Volto à questão da proposta de encerramento de serviços públicos…

Idoso

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»E volto, porque esta questão tem sido apresentada nos órgãos de informação, e mesmo por alguns eleitos autárquicos como se o encerramento de serviços fosse apenas uma questão de euros ou volume de trabalho e, não, como venho repetindo, uma questão de cidadania.
Enganam-se todos os que assim pensam, pois o que está em causa são as pessoas e não os euros!
O que está em causa é saber se um habitante da aldeia mais remota e menos populosa do País tem menos direitos que o habitante da grande cidade.
O que está em causa é saber se os serviços públicos são igualmente disponibilizados a todos os portugueses ou não.
E se todos somos iguais perante o Estado, então a resposta só pode ser uma: encerrar um serviço público porque serve pouca gente, é atirar uma parte dos portugueses para um nível inferior de cidadania.
Custa dinheiro? Pois custa, mas tenho a certeza que custa muito mais ao País termos portugueses de primeira e portugueses de segunda!
Um português com dificuldades de acesso à Saúde, à Educação, à Justiça, ou a qualquer ouro serviço público, isso é que é caro!
Quando olho à minha volta, nesta cidade da Póvoa de Santa Iria onde vivo, e vejo a facilidade com que tenho acesso a todos estes serviços, onde esta facilidade já me é natural, e, dificilmente perceberia que isto não fosse assim, apercebo-me muito bem, como é gritante a desigualdade com qualquer conterrâneo meu a viver numa das freguesias do nosso Concelho.
E esta diferença mais me convence a estar contra o encerramento de qualquer serviço público no interior do País.

ps. Como muitos sabem, sou Presidente da Assembleia Geral da Associação Humanitária dos Bombeiros do Sabugal. A questão do transporte gratuito de doentes não me seria assim indiferente, pois ela representa um rude golpe para as Corporações de Bombeiros que, respondendo a decisões governamentais, se dotaram de meios humanos e técnicos para prestar aquele serviço.
Mas estou certo que todas as Corporações saberiam mais uma vez sacrificar-se se as populações que servem vissem melhorado o seu acesso à saúde, o que infelizmente, não se vai verificar.
Mas há nesta questão uma questão mais absurda ainda. E vou dar um exemplo pessoal:
A minha mãe, como muita gente sabe, teve um cancro no peito. O Serviço Nacional de Saúde enviou-a para Coimbra onde foi operada e tratada. Agora tem que se deslocar a Coimbra, pelo menos duas vezes por ano, em consultas de rotina.
E em Coimbra, não porque a minha mãe assim o queira, mas porque o SNS só a consulta em Coimbra!
Vai um dia, faz uma mamografia e análises ao sangue. Um mês depois vai a Coimbra para o médico a ver e ver os exames.
Isto é, a minha mãe não pode fazer análises, nem exames, nem ser vista por um médico, no Sabugal, na Guarda ou na Covilhã, é obrigada a ir a Coimbra!
E agora vai ter de pagar duas viagens por uma coisa que lhe foi imposta?
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

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