O ser humano não passa só pela História, cria-a, sendo assim, o único que existe é a História concreta feita pelo homem. Está condenada a ser como ele, conflitos, contradições e lei do mais forte. A História também tem essa grande particularidade, segue sempre o seu caminho para diante, mas não deixa para trás o passado.

António EmidioNo final da II Guerra Mundial as democracias ocidentais, principalmente os Estados Unidos, apoiaram os regimes anticomunistas, que na prática estavam tão privados de liberdade como os regimes comunistas. Assim se salvou Salazar e o seu Estado Novo, assim empobreceu o País, em todos os aspectos. Vejamos o que os políticos americanos nos finais dos anos cinquenta, princípios de sessenta do século passado pensavam e diziam de Salazar e do Estado Novo: Eisenhower «ditaduras deste tipo são por vezes necessárias em países cujas instituições políticas não são tão avançadas como as nossas». O embaixador dos Estados Unidos em Portugal afirmava: «muitos países latinos vivem melhor sob ditaduras benignas». A isto se chama querido leitor(a) «Realpolitik», baseada no egoísmo nacional e não na igualdade de direitos e solidariedade.
Passados quase setenta anos, Portugal está a ser novamente vítima dessa velha «Realpolitik», mas desta vez é vítima da Alemanha. A Alemanha sonha com novos tempos de esplendor, com grandes voos da Águia Imperial. Revelador disto são as palavras do ministro das finanças alemão numa conferência em Berlim «depois do desastre nazi o novo poder alemão na Europa, através da União, criou a segunda oportunidade histórica da Alemanha».
O que é que a Alemanha quer de nós portugueses? Que nos mantenhamos um país devedor para com ela, para com os seus bancos, e compremos os produtos que ela exporta, quer fazer de nós uma espécie de México em relação aos Estados Unidos, não nos quer portanto muito desenvolvidos economicamente, prefere ter-nos como uma espécie de colónia ou protectorado. Mas se por acaso não conseguir efectivar esta política, vai expulsar-nos do Euro. A Alemanha quer a desaparição da Zona Euro, tal como está concebida. Ainda quando o Euro estava em estudo, por volta dos anos noventa, havia sectores de opinião dentro da Alemanha que não eram partidários de incluir os países mediterrânicos (entre eles Portugal) até que as suas economias fossem estáveis, disciplinadas e austeras. Nessa altura cedeu, mas agora é muito bem capaz de se empenhar para que os «indisciplinados» abandonem a zona Euro. Ela é assim que quer, mas as coisas estão a querer mudar… Temos o mesmo tratamento no campo económico, igual àquele que tivemos pós II Guerra Mundial no campo político, querer fazer de Portugal um País subdesenvolvido.
Não só ela, Alemanha, nos retirou a soberania, esse grande banco de investimento, um dos maiores a nível mundial, Goldman Sachs, tem em todos os governos europeus um homem da sua confiança, em Portugal é António Borges, funciona como conselheiro financeiro e é o homem das privatizações, escolhido para estes cargos pelo actual governo. Este homem foi Vice-Presidente do PSD, e também Director do Departamento Europeu do FMI. Eu, chamo a este homem o «Governador» de Portugal, ou seja, é ele que representa a «potência colonizadora» no nosso País, os mercados.
O FMI é um clube de credores, onde meia dúzia de instituições financeiras dominam a economia mundial, mas á frente destas instituições está o banco Goldman Sachs, tentam manter os países endividados para lhes irem roubando as suas riquezas através do pagamento de juros e de privatizações de empresas públicas que passam para as mãos das multinacionais que gravitam à volta do FMI, não é por acaso que António Borges é o homem das privatizações… Considero tudo isto, e todos estes homens que aceitam este estado de coisas, desde António Borges, até ao actual governo português, a versão mais ultrajante da Social-Democracia.
Talvez os governantes portugueses não saibam, mas a primeira condição para que um povo seja respeitado fora das suas fronteiras, é que os seus governantes o respeitem e sirvam. Isto é que é interesse nacional, isto é que é democracia. A nós portugueses não nos respeitam, porque os primeiros a não nos respeitarem são os nossos governantes, aqueles que nós elegemos nas urnas.

Atrás de tempo, tempo vem, as eleições em França e na Grécia já nos enviaram uma mensagem, uma mensagem de Revolução Pacifica que demonstra que a Europa não pode sobreviver só com austeridade, cortes e recortes monstruosos.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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