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O Casteleiro, concelho do Sabugal, foi a derradeira etapa da visita do secretário-geral do Partido Socialista ao distrito da Guarda, onde defendeu que deve haver um novo o olhar para este território, sob pena do Interior vir a morrer.

Ontem, 25 de Fevereiro, António José Seguro jantou no restaurante Casa da Esquila, no Casteleiro, na companhia de uma centena de militantes e simpatizantes.
A atenção do líder socialista esteve voltada para a situação vivida nas terras que visitou ao longo do dia. «Se não olharmos para o interior com olhos de ver, a prazo, o interior morrerá e não aceito que o interior do país venha a morrer», declarou aos jornalistas.
O interior «tem sido prejudicado pelas políticas nacionais», defendendo ser necessário fazer política «de outra forma, olhar mais às pessoas e à sua dignidade e menos a critérios economicistas».
Seguro criticou o anúncio feito pelo governo relacionado com a extinção da Entidade Regional de Turismo, que «tem como objectivo promover o melhor que existe na Serra da Estrela». E concluiu: «era muito importante que pudesse continuar a existir uma unidade que valorizasse as capacidades e o turismo em volta da Serra da Estrela».
Outra ideia marcante defendida pelo secretário-geral do PS foi a da manutenção de todos os tribunais que o governo anunciou ir fechar, propondo que sejam os magistrados a deslocarem-se para a realização de julgamentos. «A proposta que faço é muito simples: é serem os magistrados a deslocarem-se aos locais, quando é necessário fazer os julgamentos», declarou aos jornalistas.
«A justiça tem que ser um bem a que todos os portugueses devem aceder e devem aceder independentemente dos seus recursos, dos seus rendimentos». E acrescentou: «Ora, se vamos pôr a justiça do país mais longe, mais distante das populações, isso significa que mais gente fica com dificuldades de acesso a esses tribunais».
Em sua opinião, em vez de o governo encerrar tribunais e «obrigar as pessoas a deslocarem-se às centenas e aos milhares» para concelhos vizinhos, originando «custos e mais dificuldade no aceso à justiça», propõe que sejam mantidos «níveis mínimos de funcionamento em todos os tribunais actualmente existentes».
O novo mapa judiciário, proposto pelo governo, prevê o encerramento de 47 tribunais, quatro no distrito da Guarda, em Mêda, Figueira de Castelo Rodrigo, Fornos de Algodres e Sabugal.
A jornada em Defesa do Interior começou em Seia, passou por Linhares da Beira (Celorico da Beira), Guarda e Manteigas.
Na visita a Manteigas, na Serra da Estrela, viu as obras de instalação da área de localização empresarial e de criação de um centro de energias renováveis e de sensibilização ambiental, da responsabilidade da câmara municipal.
plb

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O Restaurante Zé Nabeiro no Soito tem um prato único no mundo que dá pelo peculiar nome de «Canja de Cornos». Edição da jornalista Paula Pinto da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

Local Visão Tv - Guarda
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jcl

A Associação Académica do Colégio de S. José (o «Rocha») realiza o encontro anual dos antigos alunos no dia 24 de Março, na Guarda.

