Continuo hoje esta minha reflexão sobre a gestão municipal face à situação que se vive no País.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Um Concelho tem de ser um território qualificado onde as pessoas que aqui vivem e trabalham se sintam bem.
E tal significa a garantia de condições físicas – redes de distribuição de água, saneamento, recolha de lixo, energia, comunicações, redes viárias, etc. -, de qualidade.
Mas, e face à realidade do Concelho, há todo um outro conjunto de condições que devem, em situação de crise, ser objeto de maior empenhamento por parte dos eleitos municipais, com destaque especial para as intervenções na área social.
Os investimentos em infraestruturas são, normalmente, muito pesados e devem ser nesta fase muito bem ponderados face ao seu contributo para o aumento da qualidade de vida das populações.
Mais do que continuar com investimentos para os quais nem o Município nem o País têm capacidade, importa apostar em intervenções que permitam criar um Concelho onde todos possam ser cidadãos de pleno direito, que conduzam à igualdade de oportunidades para todos e que fomentem a tolerância e a inclusão de todos os seus membros, qualquer que seja a sua raça, sexo ou posição social.
Importa ainda apostar em formas de intervenção permanente, em conjunto com as instituições sociais e culturais, centradas na pessoa enquanto ser humano, mas igualmente, enquanto cidadão, reforçando ao mesmo tempo os sentimentos de pertença e identidade, tão importantes em regiões em acelerado processo de desertificação e envelhecimento, o que passa também pela criação de um espaço público de qualidade.
As nossas aldeias têm de continuar a ser atrativas, seguras, limpas e com os equipamentos de uso público adequados ás populações que os utilizam e em boas condições de conservação.
Por tudo isto, não esperem que vos fale de grandes investimentos ou de grandes obras, pensando antes que um Plano Orçamental para uma situação de crise deve incidir, sobretudo, em áreas como:
– a saúde, criando condições para a igualdade de todos os sabugalenses no acesso aos cuidados médicos e à aquisição de medicamentos;
– o apoio à 3ª Idade, aprofundando as parcerias com as IPSS do Concelho, mas, igualmente, não esquecendo os idosos que vivem nas suas residências;
– a educação, não permitindo que crianças ou jovens se afastem da escola por dificuldades familiares;
– a qualificação do espaço público das freguesias, apostando em intervenções de manutenção/recuperação do mesmo;
– a transformação de espaços devolutos em espaços de vivência coletiva.
Dir-me-ão que isto é o que é feito, mas basta a leitura dos orçamentos municipais dos últimos anos, para se perceber que estas são áreas quase sempre residuais e que representam uma percentagem muito reduzida do total das despesas previstas.
E não tenho dúvidas em afirmar que adiar ou mesmo abandonar a concretização de algumas obras de resultados mais que duvidosos para inverter a situação com que o Concelho se defronta, permitiria libertar recursos para intervenções de caráter social (e não se confunda este tipo de intervenções com a mera assistência social), de muito maior impacto no conjunto da população sabugalense.
Até para a semana…
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

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