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Nos meus afazeres de azemel calhava-me, de quando em vez, rumar à Covilhã onde entregava fazendas a meia dúzia de bons fregueses. O percurso levava-me pelo Casteleiro e pela Quinta de Santo Amaro, em cujas terras medravam as melhores melancias que alguma vez comi e que eram o mimo da minha canalha quando era Verão pleno e chegava a casa carrejando melancias que pesavam para cima de uma arroba.

Numa dessas ocasiões, estando já de regresso a casa, cheguei ao Casteleiro pela hora do zénite, debaixo de um sol que chispava lume. Tinha a garganta ressequida, clamando por um gorcho de água ou de vinho. Na fé de que um copo de bom briol me cairia melhor no goto, estaquei defronte da taberna do Felisberto, meu velho amigo, que em tantas ocasiões me matou a fome a altas horas da noite, quando as lides do negócio me retardavam o andamento.
A tasca, que ficava numa loja térrea, ao desnível do chão da estrada, estava pejada de gente que ali buscava a fresquidão, pois a résca convidava à lazeira. Alguns dessedentavam-se beberricando ao balcão, outros matavam o vício jogando às cartas e os mais simplesmente conversavam.
Ao entrar dei a salvação aos presentes e recebi um forte abraço do Felisberto. Serviu-me depois um copo de quartilho, que bebi de um golpe. Assentei o copo vazio no balcão e fiz-lhe sinal para de novo o atestar. Face à sede imensa que sentia cheguei de novo o copo aos lábios, deborcando-o também de um trago. A sofreguidão não passou desapercebida aos presentes e um deles largou a sua laracha:
– Calma, homem de Deus, não esvazie a pipa que nesta terra há mais quem beba.
Deu-se uma risada geral, o que me deixou fora do aprumo, pois não gosto de servir para farramalhas.
– Ao que sei o Felisberto tem as pipas atestadas e depois de me matar a secura que trago, ainda tem reserva cabonde para lhe atulhar o bandulho – disse-lhe em ar de mofa.
– Aqui não inçamos o bandulho de vinho, que não temos os usos da sua terra.
Mau, o farrabraz queria liquitrena.
– Atente que entornei pela goela dois pichorros por mor da sede, pois venho de jornada, e não por vício, como será o seu caso, que teme que a pinga se acabe.
– Tenha tento na língua, quando não rebento-lhe c’os ossos.
O homem foi longe demais. Ainda que estivesse em terra alheia, não podia deixar que me ferissem a dignidade e, à cautela, meti a mão no bolso a certificar-me se tinha a naifa a jeito.
Valeu a intervenção do Felisberto, que não queria contenda de portas adentro.
– Deixem-se de lérias, que estão em casa honrada.
O meu contentor, não se dando por achado, desafiou-me para irmos a meças.
– Se se estreve, venha lá para fora. Vamos tirar a limpo a coragem de que os arraianos se afamam.
Por brio aceitei a assovelada, não cuidando dos sinais do taberneiro para me manter quedo.
– Nunca me neguei a defender a honra. Vamos para a rua e aí veremos quem leva nas fuças.
Só cá fora, perante a clareza, notei o tamanho do homem que me desafiara. Era um vergalhudo de gâmbias altas, braços longos e grossos e umas mãos que pareciam garranchas. Era senhor de grande arcaboiço, com músculos retesados, a quererem rebentar a apertada camisa de riscado.
Eu, que me tinha por verguio, era porém de baixa estatura, um franganote comparado com o latagão que tinha pela frente. Mas não dei ares de cagote, que já virei de pantanas talabúrcios como aquele.
O calmeirão prantou-se no meio da rua, arremangando-se e puxando para fora o forro dos bolsos das calças. Falou com voz de trovão.
– Avance de mãos e bolsos sacudidos.
Botei fora a naifa e dispus-me a enfrentar a fera, fiado na minha genica. Teria que me desviar dos golpes daquele bastardo até encontrar o momento certo de lhe dar uma estocada que o derrubasse.
Já estávamos um defronte ao outro, de punhos cerrados e olhar atento, quando soou o vozeirão do Felisberto.
– Eh rapazes. Conheço a valentia de cada um e custa-me que dois varudos, bons chefes de família, se vão esfarraichar por efeito de um entremez. Se a defesa da honra vos obriga a compita, proponho-vos outra forma de medir forças.
– Deixa-te de lérias, Felisberto, que estou de culatra armada e tenho de descarregar umas murraças neste tratante que veio da raia a gozar c’os da terra.
Da minha parte permaneci quedo e caludo, ainda que atento aos movimentos do meu rival. E o Felisberto não desistia:
– Tenho a sorte de vos conhecer a ambos e sei que jogais bem ao ferro, pelo que podeis medir forças aventando com a barra.
O grandalhão, por lá notando o meu ar audaz, imaginou que não seria osso tão bom de roer e anteviu que a minha magreza, ainda que escondesse um homem com genica, me impedia de ser melhor lançador da barra do que ele, que era alto e musculado.
– Aceito o desafio, venha de lá a barra – disse o meu adversário.
Eu fiz também sinal de assentimento.
– Mas há uma condição – disse ainda o meu oponente – o perdedor paga um tonel de quatro almudes para toda esta gente.
O Felisberto ficou de ar radiante, face ao negócio que a ideia proporcionava, e o mesmo sucedeu com as demais pessoas que estavam no adjunto, que também assim beberiam de borla.
Um homem do povo, chegando-se junto de mim, aconselhou-me:
– Se quer acautelar a carteira, sujeite o corpo à luta, que na barra ninguém ganha ao Zé Churro.
Mantive porém o meu assentimento à proposta do taberneiro. Sempre era melhor levar um rombo na carteira do que chegar a casa de canastro partido e incapaz para o serviço. Ademais não era peco no lançamento do ferro, jogo que também praticava nas minhas horas de espairecimento.
Entrementes o Felisberto saiu da venda munido de uma barra de ferro do cumprimento de uma aguilhada, que lançou ao chão.
– Vamos a isto rapazes, que o pessoal tem sede e tenho de abrir o tonel. Cada qual atira de uma só vez, sem direito a experimentações nem a desforras.
Pegando numa moeda deitou â sorte a quem cabia fazer o primeiro arremesso. Calhou ao Zé Churro.
O grandalhão pegou na barra, fincou os pés com as biqueiras pegadas ao risco que o Felisberto traçara no solo e com o ferro seguro a meio, balançou-o duas vezes por baixo das carranchas e, soltando um urro, mandou-o para casa do diabo. Soou um ulular de admiração – o lafaruz era bom lançador.
O Felisberto mediu a distância.
– Trinta e quatro passos – disse quando chegou junto da barra, que apanhou do solo.
Já no ponto do lançamento, entregou-me o ferro. Era a primeira vez que lhe tocava, pesaria à volta de oito arráteis, um nada mais leve do que a barra com que se jogava nas terras da raia.
Tomei posição e alonguei o olhar pela estrada a imaginar onde cairia a barra. E disse bem alto:
– De quem são aqueles burros que estão presos a meio da rua?
Respondeu-me um homem que estava entre a assistência.
– São meus. Quere-os à troca do seu macho?
– Não, estou bem servido de montada. Antes quero que o amigo desvie os jumentos do caminho da barra, não vá o diabo tecê-las.
Ouviu-se uma surriada geral.
– Os burros estão a mais de cinquenta passos, mais seguros que a gente, não vá vossemecê deixar a barra escorregar das mãos porque parece não ter jeito para o engrimanço – disse-me o dono dos burros, com ar de mofa.
Tomei posição de pernas bem escanchadas e o ferro seguro a meio e pendendo como se fosse o cambo de uma balança. Oscilei-o meia dúzia de vezes até retesar os músculos e puxar com quanta força tinha, arremessando-o alto ao mesmo tempo que dava um impo.
A barra subiu quase à altura das casas e desceu depois continuando a trajectória, indo cair para lá da posição em que estavam os burros. Foi o assombro geral. Vencera o campeão da barra alcançando quase o dobro do seu serviço e conseguindo um feito nunca visto por estas terras. De viandante indesejável passei a herói por todos louvado e admirado. O Felisberto abriu o tonel e todos beberam à tripa forra, enquanto eu me esgueirava de soslaio, por temer o cair da noite e, sabe-se lá porquê, passar no Terreiro das Bruxas sob o negrume.
Paulo Leitão Batista, «Aventuras de um velho contrabandista»

leitaobatista@gmail.com

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Poucas palavras contarão tão arrebatadoras ressonâncias como esta de Cavalaria.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaA simbologia e ritualismo com que os jovens, ao findar a adolescência recebiam a pranchada nobilitadora: as fórmulas sacramemais usadas para o juramento de iniciação; o comportamento, verdadeiramente exemplar de membros da ordem, com virtudes acima das fraquezas humanas; o imaginário popular em redor tecido; as novelas postas a circular por toda a Europa culta e oralmente transmitidas por trovadores e menestréis, enfim toda uma série concertada de circunstâncias e influências felizes deixaram-nos uma imagem que que possivelmente terá muito de mirífica, mas dominou até ao fim da lenda, satirizada mais tarde por numerosos escritores, com particular relevância para Cervantes, é ainda hoje, apesar de tudo, respeitável.
Prosaicamente definida como instituição militar, própria da nobreza feudal e consagrada pela religião, condensara, todavia em si, uma auréola de virtudes.
Os poetas exalçavam os seus membros.
Transcrevemos de Camões. Lusíadas, canto X, aconselhando Dom Sebastião:
Os cavaleiros tende em muita estima
Pois com o seu sangue intrépido e fervente
Entendem não sómente a lei de cima
Mas inda vosso império proeminente.

Aliás, em muitas outras passagens da epopeia se verifica igual culto peIa instituição e seus seguidores, alargando-a mesmo a outras civilizações e tornando-a semel de reis:
Estes, o Rei que têm não foi nascido
Príncipe, nem dos pais aos filhos fica,
Mas elegem aquele que é famoso
Por CAVALElRO, sábio e virtuoso…

Antero, num dos seus mais belos sonetos evoca tambem a figura:
Sonho que sou um cavaleiro andante,
Por desertos, por sóis, por noite escura
Paladino do amor, busco anemante
O palácio encantado da ventura.

Aliás, o cavaleiro andante, pelo seu desprendimento em relação às riquezas, bem se pode considerar o protótipo, pois, segundo os dicionários, era aquele que ia pelo mundo. apresentar-se nos torneios, justar contas com todos os opressores e em favor de todos os oprimidos, buscar aventuras unicameme para alcançar a fama.
Em acrescento ao EPÍGRAFE DAS CANTIGAS (Cancioneiro de Afonso, o Sábio), lembra-se que lhe faltou ser cavaleiro:
Dom Afonso de Castela
De Toledo e de Leão
Rei e bem desde Compostela
Até ao Reino de Aragão
De Cordova e de Janeiro
E de Sevilha, outrossim
E de muita doação
Lhe fez Deus como aprendi,
Do Algarve que ganhou
Aos mouros por nossa fé
Mais e muito mais faria
Na Ordem da Cavalaria…

E em todo o caso, aos títulos reais ainda podia acrescentar Dom Afonso, o Sábio, o de Poeta:
Sendo certo que
Trovar é coisa em que fez entendimento
Mas quem o faz tem de o haver e haver assaz…
Porque isso a Deus apraz
Poeta foi Salomé
Cavaleiro Galaaz.

Só que, e mais uma vez nos socorremos de Daniel-Raps, entre todos os tipos da Idade Média que se gravaram na nossa memória não há nenhum que mais nos impressiona a alma a comova o coração do que o cavaleiro… Aquele guerreiro justo e recto, nimbado de intacta pureza e cujo fim último é mais o sacrifício do que a vitória, mais o sangue oferecido do que o sangue derramado.
A ideia é cristianíssima.
E, todavia, não foi em terra cristã que nasceu o cavaleiro, mas nas tradições das tribos germanicas, onde um mancebo não usava armas que não tivesse recebido – fosse escudo, fosse capacete, fosse framea, das mãos de seu pai ou chefe. E com que lentidão e paciencia não trabalhou a Igreja para fazer da investidura militar essa espécie de sacramento em que viria a transformar-se o ingresso na Cavalaria!
A entrada era efectivamente acompanhada por uma cerimónoia, a um tempo minuciosa e grandiosa. Os velhos ritos germânicos, como o banho purificador e a entrega da espada, integram-se agora numa noite santa, vigília pascal ou de qualquer outra festa essencial. E uma noite de oração e meditação. E daí até ao acto final há toda uma longa liturgia.
Finalmente, adianta-se o padrinho que, com a espada desembainhada, a estende ao donzel para que a beije.
Segue-se a pranchada nobilitadora, como lembrança do antigo ritual germanico.
Finalmente, temos a fórmula de consagraçao, o cingir da espada e o juramento com a mão direita estendida, diante do altar.
Podia lembrar-se também a velha frase:
Tota licet veteres exornent undique cerea atria nobilitas sola est atque unica virtus.
Se bem que velhas figuras de cera exornem de todos os lados os palácios das grandes famí1ias, a única e exclusiva nobreza reside na virtude, ou antes na prática concertada de todas as virtudes.
Era esta a máxima da cavalaria, segundo a qual só é valente o que tem valor de corpo e bondade de alma.
Era esta a mentatidade imperante e a transluzir em a Canção de Rolando, o Poema de Cid, a Demanda do Santo Graal, obras que ajudaram a fixar a missão da Europa, como a mãe de ideais e civilizações.
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

Ir ao mercado foi um acontecimento que me fascinou desde criança. Na minha terra natal, Bismula, concelho do Sabugal, no fim de cada mês realizava-se este evento comercial, onde o meu irmão Manuel José Fernandes vendia todos os melões do meloal, propriedade do meu pai, enquanto o meu irmão Francisco Alves Monteiro vendia pão espanhol, que era muito apreciado naquela zona arraina.

Nas aldeias vizinhas de Alfaiates, Miuzela e Vila do Touro, calcorreei caminhos com o meu progenitor José Maria Fernandes Monteiro, levando animais e produtos agrícolas para vender. Os mercados mensais eram os eventos mais importantes da transacção de mercadorias e produtos. O meu primeiro fato que levei em 1958, para a Escola Apostólica de Cristo Rei em Gouveia, dirigida por padres alemães, foi comprado no mercado de Alfaiates. Em Vila do Touro comi a melhor carne assada pelo meu conterrâneo António Joaquim Videira, que estava um pouco acanhado, mas as ordens da autoridade da freguesia, são neste caso, para se cumprirem. Na Miúzela saboreei umas belas sardinhas, acompanhadas com água, porque era-me proibido beber o vinho famoso daquela região. Era bom ir ao mercado porque sempre folgavam as nossas costas do trabalho rural, sempre se convivia, comia-se com mais gosto, compravam-se mercadorias e animais de quatro patas.
O Mercado mensal do Fundão é um acontecimento regional de grande importância comercial, social, económica, de encontros e desencontros e de convívio das gentes do concelho, extensivo aos Concelhos da Covilhã, Belmonte e Castelo Branco. Ali se cruzam muitas e diversas mercadorias, mas acima de tudo as pessoas.
Entro pelo lado nascente e olha-se para o placard da necrologia para saber se uma pessoa familiar ou amiga faleceu. Desta vez lá estava o amigo Filipe de Sousa Monteiro, mestre na arte da serralharia, na Firma Miguel Reis do Fundão e na Cerâmica de S. Pedro em Alcaria, que desceu à terra pelas 16h30 em Aldeia de Joanes.
Junta-se o amigo alentejano que há tempos não via e lá se veio lamentar de umas dores que não o largam. Seguimos para o espaço do mercado. Conta-me uma história da sua juventude, ao passarmos por uma jovem muito bonita e a beleza feminina é para ser admirada. Trabalhava na Carris e tinha uma meia casinha alugada na Mouraria. Um dia deu abrigo a uma moura, que tinha perdido o marido recluso numa Cadeia da Capital por desfalques a uma empresa de venda de automóveis. Como trabalhava por turnos autorizou-a a dormir na sua cama. Queria respeitá-la, mas um dia de muito frio a sua amiga convidou-o para entrar no vale dos lençóis. O aquecimento recíproco foi deveras proveitoso. Passados meses parecia que a relação podia dar frutos menos desejáveis e de pronto-socorro alguém interveio. Um amigo deu-lhe uma caixa de preservativos e nunca mais teve problemas, inclusive com a dona da casa que tinha o marido lá para as Minas de São Domingos no Alentejo, ficando tudo em família. Ainda hoje ouvi na comunicação social que os Portugueses dão meças ao mundo. Ainda bem!
Enquanto avançávamos e nos cruzávamos com novos e velhos, com reformados ou gente desenfiada que devia estar no seu posto de trabalho, talvez dispensada pelos seus chefes, o meu amigo alentejano conta-me outra história. Há dias entrou numa dessas Igrejas, onde um Pastor gritava que estava a chegar a hora do milagre e que todos deviam colocar a mão no local onde tinham as suas maleitas, requerendo a intervenção divina. A mulher colocou a mão no coração e ele no meio das pernas. Esta maleita chamou-lhe a atenção, porque o referido Pastor faz alguns milagres, mas não ressuscita instrumentos mortos há muitos anos.
Vamos caminhando por meio das tendas de trapos, roupas, sapatos…Algumas estão cheias de mulherio que se acotovelam para comprar roupas de uso pessoal, enquanto ali perto uns carteiristas espreitam uma distracção para dar um golpe fatal, e eu encontrei lá dois que foram clientes no Estabelecimento Prisional de Castelo Branco. De um lado grita-se «aqui é tudo barato, é quase dado, ó freguês, ó freguês, venha ver a qualidade da nossa mercadoria e veja os nossos preços, venha ver as nossas roupas para a criançada, venham, venham, não tenham vergonha de comprar barato». Vejo um vendedor de altifalante em punho como estivesse num comício político, a procurar vender pijamas e roupa interior, e graças aos apelos de compra tinha a sua banca repleta de clientes. Era um formigueiro humano. O som é importante, não é por acaso que junto às Igrejas existem campanários com sinos, para chamar os cristãos às liturgias.
Numa tenda de etnia cigana discutiam-se assuntos de religião, o jejum, a Quaresma, caso muito estranho, e fiquei a saber pela voz do dono daquela banca, que é nesta altura que os cristãos bebem água benta. Com este tempo, não benta já temos. E, a este propósito, no lado poente, encontro um ex-trabalhador do Jornal do Fundão que me diz: «estamos entregues aos Pedros. O que está lá em cima não manda chuva, está cansado de ver tanto malandro. O de baixo é pior que uma calamidade de uma austeridade e crise seca». Também me contou que há dias foi à Missa e que o senhor Prior pediu que quem quisesse ir para o Céu, colocasse a mão no ar. Todos levantaram a mão, menos um idoso. O dito Prior perguntou-lhe o motivo e ele respondeu-lhe que também queria ir, mas ainda não tinha pressa. Quando encontro um simpático e grande conversador, combino logo mais encontros. Assim trocámos os nossos endereços e deu-me o seu email: Alfredoloureiro@come.bebeoquepodeenaodeve. Achei muito interessante e com piada.
Faço a viagem de retorno e cruzo-me com o advogado caminheiro com o seu boné da Adega Cooperativa do Fundão. Desde que fizemos uma digressão a Lisboa para participar numa manifestação de vinicultores, que durante algumas horas percorremos a Baixa de Lisboa, partindo do Marquês de Pombal até ao Terreiro do Paço, com milhares de participantes, que queriam que fossem alterados os graus da taxa da alcoolemia no código da estrada. Por essa acção de luta em favor do consumo do vinho nacional, conseguiu-se subir essa taxa para 5%., ficámos amigos. Almoçamos nessa ocasião no Restaurante A Laurentina de António Pereira natural de S. Jorge da Beira, onde são só consumidos produtos agrícolas da Região do Fundão. Escolhemos uma da especialidade da casa, o bom bacalhau assado com batatas a murro, bem temperado com azeite e vinho da Cova da Beira. Também tem feijão com carne e couves à moda de S. Jorge da Beira. A sua saudação é sempre a mesma: paz e amor. Estas duas palavras encerram tudo de bom para pessoas. Num local assavam-se frangos. Seguimos em frente e passou uma viúva repleta de preto. O meu amigo recita-me: «Luto preto é vaidade / De quem se veste a rigor / O meu luto é a saudade / E a saudade não tem cor».
Os locais de venda das árvores e plantas agrícolas estão à pinha. Ainda bem, porque é necessário plantar e semear. Também no sector dos galináceos e dos ovos há clientela. Bons sinais de vida, para que estas terras não desapareçam.
No sector da venda das ferramentas anda há braços para trabalhar a terra. Tratada dá-nos tudo, é generosa.
Duas horas passeei por este mundo que é importante e dá vida ao Fundão.
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes

