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A Paróquia da Bismula, foi durante o século passado um grande alfobre, um viveiro de vocações sacerdotais, missionárias e religiosas. Desse grande número, o Bismulense Padre Manuel Joaquim Martins, celebra meio século da ordenação presbiteral, e que aconteceu na cidade de Trancoso, em Agosto de 1962.

O atual Pároco da Bismula, Padre Hélder Lopes, com o seu dinamismo e juventude, criou uma comissão organizadora de Ação de Graças, pelos cinquenta anos de vida sacerdotal do Padre Manuel Martins. Constituiu uma comissão muito abrangente, que é coordenada pelo Padre Hélder Lopes, como é óbvio, por José Augusto Vaz, na qualidade de Presidente da Junta de Freguesia da Bismula e Provedor da Santa Casa da Misericórdia; António Salgueira irmão e Rita Martins Pinheiro, sobrinha, em representação da família, António Alves Fernandes, em representação das Paróquias do Arciprestado do Fundão e de Emília Bordalo, em representação das Paróquias do Arciprestado de Trancoso.
Este evento realiza-se no dia 25 de Agosto, Sábado, pelas 16H00, na Igreja Paroquial da Bismula, com uma Eucaristia presidida por D. Manuel Felício, Bispo da Diocese da Guarda.
No final da Eucaristia será servido um lanche-convívio, nas instalações da Junta de Freguesia.
A presença nesta cerimónia religiosa que se pretende simples, é uma prova de amizade, de reconhecimento e agradecimento, por uma longa e profícua missão sacerdotal, que começou por coadjutor na Sé da Guarda, pelas Paróquias de Carnicães, Vilares, Freches, Vila Franca das Naves, Vale Mouro, Frechão, Feital, Garcia Joanes e Póvoa do Concelho, Tamanhos, do Arciprestado de Trancoso, das Paróquias de Aldeia de Joanes e Aldeia Nova do Cabo do concelho do Fundão, Professor de Religião e Moral no Fundão, em Trancoso e Celorico da Beira, Vila Franca das Naves; de Assistente Religioso do Agrupamento 120 dos Escuteiros do Fundão e um dos primeiros impulsionadores dos Convívios Fraternos no Fundão.
Por motivos de doença, fez um “ estágio obrigatório,” no Sanatório da Guarda, de assistente religioso junto dos seus companheiros doentes durante vinte e dois meses. Só o doente compreende melhor o outro doente, que partilham dores, tristezas, ansiedades e preocupações. Dizia-me há dias que foi o local que contribui muito para a sua realização como padre, companheiro do homem.
Procurou dentro das condições humanas que cada um de nós transporta, ser sinal de Deus no meio dos homens, ser profeta de uma Igreja que é comunidade, anunciou a Boa Nova a todos os cristãos a si confiados.
Qualquer informação e esclarecimento contate a Comissão Organizadora de Ação de Graças:
Padre Hélder Lopes – Telemóvel 966549561
José Augusto Vaz – Telemóvel 927964754
António Salgueira – Telemóvel 271607233
Rita Martins Pinheiro – Telemóvel 919233491/275772627
Emília Bordalo – Telemóvel 961868020
António Alves Fernandes – Telemóvel 962820107/275752726

Deu-se conhecimento do programa e contatos para que com toda a dignidade e fraternidade, agradecemos a Deus os cinquenta anos de sacerdócio do Padre Manuel Joaquim Martins.
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes

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O secretário-geral do Partido Socialista vai estar em Penamacor, a sua terra natal, no dia 5 de Agosto (domingo), para apresentar o livro «As Estranhas e fantásticas histórias de Jolon», que reúne textos de Jolon, o correspondente do Jornal do Fundão naquele concelho.

Segundo noticia a agência Lusa, José Lopes Nunes (Jolon) nasceu na freguesia de Aranhas, Penamacor, a 29 de Setembro de 1943, e foi chefe de redacção do jornal A Verdade de Penamacor, do qual António José Seguro era director.
O livro das edições A23 percorre, ao longo de 300 páginas, os últimos 40 anos da vida do concelho do distrito de Castelo Branco, destacando tradições, profissões em vias de extinção e «histórias fantásticas de velhotes que povoam a paisagem humana da raia», refere a editora em comunicado.
O livro será apresentado às 18h30 por António José Seguro e o director do Jornal do Fundão Fernando Paulouro Neves, no auditório da pólo da Academia de Música e Dança de Penamacor, no antigo quartel militar da vila.
plb

Um tema sempre quente querido leitor(a), falar de política e de políticos no actual momento histórico que atravessamos é sinónimo de incompetência, corrupção e de toda a espécie de malfeitorias, mas nem sempre foi assim, há honrosas excepções, e um dia a política porá fim a todo este estado de coisas.

António EmidioDe onde veio esta animosidade em relação á política e aos políticos? A principal causa vem de uma ideologia, o Neoliberalismo, este conseguiu desqualificar a política e os políticos tanto nos Estados Unidos como na Europa. Ronald Reagan, político ultraliberal tem esta frase no dia da sua tomada de posse como 40º Presidente dos Estados Unidos: «O governo não é a solução para os nossos problemas, o governo é o problema». Os governos são formados por políticos, nos governos faz-se política, com esta frase criticou a política e os políticos. E que políticos criticou? Criticou os homens que defendiam o sentido nobre da política, os homens que respeitavam a Democracia e a Liberdade, os homens que respeitavam os anseios populares. O eco dessa crítica chega à Europa, Margaret Thatcher, uma outra ultraliberal, usa o mesmo discurso. É a partir daí, deste homem nos Estados Unidos e desta mulher na Europa que o poder económico se sobrepõe ao poder político. Aqui também cabem dois homens que contribuíram para este novo tipo de «fazer política», Tony Blair e Gerard Schroder, com a agravante de um ser Trabalhista e o outro Social Democrata. Esta mudança de valores afasta, como não podia deixar de ser, quem na política tinha e tem ideais, ideias e coerência nas opiniões, ou seja, os que sabiam e sabem fazer política.
Com a saída desses homens e mulheres, quem entrou em cena? A mediocridade, aqueles homens e mulheres que aceitaram submeter-se ao poder económico e às suas leis, o mesmo é dizer, à ausência de normas, à desregulação. Tornaram-se uns lacaios do poder económico. Os grandes homens políticos sempre conseguiram o equilíbrio no eterno conflito entre o poder político e o poder económico, só assim os Estados Unidos e a Europa conseguiram todas as suas grandes conquistas sociais e económicas, a chamada «sociedade de bem-estar».
Ao que assistimos agora querido leitor(a) com a maior parte dos homens e mulheres que brincam à política? A esses títeres da poderosa oligarquia? A coisas como estas: «Que se jodan!», frase lançada por uma deputada espanhola no seu Parlamento, referindo-se aos desempregados, com deputados aplaudir freneticamente o seu chefe de governo quando este diz que é preciso mais desemprego! Mais cortes nos salários e pensões! Que é preciso destruir o Serviço nacional de Saúde! Que gozo dá a essa gente aplaudir isto? Só por sadismo… Que gente é esta que passados meia dúzia de anos no governo consegue ter dinheiro suficiente para poder viver faustosamente em Paris e estudar numa das suas grandes Universidades? Gente que quando entrou para a política pertencia a uma normal classe média? Que gente é esta que se humilha perante a Alemanha preferindo viver de joelhos do que morrer de pé? A esses governantes tenho a dizer-lhes que alguém de joelhos é sempre alguém baixo e vulnerável, e que passado algum tempo, precisamente porque quando tinha de estar de pé não soube estar, é desprezado por aqueles que num dado momento serviu em excesso.
Eu sei que a crise económica não foi obra de políticos, mas sei que a permitiram, porque como atrás disse, romperam o equilíbrio entre o poder político e o poder económico, permitindo que este último se apoderasse do poder. Uma coisa também eu sei, esta crise de valores, esta crise política e económica vai ser resolvida por políticos, não o será é pelos actuais que nos governam, será por homens e mulheres possuidores de valores, mas que presentemente estão marginalizados porque a sua postura ética não interessa ao poder económico.
Os povos europeus estão a revoltar-se, não querem aceitar a hegemonia das elites económicas e dos políticos seus cúmplices.

Querido leitor(a), esta «fornada de políticos» é um exemplo flagrante de uma sociedade doente onde impera a ignorância e a mediocridade.
Alguns homens e mulheres que nos governam têm como lema o seguinte: um político pobre é um pobre político! Isto não é ridicularizar ninguém, é uma triste realidade.

«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Segundo o comunicado semanal do Comando Territorial da Guarda da GNR, aquela força de segurança efectuou na semana transacta 37 detenções em flagrante delito. Sete das detenções tiveram por motivo o crime de condução sob o efeito do álcool, nove por posse ilegal de armas, seis por furto de metais não preciosos, quatro por resistência e coação sobre militares da GNR, três por tráfico de estupefacientes, três por dano, duas por condução sem habilitação legal, duas por desobediência e uma por caça ilegal.

Guarda Nacional RepublicanaNo dia 29 de Julho agentes do Posto Territorial do Sabugal detiveram um homem de 52 anos de idade, residente neste concelho, por crime de resistência e coacção sobre agentes de autoridade. A detenção ocorreu quando os militares foram chamados a uma ocorrência de violência doméstica, tendo o agressor difamado e injuriado os agentes de autoridade.
O comunicado refere ainda que, no mesmo dia, foram detidos em Vila Nova de Foz Côa dois homens de nacionalidade estrangeira, de 24 e 39 anos de idade, por crime de furto de metais não preciosos. A denúncia do furto foi comunicada pelo telefone, o que fez com que a GNR actua-se de imediato, tendo surpreendido os suspeitos a carregar ferro das instalações do Ecoponto daquela localidade para um veículo ligeiro de mercadorias.
Na tarde de 26 de Julho foram detidos nas Freixedas, concelho de Pinhel, três indivíduos de 30, 40 e 47 anos de idade, residentes em Sátão, também por crime de furto de metais não preciosos. As detenções aconteceram quando os guardas da GNR executavam um patrulhamento, altura em que surpreenderam os suspeitos a carregar numa viatura objectos de ferro e alumínio, bem como electrodomésticos, utensílios e ferramentas.
Em 25 de Julho foram detidos em Seia um homem e uma mulher, de 45 e 30 anos de idade, respectivamente, ambos residentes naquela localidade, por crime de resistência e coação sobre militares da Guarda Nacional Republicana. A detenção do homem ocorreu na sequência de distúrbios com dois cavalos na via pública, junto a um bar numa das artérias da cidade. O mesmo não acatou as ordens dos agentes da autoridade, insistindo e instigando outros indivíduos a montar os solípedes ao mesmo tempo que injuriava e difamava os militares. A detenção da mulher ocorreu na sequência de uma queixa apresentada por furto de um computador numa residência, começando esta a impor aos militares as diligências que estes teriam de fazer e, sem que nada o fizesse prever, a mesma começou a difamar e injuriar os agentes partindo mesmo para a agressão física, desferindo-lhes murros e pontapés.
No mesmo dia 25 de Julho, foi detido em Vila Nova de Foz Côa um homem de 39 anos, ali residente, por crime de resistência e coação sobre militares da GNR, na sequência de uma situação de violência doméstica. O suspeito foi detido após agressões infligidas com um pau à mulher e aos filhos menores, tendo ainda tentado agredir os militares que difamou e injuriou.
Nos dias 25 e 29 de Julho, foram detidos dois homens, de 52 e 23 anos de idade, respetivamente, residentes no concelho da Mêda, por crime de posse ilegal de arma. A detenção de um dos suspeitos aconteceu quando este ameaçava na via pública várias pessoas com uma pistola, que lhe foi apreendida, tendo-se posteriormente verificado que se encontrava descarregada. A detenção do outro individuo, de 23 anos, ocorreu no decurso de uma fiscalização de trânsito, que culminou na apreensão de um bastão extensível, arma proibida por lei.
Na madrugada do dia 25 de Julho foram detidos em Vila Nova de Foz Côa três jovens, de 19, 23 e 31 anos de idade, todos de nacionalidade espanhola, residentes em Madrid, por crime de dano em comboio na Linha do Douro. Os suspeitos foram surpreendidos pelos militares quando faziam «grafitis» nas composições de um comboio que se encontrava na Estação da CP do Pocinho, tendo-lhes sido apreendido diverso material de pintura, nomeadamente, 28 latas de spray.
Ainda no Pocinho, foi detido no dia 29 de Julho um indivíduo de 40 anos, desempregado, residente em São Pedro da Cova (Gondomar), por crime de caça de espécies não cinegéticas. A acção da GNR aconteceu após uma denúncia, vindo o suspeito a ser detido já no interior do comboio na Estação do Pocinho. O detido tinha na sua posse nove pintassilgos, que lhe foram apreendidos. Oito das aves haviam sido capturadas na zona de Figueira de Castelo Rodrigo, conjuntamente com outro indivíduo residente naquela localidade. O detido, que confessou a autoria dos factos, utilizou como chamariz uma ave da mesma espécie, que já tinha em cativeiro.
Os pintassilgos capturados foram restituídos à liberdade e o que se encontrava em cativeiro foi entregue ao CERVAS da cidade de Gouveia.
plb

Mais uma abertura que havia em muitas casas do Casteleiro. O alçapão. Nas casas com dois pisos, por vezes lá estava um caminho abreviado entre um piso e o outro. Para que era o misterioso «buraco» e a escada anexa?

Hoje vai para si um texto mínimo. É sobre uma peça bem especial das casas de muitas famílias na minha terra. Hoje já poucos haverá a funcionar. Mas há cinquenta anos…
Este escrito é produzido e enviado a pedido.
Quando, em roda de amigos beirões contava em síntese a história do «postigo» (que alguém logo emendou para «bestigo», forma bem mais genuína – como já aditei em comentário), houve quem dissesse logo:
– Então e os alçapões?
Aí, senti-me como que apanhado em falta.
O alçapão era fundamental nas casas em que existia.
Por acaso, nas casas da minha família, não havia.
Mas onde havia, era uma passagem fundamental.
Eu explico.

