Há um retrocesso da Social-Democracia e do Socialismo Democrático em toda a Europa. Há pelo menos 10 anos atrás, a maior parte dos países da U.E. estavam governados por partidos sociais-democratas e socialistas democráticos, presentemente quantos são? Muito poucos, ou mesmo nenhum, como consequência disto, os valores sociais e os valores éticos estão a ser abandonados, porque uma nova classe política, medíocre, abraçou um «bezerro de ouro», um falso ídolo.

António EmidioO Socialismo Democrático está numa profunda crise, não duvidemos, mas os seus simpatizantes que se identificam com os seus valores, ou seja, a esquerda sociológica, está em crise? Não, esta esquerda sociológica tem dentro dela, e bem viva, uma vontade de lutar contra o desemprego, a pobreza, contra a tentativa da destruição da Democracia pelos grandes empresários e banqueiros, contra a privatização dos serviços públicos, como a saúde, que eram de todos e agora passarão a ser só de alguns, contra o corte de prestações sociais, contra a contaminação do meio ambiente e, contra tudo e todos aqueles que se opõem aos direitos humanos e aos valores próprios do Socialismo Democrático.
O Capitalismo Selvagem triunfa, tem o poder neste Mundo Globalizado, mas não conseguiu, nem conseguirá o triunfo social, porque a situação social cada vez se agrava mais e irá dar origem a convulsões. O triunfo deste Capitalismo Selvagem – Neoliberalismo – é o triunfo de um crime contra a humanidade.
E a classe política? Os homens e mulheres socialistas democráticos, os sindicatos e os intelectuais? Estes estão numa crise profunda, perderam a confiança nos seus princípios e nos seus valores. Foi esta perca de princípios e valores por parte da classe política que deu origem à entrada triunfal da direita mais ultra liberal. Foram as políticas de austeridade, austeridade nos gastos públicos sociais, aumento do desemprego e da precariedade laboral, facilitaram as especulações dos mercados e desregularam-nos. Pode dizer-se que estas políticas e estes dirigentes políticos criaram uma clivagem enorme, talvez nunca vista antes, com as suas bases. Procuraram estes líderes do Socialismo Democrático ser aceites socialmente pelos outros, pelos seus adversários da direita feudal, até chegar a haver concorrência, para ver qual deles exibe mais dinheiro, mais luxo e tem mais êxito…A esquerda tem por missão falar aos perdedores, não imitar os vencedores, a esquerda tem de dirigir-se aos que não podem triunfar, porque não têm meios, nem emprego, nem salário e sofrem todas as injustiças. Alguns socialistas democráticos pensam que a sociedade atingiu os valores supremos da Justiça e da Liberdade neste princípio de século, mas não é assim, os pobres, os desempregados e os que têm sede de justiça são cada vez mais. Se não for o Estado providência, o Estado Social, a peça principal na procura constante da Justiça e do equilíbrio social, nada o substituirá, nada conseguirá esse equilíbrio e essa Justiça., nunca será a empresa como pensam e dizem em voz alta alguns «Socialistas». Uma verdadeira Democracia não existe sem o Estado Social, o Estado Providência.
Atrás do tempo, tempo vem, e os movimentos da história são vaivéns entre o progresso e o retrocesso, é isto que me traz confiante no futuro, que para mim já pouco trará de bom, mas para os mais jovens acredito que tudo irá mudar no sentido de lhes dar a dignidade que merecem.

Não sei se o leitor(a) já sabe, mas Portugal, juntamente com a Irlanda e a Grécia, estão insolventes, ou seja, incapazes de pagar o que devem aos seus credores. Que irá Passos Coelho fazer perante este facto? Mais impostos, mais desemprego (qual foi a percentagem acordada com a TROIKA de funcionários públicos a despedir até 2015?), mais austeridade, ou mandará pura e simplesmente os mercados (Alemanha e França) à m…?

O encerramento do Tribunal do Sabugal é mais uma machadada neste Concelho, contribuindo para a sua agonia económica, social e política.
Se por acaso os tribunais não dão lucro, então o Senhor Passos Coelho que privatize a justiça…Hoje só é útil o que é rentável.

«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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