A pedido do presidente da direcção da Associação Cultural e Recreativa da Torre, José Joaquim Marques, publicamos a convocatória da Assembleia-Geral da Associação, que se realiza no dia 7 de Abril naquela localidade do concelho do Sabugal.

Associação Cultural e Recreativa da Torre«Convocatória
Ao abrigo do disposto no artº 8º dos Estatutos da Associação Cultural e Recreativa da Torre, convocam-se os sócios para a reunião ordinária da Assembleia Geral, a realizar no dia 7 de ABRIL de 2012, ás 21h00m, nas instalações sociais, com a seguinte ordem de trabalhos:
Ponto 1 – Apreciação e votação das contas de exercício relativo ao ano anterior.
Ponto 2 – Outros assuntos com relevância para a Associação.
Ponto 3 – Redução de numeração do numero de Sócios
Ponto 4 – Informações.
Ponto 5 – Eleições
Se à hora designada não se encontrarem presentes o número mínimo de sócios para dar início à Assembleia, a mesma terá início passados 30 minutos, em segunda convocação, com o número de sócios que estiverem presentes.
O Presidente da Mesa da Assembleia-Geral
Drº Joaquim Esteves Saloio»

Numa semana em que se discute na Assembleia da República as alterações ao código do trabalho, proposto pelo Governo, a pergunta que me ocorre é… e se não houvesse trabalhadores?

O que teria sido, ou que seria, a Humanidade hoje, se não existissem trabalhadores? Provavelmente, não sairíamos do estado de recolectores.
Sempre que se fala em relações laborais existe uma espécie de preconceito em relação a uma das partes da relação laboral. Os trabalhadores são sempre vistos como uma espécie perigosa, arruaceira e, ironia, como não querendo trabalhar. Pode ser que esta imagem tenha surgido, e ainda perdure, na segunda metade do séc. XIX, quando os movimentos de trabalhadores, mais tarde sindicatos, começaram a reivindicar alguns direitos. É verdade. Houve lutas, e lutas na verdadeira acepção da palavra. As greves e manifestações desse tempo foram verdadeiros campos de batalha entre os trabalhadores e a polícia, enviada pelos governos, muitas vezes a pedido dos patrões. É por isso que, ainda persiste essa palavra de ordem de «a luta…». Se é esta a imagem que ainda perdura, volvidos cerca de século e meio depois, significa que a sociedade avançou muito pouco.
A relação laboral não é, e nunca pode ser, uma relação a um. São precisos dois. O patrão (ou empregador) e o trabalhador. É no equilíbrio da balança dos interesses de ambos, que pode haver harmonia na relação laboral.
Ora, assistimos, com esta proposta, a uma alteração intencional desta relação quando, se reporta mais poder para um dos lados. Sendo este um problema, não consigo entender o argumento de que, este agilizar de despedir, se transforme na mais valia de criar emprego! Preferia que, sem andar com palavras sonantes, falácias, rodriguinhos eviras, dissessem claramente que esta alteração ao código do trabalho, facilita o despedimento e, mais uma vez, vai aumentar o número dos desempregados. Ou alguém acredita que se vai despedir para se contratar?!
Os trabalhadores vão ficar mais fragilizados. Encaminhando-se a sociedade para um beco sem saída. O trabalho não pode ser encarado somente como lei, antes como um direito, como dizia Victor Hugo. Nós estamos a transformá-lo num favor. Numa caridade. É este o paradigma traçamos. Uma sociedade onde as pessoas serão um número e, submissas, pelo favor do seu trabalho, lhe darão o pão.
Dir-me-ão, o título da crónica também pode ser posto ao contrário, e se não houvesse patrões? Sem dúvida que sim. Respondo, pegando precisamente no conceito de relação. Continuo acreditar que não são os salários o óbice da nossa economia. Muitas vezes é a mediocridade dos nossos empresários que obstam a um maior progresso na nossa economia. A maioria dos nossos empresários, não se vêm como tal, mas sim como patrões e donos das empresas. Alinhando no quero posso e mando e, em que tudo o que entra é para o seu bolso.
É preciso alterar o paradigma, percebendo o ponto de partida (mesmo agora, nesta crise, seria uma boa oportunidade) para se saber onde se quer chegar. O que temo, é que esta alteração, seja o princípio de um recuo civilizacional.

P.S.1 Já repararam nos vários ataques a José Sócrates, agora que deixou de estar no poder? Não parece estranho que, só agora, venham todos estes ataques? Demonstra o quanto quem está lá em cima tem poder e em como todos os que gravitam à volta dele, depressa esquecem.
P.S.2 Uma palavra, para referir aqui, o meu lamento pela morte de António Tabuchi. Uma perda enorme para a literatura, em particular, e para a cultura portuguesa, em geral.

«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

A Câmara Municipal do Sabugal aprovou por unanimidade, na reunião de 14 de Março, uma moção apresentada pela vereadora socialista Sandra Fortuna, pela qual se manifesta o «total repúdio face ao encerramento do troço da Linha da Beira Baixa entre a Covilhã e a Guarda».

A moção apresentada pela vereadora do Casteleiro aos seus pares surgiu na sequência de um ofício que a CP endereçou ao Município do Sabugal dando conta da supressão do serviço rodoviário entre a Covilhã e a Guarda, que se mantinha devido às obras de modernização do troço ferroviário que une essas duas cidades beiroas.
O Governo retirou a reactivação do troço do Plano Estratégico de Transportes, ainda que se tenham gasto nos últimos anos mais de 10 milhões de euros em obras de modernização daquela via ferroviária, especialmente no túnel do Barracão, em pontes e plataformas.
O fim da ligação ferroviária acaba também com a estação do Barracão, oficialmente designada por «Estação do Sabugal».
A moção aprovada pelo executivo sabugalense critica a decisão do governo, considerando que ela é «mais um passo para o isolamento e a desertificação do nosso Concelho», pois priva as pessoas que viajam do e para o sul do país da utilização do comboio, restando-lhe apenas o meio de transporte rodoviário.
O encarecimento das deslocações rodoviárias, em razão dos aumentos sucessivos dos preços dos combustíveis e da introdução de portagens nas auto-estradas, faz com que as pessoas procurem naturalmente outras alternativas de transporte, sendo que o encerramento do troço da linha da Beira Baixa põe cobro a uma alternativa válida e economicamente vantajosa.
Transcrevemos a moção aprovada pela Câmara Municipal do Sabugal:
«O abandono do processo de modernização do troço da Linha da Beira Baixa entre a Covilhã e a Guarda é mais um passo para o isolamento e a desertificação do nosso Concelho, obrigando quem aqui mora e os sabugalenses que, vivendo a sul do País, ou em regiões servidas por aquela linha férrea, a utilizar apenas o meio de transporte rodoviário.
A lógica é sempre a mesma, a de confundir qualidade de serviço público com poupanças financeiras, como se o direito de cada português ao acesso em situação de igualdade daqueles serviços se medisse em mais ou menos euro!
Somos poucos, mas somos iguais em direitos ao de qualquer outro português.
Não aceitamos que, pouco a pouco, nos vão empurrando para a decisão de encerrar o Concelho, mudando-nos todos para o litoral!
Não aceitamos que nos coloquem perante situações de factos consumados, numa atitude que mais não é que a da condenação sumária à asfixia social e económica.
Obrigar quem queira deslocar-se às nossas terras por comboio a percorrer meio país, é de quem prefere encerrar de forma cega o serviço ferroviário, independentemente de questões de equidade social e territorial, ou de princípios de maior valia ambiental.
Num momento em que as deslocações rodoviárias custam cada vez mais, fruto dos preços exorbitantes dos combustíveis e da introdução de portagens nos principais acessos, o Governo da República encerra uma alternativa válida e economicamente mais vantajosa.
Assim, o Executivo do Município do Sabugal, reunido em 14 de Março de 2012:
Manifesta o seu total repúdio face ao encerramento do troço da Linha da Beira Baixa entre a Covilhã e a Guarda

plb

A Rota das Judiarias foi considerada pelo Secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, como «a mais decisiva das redes para o turismo português».

Casa do Castelo - Sabugal

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Esta afirmação consta da entrevista dada por Francisco José Viegas ao semanário «Expresso» de 24 de Março e constitui, sem dúvida, o reconhecimento da importância do património judaico para a afirmação do interior do País enquanto destino turístico.
E não poderia deixar aqui de realçar o papel que, a nível do Concelho do Sabugal, a Talinha e a sua Casa do Castelo e o Quim Tomé têm vindo a desempenhar numa luta, por vezes contra tudo e contra todos, para que a nossa terra integre de pleno direito e sem qualquer hesitação esta Rota das Judiarias.
Mas esta entrevista contém dados ainda mais importantes para o Concelho, quando o Secretário de Estado fala de outras Rotas às quais o Sabugal terá de pertencer obrigatoriamente, como são as Rotas dos Castelos da Raia ou dos Monumentos Medievais em Ambiente Rural.
E, mais ainda, quando é reafirmado o papel do nosso vizinho Concelho de Belmonte enquanto «coração da rota das judiarias».
Face aos propósitos enunciados, é hora de, sem esquecer, bem pelo contrário, o caminho desbravado, o trabalho já feito e os seus protagonistas, definir uma estratégia coletiva em que todos os interessados tenham lugar, percebendo que esta pode ser uma das últimas oportunidades de desenvolvimento do Concelho.

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ps 1 – «Ultimamente já não sinto a necessidade de vir aqui partilhar o que quer que seja e não me tenho preocupado muito com isso, o que me leva a pensar que o melhor será fazer uma pausasinha e aguardar que o bichinho se forme novamente e aí, das duas uma, ou bebo um bagaço ou regresso e escrevo um post ou mil, logo se vê, de modo que o que por aqui se conclui é que isto não é um adeus definitivo, mas apenas um até já.» Foi com tristeza que li este post inserto no dia 23 de março no Blogue «Sabugal Tarrento».
Fui tendo alguns «desaguisados» com o responsável por este Blogue, mas sempre considerei o mesmo como importante para o Concelho do Sabugal. Espero sinceramente que seja apenas um até já muito breve…

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ps 2 – A morte de um escritor da qualidade de Antonio Tabucchi, italiano de nascimento, mas português de coração e de opção, pois era legalmente português desde 2004, é um momento triste para a cultura portuguesa. Honrar a sua memória é, sobretudo, ler ou reler as suas obras.

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ps 3 – Mais uma vez tive o privilégio de assistir a um concerto dirigido por Gustavo Dudamel, jovem maestro (31 anos) venezuelano e já considerado um dos melhores maestros vivos. Para quem muito gosta de falar mal do poder político da Venezuela aconselho a ler alguma coisa sobre o assim denominado «El Sistema», política de formação musical das crianças e jovens venezuelanos, enquanto instrumento de organização social e desenvolvimento comunitário. Dudamel é o produto mais conhecido do «El Sistema» venezuelano.

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ps 4 – Ainda falta mais de um mês, mas aqui deixo o alerta. Susana Baca, cantante peruana, estará no Porto (Casa da Música) a 9 de maio e em Lisboa (CCB) a 10 de maio. Para quem não conhece basta ir ao Youtube para se perceber o quão extraordinária é a sua música e a sua voz. Imperdível.

«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

Erros insanáveis no projecto, descobertos poucos dias após o início dos trabalhos, levaram à suspensão da obra camarária designada «execução de percurso de interpretação ao longo da margem esquerda da albufeira do Sabugal», situação que levou os vereadores da oposição a responsabilizar pelo facto o presidente da Câmara Municipal do Sabugal.

A obra fora consignada em Maio de 2011 à empresa Albino Teixeira Lda, e os trabalhos iniciaram-se a 21 de Janeiro de 2012, logo que foi aprovado o respectivo plano de segurança pela Câmara Municipal do Sabugal.
A suspensão aconteceu por decisão camarária tomada da reunião do executivo do passado dia 14 de Fevereiro, numa altura em que os trabalhos já estavam em pleno andamento, nomeadamente ao nível da remoção de terras.
Só após o avanço desses trabalhos se verificou que os mesmos não poderiam continuar porque parte do percurso a executar estava afinal projectado para terrenos submersos ou em terrenos particulares. A necessidade de proceder a alterações significativas no projecto levarou os serviços de fiscalização da Câmara a proporem a imediata suspensão dos trabalhos.
As falhas detectadas tornaram evidente a necessidade de mais estudos, de modo a corrigir as falhas detectadas no projecto que o empreiteiro iria executar.
O vereador independente Joaquim Ricardo, mostrou-se indignado com a «falha monstruosa e quiçá ridícula», que manifestaram os técnicos que elaboraram o projecto, da qual considera primeiro responsável o presidente da Câmara. O vereador defendeu a abertura imediata de um inquérito.
Já os vereadores eleitos pelo PS consideram que este caso vem confirmar «o desnorte e a incapacidade do presidente e vereadores do PSD em gerir o Município».

Declaração de voto do vereador Joaquim Ricardo:
«Durante mais de um ano procedeu-se à elaboração do projecto que depois de feita a respectiva apresentação (com toda a pompa e circunstância) abriu-se o respectivo procedimento concursal (em 2010) que terminou com a apresentação do Plano de Segurança em 18 de Janeiro de 2012, pelo adjudicante. Durante todo este espaço de tempo foram vários os técnicos responsáveis (externos e da câmara) que acompanharam o respectivo processo. Passados mais de três anos que durou todo este procedimento e depois de garantido o respectivo financiamento e iniciados os trabalhos, eis que recebemos a notícia de que os trabalhos teriam que ser suspensos porque o percurso projectado está submerso pelas águas da albufeira. Confesso que fiquei incrédulo com a notícia! Isto é, nenhum dos técnicos envolvidos no projecto e no seu acompanhamento detectou esta falha monstruosa e quiçá, até ridícula, digna de divulgação pública para que o exemplo não se repita noutras paragens.
E agora, brevemente, iniciar-se-á uma outra telenovela: Ao adjudicante será lícito solicitar indemnização financeira e mais tarde teremos aqui uma proposta de aprovação de mais uns tantos milhares de euros para trabalhos a mais. Este é só mais um exemplo, entre muitos, que infelizmente acontecem regularmente na nossa autarquia.
Senhor Presidente, o mal está feito e infelizmente não temos outro remédio senão ultrapassar mais este obstáculo. Mas a “culpa não há-de morrer solteira”. Por isso, proponho que seja aberto imediatamente um inquérito para que se apurem responsabilidades. Mas seja qual for o resultado desse inquérito, o responsável máximo está já identificado: É o senhor!»

