Há similitudes entre a Revolução Industrial de finais do século XVIII e metade do século XIX, e a Globalização Económica e a Revolução Tecnológica de finais do século XX e início do século XXI. A primeira similitude é que todas as mudanças foram dirigidas pelo poder económico e financeiro.

António EmidioA característica fundamental da Globalização Económica é a facilidade e a rapidez como se transferem milhões de euros ou dólares para qualquer parte do Planeta sem nenhum tipo de controlo, procurando o lucro imediato. Isto deve-se ás novas tecnologias da informática e das comunicações, originando grandes focos de conflitos sociais, crescimento da pobreza, exclusão social, precariedade laboral e desemprego, principalmente para os mais jovens. Está a notar-se cada vez mais, que a juventude actual irá viver pior que os seus pais, fenómeno que nunca tinha ocorrido na História da Humanidade.
No século XVIII nasce a Revolução Industrial na Inglaterra. Assenta esta revolução numa nova fonte de energia, o carvão e, também, no surgimento de maquinaria nova, proveniente de invenções do homem, máquinas essas que modificaram as técnicas de fabrico. Novas energias e nova maquinaria foram a origem da Revolução Industrial, cujo símbolo máximo foi a máquina a vapor. Esta Revolução Industrial provoca alterações várias, entre elas o êxodo rural que esvaziou os campos, levando daí a mão de obra necessária para as cidades onde se concentravam as fábricas.
Presentemente a Globalização Económica e a Revolução Tecnológica estão a levar muita gente qualificada, principalmente jovens, a emigrar dos países mais débeis economicamente, como Portugal, para os mais ricos e poderosos, como a Alemanha, a Inglaterra, a Holanda, entre outros. Estes emigrantes não são herdeiros dos que partiram nos anos cinquenta e sessenta do século passado, é uma classe inteiramente nova, uma realidade social inteiramente diferente.
Ontem, como hoje, o Grande Capital é favorecido pelas leis do Estado. O desemprego durante a Revolução Industrial punha à disposição dos patrões, milhares de trabalhadores que podiam substituir os que fizessem greve, estivessem doentes, ou que, por um simples capricho, fossem despedidos. Não havia leis laborais nem contratos, a quantidade do salário dependia do critério do patrão, para os mais velhos não havia reforma. Hoje caminhamos para o mesmo, mas atrás de tempo, tempo vem…
Não havia horário de trabalho, uma jornada podia durar 16 ou 18 horas, não havia descanso, nem aos Domingos. Como é natural, o Liberalismo suprimiu os feriados e as festas religiosas vindas do Antigo Regime, isso reduziu ainda mais as possibilidades de repouso dos operários. Os princípios do Liberalismo e agora do Neoliberalismo são estes: a liberdade de oferta e de procura não deve ser entravada por qualquer regulamentação limitativa. A condição dos operários era pavorosa, a condição dos trabalhadores europeus começa a ser pavorosa.
O mundo laboral começa a ter muitas similitudes neste princípio de século, com os tempos da Revolução Industrial, muitas diferenças também! Dirá o leitor(a), mas as injustiças, o sofrimento e a exploração por que passaram os trabalhadores desses séculos, estão a passar os de agora, com matizes diferentes. Querido leitor(a), as injustiças e o sofrimento são de sempre, não se prendem só com uma época histórica.

Uma curiosa história: o nosso Rei D. Pedro V, em 1854, fez uma viagem até Inglaterra. Em Manchester foi visitar uma fábrica de fiação de algodão, a mais bem apetrechada e a maior, cujo dono era o senhor Benjamin Nicholls. Quem era este senhor? Quem era este grande empresário? Nem mais nem menos do que o Presidente da Câmara de Manchester! Este senhor servia dois «senhores», a sua empresa e a Câmara Municipal…
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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