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Os capinhas, ou maletas, que se vão tornando uma raridade, foram durante décadas um elemento integrante da capeia arraiana, a maior e mais viva tradição cultural do concelho do Sabugal.

Um capinha em acção (foto Arraianos.net)Diversos estudiosos, entre etnólogos, antropólogos, historiadores e outros cientistas sociais, têm tropeçado com as capeias, encontrando aí um apetecível campo de estudo para desbravar, dada a peculiaridade que o espectáculo reveste. De onde lhe vêm as origens? Representa um ritual? É obra do acaso? J. Leite de Vasconcelos, ilustre etnólogo e estudioso da cultura popular portuguesa, reparou no forcão, máquina de lidar o touro deveras original, e descreveu em pormenor o curioso engenho: «Um triângulo de uns cinco metros de altura formado de varas muito grossas e atravessado por outras menores». Apresenta um esquema gráfico do forcão, nele indicando, através de letras, os vários posicionamentos dos lidadores. Destaque para o rabiador, o homem que dirige os movimentos do triângulo segundo os ataques do touro.
Na colecção leitiana de recortes de jornais lá surge também um artigo de Karl Marx (pseudónimo de Carlos Alberto Marques, grande escritor, geógrafo e etnólogo de Vale de Espinho), sob o título «Uma Corrida de Touros na Lageosa», publicado em 1926 no semanário regionalista «O Sabugal». Karl Marx relata em estilo incisivo o folguedo (assim se designava a capeia arraiana), evidenciando o entusiasmo, a alegria, a emoção e, bastas vezes, a aflição, que rodeia esta peculiar manifestação taurina. E o espectáculo não é só o rodopiar nervoso do forcão ao centro da praça improvisada. É, antes que tudo, o encerro dos touros trazidos de Espanha, da Genestosa, onde pastam em manadas. São os foguetes que restalam, sinal de festa e diversão. É o samarra, ou tamborileiro, que com seus rufos incendeia o corro. São os rapazes arrojados que, dum e doutro lado, avançam e passam junto ao animal com casacos, cobertas ou sacas. São os pouco ágeis que se afoitam à praça e logo são colhidos, para exaltação geral. São, finalmente, os capinhas ou maletas.
Em quem são os capinhas? São toureiros amadores, vindos de Espanha, que participam nas capeias arraianas para se exercitarem na arte do toureio. O autor valdespinhense descreve-os magistralmente no seu artigo:
«O capinha é um pobre de Cristo que no Inverno morre de fome ou se ocupa em trabalhos servis e que no Verão oferece em holocausto à sublime arte tauromáquica o seu cicatrizado corpo; de terra em terra, andrajosamente vestido, com uma capa de clara cor debaixo do braço, conta as touradas pelo número de ferimentos. É um apaixonado que, nesta escola donde quasi nunca sai, se treina para entrar na eternidade nas chaves de um toiro, diante de um público que o aclame, diante de uma mulher por quiem se muere. O capinha canta lindas malagueñas pelas tabernas, estende a capa a colher donativos e vai deixando umas gotas de sangue na terra que os outros regam com suor. Faz umas sortes arriscadas, espeta uns ferros e sobre tudo sonha com a glória.»
Na verdade, nas nossas aldeias, a capeia arraiana não é capeia se não incluir a apreciada e muito aplaudida exibição dos arrojados capinhas, em cujos redondéis se praticam no toureio, sonhando actuar um dia na praça de uma grande cidade de Espanha, onde triunfem recebendo aplausos e aclamações, cortando rabos e orelhas.
Paulo Leitão Batista

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Necessidades de povoamento ou políticas de fomento fizeram que frente a cada uma das aldeias portuguesas da orla raiana se erguesse uma outra de bandeira espanhola.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaRestringiremos, obviamente a nossa indagação, ao limes sabugalense na sua actual formulação ou seja à língua de terra que do nosso lado vai de Batocas, pequeníssimo burgo anexo da também pequena freguesia de Aldeia da Ribeira, até Malcata.
E por Espanha, da salamantina Alamedilha à já carcerenha Vilamiel, a primeira encontra-se praticamente colada à Raia e das Batocas não distará mais do que meia légua.
Os casamentos mistos eram frequentíssimos e apoiados pela Igreja Católica que, gozando de grande autoridade moral e de não menor influência política, removia os possíveis óbices de ordem legal que se viessem a suscitar.
Aliás era na igreja paroquial de Alamedilha que os batoqueiros cumpriam os preceitos da Madre, que, segundo a doutrina, nos Céus está em essência, nomeadamente ouvindo missa inteira aos domingos e festas de guarda, confessando-se pela Quaresma, comungando pela Páscoa da Ressureição, mandando celebrar exéquias e ritos pelos defuntos e ausentes.
Era no seu manúblio que os mais senhoritos passavam as horas de sesta e os tempos de lazer. Era junto das modistas e bordadeiras locais que as batoqueiras se iniciavam nas práticas da costura. Como era aos peluqueros alamedilhos que sécias e peraltas recorriam para operações de alindamento que, em Portugal, só achariam lá para as bandas da Guarda. Era ainda ali que as donas de casa se dirigiam ou mandavam molinetes para artigos de primeira necessidade.
Comprar cerilhas se entretanto se haviam esgotado os fósforos, azeite, sal, umas mandrujas de escabeche, uma almotolia de azeite era o trivial e habitual.
Rumando para Sul, segue-se do lado português Aldeia da Ponte, e do espanhol Albergaria de Arganhã.
Uma e outra ficarão a cerca de meia légua da Raia. São duas povoações importantes. Ligava-as através do Vale de Todo o Lugar e da sua continuação um troço do Caminho de Santiago. Os espanhóis aproveitaram-no construindo, há mais de cem anos, uma magnífica estrada que do nosso lado não teve continuaçao. Também, a ferrovia da Beira Alta, início da Grande Linha que chega a Vladivostoque, devia passar por ali, muito melhor traçado do que o que deu Vilar Formoso-Fuentes de Oñoro – o que foi impedido pelo Padre Paulo Chorão, rico terratenente e poderoso político, que temendo pelo corte de suas propriedades e a perdição de suas paroquianas, fez desviar o traçado inicial.
Aqui, tanto num povoado como no outro já havia comerciantes de alguma robustez.
Trata-se de freguesias com forte marca de monumentalidade religiosa, expressa no caso de Aldeia da Ponte por dois antigos conventos e uma densa teia de oradas.
O emparelhamento que se segue é Forcalhos-Casilhas de Flores, distando entre si cerca de duas léguas. Mas porque Casilhas está muito para dentro de Espanha, oito quilómetros sensivelmente de caminhos enlameados ou encharcados, os forcalheiros ou chocalheiros, como tamnédm se lhes chama, sentem-se mais atraídos por Albergaria ou Fuenteguinaldo, quando não Navasfrias, embora este burgo ainda salamantino seja par da Lageosa da Raia, distando-se também à volta de duas léguas
Aldeia do Bispo dista dois quilómretros da Fronteira e faz vida mercantil tanto com Navasfrias, povoado de que dista uma légua, como com Valverde del Fresno, que ficando três vezes mais longe goza da vantagem de se encontrar muito melhor provisionada.
Este Valverde é, por igual, o entreposto de Fóios, distando-se os dois burgos sensivelmente duas léguas. A povoação espanhola que lhe fica mais próxima é, todavia, Eljas, já carcerenha.
Mas o entreposto de Valverde domina como sucede ainda com Malcata.
Em toda aquela corda de povos, as relações vão muitas vezes para além da primeira linha, até para entrar em áreas de muito menor vigilância ou até já presunção de legalidade.
É o que sucede com Espeja, Puebla, Carpio, Pena Parda e Payo ou até Trevejo, San Martin, Vilamiel, Santo Estevao de Bejar.
O contrabando fazia-se por veredas e a corta-mato, mas mesmo à vista de Deus e do Mundo persistiram los caminos de herradura. E, como refere Clarinda de Azevedo Maia, in Os Falares Fronteiriços do Concelho do Sabugal e da Vizinha Região de Alamedilha e Xalma, o isolamento, o caracter montanhoso da região, aliados à pobreza do solo e à rudeza do clima, de nítida influência continental de Castela-Velha – inverno muitíssimo rigoroso, verão excessivamente seco e quente e grandes desvios de temperatura – ajudam a explicar toda uma vasta gama de entretecidas contratações…
«O concelho», história e etnografia das terras sabugalenses, por Manuel Leal Freire

A freguesia de Vale da Senhora da Póvoa vai estar em festa nos dias 2, 3, 4 e 5 de Agosto. No dia 2, festeja o seu 55º aniversário, data em que passou a ser designada pelo actual nome, pois anteriormente denominava-se Vale de Lobo.

A fim de comemorar esta data, vai a Junta de Freguesia iniciar os festejos com uma sessão solene no seu salão às 18h30, contando com alguns oradores. Às 20 horas, O Grupo Etnográfico e o Rancho Folclórico, ambos de Penamacor, brindarão os presentes com as suas actuações.
Os festejos continuam no dia 3 com a actuação do Grupo «As cantadeiras de Caria» pelas 20 horas, seguindo-se pelas 21h30 a participação da Banda Filarmónica União de Aldeia de João Pires, que se prolongará até às 23 horas.
O dia 4 será dedicado a Santiago, padroeiro da freguesia, cuja festa costuma ser realizado em meados de Agosto, mas este ano, excepcionalmente decorrerá mais cedo. A actividade musical começará às 20 horas com o Grupo de Cantares do Pedrógão de S. Pedro (Penamacor), seguindo-se às 22 horas o momento musical alto da festa com a actuação de Arlindo de Carvalho, acompanhado por Filipa Melo e Grupo Coral da Soalheira. Às 24 horas, será a vez do baile, com o organista Virgílio Faleiro que brindará os presentes com sua música.
O dia 5 começa com a chegada da Banda Filarmónica Boa Vontade Lorvanense, que percorrerá as ruas da aldeia. Às 9 horas será celebrada Missa em honra do Padroeiro Santiago – musicalmente acompanhada pelos músicos desta banda e pelo Grupo Coral Litúrgico, seguida de Procissão.
Às 12 horas, a Banda fará a tradicional arruada e pelas 17 horas dará um concerto dedicado a todos os presentes.
Às 18 horas o Grupo de Cantares desta aldeia, Grupo de Cantares de Vale da Senhora da Póvoa, estará presente com as suas cantigas populares.
Às 20 horas será a vez do Grupo de Cantares da Ribeira da Meimoa brindar os presentes com a sua música.
Às 22 horas haverá «Fados ao Luar» pelo Grupo de Fado da Guarda com António Pinto na Guitarra Portuguesa, Artur Conde na Viola, e vozes de Emília Leitão, José Coelho e Artur Conde.
Os festejos terminam com a actuação do Duo «Ana e Orlando» que abrilhantarão o baile a partir das 24 horas.
Além de todo este elenco musical, haverá todos os dias uma exposição e comercialização de artesanato e produtos locais, jogos tradicionais e um esmerado serviço de Bar.
Américo Valente

De regresso a Manaus, eu mesmo programei o dia seguinte. Fui visitar o famoso Mercado de Manaus: do peixe, da carne, da fruta, passarada, cobras secas, verduras esquisitas, de tudo…

José Jorge CameiraMas que coisa incrível esse Mercado! Vem gente de todo o interior vender os seus produtos.
Vi bancas cheias de peixões enormes, 50…100… 200 quilos!! Peixes do mais esquisito que já vi, cabeças tortas, torcidas, barbas aqui, barbichas ali… cortavam bifes desses peixes com mais de um quilo, que vendiam por 2 reais…
Naquele Mercado é tudo em grande! Carapauzinhos dos nossos? Nada disso! Nem para os gatos…
Cá fora, nas paredes – tudo se vende. Chás para todas doenças, tachos, panelas, malas…
À noite aquele Mercado transfigura-se: cá fora passa a ser poiso de Putas e Veados (gays). Às centenas, tudo alinhado à espera do freguês como naquelas filas à espera de táxi. Um cliente chega e não escolhe: é quem está a seguir, seja bonito ou feio, novo ou velho.
Em Manaus é vulgar o sol esconder-se de repente e cai uma formidável chuvada, todos se molham mas parece que ninguém se rala, pois a seguir o sol desponta, seca tudo e todos. Aquela cidade é a descair em direcção ao rio – então nesses momentos de chuvada as estradas de asfalto transformam-se em rios velozes correndo até o rio grande.
As ruas da Cidade, muitas delas exalam um perfume que me agradou muito – por volta do meio-dia inúmeros restaurantes começam a grelhar nacos grandes de carne de boi só com sal. Comi uma pratada dessa carne, tinha que ajeitar com a mão para não cair e apenas paguei 5 reais (2 euros).
No meu deambular pelas ruas da cidade, dois detalhes da vida amazónica me ocorreram.
No Séc. XVI na altura em que Portugal perdeu a Independência para Espanha, as possessões portuguesas tornaram-se por esse facto «colónias espanholas», ficando rasgado automaticamente o Tratado de Tordesilhas. Daí que inúmeros aventureiros, exploradores e militares daquele país (e de outros então inimigos de Espanha) tivessem penetrado nas entranhas da Amazónia, não para colonizar mas tão somente para procurar ouro. E faziam-no como procederam no México, Perú, etc: locupletavam-se com o vil metal à custa de chacinas dos indígenas. As populações indígenas locais estranharam esses comportamentos, diferentes dos usos lusitanos, que mesmo explorando as riquezas, também promoviam militantemente a miscigenação!
Militares e aventureiros espanhóis frequentemente subiam e desciam o Rio Amazonas. Eram atacados por indígenas, algumas vezes ao lado de portugueses.
Ficou conhecida uma célebre tribo índia, vivendo perto de Nhamundá – várias centenas de quilómetros a leste de Manaus – cujos soldados eram só mulheres. Estas guerreiras que causaram grande mortandade no meio da soldadesca espanhola, cortavam o seio direito para melhor manobrarem o arco e as flechas! Assim seriam mais eficazes nos ataques…
Frente a Nhamundá, do lado sul do Rio, está a cidade de Parintins. É famosíssima pelas suas grandes festas carnavalescas, embuídas de autêntico espírito decorrente da cultura amazónica…
Fui a um barbeiro, tinha de preencher os tempos mortos: cortar o cabelo e lavar, isso eu pedi. E sem pedir apararam-me os pêlos do nariz, dos ouvidos, arranjaram-me as unhas das mãos e dos pés com massagem, sentindo ser alvo de todos os olhares por ser «ave rara» – tudo por 15 reais (6 euros).
No último dia fui de táxi ver o mais famoso edifício de Manaus – o Teatro Amazonas, onde está a Ópera de Manaus, construído em 1896.
Manaus teve o seu auge de riqueza no tempo da procura da borracha. Foi dali que saíu pela primeira vez essa matéria-prima, com o trabalho quase escravo dos seringueiros (um pouco como a recolha da resina dos pinheiros em Portugal). Houve muito dinheiro, mas como sempre, mal dividido e mal gasto.
Daí que alguém rico se lembrou de construir na cidade o maior, o melhor e o mais bonito edifício onde se realizassem Concertos, Óperas e actividades afins, em ambiente rico e snob! Mesmo de avião se vê essa magnífica construção encimada por uma maravilhosa cúpula verde-dourada. Por dentro, não há palavras para descrever os tectos, os frescos, as pinturas, as colunas, adornado com o amarelo do ouro.
Todos os mais famosos tenores do Mundo ali actuaram, entre eles o Luciano Pavaroti…
Regressando a Natal (para mim a melhor cidade do Brasil para os Europeus) tive uma última surpresa: o avião sobrevoou a Amazónia para sul, até Brasília, onde após 5 horas regressei ao relativo sossego da cidade potiguar. Vi de novo um imenso e quase infindável mar verde da selva amazónica, o Pulmão do Planeta!
Já visitei essa maravilha da Natureza que é a Amazónia! – assim pensei no fim do périclo, como se fosse um dever cumprido! Dever de gozo, entenda-se!!!!
Veja aqui o mapa da região visitada.

