Se fizermos desaparecer a memória histórica acerca do Fascismo, isto fará com que novos líderes se acerquem mais a este tipo de política, a esta espécie de ideologia de massas, com matizes próprias dos tempos modernos, que são diferentes dos fascismos do século XX.

António EmidioNa Europa estão a surgir partidos nazis e extremistas de direita, será isto o possível regresso do Fascismo? O leitor(a) poderá dizer-me: não me ofenda! Lá vem você com o seu radicalismo! Isso é impossível, o Fascismo acabou na Europa com a derrota da Alemanha na II Guerra Mundial, já vão quase 70 anos! Querido leitor(a), um bacilo pode ficar dezenas de anos adormecido, mas um dia acorda, que melhor sociedade, que tempo mais propício do que o actual para o bacilo do Fascismo acordar! Porquê? Não só pela crise económica idêntica à dos anos 20 do século passado que levou um louco agitador de cervejarias ao poder através de uma eleição democrática, Hitler, mas principalmente pela crise de valores que atravessa a sociedade europeia, e não só europeia. Os actuais herdeiros do Fascismo mantêm um afastamento em relação a este, mas é um afastamento por estratégia, para melhor se infiltrarem na sociedade. A infiltração é fácil, vivemos na sociedade do Homem Massa, o homem caracterizado pela ausência de espírito. Este Homem Massa é a maior ameaça à Democracia e ao Humanismo, que foram os valores da Europa. Não aceita verdades nem valores, a única verdade que conhece é ele próprio, nunca a da razão. A vida para ele tem de ser sempre fácil se não o for torna-se violento. Não tem opinião própria, segue as opiniões dos Media. Não tem princípios orientadores nem ideais. Quando este homem chega ao poder, a Democracia tende a desaparecer, o actual momento histórico dá-nos exemplos.
O fascismo também não tem ideais nem valores, adapta-se à cultura do seu tempo, vejamos: na Europa Ocidental é laico e anti-Islão, veja-se o massacre da ilha de Utoya e os atentados de Oslo na Noruega. O terrorista Anders Behring Breivik não é anti-semita, antes pelo contrário, o ódio dele é em relação ao Islão, está com os judeus israelitas extremistas nessa luta. Na Europa de Leste é religioso ortodoxo e anti-semita, temos o ataque terrorista há bem pouco tempo, que vitimou judeus israelitas na Bulgária. Na América é religioso fanático e racista. Como vê querido leitor(a), está tudo preparado, desde as mentalidades até ao «inimigo» a abater, para a chegada do líder carismático, um populista qualquer que mobilizará as massas.
A ganância de banqueiros e empresários, os media, as elites políticas corrompidas e a instabilidade dos governos democráticos, contribuirão para o regresso e expansão do Fascismo. Por isso, é cada vez mais urgente que as Democracias se afirmem perante a sociedade, conseguindo esta afirmação somente os políticos e dirigentes que os oriente a Ética Pública, que inspirem confiança e legitimidade.
O actual momento histórico que atravessamos não está a permitir que a sociedade veja um autêntico desempenho ético nos partidos democráticos tradicionais, se assim é, vai buscar fora deles uma resposta.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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