LAPSO – s. m. – espaço de tempo, descuido, falta, erro, inadvertência que se comete ao falar (lapso de língua) ou a escrever (lapso de pena). Ainda, esquecimento momentâneo de obrigações urgentes. Este substantivo tem como sinónimos, falha, falta, irregularidade, lacuna, niquice e omissão.

Parece-me que, desta forma, não haverá dúvidas sobre o sentido da palavra usada pelo senhor Ministro das Finanças, o poderoso Gaspar, no parlamento, para justificar o adiamento da provável reposição dos subsídios de Natal e de férias. Ora, se foi repetido vezes sem conta pelas vozes da trioka portuguesa, leia-se Passos Coelho, Victor Gaspar e Miguel Relvas, que estes seriam repostos em 2013, são agora apontados para 2015. Seria um lapso se, um deles o tivesse afirmado. Aceitável como lapso se, os três, o tivessem dito uma única vez. Mas ele foi apregoado e com aquele ar sério com que este governo gosta de se propagandear. Pois bem, este governo, tem vindo a cometer vários lapsos e em vários sentidos. Primeiro, o lapso de o programa de governo não ser o apresentado na campanha eleitoral e, portanto, a votos. Poderá dizer-se que o memorando da troika os impediu, contudo, ele foi assinado pelos partidos do governo e assistimos diariamente à tomada de medidas que vão muito além de tal memorando. Um lapso, certamente… Depois, têm sido as medidas tomadas (pelo menos anunciadas) num timing verdadeiramente extraordinário: os cortes dos subsídios próximo do Natal, a extinção da tolerância de ponto do Carnaval em vésperas, o fim dos feriados anunciados mas não assumidos pelo governo quais, os cortes na saúde, na educação, na justiça, o aumento de impostos por sistema (esta semana o governo apresentou à Confederação do Comércio uma proposta de um imposto para as superfícies comerciais com mais de quatrocentos metros quadrados, a proposta já lá apresenta o valor das multas aplicar, mas não diz de quanto é o imposto!), os combustíveis trepam por aí acima, tal como o desemprego, a economia está moribunda… Só pode ser um lapso! Lapso, também, o segredo com que o governo aprova a suspensão das reformas antecipadas e recorde com que foi pulicado em Diário da República (claro, com a condescendência do Presidente da República, que argumentou com o interesse nacional..) e, depois, explicado pelo sr. Primeiro Ministro em Moçambique, lá longe. Um lapso, claro! O orçamento não está a ser cumprido, os números que o governo apresentou têm-se revelado errados, as medidas tomadas apontam sempre na mesma direcção, os funcionários públicos e os trabalhadores. Os milhões continuam a deslizar para os BPN’s, para as PPP’s, para os escritórios de advogados dos amigos, para os inúmeros parasitas (leia-se assessores, especialistas, secretários e afins) que em nada são beliscados. Lapsos, com certeza.
A prática governativa deste governo tem-se revelado um verdadeiro lapso. Mas o governo acrescentou um novo significado à palavra lapso, mentira. Sim, sempre que se desculpa com um lapso, o governo está a mentir. E, lá diz o povo, «apanha-se mais depressa um mentiroso do que um coxo».
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

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