Maria Virgínia Antão Pêga Magro elaborou e apresentou na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, a tese de mestrado em Arqueologia, intitulada «Vilar Maior – Evolução de um castelo e povoado raiano de Riba-Côa (séc. XI a XV)».

A dissertação apresenta a antiga vila de Riba Côa, enaltecendo os vestígios arqueológicos medievais e a arquitectura castrense que a mesma guarda, focando-se ainda no desenvolvimento urbano do povoado ao longo do período compreendido entre os séculos XI e XV.
A autora estudou os testemunhos materiais e bibliográficos disponíveis, o que lhe permitiu compreender a importância de Vilar Maior no contexto da reconquista cristã, no período que antecedeu a anexação de Riba Côa ao reino de Portugal, conseguida pelo rei D. Dinis através da invasão deste território e a consequente assinatura do Tratado de Alcanizes em 1297, com o rei de Leão.
Maria Virgínia Antão Pêga Magro começa por caracterizar geográfica e historicamente o território fronteiriço de Riba Côa, onde a vila de Vilar Maior se insere, falando depois dos antecedentes da ocupação medieval, da própria época medieva, da ocupação leonesa e da invasão dionisina e do consequente tratado que tornou portuguesa aquela língua de terra.
A tese fala ainda da importância do castelo de Vilar Maior do ponto de vista militar, aborda a reforma de D. Dinis consequente à ocupação e à outorga de novo foral, assim como as reformas que se lhe seguiram, já enquanto vila acastelada da fronteira portuguesa.
Para além da caracterização património histórico, o trabalho aborda o poder das instituições sedeadas em Vilar Maior, enquanto cabeça de concelho, analisando ainda a evolução da vila ao longo do tempo.
Interessante é a firme oposição da autora à tese do ermamento (despovoamento), defendida por muitos autores em relação a Riba Côa no que toca ao período que antecedeu a reconquista cristã. Embora sendo território de disputa contínua durante um longo período, tal não significou, na opinião da autora, que tenha sido totalmente abandonada pelos povos que a habitavam.
Ao longo do trabalho a autora apresenta sobretudo um estudo arqueológico acerca da evolução de Vilar Maior e do território envolvente, centrado no período histórico em que houve uma vincada actividade militar, cujos avanços e recuos provocaram uma grande instabilidade no poder administrativo de controlo desta zona fronteiriça em permanente disputa.
O trabalho cita o blogue Capeia Arraiana, nomeadamente o texto publicado pelo nosso colaborador João Valente, acerca da Pia Baptismal de Vilar Maior.
Pode consultar aqui a tese de Maria Virgínia Antão Pêga Magro.
plb