José Jorge Cameira

«Estórias de um filho de Vale de Lobo e da Moita»
mailto:jjorgepaxjulia4@hotmail.com

Nos próximos cinco dias o Sabugal recuará à Idade Média e ao convívio com os personagens da história: cavaleiros, peões, escudeiros, mercadores, pajens e donzelas vindos de todo o Reino de Portugal.

O evento «Sabugal surpreenda os sentidos» começa amanhã, dia 18 de Julho e manter-se-á até domingo, dia 22.
Dia 18: Arautos anunciam entrada Régia de D. Diniz e da Rainha Santa Isabel;
Dia 19: À mesa com El-Rey: Ceia Medieval;
Dia 20: Anúncio Público do Tratado de Alcanices; Rapto da Donzela Aldegundes pelos Cavaleiros de Sortelha;
Dia 21: Recriação Histórica do «Milagre das Rosas»; Assalto ao Castelo;
Dia 22: Bodas Senhoriais entre o Senhor de Sortelha e a Donzela Aldegundes.
A iniciativa é da Câmara Municipal do Sabugal, promovida pelas Aldeias Históricas de Portugal e co-financiada pelo QREN e o Mais Centro no âmbito da EEC do PROVERE.
plb

Alguns historiadores portugueses vêem no século XVII o período de solidificação da decadência política, cultural, científica, económica e social de Portugal em relação aos países da Europa do Centro. Essa decadência pode dizer-se que começa em 1580, final do século XVI, quando Portugal fica debaixo do domínio de Madrid.

António EmidioA partir daí há como que um regresso a nível cultural, a uma mentalidade própria da Idade Média, para isso contribuiu um absolutismo régio, não permitindo as iniciativas locais, municipais e até individuais, o rei tinha o monopólio dos negócios do Império Ultramarino, e a igreja com a sua inquisição, sinónimo de intolerância e perseguições.
Neste estado de decadência estável, embora já bem entrados no Vintismo (1820), a Inglaterra deu-nos uma bofetada que atingiu o País inteiro, o Ultimatum. Não falarei dele, mas sim sobre o impacto que teve em Portugal. Seguiu-se ao Ultimatum uma onda de patriotismo e de indignação, não só a nível da imprensa, mas também em manifestações de rua, havia como que um luto nacional. Dos homens de letras e de ciências saíram os mais vibrantes protestos. Foi nesse período que Alfredo Keil, músico e também pintor, compôs o Hino Nacional, a Portuguesa, esteve na letra do Hino, além de Henrique Mendonça, presumo que Abel Botelho, escritor que escreveu um opúsculo intitulado «Uma Tourada no Sabugal». Guerra Junqueiro escreve o poema Finis Patrie. A estátua de Camões foi coberta por uma faixa negra em todo o País. A rainha Dª. Amélia teve estas palavras quando conheceu o Ultimatum: «Devíamos cair de armas na mão em vez de aceitar tal ultimato».
As forças políticas dessa altura utilizaram o sentimento popular com o fim de açular ódios e paixões? Principalmente os Republicanos? É muito natural que assim tenha sido, a própria História o diz. Quem mais se manifestou foram os estudantes, intelectuais, jornalistas, ou seja, homens de cultura, o povo em si, verdade seja dita, nem sabia onde ficava Angola nem Moçambique, mas sabia que eram pertença de Portugal. As revoluções e os sentimentos patrióticos nascem assim, uma elite culta revolta-se e movimenta um povo. Sem elites não há revoluções, uma revolução é uma substituição de elites. Se falo em revolução é para dizer que o Ultimatum e a onda de patriotismo que lhe seguiu debilitou a Monarquia. Num jornal dessa altura o Rebate, jornal dos estudantes do Porto, escreveu em Abril de 1890: «Morra o Rei! O regicídio passa a ser um direito». De facto, D. Carlos e o príncipe herdeiro são assassinados, mas antes disso acontece o 31 de Janeiro de 1891, tentativa de implantação da República, tentativa falhada, mas que foi originada pelo Ultimatum, este deu maior expressão ao ideal republicano que passados dezanove anos afasta o regime monárquico de Portugal. O mais importante e o que fica, é que houve sentimentos patrióticos e revolta quando Portugal foi humilhado. Segue-se a República com todas as suas contradições, até que os militares, primeiro Sidónio Pais que falha a ditadura por ter sido assassinado, mas que em 28 de maio de 1926, Gomes da Costa consegue implantar, originando com ela o Estado Novo. O que foi o Estado Novo? O Estado de Salazar? Regresso ao passado, ao passado imperial e marinheiro, ao Portugal religioso. A cauda das caudas da Europa, enquanto Fátima era o altar do Mundo!…
Abril, esperança num Portugal novo, num Portugal moderno e europeu, esse sonho durou pouco. A Europa entrou também em crise, e de crise em crise, com má orientação das nossas elites políticas, chegámos à suprema humilhação! Três ou quatro tipos, vindos não sabemos de onde, ganhando principescamente, têm mais poder do que os nossos representantes eleitos democraticamente, ou seja, Portugal perdeu a sua soberania. Sem dúvida que a desordem nas finanças e o endividamento são males crónicos, mas um jornalista do Jornal de Negócios soube apontar o dedo: «Ao longo dos séculos nunca criámos riqueza para pagar os luxos excessivos de uma elite que vive longe da realidade». De uma ELITE… Assim escreveu Fernando Sobral, os jornalistas quando querem, sabem!… E esse luxo excessivo, misturado com corrupção e subsídios europeus traduziram-se nisto em Democracia! Uma percentagem de desemprego impressionante, o pior índice de crescimento dos últimos 90 anos, a pior dívida pública dos últimos 160 anos, a segunda grande onda migratória em 150 anos. Detrás destes números há pessoas, 1.000.000 de desempregados e mais 900.000 que emigraram em 10 anos, entre 1998 e 2008! A isto temos de juntar a ineficácia da Justiça e da Educação.
Os portugueses trabalham, trabalham para o seu futuro e para o de Portugal, mas dá a impressão que voltamos ao tempo de Salazar, político que governou não para satisfazer e atender os desejos e necessidades dos cidadãos, mas para pôr acima de tudo os interesses do Orçamento do Estado, que ia para directamente a uma elite política e económica que parasitava esse mesmo Estado, Melos, Champalimaud, etc. etc. etc.
Os tempos presentes, os tempos da Troika estão a tornar-se mais difíceis do que os do Ultimatum, uma nação belicista, racista, prepotente e insolidária, a Alemanha, está a impor a sua hegemonia política e económica em toda a Europa, e quando a Alemanha sai das suas fronteiras, a História relata-nos coisas terríveis! Alguém disse que há duas formas de conquistar e escravizar uma nação, uma é com espada, a outra com a dívida.
Deixo esta pergunta: será que as nossas elites políticas não conhecem a História?
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Foi detido na Nave um homem de 64 anos de idade, comerciante, residente nessa localidade do concelho do Sabugal, por crime de posse ilegal de arma. Também em Maçainhas, concelho da Guarda, foram detidos quatro indivíduos quando assaltavam uma casa.

A detenção do homem da Nave, perpetrada por guardas do Posto do Soito, aconteceu na noite de domingo, dia 15 de Julho, no decurso de uma fiscalização realizada ao estabelecimento de diversão noturna, propriedade do mesmo, que culminou na apreensão de uma arma de caça de calibre 12 mm em situação ilegal e de um aerossol de defesa com gás pimenta, arma igualmente proibida. O detido foi presente ao Tribunal Judicial do Sabugal.
No dia 16 de Julho a GNR deteve também em Maçainhas, concelho da Guarda, quatro indivíduos – um homem de 34 anos de idade e três mulheres, de 16, 28 e 34 anos, respetivamente, estrangeiros e residentes em França, por crime de furto em residência. As detenções ocorreram após uma chamada telefónica para a GNR da Guarda, pela filha da proprietária que se encontrava na residência assaltada, a qual, ao ouvir barulhos e vozes no rés-do-chão, se refugiou no sótão.
Face ao pedido de ajuda a GNR acorreu imediatamente ao local, onde logrou deter os suspeitos em flagrante delito, ainda no interior da casa, onde já tinham furtado um relógio, artigos em ouro e dinheiro, que foram recuperados e entregues ao proprietário.
Foi ainda apreendido um veículo de alta cilindrada, usado pelos assaltantes, assim como ferramentas, designadamente, marretas e chaves de fendas, luvas e outro equipamento, utilizado para a consumação dos furtos. Também foram apreendidos 2 mil euros provenientes de outros furtos.
No dia 12 de Julho, a GNR descobriu e apreendeu 70 plantas de Cannabis Sativa, que se encontravam cultivadas num terreno anexo a uma residência, na localidade de Rapoula, concelho da Guarda. A investigação que decorria há algum tempo permitiu a detenção, em flagrante delito, de um indivíduo de 56 anos de idade, desempregado, residente naquela localidade.
plb

Hoje resolvi contar mais umas quantas estórias das muitas que a malta repete em reuniões de convívio. Mesmo repetidas, têm sempre imensa piada e a rapaziada ri a bandeiras despregadas – re-ganhando a ingenuidade de tempos idos, quando estas coisas nos encantavam a meninice. Divirta-se o leitor também. São historietas semelhantes às de qualquer aldeia de há 50 e tal anos.

Mouras encantadas, buracos misteriosos nas rochas, rochas que falam, potes de ouro são o condimento do imaginário aldeão do interior beirão. O sublime maravilhoso equivalente ao das sereias das zonas costeiras.
Mas há mais.
Há as estórias que metem pessoas reais. As dos quadrazenhos, as dos contrabandistas.
E não só.
Quando somos crianças há três ou quatro realidades que nos dominam: o fascínio pelos mais velhos, designadamente aqueles com os quais nos queremos parecer quando formos grandes; o imaginário maravilhoso popular no seu melhor que enforma quase sempre as estórias contadas pelos profissionais da narrativa que todas as aldeias têm; o prazer de sabermos que em muitas ocasiões somos o centro das atenções e do mundo destes adultos que nos parecem tão fortes, e até o gozo de sermos gozados – porque, acho, queremos entrar no jogo das brincadeiras dos adultos da aldeia. Somos assim uma espécie de protagonistas da nossa própria fragilidade.

O homem do tempo
Havia no Casteleiro um homem que sabia sempre se chovia ou fazia vento. As pessoas tinham o hábito de lhe perguntar isso porque ele acertava mesmo. O segredo dele eram os dias do governo. A palavra governo aqui significa apenas «orientação».
Explicando: a teoria nesse tempo – agora já não será assim, com as alterações climáticas – era a seguinte: cada um dos dias entre 2 e 13 de Agosto (o dia 1 estava excluído desta tese) correspondia a um mês do ano seguinte. Ele dava-se então ao trabalho de registar de memória o que se passava nesses dias de Agosto (acho que cada hora correspondia a dois dias ou coisa do género, já não me lembro). E com essa informação, caldeada depois com a observação astral do próprio dia, o homem conseguia hoje dizer que tempo fazia amanhã com grande probabilidade e muito acerto.
Para mim, isto era uma maravilha estranha. Mas ele não era vidente – era um observador popular. Provavelmente hoje teria uma daquelas equivalências a mestrado.

A pedra das agulhas
Esta estória tocou-me a mim muitas vezes. Um sapateiro mandava-nos levar uma saca atada com um pedregulho lá dentro a outro sapateiro seu colega. «Era» a pedra das agulhas. As oficinas distavam aí uns 200 metros uma da outra. Um dos sapateiros, ti Luís Pinto de seu nome, era um ponto danado, estava sempre com piadas e ditos engraçados e a criançada assentava ali arraiais.
Um dia, diz-me ele:
– Olha, vai lá levar esta pedra das agulhas ao ti António Martins, que precisa de afiar as agulhas dele e as sovelas.
Eu, como era muito bem mandado, agarro no saco com a pedra, faço-me forte, arranco por aí acima e… «ala» para a oficina do homem.
Eles faziam esta matreirice de malandragem.
E nós a cairmos na esparrela.
Às vezes ainda duplicavam ou triplicavam a dose porque o outro, quando lá chegávamos, ainda tinha a lata de dizer que o ti Luís se tinha enganado e…
– Leva-a lá e diz-lhe para mandar a outra.

Pés endurecidos
Na minha terra havia um homem, pastor, que esmagava os ouriços com os pés descalços. Parece mentira mas não é. Segundo me contam, os primeiros sapatos que alguma vez calçou foram as botas da tropa (foi para a Marinha e julgo que terá ido para a Primeira Guerra). Isso queria dizer que andou nada menos do que 20 anos descalço.
Era tal a dureza da pele, que «britava» os ouriços com os pés. Os ouriços são os invólucros das castanhas e como se sabe estão protegidos de picos agressivos. Imaginem a situação: o homem a pisar em cima daquela coisa e as castanhas a saltarem.

Convém saber que muitas pessoas depois contavam estas histórias e realidades da terra, cada qual à sua maneira, mas sempre com muita graça.
Acho hoje que istas eram, afinal, formas de literatura popular ingénua que faziam o dia-a-dia da aldeia. Literatura viva e interactiva: de cada vez que alguém as contava ou as sublinhava, as histórias iam-se compondo, ampliando e diversificando, nunca iguais de versão para versão.
Publico, aliás, com grande respeito, uma foto da geração adulta do tempo em que eu era criança no Casteleiro.

«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Soito iniciou em 16 de Setembro de 2011 a ampliação das instalações do quartel. O projecto é um grande salto na melhoria das condições da corporação e uma das maiores iniciativas da actual Direcção presidida por Maria Benedita Rito Dias.

(clique nas imagens para ampliar.)

O andamento das obras é visível e neste momento estão a aplicar o revestimento das paredes e do piso térreo, na parte exterior tubagens e eletrificações.

Quem pretender ajudar os bombeiros pode transferir o seu donativo para:
NIB: 003507020001137293062
ou, se for no estrangeiro, através do:
IBAN: PT50003507020001137293062, código CGDIPTPL.
A Direção e os Bombeiros Voluntários do Soito agradecem.
jcl

A AAR-Associação dos Amigos de Ruivós tem programado para o período entre 4 e 6 de Agosto diversas actividades desportivas, culturais e associativas. O convívio entre sócios e amigos da freguesia de Ruivós inclui a Festa da Cerveja (entre 4 e 6 de Agosto), mais uma edição da concentração de motos antigas (no sábado) e na segunda-feira, 6 de Agosto, a Assembleia Geral Ordinária e a Garraiada Nocturna com Forcão.

(Clique nas imagens para ampliar.)

Gonçalo Pires (Presidente da Direcção da AAR)

O CERN (Centro Europeu de Investigação Nuclear) acaba de confirmar a existência do «bosão de Higgs» ou «partícula de Deus». Esta descoberta coloca a física no caminho para a compreensão das origens da matéria e da vida, demonstrando, mais uma vez, que não existem «ciências exactas», definitivas, acabadas. Toda a ciência está permanentemente «em construção», graças ao contributo de sucessivas gerações de cientistas. Newton dizia: «…vejo mais longe porque me sentei sobre os ombros de gigantes.»

