Afonso X, o sábio deixou expresso que cada homem tem a sua medida, enquanto os filósofos assentam toda a relatividade no princípio HOMO MENSURA.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaEstabelece-se, por esta dupla constatação a também dupla condição do homem que mede e é medido, e que passará a tripla se se considerar que o homem é também autor de medidas.
O contraditório poeta, autor das Cantigas de Santa Maria e de muitas trovas de escárnio e mal dizer deixou bem expresso que uma boa medida para a Alemanha e a Lombardia poderia ser desastrosa para a Espanha e a Hungria.
Bem poderia o régio vate acrescentar por enumeração todas as demais partes do Mundo – não mundo porque imundo – se ele, soberano das Espamhas considerasse que havia mundo para lá das fronteiras marcadas na Marca de Carlos Magno.
Todas estas considerações e lucubrações me vêm a memória face às determinações com que os galeguitos da Troika todos os dias nos traçam caminhos.
Com um metro, que é o deles – e não o nosso.
Com uma direcção e um sentido que eles, à nossa revelia, traçaram e retrassaram, ou seja marcaram e cortaram.
Ainda que o seu propósito fosse ajudar-nos e não explorar-nos, as medidas, por serem, de estrangeiros e estrangeirados, teriam inelutavelmente de falhar,
Uma boa medida para os frios escandinavos, os teutónicos alemães, os ajudendados neerlandeses ou os ponderados súbditos de Sua Magestade Britânica certamente que se revelará desadequada para o nosso temperamento de meridionais.
Ainda que a medida emanasse de entidade a actuar de boa-fé e tivesse como propósito a a nossa salvação.
E se mesmo assim enquadrada falharia, o que será se examinada à luz de financiadoras que nos cobram juros marcadamente onzenários e nos deixarão quando não haja mais nada para rapar.
«Caso da Semana», opinião de Manuel Leal Freire

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