Os resultados, agora conhecidos, das provas de aferição do 4º ano (antiga 4ª classe) a Matemática e Língua Portuguesa, causaram algum espanto para uns, o confirmar de uma maleita, para outros.

Ao longo destes anos de democracia, não houve um pacto de regime (como gostam de lhe chamar cá pelo burgo) sobre a educação. Esta foi encarada como um laboratório onde se têm vindo a fazer experiências atrás de experiências, das quais nunca se sabe os resultados. Porque cada governo, e não digo partido, chega e inventa mais uma experiência. O resultado é uma amálgama de directrizes, muitas que se contradizem, diplomas, decretos-leis e circulares, que encheram as escolas com burocracias (eu diria «burrocracias») que têm levado a lado nenhum. Não existe um plano para a educação. O resultado destas politiquices tem levado a educação em Portugal para uma farsa educacional. O facto, é que os estudantes em Portugal sabem pouco. Estudam pouco. E estão convencidos (e com razão) de que no final passa toda a gente. A exigência vem decaindo ano após ano. O 1º Ciclo (antiga escola primária) é leccionado por uma franja de docentes que não fizeram formação específica nessa área. E é precisamente nessa área que, a exigência se deve centrar no essencial: aprender a ler, a escrever, a contar e a fazer contas. São estas as ferramentas essenciais para o futuro. E é aqui que mais se manifesta a ausência dessa aprendizagem. A principal licenciatura, deveria ser a de formar professores especificamente para essa secção da aprendizagem. Em Portugal, nasceram universidades e politécnicos como cogumelos e, com elas, apareceram cursos superiores às dezenas. Entrava-se para a universidade com nota negativa, porque o que interessava era ter alunos. Porque cada aluno significava mais dinheiro. E o ensino tornou-se num negócio. Formaram-se milhares de jovens, com licenciaturas que não servem para nada. Depois, passou a olhar-se para a educação como uma área de somenos importância. Não foi encarada como um investimento mas tida como um gasto. Então, nada melhor que direcionar a educação para o sucesso. E foi. Um sucesso que assenta na ignorância, no facilitismo, no «laissez faire, laissez passe». Afinal, a retenção de um aluno, era caro. Dessa forma, criou-se um processo complexo que, quase impede, a retenção dos alunos. Virão os psicopedagogos (a quem chamo pseudo-pedagogos, muitos nunca deram uma única aula numa escola, aliás, tal como a maioria dos ministros da educação) afirmar que a retenção de um aluno pode ser traumatizante. Como? Quando um aluno nada faz, não estuda, não realiza as tarefas que lhe são propostas, fica traumatizado por ficar retido? Pergunto eu, como ficarão os outros, que trabalharam e se esforçaram? Senão, onde entra o tão badalado mérito?
Se não se encarar a educação como o elemento estruturante de uma nação, então estamos a diluir o passado, a comprometer o presente e a perder o futuro.
Muitas vezes pergunto-me, se tudo isto é inabilidade política ou um plano bem engendrado? Afinal é mais fácil de governar um povo ignorante!

P.S. Tem-se dito e redito, quase à exaustão, que esta geração, a maioria no desemprego, é a mais qualificada. Hoje, vou ser politicamente incorrecto, não acredito nesta treta. Esta não é a geração mais qualificada. Talvez seja a que mais diplomas tenha mas, certamente, a que está pior preparada para o futuro. Falta-lhe formação (saber).
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Anúncios