Alguns dos grandes «construtores» da Ciência
A Galáxia de Andrómeda O Space Shutlle em trabalhos de conservação do telescópio espacial Hubble colocado em órbita pela NASA em 1990 Aspecto do interior do gigantesco acelerador de partículas do CERN situado num túnel circular com 27 kms de comprimento

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Adérito Tavares - Na Raia da MemóriaA moderna astronomia põe hoje na nossa frente um espantoso Universo! Poderosos telescópios perscrutam os céus e recebem luz emitida há milhares de milhões de anos. Sondas espaciais medem radiações e calor, em busca dos testemunhos do «big-bang», uma gigantesca explosão ocorrida há talvez 15 mil milhões de anos, que teria dado início à formação das estrelas e das galáxias.
Esses potentes telescópios, como o Hubble, ou o do Monte Palomar, nos Estados Unidos, dotados de lentes com vários metros de diâmetro, atingem distâncias impensáveis: estão hoje ao seu alcance dez mil milhões de galáxias, algumas das quais situadas a centenas de milhões de anos-luz (lembro que um ano-luz equivale à distância percorrida pela luz durante um ano, à velocidade de 300 mil quilómetros por segundo, isto é, cerca de 10 biliões de quilómetros).
Uma galáxia é um enorme aglomerado de estrelas. A galáxia de que faz parte o Sol, a Via Láctea, é composta por cerca de 100 mil milhões de estrelas. A galáxia mais próxima da nossa, a Grande Nebulosa de Andrómeda, igualmente formada por um número de estrelas semelhante ao da Via Láctea, situa-se à distância de 2 milhões de anos-luz. Por outras palavras: a luz que agora nos chega da Nebulosa de Andrómeda é uma luz «arqueológica», partiu de lá quando na Terra viviam os australopitecos.
Perante a prodigiosa grandeza destes números, somos irremediavelmente remetidos à nossa própria pequenez. Se conseguíssemos auto-observar-nos a partir de um ponto situado algures nesse Universo distante, que significado teriam as nossas mesquinhas disputas? Dizia Erasmo de Roterdão, em 1511, no Elogio da Loucura, que «se alguém pudesse observar os mortais a partir da Lua, julgaria ver milhares de moscas e de mosquitos envolvidos em rixas, guerras, maquinações, rapinas, enganos».
Na verdade, o Homem tem passado demasiado tempo a olhar para o seu próprio umbigo. Durante milhares de anos, acreditou mesmo que era o centro do Universo e que tudo girava à sua volta. A Terra constituía um ponto fixo em torno do qual se moviam os restantes planetas e o próprio Sol. Esta concepção geocêntrica do Universo, exposta por Ptolomeu no século II, foi aceite quase unanimemente até ao século XVI. Antes de Ptolomeu, apenas o grego Aristarco de Samos tinha defendido a hipótese de a Terra girar à volta do Sol, mas as suas ideias contrariavam de tal modo o senso comum que foram rapidamente esquecidas. Os livros de Aristarco perderam-se e só conhecemos o seu pensamento através das escassas referências que lhe faz Arquimedes de Siracusa.
No século XVI, o polaco Nicolau Copérnico retomou as propostas de Aristarco de Samos e, depois de algumas viagens a Itália e de demorados estudos, publicou em 1543 o seu De Revolutionibus Orbium Coelestium, no qual defende a teoria heliocêntrica: o Sol é uma estrela fixa, em torno da qual giram a Terra e os outros planetas.
Ainda nesse século, o dinamarquês Tycho Brahé e o alemão Johannes Képler confirmam o heliocentrismo de Copérnico e determinam as órbitas elípticas dos planetas. Já no século XVII, o italiano Galileu Galilei prova matematicamente a teoria heliocêntrica e procede às primeiras observações dos astros com um telescópio construído por si próprio. Na Inglaterra, Isaac Newton estabelece a teoria da gravitação universal dos corpos e desenvolve a astronomia experimental, designadamente através da invenção do telescópio de reflexão, que permitiria aumentar sistematicamente o diâmetro das lentes.
Estes foram alguns dos homens que «fizeram girar a Terra». Eles estão na origem de uma verdadeira revolução científica: juntamente com outros físicos, matemáticos e filósofos, como Francis Bacon, Pascal, Descartes, Leibniz e Torricelli contribuíram decisivamente para a substituição de uma mentalidade aproximativa por uma mentalidade de rigor. Daí em diante, as distâncias, os pesos, o tempo, a temperatura, tudo passou a ser medido rigorosamente, através de instrumentos então inventados – o relógio de pêndulo, o termómetro, o barómetro, etc.
No entanto, não se pense que todo este progresso científico foi conseguido sem oposição. As grandes e profundas mutações, sejam de carácter sociopolítico, económico ou cultural, encontram sempre resistências. E as resistências à mudança vieram, no caso da revolução científica do século XVII, sobretudo da Igreja Católica.
A Igreja não aceitava que fosse posto em causa o saber tradicional. Vivia-se então uma grave crise religiosa, desencadeada pela Reforma Protestante e pela resposta católica, traduzida no movimento da Contra-Reforma. As ideias inovadoras eram portanto consideradas perigosas e heréticas. Copérnico apenas escapou a um eventual julgamento porque morreu poucos meses depois da publicação do seu livro. Todavia, um dos seus continuadores, Giordano Bruno, viria a morrer na fogueira por ideias semelhantes. Galileu foi também julgado pela Inquisição e só evitou a fogueira porque aceitou renegar publicamente as suas teses (não deixando, todavia, de murmurar para si próprio: «E, no entanto, ela move-se!»). Só recentemente, 350 anos depois do julgamento, a Igreja Católica procedeu à reabilitação de Galileu. O amanhecer da tolerância é espantosamente lento!
A história, durante muito tempo, apenas estudou a mudança. Hoje investiga também as resistências à mudança. Interessa-nos saber como William Harvey, no século XVII, estabeleceu com segurança o princípio da circulação do sangue mas também nos interessa estudar todo o processo que levou muitos médicos a recusarem este conhecimento inovador durante dezenas de anos. Ou estudar as razões por que se ridicularizou a teoria da evolução das espécies, de Charles Darwin. Ou ainda as razões da rejeição do impressionismo, do cubismo ou do surrealismo na época em que apareceram.
Alguém definiu a ciência como «curiosidade organizada». Se não fosse o inconformismo, o espírito de descoberta e de aventura, a ânsia de saber, muito provavelmente o «homem» ainda hoje viveria nas árvores. Como as outras 192 espécies de primatas.
«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares

ad.tavares@netcabo.pt

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto ao Escabralhado, anexa da freguesia raiana de Aldeia da Ribeira. No próximo domingo será editado o poema relativo à anexa Quinta das Batoquinhas, outra terra do nordeste do concelho.

ESCABRALHADO

Caber em pouco chão tanta abundância
Não é milagre ou coisa que o valha
Divina bênção, prémio é da constância
Do povo que muito reza e mais trabalha

Labor continuado mas sem ânsia
Que a pressa não ajuda, mas encalha
De passo a passo se cobre a distância
Do tempo da decrua até á malha

O cem por um promessa do Evangelho
Do Novo Testamento já no Velho
Estavam no timão e no arado

Ser dextro no domínio do timão
Na foice e na gadanha eis o brasão
Do homem que nasceu no Escabralhado

«Poetando», Manuel Leal Freire

Damos continuidade à apresentação do léxico com as palavras e expressões populares usadas na raia ribacudana.

AMADURAR – amadurecer.
AMAGAR – abaixar; acocorar; esconder; o m. q. achicar.
AMAINAR – acalmar; serenar.
AMALINADO – doente; pessoa ou animal com malina (doença).
AMANCORNAR – atar uma vaca dos cornos à pata dianteira, para que não fuja do lameiro. Abel Saraiva refere acabramar com o mesmo significado, mas para as cabras.
AMANHAR – preparar; tratar; compor. Amanhar a terra: tratá-la e prepará-la para produzir. Mais a Sul (Monsanto) significa também abrandar; afrouxar (Maria Leonor Buescu).
À MÃO-TENTE – muito perto; à mão de semear.
AMAREJAR – traçar margens ou regos na terra lavrada e semeada, para esgotamento das águas (Manuel Santos Caria).
AMARELA – gema do ovo (geralmente diz-se marela) – já a clara do ovo designa-se por branca.
AMARELO – sol – termo da gíria de Quadrazais (Franklim Costa Braga).
AMARFOLHAR – o crescer da seara, ficando tenra e forte. Criar marfolho: assim se diz quando os pastos estão a crescer. Pão amarfolhado: seara de centeio muito viçoso, sendo necessário ceifá-lo para depois voltar a rebentar.
AMARGOSO – amargo; ácido.
AMARMALHAR – apressar; acabar à pressa qualquer trabalho (Júlio António Borges).
AMARUJAR – amargar. Diz-se sobretudo da fruta quando ainda tem acidez.
AMASSADEIRA – mulher que amassa o pão.
AMATRIZ – amanhã – termo da gíria de Quadrazais (Franklim Costa Braga).
AMEIXOA – ameixa.
AMENDOEIRA – mulher que nas festas vendia amêndoas de açúcar e rebuçados de caramelo em cartuxos, que transportava e expunha em tabuleiros de madeira.
AMERCEAR – compadecer. Que Deus se amerceie da sua alma.
AMEZIDADE – amizade (Clarinda Azevedo Maia). Os dicionários registam amizidade.
AMIGAR-SE – amancebar-se; juntar-se com amante ou amásia.
AMIGO – amante.
AMIGOIÇO – amigo falso, que não merece confiança (Júlio António Borges).
AMOÇAR – esticar e reordenar os molhos de linho após a maçagem (José Pinto Peixoto). Clarinda Azevedo Maia escreve amossar, que traduz por: operação a que se submete o linho antes de espadelar para o limpar das arestas (também refere refregar, a que dá o mesmo significado).
AMOCHAR – aguentar com o peso; carregar; suportar. Baixar; amagar. Também se diz amouchar.
A MODO QUE – de maneira que. Também se diz ómode que.
AMOJO – úbere dos animais. Duardo Neves refere amoijo.
AMOJAR – tomar amojo; crescimento das tetas e do úbere dos animais com o evoluir da gravidez. Duardo Neves refere amoijar. Aquilino Ribeiro, na sua linguagem regionalista escreve muitas vezes o termo amojar, com o mesmo significado de amochar – carregar, suportar.
AMOLANCAR – amolgar; fazer mossa.
AMOLACHIM – afiador ou amolador de facas (Leopoldo Lourenço). Pessoa que andava de terra para terra a afiar facas, que à entrada de cada aldeia soprava um apito característico. Clarinda Azevedo Maia refere também molanchim, termo que recolheu nos Forcalhos.
AMOLADOR – o m. q. amolachim.
AMOLAR – tramar; molestar; dificultar. Afiar no rebolo: acto praticado pelo amolador de facas e tesouras que visitava as aldeias.
AMONADO – triste; cabisbaixo; amuado. Acocorado (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia da Ponte).
AMONAR – ficar mono, amuado, triste, pensativo, preocupado. Baixar, agachar. Amona-te antes que te vejam.
AMONTAR – montar.
AMONTONAR – pôr tudo num monte; amontoar (Clarinda Azevedo Maia).
AMOROSO – agradável; ameno – tempo amoroso. Júlio António Borges traduz por: sossegado.
AMORTALHADA – mulher que, após promessa, vai na procissão de branco, com saiote e com grandes velas acesas (Franklim Costa Braga). «Muitas pessoas amortalhadas atrás dos andores e algumas debaixo deles» (Joaquim Manuel Correia).
AMOVER – abortar (animais) – Júlio António Borges.
AMUCHAR – amuar; agastar (Joaquim Manuel Correia). O m. q. amonar.
ANACO – carrego de fazenda – termo da gíria de Quadrazais (Franklim Costa Braga).
ANAFADO – cheio; gordo.
ANAGALHAR – casar; atar com nagalho (Júlio António Borges).
ANÁGUA – saia branca muito usada; saiote. Francisco Vaz refere anauga com o mesmo sentido, expressão igualmente recolhida por Clarinda Azevedo Maia, que, contudo, lhe confere um significado diferente: combinação (peça da roupa interior feminina).
ANAGUEL – cadeira sem pernas, onde o bebé era colocado para deixar a mãe livre (Júlio António Borges).
ANAIFADO – bem penteado; bem vestido; limpo (Júlio António Borges). Também se diz anifado.
ANAZADO – pequeno; que parece anão. Júlio António Borges acrescenta: apressado.
ANCHO – contente; vaidoso; orgulhoso. Cheio; amplo.
ANCINHO – travessa de madeira com pentes de igual material (em geral seis), fixa a um cabo comprido, utilizado para juntar e emborregar palha ou feno.
ANDAÇO – epidemia; endemia (José Pinto Peixoto).
ANDADOR – membro de uma irmandade que tem por missão pedir esmola para as almas.
ANDANTE – membro de uma irmandade que tinha por atribuição avisar a comunidade da morte dos irmãos e do horário das cerimónias fúnebres, tendo ainda por missão transportar a lanterna no funeral (António Cerca). Manuel Leal Freire acrescenta que cabia ao andante distribuir círios e velas no funeral dos irmãos. Caminho – termo da gíria de Quadrazais (Nuno de Montemor).
ANDAR AO PÉ COXINHO – saltitar num só pé. Clarinda Azevedo Maia recolheu duas variantes deste termo: andar ao pinicoxo (Aldeia da Ponte) e andar à perna coixa (Batocas).
ANDAR A RABO – andar à trás de alguém, segui-lo. «Andavam de rabo dele» (Joaquim Manuel Correia).
ANDAR DE AJUSTO – trabalhar contratado. Também se diz simplesmente andar justo.
ANDAR DE BURRAS – andar de gatas (Clarinda Azevedo Maia).
ANDAR DE CANGÃO – pessoa que anda a mando de outra (como se andasse de canga ao pescoço).
ANDAR DE CARAS – mostrar desagrado ou ressentimento.
ANDAR DE NALGA – andar de gatas (as crianças), mas assentando uma nádega no solo (Clarinda Azevedo Maia – Batocas).
ANDAR DE TROMBAS – o m. q. andar de caras.
ANDARILHO – instrumento da cultura do linho, ao qual as meadas são enroladas, a partir das maçarocas (o m. q. sarilho). Estrutura de madeira, em T, com pequena roda em cada extremidade, nele assentando um aro rectangular, que servia para as crianças aprenderem a andar. Indivíduo que anda muito depressa.
ANDOR – interjeição pela qual se manda alguém embora. O mesmo que dizer: «vai-te embora», «desaparece», «ala».
ANEIXO – dependente; anexo (Clarinda Azevedo Maia – Batocas).
ANGINAS – inflamação da garganta; amigdalite.
ANGORETA – pequena barrica para o vinho. Abel Saraiva recolheu engoreta: «todo ele se esvaía em cabaças, garrafões e engotetas».
ANHO – borrego; cordeiro. Estranho (José Prata). Só (José Pinto Peixoto). Desolado; vaidoso (Júlio António Borges).
ANICHAR – acocorar; esconder.
ANJO DA MORTE – nome dado à borboleta que aparecesse a sobrevoar pessoa agonizante (Francisco Vaz).
ANJINHO – criança que morre antes dos cinco anos de idade. Se baptizada a criança iria imediatamente para o Céu, se não estivesse baptizada a criança ia a enterrar num canto do cemitério que estava por benzer. Maria Leonor Buescu diz que em Monsanto se chama anjinho à criança que morre antes dos sete anos.
ANOQUE – chupeta feita com um trapo, onde se punha açúcar (Júlio António Borges).
A NOVE – depressa; a grande velocidade. Andar a nove: expressão que derivou da velocidade máxima dos primeiros carros eléctricos (Dic. Expressões Populares Portuguesas, de G. A. Simões). «Iam a nove, dá-lhe que dá-lhe, quando aconteceu rebentar uma grande estreloiçada no motor» (Aquilino Ribeiro, in «O Homem que Matou o Diabo»).
ÂNSIA – água – termo da gíria de Quadrazais (Nuno de Montemor).
ANTEVÉSPERAS – tempo que precede a véspera; dias mais próximos.
ANTONTE – anteontem; o dia anterior a ontem.
ANTRE-LUZ – fase da lua, entre o quarto minguante a lua nova (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia Velha).
ANUAL – prestação que se paga em cada ano à irmandade, destinada à celebração de missas pelos irmãos defuntos (António Cerca).
(Continua…)
Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

