Teresa Duarte Reis - O Cheiro das Palavras - Capeia ArraianaTrancoso continua ser um dos meus roteiros preferidos. Ainda há muito pouco, voltei a passar nesta terra linda e foi bom rever as suas imponentes torres que tornam a vila, de longos séculos de história, um centro obrigatório de passagem para o norte, nas saídas ou entradas de Espanha. Muitos Espanhóis, ali abeiram na visita às suas majestosas muralhas e na compra de produtos regionais no Centro histórico, onde não faltam os bons queijos da Serra, os licores e o mel da região. Os Portugueses, que ali passam, não ficam sem repetir que Portugal tem muitos lugares encantados e belos, merecedores das nossas visitas. E eu, mais uma vez me sinto feliz por ser portuguesa e poder apreciar, a cada passo, a magnificência de cada palácio, a beleza de cada verde e o azul do Céu português que me encanta.

Trancoso

TRANCOSO

Trancoso é bela terra
No quente coração das beiras
E tu, castelo imponente
De Penedono, Parente
És assim, na verdade
Um ex-libris da cidade.

Erguido sobre um planalto
Guardador do rio Douro
Na raia foste importante
Tal te mantiveste doravante
Como nos reza a história
E nos deixa em memória.

Ao olhar teu brasão
Fácil é reconhecer-te
Bem rodeado ficas
Por freguesias bem ricas
De riquezas e de nomes
Que da história não escondes.

Castelo de fortes muralhas
Pequena me faz sentir
De origem medieval
O que se torna bem normal
Épocas de fortes significados
De nomes bem registados.

Terras de granito e xisto
Justiçam produção
Do teu vinho bem famoso
Que Urraca quer lembrar
De bons terrenos que recebeu
Quando o marido morreu.

Trancoso pequena foste
Muitas batalhas, suportaste
Mas a regra nos faz saber
Que o difícil faz crescer
Com Afonsos floresceste
E d’eles, Foral recebeste.

Feira Franca tu criaste
Com reunião de feirantes
Decerto não esqueceste
Que a Afonso III o deveste
Época áurea em que floriste
Teus bons dotes (de mercador), cumpriste.

Em três dias de folia
De constante compra ou venda
Eis que a Feira Franca anual
Faz criar outra mensal
Outras vendas e trocados
Que nesse tempo eram regrados.

E uma festa majestosa
Nos vem lembrar Isabel
Do grande milagre Senhora
Em que Dinis seu Senhor
Com ela se quis casar
Em Trancoso, e te honrar.

Tal era tua importância
De que destacamos a rigor
Pois nos impõe a verdade
A nova cerca foi realidade
Com este Senhor de vistas largas
Que ampliou tuas muralhas.

E vemos o bairro judaico
Que marcou vida económica
E também a Rua Direita
Que assim ficou dessa feita
E distinguiu seu traçado
Do Medieval assinalado.

Seus muros reedificados
Por D. João, acarinhados
Nas lutas heroicas sofridas
De Castela recebidas
Por defender Mestre de Avis
Assim parece que se diz.

Mostraram sua valentia
As tuas gentes, Trancoso
Nas várias guerras sofridas
Pelos séculos fora, vividas
E D. Manuel, o Venturoso
Com Foral, te fez poderoso.

Mas a vila viveu sempre
Alvores e resistências
Que outras guerras se seguiram
Trancosenses resistiram
E te tornaram sublime
Pois quem te ame, se anime!

No teu majestoso esplendor
Prolongadas tuas muralhas
Cidade digna e lutadora
Altiva e feliz Senhora
Honraste teus habitantes
E continuas a honrar, como dantes.

Assim continuas eufórica
Como n’outros tempos de então
Altiva, livre e cimeira
Cidade de muitas, primeira
Viva laboriosa e feliz
Como qualquer habitante diz.

E da minha admiração
Por isso merecedora
Feliz e Real Senhora

«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com

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