Passagem interior entre dois andares
O frio é muito, em certos meses, no Casteleiro. Isso, todos sabemos.
As casas dantes por norma tinham, não uma escada interior, mas um balcão por fora, para ligar os dois andares habituais (quase todas as casas tinham dois andares e muitas ainda um sótão). Em geral, em baixo são as lojas (para lenha, vinhos, produtos agrícolas etc.). Em cima, a habitação. No sótão, quando havia, mais arrumos.
Ora, no que se refere ao constante movimento entre a loja e a casa, a miudagem era particularmente «castigada». Era preciso cozinhar umas batatas, «Ó não sei quantos, vai lá buscar as batatas à loja». Era preciso queimar mais lenha, «Ó fulano, vai lá buscar uns cavaquinhos».
Claro que os adultos não eram poupados às viagens constantes entre os dois patamares…
Ora, é aí que entra o alçapão.
Muito mais frio se raparia se não houvesse essa passagem: um buraco quadrado de meio metro de lado ou pouco mais, uma escada quantas vezes bem tosca – e pronto, escusava de se ir à volta ela rua a perder mais tempo e a apanhar muito mais frio, muito mais.
É que naqueles dias de antanho ainda nevava no Casteleiro…

Notas
1. Lamento mas esta razão de oportunidade de juntar já o alçapão de hoje ao postigo da semana passada leva-me a adiar de novo a peça já pronta sobre aquele admirável som «tch» da minha terra e da Raia em geral, herdado das gerações que nos antecederam e por nós abandonado…

2. A foto que se publica é de um alçapão, de facto. Mas um dos modernos, com a madeira muito brilhante e aparadinha. Naquele tempo eram bem mais toscas. Foi o que se pôde arranjar como ilustração…

3. Fiquei muuuito satisfeito por descobrir esta semana que o mural do Vale da Senhora da Póvoa está atento e publica bastantes nacos de peças do ‘Capeia’, designadamente com a minha assinatura. E qual não foi o meu espanto ao verificar que mais de 200 leitores tinham manifestado que gostaram de um desses «nacos», como pode ver aqui. A nossa Beira agradece o interesse.
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Soito iniciou em 16 de Setembro de 2011 a ampliação das instalações do quartel. O projecto é um grande salto na melhoria das condições da corporação e uma das maiores iniciativas da actual Direcção presidida por Maria Benedita Rito Dias.

(clique nas imagens para ampliar.)

Placa sobre placa, pedra sobre pedra lá se vai construindo a casa e para tal é necessário procurar verbas que nos ajudem a esse fim, por isso todos os que puderem comparecer no dia 10 de Agosto na 1ª corrida de touros a favor dos Bombeiros no Soito ficar-lhes-emos muito gratos.

Quem pretender ajudar os bombeiros pode transferir o seu donativo para:
NIB: 003507020001137293062
ou, se for no estrangeiro, através do:
IBAN: PT50003507020001137293062, código CGDIPTPL.
A Direção e os Bombeiros Voluntários do Soito agradecem.
jcl

Já por mais que uma vez, nesta «raia da memória», pedi títulos emprestados. Volta a ser o caso de hoje: «Noite e nevoeiro» é o título de um admirável filme de Alain Resnais sobre o Holocausto, um verdadeiro libelo acusatório sobre a barbárie nazi e, simultaneamente, uma reflexão sobre os limites da crueldade humana.

Monumento em memória das crianças vítimas dos nazis em Lídice, na Checoslováquia
Gravura do século XVI alusiva ao Massacre de Lisboa de 1506 Memorial do Massacre de Lisboa, no Largo de São Domingos, inaugurado em 19 de Abril de 2006 Mulheres e crianças judias, em Auschwitz, pouco antes de serem conduzidas às câmaras de gás

(Passe o cursor nas imagens para ver a legenda e clique para ampliar.)

Adérito Tavares - Na Raia da MemóriaJá foram escritos milhares de livros e realizados inúmeros filmes sobre esta temática; os factos ocorreram há setenta anos, numa Europa varrida pela maré negra dos extremismos (fascismo, nazismo e estalinismo); vivemos em democracia, não vislumbramos no horizonte europeu novos Mussolinis, Hitleres ou Estalines; então porquê insistirmos no mesmo tema?
Não tenho certezas sobre isto. Costumo dar a ler aos meus alunos de História Contemporânea um texto de Umberto Eco intitulado «O protofascismo», no qual o conhecido escritor italiano desenvolve a ideia de que o fascismo não é um fenómeno histórico localizado no tempo, que surgiu e se afirmou um pouco por toda a Europa nos anos 20 e 30 do século passado, e ao qual a vitória das democracias em 1945 pôs um ponto final. Para Umberto Eco, o fascismo é intemporal, encontrando-se de forma embrionária e latente no seio das sociedades humanas; bastará que as circunstâncias económicas, sociais e políticas se conjuguem para ele ressurgir. O «ovo da serpente» está pronto para ser chocado pelas dificuldades económicas, o hiper-desemprego, os nacionalismos exacerbados, os egoísmos nacionais, o militarismo, o proteccionismo, etc.
Já assistimos, nos anos 90 do século XX, ao afloramento de práticas nazi-fascistas nos Balcãs. Voltámos a ver prisioneiros esqueléticos em campos de concentração sérvios e descobrimos, horrorizados, o massacre de milhares de bósnios muçulmanos em Srebrenica, cujas valas comuns se assemelhavam às da floresta de Katyn.
Mas será que a civilizada União Europeia corre o risco de regredir à «noite e nevoeiro» da «era dos extremos»? Não estaremos já vacinados contra os extremismos e os anti-semitismos? Talvez não. O ressurgimento de forças políticas de ultradireita na Áustria, na Holanda, na Alemanha, na Itália e até nos civilizadíssimos países escandinavos não nos deixa descansados. Outro sinal preocupante é o alastramento do negacionismo relativamente ao Holocausto: «As câmaras de gás e os fornos crematórios onde foram assassinados milhões de seres humanos nunca existiram.» Afirma-o (sem grande credibilidade é certo) o presidente do Irão, mas também filósofos como Roger Garaudy, corifeu daqueles a quem Mário Vargas Llosa chama «los Purificadores». E o senhor Le Pen, sem coragem para ir mais longe, classifica o Holocausto como «um detalhe da História».
A 2.ª Guerra Mundial deixou atrás de si um rasto de morte e destruição (50 milhões de mortos, incontáveis feridos, deslocados e desaparecidos, cidades arrasadas). O sofrimento humano foi indescritível, mas existem episódios que, por si só, nos dão a dimensão da desumanidade alcançada nesta época; uma desumanidade tão extrema que levou a historiadora Hannah Arendt a falar, relativamente ao totalitarismo nazi, em «banalização do mal». Podíamos aqui referir os casos das cidades de Oradour-sur-Glane, em França, e de Lídice, na Checoslováquia, cujas populações foram completamente exterminadas pelos nazis – homens, mulheres e crianças. Mas limitemo-nos a transcrever um episódio ocorrido em 10 de Julho de 1941 na aldeia polaca de Jedwabne, descrito por Jan Tomasz Gross, no seu livro Vizinhos. Este massacre, segundo Gross, teria sido perpetrado com a colaboração activa de parte da população não-judia da aldeia:
«Depois de cercarem a vila por guardas para que ninguém pudesse escapar, os judeus foram obrigados a dirigirem-se até ao celeiro, numa via dolorosa pontuada por violentos espancamentos: ensanguentados e feridos, foram empurrados para o interior do celeiro. Depois, este foi regado com querosene e incendiado. A seguir, os selvagens andaram de casa em casa à procura dos doentes e crianças que tivessem ficado para trás. Transportaram para o celeiro os doentes que encontraram, enquanto as crianças eram atadas pelas pernas, umas às outras, em pequenos grupos e levadas às costas e depois colocadas em forquilhas para serem atiradas às chamas.»
Em contraponto, para reforçar a ideia de intemporalidade do racismo e dos extremismos religiosos, defendida por Umberto Eco, podemos citar um drama semelhante a este mas muito mais antigo, narrado por Damião de Góis na sua Crónica do Felicíssimo Rei D. Emanuel, a propósito do massacre de judeus em Lisboa no ano de 1506. Apesar da distância temporal, as semelhanças são evidentes:
«Juntos mais de quinhentos, começaram a matar os Cristãos-novos que encontravam pelas ruas, e os corpos, mortos ou meio-vivos, queimavam-nos em fogueiras que acendiam na Ribeira e no Rossio. […] E, nesse Domingo de Pascoela, mataram mais de quinhentas pessoas. A esta turba de maus homens e de frades que, sem temor de Deus, andavam pelas ruas concitando o povo a tamanha crueldade, juntaram-se mais de mil homens, os quais, na Segunda-feira, continuaram esta maldade com maior crueza. E, por já nas ruas não acharem Cristãos-novos, foram assaltar as casas onde viviam e arrastavam-nos para as ruas, com os filhos, mulheres e filhas, e lançavam-nos de mistura, vivos e mortos, nas fogueiras, sem piedade. E era tamanha a crueldade que até executavam os meninos e crianças de berço, fendendo-os em pedaços ou esborrachando-os de arremesso contra as paredes.»
Paremos um pouco para respirar fundo. Os tempos de crise e de desnorte que vivemos, em que todas as nossas certezas parecem desmoronar-se como castelos de cartas, obrigam-nos a repensar o presente à luz dos erros do passado. Na Espanha, o desemprego total anda pelos 24% e o desemprego jovem aproxima-se dos 50%! Os números em Portugal ainda não são tão dramáticos mas são igualmente assustadores. Sem querer fazer induções anacrónicas, lembro que, quando os nazis chegaram ao poder, em Janeiro de 1933, o desemprego total na Alemanha tinha atingido 43%! Estamos na hora de a Europa acordar e de se olhar ao espelho da sua História.

Por ordem do general De Gaulle, Oradour-sur-Glane nunca foi reconstruída. Permanece como um memorial da 2.ª Guerra Mundial

«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares
ad.tavares@netcabo.pt

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto a Aldeia de Santo António, freguesia vizinha à ciadade do SabugaL. No próximo domingo será editado o poema relativo à anexa Alagoas, outra terra sita do lado sul do concelho e na banda esquerda do rio Côa.

ALDEIA DE SANTO ANTÓNIO

A Flos Sanctorum não regista nome
Com tais ressaibos á linguagem lusa
E que embora mero cognome
Corresse mundo em forma tão profusa

Fernando de Bulhões ganhou renome
Que aos séculos se impôs de sem recusa
O tempo o enriquece, e não consome
Por mais destroços que o mal produza

De Pádua, de Pavia ou de Lisboa
A fama tanto ecoa que ressoa
E é do orbe todo património

Em sés de oiro e mármore aeropago
Ou de rurais igrejas mero orago
É sempre o mesmo o nosso Santo António

«Poetando», Manuel Leal Freire

Damos continuidade à apresentação do léxico com as palavras e expressões populares usadas na raia ribacudana.

ARRÃ – rã (Duardo Neves).
ARRABANAR – cortar pequenas quantias de pão, queijo ou chouriça (Júlio António Borges).
ARRAIAL – festa ao ar livre; baile. Nas Terras do Campo (Monsanto) usa-se também para designar um agrupamento de construções pertencentes ao mesmo dono e anexos à habitação (Maria Leonor Buescu).
ARRAIOLA – raiola, jogo em que se atira uma moeda para um risco (ou raia) traçada no chão ou numa tábua. Este termo tem muitas vaiantes, consoante as terras, se não vejamos: José Pinto Peixoto, da Miuzela do Côa, chama-lhe raioila; Júlio Silva Marques, de Vilar Maior, escreve arraioila (e explica que o vocábulo vem do Castelhano – rayuela); Maria José Ricárdio Costa, de Aldeia do Bispo, refere raoula. Franklim Costa Braga, de Quadrazais, chama-lhe raibile. Leopoldo Lourenço, do Freixo, chama jogo do cão ao jogo da raiola.
ARRALÁRIO – relativo; sem sentido absoluto. «É tudo arralário» (José Pinto Peixoto).
ARRAMAR – espalhar as nuvens; deixar de chover. Júlio António Borges acrescenta: entornar; verter. «Já arramou, e já aí vem o sol» (Joaquim Manuel Correia).
ARRANAR – estender-se; pôr-se à larga.
ARRANHADELA – ferida superficial que resultou de arranhar. Arranhadela de um gato ou de uma silva.
ARRANHADOURO – pau de remexer o forno; o m. q. ranhadouro.
ARRANHÃO – o m. q. arranhadela. Também se diz ranhão.
ARRANJO – remedeio; governo da casa.
ARRÁTEL – antiga medida de peso, correspondente a 459 gramas.
ARRE – interjeição, pela qual se incitam as bestas a andar.
ARREAR – bater; zupar – arreou-lhe com força. Ir-se abaixo; ceder – arreou a carga. Colocar os arreios às cavalgaduras. «O Mateus, arreado a preceito, lá foi para a Guarda» (Abel Saraiva).
ARREAR AS CALÇAS – fazer as necessidades; defecar.
ARREATA – corda que segura os animais; prisão; rédea.
ARREATAR – atar; prender.
ARREBANHAR – raspar a barranha para aproveitar tudo. Meter ao bolso; roubar. Limpar o lameiro com o ancinho após o recolher do feno.
ARREBULHAR – embrulhar; envolver; engelhar. «Tudo se me arrebulha no estômago» (Joaquim Manuel Correia).
ARREBULHAR-SE – deitar-se (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia da Ponte).
ARRECADAR – guardar, pôr a salvo; receber.
ARRECADAS – grandes argolas de pôr nas orelhas, muito usadas pelas mulheres ciganas. Também se diz arcádias e arrecádias.
ARRECENDER – recender, exalar cheiro activo (José Pinto Peixoto) – cheira tão bem que arrecende.
ARREDELHAR – diz-se do movimento em círculo feito pela faísca ao cair (Clarinda Azevedo Maia – Vale de Espinho).
ARREDULHAR – deitar a baixo; fazer encolher alguém à pancada.
ARREFENA – zanga, desentendimento, discussão. «Não havemos de ter mais arrefenas, seja feita a tua vontade» (Joaquim Manuel Correia).
ARREFENTAR – arrefecer; refrescar. Não me aquenta nem me arrefenta.
ARREFERTAR – lançar na cara o que se ofereceu (José Pinto Peixoto). Leopoldo Lourenço regista arfertar, traduzindo por: pedir o que se ofereceu. Mais a Sul (Monsanto) diz-se refertar (Maria Leonor Buescu).
ARREGANHADO – cheio de frio, enregelado. «Queres morrer arreganhado?» (Joaquim Manuel Correia).
ARREGANHAR – sentir frio; arrefecer; gelar. Mostrar os dentes.
ARREGOLAR – rebolar (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia da Ponte).
ARREGUNHADELA – arranhão; o m. q. arranhadela.
ARREGUNHAR – ferir com as unhas; arranhar. O gato arregunha.
ARREGUNHO – arranhadela; arranhão.
ARREIO – apresto das bestas de carga.
ARRELAMPADO – aturdido; desorientado; surpreso. «Arrelampado como se tivesse visto bruxa numa encruzilhada» (Abel Saraiva).
ARRELIADO – zangado; amigo de arrelias e de brigas.
ARRELICADO – pessoa que está inutilizada, sem poder mover-se (Clarinda Azevedo Maia – Vale de Espinho).
ARREMANGAR – arregaçar as mangas. Júlio António Borges acrescenta: tropeçar.
ARREMATAR – compor um rego (Francisco Vaz); dar o nó; concluir.
ARREMEDAR – imitar com escárnio; maquear.
ARREMICAS – talvez (Júlio António Borges). Também se diz arrenicas.
ARRENDA – a primeira sacha (Júlio António Borges).
ARRENEGADO – zangado; descontente com alguém. «Fiquei mais arrenegado que se tivesse recebido bofetada» (Abel Saraiva).
ARRENEGAR – zangar; ralhar com alguém (Joaquim Manuel Correia). Arrenegado: zangado.
ARRENHAR – redemoinhar; andar em volta; o m. q. remunhar (Clarinda Azevedo Maia – Vale de Espinho).
ARREPESO – arrependido; cheio de pena (José Pinto Peixoto).
ARREQUALHO – girino; peixe cabeçudo (Júlio António Borges).
ARRESINADO – zangado; encolerizado. «Quem o ousasse desafiar, tinha de se haver com o seu génio arresinado» (Carlos Guerra Vicente).
ARRETO – cada um dos cordões de videiras da vinha, geralmente presas a um arame (Pínzio).
ARRIBAR – melhorar de saúde; arrebitar; erguer.
ARRIÇAR – lavrar o centeio com arado apropriado, quando tem apenas meio palmo (Júlio Silva Marques). O m. q. aricar.
ARRIFEIRO – brigão; grosseiro; mal educado.
ARRIFENA – zanga; briga. «Uma pessoa não pode andar com arrifenas com a sua mulher» (Joaquim Manuel Correia).
ARRIGAR – arrancar o linho da terra (Júlio António Borges).
ARRIMADEIRO – tronco de madeira que se coloca em primeiro lugar na lareira e sobre o qual se apoiam os troncos mais pequenos (Clarinda Azevedo Maia – Vale de Espinho).
ARRIMADOIRO – o m. q. arrimadeiro (Clarinda Azevedo Maia).
ARRIMAR – bater; castigar – arrima-lhe forte. Encostar; segurar; apoiar – arrimar o lume. Arrumar; colocar num lugar – arrima-o no canto.
ARRIMO – encosto; apoio; amparo.
ARROBA – medida de peso, equivalente a quinze quilos. Clarinda Azevedo Maia registou a arroba espanhola, equivalente a 11,5 quilos.
ARROCHADA – paulada; pancada com arrocho.
ARROCHAR – apertar a carga com a corda, recorrendo ao arrocho. Júlio António Borges acrescenta: espantar; oprimir.
ARROCHE – moca; cacete (Adérito Tavares) – de arrocho.
ARROCHINADO – apertado (Vítor Pereira Neves). Joaquim Manuel Correia escreve arrechinado.
ARROCHINAR – apertar. Júlio António Borges acrescenta: vestir muita roupa.
ARROCHO – pedaço de pau a que se recorre para apertar a carga aos burros, entalando-o na corda e volteando. Pau que serve de bengala ou de arma: deu-lhe com um arrocho. Pessoa teimosa e mal comportada: é torto como um arrocho.
ARRODEAR – andar à volta. Colocar o gado junto, a uma sombra. Também se diz arrodiar.
ARROLAR – embalar uma criança (José Pinto Peixoto). Para arrolar os meninos era uso entoar canções.
ARROMBOSO – rico; grande; extraordinário (Clarinda Azevedo Maia – Lageosa da Raia). Boda arrombosa: casamento rico, de arromba.
ARROZ GORDO – arroz de coelho ou de pombo que é uso comer no dia de Entrudo, precedendo o bucho (Manuel Leal Freire).
ARRUADO – disposto em fileira, em ordem (Francisco Vaz). Seguido (José Prata).
ARRUPAR – subir; ajudar a montar; erguer; arribar. José Pinto Peixoto refere arripar.
(Continua…)
Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

