Um tema sempre quente querido leitor(a), falar de política e de políticos no actual momento histórico que atravessamos é sinónimo de incompetência, corrupção e de toda a espécie de malfeitorias, mas nem sempre foi assim, há honrosas excepções, e um dia a política porá fim a todo este estado de coisas.

António EmidioDe onde veio esta animosidade em relação á política e aos políticos? A principal causa vem de uma ideologia, o Neoliberalismo, este conseguiu desqualificar a política e os políticos tanto nos Estados Unidos como na Europa. Ronald Reagan, político ultraliberal tem esta frase no dia da sua tomada de posse como 40º Presidente dos Estados Unidos: «O governo não é a solução para os nossos problemas, o governo é o problema». Os governos são formados por políticos, nos governos faz-se política, com esta frase criticou a política e os políticos. E que políticos criticou? Criticou os homens que defendiam o sentido nobre da política, os homens que respeitavam a Democracia e a Liberdade, os homens que respeitavam os anseios populares. O eco dessa crítica chega à Europa, Margaret Thatcher, uma outra ultraliberal, usa o mesmo discurso. É a partir daí, deste homem nos Estados Unidos e desta mulher na Europa que o poder económico se sobrepõe ao poder político. Aqui também cabem dois homens que contribuíram para este novo tipo de «fazer política», Tony Blair e Gerard Schroder, com a agravante de um ser Trabalhista e o outro Social Democrata. Esta mudança de valores afasta, como não podia deixar de ser, quem na política tinha e tem ideais, ideias e coerência nas opiniões, ou seja, os que sabiam e sabem fazer política.
Com a saída desses homens e mulheres, quem entrou em cena? A mediocridade, aqueles homens e mulheres que aceitaram submeter-se ao poder económico e às suas leis, o mesmo é dizer, à ausência de normas, à desregulação. Tornaram-se uns lacaios do poder económico. Os grandes homens políticos sempre conseguiram o equilíbrio no eterno conflito entre o poder político e o poder económico, só assim os Estados Unidos e a Europa conseguiram todas as suas grandes conquistas sociais e económicas, a chamada «sociedade de bem-estar».
Ao que assistimos agora querido leitor(a) com a maior parte dos homens e mulheres que brincam à política? A esses títeres da poderosa oligarquia? A coisas como estas: «Que se jodan!», frase lançada por uma deputada espanhola no seu Parlamento, referindo-se aos desempregados, com deputados aplaudir freneticamente o seu chefe de governo quando este diz que é preciso mais desemprego! Mais cortes nos salários e pensões! Que é preciso destruir o Serviço nacional de Saúde! Que gozo dá a essa gente aplaudir isto? Só por sadismo… Que gente é esta que passados meia dúzia de anos no governo consegue ter dinheiro suficiente para poder viver faustosamente em Paris e estudar numa das suas grandes Universidades? Gente que quando entrou para a política pertencia a uma normal classe média? Que gente é esta que se humilha perante a Alemanha preferindo viver de joelhos do que morrer de pé? A esses governantes tenho a dizer-lhes que alguém de joelhos é sempre alguém baixo e vulnerável, e que passado algum tempo, precisamente porque quando tinha de estar de pé não soube estar, é desprezado por aqueles que num dado momento serviu em excesso.
Eu sei que a crise económica não foi obra de políticos, mas sei que a permitiram, porque como atrás disse, romperam o equilíbrio entre o poder político e o poder económico, permitindo que este último se apoderasse do poder. Uma coisa também eu sei, esta crise de valores, esta crise política e económica vai ser resolvida por políticos, não o será é pelos actuais que nos governam, será por homens e mulheres possuidores de valores, mas que presentemente estão marginalizados porque a sua postura ética não interessa ao poder económico.
Os povos europeus estão a revoltar-se, não querem aceitar a hegemonia das elites económicas e dos políticos seus cúmplices.

Querido leitor(a), esta «fornada de políticos» é um exemplo flagrante de uma sociedade doente onde impera a ignorância e a mediocridade.
Alguns homens e mulheres que nos governam têm como lema o seguinte: um político pobre é um pobre político! Isto não é ridicularizar ninguém, é uma triste realidade.

«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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