Declaração de voto dos vereadores do Partido Socialista:
«A proposta de suspensão de uma empreitada consignada em Maio e apenas iniciada em Janeiro, demonstra mais uma vez o que os vereadores do Partido Socialista vêm dizendo sobre o desnorte e a incapacidade do Sr. Presidente e os senhores vereadores do PSD em gerir o Município do Sabugal.
As razões invocadas para se suspender os trabalhos são tantas, que não percebemos como desde o momento em que se iniciou a elaboração do Projecto, passando pelo concurso e consignação, e, ainda, nos nove meses que decorreram até ao início das obras, não houve ninguém que tenha percebido coisas tão evidentes como são, por exemplo, mandar reparar caminhos que estão abaixo do nível do NPA da Albufeira, ou, pior ainda, são propriedade particular!
As razões da suspensão, e as alterações a que a empreitada vai ser sujeita, coloca-nos ainda a dúvida sobre se o que realmente vai ser executado tem alguma coisa a ver com o que foi concursado inicialmente.
Seria assim bom que o Sr. Presidente mandasse os Serviços Jurídicos analisar esta situação, para não se cair, mais uma vez, na situação de serem colocados à aprovação deste Executivo Municipal propostas feridas de ilegalidade!
Por tudo isto, e não deixando mais uma vez de lamentar a forma menos rigorosa com o que a maioria relativa do PSD traz os assuntos para discussão e votação, abstemo-nos, e estaremos atentos às alterações que venham a ser decididas, para, mais uma vez, não sermos coniventes com qualquer tipo de ilegalidade.»
plb

A agência Lusa noticiou que na Aldeia de João Pires, concelho de Penamacor, aos sábados, um grupo de mulheres esquece as limitações da idade e puxa pelo físico para aprender técnicas de defesa pessoal.

Nunca foram assaltadas, nem vivem com medo, mas «é uma forma de ganharem autoconfiança e estarem activas», como diz à agência Lusa o instrutor Alberto Mariano, voluntário que guarda os sábados para dinamizar actividades na região onde nasceu.
Além disso, praticam truques que podem usar «em último recurso», numa situação de risco.
Pode faltar agilidade «para fazer a espargata», mas «há técnicas específicas» que a população sénior pode usar: «por exemplo, quem já não levanta bem o pé, pode magoar a canela de um agressor».
Numa só tarde, Filomena Pires, de 74 anos, aprendeu a usar o movimento de braços com que despe uma camisola para afastar os braços de um estrangulador.
Lado a lado com outras dez vizinhas, descobriu que basta girar o pulso para fugir de quem a agarre e ficou a saber como dobrar o braço sobre o peito para travar algumas agressões.
plb (com Lusa)

As candidaturas para licenciaturas na Universidade Aberta (UAb) para o Ano Lectivo de 2012/2013, via Acesso Específico e Acesso para Maiores de 23 anos decorrerão de 1 a 15 de Abril de 2012.

A candidatura é realizada online, com o envio da documentação solicitada no portal da UAb aquando da publicação da notícia, sendo que os exames de acesso são efectuados presencialmente no mês seguinte.
As licenciaturas da UAb decorrem integralmente em regime de e-learning, sendo as avaliações (exames semestrais) o único momento presencial.
A informação sobre os cursos está disponível aqui.
A informação sobre Acesso Específico pode ser consultada aqui.
A informação sobre Acesso para Maiores de 23 (ACFES) pode ser consultada aqui.
As candidaturas para Reingressos, Mudanças de Cursos ou Transferências terão lugar mais tarde.
plb (com UAb – CLA do Sabugal)

O meu artigo número duzentos, quero dedicá-lo aqueles que mais sofrem com esta crise, os trabalhadores das classes mais desfavorecidas, das mais humildes, os trabalhadores das classes médias, os pequenos empresários e os pequenos comerciantes. É nestas classes que se apoia o poder económico, explorando-as e obrigando o Estado a explorá-las, conseguindo assim lucros fabulosos. Como não podia deixar de ser, este artigo dedico-o também aos desempregados.

António EmidioA crise não pode ser considerada Global, na medida em que há países como Portugal e Grécia, entre outros, que devido à sua dívida externa e défice, vão empobrecendo, sendo incapazes de pagar as suas dívidas, optando como solução, leis laborais que não são mais nem menos do que uma brutal exploração. Noutros países onde a crise é quase inexistente, aí os lucros das grandes empresas são conseguidos com idênticas leis laborais, leis de exploração a que já chamam «contra-reforma laboral». Uma realidade se constata, a crise é a do Mundo do Trabalho.
O nosso Pais querido leitor(a), com medidas ilegais que nos estão a ser impostas, está a empobrecer, o crescimento do Produto Interno Bruto em 2011 foi quase nulo. O estado e os grandes patrões impuseram drásticas reformas neoliberais, para quê? Para lançarem milhares e milhares de portugueses no desemprego, este já atingiu uma percentagem vergonhosa para qualquer governante, ainda não contentes, tanto um, como o outro, Estado e grande patronato (o seu representantes como Ferraz da Costa), resolveram também fazer violentos cortes salariais, que tudo indica ainda irão a mais irão presume-se que serão feitos cortes nos salários, entre vinte e trinta por cento! Com esta «orientação» vinda da Alemanha, iremos superar a crise e depois entrar num acelerado e «paradisíaco» processo de recuperação económica, não se sabe é quando…
Este processo neoliberal começa em 1973 com a ditadura militar no Chile, golpe de Estado de Pinochet, aí foram aplicadas ferozes medidas neoliberais a favor do «livre mercado», outros países da América Latina se lhe seguiram, também com ditaduras militares. Tudo foi imposto pelos Estados Unidos. Ainda agora, passados trinta anos há países que nunca se recompuseram, nem enriqueceram, pelo contrário ainda empobreceram mais. O mesmo irá acontecer a alguns países da Europa, muito me temo que entre eles esteja Portugal…Alguém dirá: para isso não acontecer temos que trabalhar mais e melhor, com menos salários e menos pão, mas quanto menos for o salário e menos o pão, menos enriquecemos, assim só enriquecem dois ou três, veja-se o caso do empresário de sucesso português que já está na revista Forbes. Isto é só um exemplo, se por acaso não recebermos salário nem pão, para onde vai a riqueza que produzimos?
Como bem dizia, penso que um escritor «governar a Europa significa reduzir salários, cortar nas prestações sociais, criar desemprego e eliminar obras públicas». Eliminar obras públicas para deixar tudo nas mãos de privados! Pelo menos lembrem-se do New Deal ( Nova Ordem ) o plano de recuperação económica dos Estados Unidos levado a cabo pelo Presidente Roosvelt, depois do descalabro económico de 1929: intervenção e vigilância do Estado, execução de grandes obras públicas e políticas de apoios sociais. Assim criou milhões de postos de trabalho e deu de comer a todos, mas para isso contribuíram, o Estado, as empresas e os trabalhadores. Foi o Keynesianismo, que para os actuais governantes europeus e grandes empresários, é considerado comunismo, sinais dos tempos…
O trabalhador nesta Europa é uma simples mercadoria que se usa até se tornar inservível, depois vai para o lixo.

Há empregos na Neoliberal União Europeia de 500 euros mensais, com uma carga horária de 18 horas, mas se por acaso a empresa necessitar desse trabalhador para fazer mais horas!!! Paga-as a 5,60 euros à hora. Quantas horas tem para descansar? Para estar com a família?
Este tipo de exploração é mais notório nas grandes superfícies e nos centros comerciais – Os templos do consumo.

Aqueles que detestam os trabalhadores, que há muitos, aqueles que vêem nos trabalhadores uma simples mercadoria, as mentalidades esclavagistas, pensem no seguinte: sem trabalhadores não se criaria riqueza, não se pagariam impostos, não se pagaria segurança social. O Estado não se poderia manter, o empresário também não. Sem os homens e as mulheres que trabalham, as máquinas deterioravam-se, assim como as matérias primas, as ruas ficariam cheias de lixo, originando doenças. Sem homens e mulheres que trabalhassem, os carros, os autocarros, comboios, barcos e aviões não andariam, não haveria distribuição de água e luz, quem ensinava nas escolas, colégios e universidades? Quem nos trataria nos hospitais? Em suma, não haveria vida!
Sem o capital humano, não existia o capital financeiro.

Aos desempregados quero dizer: o emprego está ligado ao sustento e à dignidade do homem. Em Portugal, o sustento e a dignidade do homem têm pouco valor para os actuais governantes.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Procurarei com este texto, no Dia Mundial do Teatro, que acontece hoje, 27 de Março, prestar uma homenagem a todos aqueles que com o seu trabalho dinâmico, sabedoria, empenho e talento na arte de representar, que proporcionam tantos momentos culturais e emocionais a um público que os admira e respeita.

Viver é representar. Todos os homens escolhem as melhores máscaras e saltam para ao palco do teatro com engenhosas representações.
Shakespeare dizia que o mundo era um palco e Fernando Pessoa definia-se como uma cena viva representando diversos actores em diversas peças. Assim se explica a fome de teatro de todos os homens. A Vida é um Teatro. Experimentem, por exemplo, tirar todas as máscaras nos sectores políticos, religiosos, sociais e culturais, e, que outra consequência senão encontrar a morte? Com efeito, é o Teatro que torna as pessoas mais livres e permite a vida, ora autorizando verdades que, sem máscara, poucos ousariam dizer, ora dissimulando os nossos reais defeitos e possibilitando a sã convivência.
O teatro vem dos clássicos gregos, atravessa séculos de culturas e civilizações, passa pelo misticismo, pela farsa social, pelos testemunhos heróicos, religiosos e tantos outros. A sua importância é milenar. Nas tragédias gregas, por exemplo, as autoridades pagavam ao próprio público para as ir ver.
Quando Molière bateu três vezes com a sua bengala nas «tábuas da aristocracia francesa» do Século XVII, não imaginaria, por certo, que esses sons ecoariam numa aldeia portuguesa recôndita, situada no Planalto do Ribacôa, na alma do POVO anónimo Bismulense, a que com orgulho pertenço, e que escolheu para acontecer Teatro representado em diversos locais públicos: o Largo de Santa Bárbara, da Relva, da Praça, e quando o tempo ameaçava chuva no Salão, ao cimo da Rua do Forno.
Através de um conhecimento baseado na transmissão oral, nos princípios do Século XX já a Bismula fantasiava um jogo cénico com componentes militares e religiosas, envolvente ao Mártir São Sebastião, que já abordei num texto sobre a Irmandade com o mesmo nome, centenária e com irmãos espalhados por todas as freguesias do Concelho do Sabugal.
Com a nomeação do Padre Ezequiel Augusto Marcos para Pároco da Bismula e ali residente, as peças de Teatro levadas à cena atingiram o seu apogeu, contando com o apoio de dois colaboradores e encenadores: José Joaquim Fernandes e o seu parente José Maria Fernandes Monteiro, seguidos por um elenco de actores populares, que hoje envergonhariam muitas vedetas de pacotilha, que aparecem todos os dias nos ecrãs da televisão. Actores de grande talento como Joaquim Firmino, António e Joaquim Videira, Iberte Alves Ramos, José Augusto Vaz, Paulo Cardoso, José Maria Fernandes, Manuel José Fernandes, as Irmãs Faustina, Trindade e Inês Alves Mendes, Maria Bernardete Fernandes Lavajo, António Joaquim Lopes, Antero Leal, Francisco dos Santos Vaz, e tantos outros.
Esta plêiade de homens e mulheres levaram à cena, na Bismula e nalgumas freguesias limítrofes, peças de Teatro com a temática religiosa, histórica e alguma mitologia popular; no final havia sempre uma rábula cómica, que fazia rir o grande público. Para dar um ar festivo ao Teatro, muitas vezes este era abrilhantado por uma Banda de Música, que vinha da Freguesia da Malhada Sorda ou da Parada.
Lembro-me da apresentação das peças de S. Sebastião, «A Bandeira Roubada», «Santo Tarcísio», «Os Dois Jovens Cativos», «A Paixão de Jesus Cristo», «Restauração de Portugal», «O Amor Descoberto», «O Fim do Mundo»; nas peças mais cómicas apareceram «O Barbeiro de Sevilha», «Salsa e Parrilha» e outras que não tenho na memória.
Estas peças eram apresentadas com tanto realismo que numa peça, levada à cena no Largo da Relva, com o palco assente nas pedras do mercado (já desapareceu este património), um dos actores ficou com uma costela partida. Também não posso deixar de dar o meu testemunho pessoal. Na peça «A Bandeira Roubada», o meu pai é condenado à morte e com os meus seis anos comecei a chorar compulsivamente no meio dos espectadores, e só parei quando me agarrei ao pescoço do meu saudoso Pai – José Maria Fernandes Monteiro – e confirmei que estava vivo e não tinha sido morto.
Vivi esta e outras emoções que me acompanham até à morte. Devo-as ao Povo Actor, aos Homens e Mulheres Bismulenses.
HONRA, GLÓRIA E LOUVOR AOS ACTORES ANÓNIMOS BISMULENSES, CUJOS NOMES AINDA ESTÃO VIVOS NA MEMÓRIA DE TODOS AQUELES, QUE ASSISTIRAM A MARAVILHOSAS PEÇAS DE TEATRO.
A TODOS OS HOMENS DO TEATRO.
António Alves FernandesAldeia de Joanes

No dia 19 de Março, elementos do Núcleo de Protecção Ambiental de Pinhel, da Guarda Nacional Republicana, detiveram um indivíduo de 63 anos de idade, residente em Rabaçal – Mêda, por crime de incêndio florestal por negligência. A GNR também deteve durante a semana transacta um homem e uma mulher por furto e outros dois homens por posse ilegal de armas.

Preso algemadoSegundo o comunicado semanal do Comando Territorial da Guarda da GNR, o autor do incêndio realizava uma queima de sobrantes agrícolas, numa propriedade naquela localidade, que deixou descontrolar, a qual se propagou aos terrenos vizinhos, dando origem ao incêndio que o mesmo confessou ser o autor. Em consequência, ardeu um hectare de pinheiro bravo e mato.
Os factos foram participados ao Tribunal Judicial da Mêda, ficando o detido sujeito a Termo de Identidade e Residência.
No dia 22 de Março, militares do Posto Territorial de Foz Côa, detiveram em flagrante delito, um homem de 28 anos de idade e uma mulher de 21 anos de idade, residentes na Guarda, por crime de furto de metais não preciosos. Os suspeitos foram surpreendidos junto a uma Quinta agrícola próxima de Foz Côa, após carregarem um veículo com cerca de uma tonelada de aduelas de ferro utilizadas nas cubas de vinho.
No dia 20 de Março, militares do Núcleo de Investigação Criminal de Pinhel e do Posto da Mêda, detiveram um indivíduo de 81 anos de idade, residente Paipenela (Meda), por crime de posse ilegal de armas. A detenção ocorreu após uma denúncia pelo crime de violência doméstica, tendo sido efectuadas buscas domiciliárias à residência do suspeito onde foram encontrados e apreendidos cinco aerossóis de defesa, com gás pimenta, diversas e ainda uma réplica de uma arma de fogo (pistola).
No dia 24 de Março, o Núcleo de Investigação Criminal de Pinhel deteve um indivíduo de 50 anos de idade, residente em Marialva (Meda), também por crime de posse ilegal de armas. O suspeito detinha na sua residência duas caçadeiras de 12 e 9 milímetros, o que foi verificado no decurso de uma busca domiciliária, efectuada no âmbito de um Inquérito criminal.
plb

A cidade de Pinhel acolheu o Segundo Estágio Nacional da Portugal Kyokai Karate-Do Shotokan (PKKS) e a Segunda Fase de Exames de Graduação da época desportiva 2011/2012.

O Estágio foi realizado durante a parte da manha, e foi orientado pelos Treinadores da Associação Nacional PKKS, Rui Jerónimo, Carla Jerónimo, José Jerónimo e Eduardo Rafael. Estiveram presentes mais de 80 karatecas oriundos de diversos Clubes do Distrito da Guarda.
Na parte da tarde realizaram-se os Exames de Graduação, onde estiveram presentes 45 karatecas. Parabéns a todos pelo empenho e dedicação demonstrado durante todo o exame. Obrigado aos familiares que acompanharam os atletas, e à Falcão Empresa Municipal por todo o apoio que deram na organização deste evento.
Rui Jerónimo

No Casteleiro, desde meados dos anos 50 e durante todos os anos 60 e 70, um complexo industrial desactivado, a que chamávamos «Os Italianos», serviu de centro de cultura popular. Nem sabíamos disso. Mas era lá que havia teatro, comediantes, circo, bailes, cinema.

Era um edifício esbranquiçado, com ar de fábrica abandonada, mas em muito bom estado de conservação.
Vale a pena descrevê-lo, antes de mais porque muita gente se lembra, mas também porque a maioria dos que me lêem nunca o viram: ou nunca foram ao Casteleiro ou tendo ido ou sendo de lá não têm idade para se lembrar.
Para quem já foi ou sabe onde fica a Casa da Esquila, o novo restaurante de marca, saiba que os Italianos eram aí mesmo, mas em frente, do outro lado da estrada, logo junto da curva.

