You are currently browsing the daily archive for Sábado, 2 Junho, 2012.

A estrutura do falar da zona raiana do concelho do Sabugal foi já alvo de um aturado estudo, protagonizado por Clarinda de Azevedo Maia, professora da Universidade de Coimbra, pelo que se não justificam outras incursões na sua caracterização geral.

O trabalho de Clarinda de Azevedo Maia, intitulado Os Falares Fronteiriços do Concelho do Sabugal e da vizinha Região de Xalma e Alamedilla (Coimbra, 1964), tem merecido cuidados elogios dos meios académicos, sendo invariavelmente citado nos trabalhos de investigação sobre essa temática. Sendo uma referência ao nível da ciência linguística em Portugal, iremos expor resumidamente, cm base nele, as características essenciais do falar de Riba Côa, no que especificamente se refere á fonética, à morfologia e à sintaxe.

FONÉTICA
Verificam-se alterações ao nível das vogais tónicas e atónas, dos ditongos e das consoantes.
O a é, em dados contextos, realizado como e: frelda, em vez de «fralda»; amanhê em vez de «amanhã».
O e pode passar a ei: tienho em vez de «tenho».
Nas consoantes é muito visível a substituição do v pelo b: binho em vez de «vinho»; grabe em vez de «grave».

MORFOLOGIA
O artigo definido aparece muitas vezes com a forma castelhana: el, la, lo, los: el binho, las casas, Vale de la Mula.
Também o artigo indefinido pode, esporadicamente, parecer como: uno, una, unos, unas.
O género dos substantivos também pode variar, em muito devido à influência do castelhano: a cajada em vez de «o cajado»; a Côa em vez de «o Côa»; a tomata em vez de «o tomate».
O número dos substantivos está igualmente sujeito a variação, preferindo-se muitas vezes o uso do plural: golas em vez de «gola» (garganta); tenazas em vez de «tenaz»; tesouras em vez de «tesoura».
No que se refere aos adjectivos, o grau superlativo nunca é formado por «issimo», usando-se prefixos e sufixos com uma função intensificadora: descontrafeito, desinfeliz, delgadecho.
Os pronomes possessivos podem ter formas diferentes: mei, tei, sei, ou mê tê, sê.
Os pronomes demonstrativos sofrem algumas alterações: munto em vez de «muito»; oitro em vez de «outro»; otrem em vez de «outrem»; qualquera ou quaisquera em vez de «qualquer». Também aqui se usa nenhum como pronome substantivo, ou seja, em vez de «ninguém». Também é de registar o uso de quiem quiera em vez de «quem quer».

Quanto aos verbos, há muitas originalidades:
Os verbos em que a consoante anterior é z, são assim pronunciados:
Dize-o, em vez de «di-lo»; faze-o, em vez de «fá-lo»; traze-o, em vez de «trá-lo».
Nalgumas formas verbais, acrescenta-se um i à vogal:
Aibra, em vez de «abra»; caibe, em vez de «cabe»; coima, em vez de «coma».
A primeira pessoa do plural do presente indicativo passa às vezes a terminação de «amos» para emos. Exemplos: Chamemos, estemos, falemos, andemos.
Adiantam-se outras particularidades, que não permitem, constituir uma regra: dande, em vez de «dai»; vande, em vez de «ide»; oibo, em vez de «ouço».

Há também particularidades no uso dos advérbios.
De lugar: abaxo, em vez de «abaixo»; adentro, em vez de «dentro»; adonde, em vez de «onde»; drento, em vez de «dentro»; i, em vez de «aí».
De tempo: adepois ou adespois, em vez de «depois»; amanhê, em vez de «amanhã»; antão ou atão, em vez de «então»; antonte, em vez de «anteontem»; aspois, em vez de «depois»; honje, em vez de «hoje»; inda, em vez de «ainda».
De modo: aquase, em vez de «quase»; asseim, em vez de «assim».
De quantidade: mai, em vez de «mais»; munto, em vez de «muito».
De negação: ou , em vez de «não»; siquera, em vez de «sequer».

Sobre preposições, aponta-se o seguinte: antre, em vez de «entre»; inté, em vez de «até”; sim, em vez de «sem».

