You are currently browsing the monthly archive for Maio 2012.

Vivi e trabalhei mais de um quarto de século na harmoniosa, acolhedora e plana cidade fundada pelos Templários. Assim, criaram-se e cimentaram-se amizades, por cada esquina ou rua encontram-se amigos e conhecidos.

Com o cordão umbilical ligado a esses factos e às ex-actividades profissionais, que foram também de missão, quase todas as semanas me desloco de Aldeia de Joanes (Fundão) até Castelo Branco. É uma visita de efemérides, de recordações, uma romagem de saudade.
Não é possível esquecer a cidade onde nascem os nossos filhos e crescem com todas as valências sociais, religiosas, culturais, educativas e de tempos livres, num crescimento total.
Na última semana de Março, num dia de calor fora do normal para a época, com a pluviosidade ausente há muitos meses, e com preces para que chegue mais depressa à nossa moribunda agricultura, desloco-me à capital do distrito.
Logo que chego vou à Padaria para os lados dos Três Globos, que fabrica um pão de água gostoso e guloso e muita doçaria.
No caminho para o Oculista, a fim de resolver um aperto dos óculos, vejo em várias montras do comércio local um logotipo interessante, comemorativo do centésimo aniversário da Associação Industrial e Comercial de Castelo Branco, e concordo plenamente com o letreiro: «se não quer que o seu dinheiro vá para o Estrangeiro, faça as compras no comércio de proximidade».
Encontro no seu posto de trabalho uma Mulher, amiga, esposa e mãe. Está bonita! Com o pensamento nestes tempos quaresmais fez a sua Via Dolorosa. Há tempos, de um dia para o outro, foi-lhe diagnosticado um cancro. Começou a sua Via Cruxis. Diz-me: «naquele momento, estremeci, fiquei baralhada, revoltada. Passei por todos os tratamentos, foram meses infindáveis de sofrimento, de dor a vários níveis. Posso dizer que tive duas vidas: uma antes do cancro e outra depois. Agora abro a janela a cada manhã, com um profundo sentimento de gratidão, por mais um dia! Regressei definitivamente ao meu trabalho, rejuvenesci, cresceu-me o cabelo, estou elegante». E continua com as suas palavras de fé e esperança: «parece um absurdo, mas hoje posso dizer que o cancro fez com que a minha vida ganhasse um sentido completamente novo. Aprendi a dar mais sentido à vida e principalmente a Deus». Abençoada conversa com esta mulher, que ultrapassou as fronteiras do sofrimento, da dor, do desespero e da revolta. Hoje é uma MULHER NOVA, numa Páscoa que liturgicamente está a chegar.
Propus-lhe que falasse com uma familiar, também a sofrer destes problemas, para lhe transmitir palavras de esperança e de futuro, mas não estava do outro lado da linha telefónica.
Cruzo-me com um dos mais engenhosos serralheiros mecânicos do mundo, que a descolonização «exemplar», eu direi vergonhosa, forçou a sair de Angola e a regressar às suas origens – Castelo Branco. Está revoltado por tudo o que se passa na área política e sente-se injustiçado por todos os motivos. Recordei-lhe a arte de tocar harmónio com o nariz, esclarecendo-me que foi vocalista com a irmã Laurinda Silva e com Marco Teixeira na Orquestra Típica Albicastrense, fundada em 1957 pela Acordeonista Eugénia Lima em colaboração com um grupo de Albicastrenses.
Dirijo-me à Moderna Biblioteca, sita no antigo Quartel de Cavalaria, onde o meu conterrâneo Padre Carlos Moita Leal foi Capelão Militar. Antes piso as lajes graníticas gastas na porta de armas. Ali, bem preservada, lá se encontra uma colecção valiosa de painéis da azulejaria portuguesa, que aconselho uma visita, com temática militar: a marcha de guerra, o volteiro, posto à cossaca, teoria, limpeza dos solípedes, juramento de bandeira e licenciamento.
Na Biblioteca Municipal encontro os leitores assíduos. É o lugar por excelência onde todos tomamos conhecimento das últimas notícias e colocamos a leitura em dia.
Regresso ao Fundão com saudades de voltar sempre à Cidade dos Monges ou Guerreiros Templários, que nas ameias do Castelo andavam vestidos de branco.
António Alves FernandesAldeia de Joanes

Anúncios

A Praça de Touros do Campo Pequeno recebe no dia 2 de Junho a 34ª Capeia Arraiana organizada pela Casa do Concelho de Sabugal em Lisboa.

A novidade da Capeia deste ano de 2012 é a aposta da organização na apresentação de touros «puros» (que ainda não foram toureados) para serem lidados ao forcão. Os cinco touros virão da ganadaria de José Dias, de Santo Estêvão de Benavente, e o expressivo cartaz desta edição mostra as fotos dos animais evidenciando a sua beleza e imponência.
A animação estará cargo da Sociedade Filarmónica da Bendada e de um grupo de Sevilhanas, que actuarão ao intervalo. Os bombeiros do Sabugal e do Soito associar-se-ão à festa, assim como diversas Juntas de Freguesia do concelho, que optaram por organizar excursões a Lisboa.
As capeias arraianas realizam-se anualmente no Campo Pequeno, em Lisboa, desde 1978, sendo porém a deste ano a primeira que se segue à declaração deste genuíno espectáculo popular como Património Cultural Imaterial.
No dia 2 de Junho TODOS AO CAMPO PEQUENO!
plb

Um fim de semana de recordações boas…

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Realiza-se este fim de semana o encontro dos antigos alunos do Colégio do Sabugal.
Motivos profissionais e, também pessoais, impedem-me de estar presente, pedindo desde já desculpa pelo facto.
Fui aluno do Colégio entre 1963 e 1969, um período sempre importante na vida de uma criança que se transforma em adolescente.
O Colégio teve uma importância decisiva na vida do Concelho do Sabugal e, estou certo, muitos dos que, como eu, estudaram para além da 4ª Classe, só o fizeram porque existia aquele estabelecimento de ensino.
Muitos sabem que a partir de uma determinada data eu e o proprietário/diretor cortámos as nossas relações pessoais, mas também sabem que sempre considerei o Colégio como algo de muito importante.
E, também por isso, é sempre com alegria e emoção que nos reencontramos periodicamente.
Acredito que este encontro vai ser novamente um êxito e aos organizadores, na pessoa da muito minha amiga de infância e de hoje, Rosa, um abraço sentido a todos os presentes.

È também esta a altura da Sra. da Póvoa, em Vale de Lobo (não sei que raio deu às pessoas para lhe mudarem o nome…), grande romaria da Beira Baixa, que se realiza segunda-feira.
O meu avô todos os anos ali prometia ir… na companhia do neto. Abalávamos na carreira de Belmonte, merenda às costas e lá íamos participar na festa à Sra. da Póvoa.
Mas se esta é uma festa importante, não posso deixar de, mais uma ez, ressaltar que também o Concelho do Sabugal tem a sua Sra. da Póvoa na Sacaparte em Alfaiates, onde também na segunda há festa.
Recordo a primeira vez que ali fui, curiosamente ao casamento do grande amigo Alcino «Palhinhas», aproveitando para publicamente lhe expressar a minha solidariedade neste momento menos bom porque está a passar a sua esposa.
A Sacaparte, já o disse, é um espaço maravilhoso e uma joia por lapidar.
Conheço poucos sítios tão lindos e com tantas possibilidades de aproveitamento para, por exemplo, um festival de verão.
Um abraço aos meus consócios da Liga dos Amigos da Sacaparte, acompanhado de um pedido de desculpa por não estar presente.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

Um encontro na Biblioteca Municipal e a representação de uma peça teatral, são as acções promovidas em Palmela em homenagem ao escritor sabugalense Manuel António Pina.

A Câmara Municipal de Palmela promove, no dia 19 de maio, sábado, às 19 horas, um encontro com o poeta, cronista e jornalista Manuel António Pina, na Biblioteca Municipal de Palmela.
Autor de uma vasta obra literária, que inclui muitos títulos de literatura infantil, Manuel António Pina recebeu o Prémio Camões 2011. O escritor nasceu no ano de 1943, no Sabugal, tendo-se mais tarde radicado no Porto, onde foi jornalista do Jornal de Notícias. Hoje, na situação de aposentado, mantém a colaboração com diversos órgãos de comunicação social.
É autor de vários títulos, entre os quais, Nenhum Sítio, O Caminho de Casa, Um Sítio Onde Pousar a Cabeça, Farewell Happy Fields, Cuidados Intensivos, Nenhuma Palavra e Nenhuma Lembrança, O Escuro, História com Reis, Rainhas, Bobos, Bombeiros e Galinhas, A Guerra do Tabuleiro de Xadrez, O Anacronista, O País das Pessoas de Pernas para o Ar, Gigões e Amantes, O Têpluquê, O Pássaro da Cabeça, Os Dois Ladrões, O Inventão, O Tesouro, O Meu Rio é de Ouro, Uma Viagem Fantástica, Morket ou Histórias que me Contaste Tu
Ainda em Palmela, o Teatro o Bando apresenta o espectáculo «Ainda não é o fim», com encenação de João Brites, a partir de 18 de Maio, peça criada pelo Teatro o Bando a partir do texto de Manuel António Pina. Estarão em palco Ana Lúcia Palminha, Bruno Huca, Clara Bento, Guilherme Noronha, Paula Só, Raúl Atalaia e Sara de Castro. Participa a Big Band Loureiros.
O público poderá assistir de18 a26 de Maio no Largo D´El Rei D. Afonso Henriques, no Centro Histórico de Palmela, às sextas-feiras e sábados às 21:30.
Posteriormente, o Teatro o Bando levará o espectáculo para Lisboa, mais propriamente para a Fábrica Braço de Prata, de 31 de Maio a 10 de Junho, de quinta-feira a domingo, sempre às 21h30.
plb

Conto agora a verdadeira estória do comboio comprado por alguém de Vale de Lobo, o Vale da Senhora da Póvoa de hoje, no tempo da exploração do Volfrâmio.

José Jorge CameiraO Ti Valdemar tinha um problema com os estamportes, quando tencionava sair do Vale de Lobo para ir à cidade comprar qualquer coisa….
Ouviu falar que ali para os lados da Fatela, havia uma Estação de Caminho de Ferro que servia Penamacor e o concelho e na qual havia comboios e concerteza que haveria de haver um à venda. Com um cambóio, as suas viagens estariam facilitadas, era pouco digno para ele viajar sentado na albarda do burro!
Lá foi até à tal Estação, não sem antes atafulhar os bolsos com notas de Mil Escudos, aquilo era pesado, ouvira dizer, portanto devia ser caro…
Na Fatela estava um varredor, pacientemente limpando os trilhos paralelos de ferro com uma vassoura de estevas. O Ti Valdemar chega-se à fala com ele e podemos imaginar o diálogo, porque o que sucedeu… aconteceu mesmo!
– Ó Ti Homem, ouvi dizer que há aqui um cambóio para vender…
– Vem mesmo na hora certa, está aqui este, é de mercadorias, já não serve e vendem.
– Faça um preço justo que eu compro.
O homem vendo que estava ali um lorpa e paspalho, alambazou-se logo para cima:
– Vendo-lho por cem mil réis e olhe que está muito barato.
– Pegue lá já o dinheiro e quando é que posso vir buscá-lo?
– Quando vossemecê quizer…
O Ti Valdemar pensou numa maneira de levar o comboio para a terra:
-Trago um carro de bois, 2 ou 3 calabres (cordas) dos mais fortes e reboco o meu cambóio…
Um vizinho, o Ti Tó Nabais tinha o «Borisca» e a «Cereja», uma parelha valente de bois que bem picados puxariam facilmente aquela bisarma andante.
Passados 15 dias o Ti Valdemar voltou à Estação para levar o «seu» cambóio, mas na verdade já não estava lá, tinha seguido o caminho para que fora feito: levar e trazer mercadorias…
O varredor por certo mudou-se para uma vida mais confortável, porque com CEM MIL RÉIS poderia viver sem fazer nada durante alguns anos…
O Ti Valdemar Carolo quando morreu, estava desdentado – com o fim da guerra e a derrota dos maus, acabou-se a procura de volfrâmio.
Para comer e beber foi arrancando e vendendo os dentes um a um, por fim o cravelhame fora-se todo….

José Jorge Cameira

«Estórias de um filho de Vale de Lobo e da Moita»
mailto:jjorgepaxjulia4@hotmail.com

O significado do dedo polegar, com o resto da mão meio-fechada, é do conhecimento universal, principalmente dos automobilistas.