O edifício
Era uma grande construção, bem sólida, mas já não era de pedra como era tradição no Casteleiro. Por exemplo: a igreja, construída também nos anos 40, é toda de pedra.
«Os Italianos» tinham sido construídos com tijolo burro (julgo que era isso) e o bloco fora todo rebocado com uma massa de cimento lisinha, pintada de quase branco e era enorme. Ou parecia enorme aos nossos olhos de miúdos.
O edifício foi demolido lá pelos anos 80, julgo, para dar lugar a habitações e comércio.
Da estrada ao edifício, um grande largo de uns 30 metros de profundidade e que corria ao longo de todo o edifício.
Antes da entrada, um telheiro alto, gigantesco.
A porta de entrada era larguíssima. Mas tinha três degraus – o que significa que não era para entrada de viaturas. Lá dentro, logo à entrada, um hall enorme com dois grandes blocos rectangulares altos e com o tijolo à vista. Tinham sido construídos para serem os fornos. Depois, para a direita de quem entrava o grande salão.
E, ao longo dessa sala grande, várias dependências, tudo em grande e com pé direito impressionantemente alto. Isso era uma imagem de marca da construção: o telhado ficava lá muito em cima… bem diferente das nossas casas: tipo dois ou três andares lá em cima. Era assim que eu via o edifício. Se calhar era só o meu olhar de criança a ampliar a coisa…

Os bailes
Do que mais nos lembramos é dos bailes. Enormes bailes de domingo. Toda a gente rodopiava naquele grande salão. De mim e dos meus amigos, só me lembro de andarmos a jogar à apanhada ou coisa assim por entre as pernas dos dançantes…

O cinema
O cinema que se via nesse tempo na aldeia ou era projectado numa parede da casa senhorial do Largo de São Francisco ou nos Italianos. Era cinema mudo ou lá perto, a preto e branco, naturalmente, e com histórias de amor em profundidade e muitas lágrimas.

O Delfim
Outro frequente utilizador era o comediante Delfim e a sua «troupe»: Delfim Pedro Paixão – bem me lembro do nome dele e da sua companheira e restante equipa de «actores» de rua. Muito nos ríamos com as suas brincadeiras ingénuas. Quando a mulher era viva, havia trapézio e tudo (acho que morreu de uma queda).

Volfrâmio
Já escrevi em tempos na Capeia que havia (há) volfrâmio no Casteleiro e que houve muita exploração de minérios na minha terra. Pois bem: «Os Italianos» são fruto dessa euforia. Dois italianos, irmãos, vieram para cá, instalaram-se e iam começar o seu negócio. Investiram, portanto. Ali seria uma fábrica separadora de minérios. Mas não chegaram a tirar rendimento: logo, logo, a Itália é derrotada e o negócio italiano e alemão dos minérios em causa acabou. O edifício lá ficou, entregue ao meu avô, que acabaria por aceder à propriedade 30 anos depois por usucapião: os dois italianos nunca mais deram sinais de vida. Tanto quanto se sabia na época, teriam fugido para a Argentina. Mas até hoje, nem um telefonema…
O Casteleiro ficou assim com um equipamento inesperado, que bem utilizado foi durante duas décadas. Foi o primeiro centro de cultura – mas sempre houve teatro no verdadeiro Centro (na imagem) e num recinto junto do Largo de São Francisco.
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

El 17 de marzo de 2012, Oliveira do Hospital, en Portugal, acogió los actos del XXIII Gran Capítulo de la Cofradía Queijo Serra da Estrela. Descripción, fotos y vídeo del mismo. Como cada año desde 2007, en el que la Cofradía de Amigos de los Quesos del Principado de Asturias se hermanó con la Cofradía del Queijo Serra da Estrela, acudo a Oliveira do Hospital, a celebrar con nuestros «hermanos portugueses» su Gran Capítulo, su gran día del año.

Capítulo Confraria Queijo Serra Estrela

Luis Javier del Valle VegaEn esta ocasión a diferencia de los dos últimos años, en el que acudimos solos Estela y yo, nos acompañaron los amigos Jorge Martínez, Jesús Solís y Aquilino Suárez, por lo que la Cofradía de Amigos de los Quesos y la del Quesu Gamoneu estuvieron representadas por dos personas y Doña Gontrodo sólo por Estela.
Siguiendo la costumbre de los últimos viajes, hemos aprovechado para hacer un poco de turismo y conocer dos ciudades que no conocíamos: Peso de Regua y Viseu. La una cabecera del Alto Douro Vinhaterio y la otra la principal ciudad de la región Däo-Laföes.
Peso de Regua, fundada a la vera del río Duero, consiguió de su puerto fluvial su sustento económico, del mismo salían los barcos rabelos, típico barco portugués de vela, encargados de transportar las barricas de vino de oporto de las bodegas sitas en la zona, hasta Vila Nova de Gaia y Oporto. En la actualidad la creación de presas en diferentes zonas del río en los años setenta, impide que los mismos sigan ejerciendo su función, obligando a realizar el transporte por carretera. Hoy en día, la ciudad ha crecido considerablemente, dependiendo prácticamente su economía de la actividad vinícola, de la que es cabecera.

Capítulo Confraria Queijo Serra Estrela

Allí hemos comido estupendamente en uno de los restaurantes de vanguardia de Portugal, “Castas e Pratos”, ubicado en unos antiguos almacenes de graneles, pegados a la estación del ferrocarril, que cuenta con unas modernas y acogedoras instalaciones integrados en un peculiar marco. Su comida tradicional evolucionada de alta calidad y su amplía carta de vinos elegida como la mejor de Portugal en 2011, lo han ubicado en pocos años entre los grandes del país vecino.
Viseu, con más de 100.000 habitantes, es una de las ciudades más antiguas de Portugal, cuya existencia se remonta a la época castreña y tuvo una gran importancia en la época romana. Aglutina historia y modernidad, con restos romanos, iglesias que marcan el paisaje urbano y casas solariegas de arquitectura sobria, pero de imponente granito. Su Catedral, del siglo XVI aunque comenzada en el XII, bien merece una visita, como la iglesia de la Misericordia y el museo Grao Vasco, todo ello en la Adro de Sé, una de las plazas más bonitas de Portugal. La Plaza de Rossio, dónde está ubicado el Ayuntamiento y la cava de Viriato, con la escultura en honor del héroe lusitano, que parece ser estuvo asentado largo tiempo en la ciudad, son otras de las visitas obligadas.

Capítulo Confraria Queijo Serra Estrela

La modernidad de Visseu es palpable en el Centro Comercial Palacio de Gelo, dónde esta ubicado el Bar de Gelo, abierto en el año 2008, es único en Portugal y uno de los siete existentes en Europa. Tomarse un cóctel –única posibilidad existente, con la variante de con o sin alcohol – en sus instalaciones es una experiencia única, que no debe perderse.

Capítulo Confraria Queijo Serra Estrela

La siguiente parada fue en Caldas de Senhorim, entre Nelas y Oliveira do Hospital, dónde nos esperaban nuestros anfitriones. Este año, los actos del Capítulo se ceñían al sábado, no habiendo la clásica cena de recepción de los viernes. Ello no quitó para que disfrutáramos junto con Pedro Couceiro, su esposa Fatima y su hijo Nuno y de Antonio Serra Amaral y su esposa Gracia, de una estupenda cena en el restaurante Zé Pataco y de la gastronomía tradicional de la región Däo-Laföes, dónde no faltaron la Chanfaina y los arroces con costela y con marisco, todo ellos regado con los vinos de Däo, que para eso estábamos en el territorio de esta DOP.
A pesar de la gran sequía que hay en todo Portugal este año, la mañana del sábado amenazaba lluvia en nuestra salida de Meruge, el bello pueblo dónde Pedro y Fatima tienen su residencia, y antes de llegar al nuevo recinto ferial de Oliveira la misma hizo su aparición, estando presente casi toda la mañana, desluciendo en buena parte el amplio programa que la Cámara Municipal tenía dispuesto para la XXI Festa do Queijo Serra da Estrela e outros produtos locais de qualidade.
El programa de actos del Gran Capítulo, no contenía actos en la mañana del sábado, lo que permitió una visita tranquila a los múltiples puestos de todo tipo que había en el ferial, con largas paradas en los puestos de las cinco queserías acogidas a la Denominación de Origen Protegida “Queijo da Serra de Estrela” que tienen su sede en el municipio de Oliveira do Hospital, y cuyos responsables son ya conocidos de nuestras visitas anteriores.
A la hora de la comida, nos desplazamos al centro de la localidad, al restaurante Johnny´s, donde dimos cuenta de buenas carnes de vacuno. Al amigo Pedro le gusta llevarnos a sitios diferentes en cada comida o cena, y ello nos permite ir conociendo la diferente oferta gastronómica que existe en el municipio.
Había tiempo para el descanso, que mis compañeros de viaje aprovecharon, pero el que suscribe tenía trabajo. Un año más formaba parte del jurado del Concurso gastronómico “Com queijo Serra da Estrela”, teniendo el placer de ser el único de los miembros que ha estado en el mismo desde su inicio, en el año 2010. Esta edición tenía como novedad el cambio de nombre de concurso de dulcerías por concurso gastronómico, abriéndose a elaboraciones saladas, y que había cuatro elaboraciones realizadas por establecimientos profesionales, contando también con dos elaboraciones de alumnos de la Escuela de hostelería local. Al concurso se han presentado 14 elaboraciones, en el que se ha vuelto de poner de manifiesto la versatilidad del queijo, en sus diferentes elaboraciones, en la cocina.

Capítulo Confraria Queijo Serra Estrela

A las 17,30 horas comenzó el desfile de las veintisiete Cofradías españolas y portuguesas asistentes al Capítulo, que previamente nos habíamos ido concentrando en el recinto ferial, precedidos de la “banda Zambumbadas dos Pastores de Unhais da Serra” y de la Cofradía anfitriona.
Las cofradías portuguesas del Almas Santas de Areosa e do Leitäo, As Sainhas de Vagos, Barco Rabelo, Bucho de Arganil, Bucho Raiano de Sabugal, Cabritu da Serra do Caramulo, Cäo da Serra da Estrela, Carolos de Vila Nova de Oliveirinha, Chanfana, Doçaria de Tentúgal, Gastronómica de Bacalhau, Gastronómica de Laföes, Gastronómica de Madeira, Gastronómica do Norte Alentejano, Gastronómica de Pinhal do Rei, Gastronómica de Toiro Bravo, Gastronómica de Sever do Vouga, Gastronómica e enofilos de terras de Carregal do Sal, Leitäo de Barraida, Medronho de Tabúa, Ovos Moles de Aveiro, Queijo San Jorge y Sardinhas doces de Trancoso; las españolas de los quesos de Cantabria y del queso Manchego y las asturianas, formamos el vistoso desfile desde el recinto ferial en la parte norte de la ciudad, hasta la iglesia parroquial de la Exaltación de la Santa Cruz.
Allí se hicieron las fotos de familia, primero una sola de los miembros de la Cofradía anfitriona y otra conjunta de todos los asistentes. Las escaleras de esta iglesia de 1751, levantada sobre otra del siglo XIII y XIV, es el marco perfecto para tener un bonito recuerdo de esta acogedora ciudad.

Capítulo Confraria Queijo Serra Estrela

El desfile continuó rodeando el parque “Ciudad jardín” dejando a la derecha la bella capilla de Santa Ana, y concluir el vistoso desfile en la casa de cultura César Oliveira, lugar dónde se celebraría el acto oficial del Capítulo, volviendo de esta forma al recinto que nos había acogido hace años, ya que los dos últimos se habían realizado en el salón noble del Ayuntamiento, aquí llamada Cámara Municipal.
El Capítulo estuvo presidido por el Gran Mestre de la Cofradía, Manuel Freire Leal, escoltado por Diogo Albuquerque, Secretario de Estado del Ministerio de agricultura, desarrollo rural, medio ambiente, marítimo y ordenación del territorio del Gobierno de Portugal y el alcalde de la localidad José Carlos Aleixandro. A los que acompañábamos el que suscribe como representante de la Cofradía de Amigos de los Quesos del Principado de Asturias, Madalena Carrito presidenta de la Federación de cofradías gastronómicas de Portugal (compuesta por 70 cofradías) y los cofrades locales Joao Madanelo (Escribano) y Miguel Serra Amaral (Secretario), ejerciendo como maestro de ceremonias, el Gran Conseillero y alma mater de la Cofradía Pedro Couceiro.
Una vez más la Cofradía ha tenido el bonito gesto y amabilidad de situarnos en la presidencia y cedernos la palabra en la celebración del Capítulo, y más cuando estaban presentes otra Cofradía hermana (Queijo San Jorge) y la que los había apadrinado en su momento (Quesos de Cantabria).
Como años anteriores mi intervención de agradecimiento fue en portugués y en ella tuve un emotivo recuerdo para el difunto cofrade del Queijo, Carlos Magalhanes, cuya viuda Rosé se encontraba entre nosotros. Carlos era un enamorado de nuestra tierra asturiana, fue junto con Pedro Couceiro de los primeros que he conocido, y con él mantenía continuo contacto, siendo su fallecimiento fue un duro golpe. No fue posible devolvernos la visita que le hicimos el año anterior, a su residencia en el bello lugar de Mont´Alto en Arganil, con motivo de la celebración del Capítulo anterior. Descanse en paz.
Las intervenciones del Gran Mestre, del Alcalde, del Secretario de Estado, la mía propia y de la Presidenta de la Federación, precedieron al juramento de los numerosos cofrades de mérito y los de número – 8 más con lo que ya suman 78 cofrades-, y a la presentaciones de María Eugenia Lemos sobre como distinguir el queso con DOP.
Hélio Loureiro, cocinero reputado portugués, que presta sus servicios profesionales en el Hotel Palacio de Oporto, tiene un programa de cocina en la televisión portuguesa y es colaborador de la Festa do Queijo, en el que en esta edición y en la anterior realizó en directo un “show-cooking” con elaboraciones con el queso Serra, fue nombrado Cofrade de Mérito. Con Hélio he tenido el placer de ser compañero suyo en la edición anterior y en la presente del concurso gastronómico.

Capítulo Confraria Queijo Serra Estrela

Este era un Capítulo para celebrar, si en del año anterior se había presentado la candidatura con la que la Cofradía, presentaba al queso que defienden como candidato a una de las 7 maravillas gastronómicas de Portugal, este año tocaba reconocer a todos los involucrados por haberlo obtenido, de diferente forma.
A las Cámaras Municipales de toda la comarca de la Serra de Estrela, se les nombraba Cofrades de Mérito. Los alcaldes de Aguiar da Beira, Celorico da Beira, Fornos de Algodres, Gouveia, Guarda, Manteigas, Seia y Tabúa, accedieron al estrado a recibir los honores y jurar como cofrades. Estas ocho Cámaras fueron junto con la de Oliveira do Hospital – que no fue nombrada, al serlo ya- las que dieron el apoyo oficial a la candidatura.
El otro reconocimiento se realizaba a los ganaderos suministradores de leche y a las cinco queserías elaboradoras de queso, pertenecientes al municipio de Oliveira do Hospital, acogidos y registrados en la Denominación de Origen Protegida Queijo Serra da Estrela. Todos los presentes recibieron su diploma “7 Maravillas de la Gastronomía” como parte involucrada principal, en la obtención del galardón obtenido por votación popular de todos los portugueses. Otros no lo pudieron recoger al estar trabajando, y es que la hora de entrega coincidía con la hora del ordeño de la tarde.
El concurso “7 Maravillas de la Gastronomía” se celebro por iniciativa de la RTP1 (Radio televisión portuguesa) siendo está la primera y única vez que se realizaba. El 10 de septiembre, la ciudad de Santarém, acogió la entrega de los reconocimientos a los productos premiados. Y allí estuvo una nutrida representación de la Cofradía y de la Cámara Municipal, para recoger el reconocimiento del Queijo Serra da Estrela como la maravilla gastronómica de Portugal en la sección “Entradas”, recibiendo ni más ni menos que 900.000 votos.
Los otros seis nombramientos han correspondido, a:
– Sección de sopas: El caldo verde.
– Sección de pescado: Sardinha asada.
– Sección de mariscos: Arroz de marisco.
– Sección de carnes: Leitäo (lechón) da Bairrada.
– Sección de caza: Alheira de Mirandella, y
– Sección de repostería: Pastel de Belém.
Para celebrar que en el acto, estábamos presentes todas las Cofradías que defendemos quesos en la península ibérica, en la que sólo faltaba la del Idiazabal, no quisieron desaprovechar la ocasión para hacerlo ver al resto de asistentes, y un representante de cada una de ellas subió al escenario, dónde han entregado un recuerdo del encuentro y dado por concluido el acto oficial. Los representantes de las portuguesas de San Jorge y Serra da Estrela, las españolas del de Cantabria y Manchego, y las asturianas del Principado de Asturias y del Gamoneu – que asistía por primera vez a este Capítulo- subimos hermanados al estrado.

