Aproveitando para retemperar forças e ânimo, mais uns dias na minha terra, e por isso uma crónica dispersa.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Reencontrar amigos que já não via há anos, eis uma das surpresas agradáveis de quem volta à sua terra.
Infelizmente, são cada vez menos, pois a idade, a existência de filhos e netos, o falecimento dos familiares, o custo das viagens, tudo contribui para que cada vez menos sabugalenses da minha idade se desloquem à sua terra.
Mas é uma alegria imensa quando nos revemos, como se os anos não tivessem contado para nós…
Porque de encontros se trata, regalei-me de novo com uma morcela excelente e um cabrito assado na brasa como só o João e a Ofélia sabem fazer. E muito me agradou verificar que o Restaurante «Robalo» continua firme, mantendo, quando não aumentando, a sua clientela.
E falar deste casal sabugalense é também falar da sua hospedaria e da «Tasca do Mono», lugar de convívio quase obrigatório.
Falar do Sabugal é também falar dos nossos enchidos e da qualidade permanente como o meu amigo Toninho (não leves a mal António Alves, mas a amizade que nos liga desde a infância, permite-me tratar-te assim…) do Talho «Alves» as prepara. As suas morcelas, chouriças e mioleiras, para não falar dos buchos, fazem a delícia de qualquer um, e bem sei, por experiência própria, como as pessoas que almoçam em minha casa nunca dispensam estas iguarias.
Infelizmente os responsáveis pela igreja católica no Sabugal parece não entenderem o significado da palavra tradição. Não sendo católico, nem crente, não posso deixar de lamentar que se tenha perdido todo o significado popular e católico das chamadas «endoenças».
Quem não se lembra da procissão dos Paços, que percorria uma parte significativa do Sabugal, parando nos pequenos altares preparados pelos vizinhos onde estavam os estandartes da Via Sacra, e o seu momento alto no sermão do encontro na esquina do café do Sr. Abílio?
Quem não se lembra do «enterro do senhor»?
Quem não se lembra das «matracas» que na missa da meia-noite de sábado ecoavam numa igreja em silêncio e em total escuridão, anunciando a «ressurreição»?
Pois tudo isto se perdeu, como se, para além do culto religiosos, estas não fossem manifestações de cultura popular.

PS: Primeiro o Tribunal, agora a ameaça das Finanças fecharem. A seguir lá irão ao Registo Civil, ao Notário, ao Centro de Saúde e a tudo o mais que esta gente que mais de metade dos eleitores colocou no poder considerar que não «lhes faz falta em Lisboa»!…
Será que quem votou nestes partidos está de acordo?

«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

Anúncios