Nos meus tempos de estudante, dadas as inúmeras necessidades económicas, tive de me fazer à estrada e pedir boleia durante muito tempo. Era uma aventura para mim e aliviava a parca bolsa dos meus pais.
A primeira pessoa que me inspirou nestes itinerários rodoviários foi o Missionário João Czepanski, que sofreu as agruras da Segunda Guerra Mundial, Reitor da Escola Apostólica de Cristo Rei, quando em 1958, vestido de sotaina e munido de uma máquina de escrever e uma pasta preta, ia para a Estrada da Beira, que conduzia a novas oportunidades para os seus pupilos e contactos com benfeitores.
Na década de sessenta o meu pai vai para Setúbal, a quem se junta o meu irmão Manuel José Fernandes, que se encontrava em Lisboa. Numa conversa, nas férias da Páscoa, na minha aldeia natal – Bismula –, com o Francisco dos Santos Vaz, aluno no Seminário da Guarda, já com alguma experiência nas aventuras do asfalto, o repto foi lançado: nas próximas férias de Verão iríamos, de boleia, da Guarda até Setúbal, onde estaríamos uns dias com o meu pai e irmão. O meu pai desempenhava lá as funções de sacristão e sempre dávamos uma ajuda nas liturgias diárias.
Manhã cedo já estavamos estrategicamente à saída da cidade dos três efes. Os automóveis eram raros, mas os condutores eram generosos. O primeiro condutor, com um Citroen 2CV, leva-nos até perto de Celorico da Beira. Ainda apanhámos um grande susto, mas ficou no susto. Junto a nós vi uma vinha com saborosos cachos de uvas. Como era o mais novato, decidi temerário colher os frutos de Baco. De repente, senti um travar de trovoada e o Francisco Vaz a gritar para correr. Claro que lá foram as uvas… Um casal de turistas franceses estava disposto a levar-nos até Lisboa. Foi genial. A primeira paragem foi na cidade de Coimbra. Fizemos uma visita cultural com um cicerone fora do comum: o meu conterrâneo, que falava diversas línguas e com grandes conhecimentos históricos. Tínhamos conquistado a simpatia daquele casal francês. Seguiu-se Alcobaça onde almoçámos. Passámos à Nazaré, adorada por marido e esposa. Antes de chegar a Lisboa ainda passámos por Fátima. No final da viagem recebemos um dólar cada, além de termos almoçado muito bem e chegado ao nosso destino. Foi uma retribuição justíssima pelas aulas de história, geografia, arte e cultura na língua materna do casal.
Assim levei a vacina das boleias, que ainda hoje me corre no sangue, cultivando religiosamente o polegar na linha do horizonte.
A segunda viagem empreendida «a dedo» foi o trajeto invertido da primeira, ou seja, de Lisboa para a Guarda, esticando-se a estrada até Vilar Formoso, à casa paroquial desse homem e padre que nos marcou profundamente de nome Padre Ezequiel Augusto Marcos, que ainda hoje se encontra naquelas terras, onde sempre tivemos toda a sua hospitalidade e acolhimento. Nesta peregrinação calhou-nos um condutor dinamarquês, com um ódio de estimação ao Estado Novo. Várias vezes nos incitou a emigrar para o seu País, pois em Vilar Formoso não havia problemas para ultrapassar a fronteira.
Outra viagem teve saída de Setúbal e, embora muito apertados, chegámos a Santarém. Aí, vistas as dificuldades, só conseguimos entrar numa carrinha de caixa fechada, carregada com sacas de farinha. Saímos em Torres Novas mais parecidos com uns moleiros, todos cheios de farinha, pois, com a trepidação da carrinha, essa estacionava nas nossas roupas. Apesar da roupagem branca, foi o dia negro das nossas viagens. Chegámos ao anoitecer ao Gavião. Ainda não se encontrava lá o José Augusto Vaz, Irmão de Francisco Vaz e em Abrantes a minha prima freira Lurdes Alves Ramos, enfermeira na maternidade do Hospital daquela cidade. Ali chegados sem dinheiro e sem o farnel, já há muito se tinha esgotado, uma desgraça nunca vem só, dirigimo-nos ao Seminário Menor da Diocese de Portalegre. Recebe-nos um padre que não nos dá guarida, ainda insinua que podemos ser malfeitores. Lembrei-me da Parábola do Samaritano. E eis que surgiu uma Samaritana, uma mulher idosa que também tinha um filho que andava por esse país de boleia, dando-nos ceia, dormida e no dia seguinte o pequeno-almoço. Ainda há gente boa para quem a caridade não é só palavreado. Seguimos diretamente para Castelo Branco. Aí, da parte da tarde, um condutor, acompanhado pela sua filha, dá-nos boleia até à Guarda. A filha deve ter pedido para nos transportar. Era boa de sentimentos e linda como uma flor. O seu progenitor entrou em discussão connosco e estava na expetativa de nos pôr fora do automóvel. Quando passávamos por Alpedrinha, já na Serra da Gardunha, surgiu uma tremenda trovoada. Eu estava com medo que ele nos convidasse a sair para um passeio campestre na Gardunha… Já não nos chegava os trovões das suas palavras. Lá chegámos à Guarda…
Noutras férias da Páscoa saí de Gouveia com destino a Setúbal, onde tinha todos os meus familiares. Até Coimbra tudo correu bem. À saída daquela cidade, depois de longo tempo de espera, fui de carroça até Condeixa-a-Nova. Andei doze quilómetros num veículo de tração animal. Essa viagem também não correu bem e tive de apanhar o comboio nas Caldas da Rainha para Lisboa, via Oeste, onde cheguei tarde e a más horas. Sem dinheiro valeu-me a minha tia Amélia Alves Lavajo que residia na Ajuda.
Muitas dezenas de viagens se seguiram. Apontei estas que mais me marcaram. Recebi muitas boleias e ainda corro o risco de as dar, partilhando o meu automóvel para ouvir novas histórias e vidas. Gosto desta forma de contato, de falar com as pessoas, de escutar o coração humano pela longa estrada. Há dias transportei de Castelo Branco um estudante canadiano que andava a dar volta pela velha Europa, como afirmou. Dizia-me que não era crente, que não acreditava em religiões. Á despedida, no Fundão ofereceu-me uma pequenina imagem de Jesus Cristo. Fiquei sem palavras…
Hoje a oferta e a procura passa por novos métodos, por novas tecnologias, por outas vias de comunicação, pela internet, onde se «desenrascam» boleias para o fim do mundo. É uma proximidade mais cómoda, embora eu prefira o risco da boleia de estrada. Por oposição ao polegar (qual imperador romano!) que agora só assinala um «gosto» no facebook, vou recordar sempre o polegar da sobrevivência, sinal «fixe» de camaradagem entre os homens.
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes

Na sua missão de auxiliar as entidades associativas a desempenhar melhor a sua missão junto das comunidades, a Fundação INATEL está a lançar até 15 de Junho o Programa de Apoio à Cultura Amadora (PACA).

A iniciativa apoia a aquisição de instrumentos musicais, material de som e luz e outros equipamentos técnicos até ao valor de 2.500 euros. O Programa é destinado às associações filiadas na Fundação INATEL (CCD – Centros de Cultura e Desporto), sendo uma ótima oportunidade para reequipamento das bandas e grupos musicais não etnográficos da região centro, já que a verba destinada a este tipo de agrupamentos é este ano reservada para esta região, que inclui os distritos de Guarda, Castelo Branco, Viseu, Aveiro, Coimbra e Leiria. No resto do país, o Programa prevê que o Norte seja contemplado com verbas destinados aos grupos de folclore e que Lisboa, Sul e Ilhas recebam verbas para teatro e produção audiovisual.
plb (com Fundação INATEL)

Realiza-se no próximo dia 2 de Junho, no Seixal, o encontro de convívio das gentes de Badamalos, freguesia do concelho do Sabugal.

O encontro realiza-se pelo oitavo ano consecutivo, numa iniciativa que tem juntado inúmeros naturais, familiares e amigos de Badamalos. O local volta a ser a Quinta Vinha da Ribeira, na Baía do Seixal.
Para além dos encontros e reencontros, o dia tem um programa repleto de animação e de partilha, tendo em vista contribuir para ajudar as festas do Deus Menino e de São Bartolomeu, que se vão realizar em Badamalos nos dias 18, 19, 20 e 24 de Agosto.
A animação musical estará a carga do já costumeiro Ângelo Braz e do seu acordeão.
plb

O ser humano não passa só pela História, cria-a, sendo assim, o único que existe é a História concreta feita pelo homem. Está condenada a ser como ele, conflitos, contradições e lei do mais forte. A História também tem essa grande particularidade, segue sempre o seu caminho para diante, mas não deixa para trás o passado.

António EmidioNo final da II Guerra Mundial as democracias ocidentais, principalmente os Estados Unidos, apoiaram os regimes anticomunistas, que na prática estavam tão privados de liberdade como os regimes comunistas. Assim se salvou Salazar e o seu Estado Novo, assim empobreceu o País, em todos os aspectos. Vejamos o que os políticos americanos nos finais dos anos cinquenta, princípios de sessenta do século passado pensavam e diziam de Salazar e do Estado Novo: Eisenhower «ditaduras deste tipo são por vezes necessárias em países cujas instituições políticas não são tão avançadas como as nossas». O embaixador dos Estados Unidos em Portugal afirmava: «muitos países latinos vivem melhor sob ditaduras benignas». A isto se chama querido leitor(a) «Realpolitik», baseada no egoísmo nacional e não na igualdade de direitos e solidariedade.
Passados quase setenta anos, Portugal está a ser novamente vítima dessa velha «Realpolitik», mas desta vez é vítima da Alemanha. A Alemanha sonha com novos tempos de esplendor, com grandes voos da Águia Imperial. Revelador disto são as palavras do ministro das finanças alemão numa conferência em Berlim «depois do desastre nazi o novo poder alemão na Europa, através da União, criou a segunda oportunidade histórica da Alemanha».
O que é que a Alemanha quer de nós portugueses? Que nos mantenhamos um país devedor para com ela, para com os seus bancos, e compremos os produtos que ela exporta, quer fazer de nós uma espécie de México em relação aos Estados Unidos, não nos quer portanto muito desenvolvidos economicamente, prefere ter-nos como uma espécie de colónia ou protectorado. Mas se por acaso não conseguir efectivar esta política, vai expulsar-nos do Euro. A Alemanha quer a desaparição da Zona Euro, tal como está concebida. Ainda quando o Euro estava em estudo, por volta dos anos noventa, havia sectores de opinião dentro da Alemanha que não eram partidários de incluir os países mediterrânicos (entre eles Portugal) até que as suas economias fossem estáveis, disciplinadas e austeras. Nessa altura cedeu, mas agora é muito bem capaz de se empenhar para que os «indisciplinados» abandonem a zona Euro. Ela é assim que quer, mas as coisas estão a querer mudar… Temos o mesmo tratamento no campo económico, igual àquele que tivemos pós II Guerra Mundial no campo político, querer fazer de Portugal um País subdesenvolvido.
Não só ela, Alemanha, nos retirou a soberania, esse grande banco de investimento, um dos maiores a nível mundial, Goldman Sachs, tem em todos os governos europeus um homem da sua confiança, em Portugal é António Borges, funciona como conselheiro financeiro e é o homem das privatizações, escolhido para estes cargos pelo actual governo. Este homem foi Vice-Presidente do PSD, e também Director do Departamento Europeu do FMI. Eu, chamo a este homem o «Governador» de Portugal, ou seja, é ele que representa a «potência colonizadora» no nosso País, os mercados.
O FMI é um clube de credores, onde meia dúzia de instituições financeiras dominam a economia mundial, mas á frente destas instituições está o banco Goldman Sachs, tentam manter os países endividados para lhes irem roubando as suas riquezas através do pagamento de juros e de privatizações de empresas públicas que passam para as mãos das multinacionais que gravitam à volta do FMI, não é por acaso que António Borges é o homem das privatizações… Considero tudo isto, e todos estes homens que aceitam este estado de coisas, desde António Borges, até ao actual governo português, a versão mais ultrajante da Social-Democracia.
Talvez os governantes portugueses não saibam, mas a primeira condição para que um povo seja respeitado fora das suas fronteiras, é que os seus governantes o respeitem e sirvam. Isto é que é interesse nacional, isto é que é democracia. A nós portugueses não nos respeitam, porque os primeiros a não nos respeitarem são os nossos governantes, aqueles que nós elegemos nas urnas.

Atrás de tempo, tempo vem, as eleições em França e na Grécia já nos enviaram uma mensagem, uma mensagem de Revolução Pacifica que demonstra que a Europa não pode sobreviver só com austeridade, cortes e recortes monstruosos.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

A inauguração de uma exposição bibliográfica sobre Virgílio Afonso na Biblioteca Geral do Instituto Politécnico da Guarda (IPG) foi precedida de uma palestra do filósofo, ensaíasta e investigador quadrazenho Jesué Pinharanda Gomes.

Pinharanda Gomes

Na Biblioteca Geral do Instituto Politécnico da Guarda está patente, desde 10 de Maio e até 10 de Junho de 2012, uma exposição bibliográfica sobre Virgílio Afonso.
A inauguração desta exposição foi precedida de uma palestra, alusiva, a proferir pelo ensaísta e investigador Pinharanda Gomes.
Virgílio Afonso nasceu em Gonçalbocas, aldeia do concelho da Guarda, no dia 21 de janeiro de 1923 e faleceu nesta cidade no dia 20 de setembro de 1998.
Licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, depois de se ter formado na Escola do Magistério Primário da Guarda, iniciou desde muito jovem a sua colaboração na imprensa regional, concretamente em jornais da cidade da Guarda.
Fez o estágio de jornalista no antigo «Novidades de Lisboa», quando ainda estudante, tendo como mestres os conhecidos jornalistas: Padre Moreira das Neves, Tomás de Gamboa e Padre Miguel de Oliveira, que constituíam o principal elenco da direção e redação daquele diário que suspendeu a publicação após a revolução de 25 de Abril de 1974.
Virgílio Afonso foi delegado da Emissora Nacional da Guarda, chefiou a redação do semanário «Correio da Beira», que por ordem do Movimento das Forças Armadas foi extinto após o «25 de Abril», e foi cronista na revista «Flama», jornais «Diário de Coimbra», «Diário da Manhã», «Acção» e «Diário do Norte», entre outros.
Finalmente radicado na cidade da Guarda, o jornalista e escritor, continuou a sua atividade na Comunicação Social, tendo colaborado no «Jornal do Fundão», «Notícias da Covilhã», «Notícias de Gouveia», «Notícias da Guarda», Rádio Altitude, RDP-Guarda e «Revista Altitude».
Em 1975 fundou e dirigiu o quinzenário «Alta Cidade», que publicou 12 números, continuando colaborador e correspondente de outros órgãos da comunicação social.
jcl (com IPG)

Militares da GNR do Núcleo de Investigação Criminal da Guarda, detiveram na tarde do dia 7 de Maio, na Quinta de Santo Amaro, freguesia do Casteleiro, um homem de 57 anos, por posse de armas ilegais.

GNR-Guarda Nacional RepublicanaA GNR recebeu uma chamada telefónica, denunciando que naquele local estava a decorrer um desentendimento entre cônjuges num quadro de violência doméstica. A situação conduziu à execução de uma busca no respectivo domicílio, ocasião em que foram encontradas e apreendidas três espingardas de calibre 12 mm, bem como 47 munições. O detido foi presente a primeiro interrogatório judicial, sendo-lhe aplicado termo de identidade e residência.
No dia 11 Maio militares do Posto Territorial da Mêda, apreenderam também duas armas (uma espingarda marca Marlin Goose de calibre desconhecido e uma Carabina da Marca Dteyter de calibre 22mm) que foram encontradas abandonadas dentro de um poço, numa propriedade agrícola.
Segundo o comunicado semanal do Comando Territorial da Guarda da GNR, no dia 12 de Maio aquele comando levou a efeito uma Operação de fiscalização de trânsito, com particular incidência na condução sobre o efeito do álcool e sem habilitação legal, bem como na abordagem de suspeitos da prática de crimes. Foram fiscalizados 93 veículos e condutores, tendo sido detidos oito condutores com excesso de álcool e um por desobediência, tendo sido elaborados 18 autos de Contra-Ordenação.
plb

No sábado, dia 19 de Maio, Jorge Palma vem ao Teatro Municipal da Guarda (TMG) para o concerto de apresentação do novo álbum, intitulado «Com todo o respeito», editado em Outubro de 2011. Trata-se de uma digressão acústica criada especificamente para salas onde o artista, ao piano, se faz acompanhar pelo filho, Vicente Palma, ao piano e à guitarra.

