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A Comissão de Finalistas 2012/2013 da Escola Secundária do Sabugal vai organizar a sua primeira festa, designada por «Mix Party».

O evento lúdico MIX PARTY será uma espécie de divertimento de verão, a realizar no salão da Junta de Freguesia do Sabugal e terá inicio ás 22h30 do dia 6 de Junho (quarta-feira – véspera do feriado do Corpo de Deus).
A festa contará com a animação dos DJ Dino e Dj Rick, ambos naturais do concelho do Sabugal.
Segundo a Comissão de Finalistas, estão em perspectiva grandes emoções! A grade de cerveja estará a 14 «discos»! Havendo ainda outras bebidas para matar a sede e servir-se-ão bifanas para enganar a fome.
plb

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A partir de hoje, 31 de Maio, a Assembleia Municipal do Sabugal, tem 90 dias (até 28 de Agosto) para informar a Assembleia da República sobre as freguesias que quer ver extintas (a lei diz agregadas) no concelho do Sabugal.

Se a Assembleia não tomar qualquer decisão nesta matéria, ser-lhe-á dado um novo prazo de 20 dias para se pronunciar. Se a indefinição ainda assim se mantiver, o processo passará para a unidade técnica para a reorganização administrativa do território, que será nomeada dentro de 20 dias pela Assembleia da República.
A lei orientadora da agregação de freguesias, foi ontem publicada no Diário da República, nela se definindo os objectivos, princípios e parâmetros da reorganização administrativa territorial que o executivo quer levar à prática.
A lei agora publicada estabelece que os municípios com densidade populacional superior a mil habitantes por quilómetro quadrado e com uma população igual ou superior a 40 mil habitantes terão de reduzir, no mínimo, 55% do número de freguesias urbanas ou em lugares urbanos sucessivamente contíguos e 35% do número das outras freguesias.
Por sua vez os municípios com mais de mil habitantes por quilómetro quadrado e com menos de 40 mil habitantes ou com densidade populacional entre 100 e mil habitantes por quilómetro quadrado e com 25 mil habitantes deverão reduzir metade das freguesias urbanas ou contíguas e 30% das outras freguesias.
Os municípios com 100 a mil habitantes por quilómetro quadrado e com menos de 25 mil habitantes e os que têm menos de 100 habitantes por quilómetro quadrado, vão ter de reduzir metade das respectivas freguesias urbanas ou contíguas e 25% das outras freguesias.
Lei quadro da reorganização administrativa territorial autárquica deverá ser porém apenas aprovada em Setembro.
plb

César Príncipe, ele próprio honra e lustre do nosso actual jornalismo, acaba de lançar através da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto, um livro que, embora sob a capa do imaginário, nos convoca e concita.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaOs jornalistas de hoje, e o termo é aqui usado nas suas máximas extensão e compreeensão abrangendo todos os fazedores e difusores de opinião, qualquer que seja o orgão que sirvam ou o meio em que se insiram ou a ideologia que professem, estão de tal forma condicionados que acabam todos por – ACTIVA, PASSIVA ou até REACTIVAMENTE – se tornarem seguidores do politicamente correcto.
Os poderes de facto – que raramente são aqueles que julgamos mais ou menos legitimamente constituídos, quase sempre espuriamente desde o repúdio do princípio omne potestras a deo – é que ditam o caminho que tem de seguir-se.
E sob o signo da inevitabilidade.
Carreiro ou autoestrada, segundo o ângulo de apreciação, estão ladeados por inacessíveis e indestrutíveis taludes.
E as saídas laterais, quando existam, são trancadas a ferro.
Do poder oculto das alfurjas dimanam as instruções para os governos.
E tudo o que os sábios, não os de Sião, mas os da Babilónia, proclamam tem de cumprir-se.
Até para sectores que dir-se-iam insuspeitos.
Mas dominados pelos grupos de pressão, que, acredite-se ou não, dominam tudo – OMNIPRESENTES e OMNIPOTENTES.
As provas sao indesmentíveis.
Quando Portugal se preparava para a organização do campeonato europeu de futebol, os construtores de estádios decretaram que a salvação nacional só poderia advir do monopólio do turismo futebolístico que nós asseguraríamos, cobrindo todo o território nacional duma complexa rede de equipamentos específicos.
Cidades, vilas e até algumas aldeias avançaram então, todos, convencidos como os cruzados, que corriam para os lugares santos.
Houve vozes que chamaram a atenção para a tonteria.
O ápodo menor que na circunstância receberam foi o de Velhos do Restelo.
Hoje, um outro grupo de pressão, muito mais perigoso porque nos leva à ruína total, é o que prega a missão dos empréstimos internacionais como o único meio de salvação.
A comunicação social, toda ela, passou, recebida a ordem, desta forma, a marcar-nos um único caminho.
Parece realizar-se assim, a maldição antevista por Eça, através do seu alter-ego Fradique Mendes, em carta endereçada a Bento de S.
Trascrevamos:

«A tua ideia, meu caro Bento, de fundar um jornal é mesquinha e execrável… Tu vais concorrer para que na tua terra e no teu tempo se aligeirem mais os juízos ligeiros, se exacerbe mais a vaidade e se endureça mais a intolerância…
Considera como foi a imprensa, que, com a sua maneira superficial, leviana e atabalhoada, de tudo afirmar, de tudo julgar, mais enraizou no nosso tempo o funesto hábito dos juízos ligeiros…
Para julgar o facto mais complexo, contentamo-nos com um boato, mal escutado a uma esquina num dia de vento.
E quem nos tem enraízado estes hábitos de desoladora leviandade?
O jornal.
Com que soberana facilidade declaramos – este é uma besta, aquele é um malandro.
Já para proclamar – é um génio ou é um santo – oferecemos uma resistência mais considerada.
Ainda assim, quando uma boa digestão ou a macia luz de um céu de Maio nos inclinam à benevolência, também concedemos bizarramente – e só com lançar um olhar distraído sobre o eleito – a coroa ou a auréola, e aí empurramos para a popularidade um maganão enfeitado de louros ou nimbado de raios.
E quem nos tem enraizado esses hábitos de desoladora vaidade – o jornal.»
E continuavam as queixas… Que, todavia, logo cessavam em confissões de rendição.
«Mas esta carta», aduzia Eça, «já vai longa, vai como a de Tibério, muito tremenda e verbosa – verbosa et tremenda epístola – escrevia o imperador, e eu tenho pressa de a findar para ir, ainda antes do almoço, ler os meus jornais, com delícia».
Foi este doce engano de alma, ledo e cego que os manipuladores de opinião aproveitaram, ontem, para nos convencer que a nossa salvação estava nos estádios de futebol e de que agora a felicidade vem da Troika.
«Caso da Semana», opinião de Manuel Leal Freire

O ataque despudorado ao direito dos cidadãos sabugalenses serem iguais a todos os cidadãos portugueses tem mais um capítulo: a proposta de encerramento do Tribunal do Sabugal mantém-se!

Tribunal Sabugal

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Conforme já divulgado pelo Capeia a nova proposta de organização judiciária continua a apontar para a extinção do Tribunal do Sabugal, agora transformado numa Extensão da Comarca da Guarda.
De acordo com a definição apresentada, Extensão é um local «(…) de atendimento ao público, prestado por oficiais de justiça, com acesso integral ao sistema de informação do Tribunal, isto é, a todos os processos da comarca e com competência para rececionar articulados e documentos, para prestar informações e para acompanhar testemunhas ouvidas através de videoconferência. Não têm atribuída a função jurisdicional, mas, sempre que instaladas em edifício onde anteriormente funcionou um tribunal, podem receber julgamentos ou alguma sessão de julgamento que o juiz titular do processo a correr numa instância local ou central entendesse, justificadamente, fazê-lo».
E veja-se, a justificação dada para a extinção: «A comarca do Sabugal apresenta valores reduzidos ao nível do movimento processual. No que se refere à evolução demográfica, nos últimos 10 anos (Censos 2011 Preliminares), a comarca do Sabugal apresenta uma diminuição de 15,65% da população. Tendo em atenção a situação descrita, propõe-se a extinção do Tribunal do Sabugal e a sua integração no Tribunal da Guarda que oferece condições para tal.» Nem uma palavra sobre a interioridade do Concelho, nem uma palavra sobre o direito dos sabugalenses a níveis de qualidade de vida e de acesso à Justiça, idênticos às dos restantes portugueses!
Nada, a não ser um discurso cego de quem da vida só sabe (e mal) o que leu nos livros, e para quem igualdade, cidadania, coesão social e territorial são transformados naquelas «cabecinhas loucas» em euros e em défice orçamental…
Já expressei publicamente, aqui e na Assembleia Municipal, o meu total desacordo com mais esta machadada nas condições de sobrevivência do Concelho e, sobretudo, na diminuição significativa da cidadania de cada sabugalense, posição que mantenho na íntegra.
Está na altura, no entanto, de nos deixarmos de conversas e passarmos aos atos e, por isso aqui deixo, desde já a minha total disponibilidade para, enquanto cidadão e enquanto Presidente da Assembleia Municipal (e lembro que a AM aprovou em fevereiro de 2012, sem qualquer voto contra e com 8 abstenções, uma Moção em que a Assembleia manifestava «o seu total desacordo quanto ao encerramento do Tribunal do Sabugal, solidarizando-se com o coletivo sabugalense e colocando-se desde já ao seu lado na luta que todos teremos que encetar para que tal encerramento não se verifique»), integrar todas ações que visem lutar contra a extinção do tribunal
E aqui deixo um repto aos eleitos autárquicos, a nível de Freguesia e a nível municipal para que saibam honrar o voto e a confiança que os sabugalenses lhe deram.
Aqui deixo igualmente um repto aos Partidos Políticos para que junto dos seus militantes e das estruturas regionais e nacionais iniciem um processo de mobilização popular contra mais esta medida de asfixia do interior de Portugal!
E, por último, um repto aos advogados e juristas sabugalenses, para encetarem desde já um processo legal de impugnação da decisão, seja através de uma Ação Popular, seja pela figura da Providência Cautelar.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

O piloto português Tiago Monteiro «defronta» no Autódromo Internacional do Algarve o mítico personagem de banda desenhada Michel Vaillant.

Tiago Monteiro - Michel Vaillant - Algarve

O fim-de-semana de 2 e 3 de Junho vai ser repleto de muita emoção dentro e fora da pista no Autódromo Internacional do Algarve onde se realiza mais uma jornada do WTCC – FIA World Touring Car Championship.
A prova tem uma novidade que agrada particularmente ao piloto português Tiago Monteiro. O mítico personagem de banda desenhada, Michel Vaillant vai estrear-se no WTCC este fim-de-semana pelas mãos do Chevrolet Cruze de Alain Menu. A personagem ganhou vida na década de 50 e tornou-se referência enquanto piloto de F1. Tiago teve mesmo a oportunidade de se defrontar com ele enquanto esteve no mundial de F1: «É bastante curioso e interessante. Será a segunda vez que me vou encontrar com Michel Vaillant. É uma personagem admirada por todos os pilotos e com histórias únicas. Vai ser uma corrida muito especial e diferente para o público», disse.
No Grande Prémio de Fórmula 1 da China que deu origem ao livro «China Moon», Tiago integrou a banda desenhada de Michel Vaillant: «É curioso vermos a nossa imagem enquanto pilotos ser referenciada num livro tão prestigiado como são todos aqueles que Jean Graton produz. Sinto-me honrado e será por isso um enorme prazer voltar a esta ficção em Portimão», disse.
Para além do personagem, Tiago terá ainda a oportunidade de estar com o grande inventor de um dos mais bem sucedidos livros de banda desenhada da história: Jean Graton. O autor francês vai estar em Portimão para viver de perto todas as emoções da corrida.

Na prateleira que já foi «herdada» pelo meu filho lá estão os livros do Tintim, do Astérix, do Lucky Luke e do Michel Vaillant que li, reli e voltei a ler na minha juventude.
jcl (com Rute Vieira)

O Dr. Salgueiro era o professor de Matemática. Era do tipo seminarista, daqueles que desistem no último ano, sempre com casaco e calças terylene, camisa tv com esticadores e gravata com pregador. Logo de princípio começou com um implicanço contra mim, mas com um tom positivo.

José Jorge CameiraBonzinho, não chateava muito. Não era um professor-inimigo! E porquê?
Como já escrevi, eu estava hospedado na casa da Dona Alexandrina, cuja distância da parede do Colégio era precisamente a largura da rua, uns cinco metros.
A aula de Matemática era sempre a primeira da manhã, às oito e meia. Como eu andava quase sempre na borga até às tantas, ou no petisco ou a jogar à lerpa, para mim era difícil levantar-me cedo e chegar a horas à aula. Então no Inverno, era um suplício, sabendo que o Sabugal recebe os ventos gélidos de Espanha e da Guarda.
Então chegava sempre atrasado às aulas do Dr Salgueiro.
– Então Sr. Jorge, atrasado? Que se passou?
– Ó Sôtore, moro longe, tenho de vir a pé, desculpe lá… Respondia eu, gemendo de fingimento.
Esta conversa provocava sempre uma caterva de risos, principalmente da Lena Ermidinha, que ria como se fosse uma gata a ser esganada. Que provocava risos histéricos!
Era o aluno que morava mais perto do Colégio! E o último a entrar na aula!
E o pobre (salvo seja) do Dr. Salgueiro ali sobre o estrado, com o ponteiro na mão abanando, compreensivo com os atrasos, nunca percebendo até ao fim do ano por que razão todos se riam daquele meu paleio frouxo…
Uma vez foi demais a risada: caiu um grande nevão e eu, mal saí de casa, fiquei logo com neve até aos joelhos! Cheguei atrasado, como era hábito…
Mal abri a porta da aula, o Dr Salgueiro disse:
– Ó Sr Jorge, não precisa se desculpar pelo atraso, entre lá, já sei, compreendo ter demorado tanto tempo a chegar, com este nevão…
A risada foi total e mais forte nesse dia…
Mas houve uma partida que fiz com outro colega que o Dr. Salgueiro nunca descobriu.
No ano seguinte, estava eu no 5.º ano, apresentou-se no Externato um aluno vindo de Beja! Filho de uma família abastada do Alentejo, o pai mandara-o estudar para o Sabugal acompanhado pela tia, para fugir às traquinices de uma grande(!) cidade como Beja. A fama de disciplinador do Dr. Diamantino chegava bem longe!
Só que esse aluno não era um qualquer. Tinha um Morris Cooper S à porta do apartamento onde vivia! Às vezes acelerava e o ruído do motor com dois colectores de escape roncava por toda a vila!
Um dia esse colega bejense diz-me, antes de entrar para a aula de Matemática do Dr. Salgueiro:
– Ó Zé Jorge vamos faltar à aula, tenho uma coisa melhor para fazermos.
Levou-me para junto do carro do Dr. Salgueiro, um Ford Cortina 1600 GT, quase novo, estacionado frente ao Colégio. É que o colega alentejano tinha reparado que ninguém tirava as chaves dos carros, incluindo o nosso professor – naquela pasmaceira de vila, quem é que roubava carros? Então disse:
– Vamos levar emprestado o carro do Salgueiro, vamos até Vila Boa, eu olho o relógio, cinco minutos antes de acabar a aula, pomos o carro no mesmo sítio onde ele o deixou.
Assim aconteceu… grande passeata fizemos e eu, claro, aqui com um grande aperto!
Só nós dois entendemos por que vimos da parte da tarde o Dr. Salgueiro a pedir ajuda a alunos para empurrar o carro até à bomba de gasolina! E olhando de vez em quando debaixo do carro… pensando:
– Será que tenho aqui algum furinho por onde a gasosa se foi?
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Havia também o professor de Religião e Moral, um padre todo prá-frentex, que era a pessoa mais esquisita que havia no Colégio. Por que seria que pagava cinco Tostões por cada matrícula de carro que lhe trouxessem? Fartei-me de ganhar dinheiro com ele!… até pensei: se a religião católica, a dele, é assim, então vou já rebaptizar-me!
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Qualquer estudante que se preze, o copianço nos pontos ou testes é uma obrigação.
Eu via os meus colegas, eles e elas, fazendo cabulazinhas bem enroladas, escondidas junto aos pulsos ou dentro das meias.
Achava isso assim meio-esquisito, porque o acto de fazer uma cábula já era estudar!
O que desvirtuava o «copiar», uma arte engenhosa do estudante que se preze e queira ter sucesso, passe a contradição!
Recordo-me duma cena passada num ponto com o Dr. Moreira, alentejano de Campo Maior, fanático pelas coisas do futebol. Foi numa sala de um apartamento que o Dr. Diamantino anexara ao edifício principal do Externato.
No dia do teste, coloquei sobre a secretária do Professor, o jornal Record que trouxe do Altobar, mas de uma semana atrás. Logo que ele distribuiu a folha das perguntas, sentou-se e tal como previsto, começou a folhear o jornal.
O teste parece-me que era de Botânica. Olhei à volta e vi todos tirarem as cábulas, eles e elas de esconderijos corporais diferentes.
Eu que era avesso a cábulas… peguei no livro de Botânica, o próprio, abri e folheei onde era preciso e assim respondia às perguntas. Era só copiar dali para aqui… e esperar por um 15 ou 16!
Mas eis que algo inesperado aconteceu.
A colega ao meu lado sentiu-se aflita vendo o meu livro de Botânica ali escaqueirado à minha frente e começou a sentir-se mal: Tinha-lhe aparecido o «incómodo»… como nós os rapazes nos referíamos ao problema mensal das senhoras.
Perguntaram-lhe o que tinha causado aquela aflição àquela hora e assim teve de contar o que vira!
E assim nasceu no Externato a minha fama de terrível «copiador»!
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Tínhamos a Professora de Inglês, uma lady sempre de mini-saia, doutora de Coimbra com 20 e poucos anos, que desconfiando dos meus 17 e 18 nos pontos de Inglês e sabendo que eu não era amigo de estudar aquela disciplina, colocava-me bem à frente da sua secretária no dia dos testes. Mas era assim mesmo: não era preciso estudar para eu ter notas boas a Línguas.
Era inadmissível que eu tivesse mais sucesso que o Tomás, colega que era um marrão, de fatiota, sempre limpando as unhas, sem noitadas e cujas nota máxima era o 10 ou 11 nessa disciplina. Contrastando com os seus 16 ou 17 a Matemática!
A malta sabia que a professorinha estava hospedada na Pensão perto dos Correios e então nós à noite subíamos às árvores para vermos o «streap» dela no quarto. Credo, era toda boazona em cada centímetro do corpo! Alguns de nós vimos pela primeira vez o corpo nú de uma mulher…
Ganda vida, esta de estudante!!!