leitaobatista@gmail.com

Região onde o embate Oriente/Ocidente mais cedo e duradouramente se revelou, por ali, embora com frequentes oscilações se estabeleceu a fronteira entre impérios: primeiro os dois romanos; depois o bizantino e o sacro; finalmente, o austro-hungaro e o otomano.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaNa sua função de Kraina (que significa exactamente limes ou raia) se manteve até ao fim da primeira grande guerra, terminada, como se sabe, em 1918, pela derrota dos impérios centrais (Alemanha, Austria-Hungria e Turquia) e perda de territórios, ou mesmo desmembramento, como sucedeu aos dois últimos.
O fluxo e refluxo das armas provocou a convergência dum autêntico mosaico étnico que, desde logo, torna o vocábulo (Jugoslavia, ou à letra, terra dos eslavos do sul) bastante falacioso.
Com efeito, ao lado dos sérvios, que efectivamente se podem reclamar de eslavos (título que também servirá aos montenegrinos e eslovenos), há que ter em linha de conta os croatas (de raiz germânica), os bósnios (de ascendência turca), os macedónios (naturalrnente bizantinos de filiação grega).
Como se vê, não havia correspondência entre as realidades estado e nação, já que a um estado se contrapunham, no mínimo, seis nacionalidades, sem falar noutros grupos de menor expressão.
A manta de retalhos étnica complicava-se ainda pela diferença de línguas, a oposição de credos religiosos, até a diferenciação de alfabetos.
Nascido como monarquia, ainda forma de governo mais capaz de aglutinar diferentes ou mesmo contrários, passou, após a segunda grande guerra e pela traição dos britânicos que abandonaram o general Mialovitch, para o regime da democracia popular.
Tito que fora sargento nos exércitos imperiais, caíra prisioneiro e fora catequizado pelos russos, que o protegeram na guerrilha antigermânica e antes se celebrizara como recrutador das brigadas intenacionais para a guerra civil de Espanha, tendo abatido os monárquicos daquele general passou a governar como satrapa o reino, como vimos já de efémera duração.
Mas era um pragmático. Embora comunista, cedo rompeu com Moscovo, havendo assinado, sob as benções de Washington, um tratado anti-soviético que conglobava também a Turquia e a Grécia.
Permitiu e estimulou até um tipo de economia mista, que, aliada aos proventos vindos do turismo e as remessas dos emigrantes que fomentou, e aproveitando ainda os meios financeiros propiciados pela América, conseguiu naquela Babel para além de um aceitavel nível de vida, uma convivência que, por ferreamente vigiada e disciplinada, obstou a qualquer conflito.
Mas, apesar de tudo, não havia homogeneidade em termos humanos ou de riqueza, já que o norte, por mais germânico e estar mais em contacto com o mundo não comunista, sempre se revelou mais desenvolvido.
A heterogeneidade vinca-se tambem ao nivel demográfico, já que não é raro encontrar-se uma bolsa rácica em zona tradicionalmente de outra etnia.
Mas ia-se vivendo em paz. Com a morte de Tito, as sementes de violência que se encontravam espalhadas por toda a àrea (apesar do ditado, não foi Deus quem separou as raças e as religiões mas os homens) irromperam abrupta e fortemente.
Ern 1990, a unidade jugoslava termina e começam os processos de independência.
No ano seguinte é a guerra.
O exército regular compunha-se praticamente só de sérvios que assim poderiam, à primeira vista, dominar os outros povos.
Mas não pode esquecer-se que Tito, em obediência ao seu passado de guerrilheiro na própria terra e de organizador do caminho secreto para a Espanha vermelha defendia o princípio do povo em armas, pela qual em todas as regiões existiam milícias, relativamente bem treinadas e até municiadas.
Em corolario, as condições de êxito relativizavam-se.
Mas, acima de tudo foram as simpatias de base rácica que determinaram os apoios internacionais e o desfecho (se é que o houve ou haverá alguma vez) do conflito.
Os croatas colheram as benções dos alemães, enquanto que a Rússia nao esqueceu o seu papel de protectora oficial dos servios.
Só que os gravíssimos problemas internos com que Ieltsin se debateu e a perda de protagonismo de Moscovo, a nivel mundial e particularmente europeu, tornaram a atitude deste pouco mais do que platónica, transparecendo apenas na solenidade de algumas declarações, logo esquecidas.
O nome de Serajevo assume-se, de resto, como fatídico, e gerador de conflitos de grande dimensão.
Talvez por isso no livro Vite et mort de la Yougoslavie, de Paul Garde, professor de linguística eslava em Aix-Ia-Provence, se escreva: «Este conflito faz-nos possivelmente entrar para sempre na nova desordem mundial». Para sempre…
A atribuição de carácter eterno num mundo, onde tudo, até o nosso planeta desaparecerá como tenda de uma só noite, mostrar-se-á certamente excessiva.
E pelo muito que, pelos séculos, têm sofrido os povos na Kraina aglomerados e pela tragédia que no nosso tempo sobre eles desabou, bem mereceriam que a paz se instalasse perenemente, ou ao menos até uma virgem voltar a ser mãe, para nos servirmos da revelação do oráculo de Capri.
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

Uma instituição chamada «Obra da Criança» esteve nos Fóios durante três dias, encontrando no espírito acolhedor desta freguesia raiana do concelho do Sabugal um motivo para a considerar um lugar maravilhosos que deve ser visitado.

José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaNo dia 13 do corrente mês de Julho fui contactado, na qualidade de Presidente da Junta, por uma Técnica Superior de Educação Social a desempenhar funções num Lar de Infância e Juventude com sede em Ílhavo, designado por «Obra da Criança».

Esta instituição acolhe crianças e jovens, dos dois aos dezoito anos. São encaminhadas pela Segurança Social, Tribunais, Comissões de Protecção da Crianças, de hospitais, de IPSS`s sendo que todas elas devem ter Medida de Promoção e Protecção.
A Técnica, de nome Renata Castro, dizia-me no e-mail, que me endereçou, que soube da existência de quarenta camas no edifício da antiga escola primária dos Fóios e perguntava-me se poderíamos acolher um grupo de dezasseis crianças, dois adultos e quanto deveriam pagar por cada dormida.
Respondi-lhe que apenas cobrávamos cinco euros, por pessoa, em cada noite que dormisse, para limpeza e manutenção.
A Dr.ª Renata voltou a contactar-me, também por e-mail, para me dizer que lhe parecia bastante barato mas que para a instituição ainda era um preço bastante elevado.
Claro que não hesitei. Respondi-lhe, de imediato, que poderiam vir sem que nada lhes fosse cobrado.
Perguntei-lhe, ainda, o que tinham programado em termos de refeições e verifiquei que também aí não estavam muito à vontade. Tratei, de imediato, ver como também poderíamos ajudar.
Elaborei um programa, falei com algumas pessoas amigas e tudo se encaminhou para que as crianças aqui pudessem passar três dias que certamente não irão esquecer, como lhes ouvi dizer.
No primeiro dia, o grupo, acabado de chegar, almoçou numa casa que os pais da Dr.ª Renata Castro possuem aqui nos Fóios.
Da parte da tarde e uma vez que eu já havia combinado com o meu amigo Antoine, proprietário do viveiro das trutas «Trutalcôa», este autorizou que o grupo pudesse visitar o complexo turístico e que se atrevessem a pescar umas trutas na charca que aí existe.
O grupo de jovens, embora com pouca experiência, nesta matéria, pegaram em meia dúzia de canas, emprestadas pela casa, e lá vão tentar a sorte que, na verdade, lhes foi surgindo. Entre eles e com a ajuda de outros pescadores, vizinhos, mais conhecedores do assunto, conseguiram pescar meia dúzia de quilos.
O Antoine e o irmão, Zé Tavares, resolveram oferecer todas as trutas que haviam sido pescadas para que a juventude pudesse fazer, no dia seguinte, uma boa patuscada, tal como aconteceu. As trutas foram cortadas e fritas à moda do restaurante da Trutalcôa, tendo sido acompanhadas por arroz e salada.
À noite, um amigo – benemérito – aqui dos Fóios, brindou o grupo com um jantar no restaurante Eldorado. Foi maravilhoso visto que algumas crianças nunca haviam comido num restaurante, tal como lhes ouvi afirmar.
Na manhã do dia seguinte, depois de uma visita à Serra das Mesas, com particular destaque para a nascente do Côa, o grupo desceu ao povoado e os proprietários do restaurante Eldorado, permitiram um banho na piscina, que lhes pertence, e ainda ofereceram uns bolinhos.
Ainda nesse mesmo dia, quarta-feira, da parte da tarde, o grupo foi transportado para terras de nuestros hermanos – Navasfrias – onde o Alcalde, Celso Ramos, Teniente Alcalde – Mercedes – e o Concejal e empresário Florêncio Ramos, esperavam.
Durante duas horas os jovens divertiram-se nas piscinas do parque «O Bardal» tendo de seguida havido uma visita ao Centro de Interpretação da Natureza bem como ao museu que está localizado no Ayuntamiento de Navasfrias.
Por volta das 19 horas realizou-se um jogo de futebol com uma simpática equipa de Navasfrias que a Teniente Alcalde (Vice – Presidente) se dignou arranjar para dar prazer e glória aos jovens portugueses.
Depois do jogo, cerca das 21 horas, foi oferecido um lanche ajantarado onde participaram jovens portugueses e espanhóis numa sã e fraterna confraternização. Grácias amigos de Navasfrias.
Para finalizar informo que hoje, último dia, aconselhei os responsáveis pelo grupo, a fazerem uma visita à vila do Soito de onde regressaram por volta do meio dia para, na despedida, puderem almoçar, no restaurante Eldorado – a convite da Junta de Freguesia – que, como sempre, nestas circunstância, faz um preço especial.
Depois do almoço as duas carrinhas partiram em direcção ao Sabugal com a intenção de uma visita ao castelo e mais tarde, se ainda houvesse tempo, visitariam a Sé da Guarda.
É mesmo como diz o ditado. «fazer bem sem olhar a quem»
Turismo é futuro!
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

O agrupamento 879 do Corpo Nacional de Escutas, sediado na Póvoa de Santo Adrião, concelho de Odivelas, está a realizar o seu acampamento anual com o tema «Na rota dos Contrabandistas». São quase oitenta os escuteiros, das quatro secções, inscritos para esta atividade de final de ano que se prolonga até ao dia 27 de Julho.

