Vão no bom caminho as propostas apresentadas na conferência «Portugal – A Soma das partes: as economias como fator de desenvolvimento» realizada no dia 16 de abril em Castelo Branco e organizada pela Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas, pelo DN e pela TSF.

Beira Alta

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»No meu entender a mais importante intervenção na Conferência da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas (OTOC) partiu do deputado socialista pelo círculo de Castelo Branco, Fernando Serrasqueiro, ao defender a criação de um «POLIS económico» que, à semelhança do que está ainda em desenvolvimento para a requalificação urbana, contribuísse para o desenvolvimento e a criação de riqueza em regiões como o Interior de Portugal.
Proposta muito oportuna, e que deveria merecer análise aprofundada por parte, nomeadamente, da CCDR Centro e dos responsáveis pela aplicação dos fundos comunitários.
Iria mais longe ainda, dizendo, que esta é uma proposta que deveria ser também analisada no âmbito dos Programas Comunitários transfronteiriços, pois continuo a pensar que o desenvolvimento dos territórios nacionais raianos, está umbilicalmente ligado ao desenvolvimento dos mesmos territórios em solo espanhol.
Igualmente importante, a proposta do deputado social democrata Carlos São Martinho (e que pena tenho que os deputados pelo círculo da Guarda pareçam mais interessados em discutir outras coisas…), de defender que o Interior deveria ser remunerado pelos recursos naturais que cede ao litoral.
É uma proposta justa, pois o interior funciona hoje como o pulmão verde e «fornecedor» de bens naturais essenciais ao equilíbrio natural do País, para além da água, dos produtos alimentares, da floresta, etc.
Não queremos nem nos deixam ter um desenvolvimento massificado igual ao do litoral, mas devemos ser recompensados por isso.
De referir ainda uma outra proposta, do Presidente do Instituto Politécnico de Castelo Branco, de inegável valia, defendendo que haja uma transferência das vagas abertas no ensino superior do litoral para o Interior, conduzindo a que mais jovens venham estudar nos estabelecimentos de ensino superior do Interior.
Tenho assistido a muitas conferências sobre o Interior e confesso, poucas terão sido aquelas onde propostas concretas como estas tenham sido apresentadas.

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ps 1 – Chegam-me notícias de que a concessão da exploração das Termas do Cró e da construção exploração do hotel já terão sido aprovadas em Reunião de Câmara o que é uma boa notícia. Acredito que os técnicos municipais e os eleitos políticos fizeram uma análise cuidada da única proposta que, parece, foi apresentada. E digo isto porque me levantou alguma preocupação saber que foi entregue esta concessão a uma empresa constituída em março de 2011, com um capital social de, apenas, 50.000 euros e da qual, uma pesquisa na Internet não permite perceber se já efetuou algum investimento nesta área ou na área da hotelaria.

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ps 2 – Aos amantes da música portuguesa um alerta. Foi publicado na semana passada um dos melhores discos de fado, e não só, que já ouvi na minha vida. Chama-se Quinto e é do fadista António Zambujo. Fabuloso!


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«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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