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Foi com enorme prazer e alegria que o nosso conterrâneo José António içou a bandeira dos Fóios ao lado da bandeira da França e da União Europeia, em território francês.

José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaFoi no dia 25 de Junho do corrente ano de 2012, na empresa de exploração do talco em Lusenac, sul de França, local onde trabalharam mais de setenta fojeiros e muitos outros homens do concelho do Sabugal.
Um grupo de fojeiros fez uma visita ao local da exploração mineira tendo sido recebido pelo director, a quem entregaram a bandeira dos Fóios em homenagem a todos aqueles que lá ganharam a vida.
O encarregado geral nas minas do talco é o Zé António, natural dos Fóios, e trabalhador sazonal.
France: la mére du monde. Merci.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

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Damos continuidade à apresentação do léxico com as palavras e expressões populares usadas na raia ribacudana.

ALÇAPÃO – abertura no soalho com tampa levadiça que dá acesso à corte (estábulo) dos animais.
ALCAPARRA – azeitona curtida depois de se lhe retirar o caroço (Júlio António Borges).
ALÇAPREMA – barra de ferro para levantar pesos; alavanca.
ALÇAR – erguer; levantar. Alçar a pata: diz-se do cão quando urina. Júlio António Borges acrescenta: «na agricultura designa o trabalho do arado, ou da charrua, preparando a terra para nova sementeira; a primeira volta no cultivo dos cereais».
ALCATRUZ – cada um dos recipientes de latão que compõem a nora de tirar água, também chamados copos.
ALDEAGA – vadio; estroina; pessoa de carácter alegre e folgazão, que não pára quieta (Júlio Silva Marques). Trapalhão (José Prata). O m. q. adrega (Manuel Leal Freire). Também se diz aldeagante.
ALDONAIRO – peça de vestuário mal feita (Júlio António Borges).
ALDRA – mentira.
ALDRABA – argola de ferro para puxar e bater à porta. Júlio António Borges, de Figueira de Castelo Rodrigues, refere aldrave.
ALDRABÃO – mentiroso; intrujão.
ALDRABAR – mentir; enganar.
ALDRÁCIA – recompensa; reconhecimento. Não ter as aldrácias: não se obter um gesto de reconhecimento após prestar um favor a alguém (Júlio Silva Marques). Esperteza; habilidade; manha (Duardo Neves).
ALDRÚVIA – aldrabão; vigarista (José Pinto Peixoto). Os dicionários registam aldrúbio.
ALECRIL – alecrim (Clarinda Azevedo Maia, que também regista alicril).
ALEGUME – feijão – termo da gíria de Quadrazais (Franklim Costa Braga).
ALEIJÃO – entalão; fractura; lesão.
ALETRIA – doce feito com leite, massa delgada e açúcar.
ALEVANTO – acto de erguer da cama; hora de levantar. Andou de alevanto: teve diarreia durante a noite.
ALFAIATE – insecto, que anda sobre a água.
ALFOBRE – viveiro de plantas hortícolas, para transplantar.
ALFORGE – saco duplo que se põe sobre as cavalgaduras para transporte. Normalmente é feito com farrapos.
ALFORJADA – roupa velha que é costume vestir no dia de Entrudo (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia do Bispo).
ALGARAVIADA – conjunto de vozes confusas e desacertadas (Carlos Guerra Vicente).
ALGEIRÁS – pessoa má (Júlio António Borges, que também regista aljaraz).
ALGUEIRO – argueiro; cisco que entrou para o olho. Vês os algueiros nos olhos de outros e não vês as trancas nos teus.
ALIFANTES – olhos – termo da gíria de Quadrazais (Franklim Costa Braga).
ALIMAL – animal; besta; homem estúpido (Francisco Vaz).
ÀLIMO – olmo (Clarinda Azevedo Maia).
ALÍMPIO – azeite – termo da gíria de Quadrazais (Nuno de Montemor).
ALIMPIOSA – azeitona – termo da gíria de Quadrazais (Nuno de Montemor).
ALINHAR – temperar ou adubar as comidas (Carlos Alberto Marques).
ALIPANTES – olhos – termo da gíria de Quadrazais (Nuno de Montemor).
ALJAROZ – casa velha e abandonada (Clarinda Azevedo Maia – Fóios).
ALJUBAR – dar para muito; surdir; render (José Prata).
ALJUBE – casa sem luz, sem condições; pardieiro (Júlio Silva Marques).
ALMA DE CEVADA – alcunha que se dava aos judeus (Júlio Silva Marques).
ALMA PENADA – alma que se extraviou e que vagueia pelo mundo. Uma alma penada é um risco para a sociedade, pela sede de vingança e pelo comportamento agressivo que pode ter, daí serem muito temidas pelas pessoas.
ALMAREADO – tonto; maluco (Fóios).
ALMÁRIO – armário (Franklim Costa Braga).
ALMAS DO PEDITÓRIO – objecto de madeira para onde se recolhem as esmolas nas missas (António Cerca).
ALMEIRÃO – planta espontânea (chicória brava), de que se fazem vassouras para limpar o pão nas malhas. O m. q. coanha.
ALMEIRO – leite – termo da gíria de Quadrazais (Nuno de Montemor). Segundo Franklim Costa Braga, também se dizia almerio.
ALMENDRA – amêndoa (Júlio António Borges).
ALMINHA – cruz ou nicho escavado em rocha, que assinala lugar de devoção, geralmente ao redor dos caminhos. Junto à alminha o viandante deve rezar uma oração pelas almas do purgatório. No plural também significa objecto, geralmente de madeira, para onde se recolhem as esmolas nas missas (Maria José Ricárdio Costa), que também se designa por almas do peditório (António Cerca).
ALMOFIA – prato de grandes dimensões, quase alguidar (Vitor Pereira Neves). Quase terrina (acrescenta José Pinto Peixoto).
ALMOTACEL – inspector camarário de pesos e medidas.
ALMOTRIA – almotolia (Francisco Vaz). Recipiente em folha de zinco, de forma cónica usado para guardar o azeite na cozinha, pronto a temperar as comidas. Duardo Neves refere almetria. Clarinda Azevedo Maia acrescenta ainda almotoria. Na linguagem de Monsanto diz-se almetoria (segundo Maria Leonor Buescu)
ALMUDE – medida de 28 litros (no concelho do Sabugal e demais Riba Côa). A medida do almude varia conforme a região do País, equivalendo, na maior parte delas, a 24 litros (12 canadas).
(Continua…)
Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

leitaobatista@gmail.com

No passado dia 25, no Complexo das Piscinas Municipais e à semelhança dos anos anteriores, o Município juntamente com a Empresa Municipal Nova Mêda EMM, celebraram a quadra dos Santos Populares com a realização de um convívio para a população com idade superior a 60 anos.

Sendo esta uma quadra festiva que todos os portugueses, quer sejam novos ou idosos gostam muito de comemorar, dedicada aos três Santos Populares, Santo António, São João e São Pedro, esta atividade teve uma grande aceitação, e contou a presença de cerca de 300 «convivas».
O encontro teve início pelas 10H30 com a chegada dos idosos ao complexo, onde foram devidamente acompanhados aos seus lugares para assistir à missa campal que teria inicia por volta das 11H00 na qual também marcou presença o Executivo Municipal. De seguida os presentes conviveram no almoço convívio onde não poderiam faltar a sardinha assada e o caldo verde tão típicos desta quadra. No final do almoço teve lugar à atribuição dos prémios para o melhor manjerico.
A parte de tarde foi reservada à animação musical, onde os utentes do Lar da Santa Casa da Misericórdia presentearam os presentes com a realização de uma pequena marcha popular.
Para o Executivo a realização deste tipo de atividades revela-se de extrema importância, pois ajudam a população mais envelhecida do concelho a viver de forma mais digna e animada.
plb (com CM Mêda)

Possivelmente, nenhuma outra região europeia suscitou até hoje tantos conflitos ou se manteve numa linha de indecisão de soberanias como a Alsácia.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaBárbara até Júlio César, entrou pelas vitórias deste sobre Ariovisto, chefe godo abatido no ano de 58 antes de Cristo, na órbita romana.
Limes imperial, converte-se numa constelaçao de fortalezas, correspondentes a cidades que logo ganharam notoriedade: Argentorate (actual Estrasburgo), Três Tabernas (agora Saverne), Argentovaria (a actual Hamburgo), Salécio (a nossa Setlz).
Quinhentos anos depois, sobreviria à queda do Império; e Átila, seu inimigo frontal, procuraria destruir todos os sinais de romanidade.
Sofrendo as vicissitudes por que passaram as monarquias góticas, apareceria cerca de setecentos da nossa era como uma unidade politíco-administrativa regida por um dux. De entre os vários, assinala-se como indiscutivelmente o mais famoso, o pai de Santa Odila, que a História regista sob o nome de Etichão ou Estilicão.
Integrada no Império Carolíngio, viveu com ele uma era de paz e prosperidade que, todavia, se havia de revelar de efémera duração.
As lutas pela sucessão de Luís, o Pio, filho do famoso imperador da barba florida, marcam o início dum tempo de extraordinária confusão.
Em 840, com o tratado de Estrasburgo, redigido simultaneamente em latim e alemão, imiscui-se na questão entre Carlos, o Calvo, e Luís da Baviera, por um lado, e Lotaário, pelo outro.
Quando os três partem o império pelo tratado de Verdun, o primeiro torna-se rei da França, o segundo da Baviera, e o terceiro da Lotaríngia, onde se inclui a Alsácia. Este reino, à semelhança de cerca de quatrocentos que pelos séculos se haviam de estabelecer na região, foi de meteórica existência. Não tardaria a sobrevir Otão, o Grande, fundador do Sacro Império Romano Germânico, base e embrião de varios outros que como aquele integrariam a Alsácia.
Daí que a região sofresse mudanças de esfera política, até excessivamente dramatizadas.
Na primeira centúria do milénio que findou, realça a questão das investiduras que opõem os bispos à alta aristocracia, guiada pelos Hobenstaufen. Triunfantes estes grandes senhores, verifica-se um grande surto de prosperidade que atinge o climax com Frederico II, fundador de numerosas cidades e impulsionador das corporações de artes e ofícios.
Aos Hobenstaufen seguem-se os Habsburgos. Mas nem tudo corria bem por então. O império mais uma vez ameaçava desagregar-se enquanto Luís IV da Baviera, substituindo-se ao imperador, enfrenta Filipe o Belo, rei de França, que desafia tanto a autoridade pontifícia como a dos sucessores de Rodolfo de Habsburgo, seus vassalos e aliados.
Inseguras, as cidades alsacianas formam uma liga defensiva, a Decapolis, integrada por Colmar, Mulhouse, Munster, Turcheim, Kayserberg, Selestat, Obermar, Rosheim, Wissembourg e Haguenau.
A liga dá origem a um florescente estádio de desenvolvimento: as cidades engrandecem-se; o comércio e a indústria progridem, a burguesia e as corporações ocupam um espaço dia a dia mais importante no govemo da república.
Já se aproximam, no entanto, as guerras religiosas. A cizânia espalha-se, com cada uma das mais importantes cidades a adoptar seu credo. Estrasburgo torna-se luterana, Mulbouse calvinista, outras ainda houssitas, enquanto que em muitos permanece a fé cató1ica e dominam os prelados.
Posteriormente, a confusão revela-se ainda maior. Como se pode ler, em «Toda Alsácia» cuja versão espanhola estamos a seguir, a região cissipariza-se em numerosos e pequenos senhorios que só muito paulatinamente, aliás, se irão agrupando, dando origem aos chamados Estados Gerais da Alsácia.
As guerras religiosas agravam-se. Os jesuítas, dominantes em Molsheim atacam Estrasburgo, que como ja referimos se tornara um balularte do protestantismo.
Na Guerra dos Trinta Anos, os suecos, primeiro, e os franceses depois acabam por dominar toda a região.
Daí para cá, tem sido entre a França e a Alemanha que tem oscilado a soberania.
Na Guerra Franco-Prussiana, de setenta, o triunfo das armas germânicas deu o território ao Império, de que a Alsácia-Lorena haveria de fazer parte até ao primeiro grande conf1ito mundial.
Não obstante a oposição de parte da população, decantada nalguns poemas que correram mundo (antigamente, dizia o velho professor, a escola era risonha e franca…) a Alsácia, foi anexada ao II Reich do Hoenzolern e só com o Tratado de Versalhes, voltaria à soberania francesa, aliás por um período curto, pois cerca de doze anos depois viria a cair sob o domínio de Hitler.
Com o fim da segunda grande guerra e a construção da Europa, para livrar a região de velhos fantasmas, elevou-se Estrasburgo à dignidade de capital europeia.
E a famosa Argentun Ratum de Júlio César é bem o símbolo das feridas, que têm dilacerado esta velha mater de civilizações que é a Europa.
Marco de fronteira a evitar o avanço das tribos bárbaras que ainda desafiavam Roma, arrasada por Átila e o seu eterno ódio aos Césares; renascida das cinzas sob o nome, pela primeira vez, de Stratiburgum, símbolo das cidades burguesa dos fins da Idade Média; grande empório comercial quando o Reno era a grande via angustiada pelo espiríto da reforma logo nos alvores do luteranismo, ora do sacro império, ora dos Hobenstaufen, ora dos Honenpolern, ora do Habsburgos, ora dos Bavieras ora dos reis franceses, quando não mesmo da coroa sueca cimentou-se ali um europeísmo, difícil de fazer convergir em qualquer outra parte.
E se há no mundo região que mereça na plenitude o título, é efectivamente a daquela que Estrasburgo servia de capital, antes de ser elevada à dignidade de capital de toda Europa.
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

A semana, avisavam os meteorologistas, iria começar quente. Desta forma, pensei, a semana política, iria adequar-se ao tempo. Quarta-feira com o debate quinzenal com o primeiro-ministro, e em vésperas de um Conselho Europeu, e pelo meio uma Moção de Censura ao governo, apresentada pelo PCP. Semana, ainda temperada com essa meia-final do campeonato europeu de futebol, entre Portugal e Espanha.

