Damos continuidade à apresentação do léxico com as palavras e expressões populares usadas na raia ribacudana.

ARTAFÍCIOS – ferramentas de um ofício (Carlos Guerra Vicente).
ARTEIRO – aquele que usa arteirice; velhaco; manhoso; astuto. Júlio António Borges acrescenta: aprumado; pronto. Por sua vez Maria Leonor Buescu, referindo-se à linguagem de Monsanto (Penamacor), traduz por: alegre, vivo.
ARTELHO – junta ou união dos ossos (Leopoldo Lourenço); tornozelo.
ARTIFE – pão – termo da gíria de Quadrazais (Nuno de Montemor). Artife branqueoso ou artife gírio – pão trigo; artife facho – pão centeio.
ARTLÃO-BOGAS – figa; dedos em forma de esconjuro (Pinharanda Gomes).
A SALTO – passar a fronteira fora dos locais não autorizados, furtando-se ao seu controlo. Assim, com a ajuda de passadores, ou engajadores, se fez a maior parte da emigração para França.
A SECO – sem comer. Trabalhar a seco: trabalhar sem o direito a alimentação fornecida pelo patrão. Comer de seco: comer sem prato, colher e garfo, recorrendo apenas a pão e a conduto.
ASILAR – prejudicar (Leopoldo Lourenço).
ASSADOR – caldeiro de latão, ou de barro, com o fundo furado, próprio para assar castanhas ao lume. Nalgumas localidades (como na Rapoula do Côa) chamam-lhe moderno.
ASSADURA – lombo de porco (próprio para assar). Mais a Sul (Monsanto) designa o pedaço de carne que se dá de presente por ocasião da matança (Maria Leonor Buescu).
ASSANHAR – enfurecer; atiçar os cães.
ASSARAMAGAR – fazer depressa e mal (Clarinda Azevedo Maia – Forcalhos).
ASSARAMPANTADO – assustado; espantado; atrapalhado.
ASSARAMPANTAR – atrapalhar; espantar.
ASSEDAR – fase da cultura do linho em que se faz a triagem da estopa, usando-se o sedeiro ou rastelo.
ASSEDEIRO – utensílio para limpar o sedeiro do linho (Luísa Lasso Pedroso Charters).
ASSENTADOR – instrumento feito com uma tira de couro, usado pelos barbeiros para dar fio à navalha de barbear.
ASSENTO – juízo; senso (Leopoldo Lourenço).
ASSÊ QUE SIM, ASSÊ QUE NÃO – parece que sim, parece que não. Creio que… (Joaquim Manuel Correia).
ASSERRUNCHADO – apertado (Júlio António Borges).
ASSOALHADO – recozido por demasiada exposição ao sol. A melancia está assoalhada.
ASSOBRADADO – com sobrado (piso de cima de casa térrea, junto ao telhado, feito de madeira e que serve para arrumos). Casa assobradada – que tem sobrado.
ASSOLDADADO – aquele que trabalha a soldo, sob contrato. Também se diz soldadado. Geralmente as soldadas eram válidas por um ano. O contrato era verbal, mas valia como se fosse acto formal, sendo cumprido à risca por ambas as partes. A feira de S. Pedro, no Sabugal, era a ocasião em que os proprietários contratavam pastores e ganhões, que se agrupavam ao redor da fonte de D. Dinis, munidos de vara ou de agilhada.
ASSOLDADAR – contratar a soldo (à soldada).
ASSOLDADAR-SE – submeter-se a um patrão, sob contrato, por um determinado período. Assoldadavam-se os pastores, ganhões e outros trabalhadores rurais, normalmente pelo período de um ano.
ASSOMAR – espreitar; aparecer. Cair (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia da Ponte).
ASSOVAR – incitar o cão a morder (Leopoldo Lourenço); o m. q. açugar ou atiçar.
ASSOVELAR – furar com sovela. Espicaçar; provocar; estimular.
ASSUCHIAR – alargar as poças quando se planta uma árvore, tornando o terreno mais leve para as novas raízes (Júlio António Borges).
ASSUQUIR – comer – termo da gíria de Qadrazais (Nuno de Montemor).
ASSURPALHADO – diz-se do céu coberto de nuvens (Clarinda Azevedo Maia – Batocas). Também se usa a expresão leite assurpalhado, com o significado de leite coalhado – em estado de ser usado para fazer queijo.
(Continua…)
Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

leitaobatista@gmail.com

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