Em «Com todo o respeito», aquele que é por muitos considerado o melhor «cantautor» português cria um ambiente intimista de interatividade com o público e viaja por temas bem conhecidos dos seus mais de 40 anos de carreira.
Sobre o músico, alguém escreveu que «Em Jorge Palma sobressai a capacidade de redescobrir a música, de criar uma forma atraente, de exibir sentimentos, explorar emoções, e cativar sempre mais gente, a acompanhar a sua solidão junto ao piano, num misto de querer estar só, mas com todos os outros».
De referir que este último disco de Jorge Palma foi galardoado com o Prémio Pedro Osório pela Sociedade Portuguesa de Autores.

Carlos Barretto e António Eustáquio no Café Concerto
Na próxima quinta-feira, dia 17 de Maio, os músicos Carlos Barretto e António Eustáquio apresentam no Café Concerto o espectáculo «Guitolão», pelas 22h00.
«Guitolão» é um instrumento musical nascido em Portugal e é também o sonho do guitarrista Carlos Paredes tornado realidade pelo construtor Gilberto Grácio. Trata-se de um cordofone, baseado na guitarra portuguesa, mas com um registo mais grave.
«O encontro entre António Eustáquio (guitolão) e Carlos Barretto (contrabaixo) faz-se, pois, sob a égide deste raro instrumento que, nas mãos de António Eustáquio ganha vida». Um concerto que promete surpreender e onde a dupla apresenta o disco com o mesmo nome, «Guitolão», lançado com a etiqueta da JACC Records. A entrada é livre.
Trata-se de uma iniciativa apresentada através da Rede 5 Sentidos e em parceria com o Jazz Ao Centro Clube.

SoniCC com Alone in the Darkness + Ésse
Na sexta, dia 18 de Maio, actuam no Café Concerto do TMG, às 22 horas, mais duas bandas selecionadas no âmbito do SoniCC: Alone in the Darkness (Guarda) e Ésse (Vilar Formoso).
Trata-se da terceira sessão desta actividade que tem como objectivo dar oportunidade às bandas e projectos da região da Guarda de se revelarem no TMG.
Alone in the Darkness é um projecto de quatro jovens da Guarda, surgido em 2011. Aspiram tocar ao lado de grandes bandas do movimento underground português. Os Alone in the Darkness são António Farinhas (Guitarra/baixo/voz), Bernardo Delgado (Bateria), Leonardo Rodrigues (Teclado/voz) e Lucas Martins (Guitarra e backing vocals).
Ésse vem de Vilar Formoso (concelho de Almeida) e é um amante dos ritmos Hip Hop. Começou a cantar aos 13 anos. «Desde cedo que desenvolvi o meu gosto pela escrita, e naturalmente este estilo musical cativou-me, tanto pelo seu poder introspectivo, como interventivo, entre ritmo, rimas, métrica.», refere o jovem no seu texto de apresentação.
O SoniCC entrará brevemente numa nova fase, alargando o âmbito da iniciativa a bandas também do Distrito de Castelo Branco. Os projectos interessados deverão enviar informação e maquetas para o TMG.
plb (com TMG)

O forno da minha aldeia. Há muitos anos, claro. Melhor: os fornos do Casteleiro. Fornos de cozer o pão, evidentemente (havia os outros «fornos», muitas vezes designados só assim: eram os do volfrâmio, de que já falei aqui). O do pão era um forno de uso colectivo, embora de propriedade particular. Um cheirinho a pão e bolos, que, meu Deus…

José Carlos MendesEstaremos aí por meados da década de 50 do século XX, no Casteleiro. O forno é um equipamento social indispensável e mesmo essencial de uma aldeia naqueles anos.
Da minha lembrança, o forno mais importante era o da t’ Mari’ Bárb’la (Maria Bárbara). Quer dizer: o forno não era dela. Ela era como que a gestora daquilo. E de que modo o geria! Havia dois fornos. Mas este é que era o mais castiço. E a forneira era de facto um cromo. Escrevi sobre esta questão há muito tempo noutro local da net. Chegou a hora de o partilhar com os leitores do ‘Capeia’, com umas fotos arrancadas ao satélite, que podem dar uma vaga ideia das imagens que nesta matéria me povoam as sinapses estabelecidas pela massa encefálica…

Ordem para «tinder»
No processo de fabrico do pão (centeio, escuro), há vários momentos. Estão aqui, claro, a lembrar-me isso. Tudo começa em casa com a amassadura. Depois, fica em repouso. Mas só podem ser moldados os pães um a um e colocados direitinhos no tabuleiro (chama-se a isso «tender») quando a forneira dá essa ordem à aldeia – ou melhor, à parte da aldeia que coze nesse dia.
É um mecanismo simples para a época: a t’ Mari’ Bárb’la percorre as ruas onde moram as pessoas da lista do dia e vai de gritar a grandes pulmões (era uma matrona razoável, como tinha de ser):
– Ó ti’ Vesitação!!! Já pode tinder!!!
Isto, bem berrado, como convinha.

(Até se conta que um dia uma das da lista, com os copos a sério, não quis saber dessa ordem de «tinder» da forneira e, sem pudor, porque o cérebro estava noutra, terá respondido:
– O pão logo se tende amanhã…
É preciso que se perceba o absurdo desta resposta: o processo de fermentação do pão é imparável, como é evidente… Mas a cabeça da senhora, com a vinhaça, não estava nessa…).

A tarefa de tender tinha um ritual muito específico. Lembro-me muito bem. Primeiro passo: espalhar uma camada de farinha ao de leve, semeando com a mão, de modo a forrar o tabuleiro todo. Segundo passo: fazer os pães, um a um, muito bem arrumadinhos, bonitos, arredondados ou mais sobre o oval, à vontade da dona.
«Intermezzo».
Já agora recordo a quem ande distraído que isto eram tarefas só das mulheres…
Seguindo: depois de arrumadinhos os pães, era sagrado que entrava o momento da fé: cada pão era religiosamente marcado com uma cruz desenhada em cima espetando a pá de ferro, já preta, nos sentidos Norte/Sul e Este/Oeste…
E com cada cruz a mesma «reza»:
Deus, Nosso Senhor,
Te acrescente
E os Anjos, no Céu,
Para sempre.

A seguir todos os pãezinhos (sei que pela norma não devia pôr o til, mas «paezinhos» nem me parece português…) eram cuidadosamente tapados com um pano tipo lençol branco.

Ir ao forno
Depois disso, era só ir até ao forno.
Tabuleiro à cabeça, rua abaixo.
Por grupos, os tabuleiros iam dando entrada no forno.
Cada fornada, eram despachadas sete ou oito freguesas.
O pão cozia.
Enquanto isso, as mulheres conversavam, conviviam.
A vida da aldeia, evidentemente, passava toda por aquele telejornal colectivo da altura.
Por vezes iam também uns bolos pequenos. De vez em quando, com esses bolos, ia também um «pão-leve» (pão-de-ló) ou, em ocasiões especiais, até talvez um tabuleiro de «doces», pequenos montes redondos de massa doce e fofa, com algum açúcar queimado no cocuruto, quase caramelizado: uma delícia de que me lembro a lamber os «bêços» até hoje.
Tarefa concluída, ala que se faz tarde: tabuleiros de madeira com o pão para toda a semana e mais as eventuais guloseimas.
E ninguém pagava em dinheiro – que era coisa que não abundava por ali. Pagavam, sim, em espécie: um pão, uns bolos… Era, também nesta actividade, uma espécie de maquia: deixar lá parte do produto – algo como troca directa para pagar serviços. Como acontecia com a maquia do azeite no lagar até há um par de anos atrás.

Pão e batatas: a base da alimentação de muitas famílias, quase todas, por aqueles dias.
As batatas, semeadas com base familiar.
O pão, o forno, a cozedura, com um colorido de tarefa colectiva, social.

Nota
Para quem gosta, eis um filmezinho de 8 minutos com as crias de uma mãe especial e de grande significado também para a nossa região: são as crias de lince ibérico em Silves. Pode ver aqui. Aliás, se deixar o vídeo ir até ao fim, fica com várias opções para se deliciar.
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

Há poucos dias, com a minha esposa, saímos de casa com a intenção de encher, de gasóleo, o depósito do jipe, em Valverde del Fresno. Assim aconteceu.

José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaComo era cedo, para regressar a casa, decidimos ir visitar o castelo de Trevejo que fica muito próximo de uma povoação que tem por nome Vilamiel.
Uma vez que já havíamos estado mais vezes no castelo optámos por dar uma voltinha pela pequenina povoação. Em Trevejo vivem apenas cerca de cinquenta pessoas. É uma localidade pequena mas muito bem preservada. Tem água, saneamento, luz, telefone e as ruas muito bem arranjadas.
Trocámos impressões com os poucos habitantes que fomos encontrando que nos contaram a história desse pequeno mas encantador povoado.
De seguida fizemos mais uma visita ao castelo e gostámos como se tivesse sido a primeira vez. É sempre bonito e sempre diferente.
Qualquer dia pretendo abrir inscrições para que os meus amigos se possam inscrever para, em conjunto, podermos dar uma voltinha por essas bandas.
Levaremos merenda que será comida, em conjunto, no parque de campismo de Hoyos.
Trevejo dista apenas trinta quilómetros dos Foios.
Concordam com a ideia? Agora só falta escolher o dia.
Se realizarmos este passeio e se correr como espero outros se seguirão por esta bonita zona da raia. Depois será Robledillo de Gata. Um tesouro.
Aceitam-se sugestões.
Que fique bem claro que não há qualquer intenção de lucro. Quem pretender participar terá que vir até aos Foios e aqui já nos organizaremos, em termos do transporte, e para merenda, ou almoço, cada um(a) levará aquilo que muito bem entender. Estes serão os custos.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

Mais uma vez nos socorremos de Camões, seguindo o roteiro europeu logo no pórtico do canto III:

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaEis aqui se descobre a nobre Espanha
Como cabeça ali da Europa toda
Em cujo senhorio e glória estranha
Muitas voltas tem dado a fatal roda;
Mas, nunca poderá com força ou manha
A fortuna inqueita pôr-lhe nada
Que lha não tire o esforço ou ousadia
Dos belicosos peitos que em si cria

Com Tingitânia entesta e ali parece
Que quer fechar o Mar Mediterraneo
Onde o sabido estreito se enobrece
Com extremo trabalho do Tebano
Com nações diferentes se engrandece
Cercadas com as ondas do Oceano
Todas de tal nobreza tal valor
Que cada qual cuida que é melhor.

Tem o Terragonê que se fez claro
Sujeitando Penélope inquieta
O Navarro, as Atú-irias que reparo
Já foram contra a gente Maometa
Tem o Galego cauto e o grande Ebraro
Castelhanoa quem fez o seu Planeta
Restituidor da Espanha e Senhoras e senhores:
Bétis, Granada com Castela

Esta desabada mesc1a de povos, coexistindo sob a mesma soberania, não passa desapercebida a nenhurn dos muitos estudiosos que se tem debruçado sobre o caso.
Fidelino de Figueiredo, por exemplo, fala-nos das duas Espanhas. A sua obra, todavia, mais do que o exame em cada momento histórico, reflecte ciclos alternativos. A um período em que o ideal é unidade e terá encontrado sob os Astúrias e Franco a sua mais perfeita concretização, contrapõe-se outra em que a regra será a tendência para a dissiparidade ou, no mínimo, para o reconhecimento das mais plenas autonomias regionais.
A parte final da Primeira Republica, com governos em Barcelona, Valencia. Bilbau… simbolizava, por oposição, o periodo de retorno ao pré Fernando e Isabel.
Joan Sauret que foi secretário-geral da Esquerda Republicana, recordou em entrevista à portuguesa Lay Rolim os perigos do separatismo e até de um mal entendido federalismo.
E, todavia, trata-se de personalidade marcadamente de esquerda e que pelas suas ideias sofreu a prisão e o exílio e quase por milagre escapou aos campos da morte em Dachau.
Tendo pertencido às Juventudes Nacionalistas Catalãs em 1930, e sendo alto dignatário da esquerda ao tempo da vitória franquista, teve de exilar-se para França e sofrer as contingências da invasão hitleriana, com a consequente ocupação da maior parte deste país e a subordinação aos alemães da restante. Mas, para ele, o separatismo só terá tido justificação moral nos últimos tempos da monarquia e depois no consulado de Franco.
É que, no contexto espanhol revela-se extraordinariamente dificil obter soluções de carácter autonómico. Só circunstâncias muito especiais de privação de liberdades farão com que os povos se vejam de certo modo forçados a aceder à autonomia.
Sera preferível e desejavel, isso sim, o federalismo. Mas até este só se mostrará aceitável desde que catalães, bascos e galegos não julguem ser os únicos povos em Espanha com direito a leis próprias.
É certo que são aqueles três os que histórica e sociologicamente mais justificariam a posição. Mas não pode esquecer-se que Granada só foi absorvida em finais do século quinze; ou que houve reis e princípes em várias outras regiões: Valência, Baleares, Sobrabre, Gipuscos…
Com enfraquecimento do poder central, logo nos primeiros anos da República é que começaram as últimas grandes reivindicações autonómicas.
A Catalunha viu o seu Estatuta votado e aprovado logo nas Cortes de 1932; durante a Guerra Civil obtiveram os bascos o seu, tal como, de resto, os galegos. Mas a coexistência entre todos esses elementos e os demais, referenciados, aliás, por Camões nas estrofes com que inicíamos esta crónica, nunca se mostrou fácil. Alguém tinha de mandar, depois da unificação.
O centralismo não se impôs a não ser na medida em que a periferia o consentiu.
Ortega Y Gassett in «Espanha Invertebrada» não se coibiu de escrever:
Se a Catalunha e as Cascongadas tivessem sido aquelas raças indómitas que agora imaginam ser teriam dado uma terrível resposta a Castela quando esta começou a ser parlicularista, isto é, quando deixou de contar devidamente com ela. E esse abalo talvez tivesse despertado as antigas virtudes do centro e não se teria caído certamente na duradoura modorra de idiotice e de egoísmo que caracteriza os últimos trezentos anos da História espanhola, os que afinal se seguiram ao despotismo dos Áustrias.
Para o grande pensador, a quem terá de dar-se o desconto de ser ele próprio castelhano, o centralismo, palissiana verdade, só triunfou porque as populacões das orlas marítimas, a norte, ocaso, sul e levante das fronteiras pirinaica ou lusa, não tiveram força e discernimento para se lhe oporem.
Aliás, os movimentos de pessoas, de grandes massas ou mesmo só de individuos desgarrados, reforçam a tendencia para o centralismo e a redução das autonomias.
Não deverá esquecer-se, por exemplo, que os dois maiores centralizadores do nosso século, foram Primo de Rivera, marquês de Estela e Francisco Franco, um galego de Ferrol.
Até a portuguesíssima terra de Olivença, por tudo quanto hoje nela conta é governada de Madrid, embora por oliventinos que nascidos embora na velha cidade, só a ela se deslocam em ocasiões de cerimónia.
Como se vê, a Espanha não constitui, nunca constituíu, aliás, uma só nação.
Voltando a citar Camões, lembraremos antes que:
Com nações diferentes se engrandece
Todas de tal nobreza e tal valor
Que qualquer delas cuida que é melhor…

«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

«Menos paixão e mais razão» é tema deste documentário sobre a reforma administrativa autárquica que para uns será demagógico e para outros uma realidade inevitável.



