Sabemos que a Poesia é como o Pão e deve ser partilhada entre todos, eruditos e camponeses, entre todas as nossas imensas, fabulosas, extraordinárias Famílias do Povo»; Pablo Neruda.

Hoje, dia 21 de Março, comemora-se a nível mundial o Dia da Poesia. Com o início da Primavera, não podia existir melhor comemoração.
Quando frequentava a Escola Primária na minha aldeia – Bismula – era muito frequente as professoras falarem da poesia, nós que somos um País de Poetas. Na Escola Apostólica de Cristo Rei, em Gouveia, tínhamos de declamar muitos sonetos dos nossos maiores poetas portugueses: Camões, Sá de Miranda, Bocage, Frei Agostinho da Cruz, Sá Carneiro, Florbela Espanca, Sebastião da Gama, Augusto Gil, Guerra Junqueiro, Antero Quintal, Miguel Torga, e tantos outros.
Desculpe-me algum bismulense que se sinta injustiçado, mas a Bismula teve dois poetas irmãos: José Bárbara Leitão e Joaquim Bárbara Leitão. O primeiro encantava com uma voz maravilhosa e o segundo com voz de desafio e de provocação. Estes trovadores cantadores, que se inspiravam e improvisavam versos, a partir dos Textos da Bíblia Sagrada, eram acompanhados pelo acordeonista Raul dos Santos Tomé, e na sua companhia, percorriam romarias, mercados, onde centenas de pessoas os ouviam com muita admiração e entusiasmo, sobretudo todos os anos junto à fogueira do Natal, na celebração do Nascimento do Menino Jesus. Infelizmente a memória oral não se conserva tanto como a escrita. A seguir temos três poetas, com obra publicada. No cimo da pirâmide está um dos expoentes máximos nacionais e internacionais, o Dr. Manuel Leal Freire, que no seu «Namoriscar» escreveu:
E se a sorte me não minar
Então arranco uma bula
E vou casar-me com uma prima
Que me espera na Bismula.

Manuel Leal Freire é homem de múltiplas atividades profissionais, mas tem uma grande produção literária, tem milhares de textos em diversos jornais, com um espaço no Jornal Nordeste, da Bismula, em Jornais Nacionais e Regionais, em revistas e em alguns sites. As suas principais obras de Poesia são «Sementes na Rocha Nua», «Pátria-Matria», «Terra Paterna», «Cantigas da Pátria Xica» e «Trovas de Escárnio em Vernáculo». Noutros domínios literários, concretamente em prosa, também ali tem inscrita a sua Poesia. É o caso da obra: «Contrabando delito mas não pecado». Na capa principal do livro lemos:
Eu sou o coelho campal
Que em toda a parte faz a cama:
Anoiteço em Portugal,
Amanheço em Espanha.

Convidado em apresentações de livros ou tertúlias, é um encanto ouvi-lo dissertar em verso sobre qualquer tema com muita graça e profundidade.
Manuel Leal Freire é um dos expoentes máximos da literatura portuguesa e a Bismula tem na sua obra grandes motivos para se orgulhar.
Um segundo poeta, é José Maria Fernandes Monteiro, com diversas poesias inseridas no Livro «Pater Famílias». Num dos seus poemas escreveu:
A Bismula me viu nascer
E juntamente com os meus;
Logo que comecei a crer
Ensinaram-ma a amar a Deus.

Num outro poema:
A Rua do Forno na subida
Ou a mesma a descer,
Faz-nos lembrar nesta vida
Subimos? Descemos a morrer.

Mário Tiago Bernardo Fernandes, no esmiuçar daqueles enigmáticos versos, afirma que «alguém que pelo menos uma vez na vida teve uma ideia própria e forte que abala tudo. E nestes simples quatro versos, ao saltar a escatologia de uma Rua da Bismula, para uma escatologia existencial, descreve em poucas palavras a condição humana».
Também o escritor e jornalista Manuel da Silva Ramos, na apresentação da segunda edição do «Pater Famílias», em Aldeia de Joanes, na presença de centenas de pessoas, escreveu e leu: «Lembro-me do meu avô, fazendo versos e rimando “MIM” com “ASSIM… ASSIM”».
Também o colaborador do Jornal Nordeste da Bismula, Professor José Corceiro Mendes, tem apresentado muita temática poética.
Vou deixar vários textos de Poetas, que todos já conhecem, para recitando poemas no Dia Mundial da Poesia, façamos a justa homenagem.
Um grande poeta, tem milhares de poemas com linguagem mundial, que teimosamente não quer publicar, chamasse António Brás Ribeiro, ex-Provedor da Santa Casa de Alpedrinha, e para este Dia Mundial escreveu este poema:

A POESIA, no Tempo
Ecoará…
E não se confundirá
Com o vento.
A POESIA, encontrará
A magia da Palavra
No seu próprio…
TEMPO.

Outros poetas:
Escrevo como quem quer ser escrito.
Jorge Reis Sá

Que por todos se faça POESIA.
Ruy Belo

A POESIA adora andar descalça nas areias do Verão.
Eugénio Andrade

Sei fazer VERSOS, mas doem.
Machado Assis Pacheco

A POESIA não é um dialeto
Para bocas irreais
Nem o suor concreto
Das palavras banais.
É talvez o sussurro daquele inseto
De que ninguém sabe os sinais
Silêncio incorreto.

José Gomes Ferreira

Eu não escrevo em Português
Escrevo eu mesmo.

Fernando Pessoa

A minha Homenagem vai para todos os POETAS PORTUGUESES, principalmente aos BISMULENSES.
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes

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