Capítulo Confraria Queijo Serra Estrela

Cabe destacar que después del acto oficial, ha tenido lugar el encuentro oficial entre dos de las tres únicas Cofradías de la península ibérica, cuyos cofrades son únicamente mujeres, la portuguesa de As Saiñas, de Vagos, en Aveiro y de Doña Gontrodo, de Oviedo. Ellas, junto con las Peralta de Portugal y la de Venecia, son las cuatro únicas europeas compuestas únicamente por mujeres. Seguro que de este encuentro, saldrán estupendas relaciones.
El Capítulo concluyó con la cena de hermandad realizada en la cercana Casa dos Espíritos, bonita discoteca habilitada para recoger la misma, dónde el catering del restaurante Visconde de Touriz (Taugá) fue el elegido para servir el menú. Este estuvo compuesto por:
– Buffet de entradas, compuesto por: queso Serra da Estrela y Serra da Estrela velho, queijinhos de oblea frescos pimenta e ervas, mantenga de oblea do Monte Maior, queijo creme, iogurte das nossas obleas con mel, henchidos das Beira, Leitöa da Bairrada y Chanfana. Estas dos últimas gentileza de las Cofradías que defienden estos productos, presentes en el acto.
– Crema de zanahoria con cubos de naranja y miel.
– Borrego Serra da Estrela al horno con castañas, y
– Requesón Serra da Estrela con dulce de calabaza, cosa dulce con queso Serra (realizada con receta de Hélio Loureiro), otros dulces y frutas y pastéis de Tentúgal y ovos moles de Aveiro, gentileza igualmente de otras dos Cofradías presentes.
Estupenda cena, regada con los estupendos vinos de la D.O.P. Däo, que abarca la zona limítrofe con Oliveira, a un precio muy razonable de //35// € y que dio paso a una agradable velada de un buen grupo, con la discoteca ya funcionando como tal.

Capítulo Confraria Queijo Serra Estrela

De domingo, atendiendo la invitación del matrimonio Mendes –Carolina y Joan- nos desplazamos a la localidad de Alvôco das Várzeas, perteneciente al municipio de Oliveira, dónde disfrutamos de su hospitalidad y de su bello pueblo.
Tocaba el almuerzo de despedida con toda la familia Couceiro, en Casa Carlos, en la cercana localidad de Ponte de tres Brazos. Lo dicho Pedro, no se cansa de mostrarnos ofertas gastronómicas diferentes, y nosotros encantados.
Las compras en Oliveira, dónde aún es posible adquirir productos a precios más que interesantes, fueron la despedida a un espléndido fin de semana, dónde un año más pudimos renovar nuestro hermanamiento y estrechar los lazos de amistad que nos unen con una buena parte de los cofrades queseros. En mayo, con motivo del Gran Capítulo de Doña Gontrodo, tendremos ocasión de corresponderles todas sus atenciones.

«Vivir sin amigos, no es vivir.» Cicerón, Marco Tulio (106-43 a.C).
Luis Javier del Valle Vega

El 17 de marzo de 2012, dentro de los actos de la XXI Festa do Queijo Serra da Estrela, en Oliveira da Hospital, se ha celebrado este III concurso, en el que he tenido el placer de ejercer de jurado. O artigo junta recetas y fotografías de los platos.

Concurso Gastronomia Capítulo Confraria Queijo Serra Estrela

Luis Javier del Valle VegaNuestra Cofradía hermana, del Queijo de la Serra da Estrela, celebra su Gran Capítulo coincidiendo con esta festa o feria, motivo por el cual me desplazo todos los años a esa acogedora ciudad portuguesa. Dentro de los múltiples actos que organiza la Cámara Municipal, se encuentra este concurso, en el que he tenido el placer de estar invitado como jurado en las tres ediciones del mismo, en el cuál he compartido compañeros diferentes, siendo el único que ha asistido a las tres ediciones.
El concurso se realizó dentro del marco de la XXI Festa do Queijo de la Serra da Estrela e outros produtos locais de qualidade, ante la presencia del público asistente a la misma.
Las novedades de este año han sido básicamente dos, una la presentación de platos salados, lo que ha motivado el cambio de nombre, pasando de ser concurso de dolçerias a gastronómico, y la segunda la presentación de profesionales y establecimientos de hostelería. Al igual que en la edición anterior, se han presentado alumnos de la Escuela de hostelería del municipio.
Los platos presentados a concurso tenían que contener Queijo Serra da Estela, en algunas de sus variedades o algunos de sus derivados, es decir Queijo Serra curado, Queijo velho de la Serra, fresco y requesón. Los concursantes presentados han sido catorce, tres más que en la edición anterior, suministrando la organización a los miembros del jurado un folleto con las recetas de los platos presentados. Los premios, en metálico, para los tres primeros clasificados de eran de 100 €, 75 € y 50 €, respectivamente.
El jurado lo hemos formado cinco personas, el cocinero Helio Loureiro, que cuenta con el programa Gostos y Sabores de la RTP, presta sus servicios profesionales en el Hotel Palacio de Oporto y es colaborador de la Festa, en el que realiza en directo un show-cooking; Soledad Abrantes, cocinera del restaurante de la Cámara Municipal de Oliveira; Antonio Moniz Palme, representando a la Cofradía del Queijo Serra da Estrela; Zacarías Puente, representando a la Cofradía del Queso de Cantabria, y el que suscribe en representación de la Cofradía de Amigos de los Quesos del Principado de Asturias. Estaba igualmente prevista la presencia de Mariana, de la quesería Dos Lobos, en representación de los productores de quesos, que al final no pudo asistir. La concejal de cultura de la Cámara Municipal, María Silvia, coordinó el concurso.
La puntuación ha realizar total, comprendida entre 1 y 20 puntos, estaba compuesta por 5 apartados, cada una con un porcentaje diferente. En concreto, estos eran: degustación (40 %), presentación (30 %), originalidad de la receta (15 %) otras consideraciones del jurado (10 %) y viabilidad comercial (5 %). Aunque había que especificar entre salado o dulce, los premios no distinguían unos de otros, ni si eran de profesionales o de aficionados.
La prueba de los diferentes platos, se ha realizado delante del público asistente y en un momento del mismo, nos han visitado las autoridades que recorrían la feria, que no han dudado en degustar la que se estaba evaluando en ese momento. El sobrante de cada elaboración podía ser degustado por el público asistente.
Los tres primeros premios, han correspondido:
Primer Premio:
Categoría: Dulce.
Nombre plato: Delicia de la abuela serrana.
Nombre del participante: Restaurante Principe da Cidade.
Localidad: Oliveira do Hospital.
Ingredientes:
– 5 huevos.
– 100 gramos de azúcar.
– 1 dl de agua.
– 4 dl de natas.
– 400 gramos de queso fresco de oblea.
– 1 bote de leche condensada.
– 100 gramos de galletas María.
Elaboración:
1 – En un tazo verter las yemas de los huevos, el azúcar y el agua.
2 – Poner a fuego, moviendo siempre, hasta que este ligado y retirar del fuego.
3 – Batir bien las natas, junto con el queso y la leche condensada, hasta que quede una mezcla homogénea.
4 – Batir las claras de los huevos y mezclar bien con las dos mezclas anteriores.
5 – Triturar bien las galletas y decorar con ellas.

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Segundo Premio:
Categoría: Salado.
Nombre plato: Hojaldre de queso.
Nombre del participante: Escuela Hostelería de Oliveira do Hospital.
Localidad: Oliveira do Hospital.
Ingredientes:
– Masa filo.
– Manteca de oveja.
– Queso da Serra.
– 1 dl de natas.
– 100 gramos de nueces.
– 2 hojas de gelatina neutra.
– Sal.
– Pimienta.
Elaboración:
1 – Pintar la masa filo con la manteca y hornear a 180º C.
2 – Batir las natas y mezclar con la sal y la pimienta.
3 – Picar bien las nueces y mezclar con la gelatina previamente derretida.
4 – Colocar una base de masa filo con queso Serra y poner encima otra base de masa filo. Encima colocar la mousse de nuez y terminar con otra capa de masa filo.
5 – Decorar al gusto.

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Tercer Premio:
Categoría: Dulce.
Nombre plato: Quesada de requesón con cabello de ángel.
Nombre del participante: María Isabel Mendes.
Localidad: Oliveira do Hospital.
Ingredientes:
– 330 gramos de requesón.
– 2 huevos.
– 8 yemas de huevos.
– 200 gramos de azúcar.
– 100 gramos de cabello de ángel.
– Canela.
Elaboración:
1 – Mezclar el requesón con el azúcar.
2 – Posteriormente añadir los 2 huevos, las 8 yemas, el cabello de ángel y un poco de canela en polvo.
3 – Mezclar bien todos los ingredientes.
4 – Verter el preparado en moldes, previamente untadas con un poco de manteca.
5 – Cocer en el horno a una temperatura de 180º C.

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El resto de participantes, han sido:
Categoría: Salado.
Nombre plato: Olibeiräo.
Nombre del participante: Joao Manuel Martins Quaresma.
Localidad: Santa Ovaia.
Ingredientes:
– 200 gramos de masa de pan de trigo o de centeno.
– 100 gramos de Aldeira Beira Alta. La Aldeira es un embutido de diferentes carnes troceadas.
– 100 gramos de queso de oveja curado y seco.
– 100 gramos de manzana Bravo Esmolfe (es un tipo de manzana local).
– 1 yema de huevo.
Elaboración:
1 – Con un rollo de cocina, extender la masa de pan hasta obtener un grosor de 0,5 cm, y cortar en cuadrados de 10 cm.
2 – Retirar la piel del embutido y cortarlo en rodajas.
3 – Pelar la manzana, quitarle el corazón y cortarlas en rodajas.
4 – Cortar el queso rodajas finas.
5 – Colocar encima de la masa, el embutido, la manzana y el queso.
6 – Hacer un bollo con la masa, cerrando bien los laterales.
7 – Pintar la masa con la yema del huevo, y cocer en el horno a 200º C durante cerca de 10 minutos.

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Categoría: Dulce.
Nombre plato: Cascada de Estrela.
Nombre del participante: Isabel María Gouveia Ribeiro Neto.
Localidad: Oliveira do Hospital.
Ingredientes, para 4 personas:
– 1,5 dl de agua hirviendo.
– 50 gramos de manteca.
– 60 gramos de harina, tipo 55.
– 2/3 huevos de considerable tamaño.
– 1 requesón de unos 200 gramos.
– 200 gramos de dulce de frambuesa.
– 100 gramos de dulce de cabello de ángel.
– 100 gramos de geleatina de frambuesa
– Nueces y raspas de chocolate para decorar.
Elaboración:
1 – En un tazo verter el agua y la manteca, hasta que comience a hervir.
2 – Retirar del fuego y mezclar muy bien con la harina. Poner al fuego hasta que quede la mezcla suelta.
3 – Echar la mezcla en una manga pastelera y hacer unos bollos pequeños, que se meten en el horno, previamente calentado durante 20 minutos.
4 – Una vez cocidos, retirar y dejar enfriar.
5 – Mezclar bien el dulce de frambuesa y el requesón.
6 – Hacer un corte en los bollos y rellenar con la mezcla anterior.
7 – Disolver la gelatina de frambuesa con el cabello de ángel, las nueces y el chocolate.
8 – Verter por encima de los bollos y meter al frigorífico a enfriar.

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Categoría: Dulce.
Nombre plato: Tarta de requesón con dulce de calabaza.
Nombre del participante: Restaurante típico Marques.
Localidad: Oliveira do Hospital.
Ingredientes:
– 1 base de masa hojaldrada.
– 3 huevos.
– 3 cucharas grandes de azúcar.
– 1 cuchara grande de harina.
– Dulce de calabaza al gusto.
– 20 cl. de natas.
– 1 requesón.
Elaboración:
1 – Colocar sobre la masa hojaldrada en una fuente y cubrirla con el dulce de calabaza.
2 – Mezclar bien los huevos, con las natas, el azúcar, el requesón y la harina.
3 – Verter sobre la fuente.
4 – Poner a cocer en el horno a 180º / 200º C.

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Categoría: Dulce.
Nombre plato: Quesada de requesón.
Nombre del participante: Silvio Antonio da Costa Lourenço.
Localidad: Oliveira do Hospital.
Ingredientes:
Para la masa de la quesada.
– 500 gramos de harina.
– 200 gramos de margarina.
– Agua.
Para el relleno.
– 300 gramos de requesón.
– 100 gramos de harina.
– 200 gramos de azúcar.
– 4 huevos.
– 50 gramos de margarina.
– Un poco de canela.
– 0,50 cl de leche.
Elaboración:
1 – Preparar una masa para la quesada, con la harina, margarina y agua.
2 – Mezclar el requesón con el azúcar, y luego con los huevos, la margarina, la leche y la canela.
3 – Forrar moldes con la masa y verter la mezcla anterior.
4 – Cocer en el horno a una temperatura de 180º /200º C.

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Categoría: Dulce.
Nombre plato: Bizcocho de requesón con dulce de calabaza.
Nombre del participante: Anabela Lobo Osório.
Localidad: Oliveira do Hospital.
Ingredientes:
– 300 gramos de requesón.
– 200 gramos de azúcar.
– 4 huevos.
– 0,50 dl de leche.
– 50 gramos de margarina.
– 10 gramos de levadura en polvo.
– 350 gramos de harina.
– Dulce de calabaza al gusto.
Elaboración:
1 – Batir bien las claras con el azúcar, y juntar con las yemas, la leche, la margarina y el requesón.
2 – Juntar la mezcla anterior bien con la harina y la levadura.
3 – Untar un recipiente redondo hondo con manteca.
4 – Verter la mezcla en el recipiente y meter a cocer en el horno.
5 – Una vez frío, partir por la mitad y rellenar con el dulce de calabaza. Igualmente con el dulce decorar la parte superior.

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Categoría: Salado.
Nombre plato: Lazos de requesón con presunto.
Nombre del participante: Vitor Rafael Osório Cruz.
Localidad: Oliveira do Hospital.
Ingredientes:
– Harina, para hacer masa hojaldrada.
– Margarina, para hacer masa hojaldrada.
– 300 gramos de requesón.
– 3 huevos.
– 100 gramos de jamón serrano.
– Hierbas aromáticas.
Elaboración:
1 – Hacer una masa hojaldrada, con la harina, la margarina y agua.
2 – Preparar una mezcla con el requesón, los huevos, el jamón y las hierbas aromáticas.
3 – Cortar la masa hojaldrada en rectángulos y rellenar con la mezcla anterior. Enlazar los extremos con una tira de jamón.
4 – Cocer al horno.

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Categoría: Salado.
Nombre plato: Tartaletas con requesón y salmón ahumado.
Nombre del participante: Bárbara Marina Osório da Cruz.
Localidad: Oliveira do Hospital.
Ingredientes:
– Harina, para hacer masa hojaldrada.
– Margarina, para hacer masa hojaldrada.
– 300 gramos de requesón.
– Salmón ahumado al gusto.
– Hierbas aromáticas.
– 2 yemas de huevos.
Elaboración:
1 – Hacer una masa hojaldrada, con la harina, la margarina y agua.
2 – Hacer unas tartaletas con la masa, colocar en moldes y cocer al horno. Dejar enfriar una vez sacadas.
3 – Mezclar bien el requesón, las hierbas aromáticas y rellenar las tartaletas.
4 – Decorar con el salmón ahumado.

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Categoría: Dulce.
Nombre plato: Pudín de requesón.
Nombre del participante: Vitor Manuel Martins da Cruz.
Localidad: Oliveira do Hospital.
Ingredientes:
– 400 gramos de requesón.
– 500 gramos de azúcar.
– 12 huevos.
– 1 cuchara de licor de almendras.
– 300 gramos de harina.
– Canela al gusto.
– Corteza de 1 limón.
Elaboración:
1 – Mezclar bien el requesón con el azúcar, y luego con los huevos, el licor de almendra, la corteza del limón y la harina.
2 – Verter la mezcla en un molde.
3 – Cocer al baño maría.

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Categoría: Salado.
Nombre plato: Serrabulho doce con queijo da Serra.
Nombre del participante: Boutique Hotel Quinta de Geia.
Localidad: Aldeia das Dez.
Ingredientes:
– Medio bol de sangre de cerdo cocida.
– 1 bol de azúcar.
– 100 gramos de almendras laminadas.
– 1 palo de canela.
– 2 cucharadas de tocino de cerdo derretido.
– 2 bollos de pan.
– 1 bol de queso Serra
Elaboración:
1 – Hacer un almíbar con el azúcar y un poco de agua.
2 – Echar al almíbar, las almendras, el palado de canela y la sangre de cerdo troceada.
3 – Una vez cocido un poco, añadir los bollos de pan cortados en láminas finas y con el tocino de cerdo.
4 – Dejar hervir todo junto durante 2-3 minutos y echar el queso cortado en tacos pequeños.
5 – Decorar con almendras laminadas, unos trozos de queso y palos de canela.
Servir como un postre.

Concurso Gastronomia Capítulo Confraria Queijo Serra Estrela

Categoría: Dulce.
Nombre plato: Queijatina.
Nombre del participante: Escuela de Hostelería de Oliveira do Hospital.
Localidad: Oliveira do Hospital.
Ingredientes:
– 3 yemas de huevos.
– 150 gramos de azúcar.
– 50 ml de miel.
– 1 requesón de unos 300 gramos.
– 2 hojas de gelatina.
– 250 ml de natas.
– Agua.
Elaboración:
1 – Batir las yemas de los huevos.
2 – Hacer un jarabe con las la miel, el azúcar y un poco de agua.
3 – Verter el jarabe sobre las yemas y batir y mezclar muy bien.
4 – Batir las natas y mezclar bien con la mezcla anterior.
5 – Mezclar bien todo lo anterior con el requesón.
Enfriar, y servir con en vasos con grosellas y galleta laminada.

Concurso Gastronomia Capítulo Confraria Queijo Serra Estrela

Categoría: Dulce.
Nombre plato: Tentación serrana.
Nombre del participante: Carina Micaela Neto.
Localidad: Oliveira do Hospital.
Ingredientes:
– 1 requesón de unos 300 gramos.
– 6 yemas de huevos.
– 100 gramos de azúcar.
– 1,5 dl de agua.
– 100 gramos de galletas.
– 100 gramos de almendras laminadas.
– 1 palo de canela.
– 1 corteza de limón.
Elaboración:
1 – Preparar un jarabe, con el azúcar, el palo de canela, la corteza de limón y un poco de agua.
2 – Mezclar bien las yemas con el requesón desecho y mezclar todo con el jarabe anterior.
3 – Engordar la mezcla anterior con las galletas y las almendras, en el fuego.
4 – Verter lo anterior en un molde y meter a cocer al horno.
5 – Decorar al gusto.
Observaciones: Esta mezcla se puede aprovechar para rellenar unos pasteles de masa quebrada.