José Jorge Cameira

«Estórias de um filho de Vale de Lobo e da Moita»
mailto:jjorgepaxjulia4@hotmail.com

O concelho do Sabugal é geograficamente trimorfe, economicamente biforme e historicamente policéfalo.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaA policefalia resulta do facto de o nosso concelho, na sua actual definição territorial, abranger freguesias que até às ultimas reformas de JOSÉ DA SILVA PASSOS, pertenceram umas aos extintos municípios de SORTELHA, TOURO — a vila do Touro —ALFAIATES e VILAR MAIOR, todas as que já lhe pertenciam, e, ainda, uma, a de CERDEIRA DO COA, do desaparecido termo de CASTELO MENDO.
Como se sabe, com a irrupção do liberalismo e queda do ANTIGO REGIME, MOUSINHO DA SILVEIRA deu início a uma série de reformas marcadamente iconoclastas, porque todas elas tendentes a destruir o passado, cortando com a tradição.
Os seus principais executores receberam ápodos que a História registou e, de algum modo, sintetiza a obra de extinção por eles promovida.
V. g.
JOAQUIM ANTONIO DE AGUIAR — O MATA FRADES
Responsável pelo confisco dos bens da Igreja Católica, o encerramento dos conventos, a expulsão dos religiosos.
BENTO PEREIRA DO CARMO — O RASGA BANDEIRAS
Que decretou o fim das corporações de artes e ofícios, também conhecidas por grémios ou bandeiras e das Santas Casas da Misericórdia, nacionalizando a de Lisboa, que nunca mais recuperou o estatuto de associação de fiéis católicos, transformando-se em ludolândia ou seja em instituto nacional de jogos.
E, para o caso de que agora tratamos, o DEGOLA CONCELHOS que extinguiu cerca de oitocentos concelhos.
Só no distrito da Guarda, acabou com oitenta e seis, reduzindo a catorze os cem preexistentes.
Frise-se que o nome PASSOS JOSÉ serviu para o caracterizar relativamente a seu irmão — PASSOS MANUEL, que teve uma muito meritória acção nos domínios da escolaridade.
De resto, também a reforma administrativa personificada em Passos José foi muito positiva, adequando o número de concelhos a uma nova realidade baseada em vários pressupostos, designadamente na substituição dos caminhos de ferradura pelas novas vias, com o encurtamento dos tempos de viagem.
Já se anuncivam as vias férreas.
E o caminho beirão de São Tiago só não foi aproveitado como novo itinerário por o PADRE PAULO, grande terratenente em Aldeia da Ponte, temer cortes nos seus agros e perversões nos paroquianos.

Um território trimorfe
Consabidamente, é o concelho do Sabugal de grande extensão territorial.
Não tanto, é certo, como o de Odemira, que dizem ser o maior da Península, ou sequer o de Idanha-a-Nova, nossa vizinha porque apenas separadas por terras de Penamacor.
Mais pequenos do que estes dois, é, no entanto superior em área a noventa e oito por cento dos outros municípios.
Além disso, tem a particularidade de abranger três zonas fortemente diferenciadas — uma de montanha, outra de planalto e a terceira com características de cova.
A primeira encosta-se a Espanha e ocupa os contrafortes portugueses das regiões salamantinas de Francia e Gata, do lado de cá chamados genericamente Serra de Malcata, embora com subdenominações interessantes, v g das Mesas, baseado no encontro de quatro bispos — da Guarda, de Pinhel, de Coria e de Cidade Rodrigo — todos lado a lado, mas cada um num banco de pedra incrustado na sua área de jurisdição.
A zona de planalto abrange a parte restante dos antigos concelhos de cima Coa que o do Sabugal presentemente integra.
A zona de cova tem por epicentro o Casteleiro e assume as características que os geógrafos costumam congregar no conceito de TERRA QUENTE DO NORTE.
Até por oposição á anterior tipicamente TERRA FRIA DO NORDESTE.
Quem se achar interessado em aprofundar esta genérica conceptualização, pode fazê-lo através de três autores sabugalenses — todos eles, no entanto, da zona serrana:
o geógrafo CARLOS MARQUES, de Vale de Espinho.
O romancista NUNO DE MONTEMOR, nascido em Quadrasais.
O poliígrafo PINHARANDA GOMES, também quadrasenho.
Este nome ressuma a COA, de CUDA.
E as relações com a montanha, para nós sacralizada vieram para o Cancioneiro.
O lugar de Quadrasais
Ao fundo da terra fica

Ler «Maria Mim», ou até «Crime de um Homem Bom», do segundo, «O Motim do Aguilhão no Sabugal» ou «Práticas de Etnografia», do terceiro, e, sobretudo, «A Bacia Hidrográfica do Coa», do primeiro, para além de um enorme prazer espiritual, ganhará excelências de conhecimento.

Economicamente marcado pelas assimetrias morfológicas nuns casos, noutros pelas influências espanholas, biforme no mínimo, poliforme em boa parte.
Como economia de subsisteêcia, baseada numa quase sempre deficiente exploração agro-pecuária, se terá de classificar a que secularmente se viveu no concelho.
Dos cereais panificáveis só o centeio, semeado por todas as freguesias, em regime de folhas, é que se produzia de modo a cobrir as necessidades locais.
O trigo, afora os barros do Soito, resumia-se a pequenas belgas, que apenas davam para uma pastelaria, singelamente pobre.
A cevada, a aveia, o milho, cultivavam-se sobretudo como forraginosas, poucas dando grão.
Não se usava pão de milho.
O grosso mal chegava para as sementeiras, revertendo o sobrante para as papas, gordas ou doces,consoante a maré.
E o miúdo, por aqui chamado painço, ia para o bico dos pintainhos, amorosamente chocados e desemburrado
A grande cultura era a da batata que cobria todo o agros que dispusesse de alguma àgua para rega e até o sequeiro cuja humidade desse algumas garantias.
Entremeando, espetavam-se feijões que generosamente — muito mais que o cem por um dos evangelhos — pagavam o desvelo.
E nos tornadoiros, cresciam alfaces e beterrabas porqueiras ou agigantavam-se abóboras.
Mas eram as batatas e feijões que asseguram a entrada no orçamento familiar de alguma moeda corrente.
O regadio, para além de cobrir as necessidades de hortícolas, contribuía para o passadio dos gados com carradas de nabos e muitos feixes de ferrã.
O mato, para além de prover o forno e o lar, contribuía pelas ramadas verdes para alimentação de cabras e ovelhas e pela folhagem seca — caruma e ramalhos — para camas e esterqueiras, no que também ajudavam muito os giestais.
Os proprietários de mais geiras podiam ainda extrair mais proventos pela venda de madeira — freixo, carvalho e pinho, sendo de acrescentar que o último, pela sangria de resinagem alguma coisa rendia e mais renderia, se não fora a cupidez das empresas e a manigãncia dos operadores locais.
Algumas manchas florestais da azinheira, por aqui chamada carrasco, permitiam, quando de maior extensão, o porco de montado.
Aliás, mesmo isolada, apanhava-se-lhe a lande bolota ou boletra, dizíamos, para a engorda, no que competia com o roble, segundo o Cancioneiro, árvore de excelência.
Pois,
Não há pau como carvalho
Que dá num ano quatro frutas
Dá a bogalha, o bogalho
Bolotas e maças-cucas

Mas isto, observam os de idade e saber, são tretas, que árvore a sério é o castanheiro.
Para além dos muitos contos de reis vindos para o concelho pela castanha vendida para fora, foi ela que evitou a fome e varreu a tuberculose.
Crua, cozida, em caldo.
Transformada em pão…
E também contribuía para a lírica, até mordaz:

Menina, já que as castanhas
Lhe são tão apreciadas
Por artes ou artimanhas
Vou-lhe dar duas piladas

E se achar poucas as duas
Eu juro por minha fé
Dar-lhe não apenas duas
Mas três, quatro ou mais até…

«O concelho», história e etnografia das terras sabugalenses, por Manuel Leal Freire

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Inicia-se hoje a edição de mais uma coluna assinada pelo escritor raiano Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, designada «O concelho», na qual abordará temas históricos e etnográficos do concelho do Sabugal. Esta rubrica terá edição quinzenal, alternando com a crónica «Terras do Jarmelo» de Fernando Capelo.
Com esta nova crónica, Manuel Leal Freire passa a assinar quatro colunas no «blogue de todos os sabugalenses», a saber: «Poetando» (ao domingo), «O concelho» (à quarta-feira), «Caso da Semana» (à quinta-feira) e «Politique d’Abord – Reflexões de um politólogo (ao sábado).

plb e jcl

Os poetas, nas palavras de Erasmo, «formam uma raça independente, que constantemente se preocupa em seduzir os ouvidos dos loucos com coisas insignificantes e com fábulas ridículas. É espantoso que com tal proeza se julguem dignos da imortalidade». E continua: «esta espécie de homens, está, acima de tudo, ao serviço do Amor-Próprio e da Adulação». E dizia isto Erasmo, não por julgar a poesia um género literário menor, mas por saber que o mudo da poesia é o da adulação e da crítica elogiosa, com que de poetas medíocres, se fazem poetas da moda. (parte 1 de 4).

João Valente - Arroz com Todos - Capeia ArraianaÉ bem difícil um bom poeta ser reconhecido pelo público. De facto, como se reconhece o valor de um poeta? Sim. Um poeta? Poderá alguém saber que é um poeta? E Grande?
Pois bem, para verem como esta coisa de ser poeta depende mais de interesses pessoais e conhecimentos nos meandros da crítica, do que de critérios literários, aqui deixo um exemplo concreto, que deu, numa das suas verrinosas crónicas, Luíz Pacheco, personagem genial com quem privei:
Escrevia o insuspeito Urbano Tavares Rodrigues, em meados de sessenta, a respeito de um neófito poeta e seu livro:
«Os versos encantadores de… (omito, tal como o Pacheco, o nome do livrinho, por caridade) anunciavam já a problemática que hoje enriquece a vida mental de… (ressalvo o do autor também, por pudor) e, sendo esses versos, como são, de bonne frappe (esta é para impressionar os tolos!) revelam o poeta lírico, que uma vez controlado por mais áspera auto-crítica, juntando o refinamento estético ao temperamento emocional que lhe exalta e acende as vivências – parece capaz de todos os voos».
A respeito do mesmo poeta, o Diário de Notícias disse: «…, afirma-se poeta de lei, vivendo a emoção sentimental e sabendo exprimi-la sinceramente em versos embaladores, melodiosamente ritmados, matizado o pensamento de imagens multicores, ora na singelez popular das redondilhas, ora na gravidade austera dos decassílabos heróicos ou na majestosa imponência  dos alexandrinos, modelando em formas harmoniosas a essência da inspiração.»
O Primeiro de Janeiro, num rasgado elogio, apregoou também urbi et orbe o certificado de pedigree do poeta, da seguinte forma: «… é o livro dum poeta (será?). E publicam-se tantos livros de versos, tão poucos poetas se revelando, que é agradável ler um livro como este em que a chama da poesia se sente crepitar… trabalha a redondilha com toda a graça e subtileza.» E sugeriu Luíz Pacheco, a páginas tantas da sua crónica, para averiguarmos da justiça da crítica, saborearmos a voz do tão elogiado poeta, sentirmos a forma «emocional em como ele exalta as vivências», em como «faz crepitar a inspiração», a leitura do seguinte poema, intitulado…

Humanismo integral

Na escola ensinava o mestre
Com seu ar profissional:
– Nunca se esqueçam: O homem
é animal racional.
Mais tarde, na aula de filosofia,
Dizia outro mestre com voz beatífica:
– Animal é o género próximo
racional é a diferença específica.

Uma mulher (que lidou comigo
Em convívio ideal
Levitando em profunda abstracção)
Dirá que sou um intelectual!

Nenhuma conseguiu ter
A minha visão total:
O excesso de ambas as coisas:

– Animal e racional.

De facto podemos constatar que neste poema não existe nenhum «refinamento estético», «o temperamento emocional, que lhe exalta e acende as vivências», «os versos harmoniosamente ritmados», «as imagens multicolores», «a singeleza popular das redondilhas», «a gravidade austera dos decassílabos ou a majestosa imponência dos alexandrinos»… Muito pelo contrário! O insuspeito Júlio Dantas (nem mais nem menos), a respeito do mesmo livro e poeta também não fugiu à regra do exagero laudatório:
«Acabo de ler o seu livro. De todo o coração o felicito e lhe agradeço. Estamos na presença dum poeta. Nos seus versos há poesia (poesia verdadeira!), há alma, há vida, há centelha, há clarões, há talento às mãos cheias.» Dixit Júlio Dantas!
Voltemos novamente ao poeta, só para tirarmos as teimas. Inspiração se chama estoutro poema, do tão celebrado poeta, proposto ainda pelo Luíz Pacheco:

Para fazer os meus versos
Não posso ficar em casa.
O tecto prende-me a alma
Inquieta qual bater de asa.
A secretária e a cadeira
Não bastam para os poemas:
Não cabe lá a alma inteira
Nos seus variados temas.

Sublime inspiração! Aqui de facto «há vida, há centelha, há clarões, há talento às mãos cheias»! Quem não vê a genialidade do poeta, é cego… Cegaram-no os clarões da genialidade! Agora outro poema, também proposto pelo Luíz Pacheco, só para vermos o que é o erotismo, bem à portuguesa, do referido poeta. Esqueçamos o título e vamos ao que interessa:

Quanta mulher fascinante
Beijei
E (julgava…) amei
Pela manhã adiante
E logo esqueci
Com a indiferença que sinto
Por todo o jornal que li.