Escuteiros Póvoa Santo Adrião

O tema das atividades é «Na rota dos Contrabandistas». Se outrora, os caminhos arraianos foram calcorreados por pessoas que, para sobreviver, contrabandeavam os mais diversos produtos, muito deles de primeira necessidade, agora estes jovens escuteiros vão trilhar pelos campos, serras e aldeia vizinhas refletindo sobre outros «produtos» ou mercadorias, essenciais para o desenvolvimento humano que são os valores. Não são valores financeiros, mas um capital humano que é necessário adquirir, transacionar e partilhar. Valores como acolhimento, oração, cuidado, disponibilidade, entrega, comunidade, gratidão, justiça, paz, amizade, amor, verdade, honestidade, respeito pela dignidade da vida do ser humano, pela natureza e muitos outros são princípios que visam a educação destas crianças com mais de seis anos e jovens na procura da felicidade.
O contacto com as populações vai ser uma mais valia para todos. Para os escuteiros que vão conhecer melhor a cultura destes povos raianos e para os populações que vão conhecer melhor a atividade destas crianças e jovens que deixam o comodismo citadino e urbano para entrar em contacto com a natureza.
As diversas secções tem uma programação própria e autónoma por vezes coincidente. Na programação de algumas secções prevê-se a pernoita nalgumas aldeias vizinhas, visita à Serra das Mesas, nascente do Côa, Sra dos Prazeres, Santuário da Sacaparte, atividades no Parque recreativo do Bardal (Navasfrias) e visita a lugares ricos na flora (é de destacar a visita a um carvalho, cujo tronco quatro adultos dificilmente abraçam), a lugares marcados pela geologia (uma barroco que oscila), a sepulturas antropomórficas todos eles em Aldeia do Bispo e também a animação da eucaristia dominical.
A base do acampamento situa-se nas zona envolvente ao Lar de Santo Antão e conta com o apoio expresso do Centro Social e Paroquial de Nª dos Milagres que dá apoio logístico, e dos proprietários e usufruidores dos lameiros cheios de carvalhos e freixos que dão excelentes sombras para instalarem as tendas. Conta-se também com o apoio de populares que disponibilizaram meios de transporte e corte de plantas para as atividades, da Câmara Municipal Junta de Freguesia de Aldeia do Bispo, entre outras, Liga dos amigos da Sacaparte e do Município de Navasfrias e da autoridade de saúde local, GNR e Bombeiros.
Esperamos que no futuro este tipo de atividades possam ser fomentadas ainda mais porque constituem um grande meio de promoção turística e cultural destas Aldeias Raianas.
Carlos Fernandes

Parabéns aos escuteiros da Póvoa de Santo Adrião pela escolha do concelho do Sabugal para o seu acampamento anual. Esperamos que tenham sido bem recebidos, que tenham tido facilitadas todas as questões logísticas e que voltem mais vezes.
jcl

«Fui o que fui, sou o que sou e serei o que Deus quiser. Eu não mudo, o que muda são os governos e as modas.»

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaTornou-se famosa como símbolo de incoerência política a afirmação em epígrafe, proferida por velho cacique local das Terras de Riba-Coa, que havia saltitado das hostes dos regeneradores para as dos progressistas, e com incursões também pelo Centro Liberal ou inversamente pelos seguidores de João Franco e que ainda no mercado do terceiro sábado de mil novecentos e dez assim justificava a sua adesão ao republicanismo triunfante.

O exemplo frutificou.
Com a mácula de, onde antes só havia um pouco de vaidade e de apego a influências que monetariamente nada rendiam – bem pelo contrário, pois o caciquismo implicava despesas de vulto e sempre proporcionais, no mínimo, ao grau de influência, hoje as deserções costumam ser motivadas por razões menos nobres e, por via de regra, nada altruístas.
Mas que o exemplo frutificou pelo lado negativo, qualquer observador, ainda que pouco ou nada atento, poderá testificar.
Basta atentar nas tergiversações e tenteios, quando não mesmo no cambalhotismo político dos nossos deputados, que, para honra e lustre do partidarismo político que nos rege, deveriam ser um alto exemplo de coerência.
Mas que o não são, tendo alguns deles percorrido, pelo menos, metade do quadrante ideologicamente reconhecido.
Caso tipico é o de Basílio Horta, actualmente quase porta-voz do Partido Socialista, que logo no imediato post-Revolução de Abril foi destacado militante centrista e que, a meio do percurso, foi mesmo o candidato das Direitas à suprema chefia do Estado.
E o que muitos não saberão é que Sua Excelência foi figura de topo no aparelho do Corporativismo Marceliano.
Homem de mão de Silva Pinto foi secretário, exactamente na era Marcelo Caetano, da Corporação da Indústria, autenticamente o baluarte do Regime.
E ali tinha por função essencial representar o lado patronal na negociação das convenções colectivas de trabalho.
Cargo que exereceu despoticamente, desagradando a sindicatos e grémios.
Áqueles pela pobreza das suas propostas.
A estes pela rigidez e acrimonia das imposições de que era corrente de transmissão.
Silva Pinto foi o mais odiado por todo o sistema – associações patronais e sindicais e sobretudo pelos quadros superiores do Ministerio.
Pela sua grosseira sobranceria. Por uma execranda falta de civilidade contrastava com a personalidade dos anteriores titulares da Pasta – a firmeza de Soares da Fonseca, a lhaneza de Veiga de Macedo, a elegância de Gonçalves de Proença, a superior fidalguia de Baltazar de Sousa.
Discípulo de Silva Pinto, Basilio Horta mimetizou-se com ele e de corporativista à outrance, de degrau em degrau chegou a assanhado socialista.
«Caso da Semana», opinião de Manuel Leal Freire

Hoje quero que se lixem – para usar a expressão do nosso primeiro – os arrufos políticos já em veraneio. As tricas da licenciatura do manda-chuva do partido do poder. As mil e umas vindas de jogadores para clubes portugueses. Os incêndios que são sempre de suspeita de fogo posto, nunca a certeza. As promoções dos militares que, segundo eles, há já soldados a comandar soldados (rasos, entenda-se), o que só prova que os oficiais são dispensáveis. E todo o burburinho que se vai levantando com o aproximar das eleições autárquicas.

Não. Hoje quero falar da verdadeira pré época na raia. Por estes dias, decorrem as festas de Albergaria – Espanha. Para aldeias como Aldeia da Ponte era uma verdadeira peregrinação para as festa da Sant’Ana. Consta, pelo menos assim aprendi pela tradição oral, que a imagem desta santa foi levada pelos espanhóis aquando das guerras da Restauração e que, em contrapartida, os portugueses trouxeram (roubaram) a imagem de S. Sebastião. Não me perguntem da veracidade. Mas a história tem o seu sentido, já que os portugueses frequentam verdadeiramente tal festa. Porque será? Mas deixo esse trabalho para os historiadores.
Esta festa é verdadeiramente o arranque das festas. Uma espécie de pré temporada. Com os seus bailes, copas e, claro, encerro e capeia! Aqui se começa a libertar a ansiedade para abertura oficial na Lageosa da Raia. Abrindo-se, depois, um calcorrear de caminhos e tapadas nos encerros, a poeirada levantada pelo galope de cavalos e touros… e gente. O peregrinar devoto a cada capeia. Os abraços sentidos dos amigos. A explosão de toda uma região em cada investida do touro. O entardecer sereno, recortado por varas e cavaleiros, no horizonte do planalto castelhano. É esta a verdadeira época. A época, em que a identidade individual se funde numa identidade colectiva e abrangente. Não se cingindo a uma fronteira territorial.
Esta é a época em que, toda a raia se enche de gente, num cruzamento harmonioso de gerações. Proporcionando a transmissão da cultura e enraizando uma maneira de ser. Esta é a época.
Eu sei que o mundo continua a girar. Mas hoje, importa-me o girar do meu mundo.

P.S. Bom regresso a toda a diáspora!
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

O prazo para a implementação do Balcão do Empreendedor foi alargado pelo Governo até Maio de 2013, mas o Município do Sabugal começou já a preparar o caminho para sua implementação, aplicando algumas das medidas previstas e promovendo a alteração a alguns dos regulamentos municipais.

O Balcão do Empreendedor resulta da implementação do projecto «Licenciamento Zero», pelo qual as Câmaras Municipais terão de alterar procedimentos administrativos e horários de atendimento aos munícipes, tornando os processos, nomeadamente de licenciamento, mais céleres e mais simples.
A Câmara terá que se preparar para a nova realidade criando formulários electrónicos, aos quais garantirá acesso fácil, para além de alterar uma parte substancial das regras que estão definias e vertidas em regulamentos e posturas. Os procedimentos serão simplificados, de modo a que o empreendedor não encontre nos actos necessários ao licenciamento e à autorização uma barreira quase impossível de ultrapassar.
Com os novos procedimentos pretende-se também reduzir os encargos administrativos, libertando a Câmara de uma série de actos formais, tendo como contrapartida o aumento das responsabilidades dos agentes económicos que, com uma economia de actos administrativos verão garantida a aprovação quase automática dos pedidos de licenciamento efectuados junto do Município.
A Câmara para compensar a falta de controlo da fase de licenciamento pretende porém aumentar a fiscalização, de modo a garantir o cabal cumprimento das disposições estabelecidas.
A implementação do Balcão do Empreendedor e a aplicação plena das regras do programa Licenciamento Zero levou já a Câmara Municipal a iniciar o processo de alteração de um conjunto de regulamentos municipais, que terão de ficar conformes às novas disposições.
Dentre os regulamentos a actualizar contam-se os das taxas municipais, taxas urbanísticas, horários de funcionamento dos estabelecimentos comerciais e de ocupação do espaço público.
plb

A morte de mais um bombeiro no cumprimento do dever de socorrer os outros, que jurou cumprir com sacrifício da própria vida, obriga-me a escrever mais uma vez sobre o tema dos Bombeiros e dos fogos florestais.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Infelizmente este é um tema que os sabugalenses bem conhecem, pois o nosso Concelho assistiu desde há muitos anos a grandes incêndios que vão devastando a nossa floresta e os nossos campos.
E, como se viu na semana passada, as críticas e as acusações ao trabalho dos Bombeiros sobem de tom, transformando aqueles que tudo deixam, família, trabalho e, por vezes, a própria vida para socorrer aqueles que veem os seus bens em risco.
Mas não são os bombeiros os culpados do desordenamento florestal do País.
Não são os bombeiros os culpados de se terem licenciado habitações isoladas em solo rural e em bocados de terreno diminutos.
Não são os Bombeiros os culpados de ninguém limpar os terrenos à volta das habitações.
Não são os Bombeiros os culpados de não existirem nem caminhos de acesso em zonas declivosas, nem aceiros.
Não são os Bombeiros os responsáveis pelo incumprimento dos Planos Nacionais e Municipais de Proteção da Floresta.
Não são os Bombeiros os responsáveis pelo Sistema de Proteção Civil Nacional.
Não são os Bombeiros quem contrata e quem coordena a atuação dos meios aéreos de combate a incêndios.
Não são os Bombeiros quem comanda e quem coordena a utilização dos meios no combate ao incêndio.
Não são os Bombeiros quem determina os recursos financeiros afetos à prevenção e ao combate a incêndios.
Os Bombeiros são hoje pouco mais que «carne para canhão». São eles que dão a cara e o corpo junto das populações em aflição, logo são eles os primeiros alvos da ira dos populares.
Os outros, os verdadeiros responsáveis, dão a cara sobretudo nas televisões, nas rádios e nos jornais, parecendo sempre que acabam de sair do banho e de mudar de roupa…
Alterem os procedimentos legais no que diz respeito ao ordenamento do território e, em especial, do espaço florestal; obriguem todos ao cumprimento da lei; invistam na intervenção preventiva nos períodos de menor calor; reformulem o Sistema Nacional de Proteção Civil; e, sobretudo, deem a palavra aos Bombeiros e ouçam o que a sua experiência lhes permite dizer.
Aos Bombeiros de Abrantes o meu mais sentido abraço de solidariedade.

PS 1. Ao Sr. Zé (dono do Girassol) os desejos de rápidas melhoras. À esposa e filhas, a certeza de que podem contar comigo, sempre.

PS 2. Por vezes surgem comentários visando-me enquanto Presidente da Assembleia Municipal, muitos deles fruto de desconhecimento sobre quais as competências da AM e do seu Presidente.
Por isso aconselho todos os interessados a consultar, na página da Câmara Municipal do Sabugal, o Regimento da Assembleia para perceberem como, por vezes, pedem ao seu Presidente coisas que extravasam essas competências.

«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

Conto esta estória que eu mesmo vivi no passado a propósito de um dia destes ter comido um pratinho de feijanito com dobrada na Tasca do Tomé.

José Jorge CameiraHá já um belo par de anos fui ao Aeroporto de Lisboa buscar dois holandeses – desses quase iguais, loiros e de olhos verdes. Vieram investir no Alentejo.
Como era hora do almoço, parei com eles em Setúbal num restaurante perto do Bonfim. Pediram que eu escolhesse por eles… Então, vá de feijão com dobrada para os três…
Os amarelos só diziam:
Very good! Good taste! Nice! – e outros elogios no linguajar deles…
Quase no fim, um deles pergunta-me, segurando no garfo um bocadinho de dobrada, pois queriam a receita:
What’s that, George… so wonderful taste???
Como eu não sabia dizer «intestinos» em inglês, comecei a fazer com uma lapiseira no papel da mesa o desenho dos intestinos, os nossos, aquela tripagem enrolada várias vezes…
Foi o bom e o bonito!
Os dois marmelos olharam um para o outro, de amarelos passaram a vermelhos… E, mudos, começaram a afastar com o garfo os restantes naquinhos de dobrada.
No outro dia em Beja, fomos petiscar ao Capitél.
Aí os Dutches tiveram um segundo choque!
Em todas as mesas comiam-se caracóis, com o palitinho…
Perguntaram-me qual o recheio dentro dos snails e eu, antevendo a carga de nojice que aí vinha, com um palito puxei lentamente o corpão que saía de uma caracoleta, com duas belas antenas bem à vista…
Foi um quase caos. Mexeram-se nas cadeiras, de um lado para o outro, parecia que tinham bichos-carpinteiros.
Por educação ficaram ali firmes, esmifrando batata-frita com ketchup…
Que gente!
Então no País deles (do tamanho do Alentejo) não comem peixes (arenques) crus?

José Jorge Cameira

«Estórias de um filho de Vale de Lobo e da Moita»
mailto:jjorgepaxjulia4@hotmail.com

Era tarde, quase noite e o sol apresentava-se palidamente frio para a época de Verão. Surgia-me, uma vez mais, a urgência de escalar o meu Monte, o Monte do Jarmelo. Assolava-me a tal vontade incontida de verificar as encostas com ervas expostas, de confirmar as moitas desordenadas e as margens das múltiplas regueiras secas a sulcar o chão, embora impotentes e inofensivas. Era mais uma subida, mais uma visita a somar a milhentas outras.

