De vez em quando, em alguns dos meus artigos, tenho falado no declive do Ocidente, no fim do Império. Acontece que este tema é um pouco polémico, e para algumas pessoas até provocador, mas eu limito-me a constatar a realidade.

António EmidioE se por acaso o declive do Ocidente já começou, qual a parte do Mundo emergente? A Ásia, e dentro dela a grande potência que é a China. A China está a despertar de um século em que foi dominada e colonizada pelas potências ocidentais, principalmente a Inglaterra, esteve também debaixo do domínio japonês e passou por uma guerra civil prolongada e cruenta, tudo isto fez da China o país mais pobre do Mundo. Com Mao-Tsé-Tung, já no século XX, há um pequeno ressurgimento da China, mas a repressão e uma ditadura brutal, originaram o descalabro económico. Vejamos agora o que foi a China antes de todos estes acontecimentos. A China foi a primeira potência económica durante dois mil anos: no tempo de César Augusto, o Império Romano possuía 8% do PIB Mundial, a China 26%.
Em 1600, século XVII, da China saíram 30% do PIB Mundial, a Europa, incluindo o Império Espanhol, Russo e Otomano, saíram 19%.
Em 1820 a China alcançou 32.95% do PIB Mundial, a Europa, incluindo os impérios Espanhol, Austro-Húngaro e Otomano, 23%.
Foi a primeira potência tecnológica até ao século XIX, foram ilimitados os inventos chineses, muitos deles com séculos de adianto em relação à Europa.
A sua população nestes dois mil anos, oscilou entre os 21 e os 36% da população mundial.
E agora, no limiar do século XXI, já estamos convencidos ou ainda não de que a China pobre já não existe, mas existe sim uma China rica e moderna? Vejamos:
– Já é a segunda potência económica mundial.
– É a primeira potência em matéria de exportações.
– É a segunda potência científica.
– É a terceira potência espacial.
– A expectativa de crescimento da procura mundial de petróleo para 2030 é de 20% mais do que em 2010. O principal consumidor será a China.
– É a primeira potência em crescimento.
– É o primeiro mercado automobilístico, de infra-estruturas, de informática de electrónica etc. Qualquer dia será o primeiro mercado em produtos de luxo, turismo e também aeronáutica.
– É a primeira potência em formaturas, por ano ingressam nas universidades chinesas 28% dos seus jovens, formando-se a maior parte em engenharia e ciências.

Ideologicamente o que é a China? Oficialmente comunista, existe um único partido, o Partido Comunista Chinês. Mas será uma economia socialista de mercado? Será o socialismo de características chinesas? Será uma estrutura capitalista de tipo socialista? Uma coisa é certa, as desigualdades são gritantes, a maioria dos trabalhadores são mão-de-obra escrava, mas dizem que estão dispostos a trabalhar dia e noite…
Na China, pouco ou nada ligam à defesa do meio ambiente.
Não existe Democracia nem Liberdade, só liberdade económica, não política, o que aumenta ainda mais a escravatura. É com tudo isto querido leitor (a) que nós ocidentais temos de competir. Os neoliberais no ocidente já vão dizendo que a concorrência com a China será impossível com sistemas democráticos, onde o homem possa reivindicar os seus direitos.
Será que um dia a China irá chegar a primeira potência mundial? Que conflitos provocará com as potências ocidentais? Só interrogações querido leitor(a)! O Império permitirá? Não atacará militarmente se vir a sua hegemonia desaparecer? Ou será que a China se transformará numa grande potência Neoliberal? A nível económico e político? Digo isto porque presentemente dentro da China existe um novo pensamento que é «China 2030», que consiste num maior desenvolvimento da economia privada e a limitação, ou supressão dos monopólios públicos. Presentemente quem controla todo o processo político e económico é o partido Comunista Chinês, mas quem controlar a economia acabará por controlar o Partido. Deng Xiaoping quis construir o Socialismo passando pelo Capitalismo, mas começo a convencer-me que não constrói um nem outro, talvez construa uma barbárie com corpo de Mao-Tsé-Tung ea cabeça de George Bush. A História o dirá.

Disse no meu artigo Sabugalenses pela Democracia, que iria informando para que a CAMINHADA PARA ABRIL se pudesse realizar. Ficou assim: no dia 25 de Abril, se o tempo o permitir, quem quiser que esteja no Largo 25 de Abril, (Largo da Fonte) entre as 14 horas e as 14 horas e trinta minutos, caminha-se por algumas ruas da Cidade, indo depois até ao Auditório Municipal para um pequeno debate sobre o 25 de Abril.
Se o tempo não o permitir, a concentração será no Auditório Municipal entre as 14 horas e as 14 horas e trinta minutos, dando-se logo começo ao debate.
Querido leitor(a), querido(a) Sabugalense, vamos ter a coragem cívica com esta marcha e debate, a que poderemos também chamar MARCHA PELA DIGNIDADE, para desafiar os que tentam destruir as conquistas de Abril, Democracia e Liberdade, em vez de nos ajoelharmos perante eles, como exigem os espíritos retrógrados, os espíritos da ditadura, da chantagem e do medo.

«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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