Mais palavras, para quê? Como se vê, já muito homem ilustre se enganou e iludiu publicamente acerca do que é ser poeta e do que é poesia. Afinal, o que é ser poeta? E poesia? São questões difíceis de responder.
O mesmo se acontece com a pintura; todos julgamos possuir uma ideia do que é pintura, de reconhecer onde ela se encontre e de, em consequência, proferir juízos sobre ela. Só para termos ideia, El Greco, que foi das relações de Miguel Ângelo – um pintor que dispensa apresentação – referindo-se a este, disse: «Miguel Ângelo, sim, um bom homem; mas, coitado, não sabe pintar…» E sabemos quanto enganado estava El Greco… Estas questões são difíceis de responder porque quando as interrogações se elevam ao nível das categorias do belo, da criação, da contemplação artística, onde não temos o suporte histórico, ou da obra, entramos no campo da pura subjectividade.

(Continua)
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

A nova versão do Quadro de Referência para a Reforma da Organização Judiciária aponta para o fecho de mais 10 tribunais do que os previstos em Janeiro, mantendo-se o do Sabugal entre os que encerrarão as portas.

No total, a ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, quer fechar 57 tribunais, entre os quais cinco no distrito da Guarda, sendo eles os de Figueira de Castelo Rodrigo, Fornos de Agodres, Mêda, Vila Nova de Foz Côa e Sabugal.
Em relação ao primeiro mapa de extinções ou agregações, conhecido no início do ano, há agora a considerar 14 novas propostas de encerramento, de que são exemplo os tribunais de Vila Flor, Golegâ, Nisa, Mértola, Avis, Nisa, Golegã, Miranda do Douro e Mondim de Basto. Porém o novo mapa «salvou» quatro comarcas, que afinal se mantêm: Castelo de Paiva, Cabeceiras de Basto, Penacova e Tábua.
O novo acerto fez-se a partir de uma reanálise às estatísticas da Justiça, feita pela Direcção-geral da Administração da Justiça.
plb

Hoje vou abrir uma excepção nos meus artigos, vou falar de algo que me pertence, os meus livros, livros que foram escritos por mim. Também vou ser presunçoso! Para escrever é preciso ter valor, para ter valor é necessário ter valores. Quero com isto dizer querido leitor(a) que quem escreve um livro, um artigo, um poema, ou algo relacionado com literatura, tem de ter valor e valores. Excepto, claro! As canetas mercenárias, as que escrevem para quem mais lhes der, as que estão à disposição de quem mais pagar.

António EmidioVoltemos aos meus livros. Tenho a avisá-lo querido leitor (a), que não são recomendados, nem muito menos apoiados pelos consórcios da indústria da cultura. Compreende-se, são actos vandálicos literários, escritos por um agitador social, sem contar com um fraco estilo literário, inúmeras gralhas e pontuação duvidosa. Mas têm uma coisa, são mais éticos que estéticos, quis construir imagens concretas da vida e contar boas histórias, não escrevi para mercados, nem sei.
Vejamos um pouco do que escrevi num deles já em 2008:
«(…)
– O que é a modernidade?
– É a revolução tecnológica, a revolução informática, a revolução da informação, dos transportes, das mentalidades. Neste mundo moderno já não há mais espaço para o paternalismo do Estado, o Estado social como o vimos nas últimas décadas, tem que desaparecer, esse espaço tem que ser ocupado pelas empresas privadas, mas atenção! – exclamou – empresas essas viradas para a concorrência! Porque se não tiverem capacidade de competirem com as estrangeiras, perdem-se mercados para os nossos produtos e a partir daí vem o desemprego. É preciso que os trabalhadores tenham isso em mente, só os baixos salários podem fazer com que uma empresa seja competitiva, os salários altos aumentam os custos laborais e de produção. Isso reflecte-se nas exportações.
– Mas isso não é socialismo é capitalismo. Todas essas revoluções de que tu falas são dirigidas pelo poder financeiro.
– Chama-lhes o que quiseres, mas cada vez mais os políticos têm que obedecer ás ordens do mercado, e cada vez menos aos anseios dos seus povos, melhor dizendo, cidadãos, estes têm que compreender que vão passar a depender cada vez mais do sector privado, tanto nos salários, na doença, na segurança social e nas poupanças.
– Se bem compreendo, tudo se resume a isto. Baixos salários, desaparecimento do Estado social, privatização de todas as fatias que possam dar lucro, como a segurança social, por exemplo.
(…)»
Este pequeno extracto de um dos meus livros mostra que eles também são uma defesa de um ideal próprio e da sociedade que eu desejo para o meu País, embora este ideal e este desejo colidam com os interesses dos senhores do poder. Não lhes estou sujeito, fiz-me «escritor» não para os bajular, mas sim para enviar mensagens de alerta, dizendo que se não acordarmos como povo, só nos resta o abismo.
Dizia Arthur Rimbaud, poeta francês, que a mão que maneja a caneta tem tanto valor como a que maneja o arado, é uma realidade que não consegue ser vista por aqueles e, também aquelas que vivem cegos pela arrogância, pela vaidade e pela ambição.
Quase todos os homens de letras portugueses, poetas, filósofos, ensaístas, escritores, se preocuparam com Portugal, Portugal para eles foi o tema principal do seu pensamento e dos seus argumentos, Camões, Pessoa, Quental, Oliveira Martins, Raul Proença, António Sérgio, entre outros. António Sérgio também dizia: «a minha arma de combate é só a pena.» Por isso, a palavra dita e a palavra escrita ombreiam lado a lado na nossa História com as grandes obras valorosas que nos distinguiram dos outros povos.
Sou um utópico? Sem dúvida, mas com o passar do tempo, uma vida sem utopia torna-se irrespirável. E a sociedade que não concebe uma utopia e não se agarra a ela, está ameaçada de ruína.
Sou um radical? Sem dúvida, mas se não gritarmos bem alto e bem forte, adormeceremos embalados pelos lindos cânticos, como os da corrupção, do autoritarismo, da ignorância, do consumismo, do lucro, dos lacaios mediáticos do mundo das finanças, dos políticos que se vendem aos mercados, e de todos aqueles que nos vão destruindo.
Os livros são bens da alma, e como as pessoas, também os há bons, maus e péssimos. Os meus livros dei-os quase todos, não me preocupou o lucro, mas sim a mensagem que eles transmitem.
Dizem que a revolução Francesa foi uma revolução de leitores. É uma realidade. Foi impressionante o número de publicações, folhetos e jornais que se publicaram por essa altura, vivia-se uma avidez de leitura. Havia muitas sociedades de leitura e anúncios como este de um sapateiro que colocou à porta da sua pequena oficina um cartaz que dizia: «Aqui lêem-se os jornais em voz alta todas as tardes das sete ás oito.»
Um verdadeiro revolucionário.

Para terminar um pequeno esclarecimento: se por acaso não faço comentários a artigos de outros colaboradores, que gostaria de fazer, e não respondo a pessoas que os fazem aos meus, é porque depois de escritos, e ao tentar enviá-los, não saem dos computadores onde os escrevo, digo computadores porque já tentei em vários e o resultado foi sempre igual. A minha péssima relação com a informática traz-me alguns problemas.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Hoje destacamos o semanário «O Interior». O jornal dirigido Luís Baptista-Martins deu destaque (merecia ser manchete) a uma morte anunciada: «Águas do Zêzere e Côa tem os dias contados. A empresa vai ser extinta e dar lugar à Águas do Zêzere e Vale do Tejo, no âmbito da reestruturação do setor das águas em Portugal.»

Jornal O Interior

O semanário «O Interior», de Luís Baptista-Martins, deu esta semana à estampa a morte da «Águas do Zêzere e Côa». A decisão anunciada por Manuel Frexes, autarca da Câmara do Fundão e administrador da «Águas de Portugal» é o ponto final em gestões por muitos consideradas duvidosas (como foi o caso de Esmeraldo Carvalhinho, presidente da autarquia de Manteigas) e que parecem ter sobrevivido graças ao aval dos seus «accionistas», representados pelos presidentes de muitas das câmaras da Beira Alta e da Beira Baixa.
Por respeito ao trabalho do jornalista aqui fica, na íntegra, a peça sobre um dos elefantes brancos do nosso reino.

«A empresa Águas do Zêzere e Côa, que gere o sistema multimunicipal de águas e resíduos em 16 concelhos da região vai ser extinta no âmbito da reestruturação do setor das águas em Portugal, para se fundir numa das quatro mega concessões que vão ser criadas a nível nacional. A nova concessão, que terá a designação de Águas do Zêzere e Vale do Tejo, agregará os municípios do Interior Centro e da Área Metropolita de Lisboa.
Em consequência deste alargamento de escala, será possível conseguir uma «harmonização tarifária», anunciou o administrador da Águas de Portugal, Manuel Frexes. O antigo presidente da Câmara do Fundão afirma que «não faz sentido uma pessoa que vive no litoral pagar dois euros por metro cúbico de água, e no interior esse valor subir para o triplo». «Assim, através da fusão do litoral com o interior, conseguiremos regionalizar as águas e criar uma tarifa nacional», acrescenta. Manuel Frexes diz que o objetivo passa por estabelecer um «preço suportável» para as tarifas da água, tanto residuais como de abastecimento, «que esteja dentro de uma margem que consideramos correta, nunca superior a 30 euros mensais».
Para além da equidade de preços, esta redução é também feita com o propósito de reduzir custos, pois «ter 40 empresas no grupo é demais e é sinónimo de desperdício». A distribuição em baixa, isto é, da água ao consumidor final, passará a ser gerida pela mesma entidade, a Águas de Portugal, pelo que as faturas deixarão de ser cobradas pelas Câmaras. «Pretendemos com isso ter ganhos de gama e de escala, bem como tarifas mais baixas, e impedir que pelo meio haja a divisão do problema, que depois se traduz na situação do acumular de dívidas por parte dos municípios», refere Manuel Frexes. «As tarifas em alta são bastante elevadas, os municípios têm de as suportar, enquanto os custos em baixa, junto do consumidor, são bastante baixos e não incorporam os custos da atividade, o que representa uma discrepância com prejuízos para as duas partes, municípios e empresa pública», explica. Acrescenta que «os municípios, como muitas vezes não conseguem recuperar os custos da operação, não têm capacidade para pagar a água em alta, e a Águas de Portugal, que realizou o investimento mais significativo, não consegue recuperar os custos para continuar a operar».
Relativamente às dívidas dos municípios, Manuel Frexes diz que a questão «está a ser resolvida». «Vamos promover uma verificação para chegar a um entendimento com as Câmaras, que contemple, por exemplo, a entrega de ativos em troca da dívida, ou um acordo para pagamentos faseados». Mas para já, o administrador apela aos municípios para que «cumpram as suas obrigações, pagando a fatura mensal do serviço que reconhecem, até porque só assim se conseguirá equilibrar o preço da água». «Esta reforma vem também ajudar a resolver este problema e é do agrado da maioria dos autarcas», revela.
Já quanto à sede da empresa, que se encontra a funcionar na Guarda, Manuel Frexes garante que o imóvel vai continuar em atividade. «Ali funcionará o centro de exploração do novo sistema», afirma, afastando também qualquer cenário de redução de postos de trabalho. «Haverá um redirecionamento de algum pessoal diretivo e de administração, mas não há necessidade de reduzir o número de trabalhadores, e nem sequer há margem para isso», assegura.
O administrador revela que o processo de fusão «já está em vias de implementação», sendo que a Águas de Portugal pretende «ter tudo pronto até ao final do ano», para que o novo figurino seja uma realidade no primeiro semestre de 2013.

Joaquim Valente favorável ao processo de fusão
Na reunião do executivo da passada segunda-feira, o presidente da Câmara da Guarda disse que «não vê nenhum inconveniente nesta integração, desde que o modelo de gestão possibilite um melhor serviço no abastecimento de água e no saneamento e que a água possa ser consumida a um valor mais baixo». Para Joaquim Valente, o valor cobrado atualmente é «injusto», considerando que «somos penalizados porque somos menos», e que por isso a tarifa única é «essencial». «Justiça seria haver uma tarifa única para todo o país, como acontece com a eletricidade», defende.
Quanto ao facto desta fusão ser um primeiro passo para a privatização da água em Portugal, Joaquim Valente admite o cenário, «desde que seja salvaguardado o interesse público que está subjacente a este serviço». Ainda assim, o edil lembra que «o país está a desbaratar o seu património, porque privatiza o que dá dinheiro e fica sem nada».

1 – Esta notícia merecia ser manchete até porque a decisão de «embaralhar e dar de novo» parece mais uma fuga para a frente para resolver um grande berbicacho. A decisão, não tenho qualquer dúvida, tem a assinatura de Manuel Frexes que conhece de gingeira os problemas da malfada empresa. Além disso não tenho motivos para duvidar que tão importante assunto/decisão que diz respeito a «águas» que até dão pelo nome de «Côa» já foi discutido em reunião de vereadores e mesmo em Assembleia Municipal no concelho do Sabugal.
2 – Ilustre director Luís Baptista-Martins. Reconheço o esforço hérculeo para manter vivo um semanário nos montes Hermínios. Mas deixe que lhe diga que se fosse à banca talvez não comprasse uma publicação que me quer comunicar que «o mundo da Diana ainda não é o melhor». Mas, contudo, aqui fica o meu abraço solidário pelo trabalho desenvolvido na sua redacção.
3 – «A nova concessão, que terá a designação de Águas do Zêzere e Vale do Tejo, agregará os municípios do Interior Centro e da Área Metropolita de Lisboa.» Não sei se repararam mas cai a palavra «Côa» que até tem mais a ver com o Douro… Ele há coisas!

jcl (com redacção do semanário «O Interior»)

O Campeonato do Mundo de Carros de Turismo está de regresso ao Algarve já no próximo fim-de-semana de 2 e 3 de Junho. Em 2010 Tiago Monteiro foi a grande estrela depois de uma brilhante vitória na frente do seu público. Este ano, o piloto português continua focado em dar o seu melhor, mas sobretudo num bom espectáculo.

Tiago Monteiro

As últimas corridas têm sido bastante positivas para Tiago que tem conseguido intrometer-se entre o grupo da frente e registado bons resultados. Numa pista que aprecia e onde vai poder contar com o incondicional apoio dos familiares, amigos e fãs, o piloto português tem assim uma motivação extra: «Correr em Portugal tem sempre um carisma diferente pese embora a minha postura em pista seja sempre a mesma. Claro que gostava de vencer novamente, mas tenho de ser realista, é uma tarefa quase impossível. Mas, de certeza que vou estar na luta e que não vou dar tréguas. Estou centrado em fazer o melhor possível», começou por explicar.
O traçado de Portimão é conhecido pelo seu nível de exigência mas Tiago não vê isso como um problema nem mesmo as altas temperaturas que se esperam nos dois dias de evento: «O circuito é muito rápido mas aquilo que mais o caracteriza são mesmo as curvas cegas. Por mais voltas que se faça à pista nunca nos habituamos a essas curvas. É uma pista desafiadora que leva os pilotos ao limite. São esperadas temperaturas elevadas mas acho que tanto eu como os outros pilotos já estamos habituados a correr em Portugal nessas condições», concluiu.
Esta é muitas outras iniciativas vão preencher todo o fim-de-semana, mas quem não se poder deslocar ao Autódromo do Algarve poderá assistir a toda a competição através do Eurosport que vai transmitir ambas as corridas.
jcl (com Rute Vieira)

Aquela que é, seguramente, a obra mais célebre de William Shakespeare, «Romeu e Julieta», estará em cena na caixa de palco do Grande Auditório do Teatro Municipal da Guarda (TMG) na próxima sexta-feira, dia 1 de Junho, às 21h30, na versão sempre original e electrizante da Companhia João Garcia Miguel.

