Comemoram-se este ano os cinquenta anos da fundação do Agrupamento 160 do CNE na cidade albicastrense. As suas origens remontam aos anos 1957/58, em que D. Agostinho de Moura quis que o Escutismo fosse uma realidade em Castelo Branco.

A semente foi o Clan S. Miguel, a funcionar no Seminário Maior de Portalegre, de que faziam parte três jovens seminaristas José Dias da Costa, Luís Moreira Armando e João Ribeiro. Assim, Acácio da Silva Meira Rosado, Arnaldo Vieira, Maria Teresa Cardoso Salema, Mila Rosado, Joaquim de Sousa Castanheira, Padre João de Deus e Maria Graciete Santos Quintas, lançaram 1962 mãos à obra escutista e fundaram o escutismo em Castelo Branco, oficializado nos Serviços Centrais na O. S. nº 222, funcionando como sede no Arco do Bispo na sede da J.OC., e mais tarde na Rua Ruivo Godinho. Mais tarde passou para o edifício onde hoje funciona o Conservatório Regional de Música. Estava criada esta grande escola da vida com os valores do Escutismo e da Igreja para a juventude albicastrense.
No dia 14 de Abril na Biblioteca Municipal decorreu uma sessão comemorativa desta efeméride com dois momentos importantes: a inauguração no átrio da mesma de uma exposição sob o lema «AO ENCONTRO DA HISTÓRIA… RUMO AO CENTENÁRIO», e uma palestra do Chefe João Aramando, Membro do Comité Mundial do Escutismo, sobre o «ESCUTISMO SÉCULO XXI», tendo como moderador o Dr. José Pires, também escuteiro do Agrupamento de Castelo Branco.
Com o auditório da Biblioteca repleta de escuteiros, familiares e amigos, abriu a sessão o Chefe do Agrupamento José dos Santos Mendes que saudou todos os presentes, prestou homenagem aos dirigentes e escuteiros da atualidade, os que passaram por esta instituição, sem esquecer aqueles que já estão no eterno acampamento. Esta Escola de valores que é o escutismo merece que a cidade de Castelo Branco tem de apoiar, para bem da sua juventude.
O conferencista o dirigente João Armando pretendeu partilhar reflexões, para passar um pouco para os desafios do Escutismo no Século XXI. Já somos Escuteiros deste século. Lança algumas perguntas. Como éramos há vinte anos atrás? O Escutismo esteve sempre ligado à sociedade. É perigoso falar sobre o Escutismo neste século. O mundo mudou…e muito. Aqui aponto as mudanças:
Acesso à informação – o maior desafio que nos é apresentado é selecionar a informação. Temos de ajudar os mais novos a escolher a qualidade da informação. Hoje o acesso é imediato. Deve fazer-nos pensar.
Novas formas de comunicação – Hoje estamos ligados a todos. Hoje não estamos a falar sozinhos.Com os SMS, mails, telemóveis. Estamos em rede.
Novas formas de relacionamento – Não estamos sozinhos. Hoje temos muitos “ amigos” e partilhamos com eles muitas coisas.
Acesso aos recursos – Parece um paradoxo com a crise com que vivemos, mas sabemos a oportunidade de recursos que existem e se aproveitam.
Crescente mobilidade – Sabemos a deslocação que se verifica com as pessoas pelos mais diversos motivos. Vejam o que é isto em termos escutistas. Antes estávamos fechados e não passávamos de Badajoz. E hoje? Vejam os fluxos migratórios no nosso País, na Europa, no Mundo.
Sociedades multiculturais – hoje no nosso ensino há nas turmas alunos de várias nacionalidades. O Escutismo tem de repensar o seu oferecimento. Esta “ mistura “ podem trazer grandes benefícios para a Escola Escutista.
Mudanças demográficas – no Ocidente cada vez mais envelhecido. Em África, Ásia nascem mais pessoas. Portugal é o segundo país do mundo com menos natalidade. Não vamos ter crianças e dirigentes «velhos», na idade.
Novas formas de trabalho e organização – no século passado víamos a divisão de trabalho as hierarquias chefias. Hoje, as normas são diferentes com as novas tecnologias. Estão em mudança as relações laborais.
No CNE. Estamos habituados a uma organização com fluxos verticais de pedir ao outro. Algo terá de ser mudado. Ginasticar com novas formas de pensar e de nos organizarmos uns com os outros.
Oportunidades internacionais – todos conhecem os esquemas de voluntariado, Erasmus, oferta e troca de vivências esporádicas de turismo.
Globalização – cada vez mais estamos ligados aos sectores políticos, económicos, sociais e ambientais e naturais.
O mundo amanhã como será? Como será daqui a cinquenta anos? Como estará o Escutismo posicionado?
O futuro do escutismo passa por:
Valorizar experiências com significado.
Consciência coletiva de um mundo melhor – fazer parte da grande família, cuidarmos do local onde habitamos, a boa ação, seguida por outras ações.
Organização – que as pessoas se sintam bem no seu processo de desenvolvimento.
Tribos – em mantas de retalhos, no encontro do bem comum. Organização em grupos e na defesa dos seus interesses. Saber «cozer» esses retalhos.
A missão e o peso – das mulheres que vão aumentar o seu número na sociedade, e no escutismo são em maior número que os homens. É interessante e importante pensar neste facto para olhar para o futuro.
Que escutismo amanhã? – Apresento um caleidoscópio que passa por reforçar os propósitos educativos, centrar a atenção pedagógica a nível local, responder às exigências da própria multiculturalidade, equilíbrio entre a tradição e renovação, sentido vivencial da pedagogia escutista, reforçar realidades extra escutistas e diversificar a presença dos adultos.
Os sinais do futuro estão na missão educativa, ambiente de aprendizagem, experiência intensa (hard skills et softskills), espaço de liberdade e aventura, um ponto de encontro de amigos, mais global, mais internacional, mais urbano, adaptação aos diferentes «tubos» de digital, mais colaborativo e aberto e uma organização mais «plana», isto é o retorno do perfil do movimento, menos burocracias, nível local ao mundial, uso a fundo das tecnologias na comunicação, formação, entrada na era
Seguiu-se um debate vivo, com perguntas por parte dos jovens escuteiros e as respostas do conferencista sobre esta temática.
Era final de tarde quando abandonei as instalações da Biblioteca Municipal de Castelo Branco, sentindo-me muito feliz por ali ter estado. Dei o último olhar pela enriquecedora e histórica exposição, que aconselho uma visita. Vieram-me à memória tantos momentos felizes vividos, quando admirei as fotografias dos meus dois filhos quando no espaço da Senhora de Mercules,
Fizeram as suas Promessas de Lobitos, dos acampamentos, dos convívios, da amizade dos dirigentes como o Chefe Arnaldo, Félix, Mendes, Armindo, Fátima (Fatuxa), e a Chefe Etelvira, e tantos outros, que com os seus ensinamentos escutistas, os meus filhos aprenderam valores cívicos, de amor à natureza que nunca mais esqueceram. Nesta hora vai a minha gratidão para estes homens e mulheres que gratuitamente colaboraram e colaboram na formação global dos jovens albicastrenses e lhes apontavam e indicam caminhos de fé, de solidariedade, de verdade, de justiça e de amor à natureza.
PARABÉNS AO AGRUPAMENTO 160 DO CNE DE CASTELO BRANCO.
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes

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