leitaobatista@gmail.com

Em Fevereiro de 1948, o dirigente comunista Klement Gottwald subiu à varanda de um palácio barroco de Praga para falar às centenas de milhar de cidadãos aglomerados na praça principal da velha cidade. Foi uma grande viragem na história da Boémia. Um momento fatídico, como acontece uma ou duas vezes por milénio.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaGottwald fazia-se acompanhar pelos camaradas; e ao lado, muito perto, estava Clementis. Nevava, fazia muito frio, e Gottwald vinha de cabeça descoberta. Clementis, muito solícito, tirou o gorro em pele que usava na circunstância, e colocou-o na cabeça de Gottwald. A secção de propaganda fez centenas de milhares de fotografias da cena…
Nesta varanda, começou a história da Boémia comunista. Todas as crianças passaram a conhecer a fotografia, por ela passar a figurar nos cartazes, nos livros escolares, nos museus.
Quatro anos mais tarde, Clementis foi acusado de traição e enforcado. A secção de propaganda fez com que ele desaparecesse imediatamente da Hist6ria e, em corolário, de todas as fotografias…
Temos estado a transcrever as primeiras palavras de Le livre du rire et de l’oubli, do autor Milan Kundera, nascido em Brno, na Checolosvaquia, em 1929.
Livro escrito em 1979, quando o autor é tornado apátrida por decisão do governo do seu País que lhe retira a nacionalidade (a situação de Heimathossen não se revelaria duradoura, porque a França lhe concederá nova cidadania logo em 1981) circula em Portugal em edição, nomeadamente do CircuIo de Leitores.
Ali se retrata uma história sem tempo.
O drama da Checoslováquia sob o regime comunista, ou antes sob o império moscovita não diferia do então vivido pelos chamados países satélites.
Só que para os checos a situação repetia-se, não milénio a milénio, ou à razão de duas vezes por dez séculos, como na obra se refere, mas praticamente todos os dias.
Situada no centro da Europa, e em corolário, no limite dos impérios asiáticos que sempre sonharam com o domínio desta velha alma mater de civilizacões, ou daqueles que, para os enfrentar, se constituiram herdeiros de Roma, acabariam por sofrer o fluxo e refluxo das conquistas oscilando entre a barbaria eslava e o autoritarismo germânico.
O nome de Checoslováquia, usado até aos nossos dias, quando se opera a natural secessão entre duas comunidades que nada tinham a aproxima-las, senão a desgraça e a situação geográfica, revela bem a dicotornia, mais evidente ainda na antítese de culturas.
Desde a cristianização por São Cirilo e São Metodio, desde a accão de reis e rainhas, coma Santa Ludmila e São Venceslau, que se tentara a miscegenação.
Provavelmente, o eslavo e o germânico, por natural contraposição nunca permitiriam a sintese.
Prevaleceria, bem pelo contrário, a impossibilidade lógica que havia de levar a sucessivas intervenções dos poderes da Europa e Anti/Europa, muito mais interessados em manter dependente o território do que em outorgar-lhe, consentir-lhe ou assegurar-lhe uma verdadeira autonomia.
Mesmo quando, como Frederico Barba-Ruiva declaravam a Boémia um reino e lhe concediam um rei, a situação não mudava. O duque Ladislau, com a sua coroa, embora áurea, não passava, efectivamente, de súbito do grande inperador.
E, se o poder real não vinha de um senhor temporal, mas do papa, colocado por Deus acima dos imperadores e dos povas, nem assim o ceptro se considerava soberano e o reino se julgava estabilizado. Foi o caso de Otokar, apesar de ter recebido a coroa através do legado pontifício. Ou da acção da ordem dos Stelifer, humildes servos de Cristo e, todavia, imponentes, com a sua cruz vermelha e a estrela sexpoteada da mesma cor.
A cristianização deste povo de raiz celta, os boios, encurralados entre germanos, não lhes asseguraria um estatuto de independência e os boémios haviam de continuar a sofrer com a vulnerabilidade de fronteiras e o choque de civilizações.
O Sacro Império chegava ao curso inferior do Elba, ao curso médio do Oder, ao Reisengebirge e aos Sudetas.
Por isso, tradicionalmente a Boémia, apesar de povoada por checos, figurava com a sua parcela. E a seu monarca não passava normalrnente de um eleitor, embora grande, mas com o estatuto dos demais.
No plano cultural, já a região se eleva a grande plano. E é no seu coração, em Praga, aliás sua tradicianal cabeça, que nasce a primeira universidade do Império, já célebre quando surgem as de Viena (1366) e vinte anos após (l366) a de Heidelberg…
É este ascendente cultural que vai tornar a Boémia ponto fulcral na reforma protestante, com o cortejo de consequências, a maior parte nefastas para o povo checo.
A independência só lhes chegaria com os tratados que puseram fim à primeira grande guerra, criando-se, assirn, a Checoslováquia que, para além do núc1eo central, abrangeria rambém a Moldávia e a Eslováquia, sem tradições de autonomia, mesmo no plano cultural.
O pangermanismo de Hitler tornaria éfemera a vida da nova repíblica, que privada de parte do território em 1938, com a charnada anexação dos sudetas, viria a ser totalmente ocupada logo no ano seguinte.
A invasão russa apenas fez mudar o nome do opressor e só nos nossos dias houve retoma da independência, seguida aliás da divisão em dois estados: a República Checa e a Eslováquia…
Permita Deus que acabe assim o dilacerante drama que ali ciclicamente se vive.
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

INCONSTITUCIONAL OU NÃO, EIS A QUESTÃO? E O VAZIO DA NAÇÃO – O Tribunal Constitucional veio dizer que, os cortes nos subsídios de Natal e férias aos funcionários públicos e pensionistas, são inconstitucionais. A bomba rebentava publicamente num fim de tarde de quinta-feira do mês de Julho!

Poderia parecer uma mera deliberação do tribunal sobre a verificação de inconstitucionalidade de uma lei ou norma qualquer. Todavia, esta deliberação trazia uma fundamentação que me parece deveras curiosa! Vejamos, não sendo jurista, a argumentação produzida pelo tribunal apresentava poucos termos e justificações jurídicas mas, essencialmente, políticas. Era como se desse uma orientação política. Apontando para a inconstitucionalidade o facto de não ter havido equidade, ou seja, não deviam ter sido tirados os subsídios só aos funcionários públicos mas a todos os trabalhadores. Fiquei sem saber se os cortes são ou não inconstitucionais. Mais a mais, logo a seguir dizia que este ano ficava assim, mas para o ano não podia ser. E aqui fiquei perplexo! É uma espécie de faz de conta! Este ano não conta, para o ano já conta! Mas quando ouvi o sr. Primeiro Ministro, fiquei com a pulga atrás da orelha. Batia tudo certo. Primeiro, afirma que no próximo Orçamento de Estado, irá substituir esse corte por outro. Se era assim, porque sacou os subsídios? Depois, por trás de um sorriso amarelo foi apontando para o corte a todos os trabalhadores. Finalmente fazia-se luz! É que esta deliberação vem no momento oportuno. Sabe-se que as contas e previsões do governo estão a sair furadas e que, para cumprir o défice, falta um par de milhões. Numa altura em que o governo não sabe onde ir buscar dinheiro, nada melhor que o próprio Tribunal Constitucional o «obrigue» a ir ao bolso de todos os trabalhadores. Reparem, o tribunal demorou seis meses Para analisar uma alínea! Portanto, não há nada que saber, para o ano os subsídios são sacados a todos! Se não for assim, diz o sr. Primeiro Ministro, questionando a oposição, terá que se ir cortar à educação e à saúde. De bradar! Então só existem esses sectores para cortar? E as PPP’s, não se corta? E nas ajudas de custo milionárias, mordomias, fundações, assessorias, etc, etc, não se pode cortar? Demonstrava aqui, quão pobre é este governo que, para além das directrizes da troika, não existe uma única ideia para o país. Neste imbróglio, falta meter o sr. Presidente da República que, de vaia em vaia, lá foi dizendo com aquele ar sobranceiro que ele tinha dito que era inconstitucional. Sim, é verdade que o disse. E o que fez? Nada. Aprovou a lei do orçamento sem a mandar para o Tribunal Constitucional. É mais um a fazer de conta!
Tudo isto parece um puzzle bem montado. Uma conspiração bem urdida e típica da política cá do burgo, em que a elite política se comporta como senhores feudais. Quem assistiu ao debate da nação esta semana não deixou de perceber que do lado governo existe uma mão vazia e do lado da oposição uma mão cheia de nada. E o povo está na rua, porque será?

P.S. O professor que atribuiu mais de 90% do curso ao ministro Miguel Relvas, acaba de se demitir da reitoria da Universidade Lusófona do Porto. Agora vêm dizer que é coincidência!
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Tudo na vida tem estórias, tem princípio e princípios e qualquer obra necessita de alicerces e projetos.

O Escutismo em Aldeia de Joanes nasceu de uma pequena semente, lançada por dois irmãos, Chefes de Escuteiros da Região de Setúbal, Francisco Alves Monteiro, autor do livro «História do Escutismo em Setúbal e na sua Região» e agraciado com o Colar Nuno Álvares e Joaquim Alves Fernandes soldador voluntário do Monumento do Centenário do Escutismo, em inox refratário, projetado pelo Arquiteto Amaral, Escuteiro do Agrupamento 484 da Anunciada, inaugurado no Parque do Bonfim, na Cidade do Sado. Estes Chefes já tinham realizado muitos acampamentos na Região do Fundão e em Aldeia de Joanes e verificado o grande número de crianças e jovens nesta Freguesia de Aldeia de Joanes, que necessitam de um projeto escutista.
Residia aqui um seu familiar, que também tinha sido Escuteiro em Setúbal, desempenhando inclusive as funções de Tesoureiro no Clã Nº1, do Agrupamento nº 62 da Ordem Terceira.
Em Castelo Branco teve dois filhos Escuteiros no Agrupamento 160, onde fizeram as Promessas de Lobitos. Por divergências causadas por dirigentes e assistentes, esse agrupamento foi suspenso, tendo os Pais, onde se incluía, criado o Grupo 67 da AEP. Por decisão da Assembleia Geral de 21/3/1986, foi-lhe atribuído o título de Sócio Honorário pelos relevantes serviços prestados.
Por decisão do Chefe Nacional Victor Faria em 14/6/1993, é-lhe concedido o Diploma de Mérito pelos serviços prestados ao CNE, particularmente aos Agrupamentos da Região de Setúbal do CNE.
Muitos outros Agrupamentos da Região de Setúbal lhe manifestaram a gratidão pelo apoio que sempre lhes dispensou.
Por aqui se percebe que este seu irmão escuteiro, com tantos incentivos e com tanta matéria-prima, pouco ou nada aproveitada, decidiu conversar com o Pároco para a possibilidade da fundação de um Agrupamento de Escuteiros em Aldeia de Joanes. Verifiquei desde a primeira hora uma apatia e censura à ideia. Com um beco sem saída, em Setembro de 2005, aconselhado por um Dirigente Nacional do CNE., escrevi uma carta ao Chefe Regional da Região da Guarda, sediada na Covilhã. Nessa missiva, pedia uma análise e uma apreciação, para a fundação de um agrupamento do CNE, na Paróquia de Aldeia de Joanes, motivada pela situação geográfica desta Freguesia, aumento da população, com muitas crianças e jovens ali residentes. Solicitava uma reunião que apontava diversos locais, inclusive a sua casa, com a presença do Pároco, do Chefe Regional, do Dirigente Luís Fernando Pereira.
A Chefia Regional, pelo ofício nº 177/05 de 10 de Outubro de 2005, chega a resposta, com oportunas condições, sobre a formação de um agrupamento do CNE, «sendo a principal a aceitação do Pároco», para o qual remeteram expediente.
Terminavam a carta informando-o que «a sua proposta tinha merecido muita estima, alegria e apoio», pedindo uma reunião com o Pároco para aquele fim, que nunca se concretizou, e das cartas não lhes conheço qualquer resposta.
Passam-se dois anos sem o processo avançar e alguém com vontade de este assunto entrar no rol de total esquecimento.
Perante este impasse, algumas vezes foi abordado para se criar um grupo da AEP em Aldeia de Joanes, mas não manifestei disponibilidades, apesar de receber apoio em todos os aspetos.
Com a chegada à Diocese da Guarda de D. Manuel Felício, e já com mais apoios administrativos e técnicos, foi lançada a ideia a este Bispo, e com a sua dinâmica e esforços, a obra começou a ser desenhada.
Assim, dá os primeiros passos, esta grande escola da formação da juventude em Aldeia de Joanes. Decorre um processo de inscrição de dirigentes e elementos. Na ordem de serviço nº 566 de 31 de Outubro de 2008, está oficializado o Agrupamento em Formação de Aldeia de Joanes, que depois de formado recebe o número oficial de 1335. O sonho era uma realidade, para a felicidade de muitos jovens escuteiros, dirigentes e pais.
Em 4 de Outubro de 2008, tomou posse o Dirigente Luís Fernando Santos Pereira – 8409000607004-, o Chefe Adjunto Nuno Paulo Duarte Rocha – 7709000120001-, e foi nomeado pela competente entidade eclesiástica um Assistente do Agrupamento, o Diácono Francisco da Cruz Lambelho – 0809001335002.
No dia 30 de Maio de 2009, há três anos, com a presença do Assistente Padre José Manuel Dias Figueiredo, Chefe Regional António Bento Duarte, do Presidente da Junta de Freguesia António Albino Sousa Carvalho e do Vice-Presidente da Câmara Municipal do Fundão, Dr. Paulo Fernandes, também Escuteiro, realizou-se O Dia das Promessas, onde quem é investido nunca mais o esquece.
Começou a Cerimónia com a Investidura do Dirigente Francisco Lambelho.

Da Alcateia nº 42 do Agrupamento 1335 de Aldeia de Joanes, fizeram a sua Promessa:
Adriana Ramos Pereira, Ana Carolina Martins Carvalho, André Santos Gomes, Beatriz Barata Pereira, Beatriz Marcelo Ramos, Bruno Gonçalves Marques, Diogo Alexandre Cardona, Duarte Dias Encarnação, Duarte Gonçalves Antunes, Eduardo Miguel Trindade Saraiva, Elodie Campos Mesquita, Fernando José Mateus Marcelo, Filipe José Dinis Domingues, Gonçalo Costa Duarte, Gonçalo Nogueira Costa, Guilherme Martins Lourenço, Henrique José Morgado Duarte da Silva, Inês Maria Mota Bonifácio, Joana Gonçalves Pires, Joana Raquel Batista Veríssimo, João Miguel Patrocínio Bastos, Leonor Dinis Domingos, Margarida Freire Rodrigues, Mariana Rodrigues Lambelho, Pedro Miguel Almeida Penetra, Pedro Miguel Santos Rocha,

Investidura e promessas do Grupo Explorador nº 43:
Alexandra Nunes Roxo, Ana Carolina Morgado Duarte da Silva, André Gonçalo Batista Veríssimo, André Manuel Patrocínio Bastos, Beatriz Maria Dias Encarnação, Bruna Filipa Brito Neves, Cyril Soares Campos, Diogo Marques Pires, Eugénia Morgadinho Martins, João Diogo Cruz Ponciano, João Pedro Marques Esteves , Jorge Miguel Marques Esteves, Rodrigo Monteiro Lambelho, Manuel João Monteiro Barbosa, Marta Isabel Pinheiro Lambelho, Nuno Miguel Freire Rodrigues, Patrícia Isabel de Brito, Rodrigo Monteiro Lambelho Proença, Tiago Gonçalves Marques

Investidura e promessa de caminheiras:
Mariana Gomes da Costa

Foram todos estes heróis os primeiros obreiros, que reconheceram em Aldeia de Joanes, numa festa de partilha e amizade, que o Movimento Mundial Escutista é uma Fraternidade sem fronteiras e que ao dar os primeiros passos para essa Fraternidade, são irmãos e amigos de todos os Escuteiros do Mundo. São os servidores de Deus, da Igreja, da Pátria, do amor à Natureza.
Não ficais esquecidos, vós que tendes aqui o vosso nome gravado, ficais na História do Escutismo em Aldeia de Joanes, esperando que os mais velhos, os mais responsáveis, agarrem neste bebé de três anos a merecer todos os cuidados e atenções. Se esta pequenina criança for abandonada, ninguém tem perdão…Está ali um bom viveiro. Que todos os responsáveis alimentem a CHAMA VIVA… desta Juventude Escutista.
Parabéns a todos os Escuteiros de Agrupamento 1335 de Aldeia de Joanes. Longa e feliz vida, que os presentes e vindouros escrevem a HISTÓRIA.
António Alves Fernandes, Aldeia de Joanes

Teresa Duarte Reis - O Cheiro das Palavras - Capeia ArraianaE venho agora com a minha homenagem ao Castelo de Penha Garcia, mais um Senhor da história e um marco dos tempos. Com a chegada de mais um Solstício de Verão lembramos o dia maior do ano. E falando aqui de Penha Garcia, recordo o bom pão e as boas gentes, sinto a calma do fim da tarde estival, o fresco das regas e o cantar das águas correndo pelas levadas. Terras verdes, puras e belas, onde o calor humano está a ficar empobrecido pela desertificação. É contra ela que temos que continuar a lutar.