Romeu e Julieta são duas vítimas, quase inexplicáveis de um grande amor. Para eles tudo se conjugou em contrariedade, como se não existisse lugar para o seu amor no mundo em que viviam. É uma estranha metáfora, esta, de não existir lugar para o amor no mundo, e de todas as forças se conjugarem para de forma consciente e, também inconsciente, para a sua limitação. Romeu e Julieta tiveram uma noite de amor tão extraordinária que lhes custou a vida.
«Fazer um Romeu e Julieta, no actual momento, foi um erro infantil, com o qual nos deliciámos e sofremos, uma vez mais. Fazer teatro nos dias que correm é um erro que atenta contra a vida daqueles que o fazem. Aliás, os fazedores de teatro são Romeus e Julietas, tal é a paixão que os move e os riscos que correm. Contudo o mundo precisa mais do que nunca de gente apaixonada por aquilo que faz, de pessoas apaixonadas pela vida e por aquilo que trazem diariamente ao mundo. É de um grande conjunto de desordens, de pequenas desordens criativas, espalhadas por todos os lados da vida, espalhados em todos os momentos do dia, que precisamos mais do que nunca; que outra coisa se pode esperar daqueles que se dedicam a criar e a recriar o mundo senão: erros infantis?», escreve a propósito desta versão de Shakespeare João Garcia Miguel, o encenador e director da companhia.
A peça, classificada para maiores de 12 anos, conta com a interpretação de David Pereira Bastos e Sara Ribeiro; a música e vídeo são de Rui Gato; os figurinos são de Steve Denton e o desenho de luz é de Luis Bombico.

Exposição de Mário Cesariny
No sábado, dia 2 de Junho, o TMG inaugura, pelas 18 horas, na Galeria de Arte, a exposição «Visto a esta luz», do artista plástico português Mário Cesariny, por muitos considerado o expoente máximo do surrealismo na pintura em Portugal. Esta exposição ficará patente até 29 de Julho e é apresentada no âmbito de uma parceria com a Fundação Cupertino de Miranda. A fundação assumiu nos últimos anos de vida do artista plástico uma relação de grande proximidade e amizade. Nesta exposição procura dar-se uma visão global da sua obra no contexto da Colecção da Fundação Cupertino de Miranda. A exposição é comissariada por António Gonçalves.
Mário Cesariny nasceu e viveu em Lisboa (1923- 2006). Estudou na Escola de Artes Decorativas António Arroio. Estudou também música com Lopes Graça. Posteriormente frequentou o primeiro ano do curso de Arquitectura da ESBAL. Participou nos encontros do «Café Herminius» e aderiu ao Neo-realismo, do qual se vem a desligar em 1946. No ano de 1947 conhece André Breton e é nesse mesmo ano que participa na fundação do «Grupo Surrealista de Lisboa», do qual se afasta em 1948, vindo a formar um novo grupo «Os Surrealistas». Com este participa na Primeira Exposição dos Surrealistas.
«Ao longo da exposição encontram-se alguns dos seus objectos que adquirem uma particularidade e mesmo uma aura que os retira do sentido do objecto escultórico e do ready-made. Apresentam-se antes com encontros de sentidos muito apurados, enquanto relações poéticas. Resultam de uma abordagem de vivência com o quotidiano e salientam-se pela sua simplicidade. É uma prática constante a dos objectos que vão sendo encontrados, e que Mário Cesariny vai revelando, quer pela articulação que estabelece entre eles, quer pela importância que lhes dá no seu dia-a-dia, quando os remete para o seu espaço particular, em específico o seu quarto e ali os vai mistificando e desmitificando, como se lhes fosse encontrando uma consideração, uma poética», escreve António Gonçalves a propósito desta exposição.
A exposição pode ser visitada de terça à sexta das 16h às 19h e das 21h00 às 23h, aos sábados das 15h às 19h e das 21h00 às 23h e aos domingos das 15h às 19h. A entrada é livre.
plb (com TMG)

Esta história deve estar muito fantasiada. Mas tem piada. É uma daquelas «boutades» da «fidalguia» rural da nossa zona, os grandes lavradores de cada terra: eles tinham dinheiro e exibiam-no. Eram os únicos que o tinham. E então esta de ter um carro americano devia dar um «sainete», que fax’ avor… se é que me entendem.

José Carlos MendesEste foi o primeiro carro da terra. Penso que era um Ford, pelo que me lembro de ouvir falar dele. Era por volta de 1930. Julgo ter sempre ouvido dizer que era um Ford 1928. Mas não foi este o primeiro carro que houve na Freguesia. Não. Em 1905, o Morgado de Santo Amaro comprou um dos primeiros carros de Portugal e sem dúvida o primeiro da nossa região. Foi titular da primeira carta de condução do País, datada desse ano (1905). Foi obra…
Mas voltemos ao Ford 1928.
Era de um dos lavradores mais abastados da terra: o sr. António Mendes. Se era de facto um Ford, era parecido com o da foto, a que retirei a matrícula.

A viagem era uma aventura
O sr. António Mendes comprou então o carro. Um carrão. Um luxo.
O pior eram as mãos do dono.
Parece que fazia tudo menos «conduzir». Andava no carro. Ia aos zigue-zagues pelos caminhos e estradas. Aliás, imagino, as saídas da garagem deviam ser muito poucas, porque a qualidade dos arruamentos era de certeza péssima.
Em todo o caso, contava-se à noite ao serão que um dia lá pegou no carro e… «ala que se faz tarde»: rumo à Guarda. Mas com umas peripécias que a todos encantava ouvir.
Era o caso de acentuar bem a inépcia do senhor ao volante.
Contava-se que a cada curva, lá parava e mandava o criado ver se lá vinha alguém.
Notem: isto era nos anos 30. Não havia carros por aqui, a não ser os carros de bois (melhor: de vacas – era assim que se dizia, é assim que se diz agora, mas já não há carros de vacas no Casteleiro há muito tempo…). Portanto, se viesse algum carro seria de vacas. Reparem na auto-confiança do homem: era preciso que o empregado («criado»: era o termo) fosse à frente e parasse o «trânsito»!
A viagem era uma grande e demorada aventura: os 30 km que seriam do Casteleiro à Guarda eram uma tortura para os dois viajantes.
A cena repetia-se pelas estradas adiante: nas curvas, o lavrador parava o carro para o criado sair e ir à curva assomar-se para diante a ver se não vinha de lá ninguém: nem pessoas nem carroças, nem algum carro que por ali eventualmente já circulasse. Afastado o perigo («Fujam, fujam, que vem aí o carro do sr. António Mendes») ou não o havendo, o criado, então, fazia sinais largos, gritava e «mandava» seguir o patrão…

Coitado do polícia
Assim, naquele dia, manhã cedo, lá foram andando para a Guarda: Casteleiro, Santo Amaro, Enguias, Carvalhal, Belmonte, cruzamento do Ginjal, Gonçalo, e por aí adiante, depois serra acima, serra abaixo, subida para a Guarda…
Entrada na cidade da Guarda. Estamos nos anos 30. O trânsito de automóveis era pouco, seguramente. Mas havia trânsito, ainda que também de carroças e tal. A prova disso é que havia dois ou três polícias sinaleiros em cruzamentos com maior afluência de tráfego.
Um desses locais, frente à Igreja da Misericórdia da Guarda, era exactamente aquele em que se deu o incidente. O. Porque terá sido uma situação muito, mas muito falada. É que o senhor António Mendes, homem rico e bem relacionado, não era propriamente um anónimo… e aconteceu um «qui pro quo» que podia ter sido grave. Foi apenas divertido e alvo de anedota. Mas podia ter sido mortal.
Muito simples de entender.
O sinaleiro lá estava na sua função. Manda parar este. Manda avançar aquele. Manda parar todos para passarem os peões… O normal para um sinaleiro.
Só que quando mandou parar o Senhor António Mendes, o homem atrapalhou-se, não consegue parar o carro, desata a esbracejar para o polícia, grita para o criado que mande sair o sinaleiro.
O sinaleiro esbracejava para o mandar parar. O carro não pára. Avança para o estrado do polícia. Leva o polícia no «capot», vai direito à muralha em frente, o polícia dá aos braços a segurar-se com dificuldade.
Valeu que a velocidade era pouca, felizmente, e tudo acabou em bem: não houve feridos.
Mas houve troca de piropos.
Diz o polícia, a arrumar-se e a limpar-se:
– Que diabo é isto? O senhor não me viu?
Resposta pronta e tranquila do sr. António Mendes (que bem sabia que a ele nada podia acontecer naquele tempo):
– Eu vi, que diabo. E o senhor não me viu a mim? Por mais que o avisasse o senhor não me saía da frente, o que é que quer?

Resolvida a questão, cada qual lá terá ido à sua vida e o incidente não teve qualquer consequência, como sempre, quando se tratava de grandes lavradores…
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Soito iniciou em 16 de Setembro de 2011 a ampliação das instalações do quartel. O projecto é um grande salto na melhoria das condições da corporação e uma das maiores iniciativas da actual Direcção presidida por Maria Benedita Rito Dias.

(clique nas imagens para ampliar.)

A estrutura metálica de suporte está montada, mostrando uma visão geral e panorâmica da grande obra que vai engrandecer esta Associação.

Quem pretender ajudar os bombeiros pode transferir o seu donativo para:
NIB: 003507020001137293062
ou, se for no estrangeiro, através do:
IBAN: PT50003507020001137293062, código CGDIPTPL.
A Direção e os Bombeiros Voluntários do Soito agradecem.
jcl

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto a Águas Belas, freguesia da margem esquerda do rio Côa. Nos próximos domingos serão editados os poemas relativos às aldeias anexas de Águas Belas: Vale Mourisco, Espinhal e Quinta do Clérigo.

ÁGUAS BELAS

A ciência popular, por milenária
Atestam-na os selos dos espertos
Mas sendo em sua essência una e vária
Tem cânones dia a dia descobertos

Por isso, em aforismos sempre certos
Se encerra uma verdade e a contrária
São ditos por outros ditos recobertos
Mas sempre a experiência a emissária

Em azulejo aposto numa fonte
Alguém mandou gravar para que conste
E sirva de recado pra donzelas

Quando se busque água ou mulher
Só se for pura e boa é que se quer
Que assim é que são as águas belas

«Poetando», homenagem às terras sabugalenses de Manuel Leal Freire

Um contínuo processo de normalização vem destruindo as características do falar que efectivamente existiu neste recanto português que é Riba Côa. Fruto desse processo a pronúncia estabilizou ao redor da palavra correctamente escrita e na sua exacta expressão oral. A fala rude e imprópria foi ganhando regras e adquirindo a devida sonoridade.

Vêm de longe as influências que contribuíram para essa padronização do falar, mas ter-se-á acentuado com a expansão do sistema de ensino e a instalação de escolas na generalidade das povoações e também com a saída dos jovens para o cumprimento do serviço militar obrigatório. Na escola aprendia-se a ler e a escrever o português perfeito, seguindo à risca os manuais, e isso reflectia-se na fala, que passava a ser mais cuidada. Na vida militar os jovens beirões eram ridicularizados pela pronúncia e pelo léxico que utilizavam e, no seu regresso aos campos, vinham a falar diferente e a censurar aos familiares e amigos o que a eles igualmente fora censurado. De entre os outros factores da nivelação linguística conta-se a sucessiva instalação de postos da Guarda Fiscal nas povoações da primeira linha de fronteira. Das guarnições faziam parte militares que não eram originários da zona e os muitos militares raianos que integravam essa força tinham de submeter-se a um curso na incorporação, e podiam permanecer largos anos em terras longínquas até conseguir colocação no rincão natal. Também os párocos na Igreja, e fora dela, desempenhavam esse papel nivelador da língua. Ainda que geralmente oriundos de aldeias próximas às que pastoreavam, os eclesiásticos eram sujeitos a longa e cuidada formação nos seminários, sendo privilegiados conhecedores da língua portuguesa, cujas formas de rigor passavam a transmitir.
Mas a grande mudança deu-se mais modernamente, sobretudo pela penetração nas aldeias de poderosos meios de comunicação, como os jornais, a rádio e, sobretudo, a televisão. A população foi ficando conhecedora de que havia formas mais finas de falar, tomando consciência que a sua expressão era uma maneira algo rude de comunicar. Além do mais, houve a vaga de movimentos migratórios para o Litoral e para fora do País, com um regresso continuado à aldeia no tempo de férias, sendo o emigrante portador de novos conhecimentos, de outra forma de falar. Mais uma vez o íncola que ficara agarrado ao seu terrunho, era ridicularizado: que continuava labrego, um autêntico troglodita, usando expressões ásperas e rudimentares pouco condizentes com o «português de lei».
Depressa se acentuaram as diferenças nas falas, principalmente entre os velhos e os mais novos que haviam saído a correr mundo, ou que frequentavam a escola, ou que vinham do seminário. Começou a usar-se a designação de fala charra, achavascada, achambuada, chamorra ou à pastora, para as formas de expressão mais antigas, querendo esses mesmos termos dizer «falar mal». Já o «falar bem», dentro da norma, ou a isso aproximado, era designado por falar grave ou falar à política, o que não era acessível a todos.
Podemos considerar que o processo de normalização linguística a que ficou sujeito o povo de Riba Côa e do geral das regiões de Portugal (o fenómeno aconteceu um pouco por todo o lado e num tempo aproximado), levou ao triunfo da língua portuguesa, aproximando-se todo o país às suas regras convencionais, perdendo-se porém a riqueza da suas particularidades regionais e locais. A tendência para a uniformidade fonética ocorreu em relativamente poucos anos, num processo que podemos considerar acelerado, ao qual ninguém ficou indiferente. As pronúncias muito acentuadas e muitas das antigas designações locais foram sufocadas pelas formas escorreitas da língua oficial que o mestre-escola passou a ensinar aos meninos das aldeias. Podemos até afirmar que a normalização linguística se ficou primeiramente pela aproximação fonética, naquilo que verdadeiramente foi possível nivelar, no restante, ou seja, na morfologia e na sintaxe as evoluções foram menos visíveis, mantendo-se uma forma de falar, onde se destacou um léxico rico em expressões locais que não tinham uso divulgado noutras zonas do país.
Mas a aldeia deixou de ser estar fechada sobre si mesma, com o adro como centro do mundo, e abriu-se a um vasto cosmos que progressivamente a invadiu, fazendo-a aperceber-se da sua pequenez.
A uniformização passou com o tempo a ter consequências a todos os níveis, perdendo-se mesmo parte da variedade lexical. Digamos que restou, contudo, uma boa parte do vocabulário e uma que outra expressão fonética mais arcaica, de forte incidência local, às vezes agarrada apenas a habitantes mais antigos.
Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

leitaobatista@gmail.com

No livro «A oposição em Espanha», da portuguesa Loy Rolim, pode ler-se: «Não é segredo para ninguém que na Idade Média, depois da invasão árabe as nacionalidades espanholas se formaram de maneiras diversas. No começo, a Catalunha foi uma marca franca do Império Carolíngio, – a marca era uma divisão administrativa do tempo de Carlos Magno – por essa razão, manteve laços muito estreitos com o sul de França, com a Occitânia, até à batalha de Muret, em que os franceses do norte desmantelaram a civilização albigense, na cruzada contra os cátaros. Nessa altura, a Catalunha encontrou-se separada da Occitânia e, estendeu-se pelo sul, pelas terras de Valência e pelas Ilhas Baleares. A expansão catalã nunca foi, contudo, uma expansão de caráter imperialista. Teve sempre um espírito federalista. Quando foi até Valência, por exemplo, conservou o reino de Valência com a sua autonomia. E fez o mesmo em relação à Maiorca. Mais do que imperialismo, tratava-se de uma expansão comercial e industrial. Sob este aspecto a Catalunha aparenta-se às cidades comerciais da Itália.»

