A Câmara Municipal do Sabugal decidiu ontem, 18 de Junho, adiar para a próxima reunião a votação da destituição do Conselho de Administração da empresa municipal Sabugal+.

Na sequência da rejeição das contas de 2011 da empresa municipal, o executivo decidiu responsabilizar o actual Conselho de Administração pelos resultados financeiros obtidos e «a sua consequente e imediata destituição». Tal decisão foi tomada na reunião de 20 de Junho, com os votos dos vereadores da oposição. Porém o presidente António Robalo considerou que a votação foi irregular, uma vez que, tratando-se de destituir pessoas que ocupam cargos, a mesma tem que ser tomada por voto secreto, o que não foi o caso. Nestes termos, o conselho de administração, composto pelos vereadores Delfina Leal e Ernesto Cunha e por Amândio Pires, manteve-se em funções.
Estava prevista para ontem, 18 de Julho, a tomada de uma decisão definitiva, mas a ausência do presidente António Robalo gerou uma discussão acerca da existência de quórum, já que, dados os impedimentos dos vereadores ligados à empresa, apenas ficariam na reunião três vereadores, a saber, Sandra Fortuna e Francisco Vaz, do PS, e Joaquim Ricardo, independente eleito pelo MPT. Face à situação, o assunto ficou adiado para a próxima reunião, mantendo-se assim a empresa com órgãos directivos por mais uns dias.
Este será o quarto conselho de administração a cair neste mandato autárquico, numa empresa que passa por imensas dificuldades a nível funcional e financeiro.

A actividade da Sabugal+
A empresa municipal Sabugal+ foi constituída em 2004, quando a presidência do município era ocupada por António Morgado, com o capital social de 50 mil euros, ficando com personalidade jurídica própria e dotada de autonomia administrativa e patrimonial.
A empresa tem como objecto principal a realização de eventos e a gestão e dinamização dos equipamentos e estruturas culturais, desportivas, turísticas e ambientais. Na prática, a Sabugal + gere as piscinas, o pavilhão gimnodesportivo, o centro de negócios do Soito, o museu, os postos de turismo e os terrenos camarários da colónia agrícola Martim Rei.
Em 2007 o objecto foi formal e legalmente alargado, de modo a tomar conta de parques de campismo, parques termais e parques temáticos. Estava em curso uma nova fase para a empresa, com vista a servir de charneira para projectos como o do parque de campismo do Sabugal, da exploração das termas do Cró e do futuro parque temático (promessa apresentada na última campanha eleitoral).
A ideia de fazer a gestão do futuro Parque de Campismo deu mesmo azo a outra empresa municipal, a Côa Camping, participada em 49% do capital, tendo em vista planear e construir o parque, cujo projecto entretanto foi suspenso, dada a desistência dos parceiros privados.
A Sabugal+ cresceu em competências e em actividades, sendo cada vez mais os equipamentos e os eventos que tem de gerir. Porém este ano, dada a sua periclitante situação financeira os eventos previstos no plano de actividades vêm sendo assumidos pela Câmara.
O crescimento da empresa vê-se também no número de funcionários, que são actualmente 39, sendo 22 efectivos.
No ano de 2011 a empresa teve um gasto superior a 1,8 milhões de euros, sendo que metade desse valor foi suportado pela Câmara Municipal através de transferências correntes e de capital.
plb

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