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A primeira Capeia Arraiana no Campo Pequeno realizou-se em 4 de Junho de 1978, dia em que os sabugalenses acorreram a Lisboa, enchendo a catedral da tauromaquia nacional para assistirem a um espectáculo popular desconhecido no país.

A ideia de trazer a Capeia Arraiana até Lisboa foi do Francisco Engrácia, de Vila Boa, que a custo convenceu a direcção da Casa do Concelho da exequibilidade da iniciativa. Uma comissão por si coordenada pôs mãos à obra, assumindo a responsabilidade pela organização e aceitando cobrir os prejuízos, se os houvesse, e assumindo que os lucros, se surgissem, reverteriam a favor dos Bombeiros Voluntários do Sabugal, na altura a única corporação do concelho.
«Capeia Arraiana» foi a designação escolhida pelos organizadores para o espectáculo, expressamente justificado: «O nome CAPEIA que demos à tourada no Campo Pequeno resultou de assim serem chamadas as touradas características das aldeias fronteiriças do nosso concelho. O termo caracteriza uma tourada em praça improvisada. Não foi concretamente o caso, mas o facto de termos trazido o FORCÃO conjuntamente com a realização do chamado PASSEIO DOS RAPAZES foi o bastante para que o termo se afigurasse ajustado. Capeia é também em Espanha a tourada realizada nos mesmos moldes que a CAPEIA ARRAIANA.» (jornal Sabugal, nº3, Julho/Agosto de 1978).
A tourada do forcão acresceu ao convívio anual que juntava os sabugalenses residentes em Lisboa e que se vinha realizando desde 1974: «o piquenique». O convívio aconteceu nesse ano de 1978 em 3 de Junho (dia imediatamente anterior ao da Capeia), no Parque do Seminário dos Olivais. Depois do convívio, os sabugalenses dirigiram-se para a sede da Casa do Concelho, onde assistiram a uma sessão de fados que se prolongou pela noite dentro.
Na manhã seguinte, domingo, realizou-se um jogo de futebol, opondo a equipa da Casa do Sabugal à da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro, que os raianos ganharam por um expressivo sete a zero. Seguiu-se um almoço da sede da associação, que juntou os jovens futebolistas de ambas as equipas a uma delegação dos Bombeiros do Sabugal e aos elementos da direcção da Casa, estando também presente o presidente da Câmara Municipal do Sabugal, o Dr Lopes.
Findo o almoço chegou a hora de ir para a Capeia, no Campo Pequeno, e o percurso fez-se a pé, num vistoso e muito participado cortejo, que partiu da Praça do Areeiro e seguiu pela Avenida João XXI até ao Campo Pequeno.
A tourada com forcão aconteceu sem incidentes e encantou os que encheram a praça. A alegria e o convívio foram vencedores e, no final, feitas as contas, verificou-se um saldo positivo, sendo desde logo lançada a ideia de que no ano seguinte se realizaria nova capeia.
plb

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A panela de ferro é a rainha da cozinha nos anos 50. Mas há ao lado os amigos dela: o tacho, a sertã, a caldeira – tudo arrumado ao lume, pendurado nas cadeias ou colocado em cima das trempes. Eis o cenário marcante de uma casa, onde a cozinha era a zona principal.

José Carlos MendesEsta é uma crónica sobre o trabalho escravo das mulheres de então. (E de hoje, em certa medida, porque muito se mantém ainda). Trata-se de uma época de cores fortes, pelo que uso aqui a panela, o tacho e as trempes como meio de atracção de leitura: foi para o enganar a si, leitor, agarrá-lo pelo lado da curiosidade e levá-lo a ler uma coisa bem mais profunda do que umas linhas folclóricas sobre tachos e panelas…
Cabe aqui dizer que nos anos seguintes, na década de 60, chegou a emigração e com ela mais dinheiro nos bolsos de muitos. Mas se é verdade que o dinheiro aliviou um pouco a miséria, é bom que se saiba que isso não aliviou as mulheres dos seus trabalhos. Pelo contrário: muitas ficaram sozinhas com os filhos e a vida toda: os animais e os campos para tratarem…