Catalunha

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaNa verdade, o exemplo vale. E, como se sabe, nunca Genova ou Veneza. cidades marítimas, Florença, cidade de banqueiros, ou Milão grande empório fabril, tiveram ambições territoriais. Numa época em que pela superioridade técnico-táctica que possuiam, facilmente poderiam ter ascendido a impérios pela conquista nos Balcãs, na Asia Menor ou no Norte de África, nunca abandonararn a natureza de cidades-estado as três primeiras; e Milão, se foi cabeça de território, o facto deveu-se a imposição dos monarcas que a incorporaram e não a determninação dos milaneses.
«Barcelona», disse Victor Hurtado, membro na década de setenta do Reagrupement Democratic y Socialista da Catalunya, «contentou-se sempre em ser o motor dum aglomerado de países, ao passo que, em Castela, foi a concepção do estado militar e administrativo que prevaleceu. Isto criou evidentemente uma diferença entre as duas sociedades, diferença esta que se tornou importantíssima no século XIX, dado que Castela ainda se não tinha adaptado nessa altura à nova concepção do mundo que era o capitalismo burguês, ao passo que a Catalunha já estava muito perto dela».
Nascida, embora, de preocupaçõs militares (já atrás se assinalou a sua função de marca, conquistada e mantida por Carlos Magno, tanto para desviar das suas proprias fronteiras o perigo mouro como para incentivar as cruzadas do Ocidente), a Catalunha marcou sempre uma posição muito mais relevante no campo económico.
Valência, as Baleares. uma parte da Itália, até Portugal, têm sido beneficiados pelos seus capitães de indústria. E entre nós há numerosas empresas cujos titulares ostentam nomes autenticamente catalães. Muitas vezes tratou-se de simples operários altamente especializados que aqui deram expansão a projectos que na terra natal, já com unidades fortemente implantadas, não poderiam ter feito triunfar.
No plano militar ou das simples alianças, contrariamente, a regra tem sido o fracasso ou a inoperância.
Possivelmente, desde Roncesvales, onde segundo a lenda, Roldão, o belo e heróico sobrinho de Carlos Magno perdeu a vida por um erro de táctica: ou seja a escolha dum desfiladeiro para acantonamento e evacuaçãao de tropas.
Mas tem sido frequentemente origem de conflitos, a pontos de merecer a designação de Alsácia-Lorena da Península.
Para o êxito da nossa Restauração, em 1640 encontrava-se sublevada contra os Áustrias, dos quais mais tarde seria aliada face aos Bourbons, o que, com a vitória destes, lhe acarretaria novas restrições e maior dependência.
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

«Detesto o que o senhor escreve, mas daria a minha vida para que o senhor continue a escrever», Voltaire (1694-1778).

Miguel Relvas

Esta citação, a propósito da liberdade de expressão (dia comemorado recentemente), remete-nos directamente para o assunto do momento: as pressões – ou as ameaças – sobre os órgãos de comunicação social e os seus profissionais. Consta-se que, o ministro Miguel Relvas, terá ameaçado uma jornalista do jornal Público e o próprio jornal, a ela, deque exporia assuntos da vida privada e a ele, seria-lhe negada informação do governo. E logo o ministro da propaganda! O assunto é gravíssimo. Se é verdade que o ministro ameaçou a jornalista com assuntos privados, a pergunta é: como obteve ele essa informação? E por quê a reserva/medo na publicação do artigo? Pelo que consta, o assunto era sobre as secretas. O que não deixa de ser curioso… ou preocupante! Se é verdade que a ameaça ao jornal de lhe ser negada a informação que é fornecida a todos os órgãos de comunicação social, então estamos perante uma situação de privilégios. Ambos os casos atentam contra o artigo 37º da Constituição da República portuguesa. Politicamente, parece-me, que devem ser tiradas ilações. Recentemente, na Alemanha da senhora Merkel, o presidente da república, foi obrigado a demitir-se por pressões sobre um jornal. Mas cá pelo burgo, tudo vai ficar igual, como se nada se tivesse passado. A política em Portugal funciona em sistema de corporativismo, protegem-se uns aos outros. Analisem as comissões de inquérito da Assembleia da República, e vejam as conclusões, condenações e decisões que até agora têm tomado! Zero.
Por falar em zero. Esta semana, lá na longínqua Hong Kong, o vice-presidente do BCE, ex-governador do Banco de Portugal, Dr. Vitor Constâncio, fez umas afirmações ou previsões, eloquentes. Diz tal personagem que, a Grécia pode vir a sair do euro. Tal com já fizera antes, numa antevisão digna de iluminados, que a Grécia passaria por uma crise profunda. Acresce dizer que esta última afirmação é feita em plena crise grega. E que aquela só deve querer dizer que a Grécia vai sair da zona euro. É que cá, lembramo-nos muito bem do fiscal Constâncio ao BPP, BPN… e ao seu magistério de regulador.
Mas nesta semana vieram à luz dois relatórios importantes: o relatório do Conselho das Finanças Públicas e o relatório com as previsões da OCDE. O primeiro aponta para uma visão demasiado optimista nas previsões e números do governo. Constatando-se que o corte nas despesas foram feitos nos salários e nos subsídios dos funcionários públicos, na saúde e na educação. As rendas milionárias continuam. As milhares de fundações do estado ou nas que tem parcerias, mantêm-se. Um ano depois de ter anunciado que as iria rever e acabar com muitas. Está tudo igual. As mordomias, os gastos sumptuosos em pareceres e encomendas de estudos aumentaram. As empresas do estado continuam a sugar dinheiro (a começar pelos gestores, e estes são cada vez mais). Portanto, não vejo onde está a admiração de tantos perante este relatório. O facto, é que todas as previsões feitas pelo governo e pelos iluminados que o aconselham, incluindo a troika, têm saído furadas. A OCDE aponta para um aumento do desemprego para os 16%. Aponta para quase paragem da economia interna e uma lenta retoma das exportações. Também nada de novo. Não é preciso ser nobel em economia para prever esta situação. Afinal, com o aumento do desemprego e consequente perda de compra, não há consumo. Não havendo consumo, não há produção. Não havendo produção, não há emprego. Não havendo emprego, não há pagamento de impostos. Não havendo pagamento de impostos, não há receitas do estado. Não ensinaram isto ao senhor ministro Gaspar lá, os seus amigos de Chicago?! Hoje já somos o país com os impostos mais elevados na zona euro. O que fará o governo a seguir? Fecha o país? Ou manda às malvas a estupidez merkeliana e começa a governar Portugal?
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Teresa Duarte Reis - O Cheiro das Palavras - Capeia ArraianaCastelo Bom é um daqueles marcos da história, maltratado ao longo de muitas épocas, pelas disputas de poder desde os tempos das lutas transfronteiriças que parece terem acalmado com o casamento de D. Dinis (1282) ao recebê-lo como dote. Esse rei, de espírito aberto e ideias firmes, estudioso e perspicaz vê a importância das praças de Ribacôa para a consolidação ou segurança da independência nacional e daí a necessidade de conquistar este Castelo. Logo se seguiu o Tratado de Alcanizes e Castelo Bom inicia um período de glória. Terá sido durante algum tempo um dos lugares de portagem do Reino, na região de Ribacôa. (Côa – Cuda e daí a região transcudana). O desenho de Duarte de Armas, de 1510, deixa-nos o que devemos hoje ainda lembrar.

Castelo Bom

CASTELO BOM

Ó Castelo Bom, de longe vens
Bem antes de Cristo, te ficou
“Cuda” fronteira natural que tens
Transcudana a zona se chamou
Às caminhadas romanas convéns
Que o diz quem estudou
E assim Ribacôa incluída
Civitas Augusti conhecida.

Visigóticos ali andaram
Como relatam sepulturas
Os mouros também ficaram
Com fuga cristã para as Astúrias
Em séculos abandonaram
De Ribacôa suas terras duras
Mas só em século XI então
Ó Castelo Bom, és de Leão.

Por Galiza então és povoado
Com tal Dª Urraca Senhora
E para foral te ser doado
Muito perdes ou ganhas outrora
Primeiros reis terão tentado
Por vários anos assim fora
É Afonso IX quem foral doa
Tudo se passa em terras Ribacôa.

Longa tua história e renhida
Que o rei D. Dinis vem definir
Com Alcanizes vencida
Condições do tratado reunir
Castelo Bom reconhecida
Fronteira a vencer no porvir
3 anos depois de 1293
Tiveste foral Português.

Como assim tu foste prosperando
E tuas obras continuaram
Pelo reinado de Fernando
Em Santarém te elogiaram
A crise de sucessão passando
O castelo te remodelaram
À Diocese de Lamego foste parar
Mas em ti, muito mais vai mudar.

Teu brilho aos poucos se perdeu
Ainda D. Manuel bem o tentou
Quando Foral Novo te concedeu
Importante futuro se desenhou
Mas s’a honra do povo devolveu
A Invasão Francesa o brilho te levou
Ficou então tudo destruído
Castelo Bom para sempre perdido.

Maria II em Almeida te integrou
E o teu poder se foi perdendo
Tuas pedras o povo levou
Para habitações irem mantendo
Sozinho, o povo te abandonou,
Como o historiador foi escrevendo
E para piorar teu destino
Comboio saiu do teu caminho.

Então a Freineda te juntaram
E a Vilar Formoso também
Outros desaires te molestaram
Que a qualquer castelo não convém
Tão só, isolado te deixaram
E de grande tristeza refém
D’Aldeia Histórica retirado
Mas de Beleza sempre coroado.

A minha admiração por Castelo Bom
«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis

netitas19@gmail.com

Jesus Cristo, ao denominar-se «EU SOU O BOM PASTOR», encontrou umas das melhores definições para os seus conterrâneos, que conheciam bem os ambientes rurais e pastoris.

Quem já visitou as Catacumbas de Roma, lá encontra um ícone do Bom Pastor. Esta imagem transfere-nos para a missão sacerdotal.
O Papa Bento XVI insiste no celibato e recusa a ordenação de mulheres. Entendo que terão de se dar passos para inverter esta situação, porque até ao Concílio de Trento os Padres eram casados. São Pedro, um dos primeiros Apóstolos e o primeiro Papa, tinha família, era casado. Um dos milagres que Jesus Cristo realizou foi a cura da sua sogra. Quanto à ordenação de mulheres, parecem verificar-se razões impeditivas teológicas, mas numa sociedade moderna, em que a mulher desempenha todas as profissões (a minha mulher foi durante muitos anos diretora de um Estabelecimento Prisional), tem que se acabar com esta discriminação. Conheço mulheres a desempenhar funções de chefia e direção muito mais competentes que muitos homens. Acredito plenamente que a MULHER ainda terá o seu lugar no presbitério da Igreja, próprio, equilibrado, sensato, persistente, com a missão do grande amor de MÃE.
A Igreja Católica Portuguesa tem três mil e trezentos padres nos diversos serviços paroquiais e outros. No ano passado morreram cento e doze padres e só foram ordenados trinta e um, portanto um quarto dos que faleceram. Um terço tem mais de setenta anos e a idade média dos padres portugueses é de sessenta anos. Um presbitério envelhecido e gasto.
O Papa manda algumas farpas dizendo que não anunciamos teorias, nem opiniões privadas, mas a Fé da Igreja da qual somos servidores. E se não chegarem ou acabarem os servidores?
Alguns bispos dão alguns recados, assim o Cardeal Patriarca afirma que há a tentação de apresentar perspectivas e visões pessoais em vez de proclamar a Fé da Igreja.
O Bispo de Braga aponta as sete maravilhas da Igreja: a fé, a pobreza, o celibato, a alegria, a oração, a obediência e a unidade. Será que é isto que vemos no nosso presbiterado?
O Bispo de Leiria e Fátima diz que o sacerdócio é um sacramento social e apela a todos os sacerdotes para abandonarem as sacristias e irem ao encontro do mundo, optando por uma Nova Evangelização, que contrarie o eclipse de Deus e que atinja a sociedade. Concordo plenamente com esta mensagem. Quem dará passos em frente?
D. Clemente, Bispo do Porto, lembra que os pobres esperam respostas da Igreja e faz duras críticas à legislação, principalmente no sector da família e da procriação. Nos últimos anos com a lei do aborto foram feitos sessenta mil em Portuga, não se sabendo dos clandestinos.
O Bispo da Guarda, apelou aos sacerdotes para ajudarem os outros a escutarem o apelo de Jesus às vocações sacerdotais, o grande sofrimento da Igreja de hoje. Pediu-lhes para serem homens de acolhimento, o rosto acolhedor de Jesus Cristo, voltado para todas as pessoas sem exceção, o nosso ministério tem de promover a proximidade. Será que todos ouviram esta mensagem?
Na Páscoa, o Domingo do Bom Pastor, Pedem-nos para rezarmos a Deus, para que esse Dia Mundial das Vocações dê à Sua Igreja muitas e santas vocações sacerdotais e religiosas. A este propósito lembrei-me de uma situação de queixumes e lamúrias da parte de voluntários e voluntárias da pastoral prisional. Num encontro em Fátima lamentavam a falta de assistentes religiosos. O responsável Padre Dâmaso Lamber inquiriu todos os presentes e ninguém mandou o seu ou os seus filhos para o Seminário… e não estavam interessados para os mandarem frequentar no futuro.
Sei que no Distrito de Castelo Branco temos um Diácono, a desempenhar e bem essas funções, no sistema prisional.
Com os Seminários vazios ou quase vazios, há que encontrar alternativas. Já Camões avisava que todo o mundo é feito de mudança e mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.
Os Bispos reuniram-se no Concílio de Trento e entenderam que deviam ter padres mais cultos e então criaram os Seminários para a sua formação. Sei por experiência própria a ação importante que tiveram na sociedade portuguesa. E hoje? Ainda se justificam? Porque é que os leigos não desempenham tantas missões no ministério da Igreja? Não seria importante concretizarem-se esforços para dar continuidade ao Concílio Vaticano II, que este ano comemoramos o seu cinquentenário?
Este tema dava para escrever um livro. Este texto é uma simples reflexão sobre o significado de um Bom Pastor. No meu modesto entender deve ser UM COMPANHEIRO DOS HOMENS NA FÉ.
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes

Afonso X, o sábio deixou expresso que cada homem tem a sua medida, enquanto os filósofos assentam toda a relatividade no princípio HOMO MENSURA.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaEstabelece-se, por esta dupla constatação a também dupla condição do homem que mede e é medido, e que passará a tripla se se considerar que o homem é também autor de medidas.
O contraditório poeta, autor das Cantigas de Santa Maria e de muitas trovas de escárnio e mal dizer deixou bem expresso que uma boa medida para a Alemanha e a Lombardia poderia ser desastrosa para a Espanha e a Hungria.
Bem poderia o régio vate acrescentar por enumeração todas as demais partes do Mundo – não mundo porque imundo – se ele, soberano das Espamhas considerasse que havia mundo para lá das fronteiras marcadas na Marca de Carlos Magno.
Todas estas considerações e lucubrações me vêm a memória face às determinações com que os galeguitos da Troika todos os dias nos traçam caminhos.
Com um metro, que é o deles – e não o nosso.
Com uma direcção e um sentido que eles, à nossa revelia, traçaram e retrassaram, ou seja marcaram e cortaram.
Ainda que o seu propósito fosse ajudar-nos e não explorar-nos, as medidas, por serem, de estrangeiros e estrangeirados, teriam inelutavelmente de falhar,
Uma boa medida para os frios escandinavos, os teutónicos alemães, os ajudendados neerlandeses ou os ponderados súbditos de Sua Magestade Britânica certamente que se revelará desadequada para o nosso temperamento de meridionais.
Ainda que a medida emanasse de entidade a actuar de boa-fé e tivesse como propósito a a nossa salvação.
E se mesmo assim enquadrada falharia, o que será se examinada à luz de financiadoras que nos cobram juros marcadamente onzenários e nos deixarão quando não haja mais nada para rapar.
«Caso da Semana», opinião de Manuel Leal Freire