SINTAXE
O artigo definido é muitas vezes omitido.
O artigo partitivo é usado em certas expressões, como por exemplo: Não sei de nada, em vez de «não sei nada»; quem me dera da água, em vez de «quem me dera água».
Nos pronomes destaca-se o uso do lhe como complemento: foi-lhe padrinho, em vez de «foi padrinho dele». Também o reforço do sujeito nominal: ela a lua já lá vem. Ainda o uso do pronome possessivo em vez do pronome pessoal: tenho casa de meu, em vez de «tenho casa minha».
No que toca aos verbos, há tendência para reflectivar: cear-se; dormir-se; morrer-se. Muitos verbos não são acompanhados da devida preposição: bati-o, em vez de «bati-lhe». Deficiente uso do verbo haver: hemos de ser amigos. Colocação do sujeito ele antes do verbo: ele agora num faz frio.
As preposições têm por vezes deficiente uso: vai a chover, em vez de «vai chover».
Nas conjunções destaca-se o uso somente de que, em vez de «para que»: dá-lhe uma cadeira que se assente. Também há a referir a introdução do não em comparações: não conhece mais rios que não a Côa.
Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

leitaobatista@gmail.com

Anúncios

Probe Galicia, no debes
Chamarte nunca española
que Españia de ti se olvida
cando eres, ai tan hermosa.

Catelhanos de Castela
Que é que fazeis aos galegos
Quandovão, vão como as rosas
Quando tornam vêm negros….

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaQue a Galiza tem mais afinidades com o Minho do que com qualquer outra parcela ou região de Espanha, ou das Espanhas, está dito e redito.
O rio que entre ambas as regiões corre, se consitui obstáculo natural, individualiza e harmoniza as duas regiões, únicas aliás que em todo o mundo produzem vinho Alvarinho, ou mesmo genecamente vinho verde.
A Galiza, identifica-se, na verdade, perfeitamente com o Entre Douro-e-Minho, região génese da indepêndência portuguesa.
Os galeguistas reconhecem-no:
Um minhoto é um antigo galego. A estrutura psíquica e mesmo a realidade sociológica não é diferente aquém e além rio. Portugal e a Galiza têm interesses comuns: A Galiza pela cultura e a história cristã está ligada a Portugal tanto ou mais do que a Espanha.
É um retalho do noroeste que olha para Portugal e Espanha com interesse nos dois Estados, se quer levar a cabo um desenvolvimento, social e político correcto. Por razões económicas e culturais bem evidentes, não pode prescindir de Portugal, que, afinal, também nasceu do mesmo retalho…
O que Miguel de Umamuno escreveu da Galiza, aplica-se também à província portuguesa.
Repare-se nesta passagem do mestre, extraída de «Por Tierras de Portugal y España»:
A paisagem na Galiza é feminina. Tanto pela beleza e graciosidade, como, porque nela se não vêem mais do que mulheres. Efectivamente, os homens emigram para terra ou para o mar.
Do nosso lado, o Brasil foi em grande parte constituído por gentes do alto Minho. De tal modo que, no Rio ou em São Paulo, em Olinda ou São Salvador, não se gritava, Aqui de-El-Rei, mas Aqui-de Viana.
Os pescadores de Alto Mar recrutavam-se preferencialmente na mesma zona.
Por seu turno a América Espanhola, desde o México ao Chile, passando por Cuba, valiam como Eldorado para os habitantes de além-rio:

Galiza está pobre
E a Havana me vou
Adeus prendas mias.
Adeus corazon…

A pesca longínqua não encontra também melhores praticantes, entre todos os espanhóis.
Aqui não haveria, pois, razões espirituais para a separação. Falharia totalmente a justificação de Correia de Oliveira:

Separei-me em tenra idade
Dos meus irmãos das Espanhas
Almas diversas apartam
Mais do que o mar e as montanhas.

Mais, como escreveu um grande mestre, a literatura galega, espelho da alma do seu povo, es la hermana mayor de la portuguesa…
Mau grado o seu eminente sentido prático, ditado até pela escassez de recursos, mais penosa ainda lá do que cá, eles são como nós endogenamente poetas.

De ser galego me debo alabar
Porque aprendi liricamente a cantar…

Na Galiza, há, efectivamente, uma milenária tradição vática.
Martin Codax apresenta-se como patriarca:

Mandado hei camigo
Ca ven meu amigo:
E irei, madre, a Vigo…

Ondas do mar de Vigo
Si vistes meu amigo?
E ai Deus se verá cedo!