Concurso Gastronomia Capítulo Confraria Queijo Serra Estrela

Una vez más se ha puesto de manifiesto la versatilidad del queso en cocina, y que el concurso se va consolidando, si el primer año habían participado 7 concursantes, el año anterior fueron 10 y este 14, lo que significa un buen incremento. También es positivo que al mismo se hayan sumado profesionales, lo que igual a corto plazo deriva en realizar dos apartados, uno para profesionales y otro para aficionados. Lo mismo ocurre con preparaciones saladas, que es la primera vez que se presentan, al igual que en el apartado anterior, haber si en próximas ediciones, es posible hacer dos categorías.
Sin embargo, a mi entender, habría que ver la forma de potenciar el queijo Serra curado, como ingrediente principal, en las tres ediciones hay un exceso de elaboraciones que tienen como base el requesón (siempre de oveja) en detrimento de otros tipos de producto como el queso fresco, el amanteigado, el curado o el velho. En esta edición diez recetas (71,42 %) tenían como base el requesón, por solamente una de queso fresco y dos con queso curado, y uno ha echado en menos la fuerza tan peculiar del queso Serra, sobre todo cuando esta amanteigado, como dicen allí.
Mi felicitación a la Cámara Municipal por llevar a cabo esta iniciativa, y animarles a que la difundan entre sus ciudadanos y los asistentes a la festa, es un complemento ideal y puede ser un buen soporte de la semana de gastronomía “Paladares da Beira Serra, um outro sabor” que se desarrolla en el municipio durante la semana de la festa.
Igualmente agradecerles, tanto a la Cofradía Queijo Serra da Estrela como a la Cámara Municipal, que hayan pensado en mi persona, para formar parte del jurado del mismo.

«Se gana por lo que se sabe, no por lo que se hace.» Larreta, Enrique (1875-1961) novelista y diplomático argentino.
Luis Javier del Valle Vega

As pessoas da Rapoula, na sua maioria trajando roupa preta e munidas de candeias de azeite, assistiram na noite de sábado, dia 24 de Março, a um encontro de oito grupos de cantores oriundos de sete paróquias confiadas ao Padre Hélder Lopes.

A iniciativa, inédita no concelho do Sabugal, foi precisamente organizada pelo pároco da Unidade Pastoral do Planalto do Côa, possibilitando assim aos paroquianos a recuperação dos cânticos populares quaresmais.
Os cânticos mais conhecidos são o dos Martírios e o da Encomendação das Almas, os quais fizeram parte do «reportório» dos cantadores, que também interpretaram o canto das estações da Via-Sacra e a ladainha de Nossa Senhora.
Segundo nos informou o padre Hélder, a proposta foi feita aos paroquianos no primeiro domingo da Quaresma. «Desde aí, foram muitas as pessoas, sobretudo mulheres idosas, que colaboraram na recordação das letras antigas e respectivas melodias musicais, e conseguiu-se reunir um acervo literário/musical que será publicado numa brochura com 40 páginas».
O pároco tem dado grande importância a este reviver das tradições populares antigas no que reporta à vida religiosa. Segundo o mesmo esta iniciativa de reviver os cânticos na Rapoula do Côa «motivou muitos paroquianos que desde há várias semanas se têm reunido nestas noites gélidas para cantar estes cânticos tradicionais pelas ruas das diferentes paróquias».
plb

O Departamento Ciências do Desporto da Universidade da Beira Interior (UBI) promove este ano a terceira edição das Actividades Científicas na Escola, subordinadas ao tema «O desporto na compreensão do homem», nos dias 13 e 19 de Abril e 4 de Maio.

A Professora Dulce Esteves, uma das coordenadoras deste projecto educativo, informou que o mesmo pretende promover o desenvolvimento integrado das crianças do 1º ciclo (Escola de Santo António, Escola dos Penedos Altos e Conservatório da Covilhã), usando a actividade física e o desporto como instrumento de aprendizagem.
Na edição deste ano serão abordados os conteúdos relacionados com o balanço energético (Que calorias têm os alimentos? quantas calorias ingerimos e como as gastamos? Quanto tempo tenho de correr para gastar as energias de um chocolate? E de um hambúrguer?) e com o Movimento e Equilíbrio (O que é o centro de massa?; Como fazemos força? Como nos equilibramos? Como temos precisão?); Frequência Cardíaca (Como funciona o Coração?; Será que a FC só aumenta com o esforço?; Como podemos Controlar a nossa FC?)
Os docentes coordenadores são a Profª Kelly O’Hara; o Prof Rui Brás e Profª Dulce Esteves, contando com a participação dos Alunos de Ciências do Desporto.
plb

Toda a minha vida aconteceu de volta com a bicheza doméstica. Tinha na corte o macho, meu velho e fiel companheiro, a burranca, que era a montada da mulher e da canalha, e a junta das vacas – duas jarmelistas de alma, preadas para o trabalho, capazes de arrancar com uma carrada da mais funda ravina e de andar sem parar, de sol a sol, na decrua de uma tapada.

No cortelho mandava o marrano, cuja vida era ressonar e emborcar viandas à espera da hora da matança. Na coelheira havia sempre laparotes prontos para o panelo e no poleiro habitavam as pitas e o seu galaró reinante. Já cadelos e gatos eram gado de livre andar, correndo a rua e os cantos da casa. Cheguei a ter toirão, no tempo em que corria os montes para apanhar os saltantes bravos nas luras.
As galinhas eram do cuido da minha patroa, que nisso fazia grande preparo, no fito de ter fartura de ovos e boa criação de frangas. No poleiro havia sempre um bom galo pedrês, daqueles que têm crista alta e esporão alçado, e que guardam o bando das galinhas tal qual um cão cuida de uma piara de ovelhas. A minha esmerava-se nisso, querendo ter galaró altivo e vigilante e ademais capaz de dar bom canto para anunciar a hora do levanto.
Pois numa manhã, pelo tempo dos Santos, a Rosa do Lucas empurrou o cancelo do curral, de coisa feita em nos agraciar uma gulodice da matança e entabular paleio. Entrou confiante e dava passos apressados, já dentro da cerca, quando foi surpreendida pelo malvado galo pedrês que, largando as pitas, cresceu para ela de penas eriçadas. A Rosa ainda lhe tentou mandar um biqueiro que o fizesse desandar, mas, não lhe atinando, o cantador embraveceu e desatou a picar-lhe nas pernas.
– Ai, quem me acode! – urrou a desventurada mulher que foi cambaleando sem encontrar onde se abrigar do feroz lutador.
A Belmira, ao ouvir a balbúrdia, saiu de casa com o razão do alqueire em punho e arrumou no galo uma traulitada que o fez desandar.
– Mas que galo mais bravio aqui tem no curral! Capaz de me matar, o alma de seiscentos! – lamentou-se a Rosa quando se viu a salvo.
– É levado da breca, não lhe posso abrir o poleiro! Não tarda que vá pró panelo.
– É pior que um cão! Não viesse vomecê e dava-me cabo das pernas. Isto é que é um guarda!
– Isso é, Ti Rosa. Ninguém é senhor de aqui entrar, basta ele dar fé!
– Assim precisava eu dum, que me guardasse as galinhas da raposa – aventou a Rosa do Lucas já melhor refeita da escaramuça.
– Inda por isso é que tenho dó dele – concordou a minha – há dias fez daqui esgueirar o cão do Mourão, que cá vinha ao fairo dos ovos. Não há melhano capaz de tocar num pito, nem vagabundo que meta pé pra dentro do curral sem ter que tornar em correria, basta que ele ande à solta. Até de noite é vigilante! Sinta raposa ou lobo ao redor dos casais que dá logo sinal.
– Dá-lhe um jeitão, Ti Rosa, dá-lhe um jeitão! Tem a casa resguardada!
A mulher do Lucas, que há muito não punha pé em nossa casa, largou ao que vinha. Trazia a prova da matança, um pedaço de soventre e duas morcelas, que a minha recebeu por obrigação, pois seria mau agradecimento rejeitar o que a generosidade nos trazia a casa.
O diabo é que a Rosa, que tem uma língua de palmo, espalhou pelo povo que o curral do Tosca era local a evitar, por ali ter de guarda um galo selvagem que ninguém domava.
Foi a minha sorte, porque há coisas que nos vêm ao calhar. Primeiro fiquei danado com a boca laburda da mulher, mas depois tomei fé de que o galo era cobiçado para padreador e passámos a receber no nosso poleiro as pitas das demais pessoas de Bismula e até de gente de outras terras, que as queriam galadas pelo cantante bravo para depois as porem no choco. A Belmira fez com isso uma dinheirama a que no final adiu a nota de conto resultante da venda do famoso galo a um freguês da Rapoula que ali veio de propósito para o comprar e fazer dele senhor de uma grande capoeira que produzia pitos, galinhas e ovos para os mercados.
Paulo Leitão Batista, «Aventuras de um velho contrabandista»

leitaobatista@gmail.com

A sociedade hodierna, saturada de preconceitos radicalmente igualitários, acolhidos pelas massas, consciente ou subsconscientemente, vive impregnada na ideia dos malefícios que terão decorrido dos direitos senhoriais.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaA submissão a concepções dominantes que se apoiam apenas em modas esquece contraditoriamente, por um lado, o relativismo histórico e, por outro, que os elementos sociais que hoje pretendem ocupar ou ocupam efectivamente o lugar deixado vago pelas antigas elites não melhoraram, bem pelo contrário, os padrões de serviço à comunidade, vividos por aqueles que tão asperamente censuram.
Felizmente que, ao lado dos que só se evidenciam pela força económiva e ambição de poderio, se verifica, mesmo em países sem passado monárquico ou nobiliárquico, a formação de elites, com tónus arisrocrático.
É que também nas democracias de recente data e que não têm atrás de si qualquer passado feudal, se foi formando pela própria essência das coisas, uma espécie de nova nobreza ou aristocracia. Tal é a comunidade de famílias que se habituaram a por ao serviço da comunidade nacional, ou seja do Estado, do governo e da administração, e sobretudo das populações, as suas energias e sinergias…
Neste sentido, e estamos a seguir a lição de Pio XII, tambem as novas élites se podem afirmar como propulsoras do verdadeiro progresso e guadiãs da tradição.
O nosso intento, hoje, cifra-se, todavia, unicamente no papel que o feudalismo assumiu na construção europeia.
Os direitos senhoriais não podem, é certo, deixar de chocar a nossa mentalidade, com o c1ima de violencia e extorsão, muitas vezes vivido nos limites do feudo, ou as constantes irrupções pelos territórios vizinhos, domínios de irmãos e parentes muito próximos, quando não até de pais ou sogros.
Mas não pode esquecer-se, que ao tempo, as ocupações correntes de grande número de indivíduos eram saquear, devastar e matar, em que cada um dos agredidos e espoliados fazia repercutir sobre o que em força e poder se lhe situava abaixo os agravos de cima recebidos.
O senhor, monopolizando a autoridade, violenta ou violentíssima até, adentro do seu limes, era a única entidade capaz de obstar àquela série intermináveI de conflitos, repetidos em cada um dos degraus duma escada de forças, com miríades de clivagens.
A autoridade real, tanto pelas dificuldades de intervenção, como pelas flutuações de fronteiras, como pelo reduzido leque de matérias em que a coroa se propunha intervir, era escassa e precisava efectivamente de ser complementada por quem actuasse sobre o terreno.
Cunhando moeda, administrando a justiça, assegurando o abastecimento das populações, desenvolvendo a economia, preparando os seus próprios exércitos, os senhores feudais cumpriram uma missão ao tempo essenciaI.
Através da cadeia de fidelidade ajudaram ainda a consolidar os tronos e as fronteiras das várias monarquias que se foram estabelecendo a Ocidente.
Defeitos naturalmente que tiveram muitos, mas onde há homens, há condição humana.
A guerra impunha-se-lhes como paixão. Gostam mais de combater do que de ouro fino ou de comer. É o que expressava a Canção de Antioco. E noutra parte, fala-se de um cavaleiro que confessava sem rodeios: Se estivesse com um pé num castelo e o outro no paraíso e me anunciassem um combate, logo fugiria para o teatro de guerra.
A Igreja, sábia mesmo quando intervinha em relação as coisas deste mundo, procurou modificar o ânimo dos senhores e conseguiu-o em benefício dos vilãos e servos indefesos.
Mas fê-lo também em favor dos próprios senhores feudais, vítimas uns dos outros. E foi mesmo contra a guerra privada, exactamente a guerra entre senhores, que lançou a Trégua ou Paz de Deus.
Depois, os grandes senhores pensavam em nobilitar-se cada vez mais e os pequenos por emulação sonhavam também com o ascenso.
Houve toda uma penosa escada a subir e as mais influentes famílias reinantes da Europa radicam em humildes estirpes.
Caso, por exemplo, dos Hoenzolern, família imperial alemã provinda de guardadores de altas montanhas: ou dos Habbsburgos, fronteiros do império.
Distinguindo-se por suas qualidades, começavam por comes (palavra latina que significava companheiro e é o étimo do actual vocábulo conde. Marquês provém de marca, palavra que significava território avançado sobre o inimigo ou no mínino fronteiro a ele. O Marquês era ali a autoridade suprema. Com uma função essencial militar, corresponderia ao Marechal, étimo germânico; ou Condestável, aglutinação, aliás de comes (conde, como vimos), e stabuli (lugar de guarda de cavalos).
Os grandes mosteiros resultaram muitas vezes também da influência de poderosos senhores feudais ou de descendentes directores seus.
Sao Bernardo de Claraval, outro dos grandes construtores da Europa, bem poderá dar testemunho.
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

Segundo um comunicado divulgado aos meios de comunicação social, o Comando Territorial da Guarda realiza, entre os dias 23 e 24 de Março, acções de sensibilização junto de estudantes que se deslocam em férias, para Espanha, nos acessos à fronteiras de Vilar Formoso.

Tendo presente que, por ocasião das férias escolares da Páscoa, milhares de jovens portugueses viajam até à Catalunha e sul de Espanha, em viagens organizadas, militares do Comando Territorial Guarda realizam, entre as 20 horas do dia 23 e as 20 horas do dia 24, uma operação nos principais acessos à fronteira, com o objectivo de sensibilizar os estudantes para os perigos que advêm do uso de produtos estupefacientes.
No decorrer da operação, os militares, recorrendo a binómios cinotécnicos de detecção de drogas, fiscalizarão os autocarros que transportam os jovens aos destinos e respectivas bagagens.
Deste modo, pretende-se evitar comportamentos desviantes nestas faixas etárias, nomeadamente o consumo e tráfico de produtos estupefacientes.
plb

Todos os anos, no primeiro fim-de-semana de Outubro vou em excursão, com as gentes de Aldeia de Joanes a Fátima, inserido na Grande Peregrinação Franciscana, que se realiza a nível nacional. É interessante que a veneração a S. Francisco de Assis, tem alguma implementação na zona circundante do Fundão. Imagens, capelas e conventos são sinais dessa presença. Na viagem e na Cova da Iria, cruzamo-nos e encontramos oriundos de Aldeia Nova do Cabo, de Alpedrinha, de Castelo Novo e do Fundão.

É interessante ir em comunidade, compartilhar e partilhar os nossos farnéis, estarmos numa proximidade de uns com os outros.
Dormimos, descansamos na Casa de Nossa Senhora de Fátima, das Servas de Jesus, da Diocese da Guarda. Ali temos a simpatia e simplicidade das Irmãs e todas as condições para partilharmos as nossas refeições.
Chegados no Sábado, deslocámo-nos para a Igreja da Santíssima Trindade, onde em conjunto com milhares de «Irmãos Franciscanos», da Família Franciscana, assistimos à Eucaristia, presidida por um Bispo de Moçambique, em que não faltou a pregação inflamada, interessante, oportuna, mas curta do Padre Vítor Melícias, exaltando a mensagem fraterna de Francisco de Assis e da Obra Franciscana em Portugal e no Mundo.
O Grupo Coral das Irmãs Franciscanas com a sua música litúrgica e vozes apuradas, convidam-nos para um ambiente de espiritualidade e de fraternidade.
Á noite, com tempo de verão, milhares de pessoas incorporam-se na Procissão das Velas, com um caudal comovente de luz e de fé.
No Domingo de manhã, percorri as proximidades da Igreja da Santíssima Trindade. Fico sempre encantado com a sua beleza e grandiosidade. Paro junto das diversas portas imponentes e trabalhadas com inscrições evangélicas de salvação. No seu interior, admiro e medito no painel em tons dourados, suavíssimo atrás do altar, obra com simbologia bíblica. Olho para a figura simples, forte, escura e poderosa na sua agonia de um Cristo Crucificado. Junto ao altar a imagem branca de Nossa Senhora, com muita espiritualidade e leveza, fazendo-me lembrar uma jovem camponesa trajada à moda das pastorinhas. No centro do altar, um relicário com um pedacinho de uma pedra do túmulo de S. Pedro de Roma a dar-nos a imagem da universalidade da mensagem de Fátima.
Cá fora, olho para aquela altíssima e estilizada cruz e mais à frente a Estátua de João Paulo II. Aqui fico em silêncio alguns minutos. Não posso ir a Fátima sem fazer uma visita obrigatória a este saudoso Papa. Desta vez toquei-lhe acentuadamente no seu manto pontifício, como que o agarrei e pedi-lhe muito baixinho uma graça muito especial, que só ele ouvisse, porque há sempre muita gente junto dele. Foi-me concedida, bem-haja, João Paulo II.
Ali está, numa escultura notável, repleta de piedade e comovente autenticidade, concebida por um seu conterrâneo, com a anotação das viagens ao Santuário de Fátima.
Terminadas as Cerimónias Dominicais, com o inesquecível adeus à Virgem, regressamos a Aldeia de Joanes, num são e agradável convívio, numa jornada franciscana muito feliz e de espiritualidade.
Regressámos às nossas normalidades da vida, com cadências, ritmos, com altos e baixos, pressas e paragens e esperanças. São estes momentos de espiritualidade que nos devem fazer mais fortes e seguros para resistir às inúmeras dificuldades e austeridades. Porém, devemos estar sempre vigilantes e activos.
Uma palavra de simpatia e agradecimento, para o Senhor Higino Serra Cruz que todos os anos organiza esta Peregrinação da Família Franciscana, e desta vez, me proporcionou escrever estes «OLHARES DE FÁTIMA» e a todos os acompanhantes de Aldeia de Joanes.
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes

«Quem não tem vergonha não tem consciência»; Thomas Fuller.

