António Guterres, ex-primeiro-ministro e presentemente Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados, disse numa entrevista que a Europa arrisca «Explosão Social».Passos Coelho, primeiro-ministro, numa reunião com gente do seu partido afirmou que vêm aí tempos de «elevado risco social». Pediu inclusive aos deputados do seu partido que estivessem atentos ao surgimento de problemas sociais nos seus distritos.

António EmidioUma das missões mais difíceis neste tipo de democracia empresarial e banqueira, que presentemente nos rege, é ser agente da autoridade. É dada ao agente uma espécie de autoridade própria de um Estado de Direito Democrático, quando dele pouco existe, obrigando a que na prática do dia a dia a maior parte dos marginais humilhe, agrida e até abata um qualquer agente de autoridade. Mas se por acaso o agente se defender da mesma maneira que for atacado é «abatido» pela comunicação social, acusando-o de falta de profissionalismo. Tema polémico, e compreende-se que assim seja, uns culpam da marginalidade os Estados e governos e outros culpam da marginalidade o próprio marginal. A minha posição? É esta: alguém que torture, humilhe e rapte com um sadismo brutal um trabalhador, de uma bomba de gasolina, ou outro qualquer, um idoso que viva em sua casa calmamente, viole uma criança, ou cometa um crime hediondo, só merece estar entre grades, não no seio de uma comunidade.
Mas este artigo foi escrito para outro cenário, o da «Explosão Social», cujo momento histórico que atravessamos é propício a que isso aconteça. Quando um país como Portugal, não muito populoso, atinge o milhão desempregados, ou até mais, quando a pobreza aumenta diariamente, quando os «privilegiados» que têm trabalho, recebem a maioria deles menos de 600 euros mensais, e muito desse trabalho é trabalho precário, quando o trabalhador tem medo de fazer greve, não seja despedido! Quando os ricos são ainda mais ricos com o dinheiro dos pobres, quando os poderosos banqueiros e financeiros se reformam com milhões de euros que todos nós pagamos, quando a corrupção e a opulência campeiam provocatoriamente de Norte a Sul do país, que fazer? Que fazer quando nos estão a tirar a nossa dignidade como seres humanos? Ajoelhar numa atitude de subserviência? Nunca! Só nos resta lutar! É nisto que os agentes de autoridade deviam pensar quando são transportados nas suas carrinhas, armados e equipados para se enfrentarem com os mais humildes, os mais explorados, os desempregados, e os reformados, numa luta desigual. Será que todos têm os pais, irmãos, esposas e namoradas com óptimos e seguros empregos bem remunerados? Deviam pensar nisto também.
Termino dizendo: maldito seja aquele que vira as armas contra o seu Povo, quando o seu povo pede pão e justiça, porque cada bastonada, ou bala, no corpo de quem pede pão e justiça, é um acto criminoso.

Também sei que há gente que vai para manifestações para se «divertir» partindo e destruindo o que pode, também sei que há agentes de autoridade infiltrados no meio da multidão, vestindo á civil, com ordens superiores para começarem a «festa» na altura que eles virem mais apropriada.

Escolhi este tema para o Primeiro de Maio que hoje se comemora, o Dia do Trabalhador. O trabalhador tem sido o bode expiatório de todos os males que afligem o País, é ele, o desempregado e o funcionário público.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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