Decorre o maior espectáculo desportivo do mundo em Londres – os Jogos Olímpicos – dando continuidade a uma tradição grega (mais uma) que transporta essa ideia de paz e harmonia entre as nações. Acredito na harmonia entre os atletas, não nas nações, e esta harmonia termina no momento da competição. Aquela célebre frase de que, o importante é competir e não ganhar, é daquelas que dá para rir. Os Jogos Olímpicos são, sobretudo, uma competição. E, numa competição, entra-se para ganhar. Senão, perguntem aos americanos, chineses, russos, e por aí fora…

Ora, em Portugal, continua-se à espera do milagre que alguém ganhe uma medalha ou, pelo menos, que chegue e dispute as finais. O lema das lágrimas e suor são a tradução daqueles que ganham. Ninguém ganha medalhas sem trabalho, sem sacrifício, sem dor. Para além deste factor e do factor individual de cada um (leia-se dom ou jeito), é preciso mais alguma coisa. Esta coisa são as infra-estruturas para a prática do desporto. Em Portugal esta questão é, essencialmente, estrutural. Não há um plano nacional para a prática do desporto. Vejam a importância que a disciplina de Educação Física tem no currículo escolar. O chamado desporto escolar terminou. As escolas não estão preparadas, até porque falta um plano, para proporcionar a prática de desporto. E, a maioria das vezes, quando se fala em desporto está a falar-se de futebol. E aqui entra, mais uma vez, a visão míope dos nossos governantes em relação ao país como um todo. Alguma coisa que existe… está no litoral. As câmaras municipais também não ficam bem na fotografia. A maioria não fez nem faz nada nesta área. Depois, de quatro em quatro anos, espera-se por um milagre. Sei que me vão dizer que somos só dez milhões de habitantes e, por isso, mais difícil. Eu vejo ao contrário, por sermos poucos tínhamos obrigação de proporcionar a mais gente condições e incentivos á prática desportiva. É uma questão de educação e de oferta, de incentivo.
Talvez por estes pensamentos terem passado pela cabeça do governo, nenhum deles esteve no aeroporto à espera dos nossos atletas. Talvez… Devem ter ficado envergonhados com o espectáculo que montaram para receber a selecção de futebol que tinham ganho… coisa nenhuma!
O fracasso que está a ser nossa prestação olímpica (ainda que para o chefe da missão olímpica portuguesa, ela esteja a decorrer conforme as espectativas, ele lá saberá porquê…) deveria levar a uma reflexão séria sobre o desporto e a sua prática em Portugal. Desde os governantes nacionais e locais a toda a população e não ficar numa encomenda de estudo (mais um) inútil. As verdadeiras olimpíadas portuguesas deveriam começar agora com este debate.
Num outro registo, também ele «olímpico», esta semana, numa entrevista, o sr. Deputado do PSD, Luís, filho de outro Luís, Luís Filipe Meneses (porque cá pelo burgo, a política e os tachos, passa de pai para filho, é assim uma espécie de aristocracia hereditária), dizia que, e passo a citar, «A maioria não precisa do tribunal à porta de casa». Fantástico! Onde vive o menino? Suponho que em Vila Nova de Gaia. Então desmontemos a frase: a maioria vive no litoral e nos centros urbanos, deveriam fechar esses tribunais e não os do interior, onde vive… a minoria da população! Disse outras coisas sobre o interior. Deve conhecer o interior até, bem, até ao Pinhão. E talvez só pelo rio… Porque será que esta gente gosta tanto de falar no interior quando não se está lá, não se é de lá, não se vai lá? Não poderíamos pôr o forcão a esta gente?
Outra notícia que me chamou atenção foi a de que, 250 administradores administram (passe a redundância) 4.100 empresas! Agora já percebi porque a nossa economia está no estado em que está… Todavia, deve ser recorde olímpico, não?
Dia 6, começam as olímpicas capeias arraianas. Estas sim, emborcadas do espírito olímpico!

P.S. Faleceu Eurico de Melo. Um verdadeiro social-democrata quando, no seu partido, já são tão poucos.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Advertisements