A cidade do Sabugal teve dois cemitérios na Época Medieval, segundo as conclusões resultantes de achados arqueológicos descobertos durante obras em edifícios do centro histórico.

A notícia foi veiculada pela agência Lusa, que se baseou em informação prestada pelo arqueólogo Marcos Osório, responsável pelo Gabinete de Arqueologia da Câmara Municipal do Sabugal. Segundo o mesmo, a Câmara Municipal acompanhou, através do gabinete, oito obras na parte antiga da cidade, tendo sido encontradas cinco estelas funerárias em granito com cruzes e outros símbolos gravados, geralmente colocadas à cabeceira dos túmulos nos cemitérios medievais anexos às igrejas.
O arqueólogo explicou que a primeira estela foi descoberta em 2006, durante a intervenção na Casa do Castelo, edifício situado no largo junto do castelo do Sabugal.
«Em 2011, num edifício ao lado apareceram mais três estelas e, este ano, numa outra casa, na mesma fiada de construções que delimitam o largo do castelo pelo lado sul (onde se erguia até aos inícios do século XX a extinta igreja de Santa Maria do Castelo), apareceu a quinta estela consecutiva», indicou.
Os arqueólogos que têm acompanhado as obras no centro histórico asseguram ter agora «evidências de que existia um pequeno cemitério anexo a esta igreja, no interior das muralhas».
Na década de 1980 tinham já sido encontradas algumas estelas deste tipo no local onde existia a primitiva igreja medieval de Santa Maria Madalena, no arrabalde do burgo medieval, lembrou Marcos Osório.
«Era conhecido um conjunto de estelas proveniente deste sítio, algumas expostas no Museu do Sabugal, que provavam que havia um cemitério à saída da vila», disse o arqueólogo.
As recentes descobertas mostram que, no Sabugal, «haveria não um mas dois cemitérios durante os séculos XI-XII, correspondentes às duas freguesias (intramuros e arrabalde), totalmente distintos um do outro, onde se efectuavam simultaneamente enterramentos», admitiu.
Segundo Marcos Osório, em todos os centros históricos do concelho (Alfaiates, Vilar Maior, Sortelha, Vila do Touro e Sabugal) têm sido identificadas estelas funerárias do mesmo tipo, bem como no povoado medieval abandonado de Caria Talaia (freguesia de Ruvina), e também nas aldeias de Seixo do Côa, Aldeia da Ponte e Santo Estêvão.
«Infelizmente, o inventário completo destes vestígios arqueológicos ainda está por fazer, mas eles provam desde já a existência de necrópoles recuadas à Idade Média nestas actuais povoações do concelho», admitiu.
Para este técnico, «o número de achados existente mostra, por outro lado, que o concelho do Sabugal é uma das regiões mais ricas na Beira Interior neste tipo de monumentos».
O arqueólogo lembrou que a prática funerária da colocação de estelas discoides perdeu-se durante a época moderna e não perdurou até aos nossos dias porque, mais tarde, foram substituídas pelas tampas tumulares rectangulares, no interior e exterior das igrejas.
plb (com Lusa)

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