Desta última prefiro não falar, pois ainda estou a digerir aqueles postes… Mas quanto à política, alguns apontamentos. Uma moção de censura serve para, obviamente, censurar. Isto é, perscrutar, analisar, verificar, criticar. Serve, na política, para obrigar um governo a explicar a sua governação, as suas atitudes e intenções. Sendo um direito que assiste aos partidos, o PCP, achou por bem ser esta a altura para fazer uso desse direito. Até aqui nada e anormal. Contudo, na actual conjuntura política, ela seria inconsequente. A assembleia possui uma maioria que lhe permite gerir estas pequenas contrariedades. Mas torna-se interessante analisar, como mero exercício, esta opção política agora. Poderia entender-se que faria sentido, visto que o governo faz um ano de poder, mas, na segunda-feira foi visível que, mesmo que ela fizesse sentido na crítica apontada ao governo, não teria qualquer hipótese de ser aprovada. E assim, um instrumento que serve como ultimato, acabou por ser banalizado, sem qualquer repercussão política para o PCP e sem qualquer mossa para o governo. A moção, parecia, resumir-se a uma só questão: vai haver mais austeridade? O que me parece muito pouco para chegar mão de tal arma. A resposta do governo assentou, mais uma vez, no programa do tal memorando. Todavia, houve, da parte do governo, respostas que nos deviam preocupar. O sr primeiro-ministro disse, nas tais respostas sobre a austeridade, «se for necessário haverá uma nova sobretaxa aos subsídios de Natal». O que me leva a concluir que, para além do que impõe a troika, o único plano do governo para governar é sacar subsídios e aplicar impostos! Mas não ouvi o sr primeiro-ministro dizer que iria cortar nas rendas às empresas dos amigalhaços, às mordomias dos membros do governo e afins, acabar com os tachos que andam espalhados pelos ministérios e secretarias de estado e direcções regionais, acabar com as encomendas de estudos aos escritórios de advogados amigos e empresas de primos e afilhados. Não o ouvi dizer que o estado ia deixar de ser padrinho! A única coisa que ouvi foi mais um ataque que se anuncia aos bolsos dos que menos podem. E, contudo, espantam-se com o aumento do desemprego, com a falta de consumo e consequente menos arrecadar de impostos. Mas em que Portugal vive este governo? No do litoral ou no do interior, onde, decididamente, já não existe estado? Diz o governo que quer menos estado, então o interior é o modelo prático deste governo.
E enquanto o governo despachava a moção do PCP, via-se um PS calado, acobardado, lançando ataques ao… PCP! Sim, podem estar ressabiados pelo que se passou há um ano, mas, caramba, são o maior partido da oposição, esperava-se mais politicamente do que um ataque ao PCP, como meninos a quem lhes tiraram a bola na rua e não os deixam jogar! Sim, nós sabemos que têm o rabo entalado pelo tal memorando. Mas, ou admitem estarem presos a ele ou não estão e ponto! Ou vai passar os quatro anos da legislatura a abster-se?
Depois veio o tal debate quinzenal. O sr primeiro-ministro passou o tempo a queixar-se que o que estava agendado era a Europa e que os partidos da oposição só falavam de politica interna. Alguém se esqueceu de avisar o chefe de que estava na agenda a questão interna. E, já agora, a Europa não é uma questão interna? E é cada vez mais! Só não sei se pelas melhores razões. Foi um debate fraco, teimosamente vazio. Onde tudo era previsível.
A semana apresentava-se quente, mas não passou de politicamente quase morno. E fria. Com aqueles postes! A moção do PCP foi ao poste. As respostas do governo foram à trave e o debate foi, também, ao poste.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Um grupo constituído por 17 autarcas do Sabugal deslocou-se ontem, dia 28 de Junho, a Lisboa para protestar conjuntamente com eleitos locais de todo o país contra o fecho de tribunais.

Os eleitos locais do concelho do Sabugal deslocaram-se a Lisboa no autocarro do Município, sendo a comitiva constituída por 17 eleitos locais, dentre os quais o presidente da Câmara António Robalo, os vereadores Luís Sanches e Francisco Vaz e os presidentes de Junta de Freguesia do Sabugal, Vale das Éguas, Sortelha, Rebolosa e Quadrazais, aos quais se juntou ainda o presidente da Assembleia Municipal, Ramiro Matos.
À chegada a Lisboa a comitiva sabugalense juntou-se à de Penamacor e foram ambas almoçar à Casa do Concelho do Sabugal, de onde partiram depois para o Terreiro do Paço, concentrando-se defronte ao Ministério da Justiça.
«Acesso à justiça igual para todos», foi a voz de protesto que mais ouviu por parte dos 400 autarcas de todo o país, que se juntaram à porta da ministra Paula Teixeira da Cruz, manifestando-se contra a proposta de encerramento de 54 tribunais, prevista no novo Mapa Judiciário, entre os quais o do Sabugal.
A ministra recusou-se a receber os representantes da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), postura que levou o vice-presidente da ANMP, Rui Solheiro, a considerar que tal representou um «corte de relações institucionais» do Ministério com os Municípios.
Em comunicado, o Ministério da Justiça (MJ) disse não entender a razão dos protestos convocados pela ANMP, alegando estar em curso «um amplo debate público com os municípios e com as associações profissionais sobre todas as matérias referentes ao mapa judiciário». O MJ reafirmou ainda «não ceder a quaisquer pressões ou tentativas de influenciar o trabalho em curso».
plb

Quando a vera efígie de Sua Excelência começou a aparecer nos jornais, propondo-o ou confirmando-o no posto e pasta de Ministro das Finanças, a sigla desapontou-me. Ou seja, usando linguagem popular, não fui lá com a careta…

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaDepois, para tornar ainda mais baças as coisas e desapontadas a fé e a esperança, a desconfiança suscitada pela imagem sofreu, logo a seguir, duas pavorosas causas de agravamento.
O novo membro do Governo era economista e – mais do que isso, professor daquela nebulosa de ciências. E isso revocava-me a prevenção de Charles de Gaulle, segundo a qual nunca se avaliará suficientemente do descalabro para as finanças de um País e o seu ritmo de desenvolvimento que advirá com a praga dos economistas
Aliás nisto o apóstolo da França Livre não fez mais do que retomar a ideia de Salazar que muito antes avisara de igual perigo. Mas enfim, De Gaule não poderá ser apodado de reaccionário, ao passo que Salazar, para a moda, é obscuro,obscurante e obscurantista…
Certo que os leitores, se os houver, estarão a desconfiar dos citrérios do Grande General e general grande que escolheu, para seu braço direito, Georges Pompidu, que além de economista era ainda empregado bancário, mas de alto topo, na casa dos Rotchilds ou Rochfellerrs, o que para mim, monta o menos.
E, no caso de que agora nos ocupamos, Sua Excelência vinha não da Banca, mas da Bolsa, função que obriga ainda mais olho fino e raciocínio ultrarrápido.
Enfim, professor de economia e ex-responsavel pela mais manigante das operações financeiras, quais sejam as da Bolsa, no caso português ainda agravadas por uma fraqueza congénita que obriga a uma permanente atenção sobre manobras de terrorismo facilitadas pela pequenez e tacanhesa do nosso mercado, o novo titular da Pasta das Finanças, não obstante a minha desconfiança só filiada em suspeições obscurantitas era a pessoa indicada para levar a carta a Garcia e reconduzir, pelo seu lado, o País simultaneamente à luminosidade de Pericles e o rigorismo de Solon.
Não haveria mais descalabro nas contas públicas.
Os responsáveis pelo Banco de Portugal, sentindo-se vigiados, repercutiriam sobre todo o sistema alarmes e holofotes… A outra Banca – pública, parapública e privada – com tão luminosos guias e conspectos zeladores, prosperariam na legalidade.
A Bolsa, de onde Sua Excelência viera, disciplinadamene liberta, atingiria a plenitude…
Tão gloriosas previsões toldar-se-iam totalmente.
De precipício em precipício as finanças públicas só pararam nos muros da Troica. O Banco de Portugal, não por carência de meios, mas porque ali quando dormitat Homero, falhou rotundamente. Na privada, foi o BPN, o BPP e o amesquinhamento geral.
O Ministro não se deu conta. E, quando alertado, deixou andar.
O BPN, toda a gente o sabia, era a ampliação da Dona Branca. Mas em vez de ser o banco do povo era o dos notáveis, cujos patrimónios engrossados na agiotagem tinham que ser defendidos à custa do povo que dele não ganhara nada.
Um banco é uma instituição respeitável e os seus clientes têm de ser defendidos. As instituições – bancárias ou parabancárias – transformadas em multiplicadores de parasitárias riquezas não merecem nem por elas nem pelos que a elas se acolhem senão desprezo e punição.
«Caso da Semana», opinião de Manuel Leal Freire

Os recentes episódios envolvendo as contas da Empresa Municipal Sabugal+ e da Consolidação de Contas do Município, obrigam-me a vir, publicamente, expressar a minha opinião, a qual só me compromete a mim mesmo.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Como cidadão disse há cerca de um ano, e de forma clara, a minha opinião, que relembro aqui:
«Sabem os que me conhecem que, desde sempre, venho expressando a minha discordância face à criação e ao engordar da Sabugal+».
E defendi, continuando a defender hoje, que, salvaguardada a questão do pessoal contratado e da garantia de continuidade da gestão dos equipamentos a cargo da Sabugal+, «esta devia ser extinta».
Deixando clara a minha posição, não posso deixar de dizer que a situação criada com o repetido chumbo das Contas de 2011 da Empresa, a que se juntou o voto de desconfiança na sua administração e a reprovação da Consolidação das Contas do Município, vêm colocar de novo a questão da gestão da Câmara Municipal.
Há perto de dois anos, os eleitores foram claros no seu voto; queriam uma gestão PSD, mas não queriam que essa gestão fosse assumida sob a forma de maioria absoluta.
Esta decisão democraticamente tomada conduziu a um Executivo em que, mais do que nunca, se exige a quem detém a Presidência um permanente esforço de concertação de posições, naturalmente divergentes, onde não basta o apoio dos seus vereadores, mas, também, o acordo dos vereadores da oposição.
Quero com isto dizer, e basta ler as atas das Reuniões de Câmara, que, se a maioria das propostas são aprovadas por unanimidade, outras há em que a oposição se demarca e vota contra ou se abstém.
No meu entender, há assuntos que nunca deveriam ser apresentados em Reunião sem que antes houvesse uma prática continuada de consensualização de posições.
Os eleitores, repito, foram claros; as decisões devem ser tomadas por consenso entre a maioria relativa e a oposição.
E porque, naturalmente, acompanho mais de perto as questões municipais, sei de quantos e quantos assuntos sensíveis são apresentados aos vereadores praticamente em cima da hora, sem uma prévia auscultação ou tentativa de acordo prévio sobre as propostas a apresentar…
O Sr. Presidente, em meu entender deveria, neste caso concreto e em outros de igual importância, discutir com os vereadores da oposição com tempo e abertura, evitando generalizar situações de não aprovação de propostas.
É aliás o que acontece um pouco por todo o País, onde não existe maioria absoluta, como, por exemplo, no Concelho de Vila Franca de Xira onde resido.
Haverá sempre questões sobre as quais não será possível chegar a acordo, o que até é saudável em democracia, mas nunca tal deveria acontecer por falta de diálogo…

PS1: Esta quinta-feira autarcas de todo o País vão concentrar-se frente ao Ministério da Justiça para acompanhar a Direção da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) na entrega de uma Moção contra o encerramento dos Tribunais, facto que a acontecer atingirá igualmente o nosso Concelho. Com Presidente da Assembleia Municipal lá estarei e, espero, bem acompanhado por grande número de eleitos sabugalenses.

PS2: Sexta-feira, dia 29 realiza-se a sessão de junho da Assembleia Municipal, destacando, entre os seus pontos, a pronúncia da Assembleia sobre a agregação de freguesias. Naturalmente, conto com a participação ativa e empenhada de todos os deputados municipais, como espero poder contar com a presença e a participação dos cidadãos sabugalenses. A democracia só existe se a praticarmos!
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

A firma sabugalense Ricardo & Ricardos inaugurou novas instalações, sitas na entrada do Sabugal, na estrada da Guarda.

As novíssimas instalações da empresa sedeada na Aldeia de Santo António, foram construídas de raiz e ocupam um espaço amplo, com óptima localização, ao lado da rotunda onde foi instalado o monumento evocativo à Batalha do Sabugal.
Trata-se de um espaço comercial com zonas de armazenagem, que seguiu um projecto arquitectónico que se enquadra na perfeição ao espaço envolvente. Evitando a tradicional forma rectilínea, as instalações, sem perderem funcionalidades, têm uma forma exterior estilizada, o que representa uma inovação a nível regional.
Trata-se sobretudo de um espaço multifuncional, com área comercial, armazém (coberto e ao ar livre), escritórios, restaurante e parques de estacionamento.
O mérito é da família Ricardo, constituída por gente trabalhadora e empreendedora que com este projecto decidiu investir no Sabugal mais de um milhão e meio de euros, apostando no reforço da sua projecção comercial na região. Outra aposta que o novo espaço potencia é a da afirmação do franchising Big Mat, que a firma sabugalense representa e que se baseia num conceito de loja de materiais de construção, ferramentas, bricolage, decoração e jardim. O Big Mat disponibiliza nas novas instalações uma gama de produtos totalmente adaptada às necessidades e às exigências da população da localidade onde se insere. O novo espaço permite a optimização da superfície de venda, em loja multifuncional, garantindo uma grande facilidade na escolha, dentro da ideia de maior proximidade para com o cliente.
O Big Mat é um grupo francês muito implantado em Espanha, que escolheu o Sabugal e Chaves, no Norte, para iniciar o seu lançamento em Portugal.
É de grande importância para a região este investimento da prestigiada firma sabugalense Ricardo & Ricardos, que para mais ocorre em tempo de crise, numa aposta em contra-corrente, dando um importante sinal de confiança na capacidade da região em expandir a economia, criando condições para o desenvolvimento.
O investimento é inteiramente privado e não beneficiou dos tão procurados financiamentos a fundo perdido, constituindo pois um risco que os empresários correm por sua conta.
plb

Estava eu bem espojado no areal fino da praia de Ponta Negra, em Natal (cidade de povo potiguar), gozando das belas visões de coisas semelhantes a passagens de modelos, ali passando «provocatoriamente» à minha frente, e bebendo o doce líquido quase gelado do quinto coco verde (líquido que médicos garantem ser equivalente a soro fisiológico), quando olhei para trás e vi um reclame de uma agência de viagens onde se podia ler de longe a palavra «Amazónia».