A Associação foi criada oficialmente em 2011, representando um leque de antigos alunos que vai desde os 80 anos de idade aos 37, abrangendo quase todo o território Português, sendo muito boa parte do Distrito da Guarda e, em especial, do concelho Sabugal
Todos os anos e no fim-de-semana que se segue ao dia 19 de Março, a associação realiza o encontro de convívio, que este ano acontece a 24 de Março, sábado, pelo qual se pretende juntar velhos colegas de estudos que reviverão as histórias de outros tempos.
O encontro já tem programa:
Às 10h30 faz-se a recepção das entidades e associados participantes;
Às 11h30 tem lugar a Missa na Capela do Colégio de S. José;
Às 12h30 acontece a colocação da Estatua de S. José na Sede da Associação;
Às 13h00 é a vez do almoço de convívio no restaurante Videira, nas Piscinas Municipais (Bairro Sr. Remédios);
Às 15h30 os convivas concentram-se no Paço Episcopal;
Às 15h45 tem início a arruada;
Às 17h00 procede-se à colocação de uma coroa de flores na estátua do Cónego Álvaro Quintalo (natural de Rendo e grande referência do colégio);
Às 17h30 é a vez da inauguração oficial da sede da associação, com vistita á Sala Museu;
Às 18h00 conclui-se a jornada com o bolo e o champanhe comemorativo.
Os interessados podem inscrever-se, até ao dia 17 de Março, na Tasquinha do Firmino (Tel: 271212170), no Snack Bar Zé Maria (Tel: 271211811).
plb

O presidente da Comissão Política Concelhia do Partido Socialista, Nuno Teixeira, apresentou no início dos trabalhos da última Assembleia Municipal, realizada no dia 24 de Fevereiro, uma declaração onde critica o facto do presidente da Câmara ter enviado para a Ordem de Trabalhos um só assunto de somenos importância, lamentando, face ao facto, o «descrédito em que cai o poder local perante a sociedade sabugalense». Transcrevemos, na íntegra, a declaração lida na sessão.

PSA realização desta Sessão da Assembleia Municipal deixou o Grupo Político do Partido Socialista atónito e incrédulo face a uma Ordem do Dia que, para além do ponto obrigatório «Actividade Municipal», apenas contem um outro ponto.
Colocámos até a questão de propor ao Sr. Presidente da Assembleia Municipal para que não se realizasse a Sessão, mas fomos confrontados com a lei que expressamente diz que «A Assembleia Municipal tem anualmente cinco sessões ordinárias, em Fevereiro, Abril, Junho, Setembro e Novembro ou Dezembro (…)».
A não solicitação de agendamento por parte do Sr. Presidente da Câmara de quaisquer outros assuntos conduziu-nos a dois tipos de raciocínio:
Num primeiro momento, e embora nos custasse a acreditar em tal, pensámos que o Sr. Presidente da Câmara tomava esta atitude de forma deliberada numa tentativa de diminuir a importância que o regular funcionamento da Assembleia tem para o Concelho do Sabugal.
Mas, por muitas críticas que façamos ao Sr. Presidente, ainda acreditamos no seu apego à democracia e no seu respeito pelas Instituições, pelo que rapidamente abandonámos esta hipótese.
E assim, hoje estamos certos que a razão duma Ordem do Dia como esta, mais não é que o resultado da inoperância do Sr. Presidente da Câmara o que conduz, cada vez mais, à paralisia dos Serviços Municipais, logo, ao não desenvolvimento de qualquer proposta, capaz de vir a esta Assembleia.
E não havia nada para agendar?
Havia, se o Sr. Presidente compreendesse a importância das Sessões da Assembleia Municipal, mas, e sobretudo, a importância de um Município activo e preocupado com o desenvolvimento do Concelho.
Estão em discussão pública alguns regulamentos municipais com eficácia externa que têm de ser aprovados por esta Assembleia.
Mas o Sr. Presidente deixou que os prazos de discussão pública se arrastassem para além desta data, o que provocará, a não ser que a bancada do PSD venha agora pedir uma Sessão Extraordinária, que os mesmos só entrarão em vigor em Maio.
Por tudo isto, o Grupo Político do Partido Socialista não pode deixar de lamentar o descrédito em que cai o poder local perante a sociedade sabugalense, quando se reúne quase uma centena de eleitos municipais, para discutir quase nada.
Em Dezembro a maioria PSD gritou bem alto que o mais importante da Assembleia era a sua Ordem do Dia.
Dois meses depois, o Sr. Presidente da Câmara responde-lhes à letra!
Para além do dinheiro dos contribuintes gastos hoje, para além deste vazio na Ordem do Dia, o que nos preocupa verdadeiramente é que o Sr. Presidente da Câmara já nem para as Sessões da Assembleia encontra assuntos!
A Câmara do Sabugal está parada e esta Ordem do Dia é o seu reflexo!
Perante esta situação e porque a minha maneira de ser e de estar na política não me permite compactuar com situações destas. Porque sempre ouvi dizer que «quem não trabuca, não manduca», não posso aceitar que me seja paga uma senha de presença por ter feito, nada!!
Uma vez que a lei não me permite prescindir do referido pagamento, tal como referi em Assembleia, irei doar o valor da senha desta sessão à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Sabugal.
O Presidente da Comissão Política Concelhia do Partido Socialista