O documentário é da autoria do grupo parlamentar do PSD. Compara o séc. XIX com o séc. XXI em termos tecnológicos e evolução científica mas faz o que todos os estudos fazem – esquece as pessoas. Vale o que vale.
jcl

Quero dizer-vos algumas palavras acerca do Encontro de Agentes de Viagens ao Concelho do Sabugal. Tudo começou com um convite que lhes enderecei, há cerca de fim de mês e meio, para visitarem o concelho e conhecerem de perto a gastronomia e outras valências a fim de, numa fase posterior, elaborarem roteiros turísticos que contemplem a região raiana.

(Clique nas imagens para ampliar.)

A vinda deles só foi possível graças à pertinácia e persistência junto dos empresários e dos poderes públicos. Não foi fácil convencê-los da importância para a região da vinda destes especialistas de turismo. Uma luta ganha da qual nunca me arrependerei. Amo este concelho tão esquecido e desconhecido aquém e além-fronteiras.
Depois de todo este trabalho de relacionamento e compromissos firmados, cá chegaram na sexta-feira, dia 4 de Maio de 12, os agentes turísticos tão ansiosamente desejados, partindo para Lisboa no domingo à tarde, dia 6 do mesmo mês.
Tendo por base a Rota dos Cinco Castelos percorreram o concelho tomando contacto com a nossa gente, os nossos hábitos, e os nossos usos e costumes. Provaram a nossa comida e deliciaram-se com ela; visitaram os nossos castelos e admiraram a sua beleza majestática; olharam as nossas paisagens e deleitaram-se com os vales, as serras, o rio e as ribeiras que as constituem. Ficaram impressionados com o que viram e comeram e estou plenamente convencido que farão tudo o que estiver ao seu alcance para trazerem turistas ao Concelho do Sabugal.
Tanto os Hotéis, como os restaurantes e as casas de turismo rural aproveitaram a sua estadia, entre nós, para trocarem informações e conhecimentos, mas também aproveitaram para encetarem negócios possíveis num futuro que se espera bem próximo.
O levantamento das potencialidades turísticas, que temos para oferecer a quem nos visita, foi feito e relatado via oral ou através de um Questionário que lhes foi entregue à chegada e que contemplava todos os lugares por onde passaram ou restaurantes aonde comeram. A análise do questionário permite-me dizer que a gastronomia e a paisagem beirã, aonde se incluem os castelos, constituem os ex-libris do Concelho do Sabugal. Ressalta igualmente na necessidade de se apostar, cada vez mais num turismo com qualidade, a preços sempre concorrenciais, a única fórmula de sobrevivência num mercado altamente organizado e competitivo.
Os organizadores tiraram as suas conclusões, caberá também às entidades privadas e públicas que participaram tirarem as suas conclusões para que esta e outras iniciativas não caiam no rol do esquecimento. Pela nossa parte cabe-nos a árdua tarefa de conciliar o aparentemente inconciliável, com o propósito de defender um rico património que urge preservar a VIDA HUMANA.
Uma palavra de agradecimento à Natália Bispo pelo carinho com que acolheu a iniciativa. Tudo faremos para lutar contra a desertificação a que têm votado a nossa terra. A semente foi lançada à terra, agora é fundamental adobá-la para fortalecer o tronco e dar bons frutos no futuro.
Alberto Martins Luís

Os tempos que vivemos mudam rapidamente, e tão rapidamente, que se torna difícil registar as mudanças que vão surgindo pelo mundo. Mas antes das mudanças, algumas referências que me parecem importantes. O mês de Maio comemora datas importantes e que merecem ser referenciadas.

O 1º de Maio, dia do trabalhador. A comemoração deste dia é uma conquista alcançada pelos trabalhadores e pelos sindicatos. Representa, precisamente, a conquista de direitos e garantias no trabalho. Li, por essa altura, aqui no blogue, um comentário a um artigo, em que falava no fim do 1º de Maio, pois já não há trabalhadores. A ideia faz sentido. O governo devia acabar com o feriado do 1º de Maio. Razões? Ao ritmo a que o governo empobrece o país e o número galopante de desempregados, rapidamente não haverá trabalhadores. Portanto, faz sentido acabar com o 1º de Maio como feriado. Resposta do primeiro-ministro: habituem-se!
A três de Maio, comemora-se o dia da Liberdade de Expressão. Quase nem nos damos conta da importância do uso e do usufruto desta liberdade. Habituámo-nos a dizer, a expressar livremente o pensamento e nem pensamos que esta é uma das mais significativas conquistas de Abril. Pilar de uma sociedade autónoma e livre.
8 de Maio, dia da Vitória. Comemora-se a vitória dos Aliados sobre a Alemanha Nazi.
9 de Maio, dia da Europa. È urgente pensar ou repensar a Europa. Pois ela afasta-se cada vez mais dos cidadãos e, dessa forma, afasta-se de si mesma. Os princípios e os objectivos que levaram à sua criação estão a ser ignorados. E o colapso do projecto europeu é um fracasso civilizacional. E contra a corrente, proponho que este dia seja feriado em todos os países da União Europeia! E esta semana lá veio o senhor ministro da economia com aquele ar de quem saiu da tasca lembrar que existem estudos quanto ao benefício de acabar com os feriados. Estamos safos! Com o fim dos feriados, Portugal sai da crise num instante, se acabarmos com mais dois feriados ficamos, quase de certeza, com super havit! Mas eu também posso dizer que existem estudos que apontam para um benefício da economia com a existência de feriados. É que, quanto a estudos, volto a repetir, nunca se sabe quem os fez, quem os encomendou e onde estão.
Todavia, o que foi verdadeiramente importante esta semana, foi um estudo/relatório internacional sobre o nível da «cunha», colocando Portugal como o país onde a «cunha» é mais usada. Só que o estudo não incide sobre a sociedade em geral, mas sobre os políticos e os governantes! E estes são considerados os mais corruptos. Assim de clarinho. E quando ouço estas notícias, lá me vem à memória, o caso Face oculta, Freeport’s, Portucale’s, a licenciatura do outro, BPN’s, … só para citar alguns.
Na segunda-feira, dia 7, a TVI (passe a publicidade), mostrou uma interessante reportagem sobre a electricidade/energia. As barragens e as eólicas. Parece que foi de propósito. Pois a reportagem mostra como o estado fez, faz, negócios excelentes para as empresas e ruinosos para os contribuintes e para o país! Provou-se que não era necessário construir mais barragens. Pois as barragens existentes já estão aplicar o sistema de bombagem de água. Ou seja, a mesma água vai passar pelas turbinas as vezes que a barragem quiser. E este plano, de apetrechar as barragens com este sistema, já estava a ser implementado, quando o anterior governo anunciou com pompa o fim da foz do rio Tua e da sua linha férrea e o fim do único rio selvagem em toda a Europa, o rio Sabor. E para quê? Para encher os bolsos a uns quantos amigos. É o contribuinte e cliente da EDP que paga a electricidade produzida pelas eólicas a um preço exorbitante. E o negócio foi tão bem feito que, às eólicas, está garantido o dinheiro mesmo sem electricidade. Não há absolutamente nenhum risco. Uma maravilha!
Sobre estes roubos, literalmente, não ouvimos uma única palavra do senhor primeiro-ministro, nem do todo poderoso e soturno ministro das finanças. Nada. No entanto sabemos bem em quem batem… são uns valentões!
Agora, par o fim, quero falar-vos das mudanças. Elas começam mais lá atrás no tempo. Começam com a primeira volta das eleições presidenciais francesas e com a vitória do sr. Hollande, socialista e que, na campanha eleitoral, endureceu o discurso contra uma Europa míope quanto às pessoas e obcecada com a austeridade quanto à economia. Bastou esta pequena vitória para colocar todos os líderes europeus a dizer que sim senhor, é preciso outra atitude e outras políticas. Até a senhora Merkel mudou o discurso e até já admite, vejam, admite repensar o plano para Europa. Pois bem, o sr. Hollande ganhou as eleições presidenciais em França. Pela primeira vez na história da república francesa um presidente não foi reeleito. Creio que está tudo dito. A próxima, acreditem, é a senhora Merkel, na Alemanha, a ser corrida. É esta a grande virtude da democracia, ninguém é dono do voto do cidadão. O facto é que o discurso europeu mudou. E irá mudar muito mais. Pois a Europa está a ser conduzida por gente medíocre e para um beco sem saída.
Por cá, realizou-se esse encontro luso-espanhol. Dos discursos inócuos e repetitivos, sobra-me uma imagem: um está roto e o outro está nu.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Comemoram-se este ano os cinquenta anos da fundação do Agrupamento 160 do CNE na cidade albicastrense. As suas origens remontam aos anos 1957/58, em que D. Agostinho de Moura quis que o Escutismo fosse uma realidade em Castelo Branco.

A semente foi o Clan S. Miguel, a funcionar no Seminário Maior de Portalegre, de que faziam parte três jovens seminaristas José Dias da Costa, Luís Moreira Armando e João Ribeiro. Assim, Acácio da Silva Meira Rosado, Arnaldo Vieira, Maria Teresa Cardoso Salema, Mila Rosado, Joaquim de Sousa Castanheira, Padre João de Deus e Maria Graciete Santos Quintas, lançaram 1962 mãos à obra escutista e fundaram o escutismo em Castelo Branco, oficializado nos Serviços Centrais na O. S. nº 222, funcionando como sede no Arco do Bispo na sede da J.OC., e mais tarde na Rua Ruivo Godinho. Mais tarde passou para o edifício onde hoje funciona o Conservatório Regional de Música. Estava criada esta grande escola da vida com os valores do Escutismo e da Igreja para a juventude albicastrense.
No dia 14 de Abril na Biblioteca Municipal decorreu uma sessão comemorativa desta efeméride com dois momentos importantes: a inauguração no átrio da mesma de uma exposição sob o lema «AO ENCONTRO DA HISTÓRIA… RUMO AO CENTENÁRIO», e uma palestra do Chefe João Aramando, Membro do Comité Mundial do Escutismo, sobre o «ESCUTISMO SÉCULO XXI», tendo como moderador o Dr. José Pires, também escuteiro do Agrupamento de Castelo Branco.
Com o auditório da Biblioteca repleta de escuteiros, familiares e amigos, abriu a sessão o Chefe do Agrupamento José dos Santos Mendes que saudou todos os presentes, prestou homenagem aos dirigentes e escuteiros da atualidade, os que passaram por esta instituição, sem esquecer aqueles que já estão no eterno acampamento. Esta Escola de valores que é o escutismo merece que a cidade de Castelo Branco tem de apoiar, para bem da sua juventude.
O conferencista o dirigente João Armando pretendeu partilhar reflexões, para passar um pouco para os desafios do Escutismo no Século XXI. Já somos Escuteiros deste século. Lança algumas perguntas. Como éramos há vinte anos atrás? O Escutismo esteve sempre ligado à sociedade. É perigoso falar sobre o Escutismo neste século. O mundo mudou…e muito. Aqui aponto as mudanças:
Acesso à informação – o maior desafio que nos é apresentado é selecionar a informação. Temos de ajudar os mais novos a escolher a qualidade da informação. Hoje o acesso é imediato. Deve fazer-nos pensar.
Novas formas de comunicação – Hoje estamos ligados a todos. Hoje não estamos a falar sozinhos.Com os SMS, mails, telemóveis. Estamos em rede.
Novas formas de relacionamento – Não estamos sozinhos. Hoje temos muitos “ amigos” e partilhamos com eles muitas coisas.
Acesso aos recursos – Parece um paradoxo com a crise com que vivemos, mas sabemos a oportunidade de recursos que existem e se aproveitam.
Crescente mobilidade – Sabemos a deslocação que se verifica com as pessoas pelos mais diversos motivos. Vejam o que é isto em termos escutistas. Antes estávamos fechados e não passávamos de Badajoz. E hoje? Vejam os fluxos migratórios no nosso País, na Europa, no Mundo.
Sociedades multiculturais – hoje no nosso ensino há nas turmas alunos de várias nacionalidades. O Escutismo tem de repensar o seu oferecimento. Esta “ mistura “ podem trazer grandes benefícios para a Escola Escutista.
Mudanças demográficas – no Ocidente cada vez mais envelhecido. Em África, Ásia nascem mais pessoas. Portugal é o segundo país do mundo com menos natalidade. Não vamos ter crianças e dirigentes «velhos», na idade.
Novas formas de trabalho e organização – no século passado víamos a divisão de trabalho as hierarquias chefias. Hoje, as normas são diferentes com as novas tecnologias. Estão em mudança as relações laborais.
No CNE. Estamos habituados a uma organização com fluxos verticais de pedir ao outro. Algo terá de ser mudado. Ginasticar com novas formas de pensar e de nos organizarmos uns com os outros.
Oportunidades internacionais – todos conhecem os esquemas de voluntariado, Erasmus, oferta e troca de vivências esporádicas de turismo.
Globalização – cada vez mais estamos ligados aos sectores políticos, económicos, sociais e ambientais e naturais.
O mundo amanhã como será? Como será daqui a cinquenta anos? Como estará o Escutismo posicionado?
O futuro do escutismo passa por:
Valorizar experiências com significado.
Consciência coletiva de um mundo melhor – fazer parte da grande família, cuidarmos do local onde habitamos, a boa ação, seguida por outras ações.
Organização – que as pessoas se sintam bem no seu processo de desenvolvimento.
Tribos – em mantas de retalhos, no encontro do bem comum. Organização em grupos e na defesa dos seus interesses. Saber «cozer» esses retalhos.
A missão e o peso – das mulheres que vão aumentar o seu número na sociedade, e no escutismo são em maior número que os homens. É interessante e importante pensar neste facto para olhar para o futuro.
Que escutismo amanhã? – Apresento um caleidoscópio que passa por reforçar os propósitos educativos, centrar a atenção pedagógica a nível local, responder às exigências da própria multiculturalidade, equilíbrio entre a tradição e renovação, sentido vivencial da pedagogia escutista, reforçar realidades extra escutistas e diversificar a presença dos adultos.
Os sinais do futuro estão na missão educativa, ambiente de aprendizagem, experiência intensa (hard skills et softskills), espaço de liberdade e aventura, um ponto de encontro de amigos, mais global, mais internacional, mais urbano, adaptação aos diferentes «tubos» de digital, mais colaborativo e aberto e uma organização mais «plana», isto é o retorno do perfil do movimento, menos burocracias, nível local ao mundial, uso a fundo das tecnologias na comunicação, formação, entrada na era
Seguiu-se um debate vivo, com perguntas por parte dos jovens escuteiros e as respostas do conferencista sobre esta temática.
Era final de tarde quando abandonei as instalações da Biblioteca Municipal de Castelo Branco, sentindo-me muito feliz por ali ter estado. Dei o último olhar pela enriquecedora e histórica exposição, que aconselho uma visita. Vieram-me à memória tantos momentos felizes vividos, quando admirei as fotografias dos meus dois filhos quando no espaço da Senhora de Mercules,
Fizeram as suas Promessas de Lobitos, dos acampamentos, dos convívios, da amizade dos dirigentes como o Chefe Arnaldo, Félix, Mendes, Armindo, Fátima (Fatuxa), e a Chefe Etelvira, e tantos outros, que com os seus ensinamentos escutistas, os meus filhos aprenderam valores cívicos, de amor à natureza que nunca mais esqueceram. Nesta hora vai a minha gratidão para estes homens e mulheres que gratuitamente colaboraram e colaboram na formação global dos jovens albicastrenses e lhes apontavam e indicam caminhos de fé, de solidariedade, de verdade, de justiça e de amor à natureza.
PARABÉNS AO AGRUPAMENTO 160 DO CNE DE CASTELO BRANCO.
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes

