Quando a fraude socrática, sobre a sua licenciatura em engenharia, tendia a dissipar-se, eis que nova nuvem recai sobre um governante. Através de uma engenharia bem urdida, licencia-se num ano. Nem Bolonha quer ir tão longe!

Acresce que esta licenciatura é assente na legalidade, o Conselho Científico da universidade (privada) reconheceu equivalência às disciplinas apresentadas pelo requerente. A minha pergunta é, mas quais disciplinas? Se o requerente só andou um ano numa universidade? Ah! E o currículo profissional? Pois, deputado e ocupou uma secretaria ou subsecretaria de estado ligada ao poder local. Brilhante. E neste imbróglio, mais uma vez, está metido o ministro Miguel Relvas. Afirma, agora, que foi «um lapso». E vem esta gente pregar e apregoar o mérito, a excelência, o trabalho!
E tudo isto amplamente divulgado, provado e, contudo, o sr. Ministro não se demite e continua a pavonear-se por aí, imaculado. Haja vergonha! Era importante que houvesse da parte dos políticos princípios éticos e de conduta. Porque senão, não terão autoridade moral para se dirigirem ao povo, que tanto gostam dizer que representam. E vem-me à memória uma frase que diz, «antigamente os cartazes nas ruas, com rostos de criminosos, ofereciam recompensas, hoje, pedem votos». O povo está farto de tretas!
E, por falar em tretas, não posso deixar de olhar para o Bloco de Esquerda e Os Verdes, como uma grande treta. Estes partidos levaram esta semana à Assembleia da República uma proposta de lei que, lá no fundo, procura proibir as corridas de toiros. Argumentando que, pretende-se que a televisão transmita as touradas fora de horas, porque é um espectáculo com violência. E então os filmes? E as telenovelas? E o telejornal? E as sessões da Assembleia da República? Os argumentos são tão simplistas e fracos que, se não fosse um assunto sério, dava para rir. Esta gente não sabe que as corridas de toiros são parte integrante da cultura portuguesa? Que é património? Que faz parte da identidade de uma grande mancha do território e da população portuguesa? Porque sabemos que os mesmos são extremistas defensores da cultura dos toiros quando se candidatam e fazem campanha nos concelhos em que esta tradição existe, mas são contra, quando entram na Assembleia da República. Vá lá entender-se esta gente! E nem vale a pena explicar os aspectos técnicos e estéticos, mas vale a pena reflectir que, para além desses aspectos, existe toda uma actividade económica a ela associada. E que mais não fosse, o seu fim, significava o colapso de toda uma indústria, com os custos que daí adviriam.
Mas não vejo estes movimentos excitarem-se contra a construção desenfreada em zonas verdes e protegidas. Contra a destruição de património natural. Não os vejo apresentar leis que protejam e rentabilizem os recursos naturais de Portugal. Só os vejo, sempre, em grande algazarra contra as corridas de toiros. Lamento que estes movimentos apresentem leis com essências fascizantes, em vez de apelarem à pluralidade cultural e ao respeito da liberdade do outro. Acreditemos que seja por ignorância. Ou talvez um lapso?!

P.S. Foi descoberta (ou acredita-se) uma nova partícula que pode ser o bosão de Higgs, também conhecida por «partícula de deus». É uma descoberta fenomenal! A explicação de como se formou o universo fica mais perto.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

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