Hoje, trago a esta página, três ou quatro assuntos, que me parecem relevantes para o título desta crónica. Quando se aponta o dedo aos outros de falta de seriedade e honestidade, esquecemos que outros três dedos, da mesma mão, apontam para nós.
Esta semana ouvimos o todo poderoso chairman Catroga dizer, engasgadamente, que o valor que o estado paga às empresas energéticas, não era assim tanto, que era preciso fazer as contas… Uma explicação que nada explicava e que deixava claro a mentira e, acima de tudo, a falta de vergonha. Este foi o senhor que aconselhou, representou e assinou o memorando da troika pelo PSD. Sabia obviamente, o que lá estava estipulado quanto às rendas que o estado paga às empresas energéticas e que, com a sua assinatura, concordava serem exageradas e que, portanto, deveriam ser reduzidas. Pois bem, este senhor é agora chairman de uma dessas empresas e que, agora, considera errado o que há uns meses considerava certo e correcto! Este assunto fez cair um secretário de estado. E este senhor, não? Não. Porque este senhor não tem vergonha. Nem ele nem quem o lá colocou e se mantém calado.
Depois não estranhem os adjectivos com que os políticos são brindados.
Outro assunto é o dos estaleiros navais de Viana do Castelo. Numa altura em que tanto se fala do mar e das suas potencialidades, da aposta que deve (ou deveria) ser feita nessa matéria, encontramo-nos perante uma estranha situação com estes estaleiros. O governo PS passeou-se por ali com aquele amigo do ex-primeiro ministro Sócrates, Hugo Chavez, anunciando a salvação dos estaleiros. Esse amigo encomendou uns navios no valor de cento e tal milhões de euros, contudo, os navios ainda não começaram a ser construídos porque… os estaleiros não têm dinheiro para comprar o aço e o ferro! Parece que precisavam de três milhões de euros para tal. Este governo, quando tomou posse prometeu resolver o problema, tido como prioritário. Já lá vão oito meses e parece, parece, que encontraram a solução: privatizar. O que não consigo entender é que se existem milhões para o BPN, para o BIC, «subsídios» chorudos para as empresas energéticas e para as PPP’s, não existem três milhões para os estaleiros de Viana?! Três!?
Agora avança a privatização, o que vai implicar que o estado enterre mais uns milhões (muitos) para a capitalizar e a poder vender. O mais certo é ser ao desbarato, como o BPN. Uma vergonha.
Falando PPP’s (Parcerias Público Privadas). Sabem que as primeiras PPP’s foram feitas, registadas, sem haver legislação que as regulasse? Que só onze anos depois essa legislação foi criada? Por aqui se vê a trafulhice com que foram criadas. O estado estabelece um acordo em que uma empresa faz uma obra e o estado proporciona-lhes a sua exploração e ainda lhes paga uma renda durante trinta ou quarenta anos! São negócios ruinosos para o estado, melhor, para os cidadãos e contribuintes. Pois são estes que pagam. E, contudo, ninguém é responsabilizado. Aliás, são os ministros que, depois de o serem, vão para administradores dessas empresas. Está bom de ver porquê! Uma vergonha.
Por fim, este espantar pela confirmação da derrapagem na execução orçamental. Vindo a explicar tal fracasso com o falhanço dos pressupostos (arrecadação de impostos, aumentos das prestações sociais…). Eu fico espantado com estes argumentos! Então não estava mais que visto que tal vinha acontecer? Não percebo é como o governo, com tantos especialistas e um infindável rol de comissões e equipas de trabalho, não viu que tal era inevitável com o rumo e as políticas que está a seguir. O seu espanto e a sua ignorância são uma vergonha.
Infelizmente, assistimos a um desfiar, diariamente, de gente sem vergonha. Pois, como diz o provérbio, «donde a vergonha sai, nunca mais lá entra».
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

O que vai ser exigido às entidades públicas no que diz respeito ao assumir de novos compromissos financeiros e ao pagamento de faturas em atraso, vai obrigar os Municípios a um conjunto de regras muito apertadas.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»A legislação aprovada pela Assembleia da República no passado dia 3 de fevereiro contem um conjunto de regras de gestão financeira que abrangem igualmente as Autarquias Locais e que passo a apresentar sumariamente.
1 – Em primeiro lugar, os dirigentes, gestores e responsáveis pela contabilidade não podem assumir compromissos que excedam os fundos disponíveis.
Considera a lei aprovada que estes são constituídos pelas verbas disponíveis a muito curto prazo, que incluem, desde que não tenham sido comprometidos ou gastos:
i) A dotação corrigida líquida de cativos, relativa aos três meses seguintes;
ii) As transferências ou subsídios com origem no Orçamento do Estado, relativos aos três meses seguintes;
iii) A receita efetiva própria que tenha sido cobrada ou recebida como adiantamento;
iv) A previsão da receita efetiva própria a cobrar nos três meses seguintes;
v) O produto de empréstimos contraídos nos termos da lei;
vi) As transferências ainda não efetuadas decorrentes de programas e projetos do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) cujas faturas se encontrem liquidadas, e devidamente certificadas ou validadas.
Ou seja, e dizendo isto de forma clara, no âmbito desta Lei, os Municípios deixam de poder assumir compromissos para os quais não se tenha a certeza de que venha a haver cobertura financeira nos 3 meses seguintes.
2 – Em segundo lugar, verifica-se um reforço do papel dos serviços de contabilidade pois estes são obrigados a emitir um número de compromisso válido e sequencial que é refletido na ordem de compra, nota de encomenda, ou documento equivalente, e sem o qual o contrato ou a obrigação subjacente em causa são, para todos os efeitos, nulos.
isto é, deixa de ser possível assumir compromissos hoje para os formalizar quando tal for conveniente, prática que tem conduzido ao crescimento da dívida de muitos Municípios, pelo assumir de compromissos sem qualquer cobertura orçamental.
3 – A execução orçamental não pode conduzir, em qualquer momento, a um aumento dos pagamentos em atraso, considerando-se pagamentos em atraso, as contas a pagar que permaneçam nessa situação mais de 90 dias posteriormente à data de vencimento acordada ou especificada na fatura, contrato, ou documentos equivalentes.
As entidades com pagamentos em atraso não podem beneficiar da utilização da previsão da receita efetiva própria a cobrar nos três meses seguintes para efeitos de determinação dos fundos disponíveis.
4 – Os titulares de cargos políticos, dirigentes, gestores ou responsáveis pela contabilidade que assumam compromissos em violação do previsto na presente lei incorrem em responsabilidade civil, criminal, disciplinar e financeira, sancionatória e ou reintegratória, nos termos da lei em vigor.
Com já o havia dito anteriormente, nem se percebe como foi necessário elaborar e aprovar uma lei como esta, pois a mesma parece tão evidente que se justifica por si mesma.
Infelizmente, sabemos como muitos Municípios (e, é claro, a quase totalidade da Administração Pública), não agiram desta forma, atitude de que, infelizmente, os responsáveis políticos do nosso Município não estão isentos, e de que resulta a elevada dívida que atualmente apresenta.
Sabe-se que o Governo e a ANMP têm vindo, no âmbito da regulamentação desta lei, a dialogar no sentido de salvaguardar algumas especificidades do setor das finanças locais, o que, conhecendo como conheço os mecanismos e atrasos nas transferências de verbas para os Municípios, considero perfeitamente legítimo.
Uma outra questão que tem que ficar salvaguardada é a de como se podem assumir compromissos com, por exemplo, obras cujos prazos de execução sejam superiores a 3 meses.
Mas espero que o resultado final vá no sentido de gastar o que se tem, controlar de forma, diria, rígida os compromissos a assumir, que me parecem duas regras de ouro que deviam estar obrigatoriamente na parede de todos os gabinetes de toda a Administração Pública.

ps. Tenho em minha casa um queijo de cabra que faz as delícias dos amigos que me visitam, o que significa que sempre que o dou a provar, lá fico encarregue de arranjar mais uns queijos para dar a esses amigos.
O queijo a que me refiro e que já foi considerado o melhor queijo de cabra de Portugal em 2011, é feito na LACTIBAR, em Rendo, e vivamente recomendo a todos os que ainda não o conhecem para o comprarem e degustarem.
Aos proprietários e aos trabalhadores daquela empresa os meus parabéns e que continuem a fazer queijos tão bons como este e a levar o nome do Sabugal um pouco por todo o lado.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

O escritor sabugalense Manuel António Pina é o convidado da quinta edição do ciclo literário «Porto de Encontro», que se realiza no dia 31 de Março, pelas 17 horas, na Biblioteca Almeida Garrett, na cidade do Porto.

Com uma obra literária que atravessa a poesia, literatura infanto-juvenil, crónica e teatro, Manuel António Pina foi distinguido com o Prémio Camões no ano passado, o mais importante prémio literário de língua portuguesa.
Ao longo dos anos foi ainda contemplado com vários outros galardões, entre os quais os da Associação Portuguesa de Escritores, Associação Internacional de Críticos Literários ou Casa da Imprensa.
No final do ano passado, regressou à publicação de poesia após um longo hiato com a obra Como se desenha uma casa, editado pela Assírio & Alvim.
Como jornalista, o autor de O pássaro da cabeça trabalhou durante 30 anos no Jornal de Notícias, periódico em que assina diariamente a crónica Por outras palavras, seguida por milhares de leitores.
O ciclo literário regressa em Abril, com António Mega Ferreira, em data e local a anunciar brevemente.
plb (com JN)

Sabemos que a Poesia é como o Pão e deve ser partilhada entre todos, eruditos e camponeses, entre todas as nossas imensas, fabulosas, extraordinárias Famílias do Povo»; Pablo Neruda.

Hoje, dia 21 de Março, comemora-se a nível mundial o Dia da Poesia. Com o início da Primavera, não podia existir melhor comemoração.
Quando frequentava a Escola Primária na minha aldeia – Bismula – era muito frequente as professoras falarem da poesia, nós que somos um País de Poetas. Na Escola Apostólica de Cristo Rei, em Gouveia, tínhamos de declamar muitos sonetos dos nossos maiores poetas portugueses: Camões, Sá de Miranda, Bocage, Frei Agostinho da Cruz, Sá Carneiro, Florbela Espanca, Sebastião da Gama, Augusto Gil, Guerra Junqueiro, Antero Quintal, Miguel Torga, e tantos outros.
Desculpe-me algum bismulense que se sinta injustiçado, mas a Bismula teve dois poetas irmãos: José Bárbara Leitão e Joaquim Bárbara Leitão. O primeiro encantava com uma voz maravilhosa e o segundo com voz de desafio e de provocação. Estes trovadores cantadores, que se inspiravam e improvisavam versos, a partir dos Textos da Bíblia Sagrada, eram acompanhados pelo acordeonista Raul dos Santos Tomé, e na sua companhia, percorriam romarias, mercados, onde centenas de pessoas os ouviam com muita admiração e entusiasmo, sobretudo todos os anos junto à fogueira do Natal, na celebração do Nascimento do Menino Jesus. Infelizmente a memória oral não se conserva tanto como a escrita. A seguir temos três poetas, com obra publicada. No cimo da pirâmide está um dos expoentes máximos nacionais e internacionais, o Dr. Manuel Leal Freire, que no seu «Namoriscar» escreveu:
E se a sorte me não minar
Então arranco uma bula
E vou casar-me com uma prima
Que me espera na Bismula.

Manuel Leal Freire é homem de múltiplas atividades profissionais, mas tem uma grande produção literária, tem milhares de textos em diversos jornais, com um espaço no Jornal Nordeste, da Bismula, em Jornais Nacionais e Regionais, em revistas e em alguns sites. As suas principais obras de Poesia são «Sementes na Rocha Nua», «Pátria-Matria», «Terra Paterna», «Cantigas da Pátria Xica» e «Trovas de Escárnio em Vernáculo». Noutros domínios literários, concretamente em prosa, também ali tem inscrita a sua Poesia. É o caso da obra: «Contrabando delito mas não pecado». Na capa principal do livro lemos:
Eu sou o coelho campal
Que em toda a parte faz a cama:
Anoiteço em Portugal,
Amanheço em Espanha.

Convidado em apresentações de livros ou tertúlias, é um encanto ouvi-lo dissertar em verso sobre qualquer tema com muita graça e profundidade.
Manuel Leal Freire é um dos expoentes máximos da literatura portuguesa e a Bismula tem na sua obra grandes motivos para se orgulhar.
Um segundo poeta, é José Maria Fernandes Monteiro, com diversas poesias inseridas no Livro «Pater Famílias». Num dos seus poemas escreveu:
A Bismula me viu nascer
E juntamente com os meus;
Logo que comecei a crer
Ensinaram-ma a amar a Deus.

Num outro poema:
A Rua do Forno na subida
Ou a mesma a descer,
Faz-nos lembrar nesta vida
Subimos? Descemos a morrer.

Mário Tiago Bernardo Fernandes, no esmiuçar daqueles enigmáticos versos, afirma que «alguém que pelo menos uma vez na vida teve uma ideia própria e forte que abala tudo. E nestes simples quatro versos, ao saltar a escatologia de uma Rua da Bismula, para uma escatologia existencial, descreve em poucas palavras a condição humana».
Também o escritor e jornalista Manuel da Silva Ramos, na apresentação da segunda edição do «Pater Famílias», em Aldeia de Joanes, na presença de centenas de pessoas, escreveu e leu: «Lembro-me do meu avô, fazendo versos e rimando “MIM” com “ASSIM… ASSIM”».
Também o colaborador do Jornal Nordeste da Bismula, Professor José Corceiro Mendes, tem apresentado muita temática poética.
Vou deixar vários textos de Poetas, que todos já conhecem, para recitando poemas no Dia Mundial da Poesia, façamos a justa homenagem.
Um grande poeta, tem milhares de poemas com linguagem mundial, que teimosamente não quer publicar, chamasse António Brás Ribeiro, ex-Provedor da Santa Casa de Alpedrinha, e para este Dia Mundial escreveu este poema:

A POESIA, no Tempo
Ecoará…
E não se confundirá
Com o vento.
A POESIA, encontrará
A magia da Palavra
No seu próprio…
TEMPO.

Outros poetas:
Escrevo como quem quer ser escrito.
Jorge Reis Sá

Que por todos se faça POESIA.
Ruy Belo

A POESIA adora andar descalça nas areias do Verão.
Eugénio Andrade

Sei fazer VERSOS, mas doem.
Machado Assis Pacheco

A POESIA não é um dialeto
Para bocas irreais
Nem o suor concreto
Das palavras banais.
É talvez o sussurro daquele inseto
De que ninguém sabe os sinais
Silêncio incorreto.

José Gomes Ferreira

Eu não escrevo em Português
Escrevo eu mesmo.

Fernando Pessoa

A minha Homenagem vai para todos os POETAS PORTUGUESES, principalmente aos BISMULENSES.
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes

A política foi das missões mais nobres que se podiam abraçar. Estava associada até aos anos oitenta do século passado, a ideologia, patriotismo, valores e sacrifício pessoal na defesa dos direitos dos cidadãos.

António EmidioPorquê hoje esta animosidade e até ódio em relação à classe política? O Neoliberalismo – Capitalismo Selvagem – tentou e conseguiu desprestigiar a política e os políticos, com esta atitude, apoderou-se do poder económico e também do político, corrompendo governantes até níveis intoleráveis, usando depois os seus órgãos de comunicação social para os condenar publicamente e desprestigiar.
Serve-se o Grande Capital, o poderoso poder económico dos políticos medíocres e desonestos, porque estes são os únicos a defenderem os seus interesses, não os interesses de quem os elegeu. Este tipo de políticos tem mais lábia do que talento, mais soberba que inteligência, arrastam os seus países e os seus povos para onde lhes interessa a eles e ao Grande Capital, nunca houve tanta discordância entre eleitos e eleitores. O desencanto para com os governos e os políticos está a níveis sem precedentes, o que interessa ao poder económico, é uma colheita a seu favor.
Tudo isto leva-nos a concluir que a corrupção é já um pilar do sistema, com consequências indesejáveis para a textura moral das sociedades e para a cultura democrática, fazendo com que estas sociedades cada vez acreditem menos nos sistemas representativos.
Uma das coisas que mais repugnância me causa, é uma série de pessoas que muito ficam a dever à ética, e que no seu dia a dia, enganam, falsificam, subornam e corrompem, mas que se acham no direito de acusar os políticos, das mesmas coisas que elas fazem diariamente. Não o dizem! Mas só lamentam que a sua imoralidade não seja tão rentável como a dos governantes corruptos e, só lhes traga uma milésima parte do que eles, governantes, conseguem.
Há políticos com uma dedicação esmerada ao serviço público, com valores éticos elevadíssimos. Conheci, e conheço, gente honrada – homens e mulheres – que com o seu exemplo diário de abnegação à causa pública, se tornaram e tornam incómodos. O povo não os aceita porque não lhes enche os ouvidos de promessas num amanhã Celestial, em que o maná cairá do Céu para todos por igual. Os governantes honrados cansam, devem desaparecer o mais rápido possível, porque a sua honestidade aborrece as pessoas.