Esperando pelas leis que (ainda) não são leis…

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Tem o Poder Central vindo a aprovar um conjunto de leis com implicações diretas no Poder Local que, por não serem publicadas em Diário da República, não existem, mais não fazendo que, pela espera prolongada, provocar alguma incerteza e ansiedade nos Municípios.
E falo de legislação tão importante como:
1. Lei nº 8/2012 aprovada em Assembleia da República a 21 de fevereiro de 2012, define as regras aplicáveis à assunção de compromissos e aos pagamentos em atraso, obrigando a profundas alterações na forma de gerir os recursos financeiros na Administração Pública, logo, também nos Municípios.
A Lei entrou em vigor no dia 22 de fevereiro, mas a sua eficácia real dependia da aprovação pelo Governo da sua Regulamentação, o que só aconteceu no dia 26 de abril, não tendo, entretanto sido publicada em Diário da república, pelo que os Municípios continuam sem aplicar esta Lei, embora a tal sejam, pelos vistos, obrigados, pois a Lei está em vigor.
2. Lei 44/XII que estabelece os objetivos, os princípios e os parâmetros da reorganização administrativa territorial autárquica, isto é, que pretende agregar freguesias de acordo com a sua dimensão populacional (no nosso Concelho, como se sabe, obrigaria a agregar todas as freguesias com menos de 150 habitantes). Esta lei, aprovada na Assembleia da República a 13 de abril continua sem ser publicada em Diário da República, pelo que, a mesma não está em vigor.
O atraso na sua publicação começa a tornar-se problemático pois que, após a sua entrada em vigor, obrigará a que, no prazo de 90 dias, as Assembleias de Freguesia e Municipal se pronunciem sobre o modo de aplicação da mesma em cada Concelho, o que atira essas decisões para pleno verão…
3. Proposta de Lei contendo novas regras para os dirigentes municipais, aprovada em Conselho de Ministros a 3 de maio, vai iniciar o seu longo processo de discussão pública, aprovação e publicação, devendo ter efeito até finais de 2013, o que é ainda muito longe.
4. Proposta de Lei que define o regime jurídico da atividade empresarial local e das participações locais, igualmente aprovada em Conselho de Ministros de 3 de maio e, naturalmente ainda não entrou em vigor, e que terá os seus impactos no que diz respeito à questão da SABUGAL +.
A esta situação de espera da publicação de legislação, devem juntar-se ainda as alterações à Lei das Autarquias, que aponta, por exemplo, para que deixe de haver eleições para a Câmara Municipal, sendo o Presidente de Câmara o primeiro nome da lista mais votada para a Assembleia Municipal, e passando a ser a vereação de escolha direta do Presidente.
Para mim, esta situação de espera de legislação é má para a gestão municipal, e não permite a tomada de decisões legalmente sustentada.
Igualmente, obrigar a tantas alterações em simultâneo, numa altura em que os recursos financeiros são cada vez mais escassos, vai provocar a paralisação ou a diminuição da capacidade de resposta aos problemas sociais e económicos que se colocam a muitos Municípios.

A ver vamos como será a realidade da ação autárquica no nosso Município neste novo cenário…

PS1. As movimentações contra as touradas em Portugal estão a ganhar alguma força, conseguindo até os seus apoiantes ser recebidos pelo Primeiro Ministro que os considerou como parceiros para a revisão da legislação que rege a realização destes eventos.
Os apoiantes sabugalenses da corrida de touros têm de estar atentos, pois estas movimentações também visam a nossa Capeia!

PS2. Já com esta crónica escrita, assisti a uma cena que não posso deixar de reproduzir.
Um senhor já idoso vinha ao longo do passeio junta à minha casa com um neto de tenra idade.
Dizia o neto para o avô: «Devias ter trazido o carro».
Pergunta do avô: «Para quê?»
«Para não me cansar!», remata o neto.
Comentários para quê?

«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

Cascais acolheu no passado fim-de-semana o Campeonato Nacional Infantil, Iniciado e Juvenil de Karate, onde o atleta Diogo Rafael, do KS Trancoso, recebeu a Medalha de Bronze.

Diogo Rafael ficou em 3.º Lugar

A organização da prova esteve a cargo da Federação Nacional de Karate de Portugal, em parceria com a Liga Portuguesa de Karate-Do.
Nesta que foi a ultima prova do calendário federativo, estiveram presentes centenas de jovens até aos 13 anos oriundos de todo o continente e ilhas, que lutaram não só por um lugar de pódio mas também pela entrada no processo de preparação com vista à participação de Portugal no Campeonato Europeu 2014 que será realizado no nosso país.
A associação nacional local (Portugal Kyokai Karate-do Shotokan) fez-se representar por 6 atletas.
Diogo Rafael (KS Trancoso), o atleta mais experiente desta comitiva, como era esperado teve uma excelente prestação ganhando todas as eliminatórias, perdendo apenas, e pela diferença mínima de 3-2, a final da sua pool o que o impediu de disputar a final. Na repescagem não teve qualquer dificuldade em alcançar a medalha de bronze.
Iara Silva (AEKS) que participou pela primeira vez nesta prova conseguiu logo na sua estreia disputar a medalha de bronze, a qual lhe escapou pela diferença mínima de apenas uma bandeira. 5º Lugar Kata Iniciado, um excelente resultado para esta jovem atleta.
João Domingues (AEKS) ganhou várias eliminatórias, alcançando a semifinal da sua pool, o que lhe deu o 7º Lugar na prova de Kumite Juvenil -60Kg.
Estiveram também presentes Anaisa Cardoso (KSTrancoso), Rafael Cruz (NKSPinhel) e Soraia Marques (NKSPinhel), que embora tenham ganho algumas eliminatórias não conseguiram alcançar um lugar de pódio.
Rui Jerónimo

A Associação Transcudânia promoveu no concelho do Sabugal, Freguesia de Malcata, a exposição «Lince Ibérico: A sua história em Portugal».

Exposição MalcataA exposição pôde ser visitada entre os dias 23 de Março e 1 de Maio, no Forno Comunitário da aldeia de Malcata. Durante este período, cerca de duas centenas as pessoas visitaram a exposição, vindas de diferentes pontos do país (Porto, Coimbra, Aveiro, Elvas, Lisboa, Guarda, Setúbal e de várias freguesias do concelho do Sabugal) e da Europa, nomeadamente de Inglaterra.
Os responsáveis da Associação Transcudânia mostraram agrado face ao número de visitantes e ao interesse em conhecerem a história de um animal que está ligado à serra da Malcata e ao concelho do Sabugal. Revelaram estar espacialmente gratos aos parceiros que tornaram o evento possível no concelho, nomeadamente a Associação Cultural e Desportiva de Malcata e a Junta de Freguesia de Malcata, que acarinharam e dinamizaram o projecto, à ADES, que disponibilizou os cavaletes para os quadros, à Aldina Amândio, que elaborou os cartazes, e à Liga Portuguesa da Natureza, pela disponibilidade e profissionalismo com que orientou o projecto.
A Exposição «Lince Ibérico: A sua história em Portugal» regressará em breve ao concelho do Sabugal, para ser recebida pela Junta de Freguesia dos Fóios, entre os dias 26 de Julho e 24 de Agosto.
plb (com Transcudânia)

Irei contar neste espaço do Capeia Arraiana algumas estórias verdadeiras vividas no Vale da Senhora da Póvoa, as quais me chegaram por duas vias.

José Jorge CameiraA minha Tia Ana (irmã do meu Avô) nasceu em 1886 e faleceu com 99 anos. Era uma mulher perspicaz, alta e forte, de quem eu confesso que tinha medo, uma chapada dela matava-me de certeza e por isso tive de aprender a correr muito. Juntamente com outras irmãs, irmãos e sobrinhos, naquelas noites de Inverno gélido características da região, ficavam à roda do lume de chão, com as panelas de ferro onde se fazia o comer e normalmente dependuradas pelas trempes negras de fumo que surgiam dos interiores já bem encarvoados da lareira. Foi nessas noites que ela me contou algumas estórias que ainda recordo.
Outra fonte foi o Ti Manel Adriano era homem alto, corpulento, mas perneta. Vivia de fazer vassouras e vendê-las ao povo. Tinha uma perna de pau e apoiava-se num grande e ameaçador bordão. No Inverno usava um grande e pesado capote amarelado, que mais parecia um cobertor de pápa. Quando se ouvia o toc-toc da perna postiça nas pedras da Rua Direita já se sabia que ele ia para casa. Era então que a moçada ia atrás dele injuriando-o e atirando-lhe pedrinhas. Ele então virava-se para trás, fazia zunir no ar o bordão em círculo e lançava um grito pior que um rugido de leão:
– ARREDA QUE VAI DA PÓSTA!
E os passarinhos em forma de gente fugiam chilreando pela ladeira da Igreja acima…
Eu, ou por lhe ter medo ou por pensar que fosse contar ao meu Avô (o tenente Cameira, então Presidente da Junta de Freguesia) que eu também o «judiava», o que originaria as inerentes sevícias, nunca me meti com ele. O que me valeu ser pessoa, melhor dizendo menino, com elevado estatuto de confiança junto de si.
Daí que ele me contou muitas das estórias que guardava na memória. As narrações aconteciam numa escadaria de recanto que havia do lado esquerdo de quem desce a Rua Direita, antes do Chafariz. Mas algo insólito aconteceu um dia comigo e com ele. Ainda hoje não sei os porquês, uma tarde o Ti Manel Adriano pede lá em casa que me deixem ir jantar à casa dele…
Vestiram-me um calçanito branco ou beje e lá fui todo lampeiro, até levei uma garrafa de vinho, lá na nossa casa havia várias pipas cheias.
O Ti Manuel Adriana fez-me sentar num mocho (esses banquinhos baixos, feitos de folhas grossas de cortiça) enquanto o crepitar da lareira fazia o guisado de carne. Assim foi, comi daquilo à farta, sabe melhor na casa dos outros e ainda mais por insistência dele. Pelas 11 da noite, sonolento, voltei para casa e no outro dia havia risada da grande por parte das minhas primas!
É que na retaguarda dos meus calções estava desenhado a negro da fuligem o tal mocho onde me sentara na casa do Ti Manel Adriano!
Decorriam os anos de 1940 e havia imensas convulsões políticas, sociais e bélicas por essa Europa. Acabara uma guerra que fora um balão de ensaio para outra bem mais mortífera.
Em Portugal reinava esse Cônsul déspota de nome Salazar, que urdia planos camaleónicos – ora autorizava os ingleses e americanos a utilizarem os Açores e a Madeira, para apoio logístico de aviões e barcos carregados de bombas nos bojos, ora vendia ao III Reich de Hitler e Goering, alguns produtos alimentares em conserva e determinado minério, matéria prima necessária para os fabrico de blindados Panzers para o Africa Corps do nazi Himmler no Norte de África.
Esse minério – o volfrâmio – sempre o houve no Vale da Senhora da Póvoa, já os Romanos, Celtas e Mouros sabiam disso!
Houve um conterrâneo do Vale de Lobo (em 1955 mudou o nome para Vale da Senhora da Póvoa), o Ti Valdemar Carolo (nome fictício), que passava a vida apascentando as suas cabras um pouco mais acima da Ermida da Senhora da Póvoa, em Sortelha-a-Velha, nos contrafortes de cá da Serra da Opa, vigiando-as não fosse o demo empurrá-las para dentro de uns buracos que por ali havia tapados por silvas. O rebanho era controlado por estridentes assobiadelas e o zurzir sonante das varas de marmeleiro e por um possante cão rafeiro, que malhava dentadas nos animais mais ariscos.
Tornou-se dono desses tais buracos onde os antigos extraíam essa «coisa» pesadota, bem escura e de cheiro pestoso.
Há uma estória – será lenda? – em que um dia o Ti Valdemar terá visto uma alcateia de lobos descer a encosta da Serra da Opa, vindo dos lados do Anascer. Tendo enxotado as suas cabras em direcção à aldeia, atraiu para si esses predadores, empoleirando-se no alto de uma árvore e ali permanecendo dois dias e duas noites, até que os bichos abalaram, cansados de tanta espera…
Será que vem daí o nome «Vale de Lobo»?

José Jorge Cameira

«Estórias de um filho de Vale de Lobo e da Moita»
mailto:jjorgepaxjulia4@hotmail.com

Esta e outras «estórias» que se seguirão nesta coluna serão contadas semanalmente pelo José Jorge Cameira, um filho do Vale da Senhora da Póvoa (que noutro tempo se chamou Vale de Lobo) e da Moita, que está radicado na cidade de Beja, onde vive e trabalha há muitos anos.
jcl e plb

Têm sido risonhas as madrugadas e soalheiras as manhãs. As tardes, velozes e secas, têm cruzado um ano fazedor de história em matéria de falta de chuva. Os serviços meteorológicos têm insistido na necessidade de recuar, profundamente, no tempo e na história das medições para nos garantir que, um ano assim, só há mais de oitenta anos.

