Damos continuidade à apresentação do léxico com as palavras e expressões populares usadas na raia ribacudana.

ADVERTIDO – alegre, folgazão, divertido.
ADVERTIR – alegrar; divertir.
A EITO – seguidamente, de enfiada: Levar a eito.
AÉREO – distraído; sem tino.
AFARVADO – acalorado (Júlio António Borges).
AFEITAR – barbear (do Castelhano): afeitou-se antes de ir para a festa.
AFERREAR – fazer zangar; o m. q. aferrenhar.
AFERRENHAR – fazer zangar. Atiçar os cães: quando passa gosta de aferrenhar os cadelos.
AFIADEIRA – pedra de xisto para afiar facas; agucina (Vítor Pereira Neves – Sortelha).
AFIANÇAR – dar a certeza, garantir, assegurar.
AFICAR – espetar no chão perpendicularmente (termo recolhido por Clarinda Azevedo Maia nos Forcalhos); o m. q. afincar.
AFIFAR – bater; sovar: afifou-lhe sem dó nem piedade.
AFINADO – esperto; sagaz. Irritado; zangado.
AFINAR – irritar, zangar.
AFIRMAR – observar; verificar; fixar os olhos em algo.
AFOGADILHO – à pressa, sem calma: anda sempre num afogadilho.
AFOGA-MARRANOS – cachecol (Francisco Vaz – Alfaiates).
AFOGAR – estrangular; matar por asfixia.
AFOITO – destemido; corajoso; que não tem medo; o m. q. foito. Clarinda Azevedo Maia define de modo, reportando a palavra às Batocas: «prevenido, que conta com alguma coisa que vai suceder».
AFOLIAR – desafiar o touro a investir, colocando-se à sua frente.
AFORRAR – arregaçar as mangas ou as calças. Aforrou-se e avançou de punhos cerrados.
AFUNDIR – afundar; ir para o fundo.
AFUSAL – porção de linho com dois arráteis (459 gramas). Clarinda Azevedo Maia define de outra forma, reportando a Aldeia da Ponte: «conjunto de 24 mãos-cheias de linho depois de espadelado».
AGACHAR – abaixar-se, pôr-se de cócoras. Defecar. Agachou-se para dar de corpo.
AGACHIZ – esconderijo; cabana muito exígua, onde uma pessoa mal se pode movimentar. Cada um em seu agachiz.
AGADANHAR – ceifar com a gadanha: O mê home foi agadanhar o lameiro.
AGALHADO – pau bifurcado para virar o feno, o m. q. galhada (Francisco Vaz – Alfaiates) ou agalhada. Também significa pau bifurcado para segurar as cancelas do aprisco – o que noutras partes do país se chama fôrca (J. Leite de Vasconcelos).
AGARRAR O SENTIDO – ficar aguado, com um desejo insatisfeito (apenas relativo a animais). A vaca ganhou o sentido do lameiro e é para lá que embica.
AGASNATAR – agarrar pelo pescoço (gasnato). Agasnatou-o de tal modo que o ia afogando.
AGASTAR – ofender, aborrecer.
AGATONAR – roubar – termo da gíria de Quadrazais (Franklim Costa Braga).
AGAZIAR – dar três uivos seguidos (Ah! Hi! Hi!) em sinal de alerta – termo da gíria de Quadrazais (Franklim Costa Braga).
AGAZULAR – asfixiar; apertar as goelas (Júlio António Borges). O m. q. agasnatar.
A GENTE – nós; as pessoas: A gente somos pobres.
AGONIADO – enfadado; enjoado.
AGRADAR-SE – olhar para algo com gosto. Agradou-se da cachopa.
AGRANGIR – angariar (Júlio António Borges).
AGRAZ – uva verde; muito azedo (Júlio António Borges).
AGRE – amargo; azedo; acre.
AGRO – talhado a pique; ribanceira (Clarinda Azevedo Maia). O m. q. agre. Conjunto da produção agrícola: vão bons os agros; colhi muito agro.
AGRUNHO – abrunho (Júlio António Borges).
AGUAÇADA – aguaceiro; chuva súbita e forte (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia da Ponte).
ÁGUA CHILRA – água choca: Donde veio esta água-chilra?
AGUADA – chuva forte e intensa. Júlio António Borges traduz por «Criança muito magra».
AGUADEIRAS – cangalhas (suporte de madeira) para transporte de cântaros no lombo de um burro.
AGUADOIRO – molhos de linho (Júlio António Borges).
ÁGUA-MEL – indivíduo natural de Vale de Espinho – dito depreciativo de que os valdespinhenses não gustavam.
AGUAMENTO – desejo alimentar insatisfeito (também se diz auguamento). Para se evitar o auguamento dos animais devem-se convidar, dando-lhes uma pequena porção de alimento. Também a mulher que está gestante não deve deixar de provar uma iguaria, sempre que a vê comer a outra pessoa.
ÁGUA-REZIA – aguaceiro; chuva forte (Clarinda Azevedo Maia – Forcalhos).
AGUÇADEIRA – pedra de afiar (também se diz aguçadoura).
AGUCINA – pedra de afiar. O m. q. aguçadeira, afiadeira ou esmoril. Nos currais ou nos balcões das casas havia sempre uma grande e pesada agucina para afiar facas, podoas e malhos. Também havia pedras pequenas, como a de afiar a gadanha.
AGÚDIA – formiga grande com asas, muito utilizada como isco para apanhar taralhões com costelas (costis) – Vítor Pereira Neves.
AGUIGUIAR – grito dos rapazes nas rondas nocturnas: ah-gui-gui! Júlio Silva Marques, de Vilar Maior, chama-lhe aguguiar. José Prata, de Aldeia da Ponte, usa o termo aghighar. José Pinto Peixoto, da Miuzela, refere aghughiar. Clarinda Azevedo Maia registou ahihiar. Os gritos dos rapazes da ronda, ou da «confraria dos solteiros», como lhe chama Manuel Leal Freire, eram um sinal de poder e de afirmação. De noite as ruas de cada aldeia eram da ronda, a quem cabia zelar pela segurança. Nuno de Montemor chama azagueios a esses gritos dos rapazes da ronda. Franklim Costa Braga coligiu o termo agaziar, que apresenta inserido na gíria de Quadrazais, significando dar três uivos seguidos (ah, ih, ih), o que seria um sinal de alerta usado no contrabando.
(Continua…)
Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

leitaobatista@gmail.com

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