Este artigo foi como que inspirado nos vários artigos que o Mestre Leal Freire, o Paulo Leitão e o José Carlos Mendes têm escrito aqui neste Blog. São os que mais abordam a História e tradições do nosso Concelho.

António EmidioNós portugueses já nos apercebemos que a União Europeia não passou de uma falsa ilusão – mas nunca devemos perder o sonho de uma Europa da cidadania e dos povos – estamos integrados nela, não de alma e coração, mas por obrigação. Por obrigação já assimilámos os «valores» da Europa, o relativismo moral e ético e o individualismo. A nossa desilusão tem sido grande, meçamos essa desilusão:
Portugal, antes do 25 de Abril era dos países menos industrializados da Europa, hoje mantém-se na mesma.
Portugal, antes do 25 de Abril era um país com uma enorme percentagem de analfabetismo, hoje temos aproximadamente quatro milhões de analfabetos funcionais, gente que sabe ler e escrever, mas que não compreende um texto por mais simples que seja.
Portugal, antes do 25 de Abril tinha grandes estádios de futebol e jogadores reconhecidos internacionalmente que ganhavam bons salários. Hoje continuamos a ter grandes estádios de futebol, grandes treinadores tipo «special one», presidentes de clubes corruptos até à medula, jogadores habilidosos com os pés, cuja habilidade lhes garante fortunas pessoais que correspondem a fatias do PIB de alguns países africanos! Aqui subimos uns pontos.
Antes do 25 de Abril, eramos dos países mais pobres da Europa, e com uma diferença salarial impressionante. Hoje continuamos na mesma.
A culpa disto tudo é da Europa? Não propriamente, é de uma elite política e financeira que substituiu os valores da lealdade, da honestidade, da solidariedade e da amizade, pelo dinheiro e pela procura incessante do mesmo, originando uma corrupção brutal que não nos deixou singrar a nível económico, político e moral.
Nesta Europa, mistura de protestantismo, Capitalismo Selvagem, individualismo possessivo e hedonismo parolo, a nossa língua e as nossas tradições são as que resistem, são as únicas que resistem, a uma absorção total do nosso país por parte da Europa. No que se irá transformar uma UE alemã debaixo da supervisão dos Estados Unidos? A uma hegemonia destes últimos, e uma das medidas que tomará, será colocar o Inglês como língua predominante na UE. Portugal, como Nação, irá transformar-se em região, com governo e parlamento regionais. A língua portuguesa continuará a ser ensinada nas escolas, servindo para testemunhar os mil anos de História de Portugal.
Por tudo isto, merecem todo o nosso respeito, admiração e apoio, aqueles homens e aquelas mulheres que preservaram e preservam as nossas tradições e a memória histórica do nosso Concelho, através dos seus estudos, das suas observações e dos seus escritos. Sem estes homens e mulheres, a tradição e a História cairiam nos confins do esquecimento e, nós cairíamos com elas. Passaríamos a ser uma árvore sem raízes.
Também temos de fazer a destrinça entre a verdadeira tradição e a verdadeira História do nosso Concelho, e a falsa! Porque infelizmente nos tempos que correm o espirito mercantilista tudo adultera, não olhando a meios para atingir fins.
A todos os homens e mulheres que lutam pela preservação das tradições e da memória histórica do nosso Concelho, é de desejar que a força do espirito os acompanhe, como acompanhou Joaquim Manuel Correia e Nuno de Montemor, entre outros.
«Escrever história é uma maneira de nos libertarmos do passado». Penso que foi Goethe que disse isto. Esta frase, neste artigo, contém este significado: a libertação do passado significa a transformação económica e social que foi responsável pelo analfabetismo, pobreza, exploração do trabalhador e subdesenvolvimento do Concelho durante décadas. Infelizmente, ainda há quem veja o nosso passado, o passado do Concelho com «miragens», e quem vê com «miragens» o seu passado, constrói com «miragens» o seu futuro.
Toda a transformação política e económica que não inclua a sua dimensão social, humana, ética e ambiental, não é transformação e evolução, é regressão.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Anúncios