Primavera Seca

Fernando Capelo - «Terras do Jarmelo»A meteorologia estuda, evidentemente, a orientação do vento, a qualidade do ar, a força e a frequência de eventuais tempestades. Compara a escassez de humidade com chuvas diluvianas e conclui que, neste ano, é quase certa a continuação da seca.
Uma sondagem recentemente divulgada confirma que mais de trinta por cento das conversas têm começado pelo assunto do tempo. Eis, portanto, a prova de que a seca tem sido motivo de aflição tal como têm sido aflitivas outras adversidades (porventura económicas).
Os velhos do interior raiano, esses eternos e verdadeiros conhecedores do tempo, observam exaustivamente as centenas de sinais que indicam no horizonte a eventual presença ou ausência de chuva. Consideram tais indícios pequenos tesouros, pormenores de luxo, que constituem base de referência para as suas previsões. Têm concluído que a seca vai continuar.
Pouco antes da minha quase diária volta do fim de tarde, ofereceu-se-me um horizonte dilatado pelas alturas. Também eu me baseio no que tenho bebido da sabedoria popular, decalcada de deliciosas histórias e de algumas vivências de infância em manhãs e tardes que, ora passadas, se me representam na memória. Também eu tento interpretar sinais, ler futuros de chuvas, saber dos calores ou dos frescos, analisar húmidos detalhes. Também eu tento tornar útil o meu conhecimento. Concluo (verdade provada) que este é um ano mau, até no tempo!
Ora, se as preocupações já sobejavam, junta-se-lhes, então, um tempo de amarga secura.
Hoje, tarde de terça, dia de março quente com o dialho no ventre, olho o horizonte e só as palavras simples me motivam. A simplicidade ajuda, claro, seja qual for a matéria, seja qual for o tema, seja qual for a luta.
Constato, portanto, a realidade da vida e (re)olhando o horizonte, ausente de chuva e prematuramente primaveril, reconheço a dureza da seca e a dureza da vida, tantas vezes um quase prematuro inferno!
Mas não, nem tudo pode ser mau. A Primavera está no seu início. Por coincidência (feliz) cruzou-se, recentemente, com o dia nacional da poesia , 21 de março. Ora, a poesia é síntese do real e pode ser síntese do tempo. Limpa a realidade de pequenez e de imbecilidade. Não será, portanto, de admirar que a poesia melhore o tempo. A sua força é imensurável! Florbela Espanca esclarece que a poesia faz os homens maiores do que os homens.
Então que o ar poético da Primavera, ainda que sem chuva e sem muitas nem difíceis palavras (essas poderão soar-me a lugar comum) seja uma espécie de cura. Que nos tranquilize. Que nos componha um pouco a vida.
Valha-nos, ao menos, o ar poético primaveril.
«Terras do Jarmelo», crónica de Fernando Capelo

Segundo o dicionário Priberam da Língua Portuguesa, elite é uma minoria social que se considera prestigiosa, tendo algum poder e influência. São pessoas superficiais medíocres e vulgares. Mas também seria injusto da minha parte se não dissesse que as há honradas e que fazem tudo o que é humanamente possível para serem úteis.

António EmidioPós 25 de Abril de 1974, os homens do regime, do Estado Novo, aqui na então Vila do Sabugal, encetaram uma aproximação aos jovens, nova orientação política vinda da ideologia dos governos centrais, e também se aperceberam muito provavelmente de que uma página da História de Portugal acabava de ser virada. Viram então nos jovens os futuros guias políticos e, não só políticos, do País. Nunca tinha pensado que aos 21 anos de idade estaria a falar sobre o divórcio a uma mesa de café com dois homens que um ano antes me queriam levar ao Posto da Polícia, a mim e a outros jovens da mesma idade, por termos atentado contra a moral, ao fazermos um bailarico com umas raparigas numa garagem. Mas voltemos ao assunto das elites. Um dos homens do Estado Novo, numa conversa no Largo da Fonte, disse-me que viesse a Revolução que viesse, mesmo que o prendessem, não mudaria os seus ideais políticos, os do Estado Novo e do seu líder Salazar. Não aceitaria nunca o sistema de partidos, o parlamentarismo, a Democracia, o fim do Império Colonial e o comunismo. Esse homem marcou-me, não pela sua ideologia política, mas pela firmeza dos seus ideais, manteve-os até à morte.
E agora o que é o ideal da maior parte da elite, dessa minoria social que tem poder económico, político e também influência? O dinheiro, e escalar os postos mais altos da sociedade até brilhar como uma estrela no firmamento das «celebridades» políticas. E quando já brilham nesse firmamento, deslumbrados pela cegueira que a arrogância provoca, pensam que o poder é deles, esquecendo que o único e verdadeiro dono é o povo. Se as coisas não lhes correm bem, mudam facilmente de campo político e «servem» com o mesmo empenho o Partido A ou o Partido B. Renegam com uma facilidade tremenda a sua ideologia e aceitam com todo o descaramento este processo político/económico que está a levar Portugal para um subdesenvolvimento, não se importando rigorosamente nada que os trabalhadores e os empregados sejam uma mercadoria qualquer que se utiliza ou se manda para a rua segundo as conveniências de cada momento, não se importam que os seus compatriotas vivam o dia a dia com medo de perder o seu posto de trabalho ou passem a engrossar o número de desempregados e marginados sociais.
Sem uma ética pessoal não pode haver uma ética colectiva, principalmente quando os que atentam contra ela, são essas minorias selectas que um dia chegam ao poder. E, já no poder tratam mal os estratos sociais indefesos, com isto só revelam a sua baixa condição humana e ética. Quem não serve o bem de todos não merece ter o poder.

Levou-me a escrever este artigo, o comportamento ideológico de alguns homens que eu conheci como tendo valores sociais e éticos, mas que a cegueira partidária, o sectarismo o «tacho» e um certo alivio económico, fizeram deles umas pessoas insensíveis aos dramas humanos que nos trouxe esta crise. A política deles, Mundial, Europeia e portuguesa, resume-se à dicotomia Sócrates/Passos Coelho, ao ouvi-los dá a impressão que a vida político-económica da Humanidade nasceu com estes dois senhores e morrerá com eles…
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Hoje vou ser «desagradável» para algumas pessoas. Escrever o que se pensa é isso também, por vezes. Vou acrescentar neste texto mais um «item» a uma tese que defendo. E cai na «mouche» por causa de duas peças publicadas recentemente no «Capeia», numa das quais se falava do «ethos» raiano.

Mapa do concelho do Sabugal

José Carlos MendesO concelho do Sabugal é de uma grande diversidade de gentes. Confirmo todos os dias uma coisa interessante: o Casteleiro não pertence à Raia; nós, na minha terra, não somos arraianos. Os nossos «ethos» (maneiras de ser, de falar, de reagir, os nossos costumes) são muito diferentes. Parece que construímos castros e castelos em tempos que já lá vão, mas não andámos nas guerras de fronteira, a não ser nas décadas de 60 e 70 – mas para ir de abalada a salto para a França.
Não somos raianos.
Mais.
Tenho para mim há muito tempo que, pela lógica, a minha terra devia estar no concelho de Belmonte ou noutro, mas do distrito de Castelo Branco, como sempre esteve até meados do século XIX. Já o escrevi em muitas ocasiões.
Há muitas diferenças e muitos pendores nossos que não batem certo com os dos povos raianos. É assim.

«Ethos» muito diferentes
As nossas maneiras de ser são muito diferentes das que encontramos nas terras da Raia.
Costumes, filosofias de vida, maneiras de ser – tudo muito diferente. E até a maneira de falar: o entoado, a pronúncia de muitas palavras, o ritmo «do falar», as expressões e até muitas palavras.
Somos diferentes. Amigos, mas diferentes. No Casteleiro há bastante sangue arraiano: casamentos fizeram a mistura. E dá para ver a harmonia na diferença.
Ora, uma das componentes da / do «ethos» é o linguajar profundo do Povo de uma terra ou de uma região, pois esse linguajar traduz em muitos casos uma filosofia de vida.
Ora quando leio artigos em que esse linguajar é protagonista, como é o caso dos magníficos capítulos da série «Aventuras de um velho contrabandista», mais me convenço de quanto somos diferentes.
Mas já lá vou, depois de dois compassos de «intermezzo»:
1. Antes disso e para já, quero assinalar outra diferença: as touradas, sejam de forcão, sejam de capa e espada, sejam de cavalos. Mas sobretudo as pegas e as garraiadas, com ou sem forcão. Cá para estes lados, nada de devoções marcadas desse tipo.
2. E também antes de ir às palavras usadas nesses textos e que não usamos no Casteleiro, quero registar com o leitor algumas expressões usadas no Casteleiro que julgo que na Raia não serão conhecidas,
Só depois disso irei referir algumas palavras que não entendo nos artigos sobre o velho contrabandista…

Expressões interessantes
Apenas três ou quatro exemplos. Não sei se em mais algum ponto do País se dirão vocábulos como:
Ter uma coisa em grande incondezilha. Nem imaginam o que isso significa, não é? Mas eu explico. Significa: dar muito valor a uma coisa. Apenas isso.
Fulana é uma grande linguerta ou é uma grande lindrisca. Quer dizer que a pessoa mete o nariz em tudo. Mas há diferença de grau: a lindrisca anda de má fé.
Ou então: – Aquilo é um pantchana. Para significar: é um atado, não é nada desenrascado.
Ou ainda: – É um bom mucanca. Significado: costuma andar trombudo, não fala às pessoas.
Se eu não explicasse estas expressões, percebiam-nas?
… Mas não posso deixar de registar, a propósito da boa disposição que julgo, e muitos julgamos, enforma o espírito popular profundo no Casteleiro. É o caso de alguém que diz com grande alarde para outrem
Mostra aí às p… (prostitutas – mas à moda da rua, bem profunda) quem são os coirões!
Atenção, isto era dito aos rapazes.
Ora «coirão», no Casteleiro e não só, não é mais do que uma forma suave para «prostituta». Então, se alguém é incitado a mostrar às prostitutas quem são as prostitutas, isso significa: «Mostra lá o que vales». Apenas isso, mas dito com um grande sorriso de humor (muito específico, claro).

Palavras que desconheço
Apenas alguns exemplos. Porque não sou da região de cima do Côa, não percebo palavras como: «almareado», logo no título da última crónica, ou «béculas» ou «cachondice» que leio também no último texto sobre o Contrabandista. Adoro ler aquilo tudo, pelo ambiente criado, pelo realismo do encadear da trama, mas tratando-se de episódios soltos – como quem recorda para os netos bocados da sua vida passada.
Gosto e leio. Mas a verdade é que desde o primeiro capítulo venho notando a minha distância em relação a este linguajar bem popular a uns quilómetros a norte da minha terra mas que no Casteleiro não usamos e não conhecemos.
Como não entendi o que é a «chouchana» referida pelo padre no último episódio; ou, noutro texto anterior, não entendi o que significa «bater a sota».
Porquê? Porque o «ethos» do Casteleiro é diferente, claro – é esse o meu ponto.
E já agora, registo outra diferença: na Raia trocam-se os bês pelos vês, melhor: os vês lêem-se como bês, à moda e por influência espanhola.
E isso leva-me à palavra «verduada» recentemente usada pelo mesmo autor. Acho que virá de bordão e que o Povo a usa ou usava, e bem, para significar «bordoada».
Essa forma de falar também faz / fazia a diferença. E isso é bom: cada terra com seu uso, cada roca com seu fuso… (já agora).

PS – Hoje também me compete emendar a versão ficcionada pela autêntica de uma estória que se conta no Casteleiro. Trata-se da época do volfrâmio (década de 40 do século XX). A malta do Vale de Lobo (hoje, Senhora da Póvoa) tinha muito, mas muito dinheiro no bolso. Diz-se no Casteleiro que um dia três volframistas tinham ido a Lisboa e, no regresso, no comboio, entusiasmaram-se e compraram o comboio ao revisor… comboio que deixaram em Belmonte por falta de via até à sua terra.
Pois bem impõe-se que rectifique duas coisas: 1ª – não vinham de Lisboa: foram a Belmonte de propósito para comprarem o trem para não andarem sempre de carro de aluguer a levar o volfrâmio à Covilhã; 2ª – não chegaram a comprar o comboio: o revisor não o vendeu dizendo que o caminho-de-ferro não podia ser desviado.
Mas, acrescenta a minha fonte, que é do Vale e conhece a história de forma directa pois era vizinho dos volframistas:
– Mas eles ainda queriam comprar o comboio e diziam ao revisor que o levavam pela estrada!

«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

Manuel Maria Carrilho é o próximo convidado da tertúlia «Café Desconcerto» que o Teatro Municipal da Guarda (TMG) apresenta no Café Concerto no próximo dia 10 de Maio, às 21h30.

Manuel Maria Carrilho no TMG

O professor e escritor vem apresentar o seu mais recente livro, editado em 2011, intitulado «De olhos bem abertos». A conversa será conduzida por José Manuel T. Mota da Romana.
Professor catedrático da Universidade Nova de Lisboa onde é titular da área de Filosofia Contemporânea, Manuel Maria Carrilho é autor de uma vasta bibliografia com destaque para: «Razão e Transmissão da Filosofia» (1987), «Dicionário do Pensamento Contemporâneo» (1991), «Rhétoriques de la Modernité» (1992), «Aventuras da Interpretação» (1995), «O Estado da Nação» (2001).
Manuel Maria Carrilho foi Ministro da Cultura e Deputado da Assembleia da República. Foi ainda representante permanente de Portugal na UNESCO, em Paris.

Cinema no Grande Auditório
Mais de 450 crianças do Agrupamento de Escolas da Área Urbana da Guarda vão passar pelo TMG nos próximos dias 9 e 11de Maio (quarta e sexta-feira, respectivamente).
No dia 9, as crianças assistirão no Grande Auditório ao documentário «Planeta Sagrado», de Robert Redford e ainda ao filme de animação digital «Animusic». No dia 11, também no Grande Auditório, assistirão à projecção do filme «As aventuras de Tim Tim», de Steven Spielberg. Nos dois dias, as sessões têm início marcado para as 10 horas. Trata-se de uma iniciativa levada a cabo pelo TMG, através do seu Serviço Educativo, que surge a pedido do Agrupamento de Escolas.

Marionetas, circo e dança no OVNI
Continua o OVNI – Festival Internacional de Objectos Vivos, na próxima semana, com espectáculos de marionetas, novo circo e dança, vindos de Espanha, França e Portugal.
Na sexta, dia 11, apresenta-se no OVNI a companhia Telón de Azúcar, de Espanha, que leva ao palco do Pequeno Auditório «Crónicas de lo Diminuto», um espectáculo que explora as técnicas do teatro de sombras e de luz negra e que conta a história de uma menina curiosa que certo dia conhece um investigador que lhe fala sobre uma das suas descobertas: os mundos diminutos. Um espectáculo, único em Portugal, para maiores de 4 anos, que está marcado para as 21h30.
No dia seguinte, dia 12 (sábado), há novo circo no OVNI com «Debout de Bois», da companhia francesa «La Maind’Oeuvres». Um espectáculo maravilhoso, para maiores de 6 anos, que tem como objecto central um tronco, que serve de parceiro, de instrumento musical e de aparelho de circo. Acrobacias e movimento num universo sonoro e cenográfico feito de pedaços de madeira e de máquinas. Este é um espectáculo apresentado no âmbito da Rede 5 Sentidos e sobe ao palco do Pequeno Auditório às 21h30.
O OVNI prossegue depois na quarta-feira, dia 16, com «A Nova Bailarina», de Aldara Bizarro/Jangada de Pedra. Um espectáculo apresentado pelo TMG, através do seu Serviço Educativo, com movimento, humor e sobre valores e ética. «A Nova Bailarina» tem como destinatárias as crianças dos jardins-de-infância e escolas de 1º Ciclo e é apresentado na Sala de Ensaios do TMG em duas sessões, às 10h00 e às 14h30. Espectáculo apresentado no âmbito da Rede 5 Sentidos.
O OVNI decorre no TMG até 26 de Maio.
plb (com TMG)

Cada povo tem entre a sua gente almas de toda a casta e condição. Assim se passava na minha terra no tempo antigo, e ainda hoje, quando já poucos aqui moram. Pois lhes conto que havia cá dois moços desvairados que todos tolerávamos, menos o casmurro do padre Narciso que a todo o custo queria que tomassem carreira direita.