José Jorge CameiraDe repente lembrei-me que estava no país onde existe a famosa Amazónia! Pensei: por que não vou até lá? Fui à tal agência e ao fim de meia-hora tinha na mão um bilhete de ida e volta até Manaus e que me custou o equivalente a 500 euros, só a viagem.
É o meu hábito, quando viajo para algum lado a primeira vez, não marco nada, não reservo nada. Quando chego ao aeroporto, sento-me na primeira cadeira e então organizo mentalmente tudo. Onde dormir é sempre a primeira meta a resolver. O resto é por arrastamento dinâmico.
A viagem teve a durabilidade anunciada de 6 horas. Viajei num pequeno mas moderno avião da TAM, com uns 150 lugares que aterrava em cada cidade importante, para sairem uns e entrarem outros passageiros. Saindo de Natal, aterrou em Fortaleza; daqui até S.Luis; S. Luis – Belém; Belém-Santarém e desta cidade finalmente Manaus.
Curioso: em S.Luis (cidade de origem francesa mas com cheiro da arquitetura pombalina) uma pessoa entrou com uma gaiola que continha uns pássaros esquisitos e fez-me uma grande vénia – será que eu lhe pareci algum fiscal do Ibama (o nosso IPAR), que controla também as aves raras de todo o Brasil?
O que me fez lembrar esta viagem? Os comboios em Portugal! Às tantas tive a sensação de viajar na Linha de Comboio da Beira Baixa: sai de Lisboa passa por todas as Estações junto ao Rio Tejo até morrer em Castelo Branco. Portanto no Brasil viajar de avião entre cidades parece uma viagem vulgar de comboio em Portugal. É a força das distâncias naquela Potência Emergente, como agora se diz.
Foi fascinante voar sobre a Amazónia na sua parte leste – ver lá de cima aquele imenso mar verde de árvores, aqui e ali o serpentear de rios ziguezagueando. Bem saliente e dominador, o grande e misterioso Rio Amazonas, bem castanho de suas águas.
Vêr a cidade de Manaus por cima foi para mim uma grande surpresa – estava a contar com uma cidadezinha do interior para ali esquecida, rodeada por florestas cheias de bichos, com 50 ou 60 mil pessoas, casas modestas, essas coisas bem simples dos interiores. Afinal o que vi foi uma cidade de grandes dimensões (nem sei quantas vezes maior que Lisboa), estendendo-se pelas margens do Grande Rio. Imensos arranha-céus, quase tocando no avião no momento da «aterrissagem». Muitos reclames luminosos piscantes de conhecidas multinacionais. Milhões de pessoas, 4, …5, …sei lá ao certo! Um verdadeiro espanto! Junto às margens do rio, imensas casas-palafitas, essas com pernas bem altas para aguentar a subida das águas, onde a toda a hora a criançada mergulha.
No Aeroporto de Manaus fui bem claro ao taxista – Por favor leve-me para uma Pousada boa, o mais perto possível do Rio.
Fiquei na «Sol e Mar» (descobri que tinha comissão combinada), onde por 60 reais diários (25euros) tive uma suite e café-da-manhã bem farto (o pequeno-almoço no Brasil). Instalei-me, tomei de imediato um banho, a humidade ali é alta pois comecei a suar logo após a chegada – qual sauna grátis!
Fui jantar a um restaurante ali perto – o Fiorentina. Tive ali a primeira surpresa. Servi-me duma travessa onde estava um grande peixe cozinhado, a empregada pôs no meu prato um naco bem grande, misturado com um arroz saboroso que ainda hoje não sei que tempero tinha.
Quando comecei a comer o peixe, deparo com uma enorme espinha lateral, uma costela… algumas maiores que o meu dedo indicador! E outras mais apareceram, que guardei e ainda as tenho comigo. Comecei a ver que naquela região era tudo em tamanho grande!
A empregada, com rosto de índia, que olhava atónita para mim, disse-me que foi a primeira vez que viu um Português em pessoa. Porventura um descendente de descobridores ou colonos, terá pensado. Joga-me esta pergunta:
– Posso tocar na mão do «Sior»? Eu nunca vi um Português na minha frente…
Atendeu-me especialmente e o preço também foi especial – uns 15 reais por um jantar farto (6 euros).
Antes de recolher ao quarto, ainda deu para ir descobrir o que seria aquele enorme e persistente barulho que se ouvia cá fora e irradiava uma grande luminosidade para o céu.
Era nem mais nem menos uma grande feira ou mercado ao ar livre e ocupava vários quarteirões, talvez o equivalente a duas ou três cidades de Beja. Ora, como feiras é comigo…fui logo até lá!
Percorri aquilo tudo e valeu-me a boa forma física que geralmente tenho. Tudo por lá se vendia: calçado, roupas, loiças, artesanato indígena, muitas ervas para chás, chás com efeitos iguais ao viagra, mas com garantia de eficácia, vidros, cobres… tudo! Também bicheza da Floresta, mas escondida!
Comprei artesanato e algo que só há naquela região. Existe no Rio Amazonas um peixe enorme e comprido, o pirarucu, que atinge os 200 quilos de peso. Por conseguinte tem escamas grandes. Os artesãos com essas escamas fazem máscaras, escudos de guerra, punhos de lanças. E em cada escama desenham casas, árvores, de pássaros… uma maravilha! Essa máscara que se vê em anexo é feita dessas escamas sobrepostas.
O quarto na Pousada tinha dois níveis. O inferior com a cama e, três degraus acima, estava a casa de banho (no Brasil diz-se banheiro), separados por um lancil de 5 centímetros de altura (coisa esquisita, pensei eu). Mais tarde notei a utilidade.
Antes de me deitar e para não ligar o ar condicionado, deixei a janela da casa de banho aberta, porque me garantiram que não havia mosquitos em Manaus (não acreditei, mas vi que é verdade, escreverei o motivo).
Bem… nessa noite caiu uma trovoada imensa com relâmpagos que iluminavam por completo o quarto! De meter medo ao mais corajoso. Impossível dormir com tanto barulho! Mais luminosidade que aquelas bombas ianques sobre Bagdade! Foi «uma guerra» quase toda a noite…
Não podendo dormir, levantei-me para ir verter águas à casa de banho…
Mal ponho o pé depois do tal lancil, senti água até precisamente 5 cms acima dos meus pés! Tinha entrado água no banheiro, as minhas sandálias boiavam, quais barquinhos….
De manhã, um sol quente, céu limpo e azul, como se nada tivesse acontecido!
Programei com o rapaz da recepção para a manhã seguinte às 9 horas um passeio pelo famoso Rio – a minha grande aventura: ver e navegar no maior rio do Mundo! Preço 70 reais (28 euros) incluindo lanchinho no barco e almoço durante o passeio, virem-me buscar e trazerem-me à Pousada numa Bésta (minibus).
É o chamado Passeio «Encontro das Águas» para os Turistas. Na verdade, em frente a Manaus correm dois rios: O Solimões, de águas barrentas e o Rio Negro, de águas negras. Águas negras, por quê? Porque transporta areias negras ácidas diluídas e o vapor emergente mata tudo o que é mosquito, ovos, larvas… daí não haver mosquitos em Manaus!
Os dois rios viajam paralelamente e 12 quilómetros após Manaus juntam-se, e acontece um momento ímpar na junção – as duas cores fundem-se numa só, num suave remoinho de folhagem… então verdadeiramente e só nesse momento se chama Rio Amazonas.
(A aventura na Amazónia continua na próxima crónica…).

José Jorge Cameira

«Estórias de um filho de Vale de Lobo e da Moita»
mailto:jjorgepaxjulia4@hotmail.com

O contrabando era nas terras raianas um modo de vida legitimado pela comunidade e fonte de receitas para quase todos.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaAmigos meus, que, no Sabugal, exerceram funções de magistrados judiciais – juízes de direito e procuradores – me relataram repetidamente que, inquirindo, aos costumes, em sede processual, réus, queixosos e simples testemunhas, quanto à profissão exercida, muitas vezes ouviram a resposta: «sou contrabandista».
Pessoas, que viveram longos anos como cargueiros de jorna, não se haviam tais depoentes apercebido da ilegalidade da condição, pelo que se lhes afigurava tão legítimo ser contrabandista como pastor ou cavão, moço de servir ou carregador de número.
Aliás, para um raiano, de qualquer extracto social ou grau académico, a actividade sempre será de baixo delito e nunca será pecaminosa para aqueles que arriscam a vida como carregueiros e guias e, nem mesmo desqualifica socialmente os que se sujeitam à perda de património.
Outro tanto não se poderá já dizer de onzeneiros que se aproveitam das aflições ou debilidade financeira dos operacionais, para engrossar a conta, emprestando a juros altíssimos dinheiro próprio ou adrede sacado na banca, com exorbitâncias inimagináveis.
Comecemos a nossa análise pelos cargueiros de jorna, recrutados noite a noite para levarem a bom termo uma dada porção de mercancia – cinquenta quilos nas de valor semelhante ao da uva mijona, vinte a vinte e cinco nas de valor mediano e cargas levíssimas quando a coisa era valiosa. De café, artigo permanente numa transacção de séculos, as cargas rondavam os vinte quilos. Mas a incursão aventurava-se muito para além da linha de fronteira por dez léguas ou mais.
Durante a Segunda Grande Guerra, a Espanha, conotada com as potências do Eixo e devedora para com a Alemanha dos meios de combate propiciados a Franco, sofria internamente de terríveis carências e queria propiciar a Berlim materiais que lhe eram vedados, mas se poderiam obter em Portugal.
Minérios de estanho e volfrâmio, além de outros de grande raridade, passaram a Raia de Poço Velho aos Fóios, ocupando todas as noites centenas de cargueiros alombando cada um os seus vinte e cinco quilos.
A viagem era curta e de pouco risco, que, do lado espanhol, não havia apreensões e do lado de cá o trânsito só era condicionado quase rente ao limes.
Aos milhares de toneladas, mas em cargas individuais de quintal, passavam todas as noites para centros de armazenagem que iam dos Campanários de Azaba a Sant Esteban de Bejar deperdícios de borracha – da virgem à das ligas mais pobres – e de cornos de qualquer animal que os tivesse ostentado.
Foi meia década de pleno emprego.
O rapazola que acabara de tomar corpo cabonde podia ganhar a jorna todas as noites. E os homens feitos enquanto aguentassem dispunham de igual oportunidade.
A jorna ia dos vinte escudos na veniaga dos cornos aos cinquenta na dos minérios. Atendendo a que um cavador ganhava ao dia dez escudos a seco e cinco a de comer, trabalhando de sol a sol, e que neste jornadear, Espanha vai, Espanha vem, o percurso se faria, correndo tudo bem em quatro, cinco horas, a paga era tentadora.
E até estudantes em férias se atreviam a experimentar embora depois as pernas e sobretudo as costas dessem de si.
Com a rendiçao incondicional da Alemanha, acabou aquele ciclo.
E uma nova era de quase emprego só surgiu com o contrabando de vacas mas já no fim da era do escudo.
Cada passador trazia só uma rez e recebia, se a operação se finalizava com êxito, cinco contos de reis. Os rapazes da Confraria dos Solteiros não queriam outro modo de vida e muitos bons e honrados pais de família obtiveram um excelente reforço para os seus quase sempre muito baixos orçamentos de passigo.
«O concelho», história e etnografia das terras sabugalenses, por Manuel Leal Freire

Olhando para o Castelo de S. Jorge e para uma das suas encostas, sentado a uma janela de uma vetusta casa do bairro da Mouraria, bairro cheio de História e castelo cheio de História, fiz esta pergunta a mim mesmo: o que é Portugal hoje?

António EmidioUm país economicamente destroçado, mas que teima em encontrar o seu futuro simplesmente na economia. As suas elites políticas e económicas, mesmo as que se dizem democratas, tudo sacrificam pela liberdade dos mercados, desde que ganhem com isso dinheiro e votos… Deixaram de defender o ideal de Liberdade e Humanismo que a Revolução de Abril nos trouxe.
Que é feito de Estadistas como Mário Soares, Álvaro Cunhal, Freitas do Amaral e Sá Carneiro? Independentemente do ódio que suscitam alguns dos que aqui mencionei, suplantam, e nem é lícito compará-los a toda uma série de economistas e engenheiros que presentemente «frequentam» os ministérios. Estes, os novos «estadistas», vêem-nos a nós portugueses como uma cambada de ignorantes e estúpidos, acusam-nos de sermos o principal obstáculo ao desenvolvimento do país, acusam-nos também de sermos os culpados da hecatombe económica que se abateu sobre Portugal. Copiam da América o pior, da Europa o péssimo, esquecendo por isso o papel importantíssimo do Estado na vida e no futuro das populações do interior e também do apoio aos dois milhões ou mais de carenciados que existem presentemente em Portugal.
O Estado deve ser defendido e reformado nunca desmantelado. Que será do nosso Concelho sem o Tribunal, o Centro de Saúde, as Escolas, as Finanças e outros organismos públicos? Que nos acontecerá se um dia se suspender a Democracia Autárquica, como deseja Rui Rio, um dos muitos tecnocratas que ajudou a destruir Portugal política, económica e moralmente? Ficamos entregues a dois ou três Chicos Espertos, talvez daqueles que nunca acreditaram em ideais como a Democracia a Justiça Social e o Progresso. Também a uma espécie de troika à portuguesa que vem à Cidade de mês a mês ver como vão as contas de uma qualquer «Comissão» posta a governar não sabemos por quem. Como se nunca tivesse havido déficit e dívidas de Estados e de autarquias no País e no Mundo…
Estes tecnocratas, engenheiros e economistas, vão-nos retirando cada vez mais direitos, direitos esses conseguidos com a Revolução de Abril. Dividiram profundamente a sociedade portuguesa, os ricos estão cada vez mais ricos, os pobres cada vez mais pobres. A oligarquia e a classe média alta vivem da especulação de terrenos, usam todos os estratagemas com os bancos para enriquecerem, vivem encostados ao Estado parasitando-o com negócios rentáveis para elas e desastrosos para o Estado. Agora querem os hospitais públicos através de privatizações, destruindo o Serviço Nacional de Saúde. São accionistas das principais empresas públicas estratégicas que foram privatizadas. O seu dinheiro encontra-se bem guardado em paraísos fiscais e na Suiça. Jogam ténis e golfe, fazem regatas no Mediterrâneo, não saem dos ginásios e das clínicas de cirurgia estética.
O resto dos portugueses? Vivem com dificuldades de toda a ordem, milhares e milhares estão desempregados, milhares na pobreza e desamparados pelo Estado. No meio do muito rico e do resto, estão uns tipos que vivem de expediente, servilismo político, pequena corrupção, etc., etc., etc. Resumindo querido leitor(a), uns 300 mil ricos para 10 milhões de pobres!
Dê soluções! Dirá algum leitor(a). Respondo-lhe dizendo que a base está nestes três valores: Ética, Solidariedade e Humanismo.
O que é a vida querido leitor(a) senão a superação permanente de problemas? Quantos não teve Portugal durante a sua História? Tenho esperança em nós portugueses, não em batalhas e revoluções, o futuro a curto prazo não pede isso, pede um regresso aos valores espirituais, voltarmos a saber que o amor é mais forte que o ódio e a morte, voltarmos a ter ideais de justiça, voltarmos a saber distinguir o bem do mal, voltarmos a ter a ideia de qualidade e valor e, muito importante, deixarmos de ser superficiais! Amarmos cada vez mais a Liberdade e a Democracia. Assim voltaremos a ser Nobre Povo e Nação Valente.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

A GNR da Guarda divulgou em comunicado que na semana transacta procedeu a diversas detenções, nomeadamente por tráfico de estupefacientes, posse ilegal de armas de fogo e furto de metais não preciosos.