Quero dizer uma coisa: cada vez que escrevo um artigo sobre a desonestidade de alguns políticos, sou criticado severamente. Nunca me referi a ninguém em particular, mas a todos os desonestos em geral. Os desonestos existem, não só no seu trabalho político, mas também na sua vida privada, a esses é que chamo parasitas improdutivos.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Alguns sabugalenses residentes no concelho do Fundão vêm manifestando o desejo de saberem quantos conterrâneos imigraram para a Cova da Beira. Até hoje, existiu apenas o desejo e nada mais. Nesta data, António Alves Fernandes, natural da Bismula e António Vicente Leal, natural da Bendada, vão concretizar esse desejo.

Assim, nada melhor que uma boa mesa. No dia 1 de Maio, no restaurante Fernandes, sediado na estrada entre Aldeia de Joanas e Telhado, no local da Borralheira, haverá um almoço extensivo a todas as pessoas do concelho do Sabugal, extensivo às respectivas famílias, residentes no Concelho do Fundão.
As inscrições estão abertas até 22 de Abril do corrente ano, para António Alves Fernandes, com telefone 275752726/962820107 e António Vicente Leal com o telefone 275771937/933635637.
Ementa do Almoço:
– Sopa das Festas
– Cozido à Portuguesa
– Salada de Frutas
– Bebidas – Refrigerantes – Água e Vinho
– Café
O Preço desta refeição será de 10 euros, para maiores de dez anos. Para os menores de cinco a dez anos o preço será de 5 euros.
Inscreva-se e junte-se a nós – venha conviver!
Venha conhecer e recordar velhos tempos.
António Alves Fernandes

«Saída Patada da Mula» é o nome da caminhada que a associação Transcudânia – Associação Cultural do Concelho do Sabugal – vai realizar na Serra da Malcata, no dia 25 de Março.

A Transcudânia esclarece que este será um «percurso pedestre pelo trilho da Patada da Mula, pela Serra da Malcata, onde se pode observar a fauna, a flora e a bela paisagem da Serra», dando assim o mote para um dia diferente, a passar em contacto com a Natureza e os seus encantos.
O ponto de encontro será a entrada Norte da aldeia do Meimão, pelas 9 horas do dia 25 de Março.
A associação aconselha os participantes a não se esquecerem de transportar consigo um almoço volante, água, calçado apropriado para caminhadas, binóculos e câmara fotográfica.
Os interessados em participarem nesta aliciante «saída» deverão inscrever-se até ao dia 20 de Março através do contacto de telemóvel 917906406.
O preço de inscrição é de 3 euros para não sócios, sendo porém gratuito para os associados da Transcudânia.
A Associação informou ainda que apoia e aconselha igualmente à participação na «Caminhada pelo Castanheiro do Guilhafonso», que terá lugar no dia anterior, 24 de Março, organizada pelo Núcleo da Quercus na Guarda.
Trata-se da caminhada do Dia da Árvore, pelo que seguirá o trilho que conduz ao célebre Castanheiro do Guilhafonso, um dos mais belos exemplares de Portugal. A partida para este passeio pela natureza acontecerá na rotunda da Rasa, ás 9 horas.
plb

No dia 9 de Junho vai ser inaugurado, no Sabugal, o Centro de Estudos Pinharanda Gomes, local que reunirá o acervo documental particular que o filósofo de Quadrazais doou à Câmara Municipal.

Depois de alguma delonga no avanço do projecto, e atrasos na catalogação dos livros que Pinharanda Gomes cedeu ao Município, o Centro de Estudos com o nome do escritor vai finalmente tornar-se uma realidade.
O Centro de Estudos Pinharanda Gomes funcionará em paralelo à Biblioteca Municipal do Sabugal, tendo contudo uma sala própria e independente, que abergará o documental, tal como é a vontade expressa do escritor.
A catalogação dos livros, embora ainda incompleta, já foi remetida ao doador, que reside em Santo António dos Cavaleiros, concelho de Loures. O presidente da Câmara Municipal, António Robalo, deslocou-se já por duas vezes a casa do escritor, em datas recentes, manifestando-lhe que a Câmara está efectivamente apostada na implementação do projecto. O presidente encarregou ainda o seu assessor Norberto Manso da coordenação da instalação do Centro de Estudos e da sua inauguração através da organização de uma cerimónia pública.
Por vontade expressa de Pinharanda Gomes o acto inaugural será uma cerimónia simples, que contará com a sua presença e a de um ou dois oradores que falarão sobre a obra escrita e o pensamento do filósofo.
Jesué Pinharanda Gomes doou os seus livros e documentos ao Município do Sabugal através de um protocolo assinado em 3 de Outubro de 2008 com o então presidente Manuel Rito Alves.
O documento prevê a doação da biblioteca completa do escritor, constituída por cerca de três mil e quinhentos volumes e opúsculos, das mais várias temáticas, bem como a sua correspondência particular, as insígnias académicas e outros objectos pessoais.
Os livros ficarão à fruição pública logo com a inauguração do Centro de Estudos, porém, nos termos do que foi acordado, a correspondência particular apenas poderá ser consultada após a sua morte.
O Centro de Estudos terá por finalidade servir os estudantes e os estudiosos das matérias de que faz parte o acervo de livros ali contidos, bem como o estudo da obra monumental do escritor Pinharanda Gomes.
plb

Hoje, nestes dias em que tanto se fala de uma reforma administrativa que basicamente tende a «apagar» freguesias do mapa, estou sempre a recordar-me da reforma administrativa de 1855, implementada por Fontes Pereira de Melo.

Mapa Concelho Sabugal

Nessa ocasião, as mudanças em todo o País e também aqui na nossa zona foram gigantescas. Creio que o que aconteceu com o Casteleiro (mudar de concelho e de Distrito, passando da Beira Baixa para a Beira Alta) foi do pior que se pode fazer a uma população.
À época, houve ainda muitas outras alterações.
No entanto, já antes, em 1836, uma primeira grande reforma, a do Liberalismo, conduzida pelo legislador Mouzinho da Silveira, «dividiu o território nacional em províncias, comarcas, concelhos e freguesias. Esta política provocou no Alto Côa a extinção dos concelhos de Alfaiates e Vila do Touro».
Agora, violenta… mesmo violenta, pelo menos para o Casteleiro, foi a Reforma Administrativa de 1855 de Fontes Pereira de Melo e da Regeneração.
Nessa altura muita coisa mudou.
E muita coisa mudou para pior em termos de administração e de defesa de interesses locais.

A Regeneração foi muito dura contra esta nossa região
A Regeneração não foi generosa para com os habitantes desta zona.
Por exemplo:
– Caria
Era concelho. Deixou de o ser, passou a freguesia e foi integrada no concelho de Belmonte.
– Sortelha
Era concelho – e até do distrito de Castelo Branco. Deixou de o ser, passou a freguesia e foi integrada no concelho do Sabugal, mas agora do Distrito da Guarda. Por arrasto, as freguesias do Casteleiro, Bendada, Águas Belas, Urgueira, Aldeia de Santo António, Pousafoles, Lomba dos Palheiros, Malcata, Moita, Pena Lobo, Santo Estêvão, Sortelha e… Valverdinho mudaram de concelho. Note que esta última «localidade» de Valverdinho (que de há muito, desde toda a minha lembrança, mais não é de facto do que uma quinta e com pouquíssima gente) deixou nessa altura de ser freguesia e passou a ser uma anexa do Casteleiro – o que ainda hoje se mantém.
Sortelha era pois um concelho grande em território, disperso e diversificado. Foi extinto, transferido para a «Raia», integrado no concelho do Sabugal e passou a ser mais uma das 57 freguesias com que o Sabugal então ficou – já que se juntaram ao renovado e agora enorme concelho do Sabugal os concelhos então também extintos de Vilar Maior, Sortelha e Castelo Mendo.
– Malcata e Urgueira
Li que com Malcata e com a Urgueira aconteceram mesmo algumas cenas escabrosas. A transferência dessas duas freguesias do concelho de Sortelha para o do Sabugal ter-se-á dado já em 1851. Mas a câmara de Sortelha não esteve pelos ajustes… e só quando extinta (1855) é que se consumou essa alteração.
– Pousafoles
Quanto a Pousafoles, li duas versões: que pertencia à Guarda e que pertencia a Sortelha antes de integrar o Sabugal.
– Castelo Mendo
E quanto a boa parte das freguesias do antigo concelho de Castelo Mendo, 30 anos depois, em 1883, estavam já entregues ao concelho de Almeida.

1855 – uma reforma nada positiva para o Casteleiro
Portanto, um século XIX cheio de alterações, instabilidades e flutuações.
Consequentemente, cheio de inoperâncias.
O Casteleiro, por exemplo, sofreu a dobrar e a triplicar e ainda hoje sofre:
– de maior freguesia fora da sede do concelho de Sortelha, passou a pequena freguesia do Sabugal;
– de freguesia limítrofe da sede do concelho, passou a freguesia afastada da sede;
– de uma freguesia num concelho de sete ou oito, passa a uma no meio de 60 e tal e, depois, uma de 57 até hoje;
– passa de um Distrito em desenvolvimento e industrialização, Castelo Branco, para um Distrito rural e nada dinâmico nessa época, o da Guarda.
Portanto, uma reforma nada positiva para o Casteleiro, lamentavelmente.
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

Exposição temporária de banda desenhada sobre o «Lince Ibérico» no Forno Comunitário da freguesia da Malcata.

Lince Ibérico - MalcataPromovida pela Liga para a Proteção da Natureza(LPN), está em exposição temporária, no Forno Comunitário de Malcata, a Banda Desenhada sobre o Lince Ibérico, que faz parte do Projeto «Life Habitat Lince/Abutre».
A exposição poderá ser visitada até ao dia 15 de Abril, nos seguintes horários: dias da semana das 15.00h às 17.00 horas, sábados e domingos das 14.00 às 18.00 horas.
Esta mostra destina-se em geral a todo o público, e particularmente às escolas, com o objectivo de sensibilizar os visitantes para a defesa e protecção desta espécie animal em via de extinção.
A dupla de autores são nomes consagrados, a saber: José dos Santos Garcês, ilustrador e pintor português, um dos mais notáveis autores da banda desenhada; e Bruno Pinto, biólogo e especialista em biodiversidade, nomeadamente em programas relacionados com o Lince.
Esta exposição em Malcata deve-se particularmente ao Ricardo Nabais e à Mafalda Pereira, da associação Transcudânia, que a descobriram na Exponor, e que depois de contatarem a Associação Cultural e Desportiva e a Junta de Freguesia de Malcata providenciaram para que a mesma se pudesse realizar. A eles um muito obrigado dos malcatanhos!
E já agora, a todos as que a visitarem, uma recomendação: Tenham «olho de lince»!…

Caminhada na Serra da Malcata
A Transcudânia – Associação Cultural do Concelho do Sabugal promove no dia 25 de Março a caminhada «Saída Patada da Mula» (Serra da Malcata) com inscrições obrigatórias até 20 de Março.
A organização explica que este será um «percurso pedestre pelo trilho da Patada da Mula, pela Serra da Malcata, onde se pode observar a fauna e a flora e a bela paisagem da Serra».
Ponto de encontro: entrada Norte da aldeia do Meimão, às 9:00 horas de domingo, 25 de Março.
O que levar: almoço volante, água, calçado apropriado para caminhadas, binóculos e câmara fotográfica
Preço: 3 euros para não sócios; gratuito para sócios.
Contactos: Telem: 91.790.64.06; email: transcudania@gmail.com
Rui Chamusco

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Soito iniciou em 16 de Setembro de 2011 a ampliação das instalações do quartel. O projecto é um grande salto na melhoria das condições da corporação e uma das maiores iniciativas da actual Direcção presidida por Maria Benedita Rito Dias.

(clique nas imagens para ampliar.)

Nas reuniões semanais entre a Associação e os Responsáveis pela obra, tem-se verificado sempre a máxima retidão no esclarecimento de todos os pormenores decorrentes, dando conta dos mesmos à ADES e ao MAI. A Associação conta com a Vossa ajuda.

Quem pretender ajudar os bombeiros pode transferir o seu donativo para:
NIB: 003507020001137293062
ou, se for no estrangeiro, através do:
IBAN: PT50003507020001137293062, código CGDIPTPL.
A Direção e os Bombeiros Voluntários do Soito agradecem.
jcl

Sem bem que a saúde me venha acompanhando, pois ando no mundo há um boa tulha de anos, a verdade é que nem sempre me senti sadio, muito por mor dos meus afazeres de homem aventureiro, que a nada me neguei ao longo da vida, na ideia de ganhar o meu sustento e o dos que mantinha de portas adentro.

Há muito tempo, tive a minha hora minguada e caí numa modorra infernal. Não sentia as forças, tomava-me da fadiga e abancava à roda da borralheira. Se emborcasse sustância largava arrotos descomunais, rugiam-me os intestinos e atirava sonoras ventosidades, que pareciam os estrondos dos canhões dos franceses do tempo do general Maneta. Sentia fastio, doía-me o toutiço e quedavam-me dormentes os braços e as carranchas.
Toda a populaça da Bismula e dos povos em redondo sentiu dó quando tomou fé que o Zé Tosca, preado contrabandista e feirão errante, deixara de cruzar os caminhos da raia e de tomar lugar no terreiro dos mercados. E a falta que eu fazia nas levas da candonga! Era nesse tempo o cortador mais afamado da raia, capaz de conduzir ao Inferno um grupo de homens carregados, se disso houvesse precisão.
A Belmira ao ver-me assim, desacorçoado e pejado de dores, mandou chamar o barbeiro do povo, o Ti João Vasco. Foi contra a minha vontade, pois tinha de há muito uma desavença com o dianho do barbeiro, motivada por uma divisão de águas, em que me vira obrigado e mandar-lhe dois bofetões nas fuças. Mas o homem lá veio, cioso do seu ofício, recomendando mezinhas e cortando-me os pulsos.
¬- Olha-me para este sangue estragado, mais negro que um chapéu – disse-me o barbeiro Vasco, ao mesmo tempo que me apulava o sangue para um alguidar, como quem o colhe a um marrano para fazer as morcelas.
Mas o tratamento do mestre em curas não tomou efeito e o mesmo sucedeu com os responsos e feitiçarias da Ti Páscoa, a benta lá da terra. Ia definhando a olhos vistos, caminhando-me para a morte, já quase resignado ao triste destino. Olhava para a catraiada mais nova pensando em como se criaria sem o concurso do pai, que era afinal o arrimo da casa.
– Vá ao praticante de Almedilha, homem de Deus! – atirou-me a nossa vizinha, a Ti Rosalina, muito combalida com o avanço da moléstia.
– Ando farta de andanças. Não há modo de lhe atalharem o mal – lamentou-se-lhe a minha Belmira.
Porém, na manhã chegante, ainda ao lusco-fusco, a Belmira, mulher de um raio, atirou-me para riba da albarda do macho, e botámo-nos ao caminho. Atravessámos as Batocas sob o olhar curioso daquelas gentes que me conheciam e que nunca me houveram visto em tais preparos, qual farrapo engelhado, que parecia seguir para ao encontro da morte. Passada a raia entrámos no povoado castelhano, onde o praticante dava consultas. Vivia numa casinha modesta, em cuja sala, forrada de armários com remédios, nos recebeu e me mandou sentar. A Belmira largou o rol das queixas e dos achaques que me apoquentavam e me não deixavam dar carreira direita.
Ouvidos os sinais da malina, o praticante sentenciou:
– É embaraço intestinal. Há quanto não desorga?
– Já lá vão aquase duas semanas – respondeu a zelosa mulher.
O curador consultou um livro, grosso como um missal, e ditou a prescrição:
– Faça-o emborcar leite, muito leite. Encharque-o de limonadas e meta-lhe às golas cozimentos de arroz ou de cevada. Que beba chá de marcela e arrume-lhe com pungentes de cene e de ruibardo.
Botadas contas, a mulher desembolsou dois duros, e volvemos a casa, amargurados com a avultada despesa e pouco ou nada esperançosos com a receita.
Ainda falei em deitar as indicações do praticante aos quintos dos infernos, mas a patroa, zelosa como nunca, tratou nesse mesmo dia de iniciar os tratamentos, seguidos com todo o rigor, após a recolha das ervas pelas casas das vizinhas.
O certo é que às primeiras tomadas, me deu uma desintéria do catano, que quase me deixava sem entranhas. Arribei ao cabo de uma semana e senti-me voltar a ser um homem sadio. Perdi as dores, recuperei a força e o génio para a vida e botei-me de novo à faina, passando mercancias de um para o outro lado da fronteira e correndo os mercados da redondeza, em rebusca do meu ganha pão.
Paulo Leitão Batista, «Aventuras de um velho contrabandista»

leitaobatista@gmail.com

JOAQUIM SAPINHO

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