».
E relembro isto aqui porque a inexistência de uma estratégia para o desenvolvimento do Concelho foi e é ainda uma das principais razões para o estado a que chegámos.
E não podemos ignorar, nem escamotear que foram executivos municipais de maioria absoluta PSD os que nos conduziram a esta situação. Como não podemos esquecer que foram os vereadores da oposição que logo que tiveram condições para impor a elaboração de um Plano Estratégico, fizeram aprovar tal proposta, seguindo-se agora o processo de elaboração do mesmo, logo que selecionada a empresa.
Mas mesmo na ausência de tal Plano havia outro caminho por onde seguir.
E não posso deixar, mais uma vez, de dizer que o Concelho perdeu uma oportunidade de ouro quando não elegeu em 2009 o Toni e os candidatos do PS para liderarem o Município.
O Programa Eleitoral que apresentámos aos eleitores abria uma janela de oportunidade e rompia com a forma de encarar as questões do desenvolvimento do Concelho, tendo como objectivo último «transformar o Concelho do Sabugal num território competitivo e atractivo para nascer, crescer, viver, trabalhar, investir, envelhecer e visitar, promovendo de forma sustentada a qualidade de vida dos sabugalenses».
Alguns nos chamaram utópicos, dizendo que até eram umas ideias bonitas, mas que não tinham viabilidade de serem concretizadas.
Era verdade que tínhamos sonhado alto! Era verdade que não ia ser fácil pôr em prática algumas das coisas que propúnhamos!
Mas também era, e continua a ser hoje ainda mais verdade, que fazer mais do mesmo não poderia ter outro resultado que o que está à vista!
Esta terra é para crianças, para jovens, para adultos e para idosos!
É uma terra com potencialidades para se afirmar e para se tornar atractiva para novas gentes e novas actividades económicas!
Mas isso obrigará a mudar de rumo e a mudar de liderança municipal.
«O sonho comanda a vida», dizia o poeta. Mas não chega sonhar se os homens não souberem ou não quiserem transformar o sonho em realidade…

Ps 1: Terminei a última crónica prometendo mostrar que a questão dos trabalhadores da SABUGAL + estava salvaguardada na Lei que aprova o regime jurídico da atividade empresarial local e das participações locais (decreto 77/XII). Para isso aqui transcrevo o nº 6 do Artº 62º deste Decreto: «As empresas locais em processo de liquidação podem ceder às entidades públicas participantes os seus trabalhadores contratados ao abrigo do regime do contrato de trabalho, nos termos do disposto no artigo 58.º da Lei n.º 12-A/2008, de 27 de fevereiro, na exata medida em que estes se encontrem afectos e sejam necessários ao cumprimento das atividades objeto de integração ou internalização.»

Ps 2: Impossibilitado de estar presente acompanhei na televisão a etapa da Volta que atravessou parte significativa do Concelho e terminou no Sabugal.
Como já o afirmei esta é uma boa aposta do Município, e que, se possível, deve continuar.
Mas não posso deixar de lamentar o espectáculo televisivo que a RTP transmitiu a partir do Largo do Castelo.
Não fora a qualidade da Banda da Bendada e do Grupo de mulheres quadrazenhas, e estaríamos perante uma coisa inenarrável.
As entrevistas mais pareceram momentos de tapar buracos enquanto mais um pretenso «cantor» se preparava, e aquelas bonecas e boneco a que chamam apresentadores, deviam era ter sido atados às galhas de um forcão em tarde de Capeia!
Basta comparar com a qualidade do ano passado para se perceber como a RTP anda a descer de nível!

«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

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