Martírio de Inês de Castro representado no alto do Jarmelo

Fernando Capelo - «Terras do Jarmelo»No espaço lá em cima, naquele espaço coincidente com a Antiga Vila, lá onde, em tempos, as velhas ruas se encruzilhavam, irrompem agora rodeiras verdes que ziguezagueiam por entre a ingremidade das rochas.
É um o velho hábito, este, de aqui vir rever o Monte, para o saudar na sua quietude, para, junto com ele, imaginar tempos idos e para lhe averiguar a mutação do revestimento vegetativo.
Lá, nas alturas, um pouco abaixo do enorme marco geodésico persiste, ainda, alguma urbanidade. Para além das novas instalações da Junta de Freguesia e da Casa da Câmara, resiste ao tempo um velho campanário que continua a convidar os fiéis a entrar nas duas igrejas, convictas, onde os jarmelistas continuam a rezar. Os naturais do atual Jarmelo mantêm, no essencial, as mesmas características dos naturais do antigo Jarmelo. São gente que sempre se persignou numa fé sem dúvidas e é detentora de uma devoção e de um respeito isento de qualquer desconcerto.
Para além dos ténues sinais urbanos, quase tudo são ruínas. Mantêm-se restos de paredes destruídas, algo altivas e tristemente medievais, que impõem o silêncio da pedra e a perfusa dispersão da solidão. Mas nutrem-se, ainda, neste local alguns sentimentos anacrónicos dos escassíssimos habitantes da base do Monte completamente dados a efemérides.
O Jarmelo, acabou por sucumbir, ao lado de um passado histórico que continua a servir de pretexto para metáforas e alegorias. Na recordação dos amores de Pedro e Inês relembra-se a possibilidade de amores impossíveis.
As velhas casas, quase desfeitas, inundam-se de silêncios rudes e de ásperos esquecimentos ainda que deixando transparecer escassos sinais de uma Vila antiga, alta, volátil e trágica que, agora, se expõe em ruínas e recordações patrióticas, envolta numa melancolia amadurecida pela resignação dos séculos. São, sim, vestígios que não querem nem podem desistir da altura do monte, intrometido no céu, com um cimo aclarado pelo marco geodésico. De resto o cume do monte é esbelto, moldurado à imagem de dois seios de mulher, muito belo e sensual.
Este sítio testemunhou caçadas e estadias reais, numa terra com tradição de caça. Presentemente é um lugar de palavra pouco ouvida, virado para dentro dos seus próprios limites serracenos num território abençoado por história e lendas.
Por aqui se crê no milagre do sol em tardes de Inverno. Por aqui se grita verde até às securas do Verão e, sendo embora sítio de olvido, ainda é possível acreditar que algo de bom ou de mau possa acontecer.
Povoam ,ultimamente, o Monte, um conjunto de estátuas alusivas ao assassínio de Inês de Castro. Lá no cimo, à entrada da Vila, num quase paraíso para o olhar mas vencendo infernos de calor estival ou resistindo a invernos gélidos e ventosos as estátuas parecem conversar entre elas, em pose lenta, ensaiando a explicação do sucedido há vários séculos. Elas ligam o Monte a ele próprio através da história, trazem o passado ao presente e reforçam o carisma destes sítios provando, também, a arte, a criatividade e a sensibilidade jarmelistas visto que o escultor é natural do Jarmelo.
«Terras do Jarmelo», crónica de Fernando Capelo

A Banda Filarmónica de Pínzio – 1888-2012 – comemora, este ano, 124 anos de existência.

As comemorações dos 124 anos de existência da Banda Filarmónica de Pínzio decorreram nos dias 13, 14 e 15 de julho com grande adesão da população.
Nos dias 13 e 14, decorreu o 1.º Estágio de Orquestra Juvenil de Sopros e Percussão da Associação Cultural de Pínzio em que participaram elementos das bandas filarmónicas de Bendada, Covilhã, Malhada Sorda, Pinhel, Pínzio e Vale de Azares. Ainda no dia 14, teve lugar a audição dos alunos da Escola de Música e o Concerto da Orquestra Juvenil de Sopros e Percussão. Foram momentos de grande qualidade aqueles a que pudemos assistir.
No dia 15 a Banda anfitriã recebeu as Bandas de Santana (Figueira da Foz) e Charneca do Lumiar (Lisboa). Foi o reencontro de bandas amigas que há muito se conhecem. As três tiveram prestações de excelente nível.
As comemorações constituíram uma manifestação de grande vitalidade da Banda e da associação a que pertence: a Associação Cultural de Pínzio.
A todos os que contribuíram para o evento, aos convidados e aos executantes, a Banda Filarmónica de Pínzio e a Associação Cultural de Pínzio deixam o seu profundo e sentido agradecimento.
José Dinis

A Câmara do Sabugal vai requalificar um conjunto de estradas municipais, nomeadamente as que passam na Nave, Aldeia da Dona e Bismula, assim como na Rapoula, Ruvina , Batocas e Bendada.

A última Assembleia Municipal ratificou a decisão da Câmara Municipal de alterar o Orçamento e as Grandes Opções do Plano para 2012, através da qual se afectaram verbas a a novos projectos, retirando-as de outros, que a Câmara deixou cair. A maior verba, de quase 700 mil euros, foi retirada da rúbrica «ligação da A23 à Fronteira», transferindo-a por inteiro para a requalificação das estradas municipais. Outra actividade que ficou sem verba foi a exposição etnográfica prevista para o Centro de Negócios do Soito, que tinha afectos 29 mil euros.
Uma das estradas que a câmara prevê reparar é o troço entre a Nave e a Bismula, que passa por Aldeia da Dona, prevendo-se que as obras cheguem até à ponte de Vilar Maior.
Outra estrada a ser beneficiada é a que vai do cruzamento da Parada ao limite do concelho.
Também a ligação da Rapoula do Côa à Nave, que passa pela Ruvina, merecerá melhoramentos, o mesmo acontecendo no acesso que liga o cruzamento da estrada nacional às Batocas.
As beneficiações chegarão ainda à via que liga Rebelhos à Bendada e ao troço que atravessa Aldeia Velha.
No total, a câmara afectou à reabilitação de estradas quase 900 mil euros.
As alterações ao orçamento foram aprovadas na Câmara Municipal graças à abstenção do vereador Joaquim Ricardo, que impôs que as reafectações de verbas incluam algumas das obras previstas no plano de eficiência no uso da água. Já os vereadores socialistas optaram por votar contra as alterações, alegando que o faziam não por discordarem das obras a executar, mas pelo facto da proposta não ter sido acompanhada pelo ponto da situação relativo à execução orçamental deste ano.
plb

«Se observarmos a Alemanha em finais de 2011 desde o exterior com os olhos dos nossos vizinhos, tanto os directos como os mais afastados, veremos que, desde há uma década, Alemanha provoca mal-estar e, ultimamente, também inquietude política (…) a confiança na fiabilidade da política alemã está danificada (…) e quando recentemente vozes estrangeiras maioritariamente estadunidenses (…) exigem à Alemanha um papel de líder europeu, tudo isto também desperta nos nossos vizinhos, mais suspicácia e receios. Desperta más recordações.» (Pequeno extracto de um discurso de Helmut Schmidt a 4 de Dezembro de 2011, no Congresso do SPD – Partido Social Democrata Alemão).

António EmidioA Alemanha tem uma horrível carga histórica atrás dela, comecemos em Bismark com as suas guerras no século XIX e passemos ao século XX com as duas guerras mundiais, a primeira de 1914 a 1918 e a segunda de 1939 a 1945, só estas duas deixaram perto de 80 milhões de mortos! Tragédias difíceis de esquecer aos povos europeus que passaram estas barbáries causadas pela Alemanha.
Na Europa querido leitor(a), existe medo da Alemanha, o seu «milagre económico», uma das economias nacionais mais potentes da actualidade no aspecto tecnológico, político-financeiro e sócio-político, traz grande preocupação. Essa preocupação no momento presente nada tem a ver com uma possível tentativa do domínio da Europa pela Alemanha através das armas como nos séculos passados, isso é impossível nos dias de hoje, não é potência militar para isso, nem as potências militares europeias e os Estados Unidos lhe permitiam uma veleidade bélica. Hoje domina, mas com o esmagamento económico e da Democracia de muitos países da Europa, os países do Leste e do Sul, entre eles Portugal.
Houve uma altura em que o receio dos países europeus em relação à Alemanha se atenuou, e esta passou a ter uma boa imagem internacional, foi na altura dos grandes estadistas alemães como Willy Brandt, Helmut Schmidt, Helmut Kohl, entre outros. A reunificação obriga a abandonar esse «estado de graça», porque enquanto dividida o seu poder político estava limitado, mas unida daria origem a uma grande potência hegemónica, assim é. Não é por acaso que a maior parte dos governos europeus e não só europeus, da altura da reunificação, receberam esta com uma certa frieza, o caso de Thatcher, Mitterrand e Andreotti. A frieza tinha razão de ser, eis que surge Merkel, saída das profundezas de um Estalinismo de Leste, misturado com Calvinismo, que está a levar muitos países europeus, entre eles o nosso, economicamente a um beco sem saída. Desta actual crise económica é ela a única beneficiada, tem crédito barato e fácil, usa de uma brutal usura para com os países seus devedores, Grécia, Portugal e Irlanda, e goza de todas as oportunidades que o Euro lhe traz.
Churchill em 1946 pediu aos franceses para se reconciliarem com os alemães e formar uma espécie de Estados Unidos da Europa. Queria com isto, em primeiro lugar, a defesa comum em relação à União Soviética, depois integrar a Alemanha numa associação ocidental mais ampla, Churchill já previa um ressurgimento alemão. A União Europeia não nasce com o propósito de solidariedade entre os povos europeus, mas sim para diminuir o perigo de uma confrontação bélica novamente causada pela Alemanha. Os Estados Unidos estiveram em todos este processo, por isso se dizia na altura que a Comunidade Europeia seria alemã, debaixo da supervisão dos Estados Unidos. O que é hoje a união Europeia senão o poder alemão? Porque é que os Estados Unidos estão a exigir á Alemanha que assuma o papel de líder europeu? Porque estes querem que o poder político, económico, tecnológico e militar a nível mundial esteja no eixo Washington – Berlim. Não devia ser Washington – Bruxelas? Devia ser, mas isso são outros pormenores…
E a França? Essa não cederá um milímetro da sua soberania a Berlim, nem aceita com bons olhos a liderança da Alemanha, a recordação da II Guerra Mundial, e não só, ainda condiciona a política francesa em relação à União Europeia e à Alemanha. Há quem diga que será impossível uma União Europeia sem o directório Berlim – Paris, mas o problema é que a Alemanha nasceu para mandar, só aceitará esse directório se dela partirem todas as iniciativas político/económicas, Sarkozy foi um exemplo disto. A Europa para solucionar este problema de liderança será dividida em duas? A Alemanha dominará o Leste e a França o Sul? O futuro o dirá.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

A sétima etapa da 74ª edição da Volta a Portugal em Bicicleta, que se realiza a 23 de Agosto, terá a meta no Sabugal, cidade onde os ciclistas passarão por duas vezes antes de aí terminarem a etapa.

Mais de 100 quilómetros da etapa, num total de 185, serão percorridos no concelho do Sabugal, numa autêntica «volta ao concelho».
Os ciclistas sairão de Gouveia onde e seguirão para a Guarda, tomando depois a estrada nacional 16 até ao Alto do Leomil, onde tomarão a estrada para o Sabugal. Entrarão no concelho do Sabugal pela Cerdeira, passando depois no Peroficós, Rapoula do Côa e Quintas de São Bartolomeu. Passam pelo Sabugal sem parar, seguindo para Santo Estêvão, Terreiro das Bruxas e Casteleiro. Dali seguirão para a aldeia histórica de Sortelha, de onde prosseguirão para a Urgueira e Aldeia de Santo António, para depois passarem pelo Sabugal pela segunda vez, de onde rumarão a Rendo, Vila Boa, Nave, Alfaiates, Soito, Quadrazais, Colónia, chegando depois ao Sabugal pela terceira e derradeira vez, onde cortarão a meta.
Nesta sétima etapa os ciclistas contarão com maiores dificuldades na escalada à cidade da Guarda. Depois o pelotão terá pela frente um percurso embelezado pelas ricas paisagens do planalto raiano e pela passagem na aldeia histórica de Sortelha, em cuja subida os ciclistas, vindos do vale da Quarta-Feira, sentirão também algumas dificuldades.
O Sabugal que, que no ano passado foi local de partida da Volta, recebe este ano, pela primeira vez, um final de etapa.
A edição deste ano da Volta começa em Castelo Branco e termina em Lisboa, sendo no total 11 dias de prova (em Agosto) e 10 etapas (1.606,8 km):
Dia 15: Prólogo (CRI), Castelo Branco – Castelo Branco, 2 km.
Dia 16: 1.ª etapa, Termas de Monfortinho – Oliveira do Hospital, 200,8 km.
Dia 17: 2.ª etapa, Oliveira do Bairro – Trofa, 190,7 km.
Dia 18: 3.ª etapa, Vila Nova de Cerveira – Fafe, 176,1 km.
Dia 19: 4.ª etapa, Viana do Castelo – Mondim de Basto (Senhora da Graça), 151,9 km.
Dia 20: 5.ª etapa, Armamar – Oliveira de Azeméis, 176,9 km.
Dia 21: 6.ª etapa, Aveiro – Viseu, 186,1 km.
Dia 22: Descanso.
Dia 23: 7.ª etapa Gouveia – Sabugal, 185,3 km
Dia 24: 8.ª etapa, Guarda – Alto da Torre, 154,9 km.
Dia 25: 9.ª etapa (CRI), Pedrógão – Leiria, 32,6 km.
Dia 26: 10.ª etapa, Sintra – Lisboa, 149,5 km.

A prova contará com mais de uma centena de ciclistas de 16 equipas de vários países: Andalucia-Coldeportes (Colômbia), Andalucia (Espanha), Caja Rural (Espanha), Saur-Sojasun (Espanha), Unitedhealthcare (EUA). Carmim-Prio (Portugal), Efapel-Glassdrive (Portugal), LA-Antarte (Portugal), Onda (Portugal), Funvic-Pindamonhangaba (Brasil), Orbea Continental (Espanha), Burgos BH.Castilla y Leon (Espanha), Itera-Katusha (Rússia), Lokosphinx (Rússia), Team Bonitas (África do Sul), MTN Qhubeka (África do Sul).
plb

Hoje dedico estas poucas linhas a uma reminiscência que já mal se encontra e só deve ter subsistido nalguma casa velha ainda não recuperada. São os postigos. Peça engraçada cuja utilidade só percebi já com a juventude a ir-se embora. Primeiro: os postigos da minha terra são diferentes de outros. Porquê e para quê os postigos do Casteleiro?

