O «milagre económico» da China passou por milhões de prisioneiros tanto de delito comum, como políticos, enormes Gulags onde esses prisioneiros trabalharam de sol a sol e sem salário, contribuíram para o aumento das exportações chinesas.

António EmidioE donde veio a maior parte dos empresários chineses? Eram os directores desses campos de concentração! No tempo de Mao Tsé-Tung os campos de concentração serviam para os dissidentes aceitarem o sistema ou morrerem. Actualmente são empresas que se pagam a elas próprias exportanto produtos manufacturados pelos presos, não é por acaso que a maior parte das prisões e campos de concentração se encontram numa província do Sul da China, zona onde começou a Revolução Industrial Chinesa.
As autoridades chinesas mantêm a maior discrição no papel económico desempenhado pelas prisões, porque o seu principal importador, os Estados Unidos, proíbem a importação de produtos manufacturados por prisioneiros. Alguns destes campos de concentração têm mais de sessenta mil prisioneiros, tanto de delito comum como políticos. O leitor(a) já viu o que é uma fábrica com sessenta mil operários trabalhando catorze horas por dia, sete dias por semana e sem ter de pagar salários? E todo aquele, que devem ser centenas, que não consegue os objectivos é condenado a trabalho extra às horas das refeições.
Uma empresa ocidental, produtora de vinho, tem enormes vinhas na China onde trabalham prisioneiros chineses, e todo aquele prisioneiro que por qualquer motivo desobedeça minimamente aos guardas é amarrado nu a um poste no meio de uma vinha ao anoitecer. Em pouco tempo está coberto de mosquitos, a única coisa que consegue fazer é gritar… Os directores dos campos de concentração são treinados nas celebérrimas técnicas do Marketing do Ocidente, para as exportações terem sucesso. E os corifeus da comunicação social chinesa não se coíbem de dizer: «temos uma vantagem comparativa. Graças à nossa grande população prisional temos acesso ao grande potencial que representa uma fonte de trabalho muito barata».
A União Europeia ainda há bem pouco tempo não tinha legislação que proibisse a importação de produtos fabricados em campos de prisioneiros, não sei se já tem, mas uma coisa é certa, tenha ou não tenha, muitos desses produtos, para não dizer a maior parte, são vendidos em lojas chinesas nas nossas cidades e nos bairros onde habitamos.
Os grandes capitalistas conhecem as condições laborais infra-humanas que existem na China, mas isso não impede que muitas multinacionais transfiram para lá uma parte considerável dos seus produtos com o único objectivo de reduzir gastos e poder competir melhor nos mercados. Ganância! Só ganância…

Querido leitor(a), a diminuição no valor dos salários dos trabalhadores europeus tem a ver com a concorrência dos «escravos» chineses. Receio que a Europa se transforme num enorme Gulag debaixo das ordens da Alemanha.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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