Os tempos que vivemos mudam rapidamente, e tão rapidamente, que se torna difícil registar as mudanças que vão surgindo pelo mundo. Mas antes das mudanças, algumas referências que me parecem importantes. O mês de Maio comemora datas importantes e que merecem ser referenciadas.

O 1º de Maio, dia do trabalhador. A comemoração deste dia é uma conquista alcançada pelos trabalhadores e pelos sindicatos. Representa, precisamente, a conquista de direitos e garantias no trabalho. Li, por essa altura, aqui no blogue, um comentário a um artigo, em que falava no fim do 1º de Maio, pois já não há trabalhadores. A ideia faz sentido. O governo devia acabar com o feriado do 1º de Maio. Razões? Ao ritmo a que o governo empobrece o país e o número galopante de desempregados, rapidamente não haverá trabalhadores. Portanto, faz sentido acabar com o 1º de Maio como feriado. Resposta do primeiro-ministro: habituem-se!
A três de Maio, comemora-se o dia da Liberdade de Expressão. Quase nem nos damos conta da importância do uso e do usufruto desta liberdade. Habituámo-nos a dizer, a expressar livremente o pensamento e nem pensamos que esta é uma das mais significativas conquistas de Abril. Pilar de uma sociedade autónoma e livre.
8 de Maio, dia da Vitória. Comemora-se a vitória dos Aliados sobre a Alemanha Nazi.
9 de Maio, dia da Europa. È urgente pensar ou repensar a Europa. Pois ela afasta-se cada vez mais dos cidadãos e, dessa forma, afasta-se de si mesma. Os princípios e os objectivos que levaram à sua criação estão a ser ignorados. E o colapso do projecto europeu é um fracasso civilizacional. E contra a corrente, proponho que este dia seja feriado em todos os países da União Europeia! E esta semana lá veio o senhor ministro da economia com aquele ar de quem saiu da tasca lembrar que existem estudos quanto ao benefício de acabar com os feriados. Estamos safos! Com o fim dos feriados, Portugal sai da crise num instante, se acabarmos com mais dois feriados ficamos, quase de certeza, com super havit! Mas eu também posso dizer que existem estudos que apontam para um benefício da economia com a existência de feriados. É que, quanto a estudos, volto a repetir, nunca se sabe quem os fez, quem os encomendou e onde estão.
Todavia, o que foi verdadeiramente importante esta semana, foi um estudo/relatório internacional sobre o nível da «cunha», colocando Portugal como o país onde a «cunha» é mais usada. Só que o estudo não incide sobre a sociedade em geral, mas sobre os políticos e os governantes! E estes são considerados os mais corruptos. Assim de clarinho. E quando ouço estas notícias, lá me vem à memória, o caso Face oculta, Freeport’s, Portucale’s, a licenciatura do outro, BPN’s, … só para citar alguns.
Na segunda-feira, dia 7, a TVI (passe a publicidade), mostrou uma interessante reportagem sobre a electricidade/energia. As barragens e as eólicas. Parece que foi de propósito. Pois a reportagem mostra como o estado fez, faz, negócios excelentes para as empresas e ruinosos para os contribuintes e para o país! Provou-se que não era necessário construir mais barragens. Pois as barragens existentes já estão aplicar o sistema de bombagem de água. Ou seja, a mesma água vai passar pelas turbinas as vezes que a barragem quiser. E este plano, de apetrechar as barragens com este sistema, já estava a ser implementado, quando o anterior governo anunciou com pompa o fim da foz do rio Tua e da sua linha férrea e o fim do único rio selvagem em toda a Europa, o rio Sabor. E para quê? Para encher os bolsos a uns quantos amigos. É o contribuinte e cliente da EDP que paga a electricidade produzida pelas eólicas a um preço exorbitante. E o negócio foi tão bem feito que, às eólicas, está garantido o dinheiro mesmo sem electricidade. Não há absolutamente nenhum risco. Uma maravilha!
Sobre estes roubos, literalmente, não ouvimos uma única palavra do senhor primeiro-ministro, nem do todo poderoso e soturno ministro das finanças. Nada. No entanto sabemos bem em quem batem… são uns valentões!
Agora, par o fim, quero falar-vos das mudanças. Elas começam mais lá atrás no tempo. Começam com a primeira volta das eleições presidenciais francesas e com a vitória do sr. Hollande, socialista e que, na campanha eleitoral, endureceu o discurso contra uma Europa míope quanto às pessoas e obcecada com a austeridade quanto à economia. Bastou esta pequena vitória para colocar todos os líderes europeus a dizer que sim senhor, é preciso outra atitude e outras políticas. Até a senhora Merkel mudou o discurso e até já admite, vejam, admite repensar o plano para Europa. Pois bem, o sr. Hollande ganhou as eleições presidenciais em França. Pela primeira vez na história da república francesa um presidente não foi reeleito. Creio que está tudo dito. A próxima, acreditem, é a senhora Merkel, na Alemanha, a ser corrida. É esta a grande virtude da democracia, ninguém é dono do voto do cidadão. O facto é que o discurso europeu mudou. E irá mudar muito mais. Pois a Europa está a ser conduzida por gente medíocre e para um beco sem saída.
Por cá, realizou-se esse encontro luso-espanhol. Dos discursos inócuos e repetitivos, sobra-me uma imagem: um está roto e o outro está nu.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

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