Jesus Cristo, ao denominar-se «EU SOU O BOM PASTOR», encontrou umas das melhores definições para os seus conterrâneos, que conheciam bem os ambientes rurais e pastoris.

Quem já visitou as Catacumbas de Roma, lá encontra um ícone do Bom Pastor. Esta imagem transfere-nos para a missão sacerdotal.
O Papa Bento XVI insiste no celibato e recusa a ordenação de mulheres. Entendo que terão de se dar passos para inverter esta situação, porque até ao Concílio de Trento os Padres eram casados. São Pedro, um dos primeiros Apóstolos e o primeiro Papa, tinha família, era casado. Um dos milagres que Jesus Cristo realizou foi a cura da sua sogra. Quanto à ordenação de mulheres, parecem verificar-se razões impeditivas teológicas, mas numa sociedade moderna, em que a mulher desempenha todas as profissões (a minha mulher foi durante muitos anos diretora de um Estabelecimento Prisional), tem que se acabar com esta discriminação. Conheço mulheres a desempenhar funções de chefia e direção muito mais competentes que muitos homens. Acredito plenamente que a MULHER ainda terá o seu lugar no presbitério da Igreja, próprio, equilibrado, sensato, persistente, com a missão do grande amor de MÃE.
A Igreja Católica Portuguesa tem três mil e trezentos padres nos diversos serviços paroquiais e outros. No ano passado morreram cento e doze padres e só foram ordenados trinta e um, portanto um quarto dos que faleceram. Um terço tem mais de setenta anos e a idade média dos padres portugueses é de sessenta anos. Um presbitério envelhecido e gasto.
O Papa manda algumas farpas dizendo que não anunciamos teorias, nem opiniões privadas, mas a Fé da Igreja da qual somos servidores. E se não chegarem ou acabarem os servidores?
Alguns bispos dão alguns recados, assim o Cardeal Patriarca afirma que há a tentação de apresentar perspectivas e visões pessoais em vez de proclamar a Fé da Igreja.
O Bispo de Braga aponta as sete maravilhas da Igreja: a fé, a pobreza, o celibato, a alegria, a oração, a obediência e a unidade. Será que é isto que vemos no nosso presbiterado?
O Bispo de Leiria e Fátima diz que o sacerdócio é um sacramento social e apela a todos os sacerdotes para abandonarem as sacristias e irem ao encontro do mundo, optando por uma Nova Evangelização, que contrarie o eclipse de Deus e que atinja a sociedade. Concordo plenamente com esta mensagem. Quem dará passos em frente?
D. Clemente, Bispo do Porto, lembra que os pobres esperam respostas da Igreja e faz duras críticas à legislação, principalmente no sector da família e da procriação. Nos últimos anos com a lei do aborto foram feitos sessenta mil em Portuga, não se sabendo dos clandestinos.
O Bispo da Guarda, apelou aos sacerdotes para ajudarem os outros a escutarem o apelo de Jesus às vocações sacerdotais, o grande sofrimento da Igreja de hoje. Pediu-lhes para serem homens de acolhimento, o rosto acolhedor de Jesus Cristo, voltado para todas as pessoas sem exceção, o nosso ministério tem de promover a proximidade. Será que todos ouviram esta mensagem?
Na Páscoa, o Domingo do Bom Pastor, Pedem-nos para rezarmos a Deus, para que esse Dia Mundial das Vocações dê à Sua Igreja muitas e santas vocações sacerdotais e religiosas. A este propósito lembrei-me de uma situação de queixumes e lamúrias da parte de voluntários e voluntárias da pastoral prisional. Num encontro em Fátima lamentavam a falta de assistentes religiosos. O responsável Padre Dâmaso Lamber inquiriu todos os presentes e ninguém mandou o seu ou os seus filhos para o Seminário… e não estavam interessados para os mandarem frequentar no futuro.
Sei que no Distrito de Castelo Branco temos um Diácono, a desempenhar e bem essas funções, no sistema prisional.
Com os Seminários vazios ou quase vazios, há que encontrar alternativas. Já Camões avisava que todo o mundo é feito de mudança e mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.
Os Bispos reuniram-se no Concílio de Trento e entenderam que deviam ter padres mais cultos e então criaram os Seminários para a sua formação. Sei por experiência própria a ação importante que tiveram na sociedade portuguesa. E hoje? Ainda se justificam? Porque é que os leigos não desempenham tantas missões no ministério da Igreja? Não seria importante concretizarem-se esforços para dar continuidade ao Concílio Vaticano II, que este ano comemoramos o seu cinquentenário?
Este tema dava para escrever um livro. Este texto é uma simples reflexão sobre o significado de um Bom Pastor. No meu modesto entender deve ser UM COMPANHEIRO DOS HOMENS NA FÉ.
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes

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