Coloco assim a questão porque os postigos ou o que se chama postigos são muito diferentes de terra para terra. Não encontrei nenhuma foto que retratasse exactamente os postigos que havia no Casteleiro. As fotos que se publicam neste artigo vão numeradas em cima à esquerda. A mais parecida com os postigos do Casteleiro é a foto número 1.
As fotos 2 e 3 referem-se a «postigos» também mas das zonas, respectivamente de Viseu (parece-me algo como uma janela especial em pedra, mas é chamado postigo) e de Évora (uma abertura na parte de cima da porta – o que no Casteleiro se chamaria um «janelo»).
No Casteleiro, era, pois, uma meia porta: do meio da porta para baixo, havia outra portada. Mesmo que se abrisse a porta inteiriça, ficava sempre fechada aquela meia porta.
Para quê? Segurança? Não, na altura essa questão era completamente desconhecida nestas paragens. Mas tinha funções. Vamos vê-las.

Arejar
Não sendo as casas muito arejadas nem tendo janelas grandes, o postigo servia para arejar o espaço. Mais: como as comidas eram sempre feitas ao lume de brasas e não havia exaustores – e por vezes nem chaminé –, então não admira que o postigo fosse o exaustor da época, pelo menos quando se podia ter essa meia porta aberta.

Iluminar
As janelas nas casas desse tempo eram poucas e pequenas. As casas eram escuras. Para entrar mais claridade, o postigo estava aberto em quase todo o ano, só se fechando nos dias muito frios.
Nesses dias, o postigo servia de reforço de isolamento da casa.

Namorar
Não menos importante poderá ter sido esta outra função especial que os postigos por arrastamento e já que ali estavam acabaram por desempenhar: a rapariga não passava para fora do postigo e o rapaz não passava para dentro.
Um jogo de prisões e grilhetas próprio de todas as épocas anteriores à nossa.
Por isso eu ouvia alguns homens falar do namoro e associarem as conversas com as raparigas com os postigos e muitas vezes com as janelas.
Para o caso da janela havia até aquela canção gozada do Casteleiro de 60: «Ó Ferreiro, casa a filha / Não a tenhas à janela / Que anda aí um rapazinho / Que não tira os olhos dela».
Para o postigo, no Casteleiro, não conheço esta «aplicação».
Mas mais a norte, cantava-se, segundo sei algo como «Eu quero namorar contigo / Da janela para o postigo / Eu quero namorar com ela / Do postigo para a janela».

Para tudo isso servia aquela meia porta de baixo, o postigo.

Notas
1. Soube, já depois de escrita a peça – melhor, foi-me lembrado –, que na parte de dentro de algumas casas havia também um postigo sem porta a separar a cozinha do corredor. Aí, a função era claramente manter a cozinha quente sem impedir os fumos de saírem. Mais uma solução inteligente, acho.
2. Tinha uma peça pronta sobre pronúncia popular, designadamente sobre um som espantoso do Casteleiro, da Raia e da Espanha aqui ao nosso lado: o som tch. Fica para a semana que vem. Hoje fui dominado por uma imagem vista na televisão: um postigo diferente dos do Casteleiro.
3. A propósito da origem do nome da Serra d’ Opa, queira dedicar uns segundos a pensar se a tese de Américo Valente (aqui) tem de facto pés para andar: viria da palavra Opes (ou Opas) – nome da deusa romana da abundância, por outros dada também como deusa protectora da Terra e da agricultura e até da fertilidade. Mas sabe-se que outros autores falam da deusa Abundantia. Ou de Ceres, deusa da terra cultivada e dos cereais. Enfim: mitos e mitologias…
4. Tal como prometi em comentário, faço hoje remissão para uma peça publicada há quinze dias, onde aproveito as pesquisas de Américo Valente (e de António Marques). Essa peça e comentários pode ser lida e reflectida aqui.

«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

Estamos em «Ano Olímpico»: não tarda, desta vez em Londres, iniciar-se-á mais uma Olimpíada Moderna. Talvez valha a pena, como temos feito nesta «Raia da Memória», tentarmos estabelecer mais algumas relações passado-presente.

Prova de corrida nos Jogos Olímpicos antigos. Pintura de um vaso de cerâmica ateniense (séc. V a. C.)
Discóbolo, do escultor grego Míron (séc. V a. C.) Carlos Lopes, medalha de ouro na Maratona, nos Jogos Olímpicos de Los Angeles (1984) Rosa Mota, medalha de ouro na Maratona, nos Jogos Olímpicos de Seul (1988)

(Passe o cursor nas imagens para ver a legenda e clique para ampliar.)

Adérito Tavares - Na Raia da MemóriaO historiador inglês Arnold Toynbee considerava que, na origem das civilizações, se encontrava sempre um processo de desafio-resposta. A humanidade avançava, progredia, criava civilização quando respondia positivamente aos desafios naturais – a caça, a pesca, a agricultura foram respostas ao desafio fome; a disputa das cavernas aos animais ferozes, a construção de cabanas, de casas, de arranha-céus, foi a resposta ao desafio frio. E assim por diante. Dito de outro modo: todo o processo histórico se teria resumido a uma constante fuga à dor e busca do prazer. Nas áreas onde os estímulos eram demasiado fortes (como as regiões polares) ou demasiado fracos (como os trópicos), as civilizações não se desenvolveram ou estagnaram.
E quem respondia aos estímulos? Seria uma resposta colectiva ou individual? Seria dada por toda a comunidade ou só por alguns dos seus elementos? Na opinião de Toynbee, apenas alguns indivíduos excepcionais, que ele designava por «minoria criadora», respondia aos estímulos e, portanto, geravam cultura e civilização. Esses teriam sido os génios, os insubmissos, os inconformistas, os inovadores − os Aristóteles, os Arquimedes, os Galenos, os Da Vincis, os Galileus, os Hertz, os Darwins, os Einsteins, os Picassos, etc. Teriam sido esses os homens que ultrapassaram os limites, que dilataram as fronteiras do conhecimento.
Trata-se de uma tese, de uma opinião, da qual podemos obviamente discordar. Pessoalmente, penso que esta análise do processo evolutivo das sociedades humanas é demasiado esquemática, demasiado linear. As coisas nem sempre são apenas isto ou aquilo. Há inúmeras variáveis que podem condicionar o processo histórico. Até o acaso, como vimos numa destas crónicas. E, se é verdade que o papel do indivíduo como agente da história não pode ser ignorado, não é menos verdade que cada vez mais tem que ser tomado em consideração o papel das massas, das classes sociais, dos grupos de pressão, das instituições, etc. A concepção de história baseada exclusivamente na decisiva actuação dos Césares e dos Napoleões está ultrapassada. Mais que a história das árvores, procura-se hoje fazer a história da floresta. Ainda que no meio dela existam árvores mais altas ou mais frondosas, que dão mais frutos ou mais sombra. Mas essas árvores, por si, não formam a floresta. Hoje, a história é a «ciência dos homens no tempo», como dizia Marc Bloch. Dos homens e das mulheres no seu todo, em sociedade.
E, no entanto, vivemos tempos de individualismo e de fortíssima competição. Mas só na aparência este facto é contraditório em relação a uma história cujo agente primordial é colectivo. Cada vez mais, nas sociedades contemporâneas, exaltamos os ganhadores, o triunfo, o sucesso. Teria Toynbee razão? As nossas sociedades progridem e avançam em função da resposta de uma «minoria criadora»? Não forçosamente. É verdade que incensamos os heróis da política, do espectáculo e do desporto. Mas que tem isso de mal? Absolutamente nada. A competição estimulante faz parte da natureza humana. É natural e saudável que as crianças e os jovens lutem pelas melhores classificações, pelo primeiro lugar nos jogos, pelo emprego melhor remunerado. Foi precisamente a convicção de que o estímulo concorrencial era maléfico, de que os homens deviam ser tratados todos igualitariamente, que conduziu à atrofia económica e cultural das sociedades ditas socialistas. Segundo parece, o homem gosta de lutar pelo triunfo, sobretudo se souber que, no final, pode obter uma recompensa. Ainda que essa recompensa seja uma simples coroa de oliveira brava, como acontecia nos Jogos Olímpicos antigos.
Em Olímpia, de quatro em quatro anos, entre 776 a.C. e 392 d.C., atletas vindos de todo o mundo grego reuniam-se em honra de Zeus para tentar ir mais alto, ir mais longe, ser mais forte. Ser o primeiro, para receber depois as honras do triunfo, as ovações da assistência, a glória efémera dos deuses do estádio. Regressar à sua cidade-estado, ser vitoriado pelas ruas e apontado às crianças como um modelo, eis a suprema ambição do jovem atleta helénico.
O espírito competitivo não impediu os Gregos de cultivarem o amor pelos altos valores do espírito e da moral. Não impediu o florescimento da filosofia, do teatro, da poesia, da arte. Não impediu a formação de personalidades profundamente humanas e humanistas como a de Sócrates. O próprio Aristóteles foi atleta olímpico. O espírito competitivo, em si mesmo, é positivo. Negativa é a competição sem regra nem lei.
Quando, em 1896, o barão Pierre de Coubertin promoveu a realização dos primeiros Jogos Olímpicos modernos, procurou restaurar o espírito da competição desinteressada. Hoje cada vez menos desinteressada, é certo, mas nem mesmo isso é forçosamente negativo. Até porque não é rigorosamente verdade que os atletas da Grécia antiga competissem apenas pela coroa de oliveira. No ano de 594 a. C., Sólon decretou que os campeões de Olímpia podiam receber um prémio de 500 dracmas, o que apenas oficializou o costume de o povo e as autoridades vencedoras recompensarem generosamente os seus heróis.
Tudo isto não significa a apologia da concorrência desenfreada e a todo o preço, da competição selvagem, do triunfo custe o que custar, do sucesso maquiavelicamente obtido sem olhar a meios para alcançar os fins, usando e abusando dos outros para «subir mais alto, ir mais longe e ser mais forte».
O doping, seja ele químico, social ou moral, deverá ser sempre penalizado.
«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares

ad.tavares@netcabo.pt

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Soito iniciou em 16 de Setembro de 2011 a ampliação das instalações do quartel. O projecto é um grande salto na melhoria das condições da corporação e uma das maiores iniciativas da actual Direcção presidida por Maria Benedita Rito Dias.

(clique nas imagens para ampliar.)

Antes que as obras sejam interrompidas pelo empreiteiro para gozo de férias dos trabalhadores, o quartel está a ficar cada vez mais bonito com os acabamentos interiores; mais branco, mais liso e perfeito. A Associação dos bombeiros do Soito, espera, no entanto, que com o regresso dos filhos das nossas terras às suas origens, visitem os Bombeiros e no local verifiquem o andamento das obras e a realidade que vai ser o novo quartel. Para que tudo isto seja possível, também os Bombeiros pedem a quem possa dar uma pequena ajuda, a entregue na secretaria dos Bombeiros do Soito. A direção, os bombeiros, e toda a população vos agradecem.

Quem pretender ajudar os bombeiros pode transferir o seu donativo para:
NIB: 003507020001137293062
ou, se for no estrangeiro, através do:
IBAN: PT50003507020001137293062, código CGDIPTPL.
A Direção e os Bombeiros Voluntários do Soito agradecem.
jcl

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto à Quinta das Batoquinhas, anexa da freguesia raiana de Aldeia da Ribeira. No próximo domingo será editado o poema relativo à freguesia de Aldeia de Santo António.

QUINTA DAS BATOQUINHAS

Na minha saudade as Batoquinhas
Não são uma quinta, mas a Quinta
Memórias soberanas quais rainhas
Que o mugre temporal a ouro pinta

Espadas postas fora das bainhas
Quixotes que o Cid em mim requinta
Carrascos entoando ladainhas
A noite dos cargueiros as pressinta

Quando os verdes anos dão o mote
Qualquer um verseja sem que note
Que o estro fica aquém da ambição

Rodeira não das cinzas lume vivo
Os verdes anos no carril revivo
Qual César indo além do rubicão

«Poetando», Manuel Leal Freire

Capeia Arraiana, tradição única no mundo criada pelos nossos preservada por nós…
A pouco tempo do concelho parar!

Já é habitual nesta altura os rebuliços que se começam a sentir por estas terras da raia, o mês que todos esperam está preste a iniciar e o ponto alto destas «férias» é definitivamente a tradicional Capeia Arraiana que este ano tem um sabor especial pela classificação como património imaterial da humanidade. Como já é hábito tudo começa na Lageosa da raia que tem o principal papel da abertura desta maratona de eventos/capeias em diversas aldeias. Passando durante o restante do mês pela capeia do Soito, Aldeia do Bispo, Nave, Aldeia da Ponte, Ozendo, Alfaiates, Forcalhos, Fóios e por fim Aldeia Velha que encerra este que é o período festivo do conselho.
Contudo importa referir e estabelecer que esta nossa tradição já embutida no nosso sangue raiano partiu á muitos anos pelos «nossos» que como o passar dos tempos se veio a actualizar e apaixonar muitos dos que por esta altura aqui passam e vivem esta adrenalina. São diversos os comentários que se ouvem em cada esquina sobre esta tradição, é já instintivo referenciar qual o touro que bateu melhor, qual a melhor, onde se vê melhor espectáculo, qual o melhor forcão, a garra das pessoas, os sustos que se viveram ali e aqui entre muitos outros dizeres que tornam esta tradição ainda melhor e com o espírito de ser maior e melhor.
Principais razoem para a construção deste wallpaper tipográfico onde podemos encontrar todas as frases, palavras, dizeres, sentimentos, objectos, organizadores, entre muitas outras coisas que estão presentes do mundo da Capeia Arraiana que merece a nossa maior estima. Podemos encontrar nesta pequena imagem uma enchente de tradição, e de passada sendo este o principal propósito que todos a analisem, se identifiquem e partilhem para que esta tradição seja conhecida pelo ser real valor.
E como slogan nada melhor do que Capeia Arraiana, tradição única no mundo criada pelos nossos preservada por nós…
É com agrado que deixo aqui o meu trabalho para que todos o possam apreciar, partilhar e utilizar para comunicar a nossa tradição.
Edgarfernandes|design | facebook.com/EdgarFernandesS | Nave’12

Damos continuidade à apresentação do léxico com as palavras e expressões populares usadas na raia ribacudana.

