Falar de mafiosos e criminosos nos tempos que correm é uma banalidade, todos nós sabemos que esse tipo de gente existe e cada vez está mais espalhada pelo Mundo. É gente sem valor ético, moral e cívico nenhum, mas enchem páginas de jornais, alimentam telejornais e alguns são bem queridos nas nossas sociedades.

António EmidioSe eu chegar ao banco e depositar mil euros «sujos», venda de droga, por exemplo, o funcionário bancário aceita-os com um sorriso, e eu fico cliente do banco. Mas se por acaso lá chegar com mil milhões de euros para depositar, mais tarde ou mais cedo serei dono do banco, já não um simples cliente. Por isso, os banqueiros estão a ficar amedrontados, sabem que muitos grupos criminosos estão a infiltrar-se na actividade bancária e financeira, lavando dinheiro da droga, das armas e da prostituição.
O euro é uma coisa positiva, mas tem dentro dele grandes riscos, riscos a nível de crime económico, não há regras nesta Europa para a circulação do dinheiro, está a tornar-se por isso numa gigantesca máquina de lavagem de dinheiro «sujo». Qualquer um pode ter milhões de euros «sujos» em Lisboa e ir depositá-los a Berlim, não há controlo, ninguém lhe pergunta nada, isto acontece muito e cada vez mais. Não há regras, as finanças estão «sujas» em qualquer parte da Europa. Sabe agora querido leitor(a) porque o Neoliberalismo, a ideologia da União Europeia, não quer regulamentar nem intervir nas questões financeiras?
Há países que começam agora a reagir, o caso da Suíça, há uns anos atrás, quando alguém abria uma conta num banco suíço, ninguém lhe perguntava nada, ficava com um número, e tudo corria bem, hoje já pedem uma série de dados.
Esta Mundialização tudo liberalizou, facilitou o contacto entre criminosos e mercados (grandes empresas multinacionais). A abertura das fronteiras aumentou os movimentos migratórios, os criminosos servem-se destas comunidades de emigrantes para traficarem, principalmente com droga e mulheres, de uns países para outros. Este crime mundializado está a desestabilizar os sistemas políticos e até a alterar o funcionamento das economias locais, das economias dos países. O que fazem os sacrossantos doutores da lei? Nada! O que faz a classe política corrompida? Nada! E o que acontece a uma classe política de homens e mulheres honrados que tentam acabar com este tipo de crime? É humilhada, vilipendiada, desacreditada e até ameaçada nos órgãos de comunicação social, porque estes vivem à custa da publicidade de muito criminoso.
Porquê tudo isto? A crise de 2008, cuja responsabilidade foi atribuída a fluxos financeiros que circulavam pelo Mundo sem controlo, continuam na mesma sem controlo e ainda nada se fez para pôr cobro a isto. Pessoalmente creio que esta situação irá ter um fim, porque o que está a acontecer é um fenómeno moderno, não eterno, ou seja, a economia domina neste momento a política. Aliás, isto é uma ideologia, a ideologia do crime económico que em nada difere da ideologia do crime político, as ditaduras.

E agora uma pequena anedota: numa operação STOP foi interceptado um camião com 2000 quilos de cocaína. O comandante da força militar diz a um subordinado: sargento, aplicamos um bom golpe a estes tipos, apanhamos 2000 quilos de cocaína de boa qualidade, informe a base que recuperamos 1.500 quilos. O sargento chama o cabo e diz-lhe: informa a base que recuperámos 1.000 quilos da cocaína. O cabo transmite para a base: informamos que a operação foi um êxito, recuperamos 500 quilos de cocaína.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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