A Maria Rita, que era filha do Zé Barra, era uma taranta. Galreava de manhã ao anoitecer: que a mãe lhe botara o gadanho à travessa de pentear o cabelo; que os manos lhe puxaram o fio da roca; que a marrana velha trepara a escaleira e estrumara no balcão. Os de casa aturavam-lhe pacientemente o escarcéu, pouco ligando àquelas sismas.
O povo também fazia orelhas moucas às bacorices, tirando uma ou outra mulher, que fazia cruzes quando os impropérios eram por demais ultrajantes.
– É uma soventa! Na malcriadez da faladura ganha aos grunhidos de um cevado! – dizia por vezes a Marquinas, que era a maior beata da terra e muito amiga do padre Narciso, a quem, diziam as más línguas, satisfazia os apetites carnais.
O Tó Faleiro, maltrapilho da locanda, tido como amigo do Mafarrico, era chanfrado como a Maria Rita e divertia-se reinando com ela. De cabelo revolto, nariz largo e achatado como o de um africano, leve penugem sebosa a cobrir-lhe as béculas, passeava pela aldeia na pedincha. Alguém, à maldade, lhe metera na tola que a Maria Rita precisava de macho para lhe acalmar a cachondice, e já nada o fez ficar quedo.
Aproximava-se do curral do Zé Barra e recitava uma cantilena que a loucura lhe gerara na cachimónia:
Lagarta lagartixa,
chiba chibarra,
chega-te à roda
toma a mamarra!

De dentro do casebre saía uma vaga de palavrões e voavam bancas e tamancos. O Faleiro corria então desenfreado para junto do pio, que ficava a um canto do adro, onde soltava gargalhadas. Depois, passado o vendaval, rodava à cata de uma côdea.
Os catraios gozaram a bom valer, ora se juntado ao tolo nas risadas, ora fazendo coro com a estouvada no escarcéu dirigido ao pelintra.
A aldeia já se habituara, a estes engrimanços e vozearias repicadas. Só o padre Narciso se não conformava com aquela vivência e tresjurava que com a ajuda de Deus havia de meter os orates na linha.
Se estivesse na sacristia, vinha à rua e chamava o Tó Faleiro. O farrabraz acudia como um cordeiro e ouvia, caludo e de cabeça baixa, a repreensão do padre, que o benzia com água benta e o remetia para fora do adro.
– Põe-te ao largo Tó!… Para berreira já bonda a da Maria Rita, que vive naquela furda.
O Faleiro rodava dali, atravessando o terreiro a passo lento, de espinhela torcida e pernas abauladas. Não tardava porém a volver para continuar com as suas malandrices.
Da Maria Rita o padre Alípio tinha temor, pois a coitada, acometida pelo desmando, não se lhe calava um instante.
De uma vez, quis ir a falas mansas com ela, a ver se lhe metia juízo na cachimónia, falando-lhe de Deus e dos Santos.
Eu, que estava no meu balcão, comendo uma côdea, assisti a tudo.
O padre, caminhando pela rua, encontrou-se com a Maria Rita, que provinha da fonte com um cântaro de água à cabeça.
– Deus te abençoe Maria Rita. Já rezaste as orações da manhã? – perguntou-lhe o abade de falinha donairosa.
– Esta nôte vi Nossa Senhora – disse-lhe a moça de repelão.
– Ah, sim?! E contas-me esse sonho lindo?
– Vi Nossa Senhora toda encarrapata e escarrapachada num cavalo castanho, que corria doudo p’las tapadas.
– Ora, és uma chouchana – atirou-lhe o padre Narciso, que virou costas e rodou para casa, afinal ciente que não era capaz de lhe curar a maluqueira.
Paulo Leitão Batista, «Aventuras de um velho contrabandista»

leitaobatista@gmail.com

Tal como o previsto chegou ontem, dia 4 de Maio, ao Sabugal um grupo de agentes de viagens que se deslocam com o propósito de verificarem as potencialidades turísticas do Concelho. Durante o fim-de-semana terão um programa intenso de reuniões e visitas.

A recepção aos agentes de viagem teve lugar no Salão do Raihotel.
A visita prossegue hoje e amanhã, subordinada ao seguinte programa:
Sábado, 5 de Maio
10h00 – Visita guiada ao Museu Municipal e Castelo do Sabugal
11h30 – Porto de Honra na Casa do Castelo
12h30 – Partida para a aldeia do Casteleiro
13h00 – Almoço no Restaurante Gourmet Casa daEsquila.
15h00 – Visita guiada à Quinta dos Termos.
16h00 – Visita guiada a Sortelha. Actuação do Rancho de Folclórico de Sortelha. Lanche no Salão da Junta de Freguesia.
18h00 – Visita guiada à aldeia de Vila do Touro
20h00 – Jantar no restaurante O Pelicano
22h00 – Prova de vinhos Quinta dos Currais na Casa Villar Mayor. Prova de vinhos Gravato e Adega Cooperativa de Castelo Rodrigo com Sessão de Fados de Coimbra.
24h00 – Chegada ao Sabugal com dormida no Hospedaria Robalo

Domingo, 6 de Maio
10h00 – Visita guiada às Termas do Cró.
11h00 – Visita às Casas Carya Tallaya.
12h30 – Visita ao Centro Histórico de Alfaiates com passagem pelo Santuário de Sacaparte.
13h00 – Chegada Nascente doCôa.
13h30 – Porto de Honra no Centro Cívico dos Fóios.
14h00 – Almoço no Restaurante Trutalcôa / Viveiro das Trutas.
plb

Os reinos da Europa medieva surgiram duma fusão de povo e solo, catalizados por um chefe de excepcional envergadura, por vezes mesmo exógeno. Reveste-se, em corolário, de alguma verdade a afirmação de que deve buscar-se nas regiões a génese dos estados.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaNo caso português, foram os fidalgos que entre Douro e Minho ja tinham castelo e terra murada quando os barões francos desceram de pendão e caldeira nas hostes do Burguinhão, quem com estes novos ingredientes (apoio militar e incontestado comando) lançou as raízes da nação.
Na vizinha Espanha, a irrupção nasceu nas montanhas nordestinas. Os ingredientes vieram da fé, da memória dos concílios toledanos, da fereza dos cantabros, do génio militar dos leoneses (recordados de que o nome da sua cidade radicava num antigo acampamento romano, uma légio geminata com o a que na Gália deu origem a Lião), da crueza dos castelhanos (mistura de homem, cão e lobo, na lapidar caracterizaçao de Mestre Aquilino em «O Homem que Matou o Diabo»).
Além Pirinéus, depois de Clóvis ter consolidado a monarquia franca, por Carlos Magno elevada à dignidade de império, será este mesmo Aureus Carolus quem, no ano de 806, prevendo a morte, dividiu as terras sob seu ceptro, aliás segundo o costume bárbaro, dando origem a três novos reinos.
Todos os estados que a História registou dos Pirinéus aos extremos da grande planície germano-polaca encontram a sua raiz naquele acto de partiIha, causa da instabilidade que nunca mais deixou de verificar-se na região, com reinos a nascerem e a morrerem e quatro marcas: a da Catalunha, a de Viena, a de Milão e a da Alsacia-Lorena, a perturbarem a estabilidade.
A França, a futura Alemanha, o Império, a Mongó1ia da Europa, a Bélgica, a Holanda, a Itália (por mil anos dilacerada em lutas fratricidas), a Dimanarca, a Polónia, a Boémia, a Morávia, a Eslováquia, enfim os Estados que perene ou momentaneamente se criaram até à fronteira russsa, estavam ali em potência ou acto.
E a imprecisão de lirnites, bem como a memória das marcas pelos séculos hão-de servir de causa belli.
Nomes como Aquitânia, Neustrénia, Austrásia, Suábis ou Lombardia, que hoje não dirão muito à generalidade das pessoas, tiveram ao tempo grande voga, significando estados que nasciam e sucumbiam ao ritmo das divisões hereditárias ou da sorte dos exércitos.
Como o de Lotaríngia, Ostefália, Vestefá1ia, Ângria ou Nordalíngia.
Os paises nórdicos, hoje tidos como supercivilizados e que habitam a Escandinávia ficavam para além dos limites do Império.
Tinham a fama e proveito de terríveis selvagens. Eram mesmo um dos terrores cujo combate se fiava também da Divina Providência. Daí a inclusão nos hinos litânicos da prece: A furore normandorum libera nos Domine. E o termo normando aplicava-se genericamente a suecos e noruegueses.
Há ainda outras três zonas que escapam à semente de trigo lançada por Carlos Magno e à cizânia dos seus descendentes.
As grandes ilhas britânicas (Inglaterra, Irlanda e Islândia) o Transdanúbio, ao tempo dominada pelo Imperio Romano do oriente e cujos territórios apenas viriam a ascender a estados independentes com o desmoronar do Imperio Turco – sucessor daquele, e as imensidades da Rússia.
Bizâncio que converte os eslavos, converte-se depois ao cesarpapismo. De facto, o seu patriarca, o único já que os de Antioquia, Alexandria e Jesuralém residiam in partibus infidelium e em corolário se viam desprovidos de influência, juntamente com o irnperador, garantia a unidade num território imenso.
Deixando de lado por estar fora do nosso âmbito de análise tudo quanto fica para além do Helesponto, constata-se que na transição de milénios, lhe pertenciam os actuais territórios da Grecia, Bulgaria, Romenia, Albania e ex-Jugoslavia, o sul da Itália e ainda os estados insulares de Chipre e Malta.
Mas, como atrás dissemos, todos estes países deviam esperar pelo desmoronar não apenas do império bizantino mas do turco que lhe sucedeu em tais domínios, para assumirem veleidades de independência. E os casos de ilhas, entrementes transitadas para o império marítimo da Inglaterra só nos nossos dias é que viraram estados, aliás de duvidosa sobrevivencia.
De qualquer modo, foi da combinação do princípio étnico-histórico das nacionalidades como o da implantação geográfica dos povos que surgiram os estados: a Roménia, de tradição latina; a Bulgária, eslavo-bizantina; a Albânia, mais islâmica, tal como partes da ex-Jugoslávia (nomeadamente a Bósnia), a Grécia, ainda marcada pelos tempos em que a Helada dominava espiritualmente.
Na Rússia, só há pouco comegou a afirmação da força das nacionalidades que naturalmente levará também a profundas consequências políticas.
Os dois grandes estados medievais, com capital ao tempo em Quieve e Novagardia, parecem reconstituídos, não se considerando que os canatos porventura até coevos detenham força para se imporem como nações, até porque só lhes davam unidade, chefes de efémeros mandatos.
Mas, para além da Ucrânia e da Bielorrússia, tambem a Geórgia, a Lituânia, a Moldávia, a Letónia, a Estónia, a Arménia e evidentemente a Rússia, que até agora serviu de elemento aglutinador são estados europeus, mais germânicos, uns, mais eslavos outros (aliás os mais importantes e influentes), bizantinos ou aturquestados outros.
Enfim, geografia e história, elementos em toda a parte definidores dos estados e seus limites e que, quando contrariados, se vingam através dos mais terríveis cataclismos.
Basta lembrar os casos históricos da Catalunha, da Alsácia-Lorena, do Milanado. Ou o recente drama da ex-JugosIavia. Para não falar já das Guerras dos Cem Anos, dos Trinta Anos, dos Sete Anos, da Franco-Prussiana, das duas últimas grandes guerras…
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

Vão decorrer no Instituto Politécnico da Guarda (IPG), nos dias 23 e 24 de Maio, as IV Jornadas de Engenharia Topográfica, organizadas pela Unidade Técnico Científica de Engenharia e Tecnologia (área de Ciências Geográficas) do IPG e Colégio de Engenharia Geográfica da Região Centro da Ordem dos Engenheiros.

Subordinadas ao tema «O Mundo na Mira das Ciências Geográficas», estas jornadas têm por objetivo a promoção e divulgação das áreas temáticas subjacentes, bem como o seu contributo para decisões essenciais ao nível do planeamento e gestão do Território.
O programa vai integrar a apresentação de diversos estudos de índole técnica e científica que cobrem as várias áreas da IG, desde aplicações com dados LiDAR (Light Detection And Ranging), Redes de Estações Permanentes, GNSS (Global Navigation Satellite Systems), diversas aplicações em ambiente SIG, entre outros.
Por outro lado, a organização destas jornadas pretende potenciar as ligações entre instituições de ensino superior (que lecionam cursos afins) com a administração pública e com o mercado empresarial do setor.
A informação Geográfica (IG) é cada vez mais um garante na resolução de inúmeros problemas das sociedades atuais.
«É a Informação Geográfica que fornece apoio na busca de soluções para as melhores intervenções e para uma melhor organização do território, evitando que se acentuem assimetrias extremas entre regiões o que não beneficia nenhuma das partes», refere a organização destas IV Jornadas de Engenharia Topográfica, que chama a atenção para a «notória proliferação e difusão na utilização de IG em inúmeros setores, nomeadamente a Engenharia, a Gestão o Ambiente e os Transportes».
plb (com IPG)

Maria Virgínia Antão Pêga Magro elaborou e apresentou na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, a tese de mestrado em Arqueologia, intitulada «Vilar Maior – Evolução de um castelo e povoado raiano de Riba-Côa (séc. XI a XV)».

