O executivo camarário aprovou no dia 1 de Fevreiro um projecto de Regulamento da Biblioteca Municipal do Sabugal e do Centro de Estudos Jesué Pinharanda Gomes. Porém o processo de aprovação foi algo atribulado.

Segundo o que o Capeia Arraiana apurou, o projecto de regulamento apresentado pelo presidente da Câmara não respeitava o que a próprio Município acordara com o escritor quadrazenho para que este doasse a sua biblioteca pessoal, que constituiria o suporte documental do centro de estudos com o seu nome.
O projecto apresentado ao colectivo de vereadores permitia que os livros e demais documentos do Centro de Documentação pudessem ser alvo de empréstimo aos leitores, à semelhança do que acontecia com o acervo de livros da Biblioteca, podendo portanto ser levados para o domicílio ou qualquer outro local. Face a isso, a vereadora socialista Sandra Fortuna terá alertado para o facto do protocolo assinado com o doador conter uma cláusula que impedia a saída dos documentos para consulta e leitura, como forma de se evitar a desintegração da obra legada. Face às incertezas, o projecto não foi votado nessa primeira reunião, ficando a sua discussão adiada.
Comprovada a existência de uma disposição no protocolo que impedia a saída dos documentos do Centro de Estudos Pinharanda Gomes, o projecto de regulamento foi alterado, nos termos de uma proposta formulada e apresentada pela vereadora do Casteleiro aos seus pares. Tal proposta terá ido de encontro ao que foi acordado, assim se aprovando na reunião de 1 de Fevereiro o projecto de Regulamento da Biblioteca Municipal do Sabugal e do Centro de Estudos Jesué Pinharanda Gomes, que será colocado seguidamente em processo de discussão pública.
O novo regulamento, define aos objectivos da Biblioteca e do Centro de Estudos, bem como os seus horários de funcionamento, as regras de acesso, consulta e utilização dos livros e documentos ali contidos, assim como os direitos e os deveres dos utentes.
O Centro de Estudos Pinharanda Gomes resultou, como acima se disse, de um protocolo acordado, em Outubro de 2008, entre o escritor quadrazenho, residente em Santo António dos Cavaleiros, no concelho de Loures, e a Câmara Municipal do Sabugal, na altura representada pelo presidente Manuel Rito Alves. O pensador quadrazenho propôs-se doar ao Município a sua biblioteca particular, com vasta bibliografia nos campos da Historia, Religião, Filosofia, Linguística, Arte e Literatura portuguesa e estrangeira. Foram ainda doados os arquivos pessoais com a correspondência particular e recortes de imprensa, fotografias, e outros objectos pessoais, incluindo as insígnias académicas, diplomas e distinções recebidas ao longo da sua vida enquanto escritor.
O protocolo estipulou que todo o processo de catalogação e acondicionamento dos livros estaria concluído no final do ano de 2010, porém, segundo o Capeia Arraiana apurou junto do escritor, nada lhe tem sido dito acerca do estado do processo, o que «muito o entristece», pois gostaria que tudo o que já foi para o Sabugal estivesse em boa ordem, para que o demais siga a qualquer momento.
plb

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