Penha Garcia

PENHA GARCIA

És também Penha Garcia
Um castelo a recordar
Retomamos a pré-história
Com D. Sancho a te marcar
Com o D. Afonso III
Recebes Carta de Foral(1)
Andaste com a Ordem de Cristo
Mas voltaste ao poder real
D. Manuel como convém
Traz Foral Novo também.

Estás num lugar rico
De pré-história registado
A povoação do teu nome
Um castro foi no passado
Eos teus moradores pelo foral
Ficam com regalias marcadas
Tal como em Penamacor
Elas estavam registadas
Tuas gentes bem lutadoras
Das descobertas senhoras.

Depois do séc. XVII
Muitos desaires sofreste
Foste couto, foste concelho
Título que depois perdeste
Caçadores de tesouros
Te foram tratando mal
Não foste classificado
Sem teres culpa para tal
Mas a lenda traz-te magia
Com linda Branca e D. Garcia.

(1) 31 de Outubro de 1256

Também o meu carinho para Penha Garcia
«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis

netitas19@gmail.com

A recepção de boas vindas aos participantes na iniciativa Sabugal Tour acontece amanhã, 13 de Julho, pelas 21 horas, no Largo do Castelo do Sabugal, onde actuarão o Grupo de Cantares da Meimoa e o Grupo Etnográfico do Sabugal.

Trata-se de um encontro aberto a os que gostam ou querem conhecer as potencialidades turísticas do Concelho do Sabugal. A iniciativa nasceu de um desafio lançado por Alberto Luís, um valdespinhense que, apoiado por alguns amigos e algumas instituições, está apostado em potenciar o desenvolvimento do Sabugal, crendo que o Turismo pode ser a alavanca.
O rico e vasto património histórico e natural do concelho do Sabugal, oferece as melhores condições para o desenvolvimento deste projecto. O Sabugal conta com as imponentes e belas serras da Malcata e das Mesas, os castelos de cinco antigas vilas, as aldeias de raiz medieval, o rio Côa e magníficas paisagens.
O Sabugal Tour desenvolve-se nos dias 13, 14 e 15 de Julho, de modo a permitir aos amantes da Natureza e da boa mesa desfrutarem de um excelente fim-de-semana nas Terras Raianas.

Para o primeiro dia, sexta-feira, 13 de Julho, está previsto:
21.00h – Recepção de boas vindas no Castelo do Sabugal (Rancho Folclórico do Sabugal e Grupo de Cantares da Meimoa).
22.00h – Porto de Honra na Casa do Castelo.
23.00h – Chegada ao RaiHotel.

Para sábado, 14 de Julho:
9.30h – Partida para o Centro Histórico (visita guiada ao Castelo, Solar dos Britos, Museu, e Judiaria).
12.30h – Almoço buffet no Restaurante O Lei
15.00h – Partida para a Aldeia Histórica de Sortelha (visita guiada).
16.30h – Partida para o Museu do Queijo em Peraboa ( degustação de queijos).
18.00h – Partida para a Quinta dos Termos (prova de vinhos e degustação de enchidos, presuntos e queijos da região).
21.00h – Regresso ao RaiHotel.

Para domingo, 15 de Julho:
10.00h – Partida para o Restaurante/Viveiro de trutas – Trutalcôa.
10. 30h – Manhã desportiva/recreativa. Caminhada do Trutalcôa à antiga aldeia do contrabando Quadrazais pela Rota Pedestre do Rio Côa. Para quem não estiver interessado pode desfrutar e dedicar-se à pesca da truta na charca do viveiro).
15.30h – Partida para o Sabugal.

Inscrições – usando os telefones: 969272706 / 919176246 ou o email : betcentral@hotmail.com
Para quem vier de Lisboa a organização informa que há ao dispor autocarros da transportadora Viúva Monteiro, com partida da Gare do Oriente todas as sextas-feiras às 18 horas e chegada ao Sabugal às 22 horas. Para o regresso o autocarro sai do Sabugal aos domingos, pelas 18 horas, com chegada a Lisboa às 22 horas.
A organização convida as pessoas em geral a marcarem presença na recepção de boas-vindas aos participantes no Sabugal Tour, muitos deles vindos de fora do concelho do Sabugal.
plb

O Instituto Politécnico da Guarda (IPG) promoveu, no passado dia 7 de Julho, o X Concurso Nacional Robô Bombeiro.

Na edição deste ano do concurso inscreveram-se 43 equipas inscritas; 18 na Classe Standard (escolas secundárias e profissionais), 19 na Classe Sénior (universidades e institutos) e 5 na Classe Robôs com Pernas.
«O Concurso Robô Bombeiro tem vindo a crescer ao longo dos seus 10 anos de existência e a décima edição do contou com o maior número de equipas inscritas de sempre», salientou Carlos Carreto, docente da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do IPG e um dos responsáveis por esta iniciativa.
«Este ano notou-se também, no geral, um elevado nível técnico dos robôs em competição. Apesar dos novos desafios técnicas que todos os anos são acrescentados às provas, este ano houve um grande número de equipas a superá-los, o que fez desta edição uma das mais competitivas de sempre. Este ano as provas da classe Sénior foram dominadas por equipas do IPG que se classificaram nos três primeiros lugares dessa classe», adiantou ainda o professor.
Na opinião daquele docente da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico da Guarda, o concurso Robô Bombeiro é um evento nacional «muito conhecido e tem contribuído para divulgar o que de melhor se faz no IPG. O concurso é um bom exemplo do tipo de ensino praticado no IPG ao nível das engenharias. Um ensino virado para a prática e o saber fazer.»
Por outro lado, e como salientou, do ponto de vista pedagógico, o principal objetivo do projeto é «proporcionar um evento onde alunos e professores possam usar a Robótica como uma ferramenta pedagógica capaz de levar os alunos a adquirir competências não só científicas e técnicas, mas também competências transversais, tais como competências de trabalho em equipa, competências de liderança e sentido de responsabilidade, entre outras.»
Carlos Carreto considera o concurso é um elo de ligação entre o IPG e a comunidade, «tendo contribuído nos últimos anos para a criação de clubes de Robótica nas escolas secundárias da região e dando apoio ao desenvolvimento dos mesmos através da doação de equipamento e da prestação de apoio técnico».
Apontou, como exemplo, os casos de sucesso da Escola Secundária da Sé da Guarda, da escola Campos de Melo da Covilhã e da escola Frei Heitor Pinto do Fundão, que participam no concurso há vários anos.
plb (com IPG)

A Câmara do Sabugal vai alterar o Regulamento Municipal dos Horários de Funcionamento dos Estabelecimentos Comerciais do Concelho.

Tendo em vista a implementação do «Licenciamento Zero», programa obrigatório cujas acções visam o aumento da competitividade, o Município do Sabugal pretende criar alguns regulamentos, bem como alterar outros, sendo um deles o relativo às regras para a fixação dos horários dos estabelecimentos abertos ao público.
O regulamento em questão, que foi aprovado em 1996, encontra-se desajustado à nova realidade concelhia e também face ao dispositivo legal em vigor, pelo que se considerou essencial promover a sua modificação.
As principais alterações resultam da legislação aprovada acerca da matéria, e implicam a não sujeição dos horários a actos prévios permissivos por parte da Câmara. Outra novidade será a dos pedidos passarem a entrar obrigatoriamente pelo «Balcão do Empreendedor» que o Município irá obrigatoriamente implementar, assim como a definição de novas infracções de natureza contra-ordenacional, de modo a prevenirem o incumprimento das regras por parte dos responsáveis pelos estabelecimentos.
O projecto de novo Regulamento que os serviços camarários já elaboraram define a quem se aplica o regime e estabelece que os horários serão diferenciados em função das actividades e dos fins comerciais de cada casa. Assim, estabelecimentos como farmácias, postos de abastecimento de combustíveis, unidades hoteleiras e lares de idosos podem estar abertos em permanência. Porém, os restaurantes, cafés, bares, pastelarias e cibercafés poderão apenas funcionar das 6 da manhã até às 2 horas da madrugada, à excepção de sextas, sábados e feriados, em que podem manter-se abertos até às 4 horas. Já as discotecas, dancings e clubes poderão funcionar das 15 às 4 horas.
O novo regulamento incorpora as normas advindas da Lei do Ruído, definindo a possibilidade de os estabelecimentos verem os horários restringidos em função de eventuais situações de perturbação da ordem pública ou da tranquilidade dos moradores das suas imediações.
Também se prevê um regime excepcional de prolongamento de horários, nomeadamente em zonas de interesse para o Turismo ou quando isso contribua para a dinamização de um determinado espaço, ou ainda aquando de épocas festivas que o justifiquem.
As infracções ao regulamento darão lugar a coimas, que poderão ir dos 150 aos 25.000 euros, que ainda poderão ser elevadas para o dobro em caso de reincidência, para além de, em casos graves, possa ainda ser acessoriamente determinado o encerramento temporário do estabelecimento.
O projecto de novo regulamento terá de ser aprovado pela Assembleia Municipal, após o que será publicado no Diário da república.
plb

Às universidades privadas do país.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Para os devidos efeitos, declaro-me disponível para me ser atribuída no ano lectivo de 2012/2013 qualquer licenciatura para a qual essa Instituição Universitária considere que possuo currículo adequado. Garanto sigilo absoluto e comprometo-me a não aceitar qualquer convite para ministro de qualquer governo. Mais me comprometo a nunca solicitar a minha inscrição em qualquer Ordem ou Organismo Profissional. Enviarei currículo detalhado elaborado de acordo com a licenciatura que me queiram atribuir.

Nota: Para os mais distraídos, este anúncio é uma brincadeira «relvista» e apenas quer dizer que estamos entregues aos bichos!…
Por mim, já me licenciei e já estou inscrito na Ordem dos Engenheiros há muitos anos!…

PS1: A reforma da Lei Eleitoral para as Autarquias Locais entrou na ordem do dia. Na próxima semana aí irei.

PS2: Uma boa notícia. Já foi publicado em Diário da República o anúncio para a apresentação de propostas para a elaboração do Plano Estratégico do Concelho do Sabugal.
Estou convicto que a qualidade do Caderno de Encargos e as condições do Concurso vão atrair as melhores empresas que existem no País. Ainda bem, pois tal só contribuirá para se obter um bom Plano. Aos técnicos do Município que elaboraram as condições técnicas os meus parabéns.

PS3: De férias no local habitual (Praia da Galé), não posso deixar de realçar que esta zona do Algarve está a meio gás. Menos gente, praia meia cheia, restaurantes com mais lugares que clientes!
Exportar é bom para o País, mas vejo com dificuldade que a indústria turística algarvia consiga exportar o sol, a areia, o mar, os hotéis e tudo o resto. A não ser que Portas e companhia descubram algum chinês capaz de levar a costa algarvia para a China…

PS4: Por um mero acaso li de seguida dois escritores japoneses que considero fundamentais na literatura mundial.
Um, Yukio Mishima, que me acompanha há várias dezenas de anos, numa colectânea de contos verdadeiramente genial.
O outro, paixão mais recente, Haruki Murakami e o seu último livro traduzido para português, 1Q84, de leitura obrigatória.

PS5: Um alerta para todos. Dia 27 em Cascais actuam os Pink Martini! Para quem não os conhece, uma ida ao YOUTUBE vale a pena.
Por mim, e se conseguir bilhetes, lá estarei…

«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

Chegado à Pousada, tenho um recado: o organizador do passeio daquele dia convidava-me , a troco de 100 reais (40 euros) no dia seguinte à mesma hora, visitar a cidade Presidente Figueiredo, 120 kms a norte de Manaus, na Estrada Nacional (BR no Brasil) que vai em direcção a Caracas, Venezuela. Claro que aceitei, estava ali para a aventura…

José Jorge CameiraA viagem foi num ónibus luxuoso (autocarro) pelo interior da verdadeira floresta amazónica, a norte. Que força senti naquela violência de verde, naquele infindável mar de arvoredo bem alto, lutando entre si para obter a maior quantidade possível de raios solares!
Chegado a Presidente Figueiredo diversas surpresas me esperavam.
Foi anunciado o almoço num determinado restaurante onde havia como ementa (cardápio no Brasil) comida à discrição, havendo carne de boi assada na brasa e sardinhas assadas em óleo, portanto fritas. Assadas, dizem eles…
Sardinhas, aqui nesta lonjura? Vou já atacar!
Eram sardinhas sim, mas outras… de água doce, sabor bom mas totalmente diferente das sardinhas portuguesas. Que não, as verdadeiras são aquelas, disseram-me! O que é certo toda a gente preferiu comer sardinhas (com arroz de feijão preto) a comer carne de boi assado.
Vi toda a gente do passeio comendo à farta: sardinhas, picanha, carne de sol (carne dessalgada antes de cozinhar), picanha, saladas, frutas diversas…
O que vou contar é surpreendente, eu vi com os meus olhos: toda aquela gente que comeu «à la gardère» e durante mais de uma hora… de seguida foram todos mergulhar num pêgo das tais águas negras e que havia ali ao lado de um rio. Mergulharam várias vezes e ficaram horas a fio dentro de água!! Chamaram-me para entrar na água, recusei obviamente, invocando o receio de congestão. Riram-se todos:
– Isso é mania de europeu, não mata, não…
Fiquei quedo e mudo e o que é certo todos regressaram a Manaus vivos, sem congestões das tais que pelos visto só existem na Europa!
Enquanto o grupo se refastelava dentro de água com a barriga cheia , fui pesquisar o ambiente.
Outras surpresas! Na outra margem do rio, vi diversas mulheres baixar as cuecas (calcinha no Brasil) e com o rabo virado para cá faziam as suas necessidades para dentro do rio… como a água corre rápida, a respectiva limpeza era automática… havia crianças e muitas outras pessoas, ninguém ligava nem olhavam, só eu, o gringo portuga olhou…
Esse rio é de águas velozes. A água corre em plano inclinado acentuado. Vi com os meus olhos esbugalhados muitos rapazolas fazerem surf sobre a água, de pé ou sentados, sem prancha, apenas com o corpo estendido de costas!
Podem crer – no regresso, dentro do ónibus, ainda se riram de mim, porque não fui tomar banho depois do almoço… caprichos de europeu, dizia um, riam-se todos – troçando sem ofender o gringo-portuga!
(A aventura na Amazónia continua na próxima crónica)

José Jorge Cameira

«Estórias de um filho de Vale de Lobo e da Moita»
mailto:jjorgepaxjulia4@hotmail.com