A dissertação apresenta a antiga vila de Riba Côa, enaltecendo os vestígios arqueológicos medievais e a arquitectura castrense que a mesma guarda, focando-se ainda no desenvolvimento urbano do povoado ao longo do período compreendido entre os séculos XI e XV.
A autora estudou os testemunhos materiais e bibliográficos disponíveis, o que lhe permitiu compreender a importância de Vilar Maior no contexto da reconquista cristã, no período que antecedeu a anexação de Riba Côa ao reino de Portugal, conseguida pelo rei D. Dinis através da invasão deste território e a consequente assinatura do Tratado de Alcanizes em 1297, com o rei de Leão.
Maria Virgínia Antão Pêga Magro começa por caracterizar geográfica e historicamente o território fronteiriço de Riba Côa, onde a vila de Vilar Maior se insere, falando depois dos antecedentes da ocupação medieval, da própria época medieva, da ocupação leonesa e da invasão dionisina e do consequente tratado que tornou portuguesa aquela língua de terra.
A tese fala ainda da importância do castelo de Vilar Maior do ponto de vista militar, aborda a reforma de D. Dinis consequente à ocupação e à outorga de novo foral, assim como as reformas que se lhe seguiram, já enquanto vila acastelada da fronteira portuguesa.
Para além da caracterização património histórico, o trabalho aborda o poder das instituições sedeadas em Vilar Maior, enquanto cabeça de concelho, analisando ainda a evolução da vila ao longo do tempo.
Interessante é a firme oposição da autora à tese do ermamento (despovoamento), defendida por muitos autores em relação a Riba Côa no que toca ao período que antecedeu a reconquista cristã. Embora sendo território de disputa contínua durante um longo período, tal não significou, na opinião da autora, que tenha sido totalmente abandonada pelos povos que a habitavam.
Ao longo do trabalho a autora apresenta sobretudo um estudo arqueológico acerca da evolução de Vilar Maior e do território envolvente, centrado no período histórico em que houve uma vincada actividade militar, cujos avanços e recuos provocaram uma grande instabilidade no poder administrativo de controlo desta zona fronteiriça em permanente disputa.
O trabalho cita o blogue Capeia Arraiana, nomeadamente o texto publicado pelo nosso colaborador João Valente, acerca da Pia Baptismal de Vilar Maior.
Pode consultar aqui a tese de Maria Virgínia Antão Pêga Magro.
plb

Hoje, somente uns versos.


Para quê
um dia absurdo
quando o teu tempo
é toda a eternidade?
Para quê as flores
Se são as tuas mãos
o mais vibrante jardim!
É no teu regaço
que sossego
o desassossego do mundo
No teu olhar
que me enlaço
no teu abraço
o amor profundo
Para quê
qualquer prenda tonta,
se não consigo ver
no teu sorriso
a vida,
a palavra
que me faz ser
Se não entender
nas tuas lágrimas vertidas
nessas, que vertes às escondidas,
o maior sentido
de existir!?
E serei indigno
se não te disser
que a minha alma tem
o teu nome gravado,
mãe!
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Teresa Duarte Reis - O Cheiro das Palavras - Capeia Arraiana«La Ruta de los Castillos» fez uma pequena viragem para homenagear também outros castelos de fronteira como: Pinhel, Penha Garcia, Penamacor e Castelo Bom que, não sendo castelos de Aldeias Históricas – que me propus destacar – são também monumentos que gravam em pedra, páginas da História. Portugal com seus castelos foi ganhando glória ao longo de todas as épocas em que, cada pedaço de pedra que se ergue ou ergueu nos recorda valores pátrios reveladores de majestade e coragem, na defesa dos povos e das gentes.

Pinhel

PINHEL

Foste castro pré-histórico
Ó castelo de Pinhel
Com túrdulos ou lusitanos
Desempenhaste teu papel
Vigiaste estrada romana
D. Sancho Foral te doou
Retomaste teu fulgor
Outro rei te revigorou
Aqui referimos D. Dinis
Com Tratado de Alcanizes.

Envolveste antiga vila
Nesse jeito acolhedor
Mantendo-te em alerta
Como poderoso senhor
Mas sofreste derrocadas
Pilhagens e vilanias
Salvando-te D. Manuel
Que tu bem o merecias
Devolvendo respeito ao povo
Concedendo o Foral Novo.

Até mil setecentos e setenta
Crescendo, foste cidade
Foi pena que até XIX
Muito mudou, na verdade
As guerras te molestaram
Perdeste muitos afetos
Assim o tempo foi passando
À espera de novos projetos
Em XX um Decreto te classificou
E mais digno te tornou.

E esse ar imponente
Com tua torre de Menagem
Que alguns chamam de vigia
Lembram a tua coragem
Acolhes quem te visita
Mostrando a dignidade
Na proteção e defesa
De toda a tua cidade
Quem perto ou longe te vendo
Sabe que o estás acolhendo.

O meu respeito a Pinhel
«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis

netitas19@gmail.com

Um punhado de cidadãos de Alpedrinha sob a dinamização de Barata Roxo, foi feita homenagem a Zeca Afonso – a voz da utopia não morre, como escreveu o Jornal do Fundão. No dia 14 de Abril numa Adega na Zona Histórica do Cardeal Jorge da Costa, um grupo de amigos proporcionou uma tertúlia cultural sobre o criador das Baladas.


De uma forma informal Barata Roxo deu inicio à sessão agradecendo a presença de todos os presentes que enchiam por completo o espaço daquela Adega Tradicional. Espaço que o Zeca Afonso escolheria, porque gostava de atual em coletividades populares, de pescadores e operários, em convívios fraternos, em Tabernas… Deu a palavra ao Jornalista Fernando Paulouro Neves, que referiu que a música do Zeca está perfeitamente atualizada. Se recorrermos às letras das Baladas «os Vampiros, o Menino do Bairro Negro, No Lago Breu ou Balada do Novo Dia», estão completamente atuais, neste contexto social e político. Estão outra vez na moda porque a sua mensagem musical e poética passou para as juventudes dos nossos dias. As suas canções são um património de liberdade. Teve a capacidade e a disponibilidade para entender o tempo histórico que era o dele e que está atual. A sua obra é soberba de carater e com grande carga de compromissos. Ele cantava as liberdades e os seus poemas não precisam de datas.
A Dr.ª Maria Antonieta Garcia fez um testemunho de convivência pessoal com este trovador em Belmonte e principalmente no ensino na cidade e acompanhamento das suas atuações em muitas coletividades e grupos desportivos populares e no Centro Cultural de Setúbal, que ainda hoje existe. No ensino preocupava-se muito com os estudantes pobres e nunca se preocupava com os honorários das suas atuações, não vivia para o dinheiro.
Também falou sobre as suas músicas, que nos inventava os filhos da madrugada, abrindo portas de liberdade, sofreu com as notícias de soldadinhos que não voltavam, de meninas de olhos tristes, de exílios, de prisões, de fome…. Ajudou os presos políticos e chegou a ter casa em Monsanto para se fosse necessário se refugiar e passar mais facilmente para Espanha. A viagem da vida parou cedo e «já não volto à Beira».
António Alves Fernandes, leu um texto escrito pelo seu irmão Ezequiel Alves Fernandes, que em 1969, na Turma do 2º R do Ciclo Preparatório da Escola das Areias em Setúbal foi aluno do Professor de História Dr. José Afonso. Dizia aos alunos de uma Turma problemática, com muitos repetentes, com idades dos doze aos dezassete anos, alunos de bairro de lata, subnutridos, que «a História que vou ensinar é contada pelos Homens do Mar, sentida nos Lugares e vivida pelos Povos, que fazem a História».
Se este não fosse um País de labregos, com colossal desonestidade, que medram em asfixia mediocridade de cariz inquisitorial, provavelmente o País respirava a Obra Humana, Intelectual, Musical e Poética de Zeca Afonso.
Nesta ação cultural foram declamados poemas e cantadas baladas de Zeca Afonso. Um grupo musical do Fundão composto pelos dois irmãos Freires, por Adelino e a sua jovem filha, fecharam com chave de ouro esta tertúlia de um punhado de amigos.
Á meia-noite os presentes unidos, cantaram a senha, o hino que tem o nome de «Grândola, Vila Morena».
Em cada rosto respirava felicidade, fraternidade e igualdade…
Parabéns a este punhado de cidadãos que tiveram memória, que recordaram o Trovador do Povo.
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes

JOAQUIM SAPINHO

DESTE LADO DA RESSURREIÇÃO
Em exibição nos cinemas UCI

Deste Lado da Ressurreição - Joaquim Sapinho - 2012 Clique para ampliar

Indique o seu endereço de email para subscrever este blog e receber notificações de novos posts por email.

Junte-se a 836 outros seguidores

PUBLICIDADE

CARACOL REAL
Produtos Alimentares


Caracol Real - Produtos Alimentares - Cerdeira - Sabugal - Portugal Clique para visitar a Caracol Real


PUBLICIDADE

DOISPONTOCINCO
Vinhos de Belmonte


doispontocinco - vinhos de belmonte Clique para visitar Vinhos de Belmonte


CAPEIA ARRAIANA

PRÉMIO LITERÁRIO 2011
Blogue Capeia Arraiana
Agrupamento Escolas Sabugal

Prémio Literário Capeia Arraiana / Agrupamento Escolas Sabugal - 2011 Clique para ampliar

BIG MAT SABUGAL

BigMat - Sabugal

ELECTROCÔA

Electrocôa - Sabugal

TALHO MINIPREÇO

Talho Minipreço - Sabugal



FACEBOOK – CAPEIA ARRAIANA

Blogue Capeia Arraiana no Facebook Clique para ver a página

Já estamos no Facebook


31 Maio 2011: 5000 Amigos.


ASSOCIAÇÃO FUTEBOL GUARDA

ASSOCIAÇÃO FUTEBOL GUARDA

ESCOLHAS CAPEIA ARRAIANA

Livros em Destaque - Escolha Capeia Arraiana
Memórias do Rock Português - 2.º Volume - João Aristides Duarte

Autor: João Aristides Duarte
Edição: Autor
Venda: Casa do Castelo (Sabugal)
e: akapunkrural@gmail.com
Apoio: Capeia Arraiana



Guia Turístico Aldeias Históricas de Portugal

Autor: Susana Falhas
Edição: Olho de Turista
Venda: Casa do Castelo (Sabugal)



Música em Destaque - Escolha Capeia Arraiana
Cicatrizando

Autor: Américo Rodrigues
Capa: Cicatrizando
Tema: Acção Poética e Sonora
Venda: Casa do Castelo (Sabugal)



SABUGAL – BARES

BRAVO'S BAR
Tó de Ruivós

Bravo's Bar - Sabugal - Tó de Ruivós

LA CABAÑA
Bino de Alfaiates

La Cabaña - Alfaiates - Sabugal


AGÊNCIA VIAGENS ON-LINE

CERCAL – MILFONTES



FPCG – ACTIVIDADES

FEDERAÇÃO PORTUGUESA
CONFRARIAS GASTRONÓMICAS


FPCG-Federação Portuguesa Confrarias Gastronómicas - Destaques
FPCG-Federação Portuguesa Confrarias Gastronómicas Clique para visitar

SABUGAL

CONFRARIA DO BUCHO RAIANO
II Capítulo
e Cerimónia de Entronização
5 de Março de 2011


Confraria do Bucho Raiano  Sabugal Clique aqui
para ler os artigos relacionados

Contacto
confrariabuchoraiano@gmail.com


VILA NOVA DE POIARES

CONFRARIA DA CHANFANA

Confraria da Chanfana - Vila Nova de Poiares Clique para visitar



OLIVEIRA DO HOSPITAL

CONFRARIA DO QUEIJO
SERRA DA ESTRELA


Confraria do Queijo Serra da Estrela - Oliveira do Hospital - Coimbra Clique para visitar



CÃO RAÇA SERRA DA ESTRELA

APCSE
Associação Cão Serra da Estrela

Clique para visitar a página oficial


SORTELHA
Confraria Cão Serra da Estrela

Confraria do Cão da Serra da Estrela - Sortelha - Guarda Clique para ampliar



SABUGAL

CASA DO CASTELO
Largo do Castelo do Sabugal


Casa do Castelo


CALENDÁRIO

Arquivos

CATEGORIAS

VISITANTES ON-LINE

Hits - Estatísticas

  • 3.139.226 páginas lidas

PAGERANK – CAPEIA ARRAIANA

BLOGOSFERA

CALENDÁRIO CAPEIAS 2012

BLOGUES – BANDAS MÚSICA

SOC. FILARM. BENDADENSE
Bendada - Sabugal

BANDA FILARM. CASEGUENSE
Casegas - Covilhã


BLOGUES – DESPORTO

SPORTING CLUBE SABUGAL
Presidente: Carlos Janela

CICLISMO SERRA ESTRELA
Sérgio Gomes

KARATE GUARDA
Rui Jerónimo

BLOGUES RECOMENDADOS

A DONA DE CASA PERFEITA
Mónica Duarte

31 DA ARMADA
Rodrigo Moita de Deus

A PÁGINA DO ZÉ DA GUARDA
Crespo de Carvalho

ALVEITE GRANDE
Luís Ferreira

ARRASTÃO
Daniel Oliveira

CAFÉ PORTUGAL
Rui Dias José

CICLISMO SERRA ESTRELA
Sérgio Paulo Gomes

FANFARRA SACABUXA
Castanheira (Guarda)

GENTES DE BELMONTE
Investigador J.P.

CAFÉ MONDEGO
Américo Rodrigues

CCSR BAIRRO DA LUZ
Alexandre Pires

CORREIO DA GUARDA
Hélder Sequeira

CRÓNICAS DO ROCHEDO
Carlos Barbosa de Oliveira

GUARDA NOCTURNA
António Godinho Gil

JOGO DE SOMBRAS
Rui Isidro

MARMELEIRO
Francisco Barbeira

NA ROTA DAS PEDRAS
Célio Rolinho

O EGITANIENSE
Manuel Ramos (vários)

PADRE CÉSAR CRUZ
Religião Raiana

PEDRO AFONSO
Fotografia

PENAMACOR... SEMPRE!
Júlio Romão Machado

POR TERRAS DE RIBACÔA
Paulo Damasceno

PORTUGAL E OS JUDEUS
Jorge Martins

PORTUGAL NOTÁVEL
Carlos Castela

REGIONALIZAÇÃO
António Felizes/Afonso Miguel

ROCK EM PORTUGAL
Aristides Duarte

SOBRE O RISCO
Manuel Poppe

TMG
Teatro Municipal da Guarda

TUTATUX
Joaquim Tomé (fotografia)

ROTA DO CONTRABANDO
Vale da Mula


ENCONTRO DE BLOGUES NA BEIRA

ALDEIA DA MINHA VIDA
Susana Falhas

ALDEIA DE CABEÇA - SEIA
José Pinto

CARVALHAL DO SAPO
Acácio Moreira

CORTECEGA
Eugénia Santa Cruz

DOUROFOTOS
Fernando Peneiras

O ESPAÇO DO PINHAS
Nuno Pinheiro

OCEANO DE PALAVRAS
Luís Silva

PASSADO DE PEDRA
Graça Ferreira



FACEBOOK – BLOGUES

Anúncios