GNRNo dia 18 de Junho, foi detido, na localidade de São Miguel, Guarda, um homem de 32 anos de idade, de nacionalidade portuguesa, residente naquela localidade, por crime de tráfico de estupefacientes. A detenção ocorreu no âmbito de uma fiscalização ocasional, no decurso da qual foram apreendidas cerca de setenta doses de diversos estupefacientes. O detido, presente ao Tribunal Judicial da Guarda, ficou com a medida de coação de Termo de Identidade e Residência.
No dia 19, militares da GNR detiveram na localidade de Ervas Tenras, Pinhel, um homem de 43 anos de idade, residente naquela localidade, por crime de posse ilegal de armas. A detenção ocorreu na sequência de uma denúncia anónima, tendo o visado acedido a entregar as armas voluntariamente. Na sua posse encontravam-se três armas de fogo modificadas (tipo armas de caça) e respectivas munições. Ficou com a medida de coação de Termo de Identidade e Residência.
No dia 20, foi apreendido em sucata diverso material metálico furtado nos concelhos de Celorico da Beira e Guarda, no valor de 2.500 euros. O referido material era destinado a uso na construção civil (prumos e andaimes). Foi constituído arguido indivíduo de 47 anos de idade, por suspeita da prática do crime de furto de metais não preciosos.
Na semana passada, as Secções de Programas Especiais, dos Destacamentos Territoriais da Guarda e Pinhel, no âmbito do programa «Residência Segura», realizaram nove ações de sensibilização junto dos residentes das freguesias de Castanheira e Pínzio, na Guarda e Valbom, Bogalhal, Meda, Freixo Numão, Freixedas e Pinhel. Nas ações estiveram presentes 94 idosos.
plb

Nas últimas semanas escrevi sobre questões sérias. Sobre temas históricos da nossa região. Confesso que preciso de mudar de assunto. Preciso de aliviar. É que as matérias históricas obrigam a um rigor e portanto um esforço – primeiro, de investigação, depois de rigor de escrita – que me afecta o descanso… Assim, hoje, trago duas personagens mirabolantes do Casteleiro.

Eram pai e filho. O pai, o ti Nà’ciso, sobre o qual já escrevi, era de Alfaiates. Arraiano puro. Daqueles que, mesmo que vivesse mil anos, nunca perderia nem o sotaque nem as maneiras. Eu sempre gostei dele (menos quando me arrancava os dentes a frio – possa, como diz o outro!). Era o Sr. Narciso. Barbeiro, médico e enfermeiro da terra. Quando digo médico, não é daqueles que pertencem à Ordem. Não. Era daqueles que curavam as pessoas e sabiam o que receitar para cada caso. E as pessoas acreditavam nele, mesmo mais do que nos médicos, faziam religiosamente o que prescrevia – e as farmácias do Sabugal, de Caria, de Belmonte, aviavam as «receitas» dele, escritas em papel pardo ou em restos de folhas de caderno de escola. O que ele «receitava» era lei: para doentes e família, mas também para as farmácias.

Um arraiano puro e bem disposto
O Sr. Narciso tinha vindo de Alfaiates com 20 e poucos anos, arregimentou-se no Casteleiro e por ali ficou para sempre. Tinha de tudo: momentos hilariantes, sempre com um sorriso, zangas monumentais e célebres, cada «turina» de caixão à cova…
Mais tarde, por via do meu casamento, tornei-me seu sobrinho. Para mim, passou a ser o ti Nàciso e pronto. Quando me lembro dele, vejo-o sempre a sorrir.
Como digo, era arraiano 100%.
Não só pelo «génio» arreganhado quando lhe chegava a mostarda ao nariz, mas também pelo modo de falar.
Era respeitado e quase endeusado, pelo bem que fazia como «médico» popular. Naquele tempo, não esquecer, não havia Serviço Nacional de Saúde… não havia transportes para as farmácias, não havia acesso fácil aos cuidados médicos, como há hoje, apesar de estarmos sempre a protestar… mas era bom que a malta soubesse que para trás estava uma grande miséria nestas e noutras matérias.
Tinha expressões únicas.
A malta nova adorava-o. Por muitas razões.
Há histórias do arco-da-velha com ele.
Conto uma porque esta se liga com os modos de falar.
Ele estava quase sempre a jogar às cartas, nos seus tempos livres, que eram muitos. Quando chegava a hora das refeições, a malta interrompia, ninguém mexia nas cartas e daí a meia horita, já comidos, retomava-se a coisa.
Umas situações repetidas com o ti Nàciso é a que segue.
O homem vem a correr rua abaixo, desde o café.
Chega ao meio da praceta, sempre em passo ligeiro, e grita com aquele seu modo de falar meio cantado, para a mulher, uma santa e mãe da paciência:
– Ó Zabeli, o qu’é que se come hoji?
E ela, com toda a calma, bonacheirona, como ela era mesmo, lá da varanda ou da janela:
– Caldo verde.
A resposta dele era sempre a mesma, todas as vezes que havia caldo verde:
– Caldo de queubis?? Còmi-o tu!
Escrevi o som eu de couves, como ele o pronunciava, «em francês», porque é o som mais aproximado que conheço e acho que a maioria dos leitores saberá pronunciar isto em francês…
Ainda hoje, quando se fala disto, toda a gente que o conheceu se ri a bom rir. Tanto mais quanto é certo que era famoso o gosto estranho do ti Nàciso em matéria de caldo verde: para o comer, tinha de lhe pôr açúcar.

«Ma Volvô»!
Os netos do ti’ Nàciso, ele com nove ou dez, ela com apenas seis ou sete anos de idade, vieram a Portugal pela primeira vez conhecer a terra do pai e dos avós. A mãe, cidadã francesa, também.
Uma tarde, o pai (filho, portanto, do ti Nàciso), emigrante há mais de 20 anos em Dijon mas que, como técnico de meios-frio, já tinha estado por essa África fora ao serviço da sua famosa empresa, a Japy, pegou no seu Volvo absolutamente novo e quis dar uma volta pelas ruas da aldeia. Aquele carro era enorme para aquelas ruas. Era parecido com o da foto – imaginem o furor que fez numa terra onde os carros locais iam da 4L (a célebre «càtrele» tão referida pelos emigrantes) até aos Austin, Ford Fiesta, sendo que mesmo os emigrantes não iam além do Peugeot 404 e do Renault 19.
Pois bem. O Balé de boa memória meteu então o luxuoso Volvo por aquelas ruas acima, pela parte antiga da aldeia, as ruelas ainda mais apertadas e às tantas chegou a uma curva onde o Volvo não cabia mesmo. Mas ao Balé nessa altura nada se lhe metia à frente. Sobretudo àquela hora e bem bebido como já estava e chateado. E vai de acelerar a apertar o carro contra as paredes de um lado e do outro. E recuava e o carro «encolhia».
Certo é que o carro novo e belo ficou todo amassado dos lados.
Vem a mulher, os filhos, a família, os vizinhos – todos para ver os efeitos da coisa.
E, por entre os «ah!s», sobressaía a vozita da miúda, horrorizada com a imagem do seu carro (digo em francês, para perceber o que vai seguir-se: «avec l’image de sa voiture». Ou seja, carro em francês diz-se «voiture» e é feminino).
Os gritos da miúda eram lancinantes naquela rua toda:
Oh, ma Volvo, ma Volvo! Oh, ma Volvo, ma Volvo!
(Para melhor colorido, diga como ela dizia: «volvô», com acento nesse último ô).
Ficou célebre para sempre na família o «Oh, ma Volvo, ma Volvo!» da miúda.

Nota
Provavelmente escapou a muitos leitores o conteúdo dos comentários, alguns bem interessantes das duas últimas peças sobre a minha aldeia. Pode aceder a eles aqui e aqui. Vai gostar, se gosta destas coisas do muito antigamente (algumas de há 4 mil anos, veja lá…).

«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

Recebemos dos vereadores da oposição, Luis Sanches, Sandra Fortuna, Francisco Vaz (eleitos pelo PS) e Joaquim Ricardo (independente) um comunicado que transcrevemos na integra.

Câmara Municipal Sabugal

Os Vereadores do Partido Socialista e o Vereador independente Joaquim Ricardo, eleito nas listas do MPT, tornam público que, em reunião de Câmara realizada no passado dia 20 de junho, votaram favoravelmente a seguinte proposta:
a) Considerando que o Relatório de Gestão da Sabugal+ EM foi amplamente discutido pelo Executivo Municipal, e reprovado por maioria, com as justificações constantes das declarações de voto integrantes das respectivas actas;
b) Considerando que, em nossa opinião, o actual Conselho de Administração geriu a empresa de forma tão escandalosamente negativa e lesiva dos interesses do Concelho, de que são exemplo os resultados operacionais negativos apresentados, obrigando a transferência financeira adicional por parte do Município com vista a equilibrar os resultados;
c) Considerando, por outro lado, todas as pertinentes questões referidas pelo Fiscal Único, no seu relatório e que não mereceram esclarecimentos válidos por parte do actual Conselho de Administração.

Os vereadores que representam na Câmara Municipal do Sabugal a oposição, apresentaram e aprovaram por maioria as seguintes propostas:
a) «Emitir um voto de desconfiança no actual Conselho de Administração da Empresa Municipal Sabugal+ EM, nos termos do Artº 455º do Código das Sociedades Comerciais;
b) Responsabilizar o actual Conselho de Administração da Empresa Municipal Sabugal+, pelos resultados obtidos e propor a sua consequente e imediata destituição.»
Como se pode facilmente verificar pelo gráfico que a seguir se apresenta, a empresa municipal, desde a sua criação, tem vindo a apresentar todos os anos, com excepção do ano de 2010, prejuízos operacionais. Mas nunca tão volumosos como os agora apresentados, pelo actual conselho de administração que se aproximam perigosamente da soma de todos os apresentados anteriormente, não nos podendo deixar indiferentes tamanha má gestão.

Sabugal Mais

A gestão dos dinheiros públicos, numa época de crise como é a que estamos a atravessar, requer por parte dos gestores contenção nos gastos e o que se verificou aqui foi exactamente o contrário: gastou-se (e sem autorização!) o que se não tinha e assim impediu-se de os aplicar em medidas que trouxessem mais desenvolvimento ao nosso concelho.
A Empresa Municipal Sabugal +, EM, não pode viver como se o dinheiro fosse inesgotável.
Assim, parece-nos ter chegado o momento de repensar a existência desta empresa e, desde já, «travar» a gestão profundamente censurável do actual Conselho de Administração, em nome do futuro do Concelho do Sabugal.
Os vereadores da Oposição

Recebemos dos vereadores eleitos pelo Partido Socialista na Câmara do Sabugal um comunicado, com o título em epígrafe, que publicamos na íntegra.

PSA 21 de Fevereiro de 2012, a Assembleia da República aprovou a Lei nº 8/2012 definindo as regras aplicáveis à assunção de compromissos e aos pagamentos em atraso das entidades públicas, a que os Municípios também estão obrigados.
De acordo com esta Lei nenhuma entidade pública pode assumir novos compromissos se os mesmos ultrapassarem os fundos disponíveis a curto prazo (3 meses).
Para que não haja dúvidas quanto ao cumprimento desta regra, nenhum compromisso pode ser assumido sem que tenham sido cumpridas as seguintes condições:
a) Verificada a conformidade legal e a regularidade financeira da despesa, nos termos da lei;
b) Registado no sistema informático de apoio à execução orçamental;
c) Emitido um número de compromisso válido e sequencial que é refletido na ordem de compra, nota de encomenda ou documento equivalente.
No entanto, e segundo declaração política proferida pelos Vereadores do Partido Socialista na Reunião de Câmara de 20 de Junho, isto não está a acontecer, o que, a confirmar-se, e de acordo com a lei, as decisões já tomadas e que envolvam compromissos financeiros, podem vir a ser consideradas nulas, e os membros do Executivo Municipal sujeitos a penalizações por tomadas de decisões ilegais.
Por este motivo, e na sua Declaração Política, os vereadores do PS declaram que «votarão contra qualquer assunção de novos compromissos, sempre que as propostas apresentadas não sejam acompanhadas pela informação dos técnicos responsáveis de que o compromisso financeiro a assumir tem cobertura pelos fundos disponíveis, bem como da inclusão do número de compromisso válido e sequencial».
Os Vereadores do PS

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Soito iniciou em 16 de Setembro de 2011 a ampliação das instalações do quartel. O projecto é um grande salto na melhoria das condições da corporação e uma das maiores iniciativas da actual Direcção presidida por Maria Benedita Rito Dias.

(clique nas imagens para ampliar.)

São ferros, tubos, fios, canos, blocos e pilares, que em conjugação parecem formar uma obra de arte. Obra essa que denuncia muito em breve uma realidade de harmoniosa arquitetura.

Quem pretender ajudar os bombeiros pode transferir o seu donativo para:
NIB: 003507020001137293062
ou, se for no estrangeiro, através do:
IBAN: PT50003507020001137293062, código CGDIPTPL.
A Direção e os Bombeiros Voluntários do Soito agradecem.
jcl

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto à freguesia raiana de Aldeia da Ponte, terra de fortes e arreigadas tradições. No próximo domingo será editado o poema relativo à freguesia de Aldeia da Ribeira.

ALDEIA DA PONTE

Humosas veigas de humosos húmus
Silvestres prados de abundantes pastos
Carvalhos robles pródigos como numos
Canhadas donas de horizontes vastos

O vale de todo o povo traça rumos
Caminhos de Santiago nunca exaustos
O Cesarão de históricos ressumos
Das águias de Roma lembra os Faustos

Depois de César veio a Fé de Cristo
Ermidas e conventos que em registo
O burgo tornam em perfeita orada

De Santa Bárbara a Santa Catarina
A mesma fé nos guia e ilumina
Sem ela, tendo tudo, somos nada

«Poetando», Manuel Leal Freire

Damos continuidade à apresentação do léxico com as palavras e expressões populares usadas na raia ribacudana.