Se para ser cargueiro não se exigia mais que uma mediana robustez de peito e pernas e para ser empresário o problema era de fundo de maneio e capacidade de relacionamento, o guia, só o poderia ser, se aliasse a um perfeitissimo conhecimento do terreno, uma velocidade e capacidade de carga que a Natureza só concede excepcionalmente e, acima de tudo, uma coragem a roçar o temerário.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaEste vocábulo guia, na sua simplicidade dissilábica é dos que mais linhas exige dos dicionaristas e dos que mais nótulas e comentários lhes suscita.
Comum de dois, quando relativo a pessoas – que podem ser celícolas, como o anjo da guarda, simplesmente feminino quando referido a autorizações de marcha ou despacho – os tratadistas dizem, para a primeira hipótese, que guia é pessoa que conduz outra ou outras, a ou as acompanha e lhe ou lhes mostra o caminho.
Para a segunda hipótese, tanto pode ser roteiro que indica o caminho que se há-de seguir, como obra que encerra instruções; como a famosa carta de guia de casados do nosso Dom Francisco Manuel de Melo,,,
Nas operações de contrabando, a primeira tarefa é a da escolha da rota – caminho pouco simpático e acessível às patrulhas fiscais, de horizontes muito curtos e com obstáculos naturais a corridas de perseguição.
Mas, porque há sempre o receio de qualquer iscariotes que faça denúncias ou se espera comunicação dos vigilantes de serviço que inculquem perigo para o delineado trajecto, logo desde a primeira hora se estabelecem alternativas. E, conjecturando-se sempre a hipótese de aparecimento de guardas ou carabineiros, estudam-se cenários de diversão, a partir dos possíveis nós de intervenção.
Iniciada a travessia, o lugar da frente pertence sempre a um guia, que leva uma pseudo-carga, logo abandonada a voracidade dos homens do fisco, caso apareçam.
Mas o guia não foge do perigo, busca-o mesmo para decobrir e entreter possíveis apreensores. A carga serve de negaça. Mas quando dela se despoja, atira para os ares com um fortíssimo ahhuu que alerta toda a fila.
Os cargueiros, embora no encalce, vão separados um a um por algumas dezenas de metros. E, enquadrados – de tantos a tantos, segundo o valor das cargas, podendo ser um para dois, no caso de mercadorias muito caras – por outos guias, que à ordem de debandada, fornecem aos seus protegidos, novo itinerário. Aliás, quando um cargueiro, por mais timorato ou acossado, perde a carga, o seu guia tudo fará para recuperá-la.
Meu pai, que foi guarda fiscal, contou muitas vezes, apontando o autor comum dos mais famosos guias de toda a Raia, que o Zé Júlio, das Batocas, se safou com três cargas de estanho, de vinte e cinco quilos cada uma, fugindo com elas pelos brejos…
Houve muitos guias que deixaram fama, como o Chicata, das Naves, o Berrnau, que sendo da Bismula, passava por batoqueiro, em virtude de viver amancebado com uma estalajadeira das Batocas… Os mais decantados de todos foram, no entanto, os quadrasenhos.
Porque alguns morreram crivados de balas pelos civiles que, vindos das crueldades da Guerra Civil de Espanha, tinham pouco respeito pela vida – sua e dos outros…
Os folhetos de cegos davam-se conta dos insucessos:
Era valente e sem manha
Amado pelos cargueiros
Quando ia para Espanha
Foi morto pelos carabineiros

Assim rezava o libreto, alusivo ao Aristides Perricho, que se podia transcrever só com mudança do identificativo para Leu, Léi, Balhé ou Balecho, nome de alguns dos caídos nas ravinas de Gata e Gredos.
«O concelho», história e etnografia das terras sabugalenses, por Manuel Leal Freire

A GNR apreendeu produto estupefaciente no Sabugal e na Guarda, tendo ainda procedido à detenção de dois homens e à identificação de um suspeito.

Na tarde de 9 de Julho a GNR apreendeu, no Sabugal, duas plantas de cannabis sativa, com cerca de 2,40 metros de altura. Em consequência, foi identificado um individuo de 29 anos de idade, residente na cidade, como sendo o proprietário das plantas, tendo-se apurado que as cultivava no sótão da sua residência. O mesmo foi constituído arguido e os factos foram participados ao Ministério Público.
Ontem, dia 10 de Julho, a GNR deteve dois homens, ambos de 28 anos de idade, residentes na Guarda, pelos crimes de tráfico de estupefacientes e posse ilegal de armas. Os suspeitos, que já estavam a ser investigados há algum tempo, foram detidos no decurso de buscas realizadas às suas residências, onde foram encontradas 200 gramas de haxixe, quantidade suficiente para cerca de mil doses individuais.
Foram-lhes ainda apreendidas 25 armas brancas (sabres, punhais e facas), três armas de ar comprimido (duas espingardas e uma pistola), 29 munições de diversos calibres, 244 munições de «salva» (sem projéctil), uma caixa de chumbos de 4,5 mm e um aerossol de gás pimenta, uma soqueira, duas matracas, dois moinhos para produtos estupefacientes e diverso material relacionado com o tráfico e o consumo, assim como 867 euros.
No mesmo dia a GNR deteve em Fornos de Algodres um jovem de 21 anos de idade, residente naquela localidade, em cumprimento de mandados de detenção por crime de violência doméstica. A detenção do suspeito, que possui antecedentes criminais, ocorreu no âmbito de um Inquérito por crimes de violência doméstica e de extorsão. O mesmo foi presente a primeiro interrogatório judicial, tendo ficado em prisão preventiva.
plb

O vereador da Câmara Municipal do Sabugal, Joaquim Ricardo, enviou com pedido de publicação uma tomada de posição relativa à defesa da sua honra. O assunto diz respeito a um esclarecimento pedido na última sessão da Assembleia Municipal relativo à morada da sua residência oficial. O texto é publicado na íntegra.

Joaquim Ricardo«DIREITO À DEFESA DA HONRA

Na sessão da assembleia municipal realizada no dia 29 de Junho, na qual não pude estar por motivos pessoais, um ilustre membro daquele órgão no uso legítimo do seu direito, solicitou esclarecimento ao senhor presidente da Câmara, sobre se no executivo havia algum vereador cuja residência estivesse localizada, agora, em Vila Nova de Gaia e a esse mesmo vereador aquando das suas deslocações para as reuniões de câmara eram pagas as respectivas deslocações desde aquela cidade.
Em resposta o senhor presidente disse que:
“…há excepção dos dias em que aquele vereador está de férias são-lhe pagas as respectivas deslocações sempre que se desloca às reuniões de câmara”.
Mais palavra menos palavra, julgo que foi esta a pergunta feita pelo senhor membro da assembleia municipal e foi aquela a resposta dada pelo senhor presidente da Câmara, pedindo desde já desculpa a ambos se não foi exactamente assim.
Dito isto e porque não pode defender-me naquela hora e naquele local, por não estar presente, tomo a liberdade de usar este local e esta reunião para esclarecer o seguinte:
1º – É verdade que reparto a minha residência pela cidade de Vila Nova de Gaia e a Aldeia de Santo António;
2º – Não é verdade que há excepção dos dias em que estou de férias me são pagas as respectivas deslocações sempre que me desloco às reuniões de câmara:

Porque após a minha aposentação reparto efectivamente a minha residência entre a aldeia e a cidade de Vila Nova de Gaia;
Porque para além do cumprimento do meu dever de eleito local, tenho outros afazeres particulares e obrigações sociais como, por exemplo, responsável por uma IPSS que ajudei a fundar e a cuja direcção pertenço;
3º – É verdade que me são pagas as deslocações desde Vila Nova de Gaia, quando me desloco propositadamente para participar nas reuniões de câmara mas:
Não uso esse direito quando me encontro na aldeia, o que acontece bastas vezes e por longos períodos durante o ano, ou quando me desloco ao concelho por motivos não exclusivamente relacionados com as reuniões de câmara.
4º – E, para que não restem dúvidas, o meu direito ao pagamento do subsídio de transporte está legitimado na lei geral – vidé nº 1 do art. 82º, do Código Civil, e reforçado pelo Parecer nº 85, de 18 de Março de 2002 da Comissão de Coordenação da Região Centro (CCRC), solicitado pelo nosso município, a propósito do pagamento daquele subsídio a um membro da assembleia municipal e que esclareceu em conclusão o seguinte:
“Entendemos, pois, que o que releva, para o pagamento do subsídio de transporte a membros da assembleia municipal é, não a residência indicada nas listas de candidatura, mas a residência actual, casa onde habitualmente se mora com estabilidade e se encontra organizada a economia doméstica.”
Feitos os devidos esclarecimentos e enquadramentos legais, importa agora esclarecer, afinal, quais os valores que estão em causa e, depois, cada um que tire as suas conclusões:

Desde que fomos eleitos (Outubro de 2009), realizaram-se até Junho de 2012 (inclusive), 65 sessões de Câmara;
O total pago pela autarquia, aos quatro vereadores da oposição, segundo dados fornecidos pela divisão financeira, em subsídios de transporte, ajudas de custo e senhas de presença foi 34 337,36 €;
Que tendo em conta o número de sessões realizadas e os valores pagos, o custo por sessão de câmara rondou os 528,27 € e por vereador de 132,07 €;
Que a repartição percentual, pelos quatro vereadores, do total gasto nas 65 sessões, foi de 32%, 28%, 24% e 16%, sendo que a correspondente ao vereador Joaquim Ricardo é de 28%.
Concluindo:
Senhor Presidente e caros colegas,
Era esta explicação que eu esperava e certamente todos esperávamos ouvir da boca do primeiro responsável por este executivo para que todos os membros da assembleia municipal ficassem devidamente esclarecidos.
Mas o senhor presidente optou por dar uma resposta evasiva (propositadamente!), deixando no ar justificadas dúvidas a todos os membros da assembleia municipal sobre o verdadeiro montante dos subsídios de viagem atribuídos ao vereador Joaquim Ricardo e bem assim da sua legitimidade.
E ao responder daquela forma, o senhor presidente, perdoe-me a comparação, lavou as mãos como Pilatos, entregando o vereador Joaquim Ricardo à justiça popular.»
Joaquim Ricardo

Também com pedido de publicação foi enviada pelo vereador da Câmara Municipal do Sabugal, Joaquim Ricardo, a resposta à tomada de posição de Norberto Manso sobre a empresa municipal Sabugal+. Em virtude da extensão da resposta vamos publicar os parágrafos iniciais do texto e disponibilizar para cópia o documento na íntegra.

Joaquim Ricardo«REUNIÃO DE CÂMARA DE 9 DE JULHO DE 2012

1 . SABUGAL + – Direito de resposta
Em resposta a análise que fiz as contas da empresa municipal Sabugal+, e que constam da declaração de voto emitida para justificar o meu voto, vem o senhor presidente da Câmara, no uso legítimo da sua defesa, através do seu adjunto, Dr. Norberto Manso, rebater as posições por mim assumidas em reunião de Câmara.
Como disse, é um direito que lhe assiste. Porém, ao fazê-lo na praça pública, num jornal local, em edição “on-line” de 29 de Junho de 2012 e através do seu adjunto, mostra falta de coragem em assumir frontalmente e no lugar próprio, tal posição. Em reunião de câmara não respondeu nem rebateu os meus argumentos, como seria oportuno e o lugar próprio para o fazer. Quis antes, vir a terreiro fazê-lo e de uma forma indirecta, o que é, para mim, lamentável.
E, porque acho que as mesmas não correspondem à verdade e nalguns casos são utilizados termos injuriosos que atentam à minha dignidade pessoal, faço a presente declaração, que tornarei pública de seguida.
(continua na íntegra no documento que disponibilizamos no link abaixo.)
Joaquim Ricardo

Resposta, na íntegra, do vereador Joaquim Ricardo. Aqui.
Capeia Arraiana

O mês de Agosto carrega sempre o secreto apelo do regresso às origens para os que estão longe. No concelho do Sabugal faz povoar as aldeias, abrir as persianas, lotar os bancos das igrejas e encher os lugares públicos com um estranho mas familiar linguajar mesclado aqui e ali de expressões e palavras de origem francesa. Mas, para muitos dos sabugalenses é o tempo da mãe de todas as touradas – a capeia arraiana – espectáculo único que andou escondido esotericamente nas praças das nossas aldeias e que, agora, de há uns anos para cá parece ter perdido a vergonha e tudo faz para se dar a conhecer ao mundo. A tradição manda que as touradas com forcão, precedidas de encerro, se iniciem na Lageosa no dia 6 de Agosto e terminem em Aldeia Velha no dia 25. E que se oiça bem alto o grito: «Agarráááio»

DIA FREGUESIA EVENTO
3 e 4 Soito Garraiadas/Largadas
6 Lageosa da Raia Encerro e Capeia Arraiana
6 Ruivós Garraiada Nocturna com forcão
7 Soito Encerro e Capeia Arraiana
8 Rebolosa Encerro e Capeia Arraiana
10 Soito Tourada à portuguesa nocturna
12 Aldeia da Ponte Tourada à portuguesa
13 Aldeia do Bispo Encerro e Capeia Arraiana
13 Seixo do Côa Garraiada
14 Nave Capeia Arraiana
15 Aldeia da Ponte Encerro e Capeia Arraiana
15 Ozendo Encerro e Capeia Arraiana
16 Vale de Espinho Garraiada
16 Vale das Éguas Garraiada nocturna com forcão
17 Alfaiates Encerro e Capeia Arraiana
17 Fóios Capeia Arraiana Nocturna
18 Soito Festival «Ó Forcão Rapazes»
20 Forcalhos Encerro e Capeia Arraiana
21 Fóios Encerro e Capeia Arraiana
25 Aldeia Velha Encerro e Capeia Arraiana
Fonte: Rota das Capeias da Câmara Municipal do Sabugal

«A Capeia Arraiana não é uma tauromaquia qualquer. Como uma espécie de religião em que se acredita, não basta assistir, é preciso participar, ir ao encerro, comer a bucha, beber uns goles da borratcha e voltar com os touros, subir para as calampeiras, ser mordomo, ser crítico tauromáquico, discutir a qualidade dos bitchos da lide ou, simplesmente, ser fotógrafo da corrida que não deixa ninguém indiferente, corre na massa do sangue, provoca um nervoso miudinho, levanta os pêlos do peito, atarracha a garganta e perturba o sono. É um desassossego colectivo que comove.» António Cabanas in «Forcão – Capeia Arraiana».
jcl

Em Portugal é já vício velho os partidos políticos colocarem os seus «quadros» nas chefias intermédias dos organismos públicos. Digo vício velho porque isto já vem dos finais da Monarquia, atravessa a República, continua com o partido único do Estado Novo, a União Nacional, e, sem interregno, entrou pela Democracia dentro até ao presente momento. Neste artigo só me refiro aos pequenos «quadros» não a gestores de institutos públicos.

António EmidioQuero frisar o seguinte antes de começar o artigo propriamente dito: conheci e conheço, homens e mulheres em lugares de chefia intermédia, pequenos «quadros», com uma capacidade, honestidade e humanismo a toda a prova. Honrosas excepções. Compreendido?
O que acontece querido leitor(a), é que em noventa por cento dos casos, os partidos colocam a chefiar os mais submissos, aliás o Estado não premeia o talento, mas sim a submissão, os mais aduladores, os mais espertos, os mais ambiciosos, os sem escrúpulos, os traidores, os medíocres e incapazes, gente com mentalidade de patrão, fazendo do sector que comandam um couto «privado», com resultados catastróficos para o bom funcionamento do serviço e dos interesses dos cidadãos, na medida em que lutam simplesmente pela nobilitação individual. Já Eça de Queiroz no seu tempo, nos finais da Monarquia, desmascarou a Democracia sem valor e sem mérito, vejamos este pequeno diálogo tirado de uma página do seu livro A Capital, onde depois de uma reunião de Republicanos, a personagem principal do livro, Artur Corvelo, diz para um dos assistentes a essa reunião:
– A leitura foi longa.
O outro inclinou-se-lhe para o ouvido:
– É que se não faz nada! Tudo isto é uma história. É palrar, é palrar! Não se faz nada enquanto não se deita o governo abaixo! Eu já disse ao Matias – eu quero ir recebedor para Belém. Eu cá sou franco.
(…)
Nesse tempo o recebedor era o funcionário incumbido de receber e arrecadar impostos.