Ausente por motivos profissionais, não quero deixar de dizer «presente» em mais uma quinta-feira.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Embora não pareça, as estruturas partidárias estão já ao rubro com a aproximação de mais umas eleições autárquicas, daqui a pouco mais de um ano!
E estas ainda com maior significado, pois, a limitação de mandatos sucessivos (três para os eleitos locais), vai provocar uma razia nos Presidentes de Câmara e de Junta, um pouco por todo o país.
E se no Sabugal o atual Presidente pode, se assim o entender o Partido a que pertence, e o mesmo quiser, recandidatar-se, já no que diz respeito a Presidentes de Junta de Freguesia, muitos dos atuais estarão impedidos de se recandidatar.
Por outro lado, as alterações ao Mapa Administrativo (a propósito, o que se passará com esta famigerada Lei que nunca mais vê a luz do dia?…), a que se associam as alterações já anunciadas à Lei das Autarquias, de que as mais sonantes seriam a extinção das eleições para Presidente da Câmara que passaria a ser o primeiro nome da lista mais votada para a Assembleia Municipal, bem como a não eleição de vereadores que passariam a ser escolhidos pelo Presidente da Câmara, criando executivos monopartidários ou resultantes de coligações pós-eleitorais, constituem também um novo cenário em que as forças partidárias se vão mover e fazer as suas opções.
Os que me conhecem sabem que sempre defendi que os candidatos são importantes, mas, mais importantes ainda são as propostas que trazem para o desenvolvimento do Concelho.
Dou por isso muita importância às propostas eleitorais que são apresentadas, e nesse sentido, lembrei-me de algo que escrevi para o Jornal «Cinco Quinas» em 2001, e que aqui me permito reproduzir:
(..) nem sempre damos a devida importância aos propósitos contidos nesses programas, o que leva a que a qualidade desse documento seja normalmente muito baixa, quantas vezes limitada ao enunciar de um conjunto, quanto maior melhor, de ações e projetos a realizar se forem eleitos.
A desvalorização do programa eleitoral reflete-se também no facto de mais tarde nunca se controlar o grau de execução das medidas ali constantes.
No entanto, o programa eleitoral deveria ser colocado ao mesmo nível da qualidade dos candidatos, devendo todo o cidadão eleitor assentar a escolha do seu voto em função do binómio cidadão candidato/programa eleitoral.
E se esta questão é importante no geral, ela ganha importância acrescida quando se pensa a realidade do concelho do Sabugal.
Aqui os programas eleitorais não podem medir-se ao quilómetro de estrada, ao contador de água, aos complexos desportivos a construir, às praias fluviais a criar, etc., etc.
Um programa eleitoral no nosso concelho tem de conter, obrigatoriamente, que estratégia de desenvolvimento os candidatos têm para o concelho, e que, refletindo sobre a realidade recente do Sabugal, enquadre e condicione o cenário de desenvolvimento futuro do concelho, salientando os fatores chave da sustentabilidade e competitividade, bem como as respetivas dinâmicas estruturais de desenvolvimento.

«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

Tinha acabado o ano escolar no Outeiro de São Miguel, colégio situado num ermo a poucos quilómetros da Guarda, e fui para férias do Verão para a minha aldeia, o Vale da Senhora da Póvoa. É então que o meu Avô me comunica que no próximo ano me ia matricular no Externato Secundário do Sabugal para frequentar o 4.º Ano do Liceu.

José Jorge CameiraOu por estar perto da aldeia, ou porque tinha lá amigos que lhe recomendaram esse colégio dirigido pelo Dr. Diamantino, que tinha já fama de competente, disciplinador e com um bom grupo de Professores.
De princípio o assunto não me agradou muito, porque estava perto da minha Aldeia e o meu Avô poderia controlar melhor os meus passos e o pior de tudo seria a possibilidade de ele aparecer de repente por lá. Ora eu naquela idade queria, desejava, precisava de rédea solta…
Pensando melhor depois, aceitei a ideia, porque seria uma espécie de dois em um: era uma rambóia no Sabugal e outra aos fins de semana no Vale… Mas que boa vida de aventura eu iria ter!
O Sabugal é hoje cidade, mas é povoado que ficou pertença do Reino de Portugal pelo Tratado de Alcanizes, ao tempo do Rei D. Dinis, em pleno Século XIII. Por ser perto de Espanha, teve imensas estórias de contrabando de e para Espanha: para lá ia o café, o bacalhau, tabaco das marcas Porto, Definitivos e Kentucky e de lá vinha aquele saboroso pão formato quadrilátero além de outras coisas… era o tempo que 1 Escudo valia 2,5 Pesetas.
Famosas aldeias são deste concelho – Quadrazais, Fóios (terra do meu amigalhaço Ismael Sanches Vaz), Soito (das laranjadas e das castanhas)…
O Castelo é o ex-libris –«Castelo de Cinco Quinas só há um em Portugal ; fica nas margens do Côa, na vila do Sabugal».
À volta da Vila corre preguiçoso o Rio Côa – o único Rio de Portugal que vai para Norte, desaguando no Rio Douro. Por coincidência, ou talvez não, tem muitas semelhanças com o Castelo de Beja. O de Beja tem apenas «4 quinas», mas os documentos históricos dizem que a sua primeira reconstrução conhecida foi no tempo de D. Dinis, rei este que tem muito a ver com o Sabugal.
Chegou Outubro, fui para o Sabugal. Estava a papinha feita: ficaria hospedado na casa da Dona Jesus Alexandrino, uma casarona com quintal mesmo ao lado do Externato, com cama e comida prontinha na mesa. Na casa havia mais dois colegas estudantes do mesmo colégio, o Joaquim Corte e a Leopoldina de Santo Estevâo que haveria de casar com o Manuel Félix do Vale, já falecido.
Foram feitas as apresentações no Externato, mas eis que começam cedo as «confusões» – boas, entenda-se…
No Colégio conheci vários colegas, entre outros que já esqueci o nome: Orlindo Metaio, o Zé Rente, o Ferreira, o Zé Carlos Mendes, um gajo grandalhão e já com ares de intelectual…
Raparigas, algumas ainda lembro o nome: Hortênsia Malaquias, a Milice, Alice, a Lena Ermidinha, Isaura, as duas Fernandinhas.
O Zé Rente, lidei com ele os dois anos que estive no Colégio e tive uma admiração especial por ele: teve um acidente quando era mais novo – fez uma imitação de pistola em madeira e ao experimentá-la, o fulminante atingiu um dos olhos e cegou. Mas isso nunca o impediu de ser um exímio jogador de bola. Pegava na bola numa baliza e ia fazer golo na outra, sempre com toques de bola, saltitando no sapato dele… A fintar, era arte e finura em pessoa.
Mas tivemos as nossas makas: queria ser líder, mas eu também queria!
Casou com uma colega do Externato, a Vitória Pinto de Santo Estevão.

O Faustino (nome fictício) era um colega vivaço, sempre bem disposto, voluntarioso, fortalhaço, sempre rindo e um ás a jogar às damas. Ninguém no Sabugal o derrotava no tabuleiro do AltoBar!
Foi neste café que aconteceu uma estória engraçada.
A rapaziada bebia cerveja Sagres, a tal que custava 7 escudos.
Um dia foi uma risada geral quando um emigrante que chegou de «vacanças» e todo vaidoso pediu uma «bièrre» e cobraram-lhe 10 escudos. É que a «bièrre» é mais cara! – disse o empregado.
O Faustino logo nos primeiros dias disse a todos da turma, perante a minha estupefacção:
– Ei, malta, temos um novo colega, o Zé Jorge, temos que celebrar a vinda dele para o Externato! Na próxima segunda-feira, todos para minha casa à noite.
A recepção à minha chegada ao Sabugal foi assim programada o que deu ensejo que nesse fim de semana eu tivesse «subtraído» dois garrafões de vinho nas barricas da minha casa no Vale da Senhora da Póvoa.
Na noite da segunda-feira lá fui eu, éramos 12 ao todo. Já os tinha visto no Externato e só isso.
Quando entrei na casa do Faustino estava uma grande lareira acesa, grandes brasas que iluminavam uma grande sala. Sobre aquele braseal, várias galinhas assavam e estavam preparadas também chouriças. Pão… e, mesmo a calhar, os meus garrafões de vinho tinto.
Foi uma noitada de comer e beber, como eu nunca tinha tido na vida. Uma farra completa!
Alguém disse para irmos dar uma volta pela vila para refrescar a cabeça do tintol, depois voltarmos para a segunda demão.
Assim foi: passear, cantar, fazer barulho, pedradas nos gatos, alguns até com ruidosos traques que provocavam grandes gargalhadas! Alguém dava um, alguém respondia com outro.
Ora fazer algazarra a essa hora e naqueles tempos, a coisa tinha que dar para o torto. Podia ser coisa subversiva ou coisa de comunistas!
De repente lá em cima na rua principal e junto à Igreja ouvimos os apitos da GNR (os policias odiados de então) e os avisos habituais da bófia:
– Parem em nome da Lei! Ou vão todos presos!!!
É o páras!! Páro, o tanas… ai, pernas para que vos quero…
Nós os 12 começámos a correr pelas ruas fugindo aos GNR’s, cada um para o seu lado, e para agravar a situação, estávamos atordoados pela pinga e de barriga cheia de petiscos.
Lembro-me que fugia deles e sentia um preguinho do salto do meu sapato esquerdo que entrava e saía dentro do meu calcanhar, mas não havia hipótese: tinha de correr e muito!
Estava eu correndo com outro e chegados aquele pequeno jardim atrás do edifício onde era na altura as Finanças, ouvimos um voz forte e autoritária:
– EI , QUEM VEM LÁ?
Por instinto, julgando ser um dos polícias, eu e o meu colega jogámo-nos por aquela ribanceira que vai dar lá muito em baixo ao Rio Côa. Caímos no meio das silvas, rebolámos, ficámos todos arranhados, rasgados…
Inabanão, ouvimos alguém rir: era o Faustino que estava escondido e ouvindo os nossos passos, gritou daquela maneira! Mesmo na altura do perigo, ele gozava com a situação…
As correrias continuaram e eram 5 da matina entrei no meu quarto na casa da Dona Jesus Alexandrino.
A coisa não terminou assim. De manhã a ramona da GNR foi prender 11 moços, debalde procuraram o décimo segundo, que era eu…
Não fui dentro porque era novo na vila, ninguém me conhecia e os 11 não piaram!!
Acreditem: pelas 11 da manhã pedalava eu na bicicleta do Joaquim Corte junto ao local onde estavam de cana os meus colegas. Passaram algumas horas no xelindró e quando saíram, começámos logo de imediato a arranjar OUTRO MOTIVO para uma festança igual. O vinho das pipas da minha casa na aldeia estava garantido!

Um mês depois da aventura em que interveio a autoridade, apareceu novo motivo para uma festança entre os que estudávamos no Sabugal: o Faustino avisou que fazia anos e que tinha de haver festa!
– E tu ó Zé Jorge, não te esqueças de trazer uns garrafões de vinho, mas roubados, assim até sabe melhor a pinga…
Assim foi. Na tal sala da casa dele comemos um belo guisado de coelho e disse que foram roubados em Vila Boa. O Faustino avisou logo que era tudo para nós comermos, ela não iria comer por estar com uma grande dor de barriga!
Era um guisado feito numa panela de ferro das antigas e o cheiro entrava pelos narizes. Apiguilhado pelo vinho do Sr Tenente (o meu Avô do Vale), então foi o máximo. Ganda comezaina, cum catano! Não meteu barulho nas ruas, senão haveria outra «séjour» detrás das grades…
Estava a panela bem raspada, até houve quem passasse pão por dentro para aproveitar o molho como gulodice, quando o Faustino pediu silêncio. Aí vem discurso, pensámos!
– Oiçam, vocês lembram-se daquela gata velha em casa da minha avó, lá no cimo das escadas, cega dum olho, deitava pus amarelado, era um nojo, a velhota pedia-me muitas vezes para a matar?
– FOI ESSA GATA QUE VOCÊS ACABARAM DE COMER!!!
E começou rindo desavergonhadamente, segurando até a barriga…
Bem. Imagine-se a malta a sair correndo para a rua e todos enfiando o dedo bem fundo na goela para vomitar! Eu também. E injuriando o gajo… que ainda se ria perdidamente!

José Jorge Cameira

«Estórias de um filho de Vale de Lobo e da Moita»
mailto:jjorgepaxjulia4@hotmail.com

Há abismos que as chuvas de abril e maio não atestaram nem o sol da Primavera consegue aclarar quomodo são cavados entre a realidade e o desejável.

Fernando Capelo - «Terras do Jarmelo»Há, de facto, abismos que se abrem entre o que se ouve, entre o que nos explicam nas televisões, rádios ou jornais e a vida que, paralelamente, vivemos.
Não há, então, um só abismo. Há vários… Há a abismal ousadia de dizer (alguns dos que, tranquilamente, dizem) que estes dias, abismais, ainda não são os piores dias.
E há, claro, um abismo profundo entre os que pensam (sem nada dizerem) e aquilo que alguns imaginam que eles podem, realmente, pensar ou dizer. Poder-se-á, para esses, imaginar maiores desgastes físicos e emocionais?
Eis, assim, um outro abismo feito de angústia e de escassez de esperança. Se eles falassem (os que nada dizem) falariam, certamente, do excesso de angústia e do défice de expectativas.
Entretanto vão-nos dizendo (alguns dos que dizem) que sim, que nos entendem e que nos escutam. Mas o que eles dizem entender não é o que lhes é pedido. O que se lhes pede, o que se lhes exige são novos dias para quem, há muito, espera um novo dia. Há, aqui, portanto, mais um abismo entre o que é pedido e o que é concedido.
Há, ainda, quem diga que não, que não nos entende, que não consegue perceber o que nos aflige, que não se pode ceder e que, muitas das queixas são fitas e, até, podem ser chantagens. Mas a maioria dos queixosos pensam como quase todos embora, sim, seja verdade que há um quase que falta ao todo e esse quase pareça concordar com quem fala de fitas ou de chantagens.
Eis, então, exposto, um outro abismo. Este, não entre mandantes e mandados, mas entre nós e nós. Entre o quase que falta ao todo e os que temem um fim indigente. Entre os aflitos e os que chamam aos aflitos fiteiros ou chantagistas. Entre os tementes e os que, prefasiando alguns dos que mandam, falam de oportunismos.
Ora, definitivamente, não. Não é o ritmo nem o tom das conversas (dos que dizem) que nos convencem, que evitam o desespero que nos desconcerta, que nos isentam do que nos deprime, que silenciam o que nos atordoa, que nos aplanam abismos.
Ainda assim, talvez quem manda deva reflectir. É que há ainda uma outra espécie de abismo. O abismo aberto entre o comportamento de quem ordena e a reacção daqueles de quem se espera que obedeçam. Quem manda nem sempre demonstra muita cultura democrática, sobretudo quando tenta calar (apesar das angustias e dos défices de expectativas) manifestações de desagrado com intimidações exageradas.
Esse é, afinal, o mais perigoso dos abismos. É o abismo fundeado na degradação da democracia. E, claro, assim sim, poder-se-á caminhar para dias ainda mais difíceis se não for aberta a possibilidade de ouvir os argumentos de quem interpela, daqueles que, no fundo, também têm o direito de dizer e, até, de anular, de aplanar abismos.
Há, pois, quem revele desprezo e insensibilidade suficientes para fazer desejar séria avaliação independentemente da ideia que se tenha do conceito de razoabilidade.
«Terras do Jarmelo», crónica de Fernando Capelo

Hoyos uma localidade espanhola, da Sierra de Gata, Estremadura espanhola, está geminada com uma outra localidade francesa que se chama Sainte Verge. É uma geminação com uma década e todos os anos se visitam, alternadamente.

José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaHá quatro anos atrás o autocarro trouxe as duas delegações até aos Foios e desde aí nunca mais nos largaram. Somos sempre convidados para ir a França, o que nunca aconteceu visto que uma semana é algo complicado. Mas quando os franceses vêm a Hoyos, que dista cerca de quarenta quilómetros de Foios, confraternizamos pelo menos um dia.
Este ano aconteceu na passada sexta feira, dia 18 de Maio, e fiz-me acompanhar pela minha esposa, o geólogo José Luís Nobre e pelo João Paulo, técnico na Câmara Municipal.
Foi uma jornada muito animada com um almoço, oferecido pelos franceses, no parque de campismo de Hoyos visto ter umas excelentes condições.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

Ainda sei distinguir o trigo do joio querido leitor(a), o sectarismo político e o fanatismo não me cegam, hoje vou falar de alguns homens políticos que eu considero os coveiros do Estado social em Portugal, e os causadores de todo este drama social que padecemos.