AGUILHADA – vara com ferrão na extremidade, própria para picar as vacas. Medida de comprimento, correspondente a 19 palmos (significado colhido por Clarinda Azevedo Maia na Lageosa da Raia).
AICHE – pequeno ferimento (linguagem infantil); o m. q. farraiche. Muitos autores escrevem aixe e axe.
AIDRO – adro, terreiro à volta da igreja. O povo ajuntou-se no aidro.
AJAVARDADO – sujo; grosseiro (de javardo: javali).
AJAVARDAR – sujar; fazer mal; estragar. Ajarvadou o trabalho.
AJOUJADO – muito carregado; cansado.
AJOUJAR – carregar muito, fazer cansar. Júlio António Borges dá o significado de: juntar.
AJUSTAR – contratar; combinar a prestação de um trabalho e a sua contrapartida.
AJUSTE – contrato de trabalho. Andar de justo: trabalhar sob contrato.
ALA – interjeição que indica pressa. Ala, que sa faz tarde!. Joaquim Manuel Correia traduz por levantar chama: «o lume tomou ala».
ALABARDA – pau enfeitado, usado nas touradas pela mordomia quando pede a praça. Bandeiras usadas nas festas do Espírito Santo, em algumas terras; o m. q. labarda. «Era constituída por duas bandeiras, ambas em forma de galhardete, e cujos panos de uma forma quadrada, eram constituídos por retalhos quadrados de cores, em que predominava o vermelho, o amarelo e o verde e por um ceptro, de pau alto, encimado por uma cruz, em torno da qual se colocavam cravos e manjericos, a modos de enfeite» (Pinharanda Gomes).
ALABARDEAR – manejar a alabarda, agitando as bandeiras a pulso, até ao cansaço (Pinharanda Gomes). Também se diz labardear.
ALACRÁRIO – lacrau; escorpião (Vitor Pereira Neves, de Sortelha). Júlio Silva Marques, de Vilar Maior, escreve alecral. José Prata, de Aldeia da Ponte, refere lacrário. Júlio António Borges, de Figueira de Castelo Rodrigo, refere alacrairo e alacrau.
ALACRÊNCIA – miriápode; centopeia (Vitor Pereira Neves).
ALAFRAU – patife (Júlio António Borges).
ALAGADEIRA – mulher desgovernada, incapaz de gerir a casa; gastadora (Júlio António Borges).
ALAGOA – lagoa (Duardo Neves).
ALAGOSTA – mulher que esbanja; o m. q. alagadeira.
ALAGOSTAR – esbanjar (José Pinto Peixoto).
ALAMAR – enfeite no vestuário (Júlio António Borges).
ALAMBA – resina (Joaquim Manuel Correia).
ALAMBAZADO – cheio; farto; que comeu em excesso; que encheu o odre.
ALAMBAZAR – comer em excesso.
ALAMBRAR – atiçar a chama – lambra (José Pinto Peixoto).
ALAMPIÃO – lampião, candeeiro grande (Francisco Vaz).
ALÂMPIO – azeite – termo da gíria de Quadrazais (Franklim Costa Braga).
ALAMPIOSA – azeitona – termo da gíria de Quadrazais (Franklim Costa Braga).
ALANCAR – carregar excessivamente; vergar com o peso. Também diz alangar, segundo José Prata. Por sua vez Júlio António Borges traduz por: «ir-se embora».
ALANGOSTA – pessoa que come demais; lambão (Clarinda Azevedo Maia).
ALANTERNA – lanterna; candeia que acompanha os funerais (Franklim Costa Braga).
ALANZOAR – dizer coisas à toa; falar muito. «E tu a alanzoar que estou bêbeda» (Abel Saraiva).
ALAPARDADO – agachado; escondido. Júlio António Borges traduz por: «sentado à vontade».
ALAPARDAR – agachar; esconder.
ALARDE – ostentação; aparato.
ALAVÃO – parte do rebanho de ovelhas que está a produzir leite, que se separa para melhor trato (Vítor Pereira Neves).
ALBARCA – calçado espanhol, feito de borracha – em geral pelo aproveitamento de pneu velho, segundo Adérito Tavares. Calçado tosco de madeira e couro (Clarinda Azevedo Maia).
ALBARDA – aparelho para colocar sobre o lombo das bestas de carga, feito com cabedal e estopa e cheio com palha. Albardeiro era o mestre no fabrico e venda de albardas.
ALBARDADO – com albarda. Bacalhau frito passado por farinha e ovo.
ALBARRÃ – espaço amplo e desocupado (Rapoula do Côa): cabanal albarrã. José Prata traduz por: «descampado».
ALBERNÓ – peça de vestuário que fica desajeitada ao corpo (Júlio Silva Marques). Júlio António Borges, de Figueira de Castelo Rodrigo, refere albornó, expressão igualmente referenciada por Maria Leonor Buescu acerca da linguagem de Monsanto, dando-lhe o mesmo significado. A generalidade dos dicicionários da língua portuguesa registam albornoz.
ALBOREDO – alvoroço; barulho; gritaria (Clarinda Azevedo Maia – termo recolhido em Aldeia da Ponte).
ALBRICOQUE – alperce; pêssego (José Pinto Peixoto).
ALBROQUE – celebração do fecho de um negócio, com pagamento de vinho a todos os intervenientes. Também se diz alboroque, alberoque e alborque. João Valente publicou neste blogue um interesante texto intitulado «Alborque ou Albroque» (dividido em duas partes) acerca da origem e do uso deste termo na raia sabugalense, que pode consultar aqui e aqui.
ALBRÓTIA – abrótea; planta espontânea muito procurada pelos animais quando pastam no campo. José Manuel Lousa Gomes, do Soito, refere que esta planta era apanhada para servir de alimentação aos porcos.
ALÇA – suspensório usado pelos garotos, feito a partir da tira da bainha dos tecidos. Júlio António Borges dá outro significado: «quadro de madeira, metido na colmeia, onde as abelhas constróem os favos».
ALCABOSIAR – berrar; ralhar (Júlio António Borges).
ALCACER – horta constituída especialmente por pimentos, cebolas, tomates, couves: «tenho de ir à Regada bachicar o alcacer» (Porfírio Ramos). Mais a sul, em Monsanto, designa o terreno em que cresce trigo, cevada ou centeio (Maria Leonor Buescu).
ALCADUTO – aqueduto (José Prata).
ALCAGUETE – alcoviteiro (Clarinda Azevedo Maia – termo recolhido em Vale de Espinho). Do Castelhano: alcahuete.
ALCAIDE – designação que em algumas terras se dava ao regedor. No tempo da reconquista cristã designava a pessoa nomeada pelo rei para administrar militarmente uma vila ou cidade, residindo no respectivo castelo. Em Espanha o alcalde é a pessoa que está à frente da administração de uma povoação.
ALCAMAZES – pulos; saltos. Andar aos alcamazes: brincar pulando e saltando, sem regra (Júlio Silva Marques).
ALCANÇAR – conceber; engravidar. Normalmente usado quando referente a animais.
ALCANDÓRIO – coisa grande e desajeitada; pessoa alta e mal apresentada (Júlio António Borges).
(Continua…)
Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

leitaobatista@gmail.com

A Itália existe? Ou, pelo contrário haverá duas Itálias, ou até uma por região. É uma questão que os tratadistas habitualmente se põem (por todos Patrick Meney, in «A Itália de Berlinguer»).

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaNa obra referenciada, pode, com efeito, ler-se:
«Parece tratar-se de dois países: um rico, industrializado; outro pobre, em vias de desennvolvimcnto; dois mundos, onde apesar de tudo, se fala a mesma língua, mas em que as palavras nem sempre têm o mesmo sentido; dois mundos em que o elemento de unidade mais aparente é o Fiat 500.
Mas um Fiat 500 que, no Norte, é utilizado como segundo carro e que, no Sul, é um automóvel que serve para tudo, por único.»
Como se sabe, a República Italiana tem pouco mais de meio século: nasceu do referendo popular de 2 de Junho de 1946, três anos após o derrube de Mussolini. E a unificação italiana ainda não atingiu os cem anos.
E, naquela manta polícroma de cidades que forarn estado, mantem-se fortemente acentuado o contraste norte-sul.
Passamos mais uma vez a palavra a Patrick Meney:
«Mezzogiorno, Sicília.,Calábria, Apúlia, Campanha, Sardenha, Basilicata, Molise.
Um sul que se estende bem para o interior da bota. Em que, ainda mesmo agora, o turista pouco se aventura. O Cristo parou em Emholi. O estrangeiro não foi para além de Roma. O industrial, esse, não passou de Nápoles…
Mostra-se bem diferente o Norte: Nevoeiros, chuvas, chaminés de fábricas, zonas industriais,cruzamentos de auto-estradas, grandes cidades tristes com avalanchas de operários que, de manhã cedo, são tragados pela Fiat ou pela Alfa Romeu. Combóios de mercadorias. Navios… É a outra Itália, a que produz, a que trabalha, a da reconstrução, a do êxito… Com todos os industriais do País, com os créditos, a de que os italianos se orgulham, a que permite ao País colocar-se entre os sete mais; a que serve de caução aos empréstimos vindos do estrangeiro…
Enfim, uma Itália que se dá ares de Alemanha…»
Milão vale como símbolo de toda esta opulenta região de que é verdadeiramente a capital, sendo também por isso, a capital económico-financeira de toda a Península.
Aliás, o seu valor de símbolo não vem de hoje.
O império sacro-romano-germânico tinha-o na conta de uma das suas melhores jóias.
Pelos séculos, as rivalidades entre as potências que aspiravam ao domínio da Europa centrava-se por ali.
Francisco I, de França, o galo indino verberado pelo nosso Camões, revelou-o numa frase lapidar:
Eu e meu primo Carlos V estamos finalmente de acordo. Ambos queremos Milão. Ou, diria um outro imperador, se a Itália fosse uma vaca, Milão ou meIhor o Milanado, seria o lombo.
O seu contributo para o equilíbrio da balança de pagamentos; a elevada percentagem no produto interno bruto, o prestígio de que goza a nível interno e externo fazem da região (uma das vinte em que a Itália se decompõe) um autêntico oásis.
De tal modo que assegura quase um quarto do rendimento nacional.
Não releva apenas a raça, mais próxima dos bárbaros vencedores de Rómulo Augustulo do que dos etruscos ou sabinos.
A madre natura ajudou também: as montanhas que ocupam 43% do território não são, ao contrário do que poderia pensar-se, uma desvantagem. Bem pelo contrário: desde o começo da Revolução Industrial que elas fornecem os cursos de água necessários à produção de energia. Estão, por isso, na base da arrancada industrial.
Aliás, o alto grau de pluviosidade, em marcada oposição com a secura escalavrante do Sul e Ilhas serviu de antecâmara à criação da riqueza, potenciando uma agricultura rentável, geradora de fundos afectáveis a outras iniciativas.
Enfim, entre o Milanado e a Calábria verificam-se diferenças que impõem o regionalismo.
A invectiva camoniana a uma distância de quatrocentos anos, a passar, dá-nos conta do que para sempre há-de opor os italianos:
Pois que direi daqueles que em delicias
Que o vil ócio no mundo traz consigo
Gastam as vidas, logram as divícias.
Esquecidos do seu valor ant1igo?
Nascem das tiranias inimicícias
Que o povo forte tem de si imigo
Contigo, Itália, falo já submersa
Em vícios mil e de ti mesma adversa…

Poderá a Europa das Regiões desagregar à Europa das Pátrias? Ou, pelo contrário, acabarão as regiões, por cimentarem mais fortemente as Pátrias?
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

A extinção e agregação das freguesias é o grande tema da próxima reunião ordinárias da Assembleia Municipal do Sabugal, que o presidente Ramiro Matos convocou para dia 29 de Junho, pelas 20h15 no Auditório Municipal do Sabugal. Reproduzimos a respectiva ordem de trabalhos

Brasão Câmara Municipal SabugalANTES DA ORDEM DO DIA
1- Discussão e votação da ata da Sessão Ordinária realizada no dia 27/04/2012.
2- Expediente.
3- Assuntos Diversos.
ORDEM DO DIA
1- Reorganização Administrativa Territorial Autárquica – Emissão de Pronúncia.
2- Regulamento de cedência e utilização do autocarro municipal.
3- Segunda revisão ao Orçamento Municipal de 2012 e segunda revisão às Grandes Opções do Plano 2012-2015.
4- Actividade Municipal.
Ramiro Manuel Lopes de Matos

O sr. Presidente da República acaba de aprovar o novo código do trabalho, ou melhor, o novo código do desemprego. O presidente diz que não encontrou razões claras de inconstitucionalidade e que não houve, da parte dos deputados, grande oposição.

Desta forma, o sr. Presidente da República, ao afirmar que não encontra indícios claros de inconstitucionalidade, deixa-nos perceber que podem existir indícios, digamos, escuros ou obscuros de inconstitucionalidade. Para quem jurou cumprir e fazer cumprir a constituição portuguesa, o presidente, leva muitos anos a esquecer-se da sua obrigação. Tem aprovado leis atrás de leis com as quais não concorda, mas que não as envia para o Tribunal Constitucional. Porquê? Obviamente porque concorda com essa legislação, não se inibindo de fazer discursos hipócritas. Escondendo-se numa falsa imparcialidade. O Tribunal Constitucional existe precisamente para verificar, analisar e apontar os aspectos legislativos que ferem a constituição. E usar este tribunal é uma das obrigações do presidente, o seu poder real é o de vetar e o de mandar para o tribunal as leis que lhe são remetidas pela Assembleia da República. Na minha opinião, deveria mandar todas as leis. Desta forma não levantaria nenhuma dúvida aos cidadãos sobre a constitucionalidade das leis. Mas aqui, entra a politiquice… vejam como é formado o Tribunal Constitucional? Os juízes não são escolhidos pela sua competência, mas por nomeação política! Será por isso que, todas as leis (seja qual for o governo) estão sempre dentro da constitucionalidade? E claro, a morosidade. Especialidade da nossa democracia. À medida dos poderosos.
Este novo “código do desemprego”, aprovado pelo sr. Proença da UGT, vem, definitivamente, empurrar as leis do trabalho para o facilitismo de despedir a torto a e a direito, com a desculpa de que assim se cria emprego. Mais, agilizou-se o despedimento, mas não se agilizou a resolução dos casos nos tribunais do trabalho, onde estão parados mais de um milhão e meio de processos. Significa que, se um trabalhador recorrer para o tribunal acerca do seu despedimento, pode estar meia dúzia de anos ou mais à espera de uma decisão judicial. Entretanto, fica sem emprego, com este novo código, com menos dinheiro de subsídio de desemprego e menos tempo e, quando sair a decisão judicial, pode provavelmente já nem existir o posto de trabalho. Pode, pois, vir o sr. Proença dizer que se não fosse ele ainda seria pior, que ninguém acredita. Deixou de representar os trabalhadores e colou-se a um governo, cujo objectivo é acabar com o trabalho digno e colocar os portugueses numa escravidão legal. Em menos de um ano, só como exemplo, há 7940 casais em que os dois estão desempregados. É um aumento de 81%! Imaginem daqui a um ano com este novo código!.. O 18-J (18 de Janeiro) será a marca do descalabro do trabalho em Portugal. Em breve, regressaremos aos tempos da ditadura, em que a pobreza e a miséria era a marca de ser português. O que recebeu em troca? O fim de mais meia hora de trabalho diário. Ridículo, não acham?
Diz o Sr. Presidente, que não houve grande oposição a este novo código da parte dos deputados. Esta é de bradar! Ninguém diz ao presidente que existe na Assembleia da República uma maioria!? Ou estará a olhar para a bancada do PS que, cobardemente, se absteve na votação? E se não viu oposição na Assembleia, não viu as portuguesas e os portuguese na rua clamando por justiça social, por equidade nos sacrifícios, por dignidade no trabalho? Não. Não viu nem ouviu. Obcecado que estava com a sua conta bancária e preocupado com os seus amigos que saquearam Portugal com a sua benevolência ou uma inauguraçãozita que permita justificar a sua existência.
Este governo, esta maioria, este presidente, serão recordados como os coveiros da legislação laboral em Portugal. Serão recordados como os responsáveis pelo empobrecimento massivo da população portuguesa, pela precaridade do emprego, pelo fecho alucinante de empresas e pelo fim de feriados marcantes da história do país. Traduz-se no aumento de desempregados para os 16%. A falência das famílias aumenta de forma alucinante. A economia encolhe…
A protecção do emprego? Interessante, é que os patrões, que esfregaram as mãos de contentes por este novo código, argumentando que assim se protegia o emprego, estão a fechar as empresas! Num país onde não há trabalho, o importante é acabar com feriados e retirar três dias de férias, para quê? Se não há trabalho? Para estarem a olhar para o patrão? Portanto, o novo código agora aprovado, será a matriz do regresso das relações laborais ao séc. XIX. Não se admirem se as convulsões e as revoluções sociais saírem para a rua e se tornem no quotidiano português. Aproprio-me do dizer popular, “um dia a casa a casa vai abaixo”, acreditem.