Se juntarmos a isto, multiplicado por milhares, uma classe política surgida ultimamente com um elevado grau de mediocridade, controlada por uma oligarquia poderosa, uma classe empresarial que procura o lucro fácil e rápido, uma outra classe que vive de expediente e corruptelas, um povo em regressão cultural, que cada vez enche mais os estádios de futebol, que caminha para Fátima a pé e depois anda de rastos nesse mesmo recinto (Joaquim Manuel Correia ao ver no seu tempo uma devota que na Senhora da Póvoa se arrastava de joelhos deixando fundos sulcos na lama do recinto, teve esta frase: «E como esta viam-se muitas, e não houve quem protestasse, se opuzesse em nome da razão e da humanidade, a tão cruéis suplícios e a procissão lá ia continuando, como um pesadelo, vagarosamente.»
Regredir! Regredir! A primeira década do século XXI em Portugal tem sido a todos os níveis, excepto tecnológico, uma regressão de pelo menos meio século. Um povo que delira com as revistas do beautiful people, que percorre os grandes Centros Comerciais olhando extasiado para o glamour das montras onde se abastece de luxo esse mesmo beautiful people, e que à noite não tira os olhos da televisão, não é de admirar que o seu País, Portugal, continue na cauda da Europa, e que tenha perdido a sua soberania, com a agravante de qualquer dia perder a Democracia, passando o Parlamento Português, os nossos eleitos, a estar dependente do Bundestag.
Que fazer! Quando se vê singrar a baixeza cultural e moral? Que fazer! Quando se vêem os dignos, honestos e competentes serem marginalizados e ignorados? Até se compreende quando dizem «para mim acabou» assim me responde um amigo digno, honesto e competente quando lhe digo que é preciso fazer alguma coisa.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

António Martins, natural do Soito, é um dos promotores do empreendimento turístico no espaço rural, Casas de Campo Carya Tallaya, sito em Vale das Éguas, concelho do Sabugal, recentemente inaugurado e já em pleno funcionamento. Trata-se de um projecto concebido e executado pela família de Fernando Proença, em que todos (esposa, filhos, genros e netos) desempenharam o seu papel para criar um espaço de qualidade, que alia a ruralidade e a rudeza da construção tradicional ao charme e ao conforto das casas modernas, dando lugar a um autêntico paraíso que interessa descobrir. Estivemos à conversa com António Martins acerca deste projecto arrojado e inovador, que pretende potenciar o filão turístico na região.

– Como nasceu a ideia de construir um espaço de turismo rural em Vale das Éguas, uma das mais pequenas e, porventura, menos conhecidas aldeias do concelho do Sabugal e da região?
– Tudo começou aqui há uns anos com a aquisição por parte da família de umas casas tradicionais, que estavam em ruínas, com a ideia de as recuperarmos para casas de férias, para uso familiar. Entretanto, com a construção da mimosa praia fluvial de Vale das Éguas que destacou a aldeia no mapa do concelho e com o avanço do projecto das Termas do Cró, que ficam ali ao lado, começámos a pensar em conceber um projecto de turismo rural apelativo, tirando partido daquelas e de outras potencialidades da região. Com base nas ideias que concebemos encomendámos a elaboração de um projecto arquitectónico, e avançámos depois com a construção, mantendo a traça arquitectónica das casas, mas garantindo-lhe as comodidades da vida moderna.
– E receberam apoios de outras entidades?
– Com vista a obtermos apoio financeiro, pois tratava-se de um investimento avultado e de um empreendimento com interesse para a região, submetemos uma candidatura ao Programa de Desenvolvimento Rural do Continente, o chamado PRODER, no âmbito da Medida 3.1 (Diversificação da Economia e Criação de Emprego) e da Acção 3.1.3 (Desenvolvimento de Actividades Turísticas e de Lazer), tendo esta candidatura sido aprovada para receber o financiamento correspondente.
– Por quanto tempo se porlongaram as obras?
– Depois da aprovação do projecto pelas diversas entidades e da obtenção da licença de construção, as obras prolongaram-se por dois anos. Não tínhamos pressa, mas houve necessidade de cumprir escrupulosamente as exigências por parte do PRODER, de acordo com legislação específica daquele programa. Mas o que esteve sempre em mente foi o querer construir um espaço inovador, e julgo que o conseguimos. Pelo menos tem sido este o feedback que temos recebido desde a entrada em funcionamento. Sentimos que temos clientes que vieram em função do encanto do espaço e em simultâneo descobriram um concelho com enorme potencial turístico que lhes era desconhecido.
– Foi arrojado investir na aldeia com maior taxa de envelhecimento do país, não acha?
– Essa fragilidade de Vale das Éguas pode ser vista de modo positivo, pois a aldeia oferece a tranquilidade e o sossego que muita gente procura quando opta por viajar para o espaço rural em detrimento das zonas balneares e dos espaços lúdicos no ambiente urbano. Saliente-se ainda o interesse da paisagem envolvente com a proximidade do rio, a
harmonia da rusticidade do conjunto das construções e localização geográfica privilegiada, dada a centralidade de Vale das Éguas para aqueles que querem fixar residência temporária num espaço e local, para daí partir à descoberta do vasto e diversificado património histórico–natural da região. Carya Tallaya beneficia das potencialidades da região, nomeadamente da contiguidade ao rio Côa e da magnífica praia fluvial de Vale das Éguas, das vizinhança das Termas do Cró, da proximidade e centralidade em relação às Aldeias Históricas, nomeadamente Sortelha, da Reserva Natural da Serra da Malcata, dos vários castelos e locais históricos da região e da própria Espanha que fica a dois passos.
– Apostaram, do ponto de vista comercial, em parcerias com outras entidades, de modo a aproveitarem essas potencialidades?
– O empreendimento foi inaugurado há poucas semanas, e estamos empenhados na sua divulgação, ao mesmo tempo que estabelecemos contactos com diversas entidades públicas e privadas, no sentido de juntarmos esforços e criar sinergias. Uma das principais apostas é em relação às Termas do Cró, tendo tido já contactos preliminares com a empresa municipal que gere as termas. Há ao mesmo tempo outras vias que vamos explorar, promoção/venda de artesanato ou produtos locais e regionais, colaboração com restaurantes, para divulgação da nossa gastronomia, colaboração com algumas empresas já estabelecidas no concelho na área dos desportos colectivos e/ou radicais e estamos receptivos a novos desafios para criar oportunidade de mais-valias para eventuais parcerias que possam vir a ser estabelecidas.
– Porquê Carya Tallaya?
– O nome Carya Tallaya, com ligeira adaptação, foi o topónimo adoptado por surgir em vários documentos históricos como sendo uma povoação antiga, fortificada num cabeço fronteiro ao rio Côa, do qual derivou Vale das Éguas. Ao atribuirmos este nome ao projecto pretendemos homenagear a história, uma vez que se trata de um projecto de «reconciliação» com o nosso passado, embora na ideia de valorizar o presente. O nome Carya Tallaya, estando associado, como disse, a uma antiga povoação fortificada, remete para as ideias de força, protecção, segurança e conforto. Por outro lado, adoptámos como logótipo o símbolo da flor dente-de-leão, que pela sua natureza e características consegue ser em simultâneo uma planta bela, sensível e coesa, uma das mais altruístas da natureza, cuja semente se propaga com o vento, desnudando-se para que sua beleza se estenda pela Mãe Natureza.
– Falemos agora no conceito arquitectónico das Casas, que mantêm a traça rústica exterior, mas cujo interior tem excelentes comodidades.
– Procurámos juntar o rústico ao contemporâneo para acolhermos as pessoas «em casa», garantindo-lhes um regresso às origens com o melhor conforto possível, podendo assim beneficiar de um merecido descanso e uma revigorante estadia. O projecto está voltado para quem procura paz e tranquilidade, e deseja quebrar a rotina das responsabilidades e compromissos sócio laborais, daí a importância que demos à comodidade no interior das habitações.
– Nota-se que houve ali mão sábia…
– Sim houve mão sábia, muito planeamento e criatividade em que se aliou o desejo e muito esforço de toda a família ao saber e conhecimento dos técnicos. Aproveito para enaltecer e destacar o grande empreendedor Fernando Proença, pelo facto de ser o grande promotor deste projecto, na medida em que só foi possível de concretizar, graças à sua vontade de realizar este investimento na aldeia à qual preside há mais de duas décadas, onde além de todo o significativo contributo para a causa comum, junta agora este investimento privado. Mas sim… o empreendimento teve na sua concepção e construção a colaboração de duas arquitectas, Bernadette Canelas (responsável de projecto) e Rute Póvoa Prazeres (arquitecta de interiores e decoração), ficando a execução da obra a cargo da Construções Aires & Irmão, Lda. A ideia foi inovar com uma criatividade ímpar para a região, dando uma personalidade própria aos interiores, primando pelo conforto e funcionalidade. Muito do mobiliário (roupeiros, camas, kitchenett`s) e muito do design de interiores (tectos falsos, casas de banho, iluminação, candeeiros) foram criados em exclusivo para Carya Tallaya, tendo em conta os propósitos do projecto, encantar e surpreender muito pela positiva e pela originalidade, os nossos hóspedes.
– Quantas casas ficaram disponíveis para alojamentos?
– Disponibilizamos quatro casas – três apartamentos T2 e um T1. Cada uma tem o seu encanto e a sua sedução, pelo contraste entre a traça tradicional do seu exterior e a decoração contemporânea e acolhedora do interior. Estão todas elas equipadas com lareira e aquecimento central, kitchenette em regime self-catering, apetrechada com todos os utensílios e demais equipamento, como frigorífico, micro-ondas, placa vitrocerâmica e máquina de lavar louça. Estão preparadas para uma lotação de 14 pessoas (sete quartos) com garantia de todo o conforto e comodidade. Poderá ser aumentada a lotação para mais 6 pessoas, em camas extra ou sofá cama, mantendo a comodidade. Apesar das áreas exteriores serem comuns, as casas são completamente independentes, o que garante uma privacidade absoluta. O exterior contempla uma horta biológica, jardim, piscina com tratamento de água sem recurso a químicos, ainda um espaço social, com alpendre, lareira para recepções e convívio entre os hóspedes.
– E servem refeições?
– Servimos pequenos-almoços em regime de self-catering. Os produtos regionais para esta refeição são deixados no frigorífico e o pão é colocado pela manhã à porta da casa. O espaço não dispõe de restaurante e não serve refeições, no entanto é possível encomendar com antecedência mínima de 24 horas. As refeições serão entregues nas próprias casas, sendo para isso disponibilizada uma lista de menus para escolha da ementa.
– Garantem portanto, a quem venha, um serviço de qualidade?
– Com toda a certeza. É nosso lema: Se algo não estiver do seu agrado, pedimos que nos comunique sem demora. Mas se gostou, não se incomode a dizer-nos, comente-o com um amigo. Em certos momentos, cumulativamente ao acolhimento, serão proporcionadas algumas outras actividades, como a apresentação/exposição de trabalhos artísticos das mais diversificadas áreas, que poderão variar da escultura, à pintura, ao artesanato, à musica, teatro, fotografia, etc. Actualmente e até ao final do verão está patente no espaço comum do empreendimento uma exposição de escultura do autor João José Oliveira, do Soito, digna de ser visitada. Aproveito para referir que estamos disponíveis para acolher trabalhos e realizar exposição de outros autores das mais diversas áreas artísticas.

Pode obter aqui e aqui mais e melhor informação acerca das Casas de Campo Carya Tallaya.
plb

António Martins, natural do Soito, é um dos promotores do empreendimento turístico no espaço rural, Casas de Campo Carya Tallaya, sito em Vale das Éguas, concelho do Sabugal, recentemente inaugurado e já em pleno funcionamento. Trata-se de um projecto concebido e executado pela família de Fernando Proença, em que todos (esposa, filhos, genros e netos) desempenharam o seu papel para criar um espaço de qualidade, que alia a ruralidade e a rudeza da construção tradicional ao charme e ao conforto das casas modernas, dando lugar a um autêntico paraíso que interessa descobrir. Estivemos à conversa com António Martins acerca deste projecto arrojado e inovador, que pretende potenciar o filão turístico na região.

(Clique nas imagens para ampliar.)

plb

Vamos comparar como era dantes numa e noutra destas nossas duas aldeias. Pelo olhar de dois padres (curas), proponho hoje um exercício comparativo. Podemos ficar a conhecer melhor as duas aldeias que cercam a Serra d’ Opa. Estamos em 1758. Trata-se da organização paralela das respostas que os dois padres deram aos serviços de Lisboa / Marquês de Pombal, através do «interrogatório» de um Padre chamado Luís Cardoso.

Primeira constatação: o Casteleiro era anexa de Sortelha, em termos religiosos, e dependia dessa sua então sede de concelho em termos civis; o Vale tinha autonomia religiosa. Mas havia cura (padre responsável) em ambas as freguesias.
Um apontamentozinho pessoal: gosto mais da caneta de aparo mais fino do Padre Olival: dá melhor leitura. Publicamos hoje nesta peça a 1ª página. Quanto às respostas do padre do Casteleiro, já publiquei uma no «Capeia» e podem ser consultadas no «Viver Casteleiro» – ver link aí em baixo.
Mas acho que aquele cura (Padre Olival) era mais analfabeto que o do Casteleiro. Escreve, por exemplo, que há «sento» e doze fogos no Vale (assim mesmo: sento). Mesmo para o século XVIII, é obra… O outro, o Padre Leal, escreve bem a palavra e diz que no Casteleiro há «cento e cinquenta e dois fogos».
Portanto, e já agora: o Casteleiro tinha mais gente. Mas o Vale é mais rico: ao cura, o Vale assegurava uma renda anual de 200 mil réis e o Casteleiro apenas 20. Coitado do Padre Leal… Custa-me aliás a crer tamanha disparidade de rendimentos. Pode haver aqui ou dualidade de critérios ou erro de um deles. Acho estranho.
Depois, verifique-se que ambas as terras «pertencem a El Rei». Não têm nem senhores nem donatários.

As duas aldeias
O Vale desse tempo é contornado pela sua ribeira, que vem de Santo Estêvão e vai para a Benquerença mas que só corre durante alguns meses no ano. Portanto, parece-me que o Vale também se deslocalizou um pouco, tal como a minha terra. Mas têm de ser as pessoas do Vale a confirmar essa alteração e a explicá-la, claro. Falando com os mais velhos, em geral obtêm-se pistas que levam a outras pistas… e tal… e as conclusões por vezes surgem.
O Casteleiro, confirmemos, ia até Cantargalo. Portanto, estendia-se pela ribeira (que pode ver na imagem). E só chegava a 30 passos da capela de São Francisco, onde hoje é o largo principal, à beira da actual estrada nacional.
Noto que o Padre Leal, do Casteleiro, não tem os seus paroquianos em grande conta. É que, perguntado pelos serviços de Lisboa «se há memória de que florescessem, ou dela saíssem, alguns homens insignes por virtudes, letras ou armas», o cura tem o desplante de se exprimir assim sobre os meus antepassados: «Nada por ser gente muito rústica e não se lembrarem de memória alguma».
Mas, pelos vistos, as pessoas, tanto do Casteleiro como do Vale, escrevem e lêem: ambas as terras se servem do correio de Penamacor – afirmam os dois curas.
As duas aldeias, como todos saberão, ficam uma de um lado e outra do outro de uma serra. Mas qual é o nome da serra? Para o Padre Olival (do Vale) é a Serra do Pa. Para o Padre Leal é a Serra d’ Opa. Vou pelo da minha terra: como já escrevi, foi assim que sempre ouvi chamar à serra.
No que eles também não se entendem totalmente é na caracterização do «temperamento» (clima, penso) da serra. Diz um, o do Vale, que é «quente e saudável». E diz o outro que «é frio mas saudável».
As duas terras são livres e pertencem a El Rei. Vê-se ao longo das perguntas a repetida preocupação sobre a existência de «senhores» e de «privilégios». E os padres sempre a darem a mesma resposta: «Nada». «É d’ El Rei». «As águas das ribeiras são livres».

Senhora da Póvoa e Santa Ana
Acho estranho que no relatório sobre o Casteleiro não haja uma letra sobre a Senhora da Póvoa. Mas, provavelmente, a Senhora da Póvoa não era ainda conhecida fora do Vale. Ao que li, isso só vai acontecer uns anos depois destes textos, lá mais para o fim do séc. XVIII (terá a imagem original realmente vindo à força da Póvoa, perto do Meimão?).
As romagens do Casteleiro eram efectuadas até meia encosta da Serra d’ Opa, à capela de Santa Ana. Quem ia a estas romagens a Santa Ana? «Somente os moradores do mesmo povo» do Casteleiro, diz o cura da terra.
Pelo contrário, as respostas do Padre Olival deixam claro que há muita devoção por ali: «Tem a Senhora da Póvoa muita gente em romaria em todo o decurso do ano e o maior concurso é na segunda e terça do Espírito Santo».
Duas constatações interessantes:
– primeiro: no Casteleiro, a capela de São Francisco (que à data ficava mesmo no limite da terra, repito) estava «sujeita» ao convento de Santo António, em Penamacor. Faço notar a propósito que, hoje, a maior festa anual é a de Santo António;
– segundo: ora, no Vale, a maior festa já era a da Sra. da Póvoa, mas há anotação de outra devoção: Santo Antão. Registo isso só para recordar que Santo Antão é o padroeiro de Sortelha – a maior festa anual da terra. Coincidência ou influência?

