A política foi das missões mais nobres que se podiam abraçar. Estava associada até aos anos oitenta do século passado, a ideologia, patriotismo, valores e sacrifício pessoal na defesa dos direitos dos cidadãos.

António EmidioPorquê hoje esta animosidade e até ódio em relação à classe política? O Neoliberalismo – Capitalismo Selvagem – tentou e conseguiu desprestigiar a política e os políticos, com esta atitude, apoderou-se do poder económico e também do político, corrompendo governantes até níveis intoleráveis, usando depois os seus órgãos de comunicação social para os condenar publicamente e desprestigiar.
Serve-se o Grande Capital, o poderoso poder económico dos políticos medíocres e desonestos, porque estes são os únicos a defenderem os seus interesses, não os interesses de quem os elegeu. Este tipo de políticos tem mais lábia do que talento, mais soberba que inteligência, arrastam os seus países e os seus povos para onde lhes interessa a eles e ao Grande Capital, nunca houve tanta discordância entre eleitos e eleitores. O desencanto para com os governos e os políticos está a níveis sem precedentes, o que interessa ao poder económico, é uma colheita a seu favor.
Tudo isto leva-nos a concluir que a corrupção é já um pilar do sistema, com consequências indesejáveis para a textura moral das sociedades e para a cultura democrática, fazendo com que estas sociedades cada vez acreditem menos nos sistemas representativos.
Uma das coisas que mais repugnância me causa, é uma série de pessoas que muito ficam a dever à ética, e que no seu dia a dia, enganam, falsificam, subornam e corrompem, mas que se acham no direito de acusar os políticos, das mesmas coisas que elas fazem diariamente. Não o dizem! Mas só lamentam que a sua imoralidade não seja tão rentável como a dos governantes corruptos e, só lhes traga uma milésima parte do que eles, governantes, conseguem.
Há políticos com uma dedicação esmerada ao serviço público, com valores éticos elevadíssimos. Conheci, e conheço, gente honrada – homens e mulheres – que com o seu exemplo diário de abnegação à causa pública, se tornaram e tornam incómodos. O povo não os aceita porque não lhes enche os ouvidos de promessas num amanhã Celestial, em que o maná cairá do Céu para todos por igual. Os governantes honrados cansam, devem desaparecer o mais rápido possível, porque a sua honestidade aborrece as pessoas.

Quero dizer uma coisa: cada vez que escrevo um artigo sobre a desonestidade de alguns políticos, sou criticado severamente. Nunca me referi a ninguém em particular, mas a todos os desonestos em geral. Os desonestos existem, não só no seu trabalho político, mas também na sua vida privada, a esses é que chamo parasitas improdutivos.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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