P.S.1 Saiu a conclusão da ERC sobre o caso das pressões do ministro Miguel Relvas sobre o jornal Público e, claro, não se provou nada. Admirado? Não. Afirma, a sua conclusão, que não encontrou “pressões ilícitas”. Esta entidade é composta por dois elementos do PS, dois do PSD e o seu presidente, Carlos Magno, foi escolhido pessoalmente pelo sr. Primeiro-Ministro. 3-2 para Miguel Relvas.
Palavras para quê?! Admiro-me, como é que não condenaram a jornalista e o jornal por quererem informar!
È o resultado, mais uma vez, das comissões e entidades de fiscalização e averiguação cá do burgo.
P.S.2 Parabéns à selecção portuguesa. Viva Portugal!

«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

A Cáritas Portuguesa para acompanhar com a contestação de que a crise, a mal fadada crise, está a ser usada para desinvestir no combate á pobreza e à fome, reuniu-se com a Cáritas Internacional e dessa reunião saíram estes dez mandamentos, que seguidamente enuncio, para um Mundo sem fome.

– Contribui para que todas as pessoas tenham o suficiente para comer.
– Não cobices o pão do teu vizinho.
– Não guardes para ti mesmo, os alimentos que fazem falta as pessoas necessitadas.
– Honra a terra e o trabalho para combater as mudanças climáticas, para todos terem uma vida mais longa e um a Terra melhor.
– Vive de acordo com o teu próprio estilo de vida.
– Não cobices a terra e a propriedade dos teus vizinhos.
– Que a política agrária seja para reduzir a fome e não para aumentá-la.
– Toma uma atitude perante Governos corruptos e os que os seguem.
– Ajuda a evitar conflitos armados e guerras.
10º – Combate a fome de forma eficaz, através de ajuda ao desenvolvimento.
António Alves Fernandes – Membro da Cáritas Paroquial de Aldeia de Joanes

Na reunião de câmara de ontem, dia 20 de Junho, a maioria dos vereadores chumbaram as contas consolidadas de 2011 da Câmara Municipal, na mesma reunião, foi aprovado um voto de desconfiança no actual conselho de administração da empresa municipal Sabugal+.

Empresa Municipal Sabugal +A proposta de moção de desconfiança foi apresentada pelos vereadores socialista e teve por base aquilo que consideram ter sido uma má gestão da empresa no exercício de 2011.
Quanto á reprovação das contas do Município, o argumento apresentado pelos vereadores da oposição, segundo soube o Capeia Arraiana, teve por base o facto de as contas da empresa municipal terem sido reprovadas na reunião de 6 de Junho. Sendo a Sabugal+ uma empresa de capitais inteiramente municipais, a reprovação das suas contas significou também a não aprovação das contas do próprio Município.

Joaquim RicardoAs razões de Joaquim Ricardo
O vereador independente Joaquim Ricardo baseou o seu voto desfavorável às contas da empresa municipal no facto de os resultados operacionais serem preocupantes, atingindo níveis nunca antes alcançados.
A dimensão desses resultados operacionais foi porém em parte provocada pela contabilização de uma despesa de 110 mil euros o que resultou, segundo refere o relatório do fiscal único, da expectativa gorada de recuperação do adiantamento concedido à empresa participada Côa Camping. Porém o vereador eleito pelo MPT discorda do parecer do fiscal único, uma vez que a Côa Camping, ao não devolver o valor adiantado, deveria ceder o Projecto do Parque de Campismo que o mesmo dinheiro supostamente financiou, o que representaria ficar a sabugal+ com um activo de valor igual ao adiantamento feito e, portanto, não afectando o seu património.
Segundo o Capeia Arraiana apurou, o vereador de Aldeia de Santo António alegou ainda que as despesas em pessoal e em fornecimento de serviços terceiros tiveram um aumento de 60%, o que classifica como «abismal».
Outro facto que o vereador constatou foi o de a Câmara ter transferido para a empresa, a título de verbas de capital, o valor de 218 mil euros, e só contabilizou 75 mil, pelo que há uma diferença de 143 mil euros que estão em falta naquela contabilidade.
Outro factor foi a deficiente contabilização de valores como subsídios à exploração. Tinham-se previsto 685 mil euros e gastaram-se 810 mil, sendo a diferença coberta pela transferência de 125 mil euros oriundos da compensação financeira do parque eólico, que pertencia ao Município.
À laia de conclusão, Joaquim Ricardo apontou que as graves irregularidades na contabilidade fizeram com que as contas não reflectissem a imagem verdadeira da empresa.
plb

Os civilistas justinianos e quantos se lhe seguiram ao longo dos séculos, passando pelos bolonhistas, dão como ponto assente que os contratos para prestação de facto se esgotam no do «ut facias», ou seja – eu dou isto para que tu faças isso.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaOs eleitores dão o voto para que o votado execute em contrapartida o programa de governo que apresentou. Isto é indubitavelmente certo, não permitindo duas interpretações.
É certo que este nosso mundo é, passe o paradoxo, o do incerto e efémero. O que os candidatos a governantes podiam acautelar com uma cláusula. Nenhum o faz, porque nenhum tem a intenção de cumprir o programa, ponto a ponto, pois todos sabem da impossibilidade de o fazer.
E até de razoavelmente se aproximarem do projectado, até porque o projecto é uma simples meta para que se tende.
Mas em face do não cumprimento, os eleitores, pelo seu lado, não têm nenhuma hipótese de denunciar imediatamente o contrato. Para tanto, não detêm meios, e a única sanção que lhes é possivel aplicar é, findo o prazo do contrato, não o revalidar, elegendo outros que também não poderão honrar o sinalagma.
Em face da impossibilidade de cumprimento, os eleitos poderiam demitir-se, o que nada resolveria, e, não havendo, nem podendo objectivamente haver, qualquer sanção penal ou sequer civil para o incumprimento, a solução é aguentar.
Muitos governantes confessam viver terrivéis dramas de consciência, ante o incumprimento. A maior parte vai vivendo o dia a dia com as benesses que o poder propicia, embalado quando não obrigado pela clientela.
E todos os regimes têm de ter em linha de conta o homem tal qual ele é, com virtudes e imperfeições, com fraquezas e tentações, e não o homem como deveria ser – o Cândido, de Voltaire, «O bom selvagem», de Rousseau, ainda não corrompido pelo meio.
Mas o homem é, por natureza imperfeito e mesmo imperfectível. E se é certo que todos constituímos, desde Adão, uma cadeia que vive sempre, continuamente aprende e dia a dia se aperfeiçoa, não é menos verdade que o espírito de Caim continuará a influenciar-nos negativamente até que no Vale de Josafá ressoem as trombetas do Juízo Final.
Depois, o Poder deslumbra, pelo que, mesmo de boa fé e recta intenção, os eleitos não resignam.
Vem-nos à mente um poema de Torga:
Na frente ocidental nada de novo
O povo
Continua a resistir.
Sem que ninguém lhe valha
Geme e trabalha
Até cair

«Caso da Semana», opinião de Manuel Leal Freire

Continuo hoje esta minha reflexão sobre a gestão municipal face à situação que se vive no País.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Um Concelho tem de ser um território qualificado onde as pessoas que aqui vivem e trabalham se sintam bem.
E tal significa a garantia de condições físicas – redes de distribuição de água, saneamento, recolha de lixo, energia, comunicações, redes viárias, etc. -, de qualidade.
Mas, e face à realidade do Concelho, há todo um outro conjunto de condições que devem, em situação de crise, ser objeto de maior empenhamento por parte dos eleitos municipais, com destaque especial para as intervenções na área social.
Os investimentos em infraestruturas são, normalmente, muito pesados e devem ser nesta fase muito bem ponderados face ao seu contributo para o aumento da qualidade de vida das populações.
Mais do que continuar com investimentos para os quais nem o Município nem o País têm capacidade, importa apostar em intervenções que permitam criar um Concelho onde todos possam ser cidadãos de pleno direito, que conduzam à igualdade de oportunidades para todos e que fomentem a tolerância e a inclusão de todos os seus membros, qualquer que seja a sua raça, sexo ou posição social.
Importa ainda apostar em formas de intervenção permanente, em conjunto com as instituições sociais e culturais, centradas na pessoa enquanto ser humano, mas igualmente, enquanto cidadão, reforçando ao mesmo tempo os sentimentos de pertença e identidade, tão importantes em regiões em acelerado processo de desertificação e envelhecimento, o que passa também pela criação de um espaço público de qualidade.
As nossas aldeias têm de continuar a ser atrativas, seguras, limpas e com os equipamentos de uso público adequados ás populações que os utilizam e em boas condições de conservação.
Por tudo isto, não esperem que vos fale de grandes investimentos ou de grandes obras, pensando antes que um Plano Orçamental para uma situação de crise deve incidir, sobretudo, em áreas como:
– a saúde, criando condições para a igualdade de todos os sabugalenses no acesso aos cuidados médicos e à aquisição de medicamentos;
– o apoio à 3ª Idade, aprofundando as parcerias com as IPSS do Concelho, mas, igualmente, não esquecendo os idosos que vivem nas suas residências;
– a educação, não permitindo que crianças ou jovens se afastem da escola por dificuldades familiares;
– a qualificação do espaço público das freguesias, apostando em intervenções de manutenção/recuperação do mesmo;
– a transformação de espaços devolutos em espaços de vivência coletiva.
Dir-me-ão que isto é o que é feito, mas basta a leitura dos orçamentos municipais dos últimos anos, para se perceber que estas são áreas quase sempre residuais e que representam uma percentagem muito reduzida do total das despesas previstas.
E não tenho dúvidas em afirmar que adiar ou mesmo abandonar a concretização de algumas obras de resultados mais que duvidosos para inverter a situação com que o Concelho se defronta, permitiria libertar recursos para intervenções de caráter social (e não se confunda este tipo de intervenções com a mera assistência social), de muito maior impacto no conjunto da população sabugalense.
Até para a semana…
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

O aumento excessivo das despesas com pessoal, o substancial agravamento do passivo, o elevado prejuízo, a queda abrupta dos resultados operacionais, em suma, a má gestão, associada ao deficiente registo contabilístico, foram as principais razões que levaram a Câmara Municipal do Sabugal a reprovar as contas referentes a 2011 da empresa municipal Sabugal+.

Na reunião do executivo camarário de 6 de Junho, os vereadores do PS, Sandra Fortuna e Francisco Vaz, e o vereador independente, eleito pelo MPT, Joaquim Ricardo, reprovaram o relatório de contas de 2011 apresentado pelo Conselho de Administração da Sabugal+. Apenas o presidente António Robalo votou favoravelmente, estando os restantes elementos do executivo ausentes da reunião por impedimento legal em apreciarem e votarem este assunto.
O tema já vinha de reuniões anteriores, onde igualmente se decidira não aprovar o documento, tudo culminando numa decisão aparentemente definitiva, a qual poderá conduzir a um beco sem saída, uma vez que a Assembleia Municipal terá, por força da lei, que apreciar e votar a «consolidação de contas da empresa», o que está previsto para a reunião ordinária que acontecerá ainda neste mês de Junho.
O executivo considerara, em reunião havida a 9 de Maio, que o Conselho de Administração deveria reformular o documento e submetê-lo a nova votação.
Vindo de novo a votos no dia 6 de Junho, os vereadores socialistas e o vereador Joaquim Ricardo, voltaram a reprovar o relatório e contas reformulado, por considerarem que continuava a não reunir condições para merecer um voto favorável.
Os vereadores do PS, pela voz de Sandra Fortuna, declararam votar contra pelo facto de haver uma manifesta «gestão errada» que resultou num resultado negativo que obrigaria a Câmara Municipal a ter de transferir verbas para cobrir esse valor, onerando assim excessivamente as contas do Município. A vereadora do Casteleiro justificou ainda a posição dos socialistas no facto das despesas com pessoal terem aumentado 40% em relação ao exercício anterior, bem como no agravamento do passivo em cerca de 50%, ter havido um prejuízo superior a 110 mil euros, para além de um deficiente registo contabilístico.
Os socialistas consideraram ainda que a empresa alterou sucessivamente o plano de actividades aprovado pela Câmara sem ter em conta os correspondentes ajustamentos financeiros. A declaração de voto ditada para a acta acabou com a frase «Basta! A Sabugal+ não pode viver como se o dinheiro fosse inesgotável e, gaste-se o que se gastar, lá estarão os vereadores para aprovar mais uma transferência, mais um reforço de capital».
Já o vereador Joaquim Ricardo, justificou o seu voto contrário às contas, alegando irregularidades, nomeadamente no registo de 125 mil euros oriundos do parque eólico como receita da empresa, indevidamente subtraído às receitas do Município. De um resultado operacional de 2 mil euros em 2010, «o primeiro no seu historial», a empresa passou para um resultado operacional negativo, de 136 mil euros no ano de 2011, o que significa uma «tamanha má gestão». O vereador apontou ainda outros factores negativos: o aumento dos «gastos em eventos» em 44% e o aumento dos compromissos de curto prazo em mais 137%.
Em consequência da situação o vereador prevê que para o corrente ano de 2012 a empresa, por força dos contratos já firmados e por efeito dos resultados negativos atingidos, tenha que receber uma transferência do Município próxima de um milhão de euros. Joaquim Ricardo criticou ainda o facto de nada se saber acerca da empresa Coacamping, cujo 49% do capital social pertence à Sabugal+.
O vereador eleito pelo MPT acabou a sua declaração considerando que a gestão da empresa municipal foi «danosa e digna de censura».