Economia farta para a época
Tenho escrito que havia muita actividade económica na minha terra. Agora acrescento que também no Vale. Leia:
Pergunta do Marquês:
Se tem moinhos, lagares de azeite, pisões, noras, ou outro algum engenho?
Respostas:
1. ValeTem esta ribeira de onde principia até à Benquerença quatro lagares de azeite e quatro moinhos.
2. CasteleiroTem dentro do limite desta freguesia esta ribeira sete moinhos e três lagares de azeite, dois pizoins e algum dia teve também um tinte, porém hoje se acha demolido.
Mas há algo em que o Padre Leal, do Casteleiro, falha. Quando lhe perguntam (como aliás ao do Vale) «se em algum tempo, ou no presente, se tirou ouro das suas areias», respondem ambos: «Nada».
Ora, a verdade é que 35 anos antes da data dos documentos destes padres, mais exactamente em 1723, houve uma tentativa de explorar ouro no Casteleiro. Pode ler isso aqui. E era obrigação do Padre Leal dizer isso ao poder central. O Marquês teria mandado abrir minas – e hoje o Casteleiro seria o El Dorado de Portugal!

Notas especiais sobre o Casteleiro
Permitam agora que me dedique um bocadinho só à minha terra. Para duas chamadas: uma sobre o que chamaria o mistério da Serra da Preza e outra sobre a Mitra e a Comenda, que levavam parte dos rendimentos da terra.
1º – Na serra da Preza, havia uma preza. Nada de mais. Mas antigamente (muito antes pois do século XVIII), alguém teria pensado em canalizar a água desse reservatório pois «queriam em tempo antigo levar essa água por canos onde chamam a Torre dos Namorados, distante dela quatro ou cinco léguas».
Este é como que um projecto antecessor do canal de regadio actualmente existente da Meimoa para Sul, para a Cova da Beira…
2º – O Padre Leal regista que aí para sul, nos limites da freguesia, lá para os lados do Escarigo, os rendimentos da terra são assim divididos: «tem a Mitra duas partes em todos os frutos e a Comenda uma». Mas lá para Gralhais, «das Portellas para baixo, tem a mitra duas partes e a Comenda uma, e das Portellas para cima terá a Comenda duas partes e a Mitra uma, em todos os frutos».
Leio na Wikipedia que «uma comenda é um benefício que antigamente era concedido a eclesiásticos» e que a Mitra é afinal também uma «dignidade ou jurisdição de um prelado eclesiástico».
Por fim, uma nota de humor do Padre do Casteleiro: acho que ele estava a gozar com o Terreiro do Paço quando escreveu que na terra há à beira da ribeira oliveiras e amieiros. Mas que os «amieiros, porém, não dão frutos»… Só pode estar a brincar com os lisboetas da altura e a chamar-lhes ignorantes. Deve ter sido uma pequena vingança, pois é sabido que os padres não queriam responder ao Marquês, o que só fizeram depois de ameaçados.

Se pretende aceder ao texto integral das respostas destes dois curas (o do Casteleiro e o do Vale de Lobo), clique aqui – portal para onde levei um cotejo de ambas.

Finalmente, uma nota de agradecimento: o texto sobre o Casteleiro foi trabalhado e disponibilizado por António Marques aqui e o do Vale por Américo Valente aqui (3º tema).
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

Música, teatro e muito humor vêm ao Grande Auditório do Teatro Municipal da Guarda (TMG) «Uma bizarra salada», com Bruno Nogueira, Luísa Cruz e a Orquestra Metropolitana de Lisboa.

Na próxima Sexta-feira, dia 13 de Julho, o TMG apresenta no Grande Auditório, às 21h30, o divertido espectáculo «Uma Bizarra Salada» que junta em palco o humorista e actor Bruno Nogueira, a actriz Luísa Cruz e a Orquestra Metropolitana de Lisboa, numa co-produção do Festival de Almada, Metropolitana e São Luiz Teatro Municipal. «Uma Bizarra Salada» é para maiores de 12 anos e tem a direcção musical de Cesário Costa, direcção e espaço cénico de Beatriz Batarda, desenho de luz de Nuno Meira.
Trata-se de um espectáculo com música, teatro e muito humor que reúne textos de Karl Valentim. O autor «aproveita a metáfora da orquestra – corpo social complexo, mais problemático do que parece quando visto de fora – para questionar o mundo e as suas perplexidades. Um concerto onde as palavras irrompem? Um espectáculo de teatro em que a personagem principal é uma orquestra? Um recital absurdo onde dois comediantes improváveis estilhaçam a ideia simples de construir um espectáculo didáctico? Ninguém sabe. É Uma Bizarra Salada!», refere José Luís Ferreira no texto de apresentação desta singular salada musical.
Os textos reunidos, «reflectem o período de crise financeira profunda vivida na Europa antes da Segunda Grande Guerra. Infelizmente, muito a propósito do momento que vivemos actualmente, surgiu-nos como uma oportunidade pertinente voltar a trazer Karl Valentin à cena e juntar a Orquestra Metropolitana ao teatro do absurdo através da participação de Bruno Nogueira e Luísa Cruz. O humor e a sátira adoptaram as formas mais diversas dependendo dos seus autores e épocas, podendo ser triste, solitário, poético, feérico, filosófico, critico, absurdo ou surrealista. Neste espectáculo vivem-se momentos absurdos e podemos reconhecer a frustração do boicote provocado pelos outros ou por nós próprios», explica por seu turno a encenadora, Beatriz Batarda.

Panelas e rodas de bicicleta no folk de Le Skeleton Band
No próximo sábado, dia 14 de Julho, o TMG apresenta no Café Concerto a banda francesa Le Skeleton Band. Um trio que se formou em 2007 e que viu o seu primeiro álbum – Blues Preacher -, editado nesse mesmo ano, ser aclamado pela crítica musical francesa. A banda trabalha sonoridades folk e blues sempre fazendo-se acompanhar de estranhos objectos musicais, como panelas e rodas de bicicleta, aos quais junta outros mais convencionais, como guitarras, trompete, banjo e percussão.
No final do ano de 2010 a banda resolveu que estava na altura de regressar a estúdio, e gravaram novo disco. Com o título de Bella Mascarade, o novo álbum de Le Skeleton Trio foi editado em Fevereiro. É este o trabalho que a banda francesa vem apresentar ao TMG.
O espectáculo tem início marcado para as 22h00 e tem entrada livre.

Exposição de Mário Cesariny
O TMG tem patente na Galeria de Arte a exposição «Visto a esta luz», do artista plástico português Mário Cesariny, por muitos considerado o expoente máximo do surrealismo na pintura em Portugal. Esta exposição ficará patente até 29 de Julho e é apresentada no âmbito de uma parceria com a Fundação Cupertino de Miranda. A fundação assumiu nos últimos anos de vida do artista plástico uma relação de grande proximidade e amizade. Nesta exposição procura dar-se uma visão global da sua obra no contexto da Colecção da Fundação Cupertino de Miranda. A exposição é comissariada por António Gonçalves.
A exposição pode ser visitada de terça à sexta das 16h às 19h e das 21h00 às 23h, aos sábados das 15h às 19h e das 21h00 às 23h e aos domingos das 15h às 19h. A entrada é livre.
plb (com TMG)

A Junta de Freguesia dos Fóios tem plena consciência de quão importante é o Turismo para o progresso e desenvolvimento desta nossa bonita zona raiana.

José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaO Turismo começa a ter uma enorme e significativa importância na economia local pelo que é absolutamente imperioso que saibamos acarinhá-lo e promove-lo.
Ontem, sábado, dia 7 de Julho, por volta das 21 horas chegaram à «La Plaza Mayor de Fóios» cerca de cinquenta cavaleiros com um ar triunfante por terem vencido as três horas de caminho desde Valverde del Fresno até aos Fóios.
Entretanto já haviam chegado, de automóvel, mais algumas pessoas de Valverde para se juntarem ao grupo no restaurante Eldorado onde haviam encarregado o jantar.
O Presidente da Associação dos Cavaleiros de Valverde abordou-me, na qualidade de Presidente da Junta, para me perguntar se poderiam guardar os cavalos no parque de lazer como aconteceu já muitas vezes. Respondi-lhe que havíamos procedido a significativos trabalhos de melhoramentos, para podermos receber as autocaravanas, tendo plantado um determinado número de árvores que poderiam ser destruídas pelos cavalos.
Depois de um breve diálogo autorizei a que colocassem os cavalos num determinado espaço do parque onde os bichos não provocassem quaisquer danos. Aí ficaram os cavalos até cerca da meia-noite altura em que os cavaleiros deixaram os Fóios rumo a Valverde.
Os elementos da Junta de Freguesia tendo plena consciência de que deveremos apoiar o Turismo, ao mais alto nível, decidimos iniciar, de imediato, os trabalhos numa sorte que possuímos no sítio do enchido, com um comprimento de oitenta metros por cinco de largura.
Vamos colocar, no sentido do comprimento, umas manjedouras onde serão colocadas umas argolas onde os cavalos serão atados.
Esta obra não estava programada nem orçamentada mas temos que avançar imediatamente com ela visto haver já mais passeios combinados e porque também gostaríamos de ter os trabalhos concluídos para que no dia da capeia dos Fóios – 21 de Agosto – alguns cavaleiros já aí poderem guardar os animais.
Os resultados destas acções estão a reflectir-se na economia local e regional pelo que deverão continuar a merecer as nossas melhores atenções.
Em Fóios os efeitos do turismo são já uma realidade mas temos plena consciência de que ainda estamos a dar os primeiros passos. Temos um longo caminho a percorrer mas, na verdade, a caminhada já começou e adivinha-se longa mas altamente profícua.
Algumas razões para nos visitarem:
– Uma serra, das mesas, com motivos ímpares – 1256m de altitude;
– Vistas deslumbrantes quer para a parte de Portugal quer para a parte de España:
– Aspectos graníticos encantadores;
– Possuímos quarenta camas no edifício da antiga escola primária – vinte em cada sala;
– Balneários com oito chuveiros;
– Excelente gastronomia – já sobejamente conhecida e apreciada;
– Auditório com oitenta lugares para as mais variadas acções;
– Museu «Portas do Côa»;
– Parque de lazer com apoio para autocaravanas;
– Praia fluvial.
Muitos outros aspectos haveria a referir mas o mais importante é fazer-nos mesmo uma visita.
Recebemos sempre de braços abertos.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto às Batocas, anexa da freguesia raiana de Aldeia da Ribeira. No próximo domingo será editado o poema relativo à anexa Escabralhado, outra terra do nordeste do concelho.

BATOCAS

Batocas, Almedilha, passo e meio
A raia aqui é traço de união
Mil vezes eu passei-a sem receio
Falar também o charro a condição

Não há mundos além outro rincão
Em que se fale assim meio por meio
O nosso idioma e o alheio
Como eu senti na minha criação

Do lado espanhol nada difere
Que em cada duas frases que profere
O bom alamedilho uma é nossa

Assim se construiu uma irmandade
Indemne a qualquer contrariedade
Que o tempo não corrói antes engrossa

«Poetando», Manuel Leal Freire

Damos continuidade à apresentação do léxico com as palavras e expressões populares usadas na raia ribacudana.

ALOFADA – travesseira; almofada (Clarinda Azevedo Maia – Fóios).
ALOISA – pequena borboleta.
ALOMBAR – carregar às costas, sobre o lombo. Alombou com o carrego.
ALPARGATA – calçado leve, de goma e lona, comprado em Espanha e muito usado pelas mulheres. Também se diz alpergata. Franklim Costa Braga, de Quadrazais, escreve alpragata. Maria José Ricárdio Costa, de Aldeia do Bispo, recolheu alpercata. Nalgumas terras chamam-lhe simplesmente sapata.
ALPENDRADA – parte do curral coberta pelo alpendre, onde se guardam utensílios da lavoura, lenha e palha. Também se chama cabanal.
ALPENDRE – telheiro.
ALPERCATAR – ter cuidado; acautelar.
ALPISTE – arroz – termo jocoso e depreciativo (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia da Ponte).
ALPONDRAS – pedras que permitem atravessar a passo uma ribeira; o m. q. poldras.
ALQUEIRE – caixa rectangular de madeira, com um dos lados inclinado, utilizada para medir cereais. Medida de 16 litros (na generalidade do concelho do Sabugal). À semelhança do almude, a medida do alqueire varia de terra para terra – por exemplo, em Pêga equivale a 14 litros. Clarinda Azevedo Maia registou alquêre.
ALQUEIVAR – lavrar a terra para a deixar de pousio. O m. q. abarbeitar.
ALQUERNOQUE – sobreiro (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia do Bispo). Também se diz alcornoque.
ALQUEVE – terra alta lavrada, preparada para receber semente. Os dicionários registam alqueive.
ALQUITARRA – alambique portátil; caldeira para fazer aguardente. É composto pela caldeira (onde se coloca o engaço), o capitel (que recebe o vapor vindo da caldeira), o tubo (onde o vapor se liquefaz) e refrigerante (vasilha onde cai a aguardente). Leopoldo Lourenço regista alguitarra.
ALQUITÃO – banco de madeira onde as mulheres se ajoelhavam para lavar a roupa (Soito).
ALQUITREQUE – indivíduo muito mexido; um leva e traz (Rebolosa). Pessoa reles e de pouca importância (Duardo Neves). O m. q. alquitaque (Rapoula do Côa).
ALROTAR – arrotar.
ALROTE – arroto.
ALTANAR – casar – termo da gíria de Quadrazais (Nuno de Montemor).
ALTAR – peito com seios volumosos (Júlio António Borges) – expressão jocosa.
ALTO – carro ligeiro; automóvel (Clarinda Azevedo Maia – Batocas).
ALUADO – lunático; parvo, doidivanas. A um afluente do Côa, que desagua no Sabugal, vindo da Urgueira, chamam ribeiro dos Aluados.
ALUGAR – acomodar uma besta, para nela facilmente montar (Francisco Vaz).
ALUMIAR – iluminar; dar luz. No norte (zona de Lamego) chamam alumios aos relâmpagos que vêm com as trovoadas.
ALUMIEIRA – tocha de palha (de alumiar – dar luz). Com a alumieira se alumiava nas noites escuras e se chamuscavam os porcos na matança.
ALVANAR – aqueduto de pedra por onde escorre a água, nos campos. «Saiu dali e foi refrescar o rosto ao alvanar» (Carlos Guerra Vicente). Mais a sul, em Monsanto, diz-se alvanel (Maria Leonor Buescu).
ALVANDIEIRA – pessoa que anda sempre a passear, que não para quieta (Júlio António Borges).
ALVEDRIO – livre arbítrio; vontade que não encontra constrangimento (Júlio Silva Marques).
ALVEITAR – veterinário amador; curandeiro de animais. José Prata também refere alvitar. Em geral era o ferreiro que nas aldeias exercia também a função de alveitar, por contraposição ao barbeiro, que curava as pessoas.
ALVÉOLA – ave pequena, de cauda comprida, que acompanha os lavradores nas aradas à cata de insectos na terra revolvida, a que também se chamam lavadeira. Também se diz arvéola.Maia para sul, nas chamadas Terras do Campo chamam-lhe lavradeira e lambrandeira (Maria Leonor Buescu).
ALVER – desafogado; espaçoso. «Casa alver» (Júlio Silva Marques).
ALVORÁRIO – doidivanas; maluco (José Prata).
ALVORADA – descarga de foguetes lançada pela manhã nos dias festivos. Segundo José Prata, raramente se excedem as cinco dúzias de foguetes. Também se chama alvorada ao rufo do tambor em dia de festa: «O povo acompanha o batalhão nos vivas e aclamações e o tambor toca uma alvorada» (Joaquim Manual Correia).
(Continua…)
Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

leitaobatista@gmail.com

JOAQUIM SAPINHO

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Em exibição nos cinemas UCI

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