Ondas do mar levado
Si vistes meu amado
E ai Deus se verá cedo!

Parece que estamos a ouvir trovar Dom Sancho I ou D. Dinis, João de Guilhalde ao Pero Soares Taveiro…
Lá como entre nós el bard y el cisne contaban su morir.
Entre as palavras especificamente portuguesas conta-se o vocábulo «saudade» tão nosso que, diz-se, não tem mesmo tradução em qualquer outra língua.
No Galego há o equivalente morrinha.

E Rosália vai mais longe:
Campanas de Bastabales
Cando vos oya tocar
Morrome de soidades

Cando vo soya tocar,
Campaniñas, campaniñas.
Sin que torno a chorar
Cando de lonxe vos oyo
Penso que por mim chamades
E das entrañas me rojo…

Mas não é so no verso que as almas se aproximam. Na Casa da Rua de Tróia, confundem-se os autores galegos com Eça de Queirós…
Enfim, são tantas as afinidades que melhor fora não ter existido a questão Conde de Trava e os condados, ao tempo incertos, a Galiza e Portucale tivessem feitos juntos a sua jornada histórica.
De qualquer modo, há uma forte contraposição entre a secular alma da Galiza, filiada em bardo celta, filho do vento e da chuva – mas do vento mareiro e a de Castela, nascida da aridez e do vento suão.
E o que afasta um galego dum castelhano aproxima-o de um português.
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

JOAQUIM SAPINHO

DESTE LADO DA RESSURREIÇÃO
Em exibição nos cinemas UCI

Deste Lado da Ressurreição - Joaquim Sapinho - 2012 Clique para ampliar

Indique o seu endereço de email para subscrever este blog e receber notificações de novos posts por email.

Junte-se a 835 outros seguidores

PUBLICIDADE

CARACOL REAL
Produtos Alimentares


Caracol Real - Produtos Alimentares - Cerdeira - Sabugal - Portugal Clique para visitar a Caracol Real


PUBLICIDADE

DOISPONTOCINCO
Vinhos de Belmonte


doispontocinco - vinhos de belmonte Clique para visitar Vinhos de Belmonte


CAPEIA ARRAIANA

PRÉMIO LITERÁRIO 2011
Blogue Capeia Arraiana
Agrupamento Escolas Sabugal

Prémio Literário Capeia Arraiana / Agrupamento Escolas Sabugal - 2011 Clique para ampliar

BIG MAT SABUGAL

BigMat - Sabugal

ELECTROCÔA

Electrocôa - Sabugal

TALHO MINIPREÇO

Talho Minipreço - Sabugal



FACEBOOK – CAPEIA ARRAIANA

Blogue Capeia Arraiana no Facebook Clique para ver a página

Já estamos no Facebook


31 Maio 2011: 5000 Amigos.


ASSOCIAÇÃO FUTEBOL GUARDA

ASSOCIAÇÃO FUTEBOL GUARDA

ESCOLHAS CAPEIA ARRAIANA

Livros em Destaque - Escolha Capeia Arraiana
Memórias do Rock Português - 2.º Volume - João Aristides Duarte

Autor: João Aristides Duarte
Edição: Autor
Venda: Casa do Castelo (Sabugal)
e: akapunkrural@gmail.com
Apoio: Capeia Arraiana



Guia Turístico Aldeias Históricas de Portugal

Autor: Susana Falhas
Edição: Olho de Turista
Venda: Casa do Castelo (Sabugal)



Música em Destaque - Escolha Capeia Arraiana
Cicatrizando

Autor: Américo Rodrigues
Capa: Cicatrizando
Tema: Acção Poética e Sonora
Venda: Casa do Castelo (Sabugal)



SABUGAL – BARES

BRAVO'S BAR
Tó de Ruivós

Bravo's Bar - Sabugal - Tó de Ruivós

LA CABAÑA
Bino de Alfaiates

La Cabaña - Alfaiates - Sabugal


AGÊNCIA VIAGENS ON-LINE

CERCAL – MILFONTES



FPCG – ACTIVIDADES

FEDERAÇÃO PORTUGUESA
CONFRARIAS GASTRONÓMICAS


FPCG-Federação Portuguesa Confrarias Gastronómicas - Destaques
FPCG-Federação Portuguesa Confrarias Gastronómicas Clique para visitar