Quando eu era pequeno, muita gente ainda plantava linho e procedia à sua fiação. E havia na aldeia alguns teares, que, imagino, seriam como o da imagem.
Quanto mais leio coisas de antigamente, mais me convenço de que, há 270 anos ou mais, havia aqui uma espécie de indústria artesanal nascente que foi vencida pelos tecidos indianos que entravam de roldão no Pais por essa altura. E a Coroa deve ter ajudado à festa.

Hoje, o material barato vem da China, sobretudo. Naquela altura, terá sido a Índia (Goa) a origem de tecidos muito mais baratos do que os que eram feitos cá ou mesmo os que vinham da Inglaterra, onde já se usava a mecanização para produzir…
Há na nossa zona uma tradição de fabrico ligada à fiação, tecelagem e tinturaria? Só pode ser. De outro modo, por que raio havia o Marquês de criar com pompa e circunstância bem perto de nós, na Covilhã, as tinturarias da Real Fábrica de Panos, uma manufactura do Estado, fundada pelo Marquês de Pombal em 1764?
Mas isso, reparem, é 16 anos depois da data daquilo que hoje aqui me traz.
De facto, em 1758, segundo o Padre da Paróquia do Casteleiro, o «tinte» já tinha sido demolido.

Dois pisões e um tinte
Fiação, tecelagem, pisoaria, tinturaria – uma fileira de produção essencial nas aldeias da era pré-industrialização.
Sabe-se hoje que o Casteleiro chegou a ter isto tudo.
Leia-se a propósito o que escreve o Padre, quando responde ao tal «Censo» do Marquês.
À pergunta 16 do capítulo III do questionário «O que se procura saber do rio dessa terra he o seguinte», o Cura Manuel Leal Pires responde: «Tem dentro do limite desta freguesia esta ribeira sete moinhos e três lagares de azeite, dois pizoins e algum dia teve também um tinte, porém hoje se acha demolido».
No que ora me interessa, atento nos «dois pizões» e «um tinte».
Pisão: espécie de moinho onde os tecidos eram batidos para ficarem muito compactados e por isso mais maleáveis (dentro do possível, com estes processos artesanais da época).
Tinte: palavra espanhola para pintura artificial (por exemplo, ainda hoje, «el tinte del cabello»). Era a palavra usada para as tinturarias artesanais que havia lá em muitas aldeias. E aqui também.
Concluímos que em 1758 a construção que tinha abrigado o tinte já não existia.
Mas existia bem viva a memória dessa unidade de «fabricação» local.
Por que terão acabado com a industriazinha da época?
Proibição da Coroa?
Isso aconteceu muito nos arredores de Lisboa, por exemplo, sob o pretexto de que já se produzia de mais e que o consumo nacional já não escoaria a produção… balelas para dizer antes que se protegiam os interesses ingleses – cuido eu.
Concorrência?
Sobre a hipótese de concorrência, chamo em meu auxílio o ensaio de Jorge Miguel Pedreira «Indústria e negócio: a estamparia da região de Lisboa, 1780-1880», onde afirma: «Na segunda metade do século XVII e principalmente no século XVIII, os panos de algodão estampados da Índia granjearam, pela sua leveza e pelo colorido dos seus padrões, a preferência dos consumidores europeus. Eram tecidos que podiam substituir com vantagem as sedas, tanto em artigos de vestuário como de decoração. A importação das «indiennes» e dos «calicots» cresceu consideravelmente e as Companhias das Índias Orientais começaram a organizar feitorias para reunirem esses produtos».
De qualquer modo, para mim fica também claro que estava tudo contra estas «artes» aldeãs e que o nascimento e desenvolvimento da indústria nacional de estamparia acabou por arrasar estas fabriquetas isoladas como o tinte do Casteleiro.
Hoje, deixou de haver o tal tinte.
Mas a palavra ficou lá.
Tinte é o nome que ainda hoje damos àquele local. Fica próximo da Ribeira, ao pé de Cantargalo, a caminho de Gralhais.