Julgo que oposição política da Câmara tem colocado erradamente as culpas da situação financeira da Sabugal+ na sua actual presidente do Conselho de Administração, a também vereadora de vice-presidente do Município, Delfina Leal. É certo que ela é actualmente o rosto da empresa, mas não nos esqueçamos que a Drª Delfina pegou na administração da Sabugal+ a 21 de Julho de 2011, após a gestão praticada pelo presidente da Câmara, António Robalo, que foi presidente da empresa desde Dezembro de 2010 até essa data. A vice da Câmara, que governou a empresa no ano 2011 durante 164 dias (contra 201 dias de António Robalo) encontrou uma entidade sujeita a compromissos, com despesas imparáveis, um plano de actividades desbaratado e dinheiro indevidamente transferido.
António Robalo, que em infracção ao artigo 44º do Código do Procedimento Administrativo continua a participar nas discussões e votações do relatório e contas de 2011 da empresa que ele mesmo administrou, é o verdadeiro responsável pela situação da Sabugal+ e pelo seu eventual decesso.

plb

Um dia, apareceram no Vale da Senhora da Póvoa uns homens engravatados a dizer na tasca, em voz bem alta, que queriam comprar volfrâmio, e toda a quantidade que houvesse…

José Jorge CameiraO Ti Valdemar Carolo (nome fictício), de qual já aqui falei noutra crónica, terá dito que tinha muito dessa coisa. Isso gerou uma mudança total na vida dele: vendeu as cabras e começou a extrair sozinho o tal minério para aqueles clientes certos. Era só ir aos buracos, apanhar, carregar os alforges do macho e as cangalhas de dois ou três burros que entretanto comprou e guardar no palheiro, fazendo cagulo, repetindo o mesmo vezes sem conta…
E o dinheiro começou a entrar na vida dele em grande quantidade! Às carradas…
Mas que fazer com tanta nota de mil escudos, se não havia onde as gastar, ou seja, se não havia «coisas» para comprar?
A primeira viagem grande que fez foi a Penamacor ao dentista. Combinou com ele arrancar toda a dentadura, a de cima e a de baixo, cravelhas incluídas, e botar dentuça nova, mas em ouro do amarelo!
Tanta nota tinha, que até deu para forrar a parede interior de taipa da casa. Aquilo dava para tudo, até para limpar o rabo! Isso de se limpar com pedras e ervas já era coisa do antigamente! Algumas notas dessas de cem escudos, do Pedro Nunes, apareceram mesmo na Fonte Santa, no Lameiro e na Serrinha. O povo então dizia, quando por aqui e além encontrava emplastros cobertos de mosquedo:
– Olhem, o Ti Valdemar passou por aqui…esteve ali a baixar as calças!
Era até uma forma de alguns também lucrarem com a fortuna dele, por que o bom do nosso homem, à falta de melhor prás limpezas, servia-se das notas que lhe pingavam dos bolsos !
Estou a imaginar o Ti Valdemar a entrar nas duas tascas do Vale de Lobo e sorrir sem motivo, só para todos verem o «corta-palha» novo e amarelo, brilhando com a luz mortiça das candeias d’azeite!
Num outro dia, ouviu num rádio de válvulas, comprado na Feira de Santo Estêvão, um insistente reclame das canetas Parker 51, muito na moda naqueles anos…
Por que não comprar uma, se havia carcanhol para isso à barda?
Inabanão põe-se a caminho de Castelo Branco, entra numa loja e pede uma dessas tais canetas Parker 51. Que não havia, ainda não tinham chegado à cidade, ter-lhe-à dito o comerciante. Cheirando-lhe a pateguice, informou que tinha uma de outra marca, melhor e mais cara. Por 10 notas (ou seja mil escudos) vendia-lhe uma. Era uma caneta daquelas das feiras, rafeirosas, levantava-se uma mola com a unha que apertava dentro uma borrachinha cheia de tinta e borrava de imediato os dedos, as mãos, o bolso, a camisa… tudo !
Foi essa mesma que ele quis. Pagou e lá foi de volta para o seu Vale de Lobo, onde a mostrou a todos! Na rua prendia-a no bolso da camisa, mas com a dita do lado de fora! Mas para que queria uma caneta, se nem ler e escrever sabia! Mas que ganda metarroano !!

José Jorge Cameira

«Estórias de um filho de Vale de Lobo e da Moita»
mailto:jjorgepaxjulia4@hotmail.com

Descrevo o que sou descrevendo o que sinto. Descrevo-me, portanto, nas palavras que escrevo.

Fernando Capelo - «Terras do Jarmelo»Descrevo-me retratando vidas, contextos e ambientes construindo narrativas sobre vilas e aldeias antigas, sobre vales e sobre os montes que os cercam.
Existo em palavras de vento e frio, em palavras de neve, geada e névoas, em palavras de sol e calores excessivos, em palavras de cor verde/natureza, em palavras de sabores e odores inócuos e campestres.
Descrevo-me na calma clara das noites de luar e na morna atmosfera das noites estivais. Descrevo-me também nas tempestades que empurram o Inverno. Descrevo-me, ainda, quando escrevo sobre as verduras primaveris ou sobre castanhos outonais.
Descrevo-me no nascer avermelhado das manhãs e no crepúsculo alaranjado do sol-pôr.
Descrevo-me na admiração de montanhas, na contemplação das fundas ravinas que as separam e na gostosa observação das curtas planuras que as intercalam.
Descrevo-me nas maneiras de ser, nos saberes ancestrais, nos hábitos seculares, nos gostos e nas preferências, no trabalho e na alegria, no sofrimento e na dureza, no rigor e na seriedade, enfim, nas vidas das gentes do Interior profundo, encostado à Raia onde nasci e onde partilhei, partilho e partilharei a maior parte da minha existência.
Descrevo-me, assim, na tradição, nas lendas, nas estórias e na história destas terras, nos castros, castrejos e castelos, nas ruas e praças, nas capelas e igrejas, nos monumentos, no antigo e no presente de gente simples e franca, nas festas e romarias, nas diversões, na religiosidade, nos esquecimentos e nos reconhecimentos e também nas palavras de esperança de quem acredita assim como me descrevo nas palavras de amor de quem gosta e de quem ama.
Descrevo-me em palavras de céu e luz, em palavras de noites ou de dias e, ao descrever-me, transformo-me nas palavras que escrevo.
Descrevo-me em palavras de alma cheia que encontro ao fechar os olhos quando quero ver melhor.
Descrevo-me escrevendo de alma exposta e, tudo quanto escrevo, assume em mim uma força interior e infinita que me faz erguer e me faz existir.
Sinto, por isso, que vivo e toco o que vivo, em função do que escrevo. Tudo o que escrevo é tudo o que, para mim, existiu e existe ao alcance do meu sentir e, enquanto escrevo, obtenho a certeza de escrever sobre um mistério de beleza difícil de descrever e custoso de desvendar. Um mistério impossível de existir e, paradoxalmente, de existência verdadeira.
Foi no seio desse mistério que nasci, que me moldei e é nele que me apresento a este presente em que escrevo. Descrevo-me, portanto, tentando descrever tal mistério.
«Terras do Jarmelo», crónica de Fernando Capelo

Os poetas, nas palavras de Erasmo, «formam uma raça independente, que constantemente se preocupa em seduzir os ouvidos dos loucos com coisas insignificantes e com fábulas ridículas. É espantoso que com tal proeza se julguem dignos da imortalidade». E continua: «esta espécie de homens, está, acima de tudo, ao serviço do Amor-Próprio e da Adulação». E dizia isto Erasmo, não por julgar a poesia um género literário menor, mas por saber que o mudo da poesia é o da adulação e da crítica elogiosa, com que de poetas medíocres, se fazem poetas da moda. (parte 4 de 4).

João Valente - Arroz com Todos - Capeia ArraianaA par do elemento natural, a «espontaneidade» constitui o segundo elemento que não caracteriza apenas a faculdade criadora mas deve estar presente em todo o processo poético e a qual jamais deve sacrificar-se às exigências estilísticas.
Por sua vez, Pascoais explica melhor a sua visão ética da poesia no Regresso ao Paraíso, obra que Leonardo Coimbra qualificou de criacionista.
Pascoais defende aqui uma realidade cuja aparência começa na matéria e se perfecciona, na dialéctica dos contrários (Matéria e Espírito, Alma e Corpo, Luz e Sombra; Queda e Redenção, Criação e Ressorção; Ciência e Poesia; Poesia e Filosofia; Deus e Satã; Jesus e Pã; Cristianismo e Paganismo; Teísmo e Ateísmo; inteligível e sensível, intuição e razão) superada pelo espírito saudoso.
Em simultâneo, a criação da obra de arte segue o mesmo processo transfigurador e idealizante, sob a acção criadora da saudade; isto é, todas as coisas e todas as obras necessitam que o tempo as converta em lembrança, para que, após serem assimilados e integrados pela alma na sua substância, possam ser por ela exprimidos em eternas formas de beleza. E é o papel inventivo da fantasia e da imaginação que tem o poder de transfigurar o existente, criar algo de novo (heurésis), sendo partir deste momento que a obra se anima de outra vida, se converte em arte verdadeira.
Por isso, a poesia, ao contrário da escultura e pintura, que tendem a ser miméticas, copiadoras do universo criado, não copia as formas, vai além do visível. Em consequência, o verdadeiro poeta é o homem que passa da Existência à Vida, da matéria ao espírito, ou seja, da realidade à verdade, processo possível só com um conhecimento do cosmos, que a intuição poética permite.
Como vimos, partindo ambos de Platão, atalhando pela via do Heglianismo ou do Kantismo, Antero e Pascoais acabaram por chegar à mesma conclusão:
A resposta ao que é poesia e um bom poema, está de facto no temperamento, carácter e personalidade do poeta, na maneira como sente o mundo, a espontaneidade e imaginação com que exprime a sua ideia do mundo.
A universalidade da obra de arte radica na verdade pessoal do poeta, no seu carácter, nesse húmus que é comum a todos os homens, do qual brota, turva a seiva da «espontaneidade»; é neste sentido que para Antero ser verdadeiro é ser natural, já que, no poema, sentimento e ideia se adequam por intermédio da palavra – da forma –, sendo nos limites deste postulado que o justo e o belo hão-de ser medidos.
Pascoaes afirma que é na «inspiração» que reside a identificação ontológica do homem com o mundo, e será a partir desta que toda a relação estética se torna possível: «a inspiração do poeta é a sua identificação com o cosmos, a exprimir-se verbalmente ou por meio da substância originária que é o verbo, o som, música divina.»
Portanto tudo se resume no verbo fiel ao pensamento e à ideia, à representação completa do sentimento, que por intervenção da imaginação (em Pascoais) ou espontaneidade (em Antero), é a linguagem do coração do poeta.
Resumindo: A poesia é a palavra que exprime fielmente um sentimento e uma ideia. A boa poesia exprime esse sentimento e ideia com espontaneidade e imaginação, as quais dependem da personalidade do poeta.
Como se vê, demos as voltas que dermos, vimos sempre dar ao mesmo.
O que nos remete para o seguinte texto de Lobo Duarte, onde se vê este essencial equilíbrio que a poesia consegue alcançar entre ética e estética, forma e ideia e sentimento, imaginação e espontaneidade, que lhe dá uma leveza extraordinária, leveza profunda, medida pela precisão e concisão de suas imagens:

A Dona Antonia escreve versos, aquilo parece a sirene dos bombeiros a correr para o fogo. Que aqueles babosos versos lhe adocem os beiços. Ela há-de dar aquelas lamechices a uma casa de caridade. São fracos versos que a consolam naquele abandono de homem e filhos. A Dona Antonia gosta de costurar, é uma artista no ponto cruz, uma devota do ponto cruz e do Dr Sousa Martins padroeiro das diarreias e das cólicas. A Dona Antonia e os seus versos amarelos como a bilis. Ela entretem os seus bichos de estimação entre eles as pombas que poisam no peitoral a mendigar umas migalhas literárias. Dona Antonia e os seus versos fofos e quentinhos que cheiram a mofo e a naftalina.

Isto é que é poesia! A boa poesia…

«Arroz com Todos», opinião de João Valente
joaovalenteadvogado@gmail.com

Este artigo foi como que inspirado nos vários artigos que o Mestre Leal Freire, o Paulo Leitão e o José Carlos Mendes têm escrito aqui neste Blog. São os que mais abordam a História e tradições do nosso Concelho.

António EmidioNós portugueses já nos apercebemos que a União Europeia não passou de uma falsa ilusão – mas nunca devemos perder o sonho de uma Europa da cidadania e dos povos – estamos integrados nela, não de alma e coração, mas por obrigação. Por obrigação já assimilámos os «valores» da Europa, o relativismo moral e ético e o individualismo. A nossa desilusão tem sido grande, meçamos essa desilusão:
Portugal, antes do 25 de Abril era dos países menos industrializados da Europa, hoje mantém-se na mesma.
Portugal, antes do 25 de Abril era um país com uma enorme percentagem de analfabetismo, hoje temos aproximadamente quatro milhões de analfabetos funcionais, gente que sabe ler e escrever, mas que não compreende um texto por mais simples que seja.
Portugal, antes do 25 de Abril tinha grandes estádios de futebol e jogadores reconhecidos internacionalmente que ganhavam bons salários. Hoje continuamos a ter grandes estádios de futebol, grandes treinadores tipo «special one», presidentes de clubes corruptos até à medula, jogadores habilidosos com os pés, cuja habilidade lhes garante fortunas pessoais que correspondem a fatias do PIB de alguns países africanos! Aqui subimos uns pontos.
Antes do 25 de Abril, eramos dos países mais pobres da Europa, e com uma diferença salarial impressionante. Hoje continuamos na mesma.
A culpa disto tudo é da Europa? Não propriamente, é de uma elite política e financeira que substituiu os valores da lealdade, da honestidade, da solidariedade e da amizade, pelo dinheiro e pela procura incessante do mesmo, originando uma corrupção brutal que não nos deixou singrar a nível económico, político e moral.
Nesta Europa, mistura de protestantismo, Capitalismo Selvagem, individualismo possessivo e hedonismo parolo, a nossa língua e as nossas tradições são as que resistem, são as únicas que resistem, a uma absorção total do nosso país por parte da Europa. No que se irá transformar uma UE alemã debaixo da supervisão dos Estados Unidos? A uma hegemonia destes últimos, e uma das medidas que tomará, será colocar o Inglês como língua predominante na UE. Portugal, como Nação, irá transformar-se em região, com governo e parlamento regionais. A língua portuguesa continuará a ser ensinada nas escolas, servindo para testemunhar os mil anos de História de Portugal.
Por tudo isto, merecem todo o nosso respeito, admiração e apoio, aqueles homens e aquelas mulheres que preservaram e preservam as nossas tradições e a memória histórica do nosso Concelho, através dos seus estudos, das suas observações e dos seus escritos. Sem estes homens e mulheres, a tradição e a História cairiam nos confins do esquecimento e, nós cairíamos com elas. Passaríamos a ser uma árvore sem raízes.
Também temos de fazer a destrinça entre a verdadeira tradição e a verdadeira História do nosso Concelho, e a falsa! Porque infelizmente nos tempos que correm o espirito mercantilista tudo adultera, não olhando a meios para atingir fins.
A todos os homens e mulheres que lutam pela preservação das tradições e da memória histórica do nosso Concelho, é de desejar que a força do espirito os acompanhe, como acompanhou Joaquim Manuel Correia e Nuno de Montemor, entre outros.
«Escrever história é uma maneira de nos libertarmos do passado». Penso que foi Goethe que disse isto. Esta frase, neste artigo, contém este significado: a libertação do passado significa a transformação económica e social que foi responsável pelo analfabetismo, pobreza, exploração do trabalhador e subdesenvolvimento do Concelho durante décadas. Infelizmente, ainda há quem veja o nosso passado, o passado do Concelho com «miragens», e quem vê com «miragens» o seu passado, constrói com «miragens» o seu futuro.
Toda a transformação política e económica que não inclua a sua dimensão social, humana, ética e ambiental, não é transformação e evolução, é regressão.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Com realização agendada para os dias 20, 21, 22, 23 e 24 de Junho, o São João deste ano garante um cartaz atractivo em termos de animação musical, onde se destacam Zé Cabra, Quim Barreiros e Santos & Pecadores.