APAGA-LUME – pirilampo (Francisco Vaz).
APAJEAR – adular; lisonjear; dar mimos.
APALPADEIRA – mulher ao serviço da Guarda Fiscal, que fazia despir as mulheres contrabandistas para as revistar. «Levava-a ao posto da Lageosa, para que a apalpadeira a visse» (Nuno de Montemor).
APANHA – colheita. Apanha da castanha.
APANHAR – fazer a colheita ou a apanha.
APARADOR – homem que, na apanha da azeitona, a deita dos cestos para os sacos (Clarinda Azevedo Maia – Vale de Espinho).
APARELHAR – colocar os arreios às cavalgaduras; arrear.
APARELHO – albarda. Clarinda Azevedo Maia traduz assim: manta ou saco com que se cobre a albarda (Aldeia da Ponte). Nas Terras do Campo (Monsanto) além de arreio designa amojo dos animais (Maria Leonor Buescu).
APARRINADO – adoentado; amofinado; entristecido (José Pinto Peixoto).
APARTAR – separar; escolher; afastar. «Aparte-se um bocadinho, para olhar de mais longe esta beleza» (Nuno de Montemor).
APARTO – escolha e separação dos touros para a tourada.
APATANHAR – pisar; destruir com o andamento. «O gado bravo fugia das herdades espanholas para terra portuguesa, apatanhando as colheitas» (José Prata). Duardo Neves refere apatunhar, que traduz como: «atropelar com as patas – relativo a animais de grande porte».
APEAÇA – correia para jungir as vacas à canga. Para jungir ao jugo é usada a soga.
APEAR – pear; colocar peias: atar as patas dianteiras do cavalo.
APEADO – preso com peias.
APEGUILHAR – comer pão com peguilho (ou conduto).
APEIAS – peias; corrente de ferro com que se atam as patas das cavalgaduras.
APEIRADOR – o m. q. aparador (Clarinda Azevedo Maia – Fóios).
APELAZAR – apalpar; tactear. (Joaquim Manuel Correia).
APERALTADO – bem vestido.
APERNAR – prender pelas pernas; atar as patas das ovelhas para a tosquia. Bom enraizamento dos cereais (Duardo Neves).
APERREAR – fazer troça; insultar.
APESSOADO – de boa aparência; circunspecto.
APESTAR – exalar mau cheiro: cheira mal que apesta. Também se diz empestar.
APESUNHAR – espezinhar; andar sobre terras cultivadas (José Pinto Peixoto).
APIAR – prender; atar os braços e as pernar de uma criança (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia do Bispo): o m. q. apear.
APICHAR – acender o lume; atiçar ou açular o cão. Levantar falsos testemunhos a alguém (Clarinda Azevedo Maia – Forcalhos).
APILHAR – a comida conter sal em demasia. Agarrar; alcançar: aqui te agarro, além te apilho. Mais a Sul (Monsanto), significa atirar pedras a alguém (Maria Leonor Buescu).
APISTADEIRA – fisga (José Prata).
APISTAR – acertar, ter boa pontaria (José Prata).
APLICAR – trabalhar muito depressa; comer à pressa (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia do Bispo).
APONTAR – afiar; aguçar; fazer ponta. Apontar a relha – aguçar a relha do arado (Clarinda Azevedo Maia).
APORTEIRAR – gritar (Franklim Costa Braga).
APREGOAR – anunciar; fazer ler os pregões, ou banhos, anunciadores de casamento.
APREGUEJAR – praguejar, rogar pragas; blasfemar (José Pinto Peixoto).
APRISCO – cancelas onde se recolhe o gado; bardo (também se diz prisco). Júlio António Borges, de Figueira de Castelo Rodrigo, traduz de forma diferente: local separado, no redil, onde as ovelhas são ordenhadas.
APROCHEGAR – aproximar; chegar para perto.
APUCARAR – amealhar; guardar (Júlio António Borges).
APULAR – apanhar ou conter algo que vem pelo ar. Apular o cântaro: costume da Páscoa em que rapazes e raparigas seguem cantando a atirar um cântaro de uns para os outros. José Prata chama-lhe jogo do cântaro.
APUNHAR – tomar a massa nas mãos para dar forma aos pães (Clarinda Azevedo Maia – Fóios).
AQUENTAR – aquecer; estimular – não me aquenta nem me arrefenta.
AR – mal que provoca, nas crianças, um aspecto adoentado e amofinado, definhando continuamente, sem haver razão evidente. Se não for atalhado o doente pode ficar tísico. «Se, num prato com água, o azeite se espalhava era porque a criança tinha um ar, que devia de ser, logo, atalhado. Para atalhar um ar fazia-se um defumadoiro» (José Pinto Peixoto).
A RABO DE – atrás de… «Vem a rabo de mim» (José Manuel Lousa Gomes).
ARADA – terra lavrada.
ARADO – utensílio da lavoura para lavrar a terra. O tradicional é conhecido por arado de pau, é do tipo radial e é constituído pelas seguintes peças, segundo Manuel Santos Caria: sega, teiró, rabeca, avecas, mexilho, relha, tamão, pescunhos ou cunhas e chavelha (acessório). Já segundo Clarinda Azevedo Maia as peças são: rabela, tamão, tairó, traitora, mexilho, torno, prego, dente.
ARADO DE CEGA – arado equipado com uma cega, ou lâmina de ferro, a qual encaixa no toiró, variando a sua posição com o sentido da torna, de forma a cortar e virar a leiva para o lado da arada (Jarmelo).
ARADO ESPANHOL – arado com camba curta, que se prende ao timão por intermédio de duas argolas de ferro e cunhas de madeira (pescunhos).
ARANCOTAR – pavonear; ostentar (José Prata).
ARANCU – pirilampo. Joaquim Manuel Correia refere o termo arancu sem asas. Em Alfaiates Francisco Vaz chama-lhe apaga-lume. Clarinda Azevedo Maia refere: arancu, bicho da seda, bicho qu’alumia, bicho-arancu, sarançum saranrum, luzinha, vaga-lumo, pastorzinho. Nas terras do Campo (Monsanto) dizem arancum (Maria Leonor Buescu).
ARANHEIRA – teia de aranha.
ARANHÃO – pessoa atada, sem acção, sem destreza. «Sempre me saistes uns aranhões!…» (Abel Saraiva).
ARANZEL – pessoa ou coisa frágil (Júlio António Borges).
ARAVIAS – habilidades sem valor (José Pinto Peixoto).
ARCA – grande caixa rectangular de madeira, com o interior dividido em compartimentos, onde se guardavam os cereais. Também havia a arca salgadeira, para conservação da carne do porco, e as arcas para guardar a roupa.
ARCÁDIAS – argolas que as mulheres usam nas orelhas. Também se diz arrecádias e arrecadas.
ARCAZ – arca grande (Júlio António Borges).
ARCO-CELESTE – arco-íris (Clarinda Azevedo Maia). Em muitas terras diz-se arco-celestre.
ARCO DA VELHA – arco-íris (Franklim Costa Braga). A expressão histórias do arco da velha, designa narrações fantasiosas.
ARCO DA VIRGEM – arco-íris (Clarinda Azevedo Maia). Em muitas terras diz-se: arco da birge.
ARCO DE NOSSA SENHORA – arco-íris (Clarinda Azevedo Maia – Cerdeira do Côa).
ARCO-ÍRIS – meteoro luminoso, que apresenta as sete cores do espectro solar. Esta expressão era apenas usada pelas crianças, pois os mais velhos usavam outras variantes, como atrás se disse: arco-celeste, arco da velha, arco de Nossa Senhora, arco da Virgem.
ARÇOLHO – armadilha de caça, formada por tábuas moveis que cobrem um buraco feito no solo (Carlos Alberto Marques). A perdiz, ao pisar a tabuinha cai na cova, que a tábua volta a fechar.
ARCOSO – anel – termo da gíria de Quadrazais (Nuno Montemor).
ARDOSA – aguardente – termo da gíria de Quadrazais (Nuno de Montemor)
AREIA – palerma; tonto. «És um areia» (Clarinda Azevedo Maia).
ARELO – tira de pano que segura o arméu de estopa à roca – as estrigas de linho eram seguras pelo cartapel (Manuel Santos Caria).
ARENGAR – fazer arenga; falar demoradamente e de forma enfadonha. O que estás para aí a arengar? Vitor Pereira Neves traduz por: resmungar; José Prata por: discursar, beldar, rezingar; Júlio António Borges por: falar sem interesse para quem ouve.
ARESTA – miolo da planta do linho, que se retira ao longo das várias fases da sua preparação até que fica a estriga de linho puro.
ARESTO – solução perante uma dificuldade. Não dar aresto: não encontrar caminho ou solução (Júlio Silva Marques).
ARGADILHO – rodízio usado para dobar o linho; dobadoura (José Pinto Peixoto).
ARGANEL – arame que se coloca no focinho dos porcos para que não revolvam palha da cama.
ÁRGIO – dinheiro (em moeda ) – termo da gíria de Quadrazais (Franklim Costa Braga).
ARGOLADA – pancada com a aldraba na porta; asneira.
ÁRIA – aspecto; fisionomia.
ARIADO – palerma; tonto (Clarinda Azevedo Maia).
ARICAR – passar o arado para remover as ervas daninhas. Segundo Francisco Vaz, também significa dizer asneiras.
ARIOSCA – tramóia; armadilha (Júlio António Borges).
ARMAÇÃO – esqueleto.
ARMAR-SE UMA TROVOADA – o tempo dar mostras de trovoada eminente – estando muito calor, o céu ficou escuro, cor de chumbo.
ARMAS DA GADANHA – cabo de madeira que se adapta à folha da gadanha. Em Vale de Espinho dizem armes, segundo Clarinda Azevedo Maia.
ARMÉU – porção de linho que vai de uma vez à roca para fiar. Manuel Santos Caria escreve ármeo e armo. Júlio Silva Marques e Clarinda Azevedo Maia escrevem ármio.
ARNAZ – robustez; força. «Vejo que estás com bom arnaz, homem» (Carlos Guerra Vicente).
AROLAS – pessoa sem préstimo, reles.
ARPALHÃO – pessoa sem jeito (Júlio António Borges).
ARQUEJO – alqueire – termo da gíria de Quadrazais (Nuno de Montemor). Franklim Costa Braga refere arquerio.
(Continua…)
Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

leitaobatista@gmail.com

A Europa nasceu sob o signo imperial.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaCom pés de barro, como na visão do chamado festim de Baltasar, foram-se, mesmo assim, os impérios que neste velho Continente se começaram a erigir no tempo de César, mantendo, na generalidede até fim da Primeira Grande Guerra, tendo-lhe alguns até sobrevivido.
A queda de Roma, no último quartel do século V deixou logo o fermento para três novas sedes imperiais: o bizantino (que, de resto, desde a tetrarquia já rivalizava com aquela), o franco (que terá atingido o seu zénite europeu com Carlos Magno, o Imperador da Barba Florida, de resto também precursor do terceiro) e o germânico que remontará no mínimo a Otão, o Grande, pai de um amplexo que tentou a fusão de dois mundos culturais através da instituição do Sacro Imério Romano-Germânico.
Mais tarde, viriam ainda a afirmar-se com apetência imperial a Prússia e a Suécia, com pretensões apenas em relação ao Continente; a Rússia, mais voltada para a Ásia; e as potências marítimas – Portugal, a Holanda, a Espanha, a Inglaterra, a França, a Bélgica e até a Dinamarca.
Outros impérios, não de raiz europeia, mas asiática, exerceram grande influênda no nosso continente.
Para além de hunos, mongóis, e tártaros, que passaram como relâmpagos, há a referir os califados Bagdad e Damasco, ou, acima de todos, o turco, a Sublime Porta do Grão-Turco.
Bizâncio, que depois se chamou Constantinopla, e, mais tarde ainda, Istambul, nasceu mesmo fadada para urn destino imperial, tendo sido por mil anos nó fulcral duma civilização, e, por mais quinhentos, da que lhe sucedeu.
Na Europa, a irrupção de nacionalidades operou a secessão, dando origem aos actuais estados da Grécia, da Bulgária, da Roménia, da Albânia e das repúblicas por que se cissiparizou a Jugoslávia…
Os czares russos e seus sucessores, sempre apostados na dilatação das fronteiras ocuparam-lhe extensos territórios na regiãoo caucásica, enquanto que os austríacos os haviam repelido de todo o cisdanúbio.
A Inglaterra e a França, empenhadas na expansão para além dos mares, apoderaram-se, a primeira da i1has mediterraânicas de Malta e Chipre (embriões de futuros estados), Palestina, Egipto e vastas parcelas das Arábias; enquanto que a segunda estabelecia zonas de influência ou impunha mesmo a sua soberania em zonas imperiais sobrantes do Norte de África e Próximo Oriente.
E até a Itália, país de recentíssima implantação (só em 1861, o Rei do Piemonte se faz aclamar monarca de todo o actual território, aliás depois de, no ano anterior, Garibaldi, com um exército de apenas mil homens, ter arrebatado Nápoles e Sicília aos Bourbons), ainda apareceu a tempo de ficar com uma parte dos despojos; os arquipélagos de Rodes e Dodecaneso nos extremos do mare nostrum; a Tripolitânia e a Cirenaica, que, fundindo-se, geraram a actual Líbia.
Aliado da Áustria e da Alemanha na Primeira Grande Guerra, havia de pagar, quando sobreveio a derrota, a factura sempre exigida aos vencidos, que, na circuntância se cifrou essencialmente na perda de terras.
Dos impérios continentais, só a Rússia, tendo embora sofrido pequenas desanexações, se não viu excluída dos grandes dominios territoriais na Europa e seus limes.
No intervalo entre dois grandes conflitos de dimensao mundial, as potências europeias consolidaram as suas posições para além dos mares.
Mas também esta dominação se revelou éfemera…
Em Ialta e Potdsam.,Estaline e Roosevelt tratavam de revoltar contra a Europa os territórios dos demais continentes onde a colonização estava em marcha, impondo aos povos que as não desejavam, nem para elas estavam preparados, ilusórias e precoces independências, que haviam de levar todos os flagelos aos povos supostamente emancipados.
O homem europeu que, genericamente, acreditava em vantagens recíprocas da sua acção junto dos pretos, amarelos e índios, viu-se contra vontade, liberto de ónus de civilizador.
Esquecia-se, assim, um dos mandatos do Evangelho: Ite et docent omnes gentes.
Esquecia-se também que a génese imperial da Europa nascera com a autoridade papal que se situava acima dos reis e dos povos e esteve na base do nascimento e consolidação de muitos reinos.
O papa encontrava-se efectivamente chefiando uma federação de estados, uma sociedade das nações, a que ele imporia a obrigação de estabelecerem por toda a parte o reino de Cristo, combatendo também pelo aumento da Cristandade.
Monarcas, principes, grãosduques, bem como outros poderosos senhores, embora de menor grau em soberania, buscaram a protecção da Santa Sé.
Uns procuravam protecção contra aspirarações hegemónicas de estados vizinhos (casos de Aragão e da Hungria), dos monarcas normandos das Duas Sicílias ou de Quieve. Outros pretendiam ver-se reconhecidos eomo reis por um poder superior, como Portugal ou a Boémia, as realezas da Sérvia e da Dinarmarca, os reinos cristãos que as cruzadas fizeram nascer no Próximo Oriente.
Outros ainda, como João-Sem-Terra pretendiam também controlar os desmandos dos seus barões. Aquele pobre rei da Inglaterra, em luta contra a França declarou-se vassalo da Santa Sé a quem pagaria anualmente mil libras esterlinas de censo, possivelmente por ver ali uma última esperança de sobrevivência.
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

Os vereadores do Partido Socialista na Câmara Municipal do Sabugal, requereram ao presidente informação acerca dos compromissos financeiros que terão reflexo em 2013, de modo a puderem apresentar propostas alternativas devidamente fundamentadas.

