Chegado à Pousada, tenho um recado: o organizador do passeio daquele dia convidava-me , a troco de 100 reais (40 euros) no dia seguinte à mesma hora, visitar a cidade Presidente Figueiredo, 120 kms a norte de Manaus, na Estrada Nacional (BR no Brasil) que vai em direcção a Caracas, Venezuela. Claro que aceitei, estava ali para a aventura…

José Jorge CameiraA viagem foi num ónibus luxuoso (autocarro) pelo interior da verdadeira floresta amazónica, a norte. Que força senti naquela violência de verde, naquele infindável mar de arvoredo bem alto, lutando entre si para obter a maior quantidade possível de raios solares!
Chegado a Presidente Figueiredo diversas surpresas me esperavam.
Foi anunciado o almoço num determinado restaurante onde havia como ementa (cardápio no Brasil) comida à discrição, havendo carne de boi assada na brasa e sardinhas assadas em óleo, portanto fritas. Assadas, dizem eles…
Sardinhas, aqui nesta lonjura? Vou já atacar!
Eram sardinhas sim, mas outras… de água doce, sabor bom mas totalmente diferente das sardinhas portuguesas. Que não, as verdadeiras são aquelas, disseram-me! O que é certo toda a gente preferiu comer sardinhas (com arroz de feijão preto) a comer carne de boi assado.
Vi toda a gente do passeio comendo à farta: sardinhas, picanha, carne de sol (carne dessalgada antes de cozinhar), picanha, saladas, frutas diversas…
O que vou contar é surpreendente, eu vi com os meus olhos: toda aquela gente que comeu «à la gardère» e durante mais de uma hora… de seguida foram todos mergulhar num pêgo das tais águas negras e que havia ali ao lado de um rio. Mergulharam várias vezes e ficaram horas a fio dentro de água!! Chamaram-me para entrar na água, recusei obviamente, invocando o receio de congestão. Riram-se todos:
– Isso é mania de europeu, não mata, não…
Fiquei quedo e mudo e o que é certo todos regressaram a Manaus vivos, sem congestões das tais que pelos visto só existem na Europa!
Enquanto o grupo se refastelava dentro de água com a barriga cheia , fui pesquisar o ambiente.
Outras surpresas! Na outra margem do rio, vi diversas mulheres baixar as cuecas (calcinha no Brasil) e com o rabo virado para cá faziam as suas necessidades para dentro do rio… como a água corre rápida, a respectiva limpeza era automática… havia crianças e muitas outras pessoas, ninguém ligava nem olhavam, só eu, o gringo portuga olhou…
Esse rio é de águas velozes. A água corre em plano inclinado acentuado. Vi com os meus olhos esbugalhados muitos rapazolas fazerem surf sobre a água, de pé ou sentados, sem prancha, apenas com o corpo estendido de costas!
Podem crer – no regresso, dentro do ónibus, ainda se riram de mim, porque não fui tomar banho depois do almoço… caprichos de europeu, dizia um, riam-se todos – troçando sem ofender o gringo-portuga!
(A aventura na Amazónia continua na próxima crónica)

José Jorge Cameira

«Estórias de um filho de Vale de Lobo e da Moita»
mailto:jjorgepaxjulia4@hotmail.com

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