A polémica desta semana anda à volta de qual o ministro que gere os fundos comunitários. Sendo um assunto sério, não deixa de ser um episódio que demonstra em como a nossa política vive de mediocridades e de irrelevâncias.

Importante, porque deve ser claro quem é o responsável pela movimentação desses dinheiros, quem coordena os projectos e os financiamentos. Mais a mais, num país em que os dinheiros comunitários têm sido canalizados, na sua maioria, para contas (leia-se bolsos) de uns quantos… A prova é visível. A indústria praticamente não existe, a pesca foi dizimada, a agricultura não produz e, no entanto, foram gastos em subsídios rios de euros! É, portanto, essencial, que os fundos comunitários comecem a ser investidos de forma séria e estruturalmente. De forma a que, eles contribuam efectivamente para o desenvolvimento da área em que são investidos mas, também, para o desenvolvimento do país. Mas este episódio deve ser visto pelo lado em que não se vê. O lado obscuro. Aí, nas sombras dos corredores do poder, onde se movimento aqueles que, politicamente, se chamam de lobistas. Este episódio mostra os interesses dos que queriam um ministro a mandar e os que queriam outro.
Todavia, este assunto, demostra o quão é pobre o nosso debate político. Este é um assunto que não pode levar oito meses a ser decidido por um governo. Ainda por cima, numa altura em que o país vive uma crise profunda. Em que o financiamento das empresas e dos empresários é extremamente difícil, o governo prefere entreter-se em escolher o galo para o poleiro! Entretanto, o desemprego ganha proporções muito preocupantes, principalmente nos jovens. As empresas fecham. Outras deslocam-se para países em que os impostos são baixos ou nulos e a mão de obra está pouco mais que acima de escrava. O interior do país vive isolado e abandonado. O custo de vida agrava-se diariamente e as políticas, desprovidas de humanismo e consciência social, vão arrastando o país para uma miséria que já nem disfarçada é.
Pois bem, enquanto o Sr. Primeiro se mantiver obcecado com o “custe o que custar”, que importa que os hospitais não tenham compressas nem medicamentos, a polícia não tenha carros patrulha nem tinteiros para as impressoras, a justiça ande a ritmo de caracol (principalmente se os arguidos ou suspeitos sejam figurões cá da praça) e seja somente aplicada aos fracos, a educação seja um conjunto de escolas (mega – agrupamentos) com a função de armazéns onde se guardam as crianças, a saúde seja tendencialmente só para ricos, que os bombeiros não tenham dinheiro para abastecer os carros… que importa?! No final o governo terá umas palmadinhas nas costas dos alemães e dos agiotas, mas não terá um país.
Afinal, como previa, os cortes e as restrições não são para todos. O regime de excepções começou e a «procissão só ainda vai no adro»! É a TAP, o Banco de Portugal, a CGD… enfim! E a maior excepção é o estado e as centenas ou milhares que orbitam à volta do orçamento do estado, cuja única função justificável é serem possuidores de um cartão partidário ou o sobrenome de um dos chefes.
Os cortes necessários deveriam ter começado por cima. Por quem ganha muito, em relação à maioria dos portugueses, e que fazem tão pouco. Para que, efectivamente, se cortasse nas despesas do estado e houvesse, dessa forma, autoridade moral para o aplicar ao povo. Assim, o que fizeram, foi anunciar de peito firme o corte nos salários, nos subsídios e em mais não sei quantas coisas mas que, depois, foram os que menos ganham quem levou com os cortes.
É pena. Pois quem se apresentava como paladino de transparência, de uma nova forma de estar na política, revela-se tão obscuro como os demais.
A política deixou de ser um serviço ou uma causa pública. Transformou-se numa pocilga.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

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