O trabalho num «tinte»
Fui procurar saber um pouco mais sobre o que se fazia e como nas tinturarias e depois nas estamparias do Reino.
Com o autor citado fiquei a saber coisas como:
– Era elevada a concentração de mão-de-obra no sector.
– Mas mão-de-obra feminina só no século seguinte (a partir de 1800 e tal).
– A indústria de estamparia, o sector em questão, era sem dúvida uma das mais importantes em finais do século XVIII e em 1881 era ainda, de vários pontos de vista,
um dos mais importantes ramos da indústria fabril.
– O trabalho era feito manualmente através da aplicação de tinta em blocos de madeira ou directamente sobre os tecidos.
– A branqueação dos tecidos continuava a ser feita pelo método tradicional da exposição ao sol, e não por processos químicos, obrigando os fabricantes a disporem de prados junto às oficinas, o que, naturalmente, encarecia a instalação e gerava problemas de localização. Este atraso tecnológico — que não é, no entanto, superior ao de outros sectores— seria extremamente duradouro. Só em 1847 é aplicada a primeira máquina de vapor, que permitiria finalmente a introdução das máquinas inglesas de imprimir a quatro cores.
– Em 1852, só duas fábricas usavam a energia do vapor e ainda em 1881 mais de 1/3 das unidades produtivas continuavam a estampar por processos manuais
.
No tinte, os tecidos eram antes de mais bem batidos com grandes barras de madeira, de modo a ficarem mais macios e talvez um pouco menos desconfortáveis. Depois eram então embebidos em tintas feitas na base de produtos da Natureza.
Os tecidos da época iriam desde o burel das capas de pastor e outras peças de vestuário e de agasalho (feitas de lã cardada) o bragal, a flanela e a chita até à estopa e ao linho.
E como eram tinturados? Que matéria-prima se usaria? Não sei, pelo que ainda consegui encontrar num estudo publicado na Revista de Ciências Agrárias, versão digital, 2007, não errarei muito se disser que na minha terra esses produtos seriam mais ou menos os seguintes: raízes de várias plantas, bem como as corolas de algumas flores, lírios, giestas (flor amarela) e urzes.

Protecção real
Pelo que leio, o Casteleiro – e certamente outras terras por aqui – terá mesmo sido precursor… É que na Covilhã e na região de Lisboa, por exemplo, só na segunda metade do século XVIII é que a indústria vingou, mas com a protecção do Marquês e da Coroa. Deve ter sido isso que cortou as vasas à industrialização, mesmo que mínima, da minha terra. E assim o «tinte» foi demolido e tudo voltou ao «ram-ram» do costume e as pessoas voltaram a comprar os seus tecidos aos vendedores ambulantes da época, talvez trocando-os por melancias e vinho. Digo eu. Mas lá que se manteve, isso manteve, a tradição de cultivar linho, proceder à sua fiação e fazer ou mandar fazer a respectiva tecelagem nos teares simples da aldeia
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

JOAQUIM SAPINHO

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Deste Lado da Ressurreição - Joaquim Sapinho - 2012 Clique para ampliar

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