Cozinha, panela, tacho e trempes
A cozinha e o trabalho em casa ocupam a maior parte do tempo da mulher. Imaginem o cenário. Uma cozinha aberta, paredes e equipamentos na base do escuro de origem ou do preto adquirido pela queima de tanta lenha. Por cima, o caniço (fumeiro). À frente de todos, o lume. Do centro do lume sobem as cadeias, um entrelaçado de ferro em que se penduram os caldeiros com a comida para o «vivo» (os animais). Em volta do lume, as panelas: nelas se cozem as batatas, os feijões ou o caldo de couves. Umas trempes redondas (não triangulares como as da foto, retirada da net) servem para colocar em cima os tachos ou a caldeirinha de cobre ou de zinco em que se fritam as filhós ou se faz o arroz doce em épocas de festa. Aqui e ali, a sertã (frigideira) vai também ao lume para fritar um ovo e umas batatas, ou mesmo para fazer aquele inesquecível prato das «batatas arranjadas» (o que hoje chamamos «roupa velha»: aproveitamento de restos para os cozinhar em estilo de semi-frito, com azeite e alho).
A chouriça, a bucheira, a morcela ou o farinheiro, as costeletas, a carne gorda ou entremeada – esses alimentos raros, se os havia, eram grelhados numa grelha grande.
Este é o mundo da mulher do Casteleiro nos anos 50/60 do século passado.
Panelas e tachos são instrumentos da mulher. A cozinha é o reino da mulher.
Mas também o seu local de combate, de trabalho e dedicação até mais não: acende o lume, faz a comida, põe a mesa, serve a comida, recolhe a loiça, lava a loiça, arruma tudo, limpa tudo, vai ao campo, faz o que tem a fazer, volta a casa, acende o lume, faz a comida…

«Trabalho de mulher»
Uma nota cultural final: uma ideia que vem do fundo dos tempos. A propósito de tachos, panelas e caldeirinhas: já ouviu dizer que «isso é trabalho de mulher»? Em tom de menosprezo, claro. A má formação aliada à ignorância faz estas coisas no nosso cérebro. Foram milénios culturais que é preciso domar…
O que era então esse tal desprezível «trabalho de mulher»?
Era de tudo: a comida, a horta, os animais para alimentação e venda (porcos, galinhas, coelhos), cozer o pão e preparar todo esse processo… e muito, mas muito trabalho no campo. Nos tempos livres (?) ainda havia que tratar dos gaiatos, das roupitas deles, fazer camisolas de lã e coisas do género.
E faziam tudo.
Mulheres-heroínas, é o que é.
As refeições do dia estavam por sua conta. Eram muitas, nas casas de trabalho: almoço – às seis ou sete da manhã; na época das grandes fainas, nas casas que as tinham, o c’ravelo (penso que se deve dizer caravelo) – às dez horas; jantar – ao meio-dia, mais ou menos; merenda – pelas quatro ou quatro e meia; ceia – às nove no Verão e às sete e meia ou oito no Inverno.
Isso, ocupava muitas horas. Mas havia mais trabalho em casa: limpar, varrer, roçar.
E, quantas vezes, fazer a roupa de todos? E lavar a roupa? Dias inteiros na ribeira, fizesse calor ou nevasse? E passar a ferro aquilo tudo?
Nos «intervalos», campo. Na vinda, animais de casa: porcos, coelhos, galinhas e o resto.

Se o leitor tiver interesse em saber como é que eu penso que as nossas mães ocupavam o seu tempo nos anos 50, pode abrir aqui uma crónica que escrevi há quase seis anos e que ainda hoje me impressiona.
No Casteleiro, e se calhar no resto do País, as mulheres, as nossas mães, eram verdadeiras escravas: ele era em casa a tratar da família, desde o comer à roupa e à limpeza; ele era ali junto de casa a tratar do «vivo»; ele era no campo a tratar das hortas, e a regar, e a arrancar batatas, as cebolas, as couves e a mondar aqueles terrenos todos e… e…
Mas não se pode esquecer que os homens também davam no duro por aqueles campos fora.
Eram mas é vidas do catano, pá («catano», na minha terra, não é asneira: só brejeirice da boa).
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

JOAQUIM SAPINHO

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