Já não somos o povo que fomos, já não fazemos História, vemo-la fazer, e aqueles que a fazem limitam-se a ignorar-nos ou a humilhar-nos, a nossa atitude perante eles é uma atitude de subserviência, principalmente para com a Alemanha. Com esta atitude estamos também a contribuir, não para uma construção europeia, não para a formação de um conjunto de Estados solidários e respeitadores da soberania uns dos outros, contribuímos sim para uma desconstrução europeia, onde as desigualdades entre Estados se agravam cada vez mais. Porque chegámos a este ponto? Porque alguns políticos ineficazes e subjugados pelo poder económico atiraram connosco para os confins da História.
Vejamos o primeiro: JOSÉ SÓCRATES, um tipo sem sensibilidade social que se dizia socialista, aproximou-se mais da ditadura do que da Democracia, com ele aprendemos que a política do posso, quero e mando não pertence só às ditaduras e aos regimes autoritários, este homem mostrou-nos com grande evidência que também a democracia contém dentro dela um enorme potencial coercivo e impositivo. Com ele Portugal começou a regredir a nível económico, social e político. A corrupção grassou impunemente, com ele começou o desmantelamento do Estado social em Portugal. Governou para ele e para quem o manteve no poder.
PASSOS COELHO: está a seguir as pegadas de José Sócrates. A conjuntura permite-lhe ser ainda mais desapiedado social. Um germanófilo em relação à política europeia e nacional. É a quinta-essência do Neoliberalismo, um lacaio do poder económico, tanto português como estrangeiro. Não representa o Povo Português, representa os Merkados, os bancos alemães e os especuladores. Se não fosse a comunicação social controlada enganando a população portuguesa, comunicação social essa que é pertença de alguns barões do PSD e passa a vida falando de vitórias e cantando aleluias ao governo, já o tínhamos posto na rua, somos o Povo Soberano, temos esse direito. Este homem nem governa para ele nem para os que o mantêm no poder, governa para estrangeiros. Está a destruir o Estado social a um ritmo impressionante. As políticas de austeridade que ele adopta estão a levar Portugal para uma catástrofe social idêntica à da Grécia.
CAVACO SILVA: como Passos Coelho, a quinta-essência do Neoliberalismo, vê Portugal a caminhar para o abismo e nada faz para o evitar. Quando entrou para Belém, o fosso entre ricos e pobres era enorme, havia nessa altura dois milhões de pobres em Portugal, vai sair de Belém com o fosso entre ricos e pobres muito mais acentuado, e com os mesmos dois milhões, ou mais, de pobres. Uma ineficácia política absoluta. Aceita a destruição do Estado social e as medidas de austeridade draconianas de Passos Coelho.
A este trio temos que juntar mais um político, DURÃO BARROSO: um homem que ocupa o lugar que ocupa, podia fazer um pouco mais pelo seu País, mas se o lá puseram não foi para isso, foi para obedecer às potências económicas da Europa. Só fala em agressividade económica, competitividade e austeridade, ou seja, fala a linguagem do mais ortodoxo neoliberal, a linguagem de Merkel. Um destruidor do Estado social europeu. Se um dia as coisa mudarem, muda de campo e de discurso, por isso em Bruxelas lhe chamam o «Camaleão». A mais não chega o seu horizonte mental.
E nós querido leitor(a), não seremos os culpados desta gente chegar ao poder? Claro que somos! Em primeiro lugar, 90 por cento dos portugueses que lêem jornais e vêem televisão acreditam piamente no que os corifeus dessa comunicação social lhes dizem, presa fácil para qualquer demagogo. Vivemos obcecados pelo consumismo, pelo materialismo, a maior parte de nós tem passatempos frívolos, somos superficiais, custa-nos pensar… Amamos o hedonismo vulgar e o embrutecimento moral. Resumindo: ficamos satisfeitos com a nossa dose diária de sexo, álcool, droga, de futebol, de tasca, de centro comercial e de grande superfície. Somos filhos do sistema. Controlar gente assim é das coisas mais fáceis para qualquer sistema político, porquê então usar a violência quando se podem controlar cidadãos e doutriná-los através da comunicação social, do marketing e de várias formas de manipulação mental e psicológica? O sistema já conseguiu a segurança necessária para que as suas vítimas, que somos nós, não o desafiem como em outras épocas históricas. Sendo assim, vai abusando.
«A melhor fortaleza dos tiranos é a inacção dos povos»; Maquiavel.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

 

A primeira Capeia Arraiana no Campo Pequeno realizou-se em 4 de Junho de 1978, dia em que os sabugalenses acorreram a Lisboa, enchendo a catedral da tauromaquia nacional para assistirem a um espectáculo popular desconhecido no país.

A ideia de trazer a Capeia Arraiana até Lisboa foi do Francisco Engrácia, de Vila Boa, que a custo convenceu a direcção da Casa do Concelho da exequibilidade da iniciativa. Uma comissão por si coordenada pôs mãos à obra, assumindo a responsabilidade pela organização e aceitando cobrir os prejuízos, se os houvesse, e assumindo que os lucros, se surgissem, reverteriam a favor dos Bombeiros Voluntários do Sabugal, na altura a única corporação do concelho.
«Capeia Arraiana» foi a designação escolhida pelos organizadores para o espectáculo, expressamente justificado: «O nome CAPEIA que demos à tourada no Campo Pequeno resultou de assim serem chamadas as touradas características das aldeias fronteiriças do nosso concelho. O termo caracteriza uma tourada em praça improvisada. Não foi concretamente o caso, mas o facto de termos trazido o FORCÃO conjuntamente com a realização do chamado PASSEIO DOS RAPAZES foi o bastante para que o termo se afigurasse ajustado. Capeia é também em Espanha a tourada realizada nos mesmos moldes que a CAPEIA ARRAIANA.» (jornal Sabugal, nº3, Julho/Agosto de 1978).
A tourada do forcão acresceu ao convívio anual que juntava os sabugalenses residentes em Lisboa e que se vinha realizando desde 1974: «o piquenique». O convívio aconteceu nesse ano de 1978 em 3 de Junho (dia imediatamente anterior ao da Capeia), no Parque do Seminário dos Olivais. Depois do convívio, os sabugalenses dirigiram-se para a sede da Casa do Concelho, onde assistiram a uma sessão de fados que se prolongou pela noite dentro.
Na manhã seguinte, domingo, realizou-se um jogo de futebol, opondo a equipa da Casa do Sabugal à da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro, que os raianos ganharam por um expressivo sete a zero. Seguiu-se um almoço da sede da associação, que juntou os jovens futebolistas de ambas as equipas a uma delegação dos Bombeiros do Sabugal e aos elementos da direcção da Casa, estando também presente o presidente da Câmara Municipal do Sabugal, o Dr Lopes.
Findo o almoço chegou a hora de ir para a Capeia, no Campo Pequeno, e o percurso fez-se a pé, num vistoso e muito participado cortejo, que partiu da Praça do Areeiro e seguiu pela Avenida João XXI até ao Campo Pequeno.
A tourada com forcão aconteceu sem incidentes e encantou os que encheram a praça. A alegria e o convívio foram vencedores e, no final, feitas as contas, verificou-se um saldo positivo, sendo desde logo lançada a ideia de que no ano seguinte se realizaria nova capeia.
plb

A panela de ferro é a rainha da cozinha nos anos 50. Mas há ao lado os amigos dela: o tacho, a sertã, a caldeira – tudo arrumado ao lume, pendurado nas cadeias ou colocado em cima das trempes. Eis o cenário marcante de uma casa, onde a cozinha era a zona principal.

José Carlos MendesEsta é uma crónica sobre o trabalho escravo das mulheres de então. (E de hoje, em certa medida, porque muito se mantém ainda). Trata-se de uma época de cores fortes, pelo que uso aqui a panela, o tacho e as trempes como meio de atracção de leitura: foi para o enganar a si, leitor, agarrá-lo pelo lado da curiosidade e levá-lo a ler uma coisa bem mais profunda do que umas linhas folclóricas sobre tachos e panelas…
Cabe aqui dizer que nos anos seguintes, na década de 60, chegou a emigração e com ela mais dinheiro nos bolsos de muitos. Mas se é verdade que o dinheiro aliviou um pouco a miséria, é bom que se saiba que isso não aliviou as mulheres dos seus trabalhos. Pelo contrário: muitas ficaram sozinhas com os filhos e a vida toda: os animais e os campos para tratarem…

Cozinha, panela, tacho e trempes
A cozinha e o trabalho em casa ocupam a maior parte do tempo da mulher. Imaginem o cenário. Uma cozinha aberta, paredes e equipamentos na base do escuro de origem ou do preto adquirido pela queima de tanta lenha. Por cima, o caniço (fumeiro). À frente de todos, o lume. Do centro do lume sobem as cadeias, um entrelaçado de ferro em que se penduram os caldeiros com a comida para o «vivo» (os animais). Em volta do lume, as panelas: nelas se cozem as batatas, os feijões ou o caldo de couves. Umas trempes redondas (não triangulares como as da foto, retirada da net) servem para colocar em cima os tachos ou a caldeirinha de cobre ou de zinco em que se fritam as filhós ou se faz o arroz doce em épocas de festa. Aqui e ali, a sertã (frigideira) vai também ao lume para fritar um ovo e umas batatas, ou mesmo para fazer aquele inesquecível prato das «batatas arranjadas» (o que hoje chamamos «roupa velha»: aproveitamento de restos para os cozinhar em estilo de semi-frito, com azeite e alho).
A chouriça, a bucheira, a morcela ou o farinheiro, as costeletas, a carne gorda ou entremeada – esses alimentos raros, se os havia, eram grelhados numa grelha grande.
Este é o mundo da mulher do Casteleiro nos anos 50/60 do século passado.
Panelas e tachos são instrumentos da mulher. A cozinha é o reino da mulher.
Mas também o seu local de combate, de trabalho e dedicação até mais não: acende o lume, faz a comida, põe a mesa, serve a comida, recolhe a loiça, lava a loiça, arruma tudo, limpa tudo, vai ao campo, faz o que tem a fazer, volta a casa, acende o lume, faz a comida…

«Trabalho de mulher»
Uma nota cultural final: uma ideia que vem do fundo dos tempos. A propósito de tachos, panelas e caldeirinhas: já ouviu dizer que «isso é trabalho de mulher»? Em tom de menosprezo, claro. A má formação aliada à ignorância faz estas coisas no nosso cérebro. Foram milénios culturais que é preciso domar…
O que era então esse tal desprezível «trabalho de mulher»?
Era de tudo: a comida, a horta, os animais para alimentação e venda (porcos, galinhas, coelhos), cozer o pão e preparar todo esse processo… e muito, mas muito trabalho no campo. Nos tempos livres (?) ainda havia que tratar dos gaiatos, das roupitas deles, fazer camisolas de lã e coisas do género.
E faziam tudo.
Mulheres-heroínas, é o que é.
As refeições do dia estavam por sua conta. Eram muitas, nas casas de trabalho: almoço – às seis ou sete da manhã; na época das grandes fainas, nas casas que as tinham, o c’ravelo (penso que se deve dizer caravelo) – às dez horas; jantar – ao meio-dia, mais ou menos; merenda – pelas quatro ou quatro e meia; ceia – às nove no Verão e às sete e meia ou oito no Inverno.
Isso, ocupava muitas horas. Mas havia mais trabalho em casa: limpar, varrer, roçar.
E, quantas vezes, fazer a roupa de todos? E lavar a roupa? Dias inteiros na ribeira, fizesse calor ou nevasse? E passar a ferro aquilo tudo?
Nos «intervalos», campo. Na vinda, animais de casa: porcos, coelhos, galinhas e o resto.

Se o leitor tiver interesse em saber como é que eu penso que as nossas mães ocupavam o seu tempo nos anos 50, pode abrir aqui uma crónica que escrevi há quase seis anos e que ainda hoje me impressiona.
No Casteleiro, e se calhar no resto do País, as mulheres, as nossas mães, eram verdadeiras escravas: ele era em casa a tratar da família, desde o comer à roupa e à limpeza; ele era ali junto de casa a tratar do «vivo»; ele era no campo a tratar das hortas, e a regar, e a arrancar batatas, as cebolas, as couves e a mondar aqueles terrenos todos e… e…
Mas não se pode esquecer que os homens também davam no duro por aqueles campos fora.
Eram mas é vidas do catano, pá («catano», na minha terra, não é asneira: só brejeirice da boa).
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Soito iniciou em 16 de Setembro de 2011 a ampliação das instalações do quartel. O projecto é um grande salto na melhoria das condições da corporação e uma das maiores iniciativas da actual Direcção presidida por Maria Benedita Rito Dias.

(clique nas imagens para ampliar.)

A cobertura da parte social e administrativa está quase pronta, os pilares que suportam a cobertura das garagens já estão de pé e vai iniciar-se o reboco das paredes interiores.

Quem pretender ajudar os bombeiros pode transferir o seu donativo para:
NIB: 003507020001137293062
ou, se for no estrangeiro, através do:
IBAN: PT50003507020001137293062, código CGDIPTPL.
A Direção e os Bombeiros Voluntários do Soito agradecem.
jcl

Variados factores influenciaram os habitantes de Riba Côa no seu falar, contribuindo para a criação de uma espécie de «dialecto empobrecido», com muitas originalidades, como de resto observou e explanou a filóloga Clarinda de Azevedo Maia no seu estudo «Os Falares Fronteiriços do Concelho do Sabugal e da vizinha Região de Xalma e Alamedilla», datado de 1964.

Mas de onde provém essa forma de falar que se enraizou na raia ribacudana? Francisco Vaz (in Alfaiates na Órbita da Sacaparte, Lisboa, 1989), lança alguma luz, aventando possíveis fontes desse linguajar peculiar, sobretudo no que reporta ao léxico: «O idioma leonês que nos embalou o berço; a tradição cujas raízes não secam; vocábulos de criação original e simbólica, colhida das coisas; também a lei do menor esforço; a onomatopeia que supõe erudição».
A influência mais notada, segundo a generalidade dos estudiosos, terá sido o idioma do país vizinho, fruto dos contactos assíduos. A tudo isto não é alheio ainda o bilinguismo dos falantes, que ao conviver entre os dois lados da fronteira falam com facilidade ambas as línguas, fazendo com que, do nosso lado, expressões castelhanas integrem o falar normal e quotidiano das pessoas.
Depois, há a considerar que a linguagem do povo é, em todo o espaço e em todo o tempo, composta por um falar prático, funcional, recorrendo ao pragmatismo e à simplicidade de exposição, sem muitos rodeios e elaborações. Isso não significa ignorância, mas sim revela a forma nua e crua como pessoas que vivem na mesma comunidade, em amplos aspectos fechada ao mundo, necessitam de comunicar com absoluta compreensão. Claro que existem falares mais elaborados, quer ao nível da estrutura sintaxológica, quer ao nível lexical, mas isso reporta-se a compartimentos mais estanques do todo social, sobretudo no âmbito de grupos profissionais.
Grande importância teve também a corruptela ou simples deturpação de palavras e sons, que variam de terra para terra, sobretudo ao nível da pronúncia, cuja alteração acentuada conduzia a diferentes forma de expressão e a uma abundância de termos característicos.
Mas no que especialmente toca à fonética e à prosódia, há que atender à natural tendência para a simplificação de sons, dentro da lei do menor esforço, como é exemplo a supressão de sílabas ou o seu encurtamento. Também se trocam letras, sendo usual o câmbio do v pelo b, tão vivo em algumas terras ainda nos dias que agora correm (belho, binho). Também o ch se transforma geralmente em tch (tchouriça, tchapéu, bitcho), o que resulta da influência do falar castelhano. E, sobretudo, como elemento caracterizador, o som sibilante do s, que aparenta transformar-se em x (xou do Xabugal), o que na verdade não sucede. Aqui atendamos em o que nos deixou escrito o investigador miuzelense José Pinto Peixoto (in Miuzela – A Terra e as Gentes, Lisboa, 1996), na sua crítica à normalização da língua e ao consequente desaparecimento de ricas formas de expressão: «Havia uma diferença muito pronunciada nas sibilantes. Assim se distinguiam as sibililantes provenientes do s dobrado (ss), com tendência a pronunciar-se de forma dental, quase como se (asssim, passso, ect.) do c e s iniciais, ou do ç de origem árabe (sincelo, açafate, sete, etc.)».
Tenhamos também em conta as sábias palavras de Célio Rolinho Pires, autor de cavados estudos sobre o nosso berço raiano: «O homem do povo, a cuja cultura o homem erudito nem sempre deu a devida importância, regra geral prima pela simplicidade, pela lógica, pela racionalidade, pelo bom senso». Isto aplica-se especialmente ao modo de falar popular característico da nossa região.
Muito haveria a referir quanto à objectiva caracterização da forma de falar das gentes de Riba Côa, contudo não possuímos formação nem conhecimentos de Filologia que nos habilitem a tal. Contudo, também não é meta destes trabalhos esparsos mergulhar no estudo da parte sintáctica do falar. Deixemos tal tarefa para competentes linguistas, que nos evidenciem a disposição dos termos nas proposições e destas no discurso. O mesmo ocorre quanto à Fonética, campo imenso a desbravar em estudos mais profundos, baseados num rigoroso trabalho de campo, aprofundando a valoroso trabalho efectuado pela professora Clarinda Azevedo Maia, da Universidade de Coimbra.
Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

leitaobatista@gmail.com

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é mais uma coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicar poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal, pelo que serão 101 os poemas a elaborar e a publicar pelo poeta e escritor bismulense, sendo o primeiro dedicado a todo o concelho e os seguintes evocativos a cada aldeia.