O requerimento foi apresentado na última reunião do executivo, realizada no passado dia 18 de Julho, pela vereadora Sandra Fortuna. No documento, a que o Capeia Arraiana teve acesso, alega-se que o pedido de informação tem por base a acusação sucessiva de que os vereadores socialistas votam contra as propostas do presidente, sem apresentarem alternativas.
Os vereadores afirmam que os documentos que vão a votação «têm sido elaborados e apresentados sem qualquer discussão prévia, nem fornecimento atempado de elementos essenciais, sendo as propostas finais entregues quase sempre na data limite». Esse facto é impeditivo de se fazer uma análise aprofundada e, em consequência, apresentar propostas alternativas.
Face ao alegado os vereadores socialistas requereram ao presidente «o fornecimento urgente dos seguintes dados:
1- Quais os compromissos assumidos em 2012 e com reflexos financeiros em 2013?
2- Quais os compromissos que pretende assumir ainda este ano e quais os reflexos financeiros em 2013?
3- Qual o montante da dívida a Instituições Bancárias e quais os encargos financeiros com o serviço da dívida em 2013?
4- Quais os projectos que se encontram em condições de ser submetidos a candidaturas a fundos comunitários e quais os reflexos financeiros da sua aprovação e concretização em 2013.»
O requerimento, a que o Capeia Arraiana teve acesso, termina com o aviso de que «este conjunto de informação agora requerido será complementado com novos pedidos a apresentar em momentos subsequentes, visando dotar os Vereadores do Partido Socialista com a informação necessária para a apresentação de propostas alternativas».
plb

O título desta crónica não é original, bem sei, mas corresponde na perfeição para o assunto. Quando abrimos o jornal ou ouvimos as notícias, lá vem mais um anunciado fecho seja de que serviço for no interior. O elevado número de escolas fechadas, os vários serviços do estado, tribunais, centros de saúde, que vão fechar, levam a um efectivo abandono do estado e, portanto, da sua soberania, em grande parte do território.

Poderia, assim de repente, parecer uma boa notícia, mas ela encerra uma realidade amarga, traduzida numa palavra: abandono. Costuma-se dizer que, mais vale que me odeiem do que me ser indiferente! É verdade, mais vale que nos odeiem, mas que não nos vejam com indiferença. Com o abandono por parte do estado, do interior, perde a sua proximidade com os cidadãos, perde a confiança e, mais tarde, perde a identidade nacional, porque perde a sua coesão e, claro, a sensação de abandono terá sempre um preço caro. Hoje, o interior, perde de uma forma constante recursos humanos, diria, os seus melhores recursos humanos. Os jovens abandonam porque foram abandonados. O empreendorismo, tão badalado, só é possível com gente, Onde é que ela está? Somos um país assimétrico, quer materialmente, quer humanamente. Os recursos são, invariavelmente, concentrados no litoral, esquecendo todo o resto do território e as sua gentes. Já aqui expliquei nestas páginas que, para além das razões históricas, este fenómeno é, também, culpa de uma visão míope dos nossos governantes. Nunca pensaram o país como um todo. Para eles o país é somente uma franja do território. Os serviços do estado têm que estar presentes em todo o território nacional. Sei que custa muito aos senhores doutores médicos vir para a província (como eles dizem), mas num país tão pequeno em extensão, não nos podemos dar ao luxo de Coimbra, por exemplo, ter mais médicos por metro quadrado em toda a Europa, e ter cerca de oitenta por cento do território com falta de médicos. Ter os senhores juízes a não quererem vir para o interior, porquê? Se não forem juízes no sistema do estado vão sê-lo onde? Ainda por cima lhes pagam renda de casa, quando em muitos locais o estado está a pagar casa para os senhores! Se querem (e alguns só podem) trabalhar para o estado, este, é todo o território. Mas não, o corporativismo ainda é quem mexe os cordelinhos nesta sociedade…
A morte do interior do país é agonizante. Podem vir os peritos anunciar sugestões de fechos e mais fechos, que a única conclusão válida que sempre conseguem é um resultado em números, nunca em pessoas, e que vão sempre de encontro ao encomendador da perícia. E isto vem em resposta ao estudo encomendado pelo Ministério da Saúde aos peritos sobre as urgências. E, claro, lá vem que é preciso fechar umas quantas! E dizem que ninguém fica a mais de uma hora de uma urgência! Talvez. No mapa é possível… Mas lembraram-se de que, nós, chegamos à Guarda e… depois temos que ir para Coimbra! Efectivamente, estamos a menos de uma hora da urgência… E este estudo seve, apenas, como exemplo. Porque no resto é a mesma coisa: tribunais, serviços de correios, educação, finanças, segurança social, etc. É comércio; não atinge tal número? Fecha. As pessoas não importam. O paradigma que vivemos esqueceu todo o sentido humanista e converteu-se ao economicista. Parece não se ter aprendido nada com a história. E esta, acreditem, far-nos-á ver o quanto andamos e estamos enganados. Os sinais estão a começar a ficar visíveis. As pessoas, sim as pessoas, erguer-se-ão em protesto e na exigência do respeito pela sua dignidade: a de ser pessoas e cidadãos.
Até lá, o anúncio da morte do interior, já era anunciada. Diria, pela elite deste burgo, desejada. Sai mais barato.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

A Câmara Municipal do Sabugal decidiu ontem, 18 de Junho, adiar para a próxima reunião a votação da destituição do Conselho de Administração da empresa municipal Sabugal+.

Na sequência da rejeição das contas de 2011 da empresa municipal, o executivo decidiu responsabilizar o actual Conselho de Administração pelos resultados financeiros obtidos e «a sua consequente e imediata destituição». Tal decisão foi tomada na reunião de 20 de Junho, com os votos dos vereadores da oposição. Porém o presidente António Robalo considerou que a votação foi irregular, uma vez que, tratando-se de destituir pessoas que ocupam cargos, a mesma tem que ser tomada por voto secreto, o que não foi o caso. Nestes termos, o conselho de administração, composto pelos vereadores Delfina Leal e Ernesto Cunha e por Amândio Pires, manteve-se em funções.
Estava prevista para ontem, 18 de Julho, a tomada de uma decisão definitiva, mas a ausência do presidente António Robalo gerou uma discussão acerca da existência de quórum, já que, dados os impedimentos dos vereadores ligados à empresa, apenas ficariam na reunião três vereadores, a saber, Sandra Fortuna e Francisco Vaz, do PS, e Joaquim Ricardo, independente eleito pelo MPT. Face à situação, o assunto ficou adiado para a próxima reunião, mantendo-se assim a empresa com órgãos directivos por mais uns dias.
Este será o quarto conselho de administração a cair neste mandato autárquico, numa empresa que passa por imensas dificuldades a nível funcional e financeiro.

A actividade da Sabugal+
A empresa municipal Sabugal+ foi constituída em 2004, quando a presidência do município era ocupada por António Morgado, com o capital social de 50 mil euros, ficando com personalidade jurídica própria e dotada de autonomia administrativa e patrimonial.
A empresa tem como objecto principal a realização de eventos e a gestão e dinamização dos equipamentos e estruturas culturais, desportivas, turísticas e ambientais. Na prática, a Sabugal + gere as piscinas, o pavilhão gimnodesportivo, o centro de negócios do Soito, o museu, os postos de turismo e os terrenos camarários da colónia agrícola Martim Rei.
Em 2007 o objecto foi formal e legalmente alargado, de modo a tomar conta de parques de campismo, parques termais e parques temáticos. Estava em curso uma nova fase para a empresa, com vista a servir de charneira para projectos como o do parque de campismo do Sabugal, da exploração das termas do Cró e do futuro parque temático (promessa apresentada na última campanha eleitoral).
A ideia de fazer a gestão do futuro Parque de Campismo deu mesmo azo a outra empresa municipal, a Côa Camping, participada em 49% do capital, tendo em vista planear e construir o parque, cujo projecto entretanto foi suspenso, dada a desistência dos parceiros privados.
A Sabugal+ cresceu em competências e em actividades, sendo cada vez mais os equipamentos e os eventos que tem de gerir. Porém este ano, dada a sua periclitante situação financeira os eventos previstos no plano de actividades vêm sendo assumidos pela Câmara.
O crescimento da empresa vê-se também no número de funcionários, que são actualmente 39, sendo 22 efectivos.
No ano de 2011 a empresa teve um gasto superior a 1,8 milhões de euros, sendo que metade desse valor foi suportado pela Câmara Municipal através de transferências correntes e de capital.
plb

O fracasso do partidarismo – ou o corvo branco e o cisne preto.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaNão analisaremos, ao menos por agora, se no conflito Relvas-jornais a razão era de um ou de outro dos contendores, se repartida mais ou menos equitativamente por qualquer deles, ou se, por respeito de quem não gosta destas tricas e tem o direito de viver fora delas, todos devessem estar calados.
O que pretendemos realçar, até porque a ninguém pode ter passado desapercebido, foi o tristíssimo espectáculo protagonizado pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social (a ERC) a propósito do conflito.
Três dos ilustríssimos conselheiros ilibaram Sua Excelência o Ministro.
Os outros dois, se não disseram daquele conspícuo estadista o que Mafoma disse do toucinho andaram perto.
Poderão objectar-me que a discrepância de opiniões é própria do limitado do nosso campo de observação.
A prevenção vem de há muito e tem-se perenizado. De Platão a Gassett,
Se neste mundo não há
Nem verdade nem mentira
Tudo depende da cor
Do vidro com que se mira

Pois,
Intervém logo um cristal
Chamado caleidoscópio
Que á visão que é a real
Dá logo a versão do próprio

Ora,
O mais preclaro varão
E o Santo a Deus mais temente
Sofrem a limitação
De o homem ser contingente

E daí a conclusão,
É louco aquele que intenta
Deter certezas a rodo

Já que,
Do lugar onde um se senta
Não se vê o mundo todo

Assim, parece ficar coonestado o comportamento de todos e cada um dos cinco membros daquele ilustrissimo conciliábulo…
E assim seria se cada um tivesse decidido pela sua cabeça e não cumprindo como foi o caso ordens de mandantes.
Os membros progovernamentais teriam de decidir a favor do ministro, fosse qual fosse a gravidade ou a inocência dos actos em exame.
Os outros teriam de ajuizar contra.
São assim na nossa democracia parlamento-partidária as regras.
Foi assim desde mil oitocentos e vinte a mil novecentos e dez.
Foi assim na Primeira República.
Está sendo assim na Terceira.
Daí o que foi e continuará a ser a nossa instabilidade.
Jorge Campinos, que ninguém pode acusar de antidemocrata deixou exarado numa nota do seu monumental trabalho O Presidencialismo do Estado Novo que «a nossa Primeira República perpetuou a instabilidade herdada da Monarquia Parlamentar, multiplicando-a até ao absurdo».
E continua:
«A Quarta República Francesa oferece em comparação uma bem pálida imagem.
Na França em desordem houve dezoito ministérios.
Em Portugal, entre mil novecentos e dez e mil novecentos e vinte e seis, houve quarenta e quatro.»
«Caso da Semana», opinião de Manuel Leal Freire

A Associação Sócio Terapêutica de Almeida (ASTA) realiza no pinhal circundante às suas instalações, na Cabreira, mais uma Feira de Solidariedade, pela qual conta recolher apoios para as suas actividades.

A oitava edição da Feira de Solidariedade realiza-se no próximo fim-de-semana, dias 21 e 22 de Julho, apostando em novas dinâmicas. A iniciativa conta com espectáculos diversos, exposições, tasquinhas, ateliers de pintura e muitas outras atractividades.
A Instituição Particular de Solidariedade Social de utilidade pública, foi fundada em 1998 por Maria José Dinis da Fonseca (mãe de um jovem com deficiência mental). Iniciou as actividades com 6 jovens na casa da fundadora, na aldeia onde nasceu, na Cabreira do Côa, Concelho de Almeida, tendo o projecto garantido o apoio da Segurança Social, o que lhe permitiu desenvolver-se e afirmar-se, expandindo as suas actividades na área pedagógica e sócio-terapêutica.
No ano passado a ASTA venceu o Prémio Manuel António da Mota, em resultado de ter sido considerada, a nível nacional, a melhor instituição de solidariedade no combate à exclusão social. Em resultado disso a instituição recebeu a visita pelo Presidente da República, Cavaco Silva, que quis conhecer e observar o trabalho de apoio aos deficientemente que ali é praticado com elevados níveis de sucesso.
A instituição acolhe também alguns jovens do concelho do Sabugal, que ali procuram as terapias adequadas, voltadas para a melhoria da autonomia e da auto-estima, com vista a proporcionar-lhes uma melhor condição de vida e uma melhor integração social.
plb

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Chegados a julho, muitos sabugalenses, entre os quais eu próprio, entram em ritmo de férias. Aqui deixo pequenos poemas de amor escritos durante o ano de 2001.

 

PEQUENOS POEMAS DE AMOR

talvez voar.
um vento. súbito. de inverno.
      um quase nada. a chuva.
e o calor. doce. de ti…

como se foras
      a luz.
uma fonte de verão.
ou. querendo.
      fogo…

por ti dói.
      meu corpo.
         sôfrego.
            de ti.

sabe. o corpo.
   os caminhos. de ti.
onde perder-se.
conhece. a boca.
      os sabores. teus.
como amoras.

ps1. Falho hoje a promessa de escrever sobre as propostas de revisão da lei eleitoral para as Autarquias. A culpa não é minha, mas dos Partidos que preferem mandar recados aos jornais que apresentar formalmente as suas propostas. Voltarei ao assunto quando as propostas forem conhecidas.

ps2. Já neste fim de semana um evento medieval na cidade do Sabugal, anunciando-se outro lá para setembro em Sortelha. Estes eventos são organizados pela Câmara Municipal sem, nas palavras do Sr. Presidente da Câmara na última Assembleia Municipal, a intervenção da SABUGAL+. No ano passado o evento medieval em Sortelha foi organizado por esta empresa municipal. Pelos vistos, e ao contrário do que tanto alguns têm dito, nem os eventos deixaram de se realizar, nem se sabe de colaboradores da SABUGAL+ que tenham sido despedidos…
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

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