Levou-me a escrever este artigo, uma reportagem feita no restaurante Zé Nabeiro do Soito, em que se falou na «sopa de cornos», também o último convívio do Bucho Raiano no Casteleiro, e um panfleto que tenho aqui à minha frente, que tem por título «Sabugal à Mesa».

António EmidioNa última década temos assistido aqui em Portugal ao renascer das tradições gastronómicas. A isto chamo RESISTÊNCIA, mas resistência a quê? A quem? À tentativa desta Mundialização, que não é mais nem menos do que a hegemonia da cultura estadounidense, de acabar com as culturas nacionais, aqui está incluída também a gastronomia. Felizmente que esta resistência já está a dar os seus frutos, conseguindo-se convencer a maioria das pessoas de que a cozinha tradicional, além de ser uma peça fundamental na própria recuperação económica de uma região, também é uma comida mais ecológica.
A explosão do turismo mundial, embora a maior parte dos turistas ainda proceda dos países com alto nível de vida, também estando a surgir turistas provenientes de países emergentes, tanto uns como outros são fontes formidáveis de ingressos, procurando, como é lógico, tudo o que seja diferente dos seus territórios e, uma das primeiras procuras é a gastronomia autóctone.
Mas outro perigo de hegemonia surge, entrando em concorrência com o actual, com o dos Estados Unidos, a Índia e a China, o peso demográfico destas duas nações e o seu crescimento económico são de tal ordem, de tão grande potencial, que não nos admiremos que os produtos culturais vindos desses países comecem a seduzir o Mundo. Está incluída aqui a gastronomia, só no nosso País há centenas de restaurantes chineses e indianos.
Cozinha de mercado, querido leitor(a)? Abandonemos essa maneira de comer, deixemos isso para os grandes políticos, grandes empresários, grandes reis e grandes príncipes. Comer Pizza italiana, Sushi japonês, Kebab turco, não é mal nenhum, mas nunca devemos substituir isto pela nossa cozinha tradicional.

Não podia terminar este artigo sem me referir a essa nociva polícia que é a ASAE, que tanto tem destruído a nossa cozinha tradicional e, continua a destruir. Portugal teve uma polícia que não deixava pensar os portugueses, presentemente temos uma que dificulta a vida a milhares e milhares de pessoas que trabalham, e muitas vezes nem deixa comer o que sempre foram os melhores pratos da gastronomia portuguesa.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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