O termo do concelho reza a lei
Estende-se a quarenta freguesias
Com o favor das musas tentarei
Cantá-las alinhando sincresias

Não sendo numerosa a nossa grei
Os censos desfazendo sinesias
Somando-lhes as anexas serão cem
Os temas para estas poesias

Das ninfas do Alto Coa e mesíos cumes
Dos tótemes da Raia sacros numes
Favores eu invoco e seja desta

Mas grado a pobreza do meu estro
Que saiam estes povos do sequestro
E se esparza urbe et orbe a sua gesta
_________

E para o que uma ordem certa dita
O alfabeto me dará sinal
Entrando a seu tempo na compita
O mais pequeno burgo e o Sabugal

Do a até ao z, tudo se cita
Seguindo, pois, a ordem natural
É regra que as dissensões evita
Tornando a cada um o cujo qual

Mas porque a mátria foi o campanário
Conspecto a servir de lampadário
Alçapremado assim a sumo guia

Pequena ou maior qualquer anexa
Achar-se-á porque lhe é conexa
No rol da sua própria freguesia

«Poetando», Manuel Leal Freire

Abordamos neste artigo, e noutros que se seguirão, o linguajar tradicional do povo raiano das zonas do Sabugal e de Riba Côa, procurando caracterizar formas de expressão que o tempo está a fazer desaparecer, face ao continuado processo de normalização linguística. Depois de uma superficial caracterização desse «falazar» típico, seguir-se-á a publicação de um léxico enumerando alguns dos termos populares e os seus significados.

Uma nota prévia para referir que, não me opondo à natureza prática do Acordo Ortográfico tendo em vista harmonizar a Língua Portuguesa escrita e falada por diversos povos no mundo, considero que a raiz e a matriz de uma língua está no povo que por ela se expressa. Por isso cito e concito Aquilino Ribeiro, o escritor português que melhor defendeu o regionalismo tradicional português: «Persisto em crer que pouco pode a disciplina léxica e literária contra o uso inveterado e a acção do inconsciente mas irrefragável formador da língua que é o povo» (in Aldeia – Terra, Gente e Bichos). E é precisamente na riqueza lexical da língua portuguesa falada pelo povo de Riba Côa que me irei centrar, formulando uma recolha de palavras e de expressões linguísticas que o tempo já quase derriscou.
As gentes de Riba Côa, herdaram um «falar português» algo diferente daquele que é praticado noutras partes do país. Há de facto peculiaridades de expressão, que caracterizam a fala do povo desta faixa de terra que vai de Quadrazais a Barca d’Alva, com influências visíveis em ambas as margens do rio Côa, à roda do qual os povos se estabeleceram e comunicaram entre si.
Sendo a fala o meio mais poderoso na comunicação entre as pessoas que vivem numa mesma comunidade, ou em comunidades vizinhas, estes povos construíram um modo de expressão linguística próprio, com características claras ao nível da morfologia, da sintaxe e do léxico.
Não se trata porém de um dialecto, muito longe estamos disso, porque aí teríamos uma variante da língua portuguesa, da qual diferiria por características fonéticas, fonológicas e particularidades lexicais muito vincadas – em Portugal só o Mirandês é considerado um dialecto, pois diferencia-se em determinadas situações do português padrão, ainda que lhe seja muito próximo. No que toca a Riba Côa, estamos perante um falar, que incorpora alguns desvios em relação ao português normal, com particularidades fonéticas e lexicais, e apenas com forma na oralidade. Porém, mesmo em termos de falar, estamos perante um conceito limitado, porque só com alguma vontade se pode hoje considerar que ele existe, pois não é notada complexidade nem coerência que permita concluir tratar-se de uma variante linguística, ainda que ténue.
Os artigos seguintes abordarão a origem do linguajar característico desta região e o desenvolvimento da sua fonética, morfologia e sintaxe. Abordar-se-á ainda o processo de normalização linguística (que destrói a riqueza lexical), e apresentar-se-á um léxico que foi fruto de uma aturada recolha no terreno e nas obras escritas de muitos autores, sobretudo dos nossos maiores monografistas.
Para justificação deste modesto intento, cito o prestigiado filólogo Manuel Paiva Boléo: «Todo o homem que não explorou cuidadosamente os falares regionais do seu país, não conhece da sua língua senão metade».
Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

leitaobatista@gmail.com

As tubas da fama, mais enganadoras ainda do que sonorosas, apresentam a nossa actual geração de jovens como a mais preparada de sempre.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaPor certo que a afirmação se funda no número, nunca antes atingido, sequer aproximativamente, de licenciados.
Ignora-se, porém, que os diplomas universitários obtidos titulam, na maioria dos casos, habilitação para profissões não existentes em nenhum país, ou que – mesmo existindo – nunca absorverão mais do que uma pequena percentagem das fornadas anualmente saídas das escolas superiores.
E faz-se, por igual, tábua rasa, da fraca qualidade, dir-se-á mesmo da indigência, em matérias de literacia e de cultura geral, das habilitações recebidas em muitos cursos.
Quem exerceu o magistério antes e depois da reforma VEIGA SIMÃO e do rebaixamento trazido por algumas instituições, que se dizem de grau superior, não pode deixar de se sentir indignado perante a rebaixa.
Depois esquece-se a falta dos cursos profissionais ministrados nas antigas escolas técnicas, essas sim preparando para a vida e para profissões necessárias, porque úteis.
Blasonar sobre uma geração, que se diz superiormente apetrechada porque andou, em estabelecimentos ditos universitários a discutir o sexo dos anjos é desconhecer a realidade e reduzir o prático ao nível do utópico.
A geração que agora se apresenta para começar a vida activa não foi preparada para o nosso mundo.
E ter uma licenciatura de muitas que há para aí não abona – nem sequer culturalmente – os seus titulares.
O facilitismo que se quis opor ao tradicional estilo orbiliano e a proliferação de escolas apenas interessadas em vender diplomas não elevaram, antes rebaixaram ao nível do abandalhamento o estatuto cultural das novas gerações.
Que, em nome duma tenebrosa equiparação para a pobreza generalizada se viram privadas do acesso à vida activa…

Trincheiras para garantir privilégios
Repetidamente vimos afirmando não ter nada a opor às parcerias público-privadas que, bem negociadas, podem ter a vantagem de antecipar benefícios que os poderes públicos, actuando sozinhos, não poderiam de imediato propiciar às populações, por carência de meios financeiros e – ou – técnicos.
O que é necessário é que os negociadores públicos, ao contratá-las, se não deixem, por incúria, simpatia ou,o que é pior, corrupção, arrastar para concessões lesivas do interesse geral.
A abertura de concursos que permitam uma ampla rede de escolhas e um caderno de encargos que deixe, a quem decide, poucas ou nenhumas possibilidades de paternalismo ou paraninfado revelam-se as mais seguras medidas de que não haverá favores.
Depois, deve desconfiar-se das blindagens com que os privados se procuram acautelar.
Todos nós estamos fartos de ouvir a fazedores de opinião, pagos pela privada, da impossibilade de atacar as rendas. Felizmente que os contratos, por leoninos, apresentam brechas aquileias, de resto, sempre seria fácil atacar alguns seguindo os fumos de corrupção que sobre eles impendem
Corajosamente, a direcção do AUTOMÓVEL CLUBE DE PORTUGAL está a atacar um dos mais ruinosos.

Cá se fazem, cá se pagam
Eu não sei se o ex-presidente do FMI é tão ávido de sexo como o garoto que tem tripudiado sobre a Europa, acolitando a ex-polícia MERCLE, o quis pintar. Mas o que sei é que com o dinheiro corrente – e quase em proporções diluvianas – de que ele dispunha e dispõe, se podia e pode fazer acompanhar de uma multidão de concubinas à sua escolha, desde donzelas dispostas a vender a virgindade até a prostitutas em idade de reforma com carúnculas mirtiformes na matriz, mas dominadoras de todas as técnicas de lascívia que da mãe Eva a Lady não sei quê, se tem ensaiado.
De modo a não ter de recorrer aos serviços da empregada de quarto, cujo aspecto secaria o ímpeto sexual até de imundo carregador de imunda carvoaria.
Depois a insidiosa trama posta a correr tem falhas que a tornam incrível.
Logo porque, a prática de sexo oral não pode ser imposta sem a colaboração de terceiros e porque a vítima não desdentada tem sempre forma de se libertar do ataque.
De modo que não restam dúvidas de que tudo foi uma tramóia do tenebroso Sarkosy, que de nada lhe serviu. O Hollande não lhe deu margem para acusações do tipo.

Um terrível precedente e um monstruoso atentado
De entre os repetidamente nefastos decretos que transformaram em catástrofe o consulado do senhor TEIXERA DOS SANTOS, o mais repugnante – e que mais pesadamente se vai fazer sentir sobre todos nós – foi o da nacionalizaçao do BPN, que não era banco, nem português e que só foi negocio – e da China – para uma aliás pequeníssima clique.
Quando uma instituição bancária vira DONA BRANCA, valorizando as acções segundo a influência política dos respetivos portadores e pagando juros acima de toda a concorrência, perdeu a dignidade inerente à respectiva condição…
E usar o nome de português foi uma torpe usurpação, por atentar contra a nossa dignidade, alicerçada em seriedade – desde EGAS MONIZ.
Por isso, o BPN nunca foi banco mas uma CAVERNA DE CACO, onde uns tantos privilegiados tripudiavam. Tê-lo deixado cair, teria sido, pois, um acto de higiene.
A boa banca, usando a parafrase do PRESIDENTE CAVACO, afastaria assim a má banca.
Estranhamente, ou não, dada a tenebrosa teia de ligações, o MINISTRO DAS FINANÇAS optou por salvar a má moeda, neste caso a pérfida banca, e incrustá-la na Caixa Geral de Depósitos, inventando um buraco onde cabem o da MADEIRA, o das EMPRESAS PÚBLICAS, o das AUTARQUIAS.
E que por décadas ficará a sorver o melhor das receitas públicas.
E não se salvou por aquela via NADA, a não ser os interesses duma claque.
O senhor MINISTRO DAS FINANÇAS sabia-o.
Os restantes membros do GOVERNO tinham obrigação de sabê-lo.
O sistema bancário deve, certamente ser preservado.
O sistema que não os seus membros infecciosos, INFECTADOS e INFECTANTES.
«Caso da Semana», opinião de Manuel Leal Freire

Este oportuno artigo de opinião marca o início de uma nova rública no Capeia Arraiana assinada por Manuel Leal Freire, designada «Caso da Semana», na qual o ilustre escritor raiano falará de assuntos que a oportunidade e a actualidade ditarão. O «Politique D’Abord – Reflexões de um Politólogo» vai mmanter-se, voltando já na semana que vem a ocupar o espaço de sábado. O «Caso da Semana» passará a ser editado num dia certo a definir.
plb e jcl

Para não passar para esta crónica todos os significados que o dicionário nos diz, direi, de forma simples que, o referendo é uma consulta popular. O substantivo deriva do latim, «referendu», e significa «o que deve ser confirmado». A importância de atendermos ao significado das palavras facilita a compreensão dos conceitos. Para esta crónica é essencial.

Desde sempre, que os políticos e a política, se manifestam em nome do povo. O sentido da democracia assenta no princípio de eleições, por voto livre e secreto. E sempre que se elege alguém, efectivamente, passa a representar-nos. Todavia, o pressuposto, reside na confiança no eleito que assenta num programa, num projecto, numa ideia. Portanto, o eleito tem por obrigação, por em prática o seu programa para que, assim, se torne fiel depositário do voto do cidadão.
Infelizmente, não é a nada disto que assistimos. Os partidos, e os seus dirigentes, apresentam programas eleitorais ao eleitorado (a maior parte deles completamente inócuos, ideologicamente vazios, elaborados numa linguagem entendível a poucos) que, depois, não vão cumprir. Arranjando desculpas e artimanhas para tal. Passando a executar um programa oculto (muitas vezes obscuro) que, também, regra geral, vai contra o sentido do voto daqueles que neles votaram e que o fazem, ironicamente, em nome desses mesmos que votaram.
Ora, não é este o sentido nem a função político e, muito menos, da política. É ultrajante ouvir os políticos falar em nome do povo, quando nada das suas decisões foram propostas ao povo. Alguém consultou o povo para a adesão à União Europeia? Alguém consultou o povo para a inclusão na moeda única? Alguém consultou o povo para a ratificação dos vários tratados europeus? Alguém consultou o povo para o «convite» à troica? Alguém consultou o povo para a nacionalização do BPN? Alguém consultou o povo sobre o fim dos feriados? Alguém consultou o povo sobre o acordo ortográfico? Alguém consultou o povo para o fim dos serviços essenciais do estado (educação, saúde, justiça…) no interior do país? Alguém consultou o povo para o fim das linhas-férreas, a construção de barragens (destruindo património natural e cultural)? Alguém… Não. Ninguém consultou o povo. E, no entanto, todas estas acções são tomadas em nome do povo.
Obviamente, que não defendo uma governação assente exclusivamente no referendo. Mas defendo que o referendo deve ser um instrumento essencial para a governação, como forma de decisão em variadas matérias, e, essencialmente, como confirmação de decisões.
O caminho por onde estamos a levar a democracia está a levar a um virar de costas do povo à participação nos actos eleitorais, ao desinteresse pela política e na participação na vida pública. Desta forma, empobrecemos a democracia e construiremos uma sociedade politicamente medíocre, formada por cidadãos desinteressados e inertes e abriremos as portas aos regimes totalitários, aniquilando as liberdades que nos tornam cidadãos plenos.
Estou convencido de que, com o recurso à consulta popular com mais frequência, não só envolveria muito mais os cidadãos na política, com também, sustentaria muitas das decisões, agora tomadas à revelia. Não esquecendo, que obrigaria os políticos a uma maior transparência (para não dizer verdade), à tomada de consciência de que não são donos do voto e de que, verdadeiramente, o poder pertence ao povo.
Afinal, porquê tanto medo de consultar o povo?
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

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