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«A velhice é isto, ou se chora sem motivo, ou os olhos ficam secos de lucidez»; Miguel Torga.

Esta temática tem, nos últimos dias, sido alvo de muitas notícias, comentários, análises, seminários e debates. Muita conversa como convém, talvez para na prática esquecer o milhão de idosos que vive na solidão, quatrocentos mil sozinhos e seiscentos mil em lares. Muitos optam e procuram a solidão envergonhada, viver e morrer sozinhos. Outros têm medo da solidão que os mata. Há quem afirme: «deixei de os conhecer e eles deixaram de me conhecer a mim».
Portugal, com quase dois milhões de idosos, é o quinto país do mundo mais envelhecido e está em segundo lugar na Europa, resultado de uma política deficitária no apoio à família e de uma mentalidade anti-natalidade. Por este caminhar, daqui a quarenta anos, segundo estudos demográficos, o nosso País tem 80% da população envelhecida. Estes números não te assustam?
Os poucos benefícios da velhice são, por enquanto, os descontos nos transportes públicos, o que desperta a inveja de alguns, que, contudo, não têm inveja da minha idade. A velhice, como disse José Saramago, consiste afinal em sentir como perda irreparável o final de cada dia.
De há uns anos a esta parte tenho visitado alguns lares e registo as minhas observações, muitas delas são surrealistas.
O Envelhecimento chega a todas as idades, mesmo àqueles que hoje são bisnetos. Uma utente de um Lar queixava-se que um bisneto não a visitava, porque os pais do menino, netos daquela senhora idosa, têm medo que «doença da velhice» o infecte o contagie.
Uma Assistente Social, digníssima Técnica de Serviço Social, como gosta de ser tratada, telefonou para os familiares de um utente que tinha acabado de falecer. A resposta que recebe é esta: «mas ele ainda estava vivo, mas que grande chatice». Quero esclarecer que esta pobre criatura não tinha nada, refiro-me aos aspectos materiais, tinha apenas uma reforma de miséria.
Uma utente pede-me sempre que a visito: «o senhor é muito amigo do meu filho, peça-lhe que me venha visitar porque eu gosto muito dele e tenho muitas saudades de o ver».
Um assistente religioso aristocrata de um lar, só aceitou o cargo quando a Mesa da Santa Casa da Misericórdia lhe garantiu uma avença mensal. E, há uns anos, dizia-me um Bispo novato que «a visita aos lares da terceira idade era da competência e da responsabilidade dos párocos». E eu a pensar que o Evangelho de Jesus Cristo era Caridade.
Um Provedor de uma Santa Casa da Misericórdia deste país, numas conferências sobre temática social, disse à plateia que tinha muitos Cristos. Eu, que estava noutra onda, entendi que tinha em sua casa uma colecção de Cristos, idêntica à do grande poeta José Régio, que já visitei em Portalegre. Eu e alguns presentes ficamos na expectativa e avançou com esclarecimentos. Tinha muitos Cristos, estavam vivos e eram em grande número: eram a centena de utentes do Lar que dirigia, cada um com o seu jardim das oliveiras, a sua paixão, a sua via-sacra.
Há tempos visitei um Lar no Couto Mineiro e, em boa hora participei na Eucaristia celebrada por um jovem e polémico sacerdote. O Celebrante olhou para a grande assembleia de participantes, em contraste absoluto com o que se verifica hoje nalgumas paróquias, e afirmou que se sentia pequenino, uma criança perante tantas bibliotecas vivas, perante tantas pessoas que não sabem ler nem escrever, mas que têm o mestrado na Universidade da Vida: «Olho para os vossos cabelos brancos, para as vossas rugas na cara, para alguns rostos de felicidade, mas também de sofrimento e fatiga. Quantas lições a receber de vós. Vou sentar-me aqui e vou pedir-vos para falarem das vossas experiências, da vossa sabedoria.» Assisti a uma aula que me iria a ajudar a obter o mestrado na área social da terceira idade com todas as suas valências e humanidades.
Uma utente centenária, ao ser entrevistada para um diário nacional, afirmou: «já perdi a esperança de viver muitos anos, mas nunca perdi a esperança de sorrir todos os dias». Bonita frase para quem anda com o rosto triste, amedrontado e dando a ideia de que deve algo.
Há pessoas que são alérgicos às visitas aos lares, onde têm familiares, porque ficam incomodadas com os cheiros da «velhice» e têm medo de que alguma doença os infecte.
Conheço um filho único que foi a um lar apresentar a sua noiva aos pais. Mas quando lá chegou e os viu doentes, quase inconscientes, disse à noiva que se tratava de um casal de rendeiros e que os seus verdadeiros pais andavam a passear.
Um Provedor, ao tomar posse desta missão, palavra que muita gente desconhece, apresentou-se às funcionárias desta forma: «esta casa não é minha, é nossa. Temos aqui seres humanos, débeis, carenciados, mas que têm de ser tratados com muita dignidade e amor».
Há tempos um filho deixou uma última mensagem num ramo de flores brancas: «Mãe, perdoa-me, porque nem sempre fui o filho que tu merecias». Este filho nunca faltou com apoio à sua mãe.
Gabriel Garcia Marquez, grande escritor e pensador, Prémio Nobel da Literatura, escreveu que «a solidão é o contrário da solidariedade e o segredo de uma velhice agradável consiste apenas na assinatura de um honroso pacto com a solidão».
António Alves FernandesAldeia de Joanes

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Teresa Duarte Reis - O Cheiro das Palavras - Capeia ArraianaPiódão é a aldeia que se segue na minha viagem pelas Aldeias Históricas. E, mesmo não lhe encontrando castelo, versejo-a para que não fique triste. Sua pedra negra e brilhante confere-lhe uma rudeza majestosa, uma simplicidade quase imponente. La Ruta de los CastilLos não perde pois a altivez desta terra linda, encravada no coração da serra, amplia esse colo materno onde muitos dos seus filhos se podem abrigar.

Ruta Castillos - Piodão

PIÓDÃO

Teu castelo não conheço
Não o vi nem o encontro
Talvez de castro nasceste
Te versejo pois da história
Galo de Prata recebeste.
És imóvel de interesse público
Como Aldeia Histórica
Mais típica de Portugal
Aquele Galo te foi dado
De certo, não há igual.

Pareces escondida, ó Piódão
Se te procuro ansiosa
Demoras a surgir
Aninhada no colo da Serra
Com tua pequenez, a sorrir.

Surges, rápido, na curva
Encastelada em presépio
Simples, fresca e airosa
Num brilho de negras pedras
A receberes-me amorosa.

Numa cor única em domínio
Ruas e casas xistosas
Com teus azuis contornando
Só igual és a ti própria
Tua diferença marcando.

A tal cor que o céu te deu
Da loja que me contaram
Que outra aí não havia
Assim te pintaste de azul
Como o manto de Maria.

Pois se isolada vivias
Recolhida na montanha
Como podias buscar
Outra cor que colorisse
P’ra teus negros alindar?
Mesmo tendo escondido
Matadores de Inês
Admiro-te no presente
Pois ficaste bem pura
Como a água da nascente.

Ao Piódão, o meu abraço

«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com

JOAQUIM SAPINHO

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Em exibição nos cinemas UCI

Deste Lado da Ressurreição - Joaquim Sapinho - 2012 Clique para ampliar

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