Segundo o dicionário Priberam da Língua Portuguesa, elite é uma minoria social que se considera prestigiosa, tendo algum poder e influência. São pessoas superficiais medíocres e vulgares. Mas também seria injusto da minha parte se não dissesse que as há honradas e que fazem tudo o que é humanamente possível para serem úteis.

António EmidioPós 25 de Abril de 1974, os homens do regime, do Estado Novo, aqui na então Vila do Sabugal, encetaram uma aproximação aos jovens, nova orientação política vinda da ideologia dos governos centrais, e também se aperceberam muito provavelmente de que uma página da História de Portugal acabava de ser virada. Viram então nos jovens os futuros guias políticos e, não só políticos, do País. Nunca tinha pensado que aos 21 anos de idade estaria a falar sobre o divórcio a uma mesa de café com dois homens que um ano antes me queriam levar ao Posto da Polícia, a mim e a outros jovens da mesma idade, por termos atentado contra a moral, ao fazermos um bailarico com umas raparigas numa garagem. Mas voltemos ao assunto das elites. Um dos homens do Estado Novo, numa conversa no Largo da Fonte, disse-me que viesse a Revolução que viesse, mesmo que o prendessem, não mudaria os seus ideais políticos, os do Estado Novo e do seu líder Salazar. Não aceitaria nunca o sistema de partidos, o parlamentarismo, a Democracia, o fim do Império Colonial e o comunismo. Esse homem marcou-me, não pela sua ideologia política, mas pela firmeza dos seus ideais, manteve-os até à morte.
E agora o que é o ideal da maior parte da elite, dessa minoria social que tem poder económico, político e também influência? O dinheiro, e escalar os postos mais altos da sociedade até brilhar como uma estrela no firmamento das «celebridades» políticas. E quando já brilham nesse firmamento, deslumbrados pela cegueira que a arrogância provoca, pensam que o poder é deles, esquecendo que o único e verdadeiro dono é o povo. Se as coisas não lhes correm bem, mudam facilmente de campo político e «servem» com o mesmo empenho o Partido A ou o Partido B. Renegam com uma facilidade tremenda a sua ideologia e aceitam com todo o descaramento este processo político/económico que está a levar Portugal para um subdesenvolvimento, não se importando rigorosamente nada que os trabalhadores e os empregados sejam uma mercadoria qualquer que se utiliza ou se manda para a rua segundo as conveniências de cada momento, não se importam que os seus compatriotas vivam o dia a dia com medo de perder o seu posto de trabalho ou passem a engrossar o número de desempregados e marginados sociais.
Sem uma ética pessoal não pode haver uma ética colectiva, principalmente quando os que atentam contra ela, são essas minorias selectas que um dia chegam ao poder. E, já no poder tratam mal os estratos sociais indefesos, com isto só revelam a sua baixa condição humana e ética. Quem não serve o bem de todos não merece ter o poder.

Levou-me a escrever este artigo, o comportamento ideológico de alguns homens que eu conheci como tendo valores sociais e éticos, mas que a cegueira partidária, o sectarismo o «tacho» e um certo alivio económico, fizeram deles umas pessoas insensíveis aos dramas humanos que nos trouxe esta crise. A política deles, Mundial, Europeia e portuguesa, resume-se à dicotomia Sócrates/Passos Coelho, ao ouvi-los dá a impressão que a vida político-económica da Humanidade nasceu com estes dois senhores e morrerá com eles…
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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