Na abertura das festas do Sabugal, na noite de 20 de Junho, quinta-feira, actuará a banda sabugalense Men´s, que preparará o ambiente para a exibição em palco de Zé Cabra e sua banda, que serão a grande actuação dessa primeira noite festiva.
Na sexta-feira, dia 21 de Junho, será a vez da Opus Band, que preparará o recinto para o grande Quim Barreiros que animará a noite com a sua concertina.
Na noite de sábado, 23 de Junho, a animação será inicialmente garantida pela banda Roda Viva, que depois cederá o lugar à grande atracção das festas deste ano: o grupo Santos & Pecadores.
No Domingo, dia 24, a derradeira noite das festas estará a cargo da banda Uskadcasa, que antecederá a tradicional queima do Carvalho (mastro vestido com rosmaninho).
As festas de S. João são uma ocasião especial para se visitar o concelho do Sabugal. Para além da animação musical, o recinto das festas garante bar e restaurante permanente onde se poderão degustar as sardinhas assadas e outras iguarias.
Outra atracção será o Festival de Folclore que se realiza na tarde de domingo, dia 24, no qual se exibirão vários grupos, que actuarão em palco e desfilarão nas ruas da cidade do Sabugal.
Tudo boas razões para ir ao Sabugal participar na tradicional festa sanjoanina.
plb

Ontem, domingo, dia 17 de Junho, realizou-se mais um interessante convívio entre homens dos Fóios e de Malcata. O «invido» tem sido o pretexto, mas os horizontes vão-se alargando.

José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaTal como estava previsto os malcatanhos começaram a chegar aos Fóios por volta do meio-dia. Os fojeiros esperavam no largo da Praça e quando o grupo já era bastante significativo o Ti Quim Pagã fez questão de pagar uns aperitivos no bar do restaurante “Eldorado”.
O amigo Rui Chamusco pegou na concertina e muito simpaticamente começou por tocar o hino dos Fóios.
Quando as delegações das duas freguesias já estavam completas foi servido um vinho generoso no bar do centro cívico e usaram da palavra os dois presidentes de Junta para felicitar todos os presentes. Qualquer um dos presidentes disse que os jogos, tanto de cartas como da petanque, malha e raioula são importantes mas é absolutamente necessário que se vá muito mais longe sobretudo nos aspectos sócio-turísticos.
Quando os fojeiros se deslocarem a Malcata, no dia 2 de Setembro, irão usar o estradão que liga as duas localidades ao longo da fronteira. Este percurso mostra-nos um horizonte a perder de vista com paisagens absolutamente deslumbrantes.
Os elementos das duas Juntas de Freguesia combinaram uma reunião para que possam amadurecer a ideia das promoções turísticas através da serra das Mesas e da serra da Malcata. É urgente valorizar e dinamizar as potencialidades naturais com que a Mãe Natureza nos brindou.
Mas voltando ao encontro dos fojeiros e malcatanhos, o almoço teve lugar no pavilhão multiusos. Foi usado o assador das castanhas por ser polivalente e muito funcional. De uma só vez se assaram as sardinhas e as carnes para que todas as pessoas pudessem comer ao mesmo tempo.
Após o almoço fez-se a foto de grupo, junto do cruzeiro e, de seguida, organizou-se a ronda até ao largo da Praça, onde se localizam os bares e onde foi servido o café e copa.
A realização dos jogos do «invido» estava prevista para o pavilhão multiusos mas acabou por se realizar na esplanada do “Nosso Bar” visto que a grande maioria dos «viciados» haviam demonstrado alguma impaciência. As equipas foram constituídas por jogadores dos Fóios contra jogadores de Malcata mas, às tantas, já andava tudo misturado e o importante era jogar e tomar umas boas minis e uns tintinhos.
Por volta das 19 horas as duas delegações caminharam em ronda, que mais parecia uma procissão, até à casa do Amigo Lei Chão onde foi servido um lanche que acabou por servir de jantar visto que a maioria das pessoas já estavam algo impacientes, porque se aproximava a hora do encontro de futebol Portugal-Holanda, que acabou por nos ajeitar a jornada.
Foi um dia de convívio que culminou com essa importante vitória de Portugal.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

Por impossível que pareça, o Sabugal continua estar entre os municípios portugueses que mais população vai perdendo em cada ano que passa.

Festas de Agosto - António Cabanas - Terras do Lince - Capeia Arraiana

Segundo os dados agora divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), entre os anos 2010 e 2011, o Sabugal voltou a estar entre os cinco municípios portugueses que mais sofreram com o abandono humano. Com perdas de população superiores a dois por cento destacaram-se os concelhos de Arronches e Crato (ambos no Alentejo) e Sabugal, Penamacor e Vila Velha de Ródão (estes três na região Centro).
A tendência para a despopulação do interior manifesta-se imparável, devido sobretudo a um modelo de desenvolvimento que favorece a litoralidade da economia. Junto ao mar estão as cidades mais dinâmicas, onde a indústria e os serviços possibilitam o emprego. O interior quase não tem actividade económica e a pouca que resta vai sendo progressivamente desmantelada.
Mau grado os tempos de crise, e apesar de Portugal ter perdido mais de 30 mil habitantes no período em análise, a chamada Grande Lisboa continuou a crescer populacionalmente, acentuando-se a visão macrocéfala do país. Na capital e ao seu redor concentram-se mais de dois milhões de pessoas, o que representa um quinto da população nacional.
Se a principal responsabilidade pela situação do concelho do Sabugal a podemos deitar para as costas deste errado paradigma de desenvolvimento, não devemos também deixar de imputar culpas à má governabilidade local. Nada do que no Sabugal é feito contribui para estancar esta sangria desatada que perdura há décadas. O anunciado fecho do Tribunal, o possível encerramento das Finanças e do Centro de Saúde (desde há muito na corda bamba), aliados ao insensato projecto de extinguir metade das Juntas de Freguesia, levam a crer que um dia, mais cedo do que tarde, decretarão o encerramento do próprio concelho e do seu Município. Voltaremos ao tempo do ermamento, quando, antes da chegada do rei Dinis, no século XIII, eramos terra erma, sem gente nem instituições.
O chão foge-nos debaixo dos pés e a Câmara assobia para o lado, preocupada com o calendário e a organização de festas e festarolas, numa paródia permanente.
Vem aí Agosto, mês em que alguns emigrantes ainda retornam, nem que seja por uns dias, criando as condições para a continuidade do movimento festivo. Será, como sempre foi, um tempo de mera ilusão.
Findo Agosto voltaremos à crua realidade: uma nova leva de jovens sairá para continuar os estudos, numa viagem sem regresso, porque a sua terra não lhes garantirá futuro.
É este o nosso triste fado!…
«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista

leitaobatista@gmail.com

Sabido que há na Raia sotaques e mesmo palavras diferentes das que usamos no Casteleiro e que na minha terra ninguém sabe o que significam, como poderemos explicar isso em terras tão próximas e que distam entre si apenas alguns quilómetros? Seremos, uns, descendentes dos «ocelenses» e, outros, descendentes dos «oppidenses» e/ou dos «transcudanos»? Talvez. Acho que é uma boa hipótese de trabalho.

Há umas semanas escrevi num comentário neste mesmo blog que tenho uma intuição há muitos anos: «As diferenças entre o sotaque da Raia (mais cantado, mais aberto, mais espanholado) e do Casteleiro (mais fechado, mais átono, digamos) devem ter tido uma origem histórica: devem ter sido grupos humanos diferentes os que povoaram uma e outra zona».
É que do Terreiro das Bruxas ou quando muito de Santo Estêvão para cima e para a fronteira, a forma de falar é tão diferente da nossa (Casteleiro, início da Cova da Beira, que segue para Sul: Belmonte, Caria, Covilhã) que às vezes nem percebemos lá muito bem tudo o que se diz nas terras mais para cima.
Desde criança que acho que Quadrazais e Vale de Espinho, então, são o máximo, de tão longe do modo de falar que eu considerei sempre normal… (Quando somos miúdos é assim: o que é nosso é que é normal, o dos outros, se for diferente, é anti-natural…).
Pois bem: houve ou não povos diferentes na formação dos povoados destas duas zonas ao longo dos séculos?
Não sei. Mas parece que sim.

Ocelenses e «oppidenses»?
De facto, podem mesmo ter sido povos diferentes os que habitaram a Cova da Beira e os que se sediaram ou que foram empurrados mais para os lados do Côa.
Serei eu um descendente dos ocelenses e vocês, da Raia, descendentes de oppidenses ou de transcudanos?
Estou ainda meio a brincar com uma coisa séria – mas se calhar isto tem mais razão de ser do que eu próprio agora penso…
Há uma tese que me agrada bastante, nesta matéria.
Li-a em Marcos Osório, «O Povoamento no I Milénio AC na transição da Meseta para a Cova da Beira…».
Para este autor, seguindo o historiador de Coimbra Prof. Jorge Alarcão, basicamente terá sido assim: quando os romanos chegaram, já havia aglomerados populacionais de vigilância espalhados pela bacia de visão de São Cornélio, nos «okellos» / ocelos (pontos altos – o «palavrão» tão usado aqui à época é afinal de origem indo-europeia e significa mais ou menos «monte»).
Se isto lhe interessa, pode abrir aqui e consultar o estudo.
No que toca aos arredores do Casteleiro, nada custa a acreditar: havia de um lado, a meio da Serra d’ Opa, um castro, a que depois se chamou Sortelha-a-Velha; e havia do outro lado as povoações «vigilantes» do que hoje é o Cabeço de São Cornelho, como diz o povo da minha terra (ou seja: os pontos altos do que hoje é Sortelha). Desses «okellos» se vigiava todo o vale onde começa a Cova da Beira. Não custa a crer que assim fosse, de facto.
Ora, com a chegada dos romanos, quando aqui já havia celtas há quase mil anos…, podem ter sido criados então mais para Norte e Leste os «oppida» (plural latino de «oppidum», palavra que também significa «lugar elevado»). Em direcção ao que hoje é a Espanha. Estes «oppida» eram muitas vezes locais fortificados, marcos de defesa em pontos elevados dos montes circundantes.
Há ainda outra tese que me agrada e vai no mesmo sentido de as nossas duas zonas poderem ter tido povoamentos diversos – e, daí, os diferentes quadros fonéticos e outros, a começar pelo «ethos», o modo de ser e de estar.
Essa outra tese leio-a em Arlindo Correia e aponta para a hipótese interrogada de que «a Cova da Beira seria a região dos Lancienses Ocelenses ficando os Lancienses Transcudani na zona da Guarda e Sabugal». Ressalvo que há quem «coloque» Cuda (de onde vem «transcudano») ali por alturas do Teixoso, mas há também quem a coloque mesmo junto do Rio Côa.
Estas teorias podem ser lidas, em síntese claro, aqui.
Cabe perguntar onde ficava então a povoação «beirã» de Lancia Oppidana, que terá dado nome a toda a região no século I antes de Cristo, aquando do assentamento da tropa romana e seus acompanhantes? Há aqui quem diga que era no exacto local do santuário da Senhora da Póvoa… Ou seja: a ser assim, o Vale (de Lobo, hoje da Senhora da Póvoa) poderá ter sido, antanho, um povoado principal, quase a capital de toda a zona.

Linguajares diferentes
Assim sendo, teremos sido à data todos lancienses (povo lusitano), mas uns como ocelenses (que já cá estavam) e os outros como opidenses, numa das teses ou, na outra, «transcudani» (que chegaram com os romanos ou foram por eles deslocados mais para Norte, miscigenando-se muito, ao longo dos tempos, com os povos mais a Norte e Oriente, na zona que hoje pertence à Espanha).
Então pode admitir-se que as bases linguísticas fossem diversas, mesmo que forçadamente depois se unificassem em torno das corruptelas locais do latim, como sabemos.
Latim que, neste rincão do Império Romano teria duas características: 1ª – Não era o latim dos literatos: esses ficaram em Roma ou, quando muito, acompanhavam os generais e suas cortes…; 2ª – Nem sequer já era o latim do povo de Roma: os soldados que o trouxeram eram muito pouco letrados, iam sendo arregimentados aqui e ali e iam adoptando vocábulos e formas ao longo dos anos e das suas marchas pelo «mundo romano». Eram pois corruptelas sobre corruptelas.
E, pronto, daí resultaram os linguajares locais da época, misturando-se as línguas locais com o «falajar» dos soldados… sei lá.
Não se admirem de tantos pontos de interrogação. É que falta investigar muita coisa nesta matéria. Os autores que descobri, quando falam disto, fartam-se de expressar teorias de que eles mesmos duvidam. O acima citado Marcos Osório, aliás, às tantas diz mesmo o seguinte: «Reconhecemos que muitos dos pressupostos aqui equacionados carecem ainda de verificação arqueológica…».
Mas atenção: se promete não ficar muito confundido, veja aqui a enorme diversidade de povos enquadrados pelos Lusitanos e aqui o mapa do nosso orgulho, cuja publicação pedi: foi aqui que nasceu a original Federação Lusitana (!).
(Como não somos a Sra. Merkel, sei que conseguiremos apontar a nossa terra neste mapa!!)
Ora, voltando ao séc. I AC, a verdade é que a composição diversificada dos povos lusitanos que os romanos vieram encontrar tinha resultado de antigos povos em mistura com os invasores celtas, mil anos antes de Cristo.
Uma miscelânea respeitável, portanto. E é daí que nós todos vimos, afinal, quaisquer que sejam as diferenças entre nós.

Notas finais
1
Desculpem a extensão da coisa… O leitor a estas horas, de duas uma: ou está ainda sedento de mais informação e acha que isto é uma peça ligeirinha e que eu devia aprofundar mais a coisa… ou já vomita teses de História pelos olhos e está mesmo a pensar que eu sou um grande «snob».
Nada disso, meu caro: trata-se de uma necessidade minha: saber de onde venho e para onde podia ter ido (bastava que os romanos tivessem pegado nos meus antepassados da época e tivessem enfiado com eles num qualquer dos vossos «oppida» de Ribacôa, como escreve o Paulo Leitão Baptista todas as semanas!).
Prometo apenas uma coisa: se descobrir algo mais que ache que vale a pena trazer aqui, cá estarei com esse material para o partilhar com o leitor, sem mais objectivos que não seja esse de nos conhecermos melhor, sabendo de onde vimos uns e outros.

2
É que estas coisas, lá bem atrás, ligam-se todas com dias mais recentes.
Por exemplo, uma curiosidade que muita gente desconhece: nesta região, já no tempo dos romanos houve grandes explorações de vários metais muito valorizados pelos ocupantes. Prova disso é que Lúcio Cecílio, o dono da torre Centum Cellae ou Cellas ou Celli (no Colmeal da Torre, próximo de Belmonte), era no tempo dos romanos um tipo que já então comercializava estanho em grande escala. Imaginem de onde vem a coisa! Já agora digo-lhe que o dito local teve foral (ou seja: foi concelho) antes de Belmonte, embora por pouco tempo: era o concelho de Centocelas.

«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

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