SABUGAL

CONFRARIA DO BUCHO RAIANO
II Capítulo
e Cerimónia de Entronização
5 de Março de 2011


Confraria do Bucho Raiano  Sabugal Clique aqui
para ler os artigos relacionados

Contacto
confrariabuchoraiano@gmail.com


VILA NOVA DE POIARES

CONFRARIA DA CHANFANA

Confraria da Chanfana - Vila Nova de Poiares Clique para visitar



OLIVEIRA DO HOSPITAL

CONFRARIA DO QUEIJO
SERRA DA ESTRELA


Confraria do Queijo Serra da Estrela - Oliveira do Hospital - Coimbra Clique para visitar



CÃO RAÇA SERRA DA ESTRELA

APCSE
Associação Cão Serra da Estrela

Clique para visitar a página oficial


SORTELHA
Confraria Cão Serra da Estrela

Confraria do Cão da Serra da Estrela - Sortelha - Guarda Clique para ampliar



SABUGAL

CASA DO CASTELO
Largo do Castelo do Sabugal


Casa do Castelo


CALENDÁRIO

Arquivos

CATEGORIAS

VISITANTES ON-LINE

Hits - Estatísticas

  • 3,091,331 páginas lidas

PAGERANK – CAPEIA ARRAIANA

BLOGOSFERA

CALENDÁRIO CAPEIAS 2012

BLOGUES – BANDAS MÚSICA

SOC. FILARM. BENDADENSE
Bendada - Sabugal

BANDA FILARM. CASEGUENSE
Casegas - Covilhã


BLOGUES – DESPORTO

SPORTING CLUBE SABUGAL
Presidente: Carlos Janela

CICLISMO SERRA ESTRELA
Sérgio Gomes

KARATE GUARDA
Rui Jerónimo

BLOGUES RECOMENDADOS

A DONA DE CASA PERFEITA
Mónica Duarte

31 DA ARMADA
Rodrigo Moita de Deus

A PÁGINA DO ZÉ DA GUARDA
Crespo de Carvalho

ALVEITE GRANDE
Luís Ferreira

ARRASTÃO
Daniel Oliveira

CAFÉ PORTUGAL
Rui Dias José

CICLISMO SERRA ESTRELA
Sérgio Paulo Gomes

FANFARRA SACABUXA
Castanheira (Guarda)

GENTES DE BELMONTE
Investigador J.P.

CAFÉ MONDEGO
Américo Rodrigues

CCSR BAIRRO DA LUZ
Alexandre Pires

CORREIO DA GUARDA
Hélder Sequeira

CRÓNICAS DO ROCHEDO
Carlos Barbosa de Oliveira

GUARDA NOCTURNA
António Godinho Gil

JOGO DE SOMBRAS
Rui Isidro

MARMELEIRO
Francisco Barbeira

NA ROTA DAS PEDRAS
Célio Rolinho

O EGITANIENSE
Manuel Ramos (vários)

PADRE CÉSAR CRUZ
Religião Raiana

PEDRO AFONSO
Fotografia

PENAMACOR... SEMPRE!
Júlio Romão Machado

POR TERRAS DE RIBACÔA
Paulo Damasceno

PORTUGAL E OS JUDEUS
Jorge Martins

PORTUGAL NOTÁVEL
Carlos Castela

REGIONALIZAÇÃO
António Felizes/Afonso Miguel

ROCK EM PORTUGAL
Aristides Duarte

SOBRE O RISCO
Manuel Poppe

TMG
Teatro Municipal da Guarda

TUTATUX
Joaquim Tomé (fotografia)

ROTA DO CONTRABANDO
Vale da Mula


ENCONTRO DE BLOGUES NA BEIRA

ALDEIA DA MINHA VIDA
Susana Falhas

ALDEIA DE CABEÇA - SEIA
José Pinto

CARVALHAL DO SAPO
Acácio Moreira

CORTECEGA
Eugénia Santa Cruz

DOUROFOTOS
Fernando Peneiras

O ESPAÇO DO PINHAS
Nuno Pinheiro

OCEANO DE PALAVRAS
Luís Silva

PASSADO DE PEDRA
Graça Ferreira



FACEBOOK – BLOGUES

Anúncios